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1 Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó; e era este homem perfeito reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.

2 E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.

3 E o seu gado era de sete mil ovelhas três mil camelos quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço de maneira que este homem era maior do que todos os filhos do oriente.

4 E iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um dos homens no seu dia; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles.

5 Sucedia pois que decorrido o turno de dias de seus banquetes Jó enviava chamado a eles e os santificava e se levantava de madrugada e oferecia Literalmente "fazia subir" referindo-se à fumaça do holocausto holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Talvez pecaram meus filhos e amaldiçoaram a Deus nos seus corações "E amaldiçoaram a Deus no seu coração" também pode ser traduzido como "ainda que abençoaram a Deus nos seus corações" ou menos provavelmente como "e renunciaram a Deus nos seus corações" . Assim fazia Jó todos os dias.

6 E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR veio também Satanás «o Adversário» entre eles.

7 Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De correr de uma para outra parte através da terra e de passear para cima e para baixo através dela.

8 E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a Meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele homem perfeito e reto temente a Deus e que se desvia do mal.

9 Então respondeu Satanás ao SENHOR e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?

10 Porventura Tu não cercaste de sebe a ele e a sua casa e a tudo quanto tem em cada lado? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra Ou "e os seus bens têm se espalhado (como uma enchente) sobre a terra .

11 Mas estende a Tua mão e toca-lhe em tudo quanto tem e verás se não blasfema contra Ti na Tua face.

12 E disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR.

13 E sucedeu um dia em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho «03196 yayin» pode ser qualquer líquido direta ou indiretamente derivado de uvas. O contexto de toda a Bíblia e contexto local e a santidade do verdadeiro autor das Escrituras o Espírito Santo de Deus aqui exige que o sentido seja o de suco puro recém espremido (como em Gn 40:11) ou o de suco não fermentado e conservado por qualquer um de vários processos conhecidos ("pasteurização" fumos de enxofre fervura e evaporação até se tornar grosso xarope etc. com envasilhamento estéril e hermético) mas não o sentido de vinagre nem o de vinho alcoólico. De qualquer modo quer alcoólico ou não o líquido proveniente da uva somente devia ser usado misturado em 3 a 20 partes de água. Ler o livro "Bible Wines: or The Laws of Fermentation and Wine of the Ancients" - William Patton na casa de seu irmão primogênito

14 Que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam e as jumentas pastavam junto a eles;

15 E caíram sobre eles os sabeus e os levaram e aos jovens- servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.

16 Estando este ainda falando veio outro e disse: Fogo de Deus Inspiração garante que é verdade que as palavras de um não profeta de Deus foram ditas (e ditas como a Bíblia as cita) mas não garante que elas expressam verdade absoluta (como se tivessem sido ditas por Deus ou um Seu profeta inspirado). Portanto aqui o uso da expressão "fogo de Deus" pelo servo pode ter duas explicações: A) Significou "raio de um relâmpago" nada mais que isto portanto não temos nenhum problema; B) Significou "fogo proveniente de Deus" o que é erro do servo (não da Bíblia que apenas fielmente cita as palavras erradas) pois tal fogo proveio do diabo; ademais talvez foi o diabo que pôs estas palavras nos lábios do servo para tentar culpar a Deus e pôr amargura e revolta contra Ele no coração de Jó. caiu do céu e queimou as ovelhas e os jovens- servos e os consumiu e só eu escapei para trazer-te a nova.

17 Estando ainda este falando veio outro e disse: Formando os caldeus três tropas deram sobre os camelos e os tomaram e aos jovens- servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.

18 Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho em casa de seu irmão primogênito

19 Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto e deu nos quatro cantos da casa que caiu sobre os jovens homens e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova.

20 Então Jó se levantou e rasgou o seu manto e rapou a sua cabeça e se lançou em terra e adorou.

21 E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.

22 Em tudo isto Jó não pecou nem atribuiu a Deus nenhuma coisa- desagradável.

2

1 E vindo outro dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o SENHOR.

2 Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E respondeu Satanás ao SENHOR e disse: De correr de uma para outra parte através da terra e de passear para cima e para baixo através dela.

3 E disse o SENHOR a Satanás: Observaste o Meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele homem perfeito e reto temente a Deus e que se desvia do mal e que ainda retém a sua integridade havendo-Me tu incitado contra ele para o consumir sem causa.

4 Então Satanás respondeu ao SENHOR e disse: Pele por pele e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.

5 Porém estende a Tua mão e toca-lhe nos ossos e na carne e verás se não blasfema contra Ti na Tua face!

6 E disse o SENHOR a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida.

7 Então saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de úlceras malignas desde a planta do pé até ao alto da cabeça.

8 E Jó tomou um caco- de- cerâmica para se raspar com ele; e estava assentado no meio da cinza.

9 Então sua esposa lhe disse: Ainda reténs a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre.

10 Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

11 Ouvindo pois três amigos de Jó todo este mal que tinha vindo sobre ele veio cada homem do seu lugar: Elifaz o temanita e Bildade o suíta e Zofar o naamatita; e combinaram vir chorar juntamente com ele e o consolar.

12 E levantando de longe os seus olhos não o conheceram; e levantaram a sua voz e choraram e rasgou cada homem o seu manto e sobre as suas cabeças lançaram pó ao ar.

13 E assentaram-se com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma porque viam que a dor era muito grande.

3

1 Depois disto abriu Jó a sua boca e amaldiçoou o seu dia.

2 E Jó falando Literalmente "respondendo" disse:

3 Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!

4 Transforme-se aquele dia em trevas; e Deus lá de cima não tenha cuidado dele nem resplandeça sobre ele a luz.

5 Contaminem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; a escuridão do dia o tome de súbito terror "A escuridão do dia o tome de súbito terror" ou "tome-o de súbito terror tudo aquilo que escurece o dia" ou "tome-o de súbito terror como a aqueles que têm um dia negro" !

6 Quanto àquela noite dela se apodere a escuridão; e não se regozije ela entre os dias do ano; e não entre no número dos meses!

7 Ah! que solitária seja aquela noite e nela não entre voz de cântico- retumbante- de- júbilo!

8 Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam o dia que estão prontos para suscitar o seu pranto Literalmente "leviatã" .

9 Escureçam-se as estrelas da pouquíssima luz do seu crepúsculo; que espere a luz e não venha; e não veja as pálpebras do alvorecer;

10 Porque não fechou as portas do ventre da minha mãe; nem escondeu dos meus olhos o sofrimento.

11 Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre não expirei?

12 Por que me receberam os joelhos? E por que os peitos para que eu mamasse?

13 Porque já agora jazeria e repousaria; dormiria e então haveria repouso para mim.

14 Com os reis e conselheiros da terra que para si edificam lugares desolados

15 Ou com os príncipes que possuem ouro que enchem as suas casas de prata

16 Ou como aborto oculto não existiria; como os infantes que nunca viram a luz.

17 Ali os maus cessam de perturbar; e ali repousam aqueles cujas forças estão exauridas.

18 Ali os prisioneiros juntamente repousam e não ouvem a voz do exator "Exator" é um opressor cobrador de impostos ou um tirano feitor .

19 Ali estão o pequeno e o grande e o servo está livre de seu senhor.

20 Por que se dá luz ao miserável e vida aos amargurados na alma?

21 Que esperam a morte e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos;

22 Que de alegria saltam e exultam achando a sepultura?

23 Por que se dá luz ao homem cujo caminho é oculto e a quem Deus cercou ao redor?

24 Porque antes do meu pão vem o meu suspiro; e os meus gemidos se derramam como água.

25 Porque o temor que eu temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu.

26 Nunca estive assegurado nem sosseguei nem repousei mas veio sobre mim a perturbação.

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1 Então respondeu Elifaz o temanita e disse:

2 Se intentarmos falar-te enfadar-te-ás? Mas quem poderia conter as palavras?

3 Eis que ensinaste a muitos e tens fortalecido as mãos fracas.

4 As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.

5 Mas agora que se trata de ti te enfadas; e tocando-te a ti te perturbas.

6 Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança e a tua esperança a inteireza- completude dos teus caminhos?

7 Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos?

8 Segundo eu tenho visto os que lavram iniqüidade e semeiam mal colhem o mesmo.

9 Com o hálito de Deus perecem; e com o sopro da Sua ira se consomem.

10 O rugido do leão e a voz do leão feroz e os dentes dos leões jovens se quebram.

11 Perece o leão velho porque não tem presa; e os filhos da leoa andam dispersos.

12 Uma coisa Ou "palavra" me foi trazida em segredo; e os meus ouvidos receberam um sussurro dela.

13 Entre pensamentos vindos de visões da noite quando cai sobre os homens o sono profundo

14 Sobrevieram-me o terror e o tremor e todos os meus ossos estremeceram.

15 Então um espírito passou diante de minha face; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne.

16 Parou ele porém não reconheci a sua aparência; uma forma estava diante dos meus olhos; houve silêncio e ouvi uma voz que dizia:

17 Seria porventura o homem- mortal mais justo do que Deus? Seria porventura o homem- forte mais puro do que o seu Criador?

18 Eis que Ele não confia nos Seus servos e aos Seus anjos atribui loucura;

19 Quanto menos àqueles que habitam em casas de barro cujo fundamento está no pó e são esmagados diante da traça!

20 Desde a manhã até ao anoitecer são despedaçados; perecem para sempre sem que disso se faça caso.

21 Porventura não passa com eles a sua excelência? Morrem mas sem sabedoria.

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1 Chama agora; há alguém que te responda? E para qual dos santos te virarás?

2 Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo.

3 Bem vi eu o louco lançar raízes; porém logo amaldiçoei a sua habitação.

4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados às portas e não há quem os livre.

5 A sua messe "Messe" é seara (campo de grãos) madura em ponto de ser colhida o faminto a devora e até dentre os espinhos a tira; e o salteador engole a sua fazenda.

6 Porque do pó não procede a aflição nem da terra brota a tribulação.

7 Mas o homem nasce para a tribulação como as faíscas das brasas se levantam para voar.

8 Porém eu buscaria a Deus; e a Deus entregaria a minha causa.

9 Ele faz coisas grandes e inescrutáveis e maravilhas sem número.

10 Ele dá a chuva sobre a terra e envia águas sobre os campos.

11 Para pôr aos abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação.

12 Ele aniquila as imaginações dos astutos para que as suas mãos não possam executar sabedoria- e- felicidade "Sabedoria- e- felicidade" ou "coisa nenhuma" .

13 Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita.

14 Eles de dia encontram as trevas; e ao meio dia andam às apalpadelas como de noite.

15 Porém ao necessitado livra da espada e da boca deles e da mão do forte.

16 Assim há esperança para o pobre; e a iniqüidade tapa a sua própria boca.

17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes pois o castigo- instrutivo do Todo-Poderoso.

18 Porque Ele faz a chaga e Ele mesmo a liga; Ele fere e as Suas mãos curam.

19 Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará.

20 Na fome te livrará da morte; e na guerra do poder Literalmente "das mãos" da espada.

21 Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a assolação quando vier.

22 Da assolação e da fome te rirás e os animais da terra não temerás.

23 Porque até com as pedras do campo terás o teu acordo e as feras do campo serão pacíficas contigo.

24 E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás para trazer bem) a tua habitação e não pecarás.

25 Também saberás que a tua semente será numerosa e a tua posteridade será como a erva da terra

26 Em robusta velhice irás à tua sepultura como o feixe de trigo é feito subir Tendo frutificado e amadurecido é arrancado da terra e recolhido a seu tempo.

27 Eis que isto já o havemos inquirido e assim é; ouve-o e entende isso para teu bem.

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1 Então Jó respondeu dizendo:

2 Oh! se a minha mágoa completamente se pesasse e a minha calamidade juntamente se pusesse numa balança!

3 Porque na verdade mais pesada seria do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido engolidas "As minhas palavras têm sido engolidas" ou "faltam-me palavras que expressem meu pesar", .

4 Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus depõem-se em ordenada linha de batalha contra mim.

5 Porventura zurrará o jumento montês junto à verde da tenra grama? Ou mugirá o boi junto à sua forragem?

6 Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?

7 As coisas que a minha alma antes recusava tocar agora são minha comida de dores.

8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo e que Deus me desse o que anelo!

9 E que Deus quisesse esmagar-me e soltasse a Sua mão e acabasse comigo!

10 Isto ainda seria a minha consolação e saltaria de contente na minha dor não me poupando Ele; porque não ocultei as palavras do Santo.

11 Qual é a minha força para que eu espere? Ou qual é o meu fim para que eu prolongue a minha vida?

12 É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?

13 Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?

14 Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão mas ele o amigo) há abandonado o temor do Todo-Poderoso.

15 Meus irmãos aleivosamente Enganadora e traiçoeiramente me trataram como um ribeiro como a torrente dos ribeiros que passam

16 Que estão escurecidos por causa do gelo e neles se esconde a neve

17 No tempo em que se derretem com o calor se desfazem e em se aquentando desaparecem do seu lugar.

18 Desviam-se as veredas dos seus caminhos; sobem ao vácuo e perecem.

19 Os caminhantes de Temá os vêem; os passageiros de Sabá anelam por eles.

20 Ficam envergonhados por terem confiado e em chegando ali se confundem.

21 Agora certamente sois como eles nada; vistes a minha terrificante queda e temestes.

22 Porventura disse eu "Dai-me"? Ou disse eu "Oferecei-me subornos de vossos bens"?

23 Ou disse eu "Livrai-me das mãos do inimigo"? Ou disse eu "Redimi-me das mãos dos terrificadores"?

24 Ensinai-me e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.

25 Oh! quão fortemente pressionantes são as palavras retas! Mas que é o que repreende a vossa argüição?

26 Porventura imaginareis palavras para me repreenderdes visto que as palavras do desesperado são como vento?

27 Mas antes fazeis cair uma rede- de- armadilha Ou "lançais sortes sobre o órfão" sobre o órfão; e cavais uma cova para o vosso amigo.

28 Agora pois se vos agrada olhai para mim; e vede se minto ante a vossa face.

29 Voltai rogo-vos não seja isto iniqüidade; voltai que minha justiça aparecerá nisso.

30 Há porventura iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu palato distinguir coisas iníquas?

7

1 Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?

2 Como o servo que suspira pela sombra do anoitecer) e como o jornaleiro que espera pela sua paga

3 Assim me deram por herança meses de vanidade; e noites de trabalho me foram designadas.

4 Quando estou deitado para dormir digo: "Quando me levantarei e terá a noite sido completada?" Farto-me de me revolver de uma para outra parte na cama até ao alvorecer.

5 A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele está gretada e se fez abominável.

6 Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e acabam-se sem esperança.

7 Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

8 Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os Teus olhos estarão sobre mim porém não serei mais.

9 Assim como a nuvem se desfaz e passa assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.

10 Nunca mais tornará à sua casa nem o seu lugar jamais o conhecerá.

11 Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma.

12 Sou eu porventura o mar ou a baleia para que me ponhas uma guarda?

13 Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama; meu leito aliviará a minha ânsia;

14 Então me atemorizas com sonhos e com visões me assombras;

15 Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a minha vida "Vida" literalmente é "ossos" .

16 A minha vida abomino pois não viveria para sempre; retira-Te de mim; pois vanidade são os meus dias.

17 Que é o homem para que tanto o engrandeças e ponhas sobre ele o Teu coração

18 E cada manhã o visites para trazer bem) e cada momento o proves?

19 Até quando não Te apartarás de mim Ou "até quando não apartarás Teus olhos de mim?" nem me largarás até que eu engula a minha saliva?

20 Eu pequei que farei para Ti ó Guardião dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para Ti para que a mim mesmo me seja pesado?

21 E por que não perdoas a minha transgressão e não fazes passar a minha iniqüidade? Porque agora me deitarei no pó e de madrugada me buscarás e não existirei mais.

8

1 Então respondendo Bildade o suíta disse:

2 Até quando falarás tais coisas e as palavras da tua boca serão como um vento impetuoso?

3 Porventura perverteria Deus o direito? E perverteria o Todo-Poderoso a justiça?

4 Se teus filhos pecaram contra Ele também Ele os lançou no poder da mão da transgressão deles.

5 Mas se tu de madrugada buscares a Deus e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia;

6 Se fores puro e reto certamente logo despertará por ti e restaurará a morada da tua justiça.

7 O teu princípio na verdade terá sido pequeno porém o teu último estado crescerá em extremo.

8 Pois eu te peço pergunta agora às gerações passadas e prepara-te para a inquirição de seus pais.

9 Porque nós somos de ontem e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.

10 Porventura não te ensinarão eles e não te falarão e do seu coração não tirarão palavras?

11 Porventura cresce o junco sem lama? Ou cresce a espadana sem água?

12 Estando ainda no seu verdor ainda que não cortada- abaixo todavia antes de qualquer outra erva se seca.

13 Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do hipócrita perecerá.

14 Cuja esperança fica frustrada; e a sua confiança será como a teia de aranha.

15 Encostar-se-á à sua casa mas ela não subsistirá; apegar-se-á a ela mas não ficará em pé.

16 Ele é viçoso perante o sol e os seus renovos saem sobre o seu jardim;

17 As suas raízes se entrelaçam ao redor do montão de pedras; contempla para penetrar) a casa de pedras.

18 Se Ele Deus) Ou o sol de v. 16 o engolir do seu lugar então ele o lugar) Ou o ímpio de v. 13 ou Deus negará a ele o ímpio) Ou Deus dizendo: Nunca vi a ti o ímpio) Ou Deus !

19 Eis que isto é a alegria do seu caminho e outros brotarão do pó da terra.

20 Eis que Deus não rejeitará ao homem perfeito; nem toma pela mão aos malfeitores;

21 Até que de riso te encha a boca e os teus lábios de júbilo.

22 Os que te odeiam se vestirão de confusão e a tenda dos ímpios não existirá mais.

9

1 Então Jó respondeu dizendo:

2 Na verdade sei que assim é; porque como se justificaria o homem para com Deus?

3 Se quiser contender com Ele nem a uma de mil coisas Lhe poderá responder.

4 Ele é sábio de coração e forte em poder; quem se endureceu contra Ele e teve paz?

5 Ele é o que remove os montes sem que o saibam e o que os transtorna no Seu furor.

6 O que sacode a terra do seu lugar e as suas colunas estremecem.

7 O que fala ao sol e ele não nasce e sela as estrelas.

8 O que sozinho estende os céus e anda sobre as altas ondas do mar.

9 O que fez a Ursa Maior o Orion e o Sete-estrelo e as recâmaras do sul.

10 O que faz coisas grandes e que não se podem esquadrinhar; e maravilhas sem número.

11 Eis que Ele passa por diante de mim e não O vejo; e torna a passar perante mim e não O percebo.

12 Eis Ele que arrebata a presa; quem O fará restituí-la? Quem Lhe dirá: Que é o que fazes?

13 Deus não revogará a Sua ira; debaixo dEle se encurvam os auxiliadores soberbos.

14 Quanto menos Lhe responderia eu ou escolheria as minhas palavras para argumentar com Ele!

15 Porque ainda que eu fosse justo não Lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia.

16 Ainda que chamasse e Ele me respondesse nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz.

17 Porque me quebranta com uma tempestade e multiplica as minhas chagas sem causa.

18 Não me permite restaurar meu fôlego antes me farta de amarguras.

19 Quanto às forças eis que Ele é o forte; e quanto ao juízo quem me atribuirá um tempo de pleitear com Ele?

20 Se eu me justificar a minha boca me condenará; se eu disser "Eu sou perfeito" então ela me declarará perverso.

21 Se eu fosse perfeito ainda assim não estimaria a minha alma; desprezaria a minha vida.

22 É tudo uma só coisa; por isso eu digo que Ele consome ao perfeito e ao ímpio.

23 Quando o açoite mata de repente então Ele zomba do teste dos inocentes.

24 A terra é entregue nas mãos do ímpio; Ele cobre o rosto dos juízes; se não é Ele Quem permite isso) onde está e quem é Ele?

25 E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram e não viram o bem.

26 Passam como velozes navios veleiros; como águia que se lança à comida.

27 Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa e mudarei o meu aspecto e confortar-me-ei

28 Receio todas as minhas dores porque bem sei que não me terás por inocente.

29 E se eu me tornei condenado por que trabalharei em vão?

30 Ainda que me lave com água de neve e purifique as minhas mãos com sabão

31 Ainda assim Tu me submergirás no fosso e as minhas próprias vestes me abominarão.

32 Porque Ele não é homem como eu a quem eu responda vindo nós juntamente a juízo.

33 Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.

34 Tire Ele a Sua vara de cima de mim e não me amedronte o Seu terror.

35 Então falarei e não O temerei; mas retidão não está em mim mesmo.

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1 A minha alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa falarei na amargura da minha alma.

2 Direi a Deus: Não me condenes; declara-me por que contendes comigo.

3 Parece-Te bem que me oprimas que rejeites o trabalho das Tuas mãos e resplandeças sobre o conselho dos ímpios?

4 Tens Tu porventura olhos de carne? Vês Tu como vê o homem?

5 São os Teus dias como os dias do homem? Ou são os Teus anos como os dias de um homem

6 Para Te informares da minha iniqüidade e averiguares o meu pecado?

7 Bem sabes Tu que eu não sou iníquo; todavia ninguém há que me livre da Tua mão.

8 As Tuas mãos me fizeram e completamente me formaram ao redor; contudo me devoras.

9 Peço-Te que Te lembres de que como barro me formaste e me farás voltar ao pó.

10 Porventura não me derramaste como leite e como queijo não me coalhaste?

11 De pele e carne me vestiste e de ossos e nervos me entreteceste.

12 Vida e misericórdia me concedeste; e o Teu cuidado preservou o meu espírito.

13 Porém estas coisas as ocultaste no Teu coração; bem sei eu que isto esteve conTigo.

14 Se eu pecar Tu me observas; e da minha iniqüidade não me absolverás.

15 Se for ímpio ai de mim! E se for justo não levantarei a minha cabeça; farto estou da minha ignomínia; e vê qual é a minha aflição

16 Porque esta vai crescendo; Tu me caças como a um leão feroz; tornas a Te mostrar maravilhoso para comigo.

17 Tu renovas contra mim as Tuas testemunhas e multiplicas contra mim a Tua ira; revezes Ou "uma sucessão" e guerras Ou "exércitos" se sucedem contra mim.

18 Por que pois me tiraste da madre? Ah! se então eu tivera expirado e olho nenhum me visse!

19 Então eu teria sido como se nunca fora; e desde o ventre seria levado à sepultura!

20 Porventura não são poucos os meus dias? Cessa pois e deixa-me para que por um pouco eu me conforte.

21 Antes que eu vá para o lugar de que não voltarei à terra da escuridão e da sombra da morte;

22 Terra escuríssima como a própria escuridão terra da sombra da morte e sem ordem alguma e onde a luz é como a escuridão.

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1 Então respondeu Zofar o naamatita e disse:

2 Porventura não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado?

3 Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe?

4 Pois dizes: A minha doutrina é pura e limpo sou aos Teus olhos.

5 Mas na verdade quem dera que Deus falasse e abrisse os Seus lábios contra ti!

6 E te fizesse saber os segredos da sabedoria da verdadeira sabedoria que é multiforme! Sabe pois que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniqüidade.

7 Porventura através de busca acharás Deus ou chegarás até à perfeição do Todo-Poderoso?

8 Como as alturas do céU é a Sua sabedoria; que poderás tu fazer? E mais profunda é ela do que o inferno que poderás tu saber?

9 Mais comprida é a sua medida do que a terra e mais larga do que o mar.

10 Se Ele passar aprisionar ou chamar a juízo quem O impedirá?

11 Porque Ele conhece aos homens vãos e vê a iniqüidade; e não o terá em consideração?

12 Mas o homem vazio será tornado entendido; sim o homem nasce como a cria do jumento montês.

13 Se tu preparares o teu coração e estenderes as tuas mãos para Ele Deus);

14 Se há iniqüidade na tua mão lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.

15 Porque então levantarás o teu rosto sem mácula; e estarás feitos- firmes- por- fundição e não temerás.

16 Porque te esquecerás do cansaço e lembrar-te-ás dele como das águas que já passaram.

17 E a tua idade mais clara se levantará do que o meio dia; tu brilharás serás como a manhã.

18 E terás confiança porque haverá esperança; procurarás em volta e repousarás seguro.

19 E deitar-te-ás e ninguém te fará tremer; muitos suplicarão o teu favor Literalmente "suplicarão por tua face" .

20 Porém os olhos dos ímpios desfalecerão e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

12

1 Então Jó respondeu dizendo:

2 Na verdade vós sois o povo e convosco morrerá a sabedoria.

3 Também eu tenho entendimento como vós e não vos sou inferior; e quem não sabe tais coisas como essas?

4 Eu sou motivo de riso para os seus amigos; eu que invoco a Deus e Ele me responde; o homem justo e perfeito serve de zombaria.

5 Tocha desprezível é na opinião do que está descansado aquele que está pronto a vacilar com os pés.

6 As tendas dos assoladores têm descanso e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo.

7 Mas pergunta agora às alimárias e cada uma delas te ensinará; e às aves do ar e elas te declararão;

8 Ou fala com a terra e ela te ensinará; até os peixes do mar te contarão.

9 Quem não entende por todas estas coisas que a mão do SENHOR fez isto?

10 Na Sua mão está a alma de tudo quanto vive e o fôlego de toda a carne humana.

11 Porventura o ouvido não provará as palavras como o palato prova as comidas?

12 Com os idosos está a sabedoria e na longura de dias o entendimento.

13 Com Ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem.

14 Eis que Ele derruba e ninguém há que reedifique; encerra um homem na prisão e ninguém há que o solte.

15 Eis que Ele retém as águas e elas secam; e as envia e elas transtornam a terra.

16 Com Ele está a força e a sabedoria; Seu é o que erra e o que faz errar.

17 Aos conselheiros leva despojados e aos juízes faz desvairar.

18 Solta a atadura dos reis e ata o cinto aos seus lombos.

19 Aos príncipes leva despojados aos poderosos transtorna.

20 Aos acreditados tira a fala e tira o entendimento aos anciãos.

21 Derrama desprezo sobre os príncipes e afrouxa o cinto dos fortes Isto significa: "enfraquece a força do forte" .

22 Das trevas descobre coisas profundas e traz à luz a sombra da morte.

23 Magnifica as nações e as faz perecer; dispersa as nações e de novo as reconduz Ou "as guia congregando-as (de volta)" ou "as leva para fora" ou "as leva (em cativeiro) ou "as governa" .

24 Tira o entendimento aos chefes dos povos da terra e os faz vaguear pelos desertos sem caminho.

25 Nas trevas andam às apalpadelas sem terem luz e os faz vaguear como ébrios.

13

1 Eis que tudo isto viram os meus olhos e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.

2 Como vós o sabeis também eu o sei; não vos sou inferior.

3 Mas eu falarei ao Todo-Poderoso e quero defender-me perante Deus.

4 Vós porém sois forjadores de mentiras Ou "besuntais (a verdade) com mentiras" e vós todos sois médicos que não valem nada.

5 Quem dera que vos calásseis de todo pois isso seria a vossa sabedoria.

6 Ouvi agora a minha defesa e atentai aos argumentos dos meus lábios.

7 Porventura em favor de Deus falareis perversidade e a Seu favor falareis mentiras?

8 Fareis aceitação da Sua pessoa? Contendereis por Deus?

9 Ser-vos-ia bom se Ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dEle como se zomba de algum homem?

10 Certamente vos repreenderá se em oculto fizerdes acepção de pessoas Literalmente "fizerdes acepção de pessoas" é: "e suportardes rostos (de pessoas)" ou "erguerdes rostos (de pessoas)". Isto significa "julgardes- com- parcialidade- isentando- e- favorecendo aparências (de pessoas)" .

11 Porventura não vos amedrontará a Sua alteza e não cairá sobre vós o Seu terror?

12 As vossas memórias são parábolas de cinza; os vossos corpos como corpos de barro.

13 Calai-vos perante mim e falarei eu e venha sobre mim o que vier.

14 Por que razão tomarei eu a minha carne com os meus dentes e porei a minha vida na minha mão?

15 Ainda que Ele me mate nEle esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dEle.

16 Também Ele será a minha salvação; porém o hipócrita não virá perante Ele.

17 Ouvi com atenção as minhas palavras e com os vossos ouvidos a minha declaração.

18 Eis que já tenho disposto em ordenada linha de batalha a minha causa e sei que serei achado justo.

19 Quem é o que contenderá comigo? Se eu agora me calasse renderia o espírito.

20 Duas coisas somente não faças para comigo; então não me esconderei do Teu rosto:

21 Desvia a Tua mão para longe de mim e não me terrifique o Teu terror.

22 Chama pois e eu responderei; ou eu falarei e Tu me responderás.

23 Quantas iniqüidades e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.

24 Por que escondes o Teu rosto e me tens por Teu inimigo?

25 Porventura acossarás uma folha arrebatada pelo vento de uma para outra parte? E perseguirás o restolho "Restolho" é cada tufo seco das folhas das plantas de trigo que restou no campo depois das espigas serem cortados e colhidas e da palha ser guardada em abrigo seco?

26 Por que escreves contra mim coisas amargas e me fazes herdar as iniqüidades da minha mocidade?

27 Também pões os meus pés no tronco e estreitamente observas todos os meus caminhos e pões uma marca nas raízes dos meus pés.

28 E ele me consome como a podridão e como a roupa à qual rói a traça.

14

1 O homem nascido da mulher é de poucos dias e farto de inquietação.

2 Sai como a flor e é cortado- abaixo; foge também como a sombra e não permanece.

3 E sobre este tal abres os Teus olhos e a mim me fazes entrar no juízo conTigo.

4 Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.

5 Visto que os seus dias estão determinados conTigo está o número dos seus meses; e Tu lhe puseste limites e não passará além deles.

6 Desvia-Te dele para que tenha repouso até que como o jornaleiro tenha contentamento no seu dia.

7 Porque há esperança para a árvore que se for cortada- abaixo ainda se renovará e não cessarão os seus renovos.

8 Se envelhecer na terra a sua raiz e o seu tronco morrer no pó

9 Ao cheiro das águas brotará e dará ramos como uma planta.

10 Porém morto o homem- forte é consumido; sim rendendo o homem- da- terra o seu espírito então onde está ele?

11 Como as águas se retiram evaporando) do mar e o rio se esgota e fica seco

12 Assim o homem se deita e não se levanta; até que não haja mais céus não acordará nem despertará de seu sono.

13 Quem dera que me escondesses na sepultura e me ocultasses até que a Tua ira se fosse; e me pusesses um limite de tempo) e Te lembrasses de mim!

14 Morrendo o homem porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combater esperaria até que viesse a minha mudança.

15 Chamar-me-ias e eu Te responderia e Tu terias afeto à obra de Tuas mãos.

16 Mas agora contas os meus passos; porventura não vigias sobre o meu pecado?

17 A minha transgressão está selada num saco e encobriste as minhas iniqüidades.

18 E na verdade caindo a montanha desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar.

19 As águas gastam as pedras as cheias levam- arrebatam o pó da terra; e Tu fazes perecer a esperança do homem;

20 Tu para sempre prevaleces contra ele e ele passa; mudas o seu rosto e o despedes.

21 Os seus filhos recebem honra sem que ele o saiba Nota Ec 9:5 ; são humilhados; sem que ele o perceba Nota Ec 9:5 ;

22 Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele chora- lamentando.

15

1 Então respondeu Elifaz o temanita e disse:

2 Porventura proferirá o sábio vã Literalmente "do vento" sabedoria? E encherá do vento oriental o seu ventre

3 Argüindo com palavras que de nada servem e com falas que para nada aproveitam?

4 E tu tens feito vão o temor e diminuis os rogos diante de Deus.

5 Porque a tua boca declara a tua iniqüidade; e tu escolhes a língua dos astutos.

6 A tua própria boca te condena e não eu e os teus próprios lábios testificam contra ti.

7 És tu porventura o primeiro homem que nasceu? Ou foste formado antes dos outeiros?

8 Ou ouviste o secreto conselho de Deus e a ti só limitaste a sabedoria?

9 Que sabes tu que nós não saibamos? Que entendes que não haja em nós?

10 Também há entre nós encanecidos e idosos muito mais idosos do que teu pai.

11 Porventura são pequenas demais para ti as consolações de Deus e a palavra gentil para contigo?

12 Por que te arrebata o teu coração e por que piscam os teus olhos

13 Para virares contra Deus o teu espírito e deixares sair tais palavras da tua boca?

14 Que é o homem para que seja puro? E o que nasce da mulher para ser justo?

15 Eis que Ele não confia nos Seus santos e nem os céus são puros aos Seus olhos.

16 Quanto mais abominável e corrompido- e- com- fedor- de- putrefação é o homem que bebe a iniqüidade como a água?

17 Escuta-me mostrar-te-ei; e o que tenho visto te contarei

18 (O que os sábios anunciaram ouvindo-o de seus pais e o não ocultaram;

19 Aos quais somente se dera a terra e nenhum estrangeiro passou por entre eles):

20 Todos os dias o ímpio é atormentado e se reserva para o terrificador um curto número de anos.

21 O sonido dos horrores está nos seus ouvidos; até na paz lhe sobrevém o assolador.

22 Não crê que tornará das trevas mas que o espera a espada.

23 Anda vagueando por pão dizendo: Onde está? Bem sabe que já o dia das trevas lhe está preparado à mão.

24 Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele como um rei preparado para a peleja;

25 Porque estendeu a sua mão contra Deus e contra o Todo-Poderoso se embraveceu.

26 Arremete contra Ele com dura cerviz atrás dos pontos grossos dos seus escudos.

27 Porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura e criou dobras de banha nas ilhargas.

28 E habitou em cidades assoladas em casas em que ninguém morava que estavam a ponto de fazer-se montões de ruínas.

29 Não se enriquecerá nem subsistirá a sua fazenda nem se estenderão pela terra as possessões dela.

30 Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os renovos dele e ele desaparecerá ao sopro da boca dEle de Deus).

31 Não confie pois na vanidade enganando-se a si mesmo porque a vanidade será a sua recompensa.

32 Antes do seu dia ela se consumará; e o seu ramo não se tornará verdejante.

33 Sacudirá as suas uvas verdes como as da vide e deixará cair a sua flor como a oliveira

34 Porque a congregação dos hipócritas se fará estéril e o fogo consumirá as tendas do suborno.

35 Concebem a maldade e dão à luz a iniqüidade e o seu ventre prepara enganos.

16

1 Então respondeu Jó dizendo:

2 Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos.

3 Porventura não terão fim essas palavras de vento? Ou o que te irrita para assim responderes?

4 Falaria eu também como vós falais se a vossa alma estivesse em lugar da minha alma ou amontoaria palavras contra vós e menearia contra vós a minha cabeça?

5 Antes vos fortaleceria com a minha boca e o mover dos meus lábios abrandaria a vossa dor.

6 Se eu falar a minha dor não é abrandada e abstendo-me qual é o meu alívio Literalmente "Qual (parte dos meus sofrimentos) sai (para longe) de mim?" ?

7 Na verdade agora Ele me tem feito fatigado. Tu ó Deus) assolaste toda a minha companhia

8 Testemunha disto é que já me fizeste enrugado e a minha magreza já se levanta contra mim e no meu rosto testifica contra mim.

9 Na Sua ira me despedaçou e Ele me odeia; rangeu os Seus dentes contra mim; o meu adversário aguça os seus olhos contra mim.

10 Escancaram a sua boca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos e contra mim se ajuntam todos.

11 Entrega-me Deus ao perverso Ou "encarcera-me Deus para o perverso" e nas mãos dos ímpios me faz cair Ou "precipita-me de cabeça para baixo nas mãos do ímpio .

12 Descansado estava eu porém Ele me quebrantou; e pegou-me pela cerviz e me despedaçou; também me pôs por Seu alvo.

13 Cercam-me os Seus flecheiros; atravessa-me os rins e não me poupa e o meu fel derrama sobre a terra

14 Quebra-me com brecha sobre brecha; arremete contra mim como um valente.

15 Cosi sobre a minha pele o cilício e revolvi o meu poder Literalmente "chifre" no pó.

16 O meu rosto está todo avermelhado de chorar e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte:

17 Apesar de não haver violência nas minhas mãos e de ser pura a minha oração.

18 Ah! terra não cubras o meu sangue e não haja lugar para ocultar o meu clamor!

19 Eis que também agora a minha testemunha está no céu e nas alturas o meu testificador está.

20 Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus.

21 Ah! se alguém pudesse argumentar com Deus em favor do homem como o homem "Como o homem" literalmente é "como o filho do homem" argumenta em favor do seu próximo "Próximo": ou "amigo" !

22 Porque decorridos anos poucos em número eu seguirei o caminho por onde não tornarei.

17

1 O meu espírito se vai consumindo os meus dias se vão apagando e só tenho perante mim as sepulturas.

2 Deveras estou cercado de zombadores? E os meus olhos permanecem Ou "dormem durante toda a noite" contemplando as suas provocações?

3 Promete agora e dá-me um fiador para conTigo; quem há que bata as mãos comigo?

4 Porque aos seus corações encobriste o entendimento por isso não os exaltarás.

5 Aquele que denuncia seus amigos através de lisonja também os olhos de seus filhos serão consumidos.

6 Porém a mim me pôs por um provérbio dos povos de modo que me tornei alguém a ser cuspido no rosto.

7 Pelo que os meus olhos já se escureceram de tristeza- por- perda e já todos os meus membros são como a sombra.

8 Os retos pasmarão disto e o inocente se levantará contra o hipócrita.

9 E o justo seguirá o seu caminho firmemente e o puro de mãos irá crescendo em força.

10 Mas na verdade tornai todos vós e vinde; porque sábio nenhum acharei entre vós.

11 Os meus dias passaram e malograram os meus propósitos as aspirações "As aspirações" literalmente é "as possessões" do meu coração.

12 Trocaram a noite em dia; a luz está perto do fim por causa das trevas.

13 Se eu esperar a sepultura será a minha casa; nas trevas estenderei a minha cama.

14 À corrupção clamo: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã.

15 Onde pois estaria agora a minha esperança? Sim a minha esperança quem a poderá ver?

16 Às barras da sepultura descerão quando juntamente no pó teremos descanso.

18

1 Então respondeu Bildade o suíta e disse:

2 Até quando poreis fim às palavras? Considerai bem e então falaremos.

3 Por que somos reputados como animais e como imundos aos vossos olhos?

4 (Ele despedaça a sua alma na sua ira.) Por tua causa será a terra abandonada? Remover-se-ão as rochas do seu lugar?

5 Na verdade a luz dos ímpios se apagará e a chama do seu fogo não resplandecerá.

6 A luz se escurecerá nas suas tendas e a sua lâmpada sobre ele se apagará.

7 Os seus passos firmes se estreitarão e o seu próprio conselho o derrubará.

8 Porque por seus próprios pés é lançado na rede e andará sobre as redes de fios.

9 O laço o apanhará pelo calcanhar e o salteador prevalecerá contra ele.

10 Está escondida debaixo da terra uma corda e uma armadilha na vereda.

11 Os assombros o aterrorizarão de todos os lados e o perseguirão- imediatamente- após "Perseguirão- imediatamente" ou "espalharão" os seus pés.

12 Será faminto o seu vigor e a destruição está pronta ao seu lado.

13 Será devorada a força de sua pele; sim o primogênito da morte devorará a sua força.

14 A sua confiança será arrancada da sua tend a e isto o fará caminhar para o rei dos terrores.

15 Nenhum dos seus morará na sua tenda; espalhar-se-á enxofre sobre a sua habitação.

16 Por baixo se secarão as suas raízes e por cima serão cortados fora os seus ramos.

17 A sua memória perecerá da terra e pelas praças não terá nome.

18 Da luz o lançarão nas trevas e afugentá-lo-ão do mundo.

19 Não terá filho nem sobrinho entre o seu povo nem sobrevivente algum ficará nas suas moradas.

20 Do seu dia se espantarão os que vêm após ele assim como foram tomados de horror os que vieram antes dele.

21 Tais são na verdade as moradas do perverso e este é o lugar do que não conhece a Deus.

19

1 Respondeu porém Jó dizendo:

2 Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?

3 Já dez vezes me vituperastes; não tendes vergonha de vos fazerdes estrangeiros para comigo.

4 Embora haja eu na verdade errado Erro por ignorância ou advertência não proposital não conscientemente comigo ficará "Ficará" literalmente é "passará a noite" referindo-se ao incômodo e más conseqüências o meu erro.

5 Se deveras vos quereis engrandecer contra mim e argüir-me pelo meu opróbrio

6 Sabei agora que Deus é O que me transtornou e com a sua rede de prender) me cercou.

7 Eis que clamo: Violência! Porém não sou ouvido. Grito por socorro porém não há justiça.

8 O meu caminho Ele fechou com um muro e já não posso passar e nas minhas veredas pôs trevas.

9 Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça.

10 Quebrou-me de todos os lados e eu me vou; e arrancou a minha esperança como a uma árvore.

11 E fez inflamar contra mim a Sua ira e me reputou para conSigo como a um de Seus inimigos.

12 Juntas vieram as Suas tropas e prepararam contra mim o caminho delas e se acamparam ao redor da minha tenda.

13 Ele pôs longe de mim a meus irmãos e os meus amigos- íntimos- e- muito- bem- conhecidos se- tornam- como- estrangeiros em relação a mim.

14 Os meus parentes me deixaram e os meus conhecidos se esqueceram de mim.

15 Aqueles que moravam em minha casa e as minhas servas me reputaram como um estrangeiro e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.

16 Chamei a meu criado e ele não me respondeu; cheguei a suplicar-lhe com a minha própria boca.

17 O meu hálito se fez estranho à minha esposa; e supliquei aos filhos do ventre da minha mãe.

18 Até os menininhos me desprezam e levantando-me eu falam contra mim.

19 Todos os homens da minha confidência me abominam e até os que eu amava se tornaram contra mim.

20 Os meus ossos se achegaram- e- aderiram à minha pele e à minha carne e escapei só com a pele dos meus dentes.

21 Compadecei-vos de mim amigos meus compadecei-vos de mim porque a mão de Deus me tocou.

22 Por que me perseguis como Deus e da minha carne não vos fartais?

23 Quem me dera agora que as minhas palavras fossem escritas! Quem me dera fossem gravadas num livro!

24 E que com uma pena de ferro e com chumbo para sempre fossem esculpidas na rocha.

25 Porque eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra.

26 E depois de a minha pele ter sido consumida ao redor por vermes contudo ainda em minha carne verei a Deus

27 Vê-Lo-ei por mim mesmo e os meus olhos e não outros O contemplarão; e por isso os meus rins se consomem no meu interior.

28 Na verdade que devíeis dizer: Por que o perseguimos? Pois a raiz da acusação se acha em mim.

29 Temei vós mesmos a espada; porque o furor traz os castigos da espada para saberdes que há um juízo.

20

1 Então respondeu Zofar o naamatita e disse:

2 Visto que os meus pensamentos me fazem responder eu me apresso "Eu me apresso" literalmente é "minha pressa está em mim" .

3 Eu ouvi a repreensão que me envergonha mas o espírito do meu entendimento responderá por mim.

4 Porventura não sabes tu que desde a antiguidade desde que o homem foi posto sobre a terra

5 O cântico- retumbante- de- júbilo dos ímpios é breve e a alegria dos hipócritas Ou "dos ímpios é momentânea?

6 Ainda que a sua altivez suba até aoS céuS e a sua cabeça chegue até às nuvens.

7 Contudo como o seu próprio esterco perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está ele?

8 Como um sonho voará e não será achado e será afugentado como uma visão da noite.

9 O olho que já o viu jamais o verá nem o seu lugar o verá mais.

10 Os seus filhos procurarão agradar aos pobres e as suas mãos restituirão os seus bens.

11 Os seus ossos estão cheios do pecado do vigor da sua mocidade mas este se deitará com ele no pó.

12 Ainda que o mal lhe seja doce na sua boca e ele o esconda debaixo da sua língua

13 E o poupe e não o deixe antes o retenha no meio do seu palato

14 Contudo a sua comida se transformará- no- contrário dentro das suas entranhas; fel de áspides será interiormente.

15 Engoliu riquezas porém vomitá-las-á; do seu ventre Deus as lançará para fora.

16 Veneno de áspides sorverá; língua de víbora o matará.

17 Não verá os rios os transbordamentos Ou "as correntezas dos rios transbordantes" e os ribeiros de mel e manteiga.

18 Será feito restituir o fruto do seu labor e não o engolirá; conforme ao seu poder terá que ser a sua restituição e não regozijará nisto.

19 Porquanto oprimiu e desamparou os pobres e violentamente despojou a casa que não edificou.

20 Porquanto não sentiu Ou "conheceu" sossego no seu ventre; nada salvará das coisas por ele desejadas.

21 Nada lhe sobejará do que coma; por isso as suas riquezas não durarão.

22 Na plenitude da sua abastança estará angustiado; toda a mão do perverso virá sobre ele.

23 Mesmo estando ele a encher a sua barriga Deus mandará sobre ele o ardor da Sua ira e a fará chover sobre ele quando for comer.

24 Ainda que fuja das armas de ferro o arco de aço o atravessará.

25 A flecha é arrancada e sai do seu corpo; sim a luzente espada sai do seu fel; terrores estão sobre ele.

26 Toda a escuridão se ocultará nos seus esconderijos; um fogo não assoprado o consumirá irá mal com aquele que restar na sua tenda.

27 O céU manifestará a sua iniqüidade; e a terra se levantará contra ele.

28 As riquezas de sua casa serão removidas; no dia da Sua ira todas se derramarão.

29 Esta da parte de Deus é a porção do homem ímpio; esta é a herança que Deus lhe decretou.

21

1 Respondeu porém Jó dizendo:

2 Ouvi atentamente as minhas palavras; e isto vos sirva de consolação.

3 Suportai-me e eu falarei; e havendo eu falado começai vossas zombarias.

4 Porventura eu me queixo a algum homem? Porém ainda que assim fosse por que não se angustiaria o meu espírito?

5 Olhai para mim e pasmai; e ponde a vossa mão sobre a vossa boca.

6 Porque quando me lembro disto me perturbo e tremor se apodera da minha carne.

7 Por que razão vivem os ímpios envelhecem e ainda se robustecem em poder?

8 A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus descendentes perante os seus olhos.

9 As suas casas têm paz sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles.

10 O seu touro gera e não falha; pare a sua vaca e não aborta.

11 Fazem sair as suas crianças como a um rebanho e seus filhos dão pinotes de alegria. Note que " râqad" não pode ser dança sensual pois é a mesma palavra usada para os pulos dos bodes barbudos em Is 13:21! E os pinotes dos bodes são muito diferentes dos requebros dos John Travolta's e Madona's que querem sutilmente se introduzir nas nossas igrejas.

12 Levantam a voz ao som do tamboril e da harpa e alegram-se ao som do órgão.

13 Na prosperidade gastam os seus dias e num momento descem à sepultura.

14 E todavia dizem a Deus: Retira-Te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos Teus caminhos.

15 Quem é o Todo-Poderoso para que nós O sirvamos? E que nos aproveitará que Lhe façamos orações?

16 Vede porém que o bem deles não está nas suas mãos; esteja longe de mim o conselho dos ímpios!

17 Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos ímpios e quantas vezes lhes sobrevém a sua destruição? E Deus na Sua ira lhes reparte dores!

18 Porque são como a palha diante do vento e como a pragana "Pragana" = barba das espigas de cereais particularmente quando está solta como pó depois deles serem trilhados que o redemoinho arrebata.

19 Deus armazena a violência do ímpio para seus filhos e dá-lhe o pago para que conheça isto.

20 Seus olhos verão a sua ruína e ele beberá do furor do Todo-Poderoso.

21 Por que que prazer teria ele na sua casa depois de si quando o número dos seus meses é cortado no meio?

22 Porventura a Deus se ensinaria ciência a Ele que julga os que estão elevados?

23 Um morre ainda estando na inteireza- completude de sua força e estando inteiramente sossegado e tranqüilo.

24 Com seus seios cheios de gordura e os seus ossos umedecidos de tutano.

25 E outro ao contrário morre na amargura da sua alma não havendo comido do bem.

26 Juntamente jazem no pó e os vermes os cobrem.

27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos; e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência.

28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe e onde está a tenda em que moravam os ímpios?

29 Porventura não perguntastes aos que passam pelo caminho e não conheceis os seus sinais

30 Que o homem mau é preservado para o dia da destruição? Eles são trazidos à frente no dia das iras.

31 Quem acusará diante do seu rosto o seu caminho e quem lhe dará o pago do que faz?

32 Finalmente é levado às sepulturas e sobre o seu túmulo uma vigília é guardada.

33 Os torrões do vale lhe são doces e todos os homens seguirão após ele assim como não têm número os que existiram antes dele.

34 Como pois me consolais em vão? Pois nas vossas respostas ainda resta falsidade Ou "transgressão" .

22

1 Então respondeu Elifaz o temanita dizendo:

2 Porventura será o homem de algum proveito a Deus? Antes o prudente será proveitoso a si mesmo.

3 Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo ou algum lucro em que tu faças perfeitos os teus caminhos?

4 Ou te repreende pelo temor que tem de ti ou entra contigo em juízo?

5 Porventura não é grande a tua maldade e sem limite as tuas iniqüidades?

6 Porque sem causa penhoraste a teus irmãos e aos nus despojaste as vestes.

7 Não deste ao cansado água a beber e ao faminto retiveste o pão.

8 Mas para o homem de poderoso braço era a terra e só o homem tido em respeito habitava nela.

9 As viúvas despediste vazias e os braços dos órfãos foram quebrados.

10 Por isso é que estás cercado de laços e te perturba um pavor repentino

11 Ou trevas em que nada vês e a abundância de águas que te cobre.

12 Porventura Deus não está na altura do céU? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão.

13 E dizes: Que sabe Deus disto? Porventura julgará Ele através da escuridão?

14 As densas nuvens são esconderijo para Ele para que não veja; e passeia pelo circuito do céU.

15 Porventura queres guardar a vereda antiga que pisaram os homens iníquos?

16 Eles foram arrebatados antes do seu tempo; sobre o seu fundamento um dilúvio foi derramado .

17 Diziam a Deus: Retira-te de nós. E: Que pode o Todo-Poderoso fazer por eles?

18 Contudo Ele encheu de bens as suas casas; mas o conselho dos ímpios esteja longe de mim.

19 Os justos vêem isto e se alegram e o inocente escarnece deles.

20 Dizendo: Na verdade o nosso adversário não foi destruído mas o fogo consumiu o que restou deles.

21 Faze- te habitual- e- íntimo no servir- Lhe A Deus e tem paz e assim te sobrevirá o bem.

22 Aceita peço-te a lei da Sua boca e empilha as Suas palavras no teu coração.

23 Se te voltares ao Todo-Poderoso serás edificado; afastarás a iniqüidade da tua tenda

24 Então empilharás ouro como se fosse pó e o ouro de Ofir como as pedras dos ribeiros

25 Então o Todo-Poderoso será a tua defesa Ou "será o teu ouro" e terás prata em abundância Ou "e terás prata de força" .

26 Porque então te deleitarás no Todo-Poderoso e levantarás o teu rosto para Deus.

27 Orarás a Ele e Ele te ouvirá e pagarás os teus votos.

28 Determinarás tu algum negócio e ser-te-á firme e a luz brilhará em teus caminhos.

29 Quando os homens forem humilhados então tu dirás: Haja erguimento! E Deus salvará ao de olhos humildes.

30 E livrará a ilha do inocente Ou "e livrará ao que NÃO é inocente" ; ele será liberto pela pureza de tuas mãos.

23

1 Respondeu porém Jó dizendo:

2 Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a minha mão pesa por causa do meu gemido.

3 Ah se eu soubesse onde O poderia achar! Então me chegaria ao Seu tribunal.

4 Ante Ele disporia em ordenada linha de batalha a minha causa e a minha boca encheria de argumentos.

5 Saberia as palavras com que Ele me responderia e entenderia o que me dissesse.

6 Porventura segundo a grandeza de Seu poder contenderia contra mim? Não: Ele antes poria força em mim.

7 Ali o reto pleitearia com Ele e eu me livraria para sempre do meu Juiz.

8 Eis que se vou para frente ali não está; se torno atrás não O percebo.

9 Se opera à esquerda não O vejo; se Se encobre à direita não O diviso.

10 Porém Ele sabe o meu caminho; provando-me Ele sairei como o ouro.

11 Nas Suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o Seu caminho e não me desviei disto.

12 Do preceito de Seus lábios nunca me apartei e as palavras da Sua boca guardei mais do que a comida a mim designada.

13 Mas Ele está com uma mente determinada) e quem então O desviará? O que a Sua alma quiser isso fará.

14 Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem conSigo.

15 Por isso me perturbo perante Ele e quando isto considero temo-O.

16 Porque Deus tornou o meu coração fraco e o Todo-Poderoso me perturbou.

17 Porquanto não fui exterminado diante da face das trevas e nem Ele encobriu a escuridão para longe do meu rosto.

24

1 Visto que do Todo-Poderoso não se encobriram os tempos por que os que O conhecem não vêem os Seus dias?

2 Até os marcos- limite removem; com violência roubam os rebanhos e os apascentam.

3 Do órfão levam o jumento; tomam em penhor o boi da viúva.

4 Desviam os necessitados para fora do caminho; e os pobres da terra juntos se escondem deles.

5 Eis que como jumentos monteses no deserto saem à sua obra madrugando para a presa; o campo aberto dá mantimento a eles e aos seus filhos.

6 No campo ceifam o seu pasto e vindimam a vinha do ímpio.

7 Ao nu fazem passar a noite sem roupa não tendo ele coberta contra o frio.

8 Pelas chuvas das montanhas são molhados e não tendo refúgio abraçam-se com as rochas.

9 Ao orfãozinho arrancam dos peitos e tomam o penhor do pobre.

10 Fazem com que os nus vão sem roupa e aos famintos tiram as espigas.

11 Dentro das suas paredes espremem o azeite; pisam os lagares e ainda têm sede.

12 Desde as cidades gemem os homens- mortais e a alma dos feridos exclama e contudo Deus lhes não imputa isto como loucura.

13 Eles estão entre os que se opõem à luz; não conhecem os Seus caminhos e não permanecem nas Suas veredas.

14 De madrugada se levanta o homicida mata o pobre e necessitado e de noite é como o ladrão.

15 Assim como o olho do adúltero aguarda a pouquíssima luz do crepúsculo dizendo: Não me verá olho nenhum; e oculta o rosto

16 Nas trevas minam atravessando as paredes das casas que de dia marcaram- com- selo para si mesmos; não conhecem a luz.

17 Porque a manhã para todos eles é como sombra de morte; pois sendo reconhecidos sentem os pavores da sombra da morte.

18 É ligeiro sobre a superfície das águas; maldita é a sua porção sobre a terra; não se volta para o caminho das vinhas.

19 A secura e o calor desfazem as águas da neve; assim o inferno Ao morrerem antes da ascensão de Cristo os salvos iam imediatamente para a metade do inferno que ficava protegida das chamas (compare Dan 3:19-27; Luc 16:19-31). Para os perdidos Sheol sempre tem que ser traduzido para INFERNO de sofrimento eterno e consciente para onde eles sempre foram e vão desfará aos que pecaram.

20 A madre se esquecerá dele os vermes o comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança dele; e a iniqüidade se quebrará como uma árvore.

21 Aflige à estéril que não dá à luz e à viúva não faz bem.

22 Até aos poderosos arrasta com a Sua força; se Ele se levanta não há vida segura.

23 Se Deus lhes dá segurança estribam-se nisso; Seus olhos porém estão nos caminhos deles.

24 Por um pouco se exaltam e logo desaparecem; são abatidos são retirados para fora do caminho como todos os demais; e cortados fora como as cabeças das espigas.

25 Se agora não é assim quem me porá como mentiroso e transformará as minhas palavras em nada?

25

1 Então respondeu Bildade o suíta e disse:

2 Com Ele estão domínio e temor; Ele faz paz nas Suas alturas.

3 Porventura têm número as Suas tropas? E sobre quem não se levanta a Sua luz?

4 Como pois seria justificado o homem para com Deus e como seria puro aquele que nasce de mulher?

5 Eis que até a lua não resplandece e as estrelas não são puras aos Seus olhos.

6 E quanto menos o homem que é um tapuru Berne nascido da putrefação e o filho do homem que é um vermezinho Vermezinho rastejante e fraco !

26

1 Jó porém respondeu dizendo:

2 Como ajudaste aquele que não tinha força e preservaste o braço que não tinha vigor?

3 Como aconselhaste aquele que não tinha sabedoria e plenamente lhe declaraste as coisas assim como são?

4 A quem proferiste palavras e de quem é o espírito que saiu de ti?

5 As almas dos mortos tremem debaixo das águas com os seus habitantes.

6 O inferno está nu perante Ele e não há cobertura para a destruição.

7 O norte estende sobre o vazio; e suspende a terra sobre o nada.

8 Prende as águas nas Suas densas nuvens todavia a nuvem não se rasga debaixo delas.

9 Encobre a face do Seu trono e sobre isto estende a Sua nuvem.

10 Traçou um círculo limite para a face das águas com mandamentos até que o dia e a noite cheguem a um fim.

11 As colunas do céu tremem e se espantam da Sua ameaça.

12 Com a Sua força fende o mar e com o Seu entendimento abate o soberbo.

13 Pelo Seu Espírito ornou os céus; a Sua mão formou a serpente enroscadiça.

14 Eis que isto são apenas as orlas dos Seus caminhos; e quão pouco é a palavra que temos ouvido dEle! Quem pois entenderia o trovão do Seu poder?

27

1 E prosseguindo Jó em seu discurso disse:

2 Vive Deus que desviou o meu julgamento e o Todo-Poderoso que amargurou a minha alma.

3 Que enquanto em mim houver alento e o sopro de Deus nas minhas narinas

4 Não falarão os meus lábios iniqüidade nem a minha língua pronunciará engano.

5 Longe de mim que eu vos justifique; até que eu expire nunca apartarei de mim a minha integridade.

6 A minha justiça me apegarei e não a largarei; não me reprovará o meu coração em toda a minha vida.

7 Seja como o ímpio o meu inimigo e como o perverso o que se levantar contra mim.

8 Porque qual será a esperança do hipócrita embora tenha desonesta- violentamente ganhado quando Deus lhe arrancar a sua alma?

9 Porventura Deus ouvirá o seu clamor sobrevindo-lhe a tribulação?

10 Deleitar-se-á ele no Todo-Poderoso ou invocará a Deus em todo o tempo?

11 Ensinar-vos-ei acerca da mão de Deus e não vos encobrirei o que está com o Todo-Poderoso.

12 Eis que todos vós já vistes isto; por que pois sois completamente vãos?

13 Esta pois é a porção do homem ímpio da parte de Deus e a herança que os terrificadores receberão do Todo-Poderoso.

14 Se os seus filhos se multiplicarem será para a espada e a sua prole não se saciará de pão.

15 Os que ficarem dele na morte serão enterrados e as suas viúvas não o chorarão.

16 Se amontoar prata como pó e aparelhar roupas como argila molhada

17 Ele as aparelhará porém o justo as vestirá e o inocente repartirá a prata.

18 E edificará a sua casa como a traça e como a cabana que o guarda faz.

19 Rico se deita e não será recolhido; abre os seus olhos e ele não será.

20 Pavores se apoderam dele como águas; de noite o arrebata a tempestade.

21 O vento oriental leva-o e ele se vai; e como uma tempestade varre-o com ímpeto do seu lugar.

22 E Deus lançará isto sobre ele e não o poupará; diligentemente foge da sua mão.

23 Cada homem baterá as suas palmas em desagrado) contra ele e assobiará de escárnio tirando-o para fora do seu lugar.

28

1 Na verdade há veios de onde se extrai a prata e lugar onde se refina o ouro.

2 O ferro tira-se da terra e da pedra se funde o cobre.

3 Ele o homem) põe fim às trevas e esquadrinha toda a perfeição: as pedras da escuridão e a sombra da morte.

4 Parte a enchente de junto do habitante mesmo as águas esquecidas pelo pé por serem profundas). Elas são secadas elas se foram dos homens. "nah-ghal" deve ser traduzida como "enchente" (Sl 18:4 74:15). "Poço de mina" é mera conjectura

5 Da terra procede o pão mas por baixo é revolvida como por fogo.

6 As suas pedras são o lugar da safira e tem pó de ouro.

7 Essa vereda a ave de rapina a ignora e não a viram os olhos da gralha.

8 Nunca a pisaram os filhos dos mais majestosos animais selvagens Literalmente "os filhos do orgulho" nem o feroz leão passou por ela.

9 Ele o homem) estende a sua mão contra o rochedo de pederneira) e revolve os montes desde as suas raízes.

10 Entre as rochas ele tem aberto caminhos para rios e o seu olho vê tudo o que há de precioso.

11 Os rios ele tapa e nem uma gota sai deles e tira à luz o que estava escondido.

12 Porém onde se achará a sabedoria e onde está o lugar do entendimento?

13 O homem não conhece o valor dela e nem ela se acha na terra dos viventes.

14 O abismo diz: Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo.

15 Não se dará por ela ouro fino nem se pesará prata em troca dela.

16 Nem se a pode avaliar pelo ouro fino de Ofir nem pelo precioso ônix nem pela safira.

17 Com ela não se pode comparar o ouro nem o cristal; nem se trocará por jóia de ouro fino.

18 Não se fará menção de coral nem de pérolas Ou "cristais" ; porque a aquisição da sabedoria é melhor que o dos rubis.

19 Não se lhe igualará o topázio de Cuxe nem se pode avaliar por ouro puro.

20 Donde pois vem a sabedoria e onde está o lugar do entendimento?

21 Pois está encoberta aos olhos de todo o vivente e oculta às aves do ar.

22 A destruição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.

23 Deus entende o caminho dela e Ele sabe o seu lugar.

24 Porque Ele vê as extremidades da terra; e vê tudo o que há debaixo do céU.

25 Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas;

26 Quando prescreveu leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões;

27 Então a viu e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou.

28 E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria e apartar-se do mal é o entendimento.

29

1 E prosseguiu Jó no seu discurso dizendo:

2 Ah! Quem me dera ser como eu fui nos meses passados como nos dias em que Deus me preservava!

3 Quando fazia resplandecer a Sua lâmpada sobre a minha cabeça e quando eu pela Sua luz caminhava pelas trevas.

4 Como fui nos dias da minha mocidade quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda;

5 Quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo e os meus filhos em redor de mim. Literalmente "outono" o tempo da colheita

6 Quando lavava os meus passos no leite- gordo- e- grosso Literalmente "manteiga" e da rocha me corriam ribeiros de azeite;

7 Quando eu saía para a porta através da cidade e na rua fazia preparar a minha cadeira

8 Os moços me viam e se escondiam Talvez isto signifique que em sinal de reverência os moços cediam caminho e espaço a Jó davam alguns passos para trás recuavam punham-se atrás e até os idosos se levantavam e se punham em pé;

9 Os príncipes continham as suas palavras e punham a mão sobre a sua boca;

10 A voz dos nobres se calava e a sua língua apegava-se ao seu palato.

11 Ouvindo-me algum ouvido me tinha por bem-aventurado; vendo-me algum olho dava testemunho de mim;

12 Porque eu livrava o pobre que clamava como também o órfão e aquele que não tinha quem o socorresse.

13 A bênção do que estava prestes a perecer vinha sobre mim e eu fazia que cantasse- retumbando- de- júbilo o coração da viúva.

14 Vestia-me da justiça e ela me servia de vestimenta; como manto e diadema era a minha justiça.

15 Eu me fazia de olhos para o cego e de pés para o coxo.

16 Dos necessitados era pai e as causas de que eu não tinha conhecimento inquiria com diligência.

17 E quebrava os queixos do perverso e dos seus dentes tirava a presa.

18 E dizia: No meu ninho expirarei e multiplicarei os meus dias como a areia.

19 A minha raiz se estendia Literalmente "a minha raiz se abria para as águas" junto às águas e o orvalho repousava toda a noite sobre os meus ramos;

20 A minha honra se renovava em mim e o meu arco se reforçava na minha mão.

21 Ouviam-me e esperavam e em silêncio atendiam ao meu conselho.

22 Depois da minhas palavras não replicavam e minhas razões gotejavam como orvalho) sobre eles;

23 Porque me esperavam como à chuva; e escancaravam a sua boca como à chuva tardia.

24 Eu sorria para eles quando ainda não tinham confiança e a luz do meu rosto não faziam abater;

25 Eu escolhia o caminho para eles assentava-me como chefe e habitava como rei entre as suas tropas; como aquele que consola os que choram- lamentando- em -luto.

30

1 Agora porém se riem de mim os de menos idade do que eu cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.

2 De que também me serviria a força das mãos daqueles cujo vigor se tinha esgotado?

3 De míngua e fome se debilitaram- e- secaram; e recolhiam-se para os lugares secos desde muito tempo atrás assolados e desertos.

4 Apanhavam malvas junto aos arbustos e o seu mantimento eram as raízes dos zimbros.

5 Do meio dos homens eram expulsos e gritavam contra eles como contra o ladrão;

6 Para habitarem nos assustadores- barrancos dos vales e nas cavernas Ou "buracos" da terra e das rochas.

7 Bramavam entre os arbustos e ajuntavam-se debaixo das urtigas.

8 Eram filhos de doidos e filhos de gente sem nome e da terra foram expulsos.

9 Agora porém sou a sua canção e lhes sirvo de provérbio.

10 Abominam-me e fogem para longe de mim e no meu rosto não se privam de cuspir.

11 Porque Deus desatou a minha corda e me afligiu por isso sacudiram de si o freio perante o meu rosto.

12 À direita se levantam os moços; empurram os meus pés e erguem contra mim os caminhos de sua destruição.

13 Desbaratam-me o caminho; promovem a minha calamidade; mesmo sem ninguém os ajudar.

14 Vêm contra mim como um grande rompimento de águas e revolvem-se entre a assolação.

15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra e como nuvem passou a minha felicidade.

16 E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.

17 De noite se me traspassam os meus ossos e os meus tendões não têm descanso.

18 Pela grande força do meu mal está desfigurada a minha veste exterior; ele meu mal) me cinge como a gola da minha túnica Túnica é veste interior .

19 Ele Deus) me lançou na lama e tornei-me semelhante ao pó e à cinza.

20 Clamo a Ti porém Tu não me atendes; estou em pé porém para mim não atentas.

21 Tornaste-Te cruel contra mim; com a força da Tua mão Te opões a mim.

22 Levantas-me sobre o vento fazes-me cavalgar sobre ele e derretes a minha substância Ou "dissolves a minha sabedoria .

23 Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento determinada a todos os viventes.

24 Porém não estenderá a mão para o túmulo ainda que eles clamem na sua destruição.

25 Porventura não chorei sobre aquele cujo dia era duro ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?

26 Todavia aguardando eu o bem então me veio o mal e esperando eu a luz veio a escuridão.

27 As minhas entranhas fervem e não estão quietas; dias da aflição chegam antes- e- adiante de mim.

28 Ando lamentando sombriamente sem a luz do sol; levantando-me na congregação clamo por socorro.

29 Irmão me fiz dos dragões e companheiro dos avestruzes.

30 Enegreceu-se a minha pele sobre mim e os meus ossos estão queimados do calor.

31 A minha harpa se tornou em choro- lamentação- de- luto e o meu órgão em voz dos que choram.

31

1 Fiz aliança com os meus olhos; como pois os fixaria numa virgem?

2 Que porção teria eu do Deus lá de cima ou que herança do Todo-Poderoso desde as alturas?

3 Porventura não é a perdição para o perverso e a punição de desterro para os que praticam iniqüidade?

4 Ou não vê Ele os meus caminhos e não conta todos os meus passos?

5 Se andei com falsidade e se o meu pé se apressou para o engano

6 (Pese-me em balanças fiéis e saberá Deus a minha integridade)

7 Se os meus passos se desviaram do caminho e se o meu coração anda após os meus olhos e se às minhas mãos se achegou- e- aderiu qualquer mancha

8 Então semeie eu e outro coma e seja a minha semente arrancada até à raiz.

9 Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher ou se eu armei traições à porta do meu próximo

10 Então moa minha esposa para outro e outros se encurvem sobre ela

11 Porque isto é um crime hediondo e é delito a ser punido pelos juízes.

12 Porque é fogo que consome até à destruição e desarraigaria toda a minha renda.

13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva quando eles contendiam comigo;

14 Então que faria eu quando Deus Se levantasse? E inquirindo Ele a causa que Lhe responderia?

15 Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?

16 Se retive o que os pobres desejavam ou fiz desfalecer os olhos da viúva

17 Ou se sozinho comi o meu bocado e o órfão não comeu dele

18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai e fui o guia da viúva desde o ventre de minha mãe)

19 Se alguém vi perecer por falta de roupa e ao necessitado por não ter coberta

20 Se os seus lombos não me abençoaram se ele não se aquentava com a lã dos meus cordeiros

21 Se eu levantei a minha mão contra o órfão porquanto na porta via a minha ajuda

22 Então caia do ombro a minha espádua e seja quebrado o meu braço para longe do osso- em- forma- de- cana.

23 Porque o castigo de Deus era para mim um terror e eu não podia suportar a Sua majestade.

24 Se no ouro pus a minha esperança ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança;

25 Se me alegrei porque era muita a minha riqueza e de porque a minha mão tinha alcançado muito;

26 Se olhei para o sol quando resplandecia ou para a lua caminhando resplandecente

27 E o meu coração se deixou enganar em oculto e a minha boca beijou a minha mão

28 Também isto seria delito a ser punido pelos juízes; pois assim negaria a Deus que está lá em cima.

29 Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio e se exultei quando o mal o atingiu

30 (Também não deixei pecar a minha boca Literalmente "palato" pedindo uma maldição sobre a sua alma);

31 Se a gente da minha tenda não disse: Ah! quem nos dará da sua carne? Nunca nos fartaríamos dela.

32 O estrangeiro não pernoitava na rua mas as minhas portas eu abria ao viandante.

33 Se como Adão encobri as minhas transgressões ocultando a minha iniqüidade no meu seio;

34 Porventura era eu terrificado pela grande multidão e o desprezo das famílias me apavorava de modo que eu me calasse e não saísse da porta?

35 Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu desejo é que o Todo-Poderoso me responda e que o meu adversário escreva um livro.

36 Por certo que o levaria sobre o meu ombro sobre mim o ataria por coroa.

37 O número dos meus passos Lhe declararia; como príncipe me chegaria a Ele.

38 Se a minha terra clamar contra mim e se os seus sulcos juntamente chorarem

39 Se comi os seus frutos sem dinheiro e causei aos seus donos perderem suas vidas

40 Por trigo me produza cardos e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Jó.

32

1 Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque ele era justo aos seus próprios olhos.

2 E acendeu-se a ira de Eliú filho de Baraquel o buzita da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira porque se justificava a si mesmo mais do que a Deus.

3 Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos porque não achando que responder todavia condenavam a Jó.

4 Eliú porém tinha esperado o final das palavras de Jó porquanto eles tinham mais idade do que ele.

5 Vendo pois Eliú que já não havia resposta na boca daqueles três homens a sua ira se acendeu.

6 E respondeu Eliú filho de Baraquel o buzita dizendo: Eu sou de menos idade e vós sois idosos; receei-me e temi de vos declarar a minha opinião.

7 Dizia eu: Falem os dias e a multidão dos anos ensine a sabedoria.

8 Na verdade há um espírito no homem e a inspiração do Todo-Poderoso o faz entendido.

9 Os grandes homens não são sempre sábios "Os grandes homens não são sempre sábios" ou "a multidão de homens não é sempre sábia" nem os velhos entendem o que é direito.

10 Assim digo: Dai-me ouvidos e também eu declararei a minha opinião.

11 Eis que aguardei as vossas palavras e dei ouvidos aos vossos entendimentos enquanto buscáveis palavras que dizer.

12 Atentando pois para vós eis que nenhum de vós há que possa convencer a Jó nem que responda às suas palavras;

13 Para que não digais: Achamos a sabedoria; Deus o derrubou e não homem algum.

14 Ora ele não dirigiu contra mim palavra alguma nem lhe responderei com as vossas palavras.

15 Estão pasmados não respondem mais faltam-lhes as palavras.

16 Esperei pois mas não falam; porque já pararam e não respondem mais.

17 Também eu responderei pela minha parte; também eu declararei a minha opinião.

18 Porque estou cheio de palavras; o espírito dentro de mim me constrange.

19 Eis que o meu ventre é como o mosto sem respiradouro prestes a arrebentar como odres novos.

20 Falarei para que eu ache- alívio- no- respirar; abrirei os meus lábios e responderei.

21 Que não faça eu acepção do rosto de nenhum homem nem use de palavras lisonjeiras com o homem!

22 Porque não sei usar de lisonjas; se assim fizesse em breve me levaria o meu Criador.

33

1 Assim na verdade ó Jó ouve as minhas falas e dá ouvidos a todas as minhas palavras.

2 Eis que já abri a minha boca; já falou a minha língua debaixo do meu palato.

3 As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração e os meus lábios proferem o saber claramente.

4 O Espírito de Deus me fez; e o sopro do Todo-Poderoso me deu vida.

5 Se podes responde-me diante de mim dispõe em ordenada linha de batalha as tuas e levanta-te.

6 Eis-me aqui em lugar de Deus segundo disse a tua boca; do barro também fui eu formado.

7 Eis que não te perturbará o meu terror nem será pesada sobre ti a minha mão.

8 Na verdade tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras. Dizias:

9 Limpo estou sem transgressão; inocente sou e não tenho iniqüidade.

10 Eis que Ele detecta impeditivas- faltas em mim e me considera como Seu inimigo.

11 Põe no tronco os meus pés e observa todas as minhas veredas.

12 Eis que nisso não foste justo; eu te respondo; porque maior é Deus do que o homem.

13 Por que razão contendes com Ele? Porque Ele não dá contas de nenhum dos Seus feitos.

14 Antes Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso.

15 Em sonho ou em visão noturna quando cai sono profundo sobre os homens ou dormitam sobre a cama.

16 Então o revela ao ouvido dos homens e imprime- como- selo o porque da instrutiva- punição deles

17 Para apartar o homem daquilo que faz e esconder do homem a soberba.

18 Para desviar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada.

19 Também sobre a sua cama é castigado com dores; e a multidão dos seus ossos é castigada com forte dor "E a multidão dos seus ossos é castigada com forte dor" ou "e com incessante contenda nos seus ossos" ;

20 De modo que a sua vida abomina até o pão e a sua alma a comida apetecível.

21 A sua carne desaparece de vista e os seus ossos que não se viam agora estão salientes.

22 E a sua alma se vai chegando à cova e a sua vida aos que trazem a morte.

23 Se com ele pois houver um mensageiro um intérprete um entre milhares para declarar ao homem a sua retidão

24 Então terá misericórdia dele e lhe dirá: Livra-o Ou "redime-o" ou "resgata-o" para que não desça à cova; já achei resgate.

25 Sua carne se reverdecerá mais do que era na mocidade e tornará aos dias da sua juventude.

26 Deveras orará a Deus o Qual se agradará dele e verá a Sua face com júbilo e Ele restituirá ao homem a sua justiça.

27 Olhará para os homens e dirá: Pequei e perverti o direito o que de nada me aproveitou.

28 Porém Deus livrou a sua alma de ir para a cova e a sua vida verá a luz.

29 Eis que todas estas coisas opera Deus duas e três vezes para com o homem

30 Para trazer de volta a sua alma da cova e o iluminar com a luz dos viventes.

31 Atende pois ó Jó dá-me ouvidos; cala-te e eu falarei.

32 Se tens alguma coisa que dizer responde-me; fala porque desejo justificar-te.

33 Se não dá-me ouvidos tu; cala-te e ensinar-te-ei a sabedoria.

34

1 Respondeu mais Eliú dizendo:

2 Ouvi vós sábios as minhas palavras; e vós entendidos inclinai os ouvidos para mim.

3 Porque o ouvido prova as palavras como o palato experimenta a comida.

4 O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom.

5 Porque Jó disse: Sou justo e Deus tirou o meu julgamento.

6 Mentiria eu contra o meu direito? A minha ferida- de- flecha é incurável embora eu esteja sem transgressão.

7 Que homem há como Jó que bebe a zombaria como água? Literalmente "A minha flecha"

8 E caminha em companhia dos que praticam a iniqüidade e anda com homens ímpios?

9 Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.

10 Portanto vós homens de entendimento escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!

11 Porque segundo a obra do homem Ele lhe paga; e faz a cada homem segundo o seu caminho.

12 Também na verdade Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.

13 Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez o mundo inteiro?

14 Se Ele pusesse o Seu coração contra o homem e recolhesse para Si o Seu espírito e o Seu fôlego

15 Toda a carne juntamente expiraria e o homem voltaria para o pó.

16 Se pois há em ti entendimento ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.

17 Porventura o que odiasse o direito governaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?

18 Ou dir-se-á a um rei: "Oh! Vil"? Ou aos príncipes: "Oh! Ímpios"?

19 Quanto menos Àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes nem estima o rico mais do que o pobre? Porque todos são obras de Suas mãos.

20 Eles num momento morrem; e até à meia noite os povos são perturbados e passam e os poderosos serão removidos não por mão humana.

21 Porque os Seus olhos estão sobre os caminhos de cada um e Ele vê todos os seus passos.

22 Não há trevas nem sombra de morte onde se escondam os que praticam a iniqüidade.

23 Porque Ele não põe sobre o homem mais do que é justo para o fazer ir a juízo diante de Deus.

24 Quebranta aos fortes sem número e põe outros em lugar deles.

25 Ele conhece pois as suas obras; de noite os transtorna de modo que são moídos.

26 Ele os fere como ímpios que são à vista dos outros

27 Porquanto se desviaram dEle e não compreenderam nenhum dos caminhos dEle;

28 Para fazer com que o clamor do pobre venha até Ele e Ele ouça o clamor dos aflitos.

29 Se Ele aquietar quem então inquietará? Se encobrir o rosto quem então O poderá contemplar? Seja isto para com um povo seja para com um homem só

30 Para que o homem hipócrita nunca mais reine e o povo não caia em laço.

31 Na verdade é certo ser dito a Deus: "Suportei castigo não mais procederei- destrutiva- e- corruptamente.

32 O que não vejo ensina-me Tu; se fiz alguma iniqüidade nunca mais a hei de fazer."

33 Será isto segundo tua mente? Ele recompensará esta coisa quer tu a rejeites quer tu (e não eu) a escolhas. Portanto fala logo o que sabes.

34 Digam-me os homens de entendimento e o homem sábio ouça-me:

35 Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência.

36 Meu desejo é que Jó seja provado até ao fim pelas suas respostas a homens de iniqüidade.

37 Porque ao seu pecado acrescenta a rebelião; entre nós bate suas palmas em desagrado) e multiplica contra Deus as suas palavras.

35

1 Respondeu mais Eliú dizendo:

2 Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?

3 Porque disseste: De que Te serviria? Que proveito eu tiraria mais se eu fosse alimpado do meu pecado?

4 Eu te darei resposta a ti e aos teus amigos contigo.

5 Atenta para os céus e vê; e contempla as mais altas nuvens que são mais altas do que tu.

6 Se pecares que efetuarás contra Ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem que Lhe farás?

7 Se fores justo que Lhe darás ou que receberá Ele da tua mão?

8 A tua impiedade faria mal a outro homem como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.

9 Por causa das muitas opressões os homens fazem o oprimido clamar por causa do braço dos grandes.

10 Porém ninguém diz: Onde está Deus que me criou que dá salmos durante a noite;

11 Que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves do ar?

12 Clamam mas ninguém responde por causa da arrogância dos maus.

13 Certo é que Deus não ouvirá a vanidade nem atentará para ela o Todo-Poderoso.

14 E quanto ao que disseste que O não verás juízo há perante Ele; por isso espera nEle.

15 Mas agora porque Ele não tem visitado para trazer punição) em Sua ira nem se conhece em grande rigor

16 Por isso Jó em vão abre a sua boca e sem ciência multiplica palavras.

36

1 Prosseguiu ainda Eliú e disse:

2 Espera-me um pouco e mostrar-te-ei que ainda tenho palavras a favor de Deus.

3 De longe trarei o meu conhecimento; e ao meu Criador atribuirei a justiça.

4 Porque na verdade as minhas palavras não serão falsas; contigo está um que tem perfeito conhecimento.

5 Eis que Deus é mui grande contudo a ninguém despreza; grande é em força e sabedoria.

6 Ele não preserva a vida do ímpio e faz justiça aos aflitos.

7 Do justo não tira os Seus olhos; antes estão com os reis sobre o trono; ali os assenta para sempre e assim são exaltados.

8 E se estão presos em grilhões amarrados com cordas de aflição

9 Então lhes declara a obra deles e as suas transgressões porquanto nelas se houveram como se fossem grandes contra Deus.

10 Abre-lhes também os seus ouvidos para Seu castigo- instrutivo e ordena-lhes que voltem atrás da iniqüidade.

11 Se Lhe derem ouvidos e O servirem acabarão seus dias em bem e os seus anos em delícias.

12 Porém se não Lhe derem ouvidos à espada serão passados e expirarão sem conhecimento.

13 E os hipócritas de coração amontoam para si a ira; e amarrando-os Ele não clamam por socorro.

14 A sua alma morre na mocidade e a sua vida está entre os impuros.

15 Ao aflito livra da sua aflição e na opressão lhes abre os ouvidos.

16 Assim também te desviará da boca da angústia para um lugar espaçoso em que não há aperto e aquilo que é colocado na tua mesa será cheio de gordura.

17 Mas tu estás cheio do juízo do ímpio; o juízo e a justiça te sustentam.

18 Porquanto há furor guarda-te de que porventura Ele Deus) não te remova com Seu golpe: Então nem mesmo um grande resgate poderá te livrar.

19 Estimaria Ele tanto tuas riquezas? Não nem ouro nem todas as forças do poder.

20 Não suspires pela noite em que os povos sejam tomados do seu lugar Ou "em que os povos são tomados para cima para o povo que está embaixo deles" .

21 Guarda-te e não te voltes para a iniqüidade; porquanto isso escolheste ao invés da aflição.

22 Eis que Deus é excelso em Seu poder; quem ensina como Ele?

23 Quem Lhe prescreveu o Seu caminho? Ou quem Lhe dirá: "Tu cometeste maldade."?

24 Lembra-te de engrandecer a Sua obra que os homens contemplam.

25 Todos os homens a vêem e o homem- mortal a contempla de longe.

26 Eis que Deus é grande e nós não O compreendemos e o número dos Seus anos não se pode esquadrinhar.

27 Porque faz miúdas as gotas das águas que do seu vapor derramam a chuva

28 A qual as nuvens destilam e gotejam sobre o homem abundantemente.

29 Porventura pode alguém entender o estender-se das nuvens e os estalos da Sua tenda?

30 Eis que estende sobre elas a Sua luz e encobre as profundezas do mar.

31 Porque por meio destas coisas julga os povos; e lhes dá mantimento em abundância.

32 Com as nuvens encobre a luz e ordena-lhe não brilhar interpondo a nuvem.

33 O trovão dEle declara acerca disso e também o gado declara acerca do temporal que sobe.

37

1 Sobre isto também treme o meu coração e é movido para fora do seu lugar.

2 Atentamente ouvi a indignação da Sua voz e o sonido que sai da Sua boca.

3 Ele o envia por debaixo de todo o céU e a Sua luz até aos confins da terra.

4 Depois disto ruge uma grande voz; Ele troveja com a voz da Sua majestade; e Ele não os detém quando a Sua voz é ouvida.

5 Com a Sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas que nós não podemos compreender.

6 Porque à neve diz: Cai tu sobre a terra; como também à pequena chuva e à Sua grande chuva Literalmente "à Sua chuva de chuvas" do Seu poder.

7 Ele sela as mãos de todo o homem para que conheçam todos os homens a Sua obra.

8 E as feras entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas.

9 Da recâmara do sul vem o tufão e dos ventos espalhadores de nuvens) do norte vem o frio.

10 Pelo sopro de Deus se dá a geada e as largas águas se congelam.

11 Também de umidade carrega as grossas nuvens e dispersa as nuvens com a Sua luz.

12 Então elas segundo o Seu prudente- guiar se espalham em redor para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a face do mundo na terra.

13 Seja que por vara de correção) ou para a Sua terra ou por misericórdia Ele as faz vir.

14 A isto ó Jó inclina os teus ouvidos; posta-te em pé e considera as maravilhas de Deus.

15 Porventura sabes tu como Deus as opera e faz resplandecer a luz da Sua nuvem?

16 Tens tu entendido o equilíbrio das grossas nuvens e as maravilhas dAquele que é perfeito em conhecimento?

17 Ou de como as tuas roupas aquecem quando Ele faz ser aquietada a terra pelo mormaço do) vento sul?

18 Ou estendeste com Ele o firmamentO que está firme como espelho fundido?

19 Ensina-nos o que Lhe diremos: porque não poderemos pôr em boa ordem as nossas palavras por causa das trevas.

20 Contar-Lhe-ia alguém o que tenho falado? Se um homem falar seguramente será engolido.

21 E agora não se pode olhar para a resplendente luz que está nas nuvens; mas o vento passa e as limpa.

22 O áureo esplendor do bom tempo) vem do norte; pois em Deus há uma tremenda majestade.

23 Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém não oprime a ninguém) em juízo e em grandeza de justiça.

24 Por isso O temem os homens; Ele não respeita os que se julgam sábios de coração.

38

1 Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho dizendo:

2 Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?

3 Agora cinge os teus lombos como homem; e perguntar-te-ei e tu Me ensinarás.

4 Onde estavas tu quando Eu fundava a terra? Faze-Mo saber se tens entendimento.

5 Quem lhe pôs as medidas se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel -de- medir?

6 Sobre que foram feitas afundar- e- assentar as suas sapatas ou quem assentou a sua pedra de esquina

7 Quando as estrelas do amanhecer juntas cantavam- retumbando- de- júbilo e todos os filhos de Deus bradavam de alegria triunfal) ?

8 Ou quem encerrou o mar com portas quando este rompeu como se tivesse saído da madre

9 Quando Eu pus as nuvens por sua vestidura e a densa escuridão por faixa umbilical

10 E prescrevi para ele Meu decreto e lhe pus ferrolhos e portas

11 E disse: Até aqui virás e não mais adiante e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?

12 Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada ou mostraste ao alvorecer o seu lugar;

13 Para que pegasse nas extremidades da terra e os ímpios fossem sacudidos para fora dela;

14 E se transformasse como o barro sob o selo e se pusessem como vestidos;

15 E dos ímpios é retida a sua luz e o braço altivo seja quebrantado;

16 Ou entraste tu até às fontes no fundo) do mar ou andaste travessia em investigação do abismo?

17 Ou descobriram-se-te as portas da morte ou viste as portas da sombra da morte?

18 Ou tens percebido a largura da terra? Faze-Mo saber se sabes tudo isto.

19 Onde está o caminho onde mora a luz? E quanto às trevas onde está o seu lugar;

20 Para que as tragas aos seus limites e para que saibas as veredas para a sua casa?

21 De certo tu o sabes porque já então eras nascido e por ser grande o número dos teus dias!

22 Ou entraste tu até aos tesouros da neve e viste os tesouros da saraiva

23 Que Eu tenho reservado até ao tempo da angústia até ao dia da peleja e da guerra?

24 Onde está o caminho em que se reparte a luz a qual espalha o vento oriental sobre a terra?

25 Quem abriu para a inundação um leito e um caminho para os relâmpagos dos trovões

26 Para chover sobre a terra onde não há nenhum homem e no deserto em que não há homem;

27 Para fartar a terra deserta e assolada e para fazer crescer os renovos da tenra grama?

28 A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho?

29 De que ventre procedeu o gelo? E quem gerou a geada do céu?

30 Como as águas são escondidas como que debaixo de pedra e a superfície do abismo se congela Literalmente "se agarra uma a outra" referindo-se às suas partículas .

31 Ou poderás tu atar as amarrações do Sete-estrelo ou soltar os cordéis do Orion?

32 Ou fazer aparecer as constelações a seus devidos tempos no ano) e guiar a Ursa Maior) com seus filhos?

33 Sabes tu as ordenanças do céU ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra?

34 Ou podes levantar a tua voz até às nuvens para que a abundância das águas te cubra?

35 Ou mandarás aos relâmpagos para que saiam e te digam: Eis-nos aqui?

36 Quem pôs a sabedoria no íntimo ou quem deu à mente o entendimento?

37 Quem numerará as nuvens com sabedoria? Ou os odres do céU quem os fará deitar Como se inclina um vaso para que derrame seu conteúdo

38 Quando se funde o pó numa massa sólida e se achegam- e- aderem os torrões uns aos outros?

39 Porventura caçarás tu presa para a leoa ou saciarás a fome Literalmente "a vida" dos filhos dos leões

40 Quando se agacham nos covis e permanecem no mato fechado espreitando de emboscada?

41 Quem prepara aos corvos o seu alimento quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando por não terem o que comer?

39

1 Sabes tu o tempo em que as cabras montesas têm filhos ou marcastes quando as cervas dão suas crias?

2 Contarás os meses que cumprem ou sabes o tempo do seu parto?

3 Quando se encurvam e fazem seus filhos romperem para fora e lançam de si as suas dores.

4 Seus filhos enrijam crescem com o trigo; saem e nunca mais tornam para elas.

5 Quem despediu livre o jumento montês e quem soltou as ataduras ao jumento bravo

6 Ao qual dei o ermo por casa e a terra salgada por morada?

7 Ri-se do ruído do tumulto da cidade; não atende aos muitos gritos do condutor.

8 A cadeia de montanhas é o seu pasto e anda buscando atrás de tudo que está verde.

9 Ou querer-te-á servir o unicórnio Nota Nu 23:22 ? Ou pernoitará próximo de tua cocheira?

10 Ou com corda amarrarás o unicórnio Nota Nu 23:22 no trabalho de abrir o) sulco de arado? Ou escavará ele os vales após ti?

11 Ou confiarás nele por ser grande a sua força ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?

12 Ou fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha na tua eira?

13 A avestruz bate alegremente as suas asas porém são benignas as suas asas e penas?

14 Ela deixa os seus ovos na terra e os aquenta no pó

15 E se esquece de que algum pé os pode pisar ou que os animais do campo os podem calcar.

16 Endurece-se para com seus filhos como se não fossem seus; debalde é seu trabalho mas ela está sem temor

17 Porque Deus a privou de sabedoria e não lhe deu entendimento.

18 A seu tempo se levanta ao alto; ri-se do cavalo e de quem vai montado nele.

19 Ou darás tu força ao cavalo ou revestirás o seu pescoço com crinas?

20 Ou o farás pular de medo como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.

21 Escarva no vale e regozija na sua força e sai ao encontro dos armados.

22 Ri-se do temor e não se quebranta e não torna atrás por causa da espada.

23 Contra ele rangem a aljava o ferro flamejante da lança e do dardo.

24 Ele engole o chão com tremente ferocidade e trepidante violência e não confia ele que este é o som da trombeta.

25 Em cada sonido da trombeta diz: Avante! E de longe sente o cheiro da guerra e o trovão dos capitães e o alarido.

26 Ou voa o gavião pela tua inteligência e estende as suas asas para o sul?

27 Ou bem alto se eleva a águia ao teu mandado e põe no alto o seu ninho?

28 Nas penhas mora e habita; no cume das penhas e nos lugares seguros.

29 Dali descobre a presa; seus olhos a contemplam de longe.

30 E seus filhos chupam o sangue e onde há mortos ali está ela.

40

1 Respondeu mais o SENHOR a Jó dizendo:

2 Porventura o contender contra o Todo-Poderoso te faz um repreendedor? Quem decide repreendendo assim a Deus responda por isso.

3 Então Jó respondeu ao SENHOR dizendo:

4 Eis que sou vil; que Te responderia eu? Ponho a mão na minha boca.

5 Uma vez tenho falado e não replicarei; ou ainda duas vezes porém não prosseguirei.

6 Então o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho dizendo:

7 Cinge agora os teus lombos como homem; Eu te perguntarei e tu Me explicarás.

8 Porventura também tornarás tu sem efeito o Meu juízo ou tu Me condenarás para te justificares?

9 Ou tens um braço como o de Deus ou podes trovejar com voz como a dEle?

10 Orna-te pois de excelência e alteza; e veste-te de majestade e de glória.

11 Espalha tu longe os furores da tua ira e atenta para todo o soberbo e abate-o.

12 Olha para todo o soberbo e humilha-o e calca aos pés os ímpios no seu lugar.

13 Esconde-os juntamente no pó; ata-lhes os rostos em oculto.

14 Então também Eu a ti confessarei que a tua mão direita te poderá salvar.

15 Contempla tu agora o beemote que Eu fiz contigo que come capim como o boi.

16 Eis que a sua força está nos seus lombos e o seu poder nos músculos do seu ventre.

17 Quando quer move a sua cauda como uma árvore de cedro; os tendões das suas coxas estão entretecidos.

18 Os seus ossos são tão fortes como tubos de bronze; os seus ossos são como barras de ferro.

19 Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; somente) Aquele que o fez pode fazer a Sua espada se aproximar dele.

20 Em verdade os montes lhe produzem pastos onde todos os animais do campo brincam.

21 Deita-se debaixo das árvores sombreadoras no esconderijo das canas e dos pântanos.

22 As árvores sombreadoras o cobrem com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.

23 Eis um rio transbordando e ele não se apressa confiando que possa sugar o Jordão para dentro de sua boca.

24 Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos ou com laços lhe perfurar através do nariz?

41

1 Poderás tirar com anzol o leviatã ou farás assentar a sua língua com uma corda?

2 Podes pôr um gancho de fibras de junco) para dentro do seu nariz ou com um espinho furar através da sua queixada?

3 Porventura multiplicará as súplicas para contigo ou brandamente te falará?

4 Fará ele aliança contigo ou o tomarás tu por servo para sempre?

5 Brincarás com ele como se fora um passarinho ou o prenderás para tuas jovens donzelas?

6 Os teus companheiros farão dele um banquete ou o repartirão entre os negociantes Literalmente "os cananitas" que eram grandes mercadores ?

7 Encherás a sua pele de farpas de ferro ou a sua cabeça com arpões de pescadores?

8 Põe a tua mão sobre ele lembra-te da peleja e nunca mais tal intentarás.

9 Eis que é provada ser mentirosa a esperança de apanhá-lo; pois não será o homem derrubado só pela visão dele?

10 Ninguém há tão atrevido que a despertá-lo se atreva; quem pois é aquele que ousa se pôr de pé diante de Mim?

11 Quem chegou antes- e- adiante de Mim para que Eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo do inteiro céU é Meu.

12 Não me calarei a respeito dos seus membros nem da maneira da sua grande força nem da graça da sua compostura.

13 Quem descobrirá a face da sua roupa? Quem entrará a ele com suas rédeas duplas?

14 Quem abrirá as portas do seu rosto? Pois ao redor dos seus dentes está o terror.

15 As suas fortes escamas são o seu orgulho cada uma fechada como com selo apertado.

16 Uma à outra se chega tão perto que nem o ar passa por entre elas.

17 Umas às outras se ligam; tanto aderem entre si que não se podem separar.

18 Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz e os seus olhos são como as pálpebras do amanhecer.

19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.

20 Das suas narinas procede fumaça como de uma panela fervente ou de uma grande caldeira.

21 A sua respiração faz acender os carvões; e da sua boca sai chama.

22 No seu pescoço reside a força; diante dele até a tristeza salta de regozijo.

23 As lâminas de músculo) da sua carne estão pegadas entre si; cada uma está firme nele e nenhuma pode ser movida.

24 O seu coração é tão firme como uma pedra tão firme como a mó de baixo.

25 Levantando-se ele tremem os valentes; em razão dos seus abalos eles são purificados.

26 A espada de quem o alcançar não terá efeito nem lança dardo ou flecha.

27 Ele considera o ferro como palha e o bronze como pau podre.

28 A seta Literalmente "o filho do arco" o não fará fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho "Restolho" é cada tufo seco das folhas das plantas de trigo que restou no campo depois das espigas serem cortados e colhidas e da palha ser guardada em abrigo .

29 Dardos atirados são para ele como palha e ri-se do brandir da lança;

30 Debaixo de si tem pedras pontiagudas; estende-se sobre coisas pontiagudas como na lama.

31 As profundezas faz ferver como uma panela; torna o mar como uma vasilha de ungüento.

32 Após si deixa uma vereda luminosa; pensar-se-ia que o abismo foi tornado em brancura de cãs.

33 Na terra não há coisa que se lhe possa comparar pois foi feito para estar sem pavor.

34 Ele vê tudo que é alto; é rei sobre todos os filhos de animais altivos.

42

1 Então respondeu Jó ao SENHOR dizendo:

2 Bem sei eu que tudo podes e que nenhum dos Teus propósitos pode ser impedido.

3 Quem é este dizes Tu que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosas demais e que eu não entendia.

4 Escuta-me pois e eu falarei; eu Te perguntarei e Tu me ensinarás.

5 Com o ouvir dos meus ouvidos Te ouvi mas agora Te vêem os meus olhos.

6 Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

7 Sucedeu que depois do SENHOR ter falado aquelas palavras a Jó então o SENHOR disse a Elifaz o temanita: A Minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos porque não falastes de Mim o que era reto Literalmente "firmemente estabelecido como o fez Meu servo Jó.

8 Tomai pois sete novilhos e sete carneiros e ide ao Meu servo Jó e oferecei holocaustos por vós e o Meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei para que Eu não vos trate conforme a vossa vil- loucura; porque vós não falastes de Mim o que era reto como o Meu servo Jó.

9 Então foram Elifaz o temanita e Bildade o suíta e Zofar o naamatita e fizeram como o SENHOR lhes dissera; e o SENHOR também aceitou a face de Jó.

10 E o SENHOR voltou atrás o cativeiro de Jó quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou em dobro a tudo quanto Jó antes possuía.

11 Então vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos desde antes eram amigos- íntimos- e- muito- bem- conhecidos e comeram com ele pão em sua casa e se condoeram dele e o consolaram acerca de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro e uma argola de ouro.

12 E assim abençoou o SENHOR o último estado de Jó mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas e seis mil camelos e mil juntas de bois e mil jumentas.

13 Também teve sete filhos e três filhas.

14 E chamou o nome da primeira Jemima e o nome da segunda Quezia e o nome da terceira Quéren-Hapuque.

15 E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.

16 E depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos até à quarta geração.

17 Então morreu Jó velho e pleno- satisfeito de dias.