1

1

No princípio era a Palavra.
A Palavra estava com Deus ,
e a Palavra era Deus.

2
Aquele que é a Palavra estava no princípio com Deus.

3
Todas as coisas foram feitas por meio dele,
e sem ele nada foi criado .

4
Nele estava a vida,
vida que era a luz dos homens .

5
A luz brilha nas trevas,
trevas que a não venceram.

6
Houve um homem enviado por Deus que se chamava João .

7
Ele veio para dar testemunho,
para dar testemunho da luz,
para que todos cressem por meio dele.

8
João não era a luz,
mas foi enviado para dar testemunho da luz.

9
Aquele que é a Palavra era a luz verdadeira;
Ele ilumina toda a gente ao vir a este mundo.

10
Ele estava no mundo,
mundo que foi feito por ele.
O mundo não o conheceu .

11
Ele veio para o seu próprio povo
e o seu povo não o recebeu .

12
Mas a todos quantos o receberam,
aos que creem nele,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus .

13
Estes não nasceram de laços de sangue,
nem da vontade da carne, nem da vontade do homem,
mas nasceram de Deus.

14
A Palavra fez-se homem
e veio habitar no meio de nós,
e nós contemplámos a sua glória ,
como glória do Filho único do Pai,
cheio de graça e de verdade.

15

João deu testemunho dele ao proclamar: «Era deste que eu dizia: Aquele que vem depois de mim é mais importante do que eu, porque já existia antes de mim .»

16 Todos nós participámos da abundância dos seus bens divinos e recebemos continuamente as suas bênçãos.

17 É que a lei foi-nos dada por intermédio de Moisés , mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

18 Nunca ninguém viu Deus . Só o Deus único , que está no seio do Pai, o deu a conhecer.

19

Foi este o testemunho de João quando as autoridades judaicas de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: «Quem és tu?»

20 E ele confessou-lhes abertamente: «Eu não sou o Messias.» Mas eles insistiram:

21 «Quem és então? És o profeta Elias?» Ele disse-lhes que não e eles perguntaram: «És o profeta que há de vir ?» Ele tornou a responder-lhes que não.

22 Mas eles insistiram novamente: «Diz-nos então quem és, para podermos dar uma resposta aos que nos mandaram ter contigo. Que dizes de ti mesmo?»

23 João respondeu-lhes: «Eu sou a voz do que clama no deserto: preparem o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías .»

24

Alguns dos enviados que estavam a falar com João eram fariseus

25 e perguntaram-lhe: «Se não és o Messias, nem Elias, nem o profeta, por que é que batizas?»

26 «Eu batizo em água, mas no vosso meio encontra-se alguém que ainda não conhecem;

27 é aquele que vem depois de mim», respondeu João. «Mas eu nem sequer sou digno de lhe desatar as correias das sandálias.»

28

Isto passou-se em Betânia , do outro lado do rio Jordão, onde João estava a batizar.

29

No dia seguinte, João viu Jesus encaminhar-se para ele e disse: «Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

30 Era deste que eu dizia: aquele que vem depois de mim é mais importante do que eu, porque já existia antes de mim.

31 Nem eu próprio sabia quem ele era, mas eu vim para batizar em água para que ele fosse manifestado ao povo de Israel.»

32

João declarou ainda: «Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e ficar sobre ele .

33 Eu não sabia que era ele, mas aquele que me enviou a batizar em água, tinha-me anunciado: “Tu hás de ver o Espírito descer e ficar sobre um homem. Esse é o que batiza no Espírito Santo.”

34

Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.»

35

No dia seguinte, estava João no mesmo lugar com dois dos seus discípulos,

36 quando viu Jesus passar por ali, e disse: «É este o Cordeiro de Deus!»

37 Os dois discípulos, ouvindo isto, seguiram Jesus.

38 Jesus voltou-se, reparou que eles o seguiam e perguntou-lhes: «Que é que procuram?» Eles responderam: «Onde é que moras, Rabi?» Rabi significa Mestre.

39 «Venham ver», respondeu-lhes Jesus. Eles foram. Viram onde morava e passaram o resto daquele dia com ele. Eram mais ou menos quatro horas da tarde.

40

André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus.

41 A primeira pessoa que André encontrou foi o seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias!» Messias significa Cristo.

42 André levou o irmão a Jesus, que olhou bem para ele e disse: «Tu, Simão, filho de João, serás chamado Cefas.» Cefas quer dizer Pedro.

43

No dia seguinte, Jesus quis ir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse-lhe: «Segue-me!»

44 Filipe era de Betsaida , a cidade donde eram também André e Pedro.

45 Filipe encontrou Natanael e disse: «Encontrámos aquele de quem Moisés escreveu nos livros da lei e de quem os profetas também falaram . É Jesus de Nazaré, filho de José.»

46 Disse-lhe Natanael: «Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?» Filipe respondeu-lhe: «Vem e vê!»

47

Jesus viu Natanael aproximar-se e disse: «Aí vem um autêntico israelita, em quem não há fingimento!»

48 Natanael perguntou-lhe: «Donde é que me conheces?» «Antes de Filipe te chamar, quando estavas debaixo da figueira , já eu te tinha visto», respondeu-lhe Jesus.

49 Então Natanael disse-lhe: «Mestre, tu és o Filho de Deus! És o rei de Israel !»

50 Jesus respondeu-lhe: «Acreditas em mim apenas por eu dizer que te vi debaixo da figueira? Pois hás de ver coisas maiores!»

51 E acrescentou: «Fiquem sabendo que ainda hão de ver o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem ao encontro do Filho do Homem .»

2

1

No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava lá.

2 Jesus e os seus discípulos também foram convidados.

3 A certa altura da boda faltou o vinho. Então a mãe de Jesus disse-lhe: «Já não têm vinho!»

4 Jesus respondeu: «E que temos tu e eu a ver com isso, mulher? A minha hora ainda não chegou .»

5

Ela então disse aos criados de mesa: «Façam tudo o que ele vos disser.»

6 Havia ali seis vasilhas de pedra das que os judeus utilizavam para as suas cerimónias de purificação. Cada uma levava uns cem litros de água.

7 Jesus mandou aos criados: «Encham de água essas vasilhas.» Eles encheram-nas até acima.

8 Depois disse-lhes: «Tirem agora um pouco e levem ao mestre de cerimónias para ele provar» Eles assim fizeram.

9 O mestre de cerimónias provou a água transformada em vinho. Não sabia o que tinha acontecido, pois só os criados é que estavam ao corrente do facto. Mandou então chamar o noivo

10 e observou-lhe: «É costume nas bodas servir primeiro o vinho melhor e só depois de os convidados terem bebido bem é que se serve o menos bom. Mas tu guardaste o melhor até agora!»

11

Deste modo, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais. Assim manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele.

12

Depois disto, Jesus desceu até Cafarnaum, com a sua mãe, os seus irmãos e os discípulos, e ficaram lá alguns dias.

13

Como se aproximava a festa da Páscoa dos judeus, Jesus foi a Jerusalém .

14 No templo encontrou homens a vender bois, ovelhas, pombas, e os cambistas sentados às suas bancas.

15 Ao ver isto, Jesus fez um chicote com umas cordas e expulsou do templo toda aquela gente com as ovelhas e os bois. Deitou por terra o dinheiro dos cambistas e virou-lhes as mesas.

16 Depois disse aos que vendiam pombas: «Tirem tudo isto daqui! Não façam da casa de meu Pai uma casa de negócio!»

17 Os seus discípulos lembraram-se das palavras da Sagrada Escritura: O zelo pela tua casa me consumirá .

18

Então os chefes dos judeus perguntaram-lhe: «Que sinal nos mostras para poderes fazer isto?»

19 Jesus respondeu: «Destruam este santuário e eu em três dias o hei de levantar.»

20 E retorquiram-lhe: «Foram precisos quarenta e seis anos para construir este santuário e tu vens dizer-nos que o podes levantar em três dias ?»

21 Mas o santuário de que Jesus falava era o seu próprio corpo.

22 Por isso, quando ele ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Sagrada Escritura e nas suas palavras.

23

Enquanto Jesus estava em Jerusalém, pela festa da Páscoa, muitos creram nele vendo os sinais que ele realizava.

24 Mas Jesus não confiava neles porque os conhecia a todos.

25 Não precisava que o informassem acerca das pessoas, porque sabia muito bem o que há dentro de cada um.

3

1

Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, que era um dos chefes dos judeus.

2 Durante a noite foi ter com Jesus e disse-lhe: «Mestre, sabemos que Deus te enviou para nos ensinares. Ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.»

3 Jesus respondeu-lhe: «Fica sabendo que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo .»

4 Nicodemos perguntou-lhe então: «Como é que um homem idoso pode voltar a nascer? Pode entrar no ventre de sua mãe e nascer outra vez?»

5 Jesus respondeu: «Fica sabendo que só quem nascer da água e do Espírito é que pode entrar no reino de Deus.

6 O que nasce de pais humanos é apenas humano, o que nasce do espírito é espiritual.

7 Não te admires por eu te dizer: é preciso nascer de novo.

8 O vento sopra onde quer; ouves o seu ruído, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece também com aquele que nasce do Espírito.»

9

Nicodemos insistiu: «Como é que isso pode ser?»

10 Jesus respondeu: «Tu és um dos mestres do povo de Israel e não sabes estas coisas?

11 Repara bem no que te vou dizer: quando falamos é porque sabemos e quando afirmamos alguma coisa é porque vimos, mas não querem aceitar o que eu vos digo.

12 Se não acreditam em mim quando vos falo das coisas deste mundo, como podem crer quando vos falar das do Céu?

13 Ninguém subiu ao céu a não ser o Filho do Homem que veio do Céu .

14 Assim como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto , assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado

15 para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna.

16

Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna.

17 Não foi para condenar o mundo que Deus lhe enviou o seu Filho, mas sim para que o mundo fosse salvo por ele.

18 Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus.

19

O motivo da condenação é este: a luz veio ao mundo, mas o mundo preferiu as trevas porque as suas obras eram más.

20 De facto, quem faz o mal detesta a luz e foge dela, para que as suas más obras não sejam descobertas;

21 mas o que pratica a verdade, aproxima-se da luz e assim mostra publicamente que as suas obras foram feitas segundo a vontade de Deus.»

22

Jesus foi mais tarde para a região da Judeia, com os discípulos. Passou lá algum tempo com eles e batizava .

23 João estava também a batizar em Enon, perto de Salim , pois havia ali muita água, e o povo ia ter com ele para ser batizado.

24 Nessa altura, ainda João não tinha sido preso .

25

Um certo dia, levantou-se uma discussão entre alguns discípulos de João e um judeu a respeito das cerimónias de purificação.

26 Foram por isso ter com João e disseram-lhe: «Mestre, aquele homem que estava contigo na outra margem do Jordão e do qual deste testemunho, anda agora a batizar e toda a gente vai ter com ele.»

27 João respondeu: «O homem não pode conseguir nada se não lhe for dado por Deus.

28 Vós mesmos sois testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Messias mas apenas o que foi enviado adiante dele .

29 O noivo é aquele a quem pertence a noiva e o amigo do noivo participa na boda e escuta a voz do noivo e regozija-se em ouvi-lo. Assim, também a minha alegria está agora completa.

30 Ele é que deve crescer em importância e eu diminuir.

31 Aquele que vem lá do alto está acima de todos os outros. Quem vem da Terra pertence à Terra e fala das coisas terrenas. O que vem do céu está acima de todos os outros;

32 fala como testemunha do que lá viu e ouviu, mas ninguém aceita o que ele diz.

33 Aceitar o seu testemunho é reconhecer que Deus é verdadeiro,

34 porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus e não dá o Espírito por medida.

35 O Pai ama o Filho e deu-lhe poder sobre todas as coisas.

36 Aquele que acredita no Filho tem a vida eterna; quem não se deixa convencer pelo Filho não tem parte nessa vida, mas sobre ele recai o castigo de Deus.»

4

1

Jesus soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele fazia e batizava mais discípulos do que João.

2 Na verdade não era Jesus quem batizava, mas sim os discípulos.

3 Então deixou a Judeia e voltou para a Galileia.

4 Na viagem, tinha de atravessar a Samaria.

5 Chegou então a uma terra da Samaria que se chama Sicar, perto do terreno que o patriarca Jacob tinha dado a seu filho José .

6 Era ali o lugar do poço de Jacob. Cansado da caminhada, Jesus sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.

7

Nisto, chegou uma mulher samaritana que ia tirar água ao poço e Jesus pediu-lhe de beber.

8 Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.

9 A mulher disse-lhe: «Mas como é que tu, um judeu, te atreves a pedir-me água a mim que sou samaritana?» De facto, os judeus não se davam bem com os samaritanos .

10 «Se tu conhecesses o que Deus tem para dar», respondeu-lhe Jesus, «e quem é aquele que te está a pedir água, tu é que lhe pedirias e ele dava-te água viva .»

11 Disse-lhe a mulher: «Nem sequer tens um balde e o poço é fundo! Donde é que tiras a água viva?

12 O nosso antepassado Jacob deixou-nos este poço. Ele mesmo, os seus filhos e os seus rebanhos vinham aqui beber. Não me digas que és mais importante que Jacob.»

13 «Quem bebe desta água», afirmou Jesus, «volta a ter sede,

14 mas quem beber da água que eu lhe der, nunca mais há de ter sede, porque a água que eu lhe der torna-se dentro dessa pessoa numa fonte que lhe dá a vida eterna .»

15 A mulher pediu-lhe: «Senhor, dá-me então dessa água para eu nunca mais ter sede, nem precisar de vir buscar água a este poço.»

16 Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta cá.»

17 «Não tenho marido», disse ela. Jesus continuou: «Tens razão em dizer que não tens marido,

18 porque já tiveste cinco e o que tens agora nem é teu marido. Disseste a verdade.»

19

A mulher reconheceu então: «Senhor, estou a ver que és profeta!

20 Os nossos antepassados samaritanos adoraram a Deus neste monte. Vocês dizem que só em Jerusalém é que se deve adorar a Deus .»

21 «Acredita no que te digo, mulher!», declarou Jesus. «Chegou a hora em que não é neste monte nem em Jerusalém que hão de adorar o Pai.

22 Os samaritanos adoram a Deus sem o conhecerem bem; nós os judeus, sabemos o que adoramos porque a salvação vem dos judeus .

23 Porém, está a chegar a hora — e é agora mesmo — em que aquele que adora o Pai o há de adorar no Espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.

24 Deus é espírito e os que o adoram devem fazê-lo no Espírito e em verdade.»

25 A mulher disse então a Jesus: «Sei que o Messias, isto é, o Cristo, há de vir. Quando ele vier há de anunciar-nos todas essas coisas.»

26 Respondeu-lhe Jesus: «Tu estás a falar com ele. Sou eu mesmo.»

27

Nessa altura, chegaram os discípulos de Jesus e ficaram admirados quando o viram a falar com uma mulher. Mas nenhum se atreveu a perguntar: «Que procuras?» Ou: «Por que estás a falar com ela?»

28

A mulher então deixou o cântaro, foi à cidade e disse ao povo:

29 «Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será este o Messias?»

30 Eles saíram da cidade e foram ter com Jesus.

31

Entretanto, os discípulos teimavam com Jesus para que comesse qualquer coisa.

32 Mas ele respondeu-lhes: «Eu tenho uma comida que não conhecem.»

33 Os discípulos começaram a dizer entre si: «Será que alguém lhe trouxe de comer?»

34 Jesus declarou: «A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e terminar a sua obra.

35

Não dizem que faltam ainda quatro meses para o tempo da ceifa? Pois eu digo-vos: Levantem os olhos e vejam como as searas já estão maduras para a ceifa.

36 O ceifeiro recebe o seu salário e recolhe o grão para a vida eterna, de modo que se alegram ao mesmo tempo tanto o que semeia como o que ceifa.

37 É bem verdade o que diz o ditado: “Um é o que semeia e outro o que ceifa.”

38 Também eu vos enviei a ceifar o que não cultivaram. Outros cansaram-se a trabalhar e vocês recolheram o fruto do seu trabalho.»

39

Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, devido à palavra de testemunho daquela mulher: «Ele disse-me tudo o que eu fiz.»

40 Por isso, quando foram ter com Jesus, estes samaritanos pediram-lhe que ficasse com eles. Ficou lá dois dias

41 e muitos outros o aceitaram ao ouvirem-no falar.

42 E diziam à mulher: «Agora cremos, não apenas por aquilo que tu nos contaste, mas porque nós mesmos o ouvimos. Temos a certeza que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo .»

43

Depois daqueles dois dias, Jesus saiu da Samaria para a Galileia.

44 Ele mesmo tinha declarado que nenhum profeta é apreciado na sua própria terra ;

45 mas, ao chegar à Galileia, foi bem recebido pelos galileus, porque tinham visto tudo quanto fizera em Jerusalém, durante a festa, já que eles também tinham estado na festa .

46

Em seguida, voltou a Caná da Galileia, onde tinha mudado a água em vinho. Havia lá um alto funcionário real que tinha um filho doente em Cafarnaum.

47 Quando ouviu dizer que Jesus tinha chegado à Galileia, vindo da Judeia, foi ter com ele e pediu-lhe muito que fosse a sua casa para lhe curar o filho que estava à morte.

48 Disse-lhe Jesus: «Só acreditam quando veem sinais e prodígios!»

49 O funcionário pediu-lhe uma vez mais: «Senhor, vem depressa comigo antes que o meu filho morra.»

50 Jesus então tranquilizou-o: «Volta para casa, que o teu filho está salvo!» O homem acreditou na palavra de Jesus e foi para casa.

51 Ainda ia a caminho quando os criados foram ao seu encontro para lhe dizerem que o filho estava melhor.

52 Perguntou-lhes a que horas o filho tinha melhorado e responderam: «Já não tem febre desde ontem à uma hora da tarde.»

53 O pai lembrou-se que tinha sido exatamente a essa hora que Jesus lhe dissera: «O teu filho está salvo.» E tanto ele como toda a sua família creram em Jesus .

54

Foi este o segundo sinal que Jesus realizou ao ir da Judeia para a Galileia .

5

1

Depois disto, Jesus voltou a Jerusalém por altura duma festa dos judeus.

2 Existe em Jerusalém, próximo da Porta das Ovelhas, uma piscina, que em hebraico se chama Betesda e que tem à volta cinco galerias de colunas .

3 As galerias estavam apinhadas de doentes, cegos, coxos e paralíticos [que esperavam o movimento da água.

4 Dizia-se que de tempos a tempos um anjo de Deus descia à piscina e agitava a água. O primeiro que entrasse na água, depois de ser agitada pelo anjo, ficava curado de qualquer doença .]

5 Entre os doentes encontrava-se um homem que sofria há trinta e oito anos.

6 Jesus, ao vê-lo deitado, e ao saber que já estava assim doente há muito tempo, perguntou-lhe: «Queres ficar curado?»

7 O doente respondeu-lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me leve para a piscina quando a água é agitada. Sempre que eu tento fazê-lo, alguém desce primeiro do que eu.»

8 «Levanta-te», mandou-lhe Jesus, «pega na tua enxerga e vai para casa.»

9 No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou na enxerga e começou a andar.

Ora isto aconteceu num sábado.

10 Por isso alguns judeus disseram ao que tinha sido curado: «Hoje é sábado e a nossa lei não te permite levar a enxerga.»

11 O homem respondeu-lhes: «Aquele que me curou é que me disse para pegar na enxerga e ir para casa

12 Então os judeus perguntaram-lhe: «Quem foi que te disse para pegares na enxerga e ir para casa

13 Mas ele não sabia quem tinha sido, pois Jesus tinha desaparecido no meio da multidão que lá estava.

14

Mais tarde, Jesus encontrou o homem no templo e chamou-lhe a atenção: «Repara bem! Foste curado. Não tornes a pecar, para que não te aconteça ainda pior.»

15 O homem foi então dizer a esses judeus que era Jesus quem o tinha curado.

16 Em consequência, eles começaram a perseguir Jesus, pois fazia curas ao sábado.

17 Mas ele explicava-lhes: «O meu Pai está sempre a trabalhar, e eu trabalho também.»

18 Por causa destas palavras, as autoridades judaicas procuravam cada vez mais dar-lhe a morte, porque ele não só transgredia a lei do sábado, mas até se fazia igual a Deus, ao afirmar que Deus era o seu Pai .

19

Jesus falou-lhes desta maneira: «Fiquem a saber que o Filho nada pode fazer só por si. Faz apenas aquilo que vê fazer a seu Pai. Ele faz o mesmo que o Pai.

20 O Pai ama o Filho, e por isso mostra-lhe tudo quanto faz. Vai confiar-lhe tarefas ainda maiores do que estas, de tal modo que hão de ficar admirados.

21 Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, também o Filho dá a vida àqueles que entender.

22 E o Pai também não julga ninguém pois entregou ao Filho o poder de julgar

23 para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.

24 Fiquem certos disto: quem aceita as minhas palavras e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna. E não é julgado, porque já passou da morte para a vida.

25 Digo-vos mais: aproxima-se a hora — e é agora mesmo — em que os próprios mortos hão de ouvir a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem hão de viver.

26 Assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também deu ao Filho o poder de ter a vida em si mesmo.

27 Deu-lhe ainda autoridade para julgar, por ele ser o Filho do Homem.

28 Não se admirem com isto: vai chegar a hora em que todos os mortos hão de ouvir a sua voz

29 e sairão dos seus túmulos. Os que praticaram o bem ressuscitam para a vida eterna, os que praticaram o mal ressuscitam para a condenação .»

30

«Eu nada posso fazer só por mim. Julgo apenas segundo aquilo que o Pai me diz e o meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a daquele que me enviou.

31 Se eu der testemunho de mim próprio, isso não tem valor nenhum.

32 Há outro que testemunha a meu favor, e eu sei que aquilo que ele diz de mim é verdade.

33

Vocês mandaram perguntar a João e ele deu testemunho da verdade .

34 Eu nem preciso das provas de qualquer homem, seja ele quem for. Apenas digo isto para que se salvem.

35 João era como uma lâmpada que ardia e alumiava, e durante algum tempo essa luz deu-vos alegria.

36 Mas eu tenho um testemunho a meu favor ainda maior que o de João: são as tarefas que o meu Pai me encarregou de fazer e que eu realmente faço. Essas tarefas mostram que o Pai me enviou.

37 O próprio Pai que me enviou é que dá provas a meu favor.

Nunca ouviram a voz de Deus nem viram o seu rosto.

38 E também não aceitaram a sua palavra porque não acreditam naquele que Deus enviou.

39 Estudam as Escrituras com muita atenção e julgam encontrar nelas a vida eterna. Contudo as próprias Escrituras falam de mim .

40 E, apesar disso, não querem seguir-me para terem a vida eterna.

41

Não procuro elogios da parte dos homens.

42 Além disso, sei muito bem que vocês não amam a Deus.

43 Vim em nome de meu Pai e vocês não querem receber-me. Mas se alguém vier em seu próprio nome, já o recebem.

44 Como podem acreditar em mim, se o que procuram é receber honras uns dos outros e não a que vem do Deus único?

45 Não pensem que vou acusar-vos diante de meu Pai. Quem vos há de acusar é o próprio Moisés em quem puseram a esperança.

46 De facto, se cressem naquilo que Moisés disse, creriam também em mim, pois Moisés escreveu a meu respeito .

47 Mas se não creem naquilo que ele escreveu, como podem crer naquilo que eu vos digo?»

6

1

Depois disto, Jesus retirou-se para a outra margem do lago da Galileia ou lago de Tiberíades .

2 Seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que ele fazia a favor dos doentes.

3

Jesus subiu a um monte e sentou-se lá com os discípulos.

4 Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.

5 Vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, Jesus voltou-se e perguntou a Filipe: «Onde é que havemos de comprar pão para dar de comer a tanta gente?»

6 (Dizia isto para o experimentar, pois ele bem sabia o que havia de fazer).

7 Filipe respondeu-lhe: «Nem com duzentas moedas de prata se comprava pão que chegasse para dar um bocado a cada um!»

8 Então André, outro dos seus discípulos e irmão de Simão Pedro, observou:

9 «Está aqui um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isto para tanta gente ?»

10 Jesus ordenou então aos discípulos: «Mandem sentar toda a gente.» Havia muita erva naquele lugar e sentaram-se nela. Só homens eram uns cinco mil.

11 Jesus pegou nos pães, deu graças a Deus e distribuiu-os à multidão. Fez o mesmo com os peixes e comeram quanto quiseram.

12 Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: «Recolham os pedaços que sobraram, para que nada se perca.»

13 Recolheram-nos e encheram doze cestos com o que sobrou dos cinco pães de cevada.

14

O povo, ao ver o sinal que Jesus tinha feito, exclamou: «Este é, na verdade, o profeta que havia de vir ao mundo!»

15 Jesus percebeu que queriam levá-lo à força, para o proclamarem rei, e retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

16

Quando era noite, os discípulos de Jesus desceram até ao lago.

17 Entraram num barco para atravessar o lago em direção a Cafarnaum. Já fazia escuro e Jesus ainda não tinha ido ter com eles.

18 Começou a soprar um vento forte e a água a agitar-se.

19 Os discípulos tinham avançado uns quatro ou cinco quilómetros no lago. De repente, viram que Jesus se aproximava do barco, a caminhar sobre a água, e tiveram medo.

20 Mas Jesus gritou-lhes: «Sou eu , não tenham medo!»

21 Quiseram então que ele subisse para o barco, e entretanto viram que já tinham chegado a terra, precisamente ao lugar para onde queriam ir.

22

No dia seguinte, a multidão que ficou na outra margem reparou que só lá tinha estado um barco. Também sabiam que Jesus não tinha entrado no barco com os discípulos, pois estes tinham partido sozinhos.

23 Entretanto, outros barcos vindos de Tiberíades chegaram perto do lugar onde a multidão tinha comido o pão pelo qual o Senhor tinha dado graças a Deus.

24 Quando o povo, por fim, compreendeu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foram à sua procura a Cafarnaum.

25

Assim que o encontraram, no outro lado do lago, perguntaram-lhe: «Mestre, quando é que chegaste aqui?»

26 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo que me procuram porque comeram até ficarem satisfeitos, e não por compreenderem o significado dos meus sinais .

27 Trabalhem, não pela comida que se acaba, mas por aquela que dá a vida eterna, a que o Filho do Homem vos há de dar porque tem com ele o selo da autoridade de Deus, seu Pai.»

28 Perguntaram-lhe então: «Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?»

29 Jesus respondeu-lhes: «Esta é a obra de Deus: acreditar naquele que ele enviou.»

30 Eles replicaram: «E que sinal nos mostras para que ao vê-lo acreditemos em ti? Que milagre vais fazer?

31 Os nossos antepassados comeram o maná no deserto, como lemos na Sagrada Escritura: Deus deu-lhes a comer pão vindo do céu

32

Jesus esclareceu: «Fiquem sabendo que Moisés não vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do Céu.

33 O pão de Deus é aquele que vem do céu e dá vida aos homens.»

34 Pediram-lhe então: «Senhor, dá-nos sempre desse pão.»

35 Jesus afirmou: «Eu sou esse pão que dá vida. Aquele que me aceita nunca mais há de ter fome e o que acredita em mim nunca mais há de ter sede.

36 Como já vos disse, veem-me mas não acreditam em mim.

37 Todos os que o Pai me confia vêm ter comigo e eu não rejeitarei nenhum deles,

38 porque eu vim do Céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não a minha.

39 E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum daqueles que me confiou, mas que os ressuscite no último dia.

40 É ainda a vontade do meu Pai que todo aquele que olha para o Filho e nele acredita tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no fim dos tempos.»

41

Os judeus começaram então a murmurar contra Jesus por ter afirmado: «Eu sou o pão que veio do Céu.»

42 E diziam entre si: «Então este não é Jesus, filho de José? Ora se nós conhecemos o seu pai e a sua mãe, como é que ele agora diz que veio do Céu?»

43

Jesus tomou a palavra e disse: «Deixem-se de murmurar uns com os outros.

44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer, e eu o ressuscitarei no último dia .

45 Está escrito nos livros dos Profetas: Todos hão de ser ensinados por Deus . Por isso, todo aquele que ouvir o Pai e compreender o seu ensinamento vem ter comigo.

46 Isto não quer dizer que já alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que veio de Deus; esse, sim, é que viu o Pai.

47

Reparem bem no que vos digo: aquele que acredita em mim tem a vida eterna.

48 Eu sou o pão que dá vida.

49 Os vossos antepassados comeram o maná no deserto e morreram,

50 mas aqui está o pão que desceu do Céu para que quem dele comer nunca morra.

51 Eu sou esse pão vivo que veio do Céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. Mais ainda! O pão que eu hei de dar é o meu corpo oferecido para que o mundo tenha vida.»

52

Então os judeus puseram-se a discutir entre si: «Como é que ele nos pode dar a comer o seu corpo?»

53 Jesus esclareceu-os: «Fiquem sabendo que se não comerem o corpo do Filho do Homem e não beberem o seu sangue não terão parte na vida.

54 Aquele que come o meu corpo e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.

55 Pois o meu corpo é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.

56 Quem comer o meu corpo e beber o meu sangue vive unido a mim e eu a ele.

57 Assim como o Pai, que é Deus vivo, me enviou e eu vivo por meio dele, também aquele que se alimenta de mim vive por mim.

58 Este é, portanto, o pão que veio do Céu. Não é como aquele que os nossos antepassados comeram, pois eles morreram. Quem comer deste pão vive para sempre.»

59 Jesus disse estas palavras quando estava a ensinar na sinagoga em Cafarnaum.

60

Muitos dos seus discípulos, ao ouvirem semelhantes palavras, exclamaram: «Aquilo que ele diz é difícil de aceitar! Quem pode ouvir semelhante coisa?»

61

Jesus notou que os seus discípulos murmuravam por causa daquelas palavras e falou-lhes: «Isto escandaliza-vos?

62 Que hão de dizer, então, se virem o Filho do Homem voltar ao lugar de onde veio ?

63 Só o Espírito é que dá vida; sem ele, o homem nada consegue. As palavras que eu vos disse são espírito e vida.

64 Mas alguns no vosso meio ainda não acreditam.» De facto, Jesus sabia desde o princípio quais eram os que não acreditavam nas suas palavras, e sabia também quem era aquele que o havia de atraiçoar.

65 E acrescentou: «Por isso é que eu vos dizia que ninguém pode vir a mim se o Pai o não trouxer.»

66

Desde aí muitos dos seus discípulos abandonaram-no e deixaram de andar com ele.

67 Então Jesus perguntou aos Doze: «Também me querem deixar?»

68 Simão Pedro exclamou: «Senhor, a quem havemos de seguir? Só as tuas palavras dão vida eterna,

69 e nós já cremos e sabemos que és o Santo de Deus .»

70 Jesus disse-lhes: «Não são vocês porventura os Doze que eu escolhi? No entanto, um de vós é um diabo .»

71 Jesus referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes. De facto, Judas, que o havia de atraiçoar, era um dos Doze.

7

1

Depois disto, Jesus passou para a região da Galileia. Não quis ir para a Judeia, porque as autoridades judaicas tinham decidido matá-lo.

2 Mas como a festa judaica das Tendas se aproximava,

3 os seus irmãos disseram-lhe: «Por que não sais daqui e vais até à Judeia para que os teus discípulos possam ver as maravilhas que fazes?

4 Se alguém quer ser conhecido não pode fazer as coisas em segredo. Já que fazes coisas como estas, mostra-te ao mundo!»

5 A verdade é que nem os seus próprios irmãos acreditavam nele.

6 Jesus respondeu-lhes: «O meu tempo ainda não chegou, mas para vocês qualquer ocasião é boa.

7 O mundo não tem motivo para vos odiar. Mas a mim odeiam-me porque eu mostro-lhes que as obras que eles fazem são más.

8 Podem ir à festa que eu não vou , porque a minha hora ainda não chegou.»

9

E, tendo-lhes dito isto, ficou na Galileia.

10

Entretanto, depois dos seus irmãos terem partido para a festa, ele decidiu ir também, mas sem dar nas vistas.

11 Durante a festa, as autoridades judaicas andavam à sua procura e perguntavam: «Onde é que ele estará?»

12 Falava-se muito dele entre o povo. Uns diziam: «É um homem bom!» Outros afirmavam: «Não, ele anda mas é a enganar o povo!»

13 E ninguém falava abertamente a respeito dele, porque tinham medo das ameaças das autoridades judaicas .

14

Já a festa ia a meio quando Jesus entrou no templo e começou a ensinar o povo.

15 Os judeus estavam admirados com o seu ensino e perguntavam-se: «Como é que ele sabe tanto sem ter estudado ?»

16 Jesus respondeu-lhes: «A doutrina que eu ensino não é minha, mas daquele que me enviou.

17 Se alguém estiver disposto a fazer aquilo que Deus quer, saberá julgar se a minha doutrina vem de Deus ou se falo só por mim.

18 O que fala só por si, procura a sua própria glória, mas aquele que procura a glória de quem o enviou diz a verdade e não há falsidade nele.

19 Não é verdade que Moisés vos deu a lei? Mas nenhum de vocês a cumpre. Por que me querem então matar?»

20 O povo respondeu: «Estás possesso do Demónio! Quem é que te quer matar?»

21 Jesus disse-lhes: «Curei um doente num sábado e ficaram admirados.

22 No entanto, vocês fazem a cerimónia da circuncisão dos vossos filhos ao sábado, segundo a lei que Moisés vos deixou. Aliás, a lei da circuncisão não vem de Moisés, mas dos nossos antepassados.

23 Pois bem, no dia de sábado podem circuncidar alguém, para que a Lei de Moisés não seja violada, por que é que se irritam contra mim por eu ter curado completamente um homem ao sábado ?

24 Não devem julgar segundo as aparências, mas segundo o que é justo .»

25

Alguns dos habitantes de Jerusalém começaram então a perguntar: «Não é este o homem que querem matar?

26 Como é que ele agora está a falar diante de toda a gente e ninguém lhe diz nada? Será que as autoridades se convenceram que ele é o Messias?

27 Mas nós sabemos donde é que este homem vem. E quando vier o Messias, ninguém sabe donde é que ele vem.»

28

Então Jesus, ao ensinar no templo, exclamou em voz alta: «Com que então sabem quem eu sou e donde é que eu venho! Mas a verdade é que eu não vim por minha própria iniciativa, mas daquele que me enviou, que é verdadeiro, e vocês não conhecem.

29 Eu conheço-o, porque eu venho dele e por ele fui enviado ao mundo.»

30

Procuravam então prendê-lo, mas ninguém teve coragem de lhe deitar a mão, porque a sua hora ainda não tinha chegado.

31 No meio de toda aquela gente que o escutava, alguns acreditaram nele e comentavam: «Porventura o Messias, quando vier, irá fazer mais sinais do que este tem feito?»

32

Chegou aos ouvidos dos fariseus aquilo que entre o povo se dizia de Jesus. Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus deram ordens a alguns guardas do templo para o irem prender.

33 Entretanto, Jesus continuava a dizer: «Ainda ficarei convosco algum tempo. Depois vou ter com aquele que me enviou.

34 Nessa altura hão de procurar-me, mas não me hão de encontrar, porque não podem ir para onde eu vou.»

35 Os judeus começaram a perguntar uns aos outros: «Para onde vai ele, já que o não poderemos encontrar? Será que vai com os emigrantes judeus que vivem em países gregos e vai ensinar os gregos?

36 Que quer ele dizer-nos com aquelas palavras: “hão de procurar-me, mas não me hão de encontrar, porque para onde eu vou não podem ir?”»

37

No último dia, que era o mais importante da festa , Jesus, de pé, dizia em voz alta: «Se alguém tem sede, venha ter comigo que eu lhe darei de beber.

38 Do coração daquele que crê em mim, hão de nascer rios de água viva, como diz a Sagrada Escritura .»

39 Com estas palavras, Jesus queria dizer que todos os que cressem nele haviam de receber o Espírito Santo. Na verdade, o Espírito Santo ainda não tinha sido enviado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

40

Entre a multidão, muitos dos que ouviam Jesus reconheciam: «Este homem é com certeza o Profeta!»

41 Outros afirmavam: «Este é o Messias!» Mas outros contestavam: «Como é que o Messias pode vir da Galileia ?

42 Não diz a Sagrada Escritura que o Messias tem de ser descendente do rei David e que há de nascer em Belém, terra de David ?»

43

E a multidão estava dividida por causa dele.

44 Alguns até o queriam prender, mas ninguém teve coragem de lhe deitar a mão.

45

Quando os guardas do templo voltaram para junto dos chefes dos sacerdotes e dos fariseus, estes perguntaram-lhes: «Por que é que o não trouxeram preso?»

46 Os guardas responderam: «Nunca se ouviu um homem falar assim!»

47 Os fariseus replicaram: «Também se deixaram enfeitiçar?

48 Porventura algum dos nossos chefes ou dos fariseus lhe deu ouvidos?

49 Só essa gente maldita que não conhece a Lei de Moisés.»

50

Então Nicodemos, um de entre eles, aquele fariseu que tinha ido uma vez conversar com Jesus , lembrou-lhes:

51 «Segundo a nossa lei, não podemos condenar um homem sem primeiro o ouvirmos para sabermos o que ele fez .»

52 Responderam-lhe eles: «Também tu és da Galileia? Estuda bem a Sagrada Escritura e hás de ver que nenhum profeta vem da Galileia .»

53

[E retiraram-se todos para as suas casas .

8

1

Jesus foi depois para o Monte das Oliveiras.

2 No dia seguinte, de madrugada, voltou ao templo e toda a gente foi ter com ele. Jesus sentou-se e começou a ensinar.

3 Entretanto, os doutores da lei e os fariseus levaram-lhe uma mulher apanhada em adultério. Colocaram-na no meio do povo

4 e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi apanhada a cometer adultério.

5 Moisés, na lei, mandou-nos apedrejar tais mulheres até à morte. E tu, que dizes?»

6

Eles puseram-lhe esta questão, porque queriam apanhá-lo em falso para depois o acusarem. Jesus, porém, inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.

7 Mas como continuavam a interrogá-lo, levantou-se e disse-lhes: «Aquele de entre vós que nunca pecou, atire-lhe a primeira pedra.»

8 Jesus inclinou-se novamente e continuou a escrever no chão.

9 Ao ouvirem estas palavras, foram saindo dali um a um, a começar pelos mais velhos, e só lá ficou Jesus e a mulher ao pé dele.

10 Jesus então levantou-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?»

11 «Ninguém, Senhor!», respondeu ela. «Também eu te não condeno», disse Jesus. «Vai-te embora e daqui em diante não tornes a pecar.»]

12

Noutra ocasião, Jesus falou ao povo deste modo: «Eu sou a luz do mundo . Quem me seguir deixa de andar na escuridão e terá a luz da vida.»

13 Disseram então os fariseus: «Tu dás testemunho de ti mesmo e portanto o teu testemunho não tem valor.»

14 Jesus retorquiu: «De facto, eu dou testemunho de mim mesmo, mas ele é válido porque eu sei donde vim e para onde vou. Vocês é que não sabem donde eu vim, nem para onde vou.

15 Julgam de modo puramente humano, mas eu não julgo ninguém.

16 Mesmo que eu julgue, o meu julgamento é válido, porque não sou eu apenas a julgar, mas sim eu e o Pai que me enviou.

17 Na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro .

18 Pois bem, eu sou testemunha de mim próprio, mas o Pai, que me enviou, testemunha também por mim.»

19 Perguntaram-lhe: «Onde está o teu Pai?» «Vocês não me conhecem a mim nem ao meu Pai. Se me conhecessem, também conheceriam o Pai», respondeu-lhes Jesus.

20

Jesus pronunciou estas palavras quando estava a ensinar no templo, no lugar em que se encontrava a caixa das ofertas. E ninguém o prendeu, porque a sua hora ainda não tinha chegado.

21

Jesus disse-lhes mais: «Eu vou-me embora. Vocês hão de procurar-me, mas hão de morrer no pecado. Para onde eu vou, não podem ir.»

22

Diziam entre si os judeus: «Será que ele vai matar-se? Pois afirma: “Para onde eu vou, vocês não podem ir.”»

23 Jesus continuava a dizer-lhes: «Vocês são cá de baixo mas eu venho lá de cima. Vocês pertencem a este mundo, mas eu não sou deste mundo.

24 Por isso é que vos disse que haviam de morrer nos vossos pecados. Se não acreditarem naquilo que eu sou , hão de morrer nos vossos pecados.»

25

«Quem és tu, afinal?», perguntaram-lhe os judeus. Jesus respondeu-lhes: «O que vos tenho dito desde o princípio !

26 Teria muito que dizer e condenar a vosso respeito. Mas devo transmitir ao mundo tudo o que ouvi daquele que me enviou, e que é verdadeiro. E aquilo que eu digo ao mundo é aquilo que lhe ouvi.»

27

Eles não perceberam que Jesus lhes falava do Pai.

28 Por isso Jesus tornou a dizer-lhes: «Quando vocês levantarem ao alto o Filho do Homem , hão de descobrir quem eu sou , e que nada faço por minha própria vontade. Digo apenas aquilo que o Pai me ensinou.

29 Aquele que me enviou está comigo e não me deixa só, porque faço sempre aquilo que lhe agrada.»

30

Ao ouvirem estas palavras, muitos dos presentes creram nele.

31

Disse então Jesus aos judeus que tinham acreditado nele: «Se obedecerem fielmente ao meu ensino, serão de facto meus discípulos.

32 Conhecerão a verdade e ela vos tornará livres.»

33 Eles retorquiram: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer que vamos ficar livres?»

34 Jesus continuou: «Declaro-vos que todo aquele que peca é escravo do pecado.

35 Um escravo não fica na família para sempre; o filho é que fica para sempre.

36 Se realmente o Filho vos torna livres, então ficam mesmo livres.

37 Eu bem sei que são da descendência de Abraão, mas procuram matar-me porque não aceitam o que eu vos digo.

38 Eu falo do que o Pai me mostrou, e vocês devem fazer aquilo que ouviram do Pai.»

39

Os judeus responderam-lhe: «O nosso pai é Abraão.» Mas Jesus contestou: «Se fossem filhos de Abraão, procediam como ele.

40 Tudo quanto eu faço é ensinar-vos a verdade, tal como a recebi de Deus. Vocês procuram matar-me mas Abraão não fez nada disso.

41 Vocês procedem mas é como o vosso pai!» Os judeus replicaram: «Nós não somos filhos ilegítimos. Temos apenas um Pai, que é Deus.»

42 Jesus respondeu: «Se Deus fosse na verdade o vosso Pai, seriam meus amigos, porque saí de Deus e vim dele. Eu porém não vim por minha iniciativa; foi ele que me enviou.

43 Por que é que não compreendem aquilo que eu digo? É porque não querem aceitar a minha doutrina.

44 O vosso pai é o Diabo e o que vocês querem é fazer aquilo que lhe agrada. Ele foi assassino desde o princípio. Nunca esteve ao lado da verdade, porque nele não há verdade. Quando diz mentiras fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e é o pai da mentira.

45

Eu, pelo contrário, digo-vos a verdade e por isso é que não acreditam em mim.

46 Quem dentre vós pode provar que eu tenho algum pecado? E se vos digo a verdade, por que é que não acreditam em mim?

47 Quem é de Deus escuta as palavras de Deus. Por isso, vocês não me escutam, porque não são de Deus.»

48

Os judeus replicaram: «Não temos nós razão ao afirmar que não passas de um samaritano e estás possesso do Demónio? .»

49 Jesus disse-lhes: «Não estou possesso do Demónio. Apenas procuro honrar o meu Pai, ao passo que vocês insultam-me.

50 Eu não procuro a minha glória, mas há alguém que a procura e faz justiça.

51 Fiquem sabendo isto: quem obedece à minha palavra nunca mais há de morrer.»

52

Os judeus acusaram-no: «Agora estamos certos de que estás possesso do Demónio. Abraão morreu, todos os profetas morreram, e tu vens-nos dizer: quem obedece à minha palavra nunca mais há de morrer?

53 Porventura és mais importante do que o nosso pai Abraão? Ele morreu e os profetas também morreram. Afinal, quem pretendes tu ser?»

54 Retorquiu-lhes Jesus: «Se eu quisesse honrar-me a mim mesmo, a minha honra de nada valia. Mas quem me honra é o meu Pai, aquele de quem dizem: “É o nosso Deus.”

55 Mas vocês não o conhecem; eu conheço-o. E se dissesse que o não conhecia, era mentiroso tal como vós. Mas eu conheço-o e faço o que ele diz.

56 Abraão, o vosso antepassado, alegrou-se com a ideia de poder presenciar a minha vinda. Viu e ficou feliz.»

57

Disseram-lhe ainda os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e dizes que viste Abraão?»

58 Jesus afirmou-lhes: «Fiquem sabendo que, antes de Abraão nascer, já eu era aquele que sou .»

59

Então pegaram em pedras para lhe atirar, mas Jesus escondeu-se e saiu do templo.

9

1

Um dia, Jesus encontrou no seu caminho um homem cego de nascença.

2 Os discípulos perguntaram-lhe: «Mestre, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele ou os pais ?»

3 Jesus explicou: «Nem pecou ele nem os pais, mas é para que o poder de Deus se possa manifestar através dele.

4 Precisamos de fazer, enquanto é dia, as obras daquele que me enviou. Vem a noite e já ninguém pode trabalhar.

5 Enquanto estiver neste mundo, sou a luz do mundo .»

6

Tendo dito isto, cuspiu no chão, fez com a saliva um pouco de lodo e aplicou-o nos olhos do cego .

7 Depois disse-lhe: «Agora vai-te lavar à piscina de Siloé .» (Siloé significa «Enviado de Deus»). O homem foi lavar-se e ficou a ver.

8

Os vizinhos e o povo, acostumados a vê-lo pedir esmola, diziam uns para os outros: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?»

9 Uns diziam: «É ele mesmo.» Outros afirmavam: «Não é, não! É outro muito parecido com ele!» Porém, o que tinha sido cego garantia-lhes: «Sou eu, sou!»

10 Perguntaram-lhe então: «E como é que agora já não és cego?»

11 «Aquele homem chamado Jesus», respondeu ele, «fez um pouco de lodo, aplicou-o nos meus olhos e disse-me: vai lavar-te à piscina de Siloé! Eu fui, lavei-me e comecei a ver.»

12 Perguntaram-lhe então: «Onde é que está esse homem?» «Não sei», respondeu.

13

O homem que tinha sido cego foi depois levado à presença dos fariseus.

14 O dia em que Jesus fez o lodo e lhe deu a vista era sábado.

15 Por essa razão, os fariseus perguntaram ao homem como é que tinha sido curado. E ele contou-lhes: «Pôs-me um pouco de lodo nos olhos, fui-me lavar e agora vejo.»

16 Alguns dos fariseus replicaram: «Quem fez isso não é um homem de Deus, pois não respeita a lei do sábado.» Mas outros perguntavam: «Como pode um homem ser pecador e fazer sinais destes?» E gerou-se uma discussão entre eles.

17 Voltaram a perguntar ao que tinha sido cego: «E tu o que é que dizes dele, uma vez que te deu a vista?» E ele: «É um profeta.»

18

Mas os chefes dos judeus não queriam acreditar que ele tinha sido cego e que tivesse sido curado. Chamaram os pais dele

19 e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que ele nasceu cego? Como é que ele agora tem vista?»

20 Os pais responderam: «Sim, é verdade que este é o nosso filho e que nasceu cego.

21 Mas como é que agora vê não sabemos. E também não sabemos quem o curou. Já tem idade para responder, perguntem-lhe!»

22 Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os chefes dos judeus tinham resolvido expulsar da sinagoga todo aquele que confessasse que Jesus era o Messias.

23 Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder, perguntem-lhe.»

24

Os chefes dos judeus mandaram chamar outra vez o que tinha sido curado, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus ! Nós sabemos que esse homem é um pecador.»

25 «Se é pecador ou não, isso não sei», respondeu ele. «O que sei dizer é que eu era cego e agora vejo.»

26 Tornaram-lhe a perguntar: «Que é que ele te fez? Como é que te abriu os olhos?»

27 «Já vos contei como foi, mas vocês não acreditaram em mim», respondeu ele. «Que mais querem ouvir? Será que também querem ser seus discípulos?»

28

Ao ouvir isto, os fariseus insultaram-no: «Tu é que és discípulo desse homem! Nós somos discípulos de Moisés.

29 Sabemos que Deus falou a Moisés; mas deste, nem sequer sabemos donde é.»

30 Ele replicou: «Que coisa estranha! Não sabem donde ele é, mas a verdade é que ele me deu a vista.

31 Ora nós sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas escuta aqueles que o adoram e fazem a sua vontade .

32 Desde que o mundo é mundo, nunca se ouviu dizer que alguém desse a vista a um cego de nascença.

33 Se esse homem não viesse de Deus nada podia fazer.»

34 Responderam, por fim, os fariseus: «Tu nasceste cheio de pecados e queres ensinar-nos?»

E puseram-no fora.

35

Jesus soube depois que tinham expulsado o homem da sinagoga. Tendo-o encontrado disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do Homem?»

36 O outro perguntou-lhe: «Senhor, quem é ele, para que eu acredite?»

37 «Já o viste», declarou-lhes Jesus. «É aquele que está a falar contigo.»

38 Então ele prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor!»

39 Jesus disse-lhe mais: «Eu vim a este mundo para fazer um julgamento: os que são cegos hão de ver e os que veem hão de ficar cegos.»

40

Os fariseus que estavam com ele, ao ouvirem tais palavras, disseram-lhe: «Porventura também nós somos cegos?»

41 Jesus esclareceu: «Se fossem cegos não tinham culpa do mal que fazem. Mas uma vez que afirmam “nós é que vemos”, o vosso pecado continua.»

10

1

Jesus continuou: «Ouçam com atenção: aquele que não entra no curral das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lado, é ladrão e salteador.

2 Aquele que entra pela porta é o verdadeiro pastor das ovelhas.

3 O guarda abre-lhe a porta, as ovelhas conhecem a sua voz, ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as a pastar.

4 Depois de as tirar a todas do curral, vai à frente e elas seguem-no, porque conhecem a sua voz.

5 Se fosse um estranho, já não o seguiam, mas fugiam dele, porque as ovelhas não conhecem a voz dos estranhos.»

6

Jesus apresentou-lhes esta parábola, mas eles não compreenderam o que ele queria dizer.

7

Por conseguinte Jesus continuou: «Em verdade vos digo, eu sou a porta por onde entram as ovelhas.

8 Aqueles que vieram antes de mim foram ladrões e salteadores , mas as ovelhas não fizeram caso deles.

9 Eu sou a porta. Aquele que entrar por mim salva-se. É como uma ovelha que entra e sai do curral e encontra pastagens.

10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância.

11 Eu sou o bom pastor . O bom pastor está pronto a morrer pelas suas ovelhas.

12 O assalariado, que não é o pastor e a quem as ovelhas não pertencem, logo que vê chegar o lobo, abandona-as e foge. O lobo apodera-se delas e põe-nas em fuga.

13 O assalariado não se preocupa com as ovelhas, porque o assalariado só se interessa pelo salário e não pelas ovelhas porque não lhe pertencem.

14

Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-me a mim.

15 Conheço-as tão bem como o Pai me conhece a mim e eu o Pai , e é por isso que estou disposto a dar a vida por elas.

16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste curral. Preciso de as conduzir também. Elas hão de ouvir a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.

17

O Pai ama-me, porque estou disposto a sacrificar a minha vida para a receber de novo.

18 Ninguém me tira a vida. Eu dou-a de livre vontade. Tenho poder de a dar e de a recuperar. Foi esta a missão que recebi de meu Pai.»

19

Os judeus voltaram a desentender-se por causa destas palavras de Jesus.

20 Muitos comentavam: «Ele tem demónio e está louco. Por que é que vocês fazem caso dele?»

21 Mas outros diziam: «Estas palavras não podem vir de possesso do Demónio! E como é que um demónio podia dar vista a cegos?»

22

Era inverno, e em Jerusalém celebrava-se a festa da Consagração do Templo.

23 Jesus passeava no templo, na parte conhecida pelo Pórtico de Salomão.

24 Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: «Até quando nos trazes na dúvida? Diz-nos claramente se és ou não o Messias.»

25 «Já o disse, mas não querem acreditar», respondeu-lhes. «As coisas que eu faço por ordem de meu Pai falam por mim,

26 mas vocês não acreditam porque não são das minhas ovelhas.

27 As minhas ovelhas obedecem à minha voz, eu conheço-as e elas seguem-me.

28 Dou-lhes a vida eterna e elas nunca mais hão de morrer, nem ninguém as poderá arrancar da minha mão.

29 Aquilo que o meu Pai me deu é o mais importante . Por isso ninguém as pode arrancar das mãos de meu Pai.

30 Eu e o Pai somos um só.»

31

Os judeus pegaram outra vez em pedras para lhe atirar.

32 «Entre todas as belas ações do Pai que vos mostrei, qual é aquela pela qual me quereis apedrejar?», perguntou-lhes.

33 Os judeus responderam-lhe: «Não te vamos apedrejar por causa das belas ações que tens feito, mas sim por uma blasfémia, porque sendo tu apenas um homem estás a fazer-te passar por Deus .»

34 Jesus explicou: «Não está escrito na vossa lei: Eu declaro que vocês são deuses ?

35 O que a Sagrada Escritura diz vale para sempre. Se chama deuses àqueles que receberam a palavra de Deus ,

36 como podem dizer àquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo que blasfema, por ter afirmado: “Eu sou o Filho de Deus?”

37 Se eu não faço as obras de meu Pai, está bem que não acreditem em mim;

38 mas se as faço, mesmo que não acreditem em mim, devem acreditar nessas obras para saber e compreender, de uma vez para sempre, que o Pai está em mim e eu estou no Pai.»

39

Procuravam outra vez prendê-lo, mas Jesus escapou-se-lhes das mãos.

40 Retirou-se novamente para a outra margem do rio Jordão, para o lugar onde João tinha estado antes a batizar, e ficou por ali algum tempo.

41 Muita gente ia ter com ele e dizia: «João não fez nenhum milagre, mas tudo quanto disse deste homem era verdade.»

42 E muitas pessoas que lá foram creram em Jesus.

11

1

Um homem chamado Lázaro estava doente. Era natural de Betânia, aldeia onde viviam também as suas irmãs Maria e Marta .

2 Maria foi aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe enxugara os pés com os cabelos . Lázaro, o doente, era seu irmão.

3 Por isso as duas irmãs enviaram este recado a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente.»

4 Quando Jesus recebeu o recado, respondeu: «Essa doença não é de morte, mas sim para mostrar a glória de Deus. Por ela vai Deus manifestar a glória de seu Filho.»

5

Jesus tinha uma grande amizade por Marta, pela sua irmã e por Lázaro.

6 Mesmo assim, quando recebeu a notícia da doença de Lázaro, ficou ainda dois dias no mesmo lugar.

7 Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.»

8 Os discípulos comentaram: «Mestre, ainda há tão pouco tempo que os judeus te queriam matar e vais agora voltar para lá?»

9 Jesus respondeu-lhes: «O dia não tem doze horas? Se alguém andar de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.

10 Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.»

11 E acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas eu vou acordá-lo.»

12 Os discípulos disseram então: «Senhor, se está a dormir, é sinal que vai melhorar!»

13 Jesus queria dizer que Lázaro estava morto, mas os discípulos julgavam que falava do sono normal.

14 Então afirmou-lhes claramente: «Lázaro morreu.

15 E ainda bem que eu não estava lá, pois assim é melhor para a vossa fé. Mas vamos ter com ele.»

16 Tomé, conhecido por Gémeo, disse então aos outros discípulos: «Vamos nós também para morrer com o Mestre!»

17

Ao chegar a Betânia, Jesus teve conhecimento que Lázaro já estava sepultado havia quatro dias.

18 Betânia fica a uns três quilómetros de Jerusalém.

19 E muitos judeus foram ver Marta e Maria para as consolar da morte do irmão.

20

Quando Marta soube que Jesus estava a chegar, foi ao seu encontro. Entretanto, Maria ficou sentada em casa.

21 Marta disse a Jesus: «Senhor, se cá tivesses estado, meu irmão não teria morrido.

22 Mas também sei que quanto pedires a Deus, mesmo agora, ele to concede.»

23 Jesus garantiu-lhe: «Teu irmão há de ressuscitar.»

24 «Eu sei», respondeu ela, «que no último dia, quando todos ressuscitarem, também ele há de ressuscitar para a vida .»

25 Jesus então declarou-lhe: «Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, mesmo que morra, há de viver.

26 E todo aquele que está vivo e crê em mim, nunca mais há de morrer. Crês tu nisto?»

27 Marta respondeu: «Sim, Senhor! Eu creio que tu és o Messias, o Filho de Deus, aquele que havia de vir ao mundo.»

28

Depois destas palavras, Marta foi chamar a sua irmã Maria e disse-lhe em particular: «Está cá o Mestre e mandou-te chamar.»

29 Logo que Maria ouviu isto, levantou-se apressada e foi ter com Jesus.

30 Ele ainda não tinha entrado na aldeia mas continuava no lugar onde Marta o tinha encontrado.

31 Os judeus que estavam em casa de Maria para a consolar, quando viram que ela se levantou à pressa e saíra, foram atrás dela, pois pensavam que ia à sepultura para chorar.

32

Ao chegar onde estava Jesus, Maria lançou-se-lhe aos pés, mal o viu, e disse: «Senhor, se cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.»

33 Quando Jesus viu Maria a chorar, e os judeus que tinham chegado com ela a chorar também, comoveu-se muito e ficou perturbado.

34 Depois quis saber: «Onde é que o sepultaram?» Responderam-lhe: «Senhor, vem ver.»

35 Nesta altura, Jesus chorou.

36 Os judeus reconheceram: «Vejam como era amigo dele!»

37 Mas alguns murmuravam: «Ele que deu vista ao cego , não podia ter evitado que este homem morresse?»

38

Jesus, comovendo-se de novo, aproximou-se do túmulo. Era uma caverna e a entrada estava tapada com uma pedra.

39 Jesus disse: «Tirem a pedra.» Mas Marta, irmã do defunto, adiantou-se: «Senhor, já cheira mal! Há já quatro dias que morreu.»

40 «Não te disse há pouco», lembrou-lhe Jesus, «que se acreditasses, havias de ver a glória de Deus?»

41 Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos ao Céu e disse: «Dou-te graças, ó Pai, por me teres ouvido.

42 Eu bem sei que sempre me ouves, mas digo-o agora para as pessoas que estão aqui acreditarem que tu me enviaste.»

43 Tendo dito isto, clamou em alta voz: «Lázaro, sai cá para fora!»

44 Ele saiu, com as mãos e os pés ligados em faixas e a cara tapada com a mortalha . Jesus ordenou aos presentes: «Desatem-lhe as ligaduras para ele poder andar.»

45

Muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus acabava de realizar, creram nele.

46 Mas alguns foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus fizera.

47 Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o Sinédrio: «Que devemos fazer? Este homem realiza muitos sinais.

48 Se o deixamos à vontade, toda a gente vai acreditar nele e os romanos virão destruir o nosso lugar santo e o nosso povo.»

49 Caifás, um deles, que naquele ano era o sumo sacerdote, disse: «Não percebem nada!

50 Não veem que é melhor que morra um só homem pelo povo do que toda a nação ser destruída?»

51 Ora Caifás não declarou isto por si mesmo. Como era o sumo sacerdote naquele ano, foi por inspiração de Deus que ele afirmou que Jesus devia morrer pela nação judaica .

52 Aliás, Jesus devia morrer não apenas pela nação judaica, mas também para reunir todos os filhos de Deus que andam dispersos.

53

A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.

54 Por isso, ele já não aparecia publicamente na Judeia. Saiu dali e foi para uma região perto do deserto, para uma cidade chamada Efraim . E por lá ficou com os discípulos.

55

Faltava pouco para a festa da Páscoa dos judeus e muita gente das aldeias ia a Jerusalém para as cerimónias da purificação, antes da Páscoa.

56 Eles procuravam descobrir Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Acham que ele não vem à festa?»

57 Os chefes dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordens para que, se alguém soubesse onde estava Jesus, os informasse para eles o prenderem.

12

1

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia , onde vivia Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado.

2 Ofereceram lá um jantar a Jesus. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus.

3 Apareceu então Maria com um frasco de perfume muito caro, feito de nardo puro. Deitou-o sobre os pés de Jesus e depois secou-os com os seus cabelos. E toda a casa ficou a cheirar a perfume.

4

Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de atraiçoar, contestou:

5 «Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas para distribuir pelos pobres?»

6 Judas não disse aquilo por ter amor aos pobres, mas porque era ladrão, pois era ele que tinha a bolsa do dinheiro e roubava do que lá se metia.

7 Mas Jesus declarou: «Deixem-na em paz! Isto que ela fez serve para o dia do meu enterro .

8 Pobres, sempre haverá no vosso meio, mas a mim nem sempre hão de ter.»

9

Muitos judeus tiveram conhecimento de que Jesus estava em Betânia. Foram lá, não só para ver Jesus, mas também Lázaro, que ele ressuscitara.

10 Os chefes dos sacerdotes decidiram matar também Lázaro,

11 porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a acreditar em Jesus.

12

No dia seguinte, a grande multidão que tinha ido a Jerusalém para a festa da Páscoa teve conhecimento de que Jesus ia entrar na cidade.

13 Toda aquela gente pegou em ramos de palmeira para ir ao seu encontro e gritava:

«Glória !
Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor !
Aquele que é o rei de Israel!»

14

Jesus ia montado num jumento que encontrou. Assim se cumpriu o que diz a Sagrada Escritura:


15
Não tenhas medo, filha de Sião
O teu rei está a chegar
montado num jumentinho .

16

Os seus discípulos não entenderam logo estas coisas. Mas quando Jesus foi glorificado, deram-se conta que tinham feito com ele o que já estava prescrito na Sagrada Escritura.

17

As pessoas que estavam junto de Jesus, quando ele ressuscitou Lázaro dos mortos, tinham espalhado o que acontecera.

18 Por essa razão é que grande multidão foi ao seu encontro, pois ouviram dizer que Jesus tinha feito esse sinal.

19

Em face disto, os fariseus diziam uns para os outros: «Está visto que nada podemos fazer! Toda a gente vai atrás dele!»

20

Entre os que tinham ido a Jerusalém para adorar a Deus na festa da Páscoa, encontravam-se alguns gregos .

21 Foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe o seguinte pedido: «Por favor, nós queríamos conhecer Jesus.»

22 Filipe foi dizer isso a André. Então André e Filipe levaram o pedido a Jesus.

23 Ele respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado.

24 Ouçam com atenção: se um grão de trigo lançado à terra não morrer, não dá fruto. Mas se morrer dá muito fruto.

25 Quem se ama a si mesmo, perde-se, mas quem se despreza a si mesmo neste mundo, ganha a vida eterna .

26 Se alguém quer servir-me, tem que seguir o meu caminho e onde eu estiver também o meu servo lá estará. E o Pai há de honrar todo aquele que me servir.»

27

«Neste momento, o meu coração está perturbado. Mas que posso eu fazer? Pedir ao Pai que me livre desta hora? Mas eu vim ao mundo precisamente por causa desta hora!

28 Pai, manifesta o teu poder!» Veio então uma voz do céu que dizia: «Já o manifestei e voltarei ainda a manifestá-lo.»

29

A multidão que ali estava ouviu aquela voz. Uns diziam: «Foi um trovão!» Outros afirmavam: «Foi um anjo que lhe falou.»

30 Então Jesus esclareceu: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir, mas por vossa causa.

31 Chegou o momento em que este mundo vai ser julgado. Chegou o momento em que o senhor deste mundo vai ser expulso.

32 E eu, quando for levantado da terra , hei de atrair todos a mim.»

33 Por estas palavras Jesus queria indicar o género de morte que o esperava.

34

A multidão quis saber: «Nós aprendemos na Lei de Moisés que o Messias há de viver para sempre . Como é que tu afirmas que o Filho do Homem deve ser levantado da terra? Afinal quem é esse Filho do Homem?»

35 Jesus respondeu-lhes: «A luz ainda está convosco, mas só por um pouco de tempo. Caminhem enquanto houver luz, para que a escuridão não vos apanhe! Quem anda na escuridão não sabe para onde vai.

36 Enquanto tiverem luz acreditem nela, para serem luz também.»

Depois de ter dito estas palavras, Jesus foi-se embora e escondeu-se dos judeus.

37 Embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, os judeus não acreditavam nele.

38 Assim se cumpria aquilo que o profeta Isaías escreveu:

Senhor, quem acreditou na nossa mensagem?
E o poder do Senhor a quem foi manifestado ?

39

Eles não podiam acreditar, porque Deus disse também pela palavra de Isaías:


40
Deus fechou-lhes os olhos
e endureceu-lhes os corações:
para não poderem ver com os seus olhos,
nem compreender com o seu entendimento,
nem poderem converter-se a mim,
de modo a ter que os curar .

41

Isaías disse isto de Jesus, porque viu antecipadamente a sua glória e falou dele.

42

No entanto, mesmo entre os chefes dos judeus, muitos creram em Jesus. Mas por causa dos fariseus, não o declaravam publicamente, para não serem expulsos da sinagoga .

43 É que eles apreciavam mais a aprovação dos homens do que a de Deus.

44

Jesus declarou ainda em voz alta: «Quem acredita em mim, não acredita em mim, mas naquele que me enviou.

45 E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.

46 Eu sou a luz que veio ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não ande na escuridão.

47 Se alguém ouve aquilo que eu digo mas não o cumpre, não sou eu que o vou condenar por isso, porque eu não vim para condenar o mundo mas para o salvar.

48 Aquele que me despreza e não quer aceitar a minha doutrina, já tem quem o condene: são as palavras que eu ensinei que o hão de condenar no último dia.

49 É que eu não falo por minha autoridade. O Pai que me enviou deu-me ordens sobre o que devia dizer e ensinar.

50 E eu sei que aquilo que o Pai me ordena dá a vida eterna. Portanto, as coisas que eu digo tenho que as dizer como o Pai mas comunicou.»

13

1

Foi antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de deixar este mundo para ir para o Pai. E ele, que amou sempre os seus que estavam no mundo, quis dar-lhes provas desse amor até ao fim.

2

Estavam a cear. O Diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a ideia de atraiçoar Jesus.

3 Jesus sabia que o Pai lhe tinha dado toda a autoridade, que tinha vindo de Deus e que voltaria em breve para Deus.

4 Levantou-se então da mesa, tirou a capa e pegou numa toalha que pôs à cintura.

5 Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha.

6

Aproximou-se Simão Pedro que lhe disse: «Senhor, tu vais lavar-me os pés?»

7 Jesus respondeu-lhe: «O que eu faço, tu não o podes entender agora, mas hás de compreendê-lo mais tarde.»

8 Pedro insistiu: «Nunca hei de consentir que me laves os pés.» «Se eu não te lavar», respondeu-lhe Jesus, «não podes partilhar da minha vida.»

9 Simão Pedro replicou: «Senhor, nesse caso não me laves só os pés, mas também as mãos e a cabeça!»

10 Disse-lhe Jesus: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vocês estão limpos, mas não todos.»

11 Jesus sabia qual era o discípulo que o havia de atraiçoar. Por isso disse: «Nem todos estão limpos.»

12

Depois de lhes lavar os pés, Jesus pôs a capa pelas costas, sentou-se de novo à mesa e perguntou-lhes: «Compreendem o que eu acabo de vos fazer?

13 Chamam-me Mestre e Senhor e têm toda a razão, porque o sou.

14 Se eu, que sou Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também de agora em diante devem lavar os pés uns aos outros.

15 Dei-vos o exemplo para que, assim como eu fiz, o façam também uns aos outros.

16 Reparem bem no que vos digo: o servo não é maior que o seu senhor, nem o enviado é maior que aquele que o envia .

17 Já sabem o que é preciso fazer. Felizes serão se o puserem em prática.

18

Não me refiro a todos vós, pois bem sei os que escolhi. Mas é preciso que se cumpra a palavra da Sagrada Escritura: O homem que come o pão comigo voltou-se contra mim .

19 Desde já vos digo estas coisas, antes que elas aconteçam para que, quando acontecerem, acreditem que Eu sou aquele que sou .

20 Fiquem a saber que se alguém receber aquele que eu enviar, recebe-me a mim. E quem me receber, recebe também aquele que me enviou.»

21

Depois de ter pronunciado estas palavras, Jesus sentiu-se muito comovido. Então declarou abertamente: «Fiquem a saber que um de vós me vai atraiçoar.»

22 Os discípulos olhavam uns para os outros sem saberem de quem falava.

23

Um dos discípulos, aquele que Jesus amava de modo especial, estava reclinado ao seu lado.

24 Simão Pedro fez-lhe sinal para perguntar a Jesus a quem é que ele se referia.

25 Esse discípulo inclinou-se para Jesus e perguntou-lhe: «Senhor, quem é ele?»

26 «É aquele a quem eu der o bocado de pão que vou molhar no prato.» Jesus pegou depois num pedaço de pão, molhou-o e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.

27

Logo que Judas comeu o pedaço de pão, Satanás apoderou-se dele. Depois Jesus disse-lhe: «Faz depressa o que tens a fazer.»

28

Nenhum dos que estavam à mesa compreendeu por que é que Jesus disse aquilo a Judas.

29 Como este estava encarregado da bolsa do dinheiro, muitos pensaram que Jesus lhe estava a pedir para comprar as coisas necessárias para a festa da Páscoa, ou então para dar alguma coisa aos pobres.

30 Judas comeu o pão e saiu imediatamente. Era noite.

31

Depois de Judas sair, Jesus falou assim: «Agora mesmo se manifestou a glória do Filho do Homem e a glória de Deus através dele.

32 E se a glória de Deus se manifestou pelo Filho, Deus mesmo há de fazer com que a glória do Filho apareça. E isto vai acontecer sem demora.

33

Meus filhos, já não vou estar convosco por muito tempo. Hão de me procurar, mas digo-vos, desde já, o mesmo que disse aos judeus: Não podem ir para onde eu vou .

34 Deixo-vos agora um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu vos amei, é preciso que se amem também uns aos outros.

35 Se tiverem amor uns aos outros, toda a gente reconhecerá que são meus discípulos.»

36

Perguntou-lhe Simão Pedro: «Para onde vais, Senhor?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas hás de seguir-me mais tarde.»

37 Pedro insistiu: «Senhor, por que razão te não posso seguir agora? Estou pronto a morrer por ti!»

38 Jesus replicou: «Pronto a morrer por mim? Fica sabendo que antes do cantar do galo me vais negar três vezes.»

14

1

Jesus disse depois aos seus discípulos: «Não estejam preocupados. Uma vez que têm fé em Deus, tenham também fé em mim!

2 Na casa de meu Pai há muitos lugares; se assim não fosse, ter-vos-ia dito que vou preparar-vos um lugar?

3 Eu vou à vossa frente para vos preparar lugar. E depois de vos ir preparar um lugar, hei de voltar para vos levar para junto de mim, de modo que estejam onde eu estiver.

4 E o caminho para o lugar onde eu estiver, já o conhecem.»

5

Tomé disse a Jesus: «Senhor, nós nem sequer sabemos para onde é que tu vais! Como é que podemos saber qual é o caminho?»

6 «Eu sou o caminho, a verdade e a vida», respondeu Jesus. «Ninguém pode chegar ao Pai sem ser por mim.

7 E já que me conhecem ficam a conhecer também o Pai. E desde agora ficam a conhecê-lo porque o viram.»

8

Filipe pediu-lhe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.»

9 Jesus respondeu-lhe: «Filipe, há tanto tempo que vivo convosco e ainda não me conheces? Aquele que me viu, viu também o Pai. Como é que tu me pedes: Mostra-nos o Pai?

10 Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo por mim. O Pai que está em mim é quem realiza as suas obras.

11 Acreditem que eu estou no Pai e o Pai está comigo. Mas se não querem crer em mim pelas minhas palavras, creiam em mim ao menos pelas minhas ações.

12 Digo-vos com toda a verdade que aquele que crê em mim faz tudo aquilo que eu faço e há de fazer coisas maiores ainda, porque eu vou para o Pai.

13 E hei de conceder tudo o que pedirem em meu nome para que o Pai seja glorificado no Filho.

14 Por isso, hei de fazer tudo o que me pedirem.»

15

«Se me amarem hão de cumprir os meus mandamentos,

16 e eu pedirei ao Pai para vos enviar um outro Defensor que esteja sempre convosco.

17 O Espírito de verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Ele está convosco e habitará em vós, por isso o conhecem.

18

Não vos hei de deixar órfãos pois voltarei para junto de vós.

19 Dentro em pouco o mundo não me verá mais. Mas vocês hão de ver-me, porque da vida que eu vivo hão de viver também.

20 Naquele dia saberão que eu estou no meu Pai, vós em mim e eu em vós.

21 Aquele que conhece os meus mandamentos e os segue, esse é que me tem verdadeiro amor. E aquele que me ama é também amado por meu Pai; eu amá-lo-ei também e dar-me-ei a conhecer a ele inteiramente.»

22 Então Judas (não o Iscariotes) disse a Jesus: «Por que é que tu te queres mostrar apenas a nós e não a toda a gente?»

23 Jesus explicou-lhe: «Quem me tem amor vive segundo aquilo que eu digo e o meu Pai também o há de amar e iremos ambos viver nele.

24 Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras. E a palavra que eu vos digo não é doutrina minha, mas do Pai, que me enviou.

25

Digo estas coisas enquanto estou ainda no meio de vós.

26 Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai vos irá enviar em meu nome, há de ensinar-vos tudo e fará com que recordem tudo o que eu vos ensinei.

27

A paz vos deixo, a minha paz vos dou. Mas não a dou como a dá o mundo. Não se preocupem nem tenham medo.

28 Ouviram aquilo que eu disse: Deixo-vos, mas volto outra vez para junto de vós. Se me amassem alegrar-se-iam com a minha ida para o Pai, porque o Pai é mais do que eu.

29 Disse-vos tudo isto agora, antes que as coisas aconteçam, para que quando acontecerem acreditem em mim.

30 Já não tenho tempo para falar muito mais convosco. Aquele que domina este mundo está quase a chegar. Ele não tem nenhum poder sobre mim,

31 mas desta maneira dou a conhecer ao mundo que amo o Pai e que tenho feito aquilo que o Pai me mandou. Levantem-se! Vamos embora.»

15

1

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é quem trata da vinha.

2 Ele corta todos os ramos que em mim não dão fruto, e limpa os que dão fruto, para que deem ainda mais.

3 Vocês já estão limpos pelo ensino que eu vos deixei.

4 Permaneçam em mim, que eu permaneço em vós. Um ramo não pode dar fruto por si só, se não estiver unido à videira. Por isso, não podem dar fruto se não estiverem unidos a mim.

5 Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que estiver unido comigo dá muito fruto porque sem mim nada podem fazer.

6 Todo aquele que não estiver unido a mim, é lançado fora como um ramo e seca. Tais ramos são enfeixados e lançados ao fogo para arderem.

7 Se continuarem unidos a mim e não esquecerem as minhas palavras, hão de receber tudo quanto pedirem.

8 Nisto consiste a glória de meu Pai: que deem muito fruto e que se comportem como meus discípulos.

9 Eu tenho-vos amor como o Pai me tem a mim. Continuem sempre unidos no meu amor!

10 Se observarem os meus mandamentos, como eu observo os do meu Pai, permanecereis no meu amor como eu no do meu Pai.

11 Falo-vos desta maneira para que se alegrem comigo e para que tenham uma alegria perfeita.

12 O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu sempre vos amei.

13 Não há maior amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama.

14 Se fizerem aquilo que eu vos mando, serão meus amigos.

15 Agora já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto aprendi de meu Pai.

16 Não foram vocês que me escolheram, mas sim eu que vos escolhi e enviei para produzirem muito fruto; não um fruto passageiro, mas um fruto que dure para sempre. Desta maneira, o Pai vos há de dar tudo quanto lhe pedirem em meu nome.

17

E recomendo-vos isto: amem-se uns aos outros.»

18

«Se o mundo vos tem ódio, fiquem a saber que me odiou primeiro a mim.

19 Se pertencessem ao mundo, ele havia de vos estimar como filhos. Mas como foram escolhidos por mim, o mundo tem-vos ódio, porque já não pertencem ao mundo.

20 Lembrem-se daquilo que vos disse: nenhum servo é maior que o seu senhor . Se a mim me perseguiram, também vos hão de perseguir. E se eles fizeram tão pouco caso da minha palavra, o mesmo vai acontecer convosco.

21 Tudo isto vos há de suceder por minha causa, porque eles não conhecem aquele que me enviou.

22

Eles não teriam culpa nenhuma se eu não tivesse vindo falar-lhes. Assim não têm qualquer desculpa.

23 Quem me odeia, odeia também o meu Pai.

24 Não eram culpados, se eu não tivesse feito no meio deles coisas que nenhum outro fez. A verdade é que eles viram isso e, mesmo assim, odiaram-me tanto a mim como ao meu Pai.

25 Mas assim tinha de ser para que se cumprisse o que está escrito na sua lei: Eles odiaram-me sem qualquer motivo .

26

Quando vier o Defensor que vos hei de enviar de junto do Pai, o Espírito de verdade que procede do Pai, há de dar testemunho acerca de mim.

27 Também vocês hão de dar testemunho de mim, porque estão comigo desde o princípio.

16

1

Digo-vos estas palavras para não se deixarem desorientar.

2 Os judeus hão de expulsar-vos das suas sinagogas. Mais ainda, virá o tempo em que aquele que vos matar pensa que faz uma coisa agradável a Deus.

3 Eles farão tudo isso, porque não conhecem nem ao Pai nem a mim.

4 Falo-vos destas coisas para que, quando vier esse tempo, se recordem de que já vos tinha dito isso.»

«Não vos disse estas coisas desde o princípio porque estivemos sempre juntos.

5 Mas agora vou para aquele que me enviou. E é estranho que ninguém me pergunte para onde é que eu vou.

6 Vejo que estão tristes por vos dizer tudo isto.

7 Mas fiquem a saber que para vosso bem é melhor que eu vá. Se eu não for, o Defensor não virá até vós, mas se eu for, eu vo-lo enviarei.

8 Quando ele chegar há de convencer as pessoas do mundo sobre três coisas: que cometeram pecado, que há uma justiça e que há um julgamento .

9 De facto, cometeram pecado porque não creem em mim .

10 Depois há uma justiça, porque vou para o Pai e não me verão mais.

11 Finalmente, há um julgamento porque o que domina este mundo já foi condenado.

12

Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas isso agora era demais para vocês.

13 Quando vier o Espírito da verdade, vai guiar-vos em toda a verdade. É que ele não falará por si próprio, mas comunicará o que lhe disserem e anunciar-vos-á as coisas que ainda estão para acontecer.

14 Ele vos manifestará a minha glória porque tomará daquilo que é meu e vo-lo anunciará.

15 Tudo quanto o Pai tem, pertence-me também a mim. Por isso é que eu digo: o Espírito receberá daquilo que é meu e vo-lo anunciará.»

16

«Dentro de pouco tempo deixarão de me ver, mas um pouco mais tarde hão de voltar a ver-me.»

17

Alguns dos discípulos perguntaram uns aos outros: «Como é que se entende isto: dentro de pouco tempo vão deixar de me ver, mas um pouco mais tarde hão de voltar a ver-me? Que quer ele dizer com “ir para o Pai”?

18 E que significa “dentro de pouco tempo”? Não entendemos o que ele quer dizer.»

19

Jesus percebeu que o queriam interrogar e disse-lhes: «Eu afirmei-vos que dentro de pouco tempo vão deixar de me ver, mas um pouco mais tarde hão de voltar a ver-me. É disto que discutem, não é verdade?

20 Pois fiquem a saber que hão de chorar e lamentar-se, mas o mundo se alegrará. Ficarão cheios de tristeza, mas a vossa tristeza há de mudar-se em alegria.

21 Uma mulher fica triste quando chega a hora de dar à luz. Mas logo que a criança acaba de nascer, esquece todas as dores e fica cheia de alegria por ter dado um novo ser ao mundo.

22 Também vocês agora estão tristes. Mas eu hei de voltar a ver-vos e, nessa altura, vão encher-se duma alegria tão grande que ninguém a pode tirar dos vossos corações.

23

Quando chegar esse dia, já não precisam de me fazer mais perguntas. E prometo-vos que tudo quanto pedirem ao meu Pai em meu nome ele vo-lo dará.

24 Até este momento, ainda nada pediram ao meu Pai em meu nome. Peçam que hão de receber, e assim a vossa alegria será completa.»

25

«Eu disse-vos todas estas coisas por meio de comparações. Mas está a chegar o tempo em que não vos falarei mais dessa maneira. Hei de declarar-vos abertamente tudo o que se refere ao Pai.

26 Nessa altura pedirão em meu nome, e nem vai ser preciso que eu peça ao Pai por vós,

27 pois o Pai ama-vos a todos, porque vocês me amam e creem que eu vim de Deus.

28 Eu saí de junto do Pai para vir a este mundo. Agora deixo o mundo e vou novamente ter com o Pai.»

29

Disseram-lhe os seus discípulos: «De facto, agora falas claramente e não por comparações.

30 Agora vemos que sabes tudo. Até sabes aquilo que te queremos perguntar. Por isso acreditamos que vieste de Deus.»

31 Respondeu-lhes Jesus: «Agora acreditam?

32 Pois vai chegar a hora, e está mesmo aí, em que cada um há de fugir para seu lado e deixar-me só. Mas eu não fico só, porque o Pai está comigo.

33 Disse-vos isto para que encontrem a paz em mim. Têm muito que sofrer no mundo, mas tenham coragem! Eu venci o mundo!»

17

1

Depois de ter falado desta maneira, Jesus levantou os olhos para o céu e disse: «Pai, chegou a minha hora. Mostra a glória do teu Filho, para que ele mostre também a tua.

2 Tu entregaste ao teu Filho autoridade sobre toda a Humanidade, para conceder a vida eterna a todos os que lhe confiaste.

3 E a vida eterna consiste em conhecerem-te como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

4

Manifestei neste mundo a tua glória, pois cumpri a missão de que me encarregaste.

5 Dá-me, pois, ó Pai, a glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo ser mundo.

6 Dei-te a conhecer àqueles que me confiaste, tirando-os do mundo. Eles eram teus, mas tu entregaste-mos e eles guardaram a tua palavra.

7 Agora sabem que tudo quanto eu tenho é de ti que vem.

8 Confiei-lhes as palavras que tu me deste e eles aceitaram-nas. Compreenderam verdadeiramente que eu vim de ti e creram que tu me enviaste.

9 Peço-te por eles; não pelos que são do mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.

10 Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E a minha glória vai aparecer neles.

11 Eu deixo o mundo e vou para junto de ti, mas eles ainda ficam no mundo. Pai santo, protege-os pelo poder do teu nome, para que eles sejam um, como tu e eu somos um.

12 Enquanto estive com eles no mundo, protegi-os em teu nome, nome que tu me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que se havia de perder, para que se cumprisse o que diz a Sagrada Escritura .

13

Agora vou para ti e falo enquanto estou ainda neste mundo, para que a minha alegria os encha profundamente.

14 Entreguei-lhes a tua palavra e o mundo tem-lhes ódio, porque eles não são do mundo, como eu também não sou.

15 Não te peço que os tires do mundo, mas que os defendas das forças do mal.

16 Eles não pertencem ao mundo, como eu também não pertenço.

17 Faz com que te sirvam pela verdade. Santifica-os pela verdade; a tua palavra é a verdade.

18 Eu envio-os para o mundo, como tu me enviaste também.

19 Eu ofereço a minha vida por eles, para que também eles sejam santificados pela verdade.

20

Não te peço apenas por eles, mas também por aqueles que crerem em mim por meio da sua pregação,

21 e para que todos sejam um. Pai, que eles estejam tão unidos a nós, como tu o estás a mim e eu a ti. Desta maneira, o mundo há de acreditar que tu me enviaste.

22 Dei-lhes a mesma glória que me deste, para que vivam em perfeita unidade como nós.

23

Eu vivo neles e tu vives em mim. Deste modo a sua união será perfeita e o mundo há de saber que me enviaste e que os amas como a mim.

24

Pai! Que todos aqueles que me deste estejam onde eu estiver, para que possam contemplar a glória que me deste, porque tu amaste-me antes que o mundo fosse mundo.

25 Pai bondoso, o mundo não te conhece, mas eu conheço-te, e estes também já sabem que fui enviado por ti.

26 Eu dei-lhes a conhecer quem tu és, e vou continuar a fazê-lo, para que eles se amem, como tu me amas, e o meu amor esteja neles.»

18

1

Depois desta oração, Jesus saiu com os discípulos. Atravessou o ribeiro do Cédron e entrou com eles num olival que lá havia.

2 Judas, aquele que estava para o atraiçoar, conhecia muito bem aquele lugar, porque era costume Jesus reunir-se lá com os discípulos .

3 Então Judas foi lá ter e levou com ele um destacamento de soldados romanos e alguns guardas do templo, enviados pelos chefes dos sacerdotes e pelos fariseus. Iam armados e levavam archotes e lanternas.

4 Jesus sabia bem o que lhe ia acontecer, por isso adiantou-se e perguntou-lhes: «Quem é que procuram?»

5 Eles responderam-lhe: «Jesus o Nazareno!» «Sou eu!», disse-lhes Jesus. E Judas, o traidor, estava lá com eles.

6 Quando Jesus lhes disse: «Sou eu», recuaram e caíram no chão.

7 Perguntou-lhes mais uma vez: «Quem é que procuram?» Eles responderam: «Jesus o Nazareno.»

8 Então Jesus afirmou novamente: «Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procuram, deixem ir estes em paz.»

9

Assim se cumpria o que Jesus tinha dito: «Dos que me deste, não perdi nenhum.»

10

Simão Pedro trazia com ele uma espada. Puxou dela e cortou a orelha direita a um criado do sumo sacerdote. O criado chamava-se Malco.

11 Mas Jesus ordenou a Pedro: «Põe a espada no seu lugar. Não sabes que eu tenho de beber este cálice de amargura que o meu Pai me destinou ?»

12

Então o destacamento dos soldados, com o seu comandante, e os guardas dos judeus agarraram Jesus e prenderam-no.

13 Levaram-no primeiramente a Anás, sogro de Caifás, que nesse ano era o sumo sacerdote.

14 Caifás é que tinha dado o seguinte conselho às autoridades judaicas: «É melhor que morra um só homem pelo povo .»

15

Simão Pedro e um outro discípulo seguiam atrás de Jesus. Aquele discípulo era bem conhecido do chefe dos sacerdotes e por isso entrou no pátio interior da sua casa juntamente com Jesus,

16 enquanto Pedro ficou à porta, do lado de fora. O outro discípulo, o que era conhecido do sumo sacerdote, veio cá fora, falou à porteira e levou Pedro para dentro.

17 Nisto, a porteira disse a Pedro: «Tu não és também um dos discípulos desse homem?» «Não sou, não!», respondeu ele.

18

Como fazia frio, os criados da casa e os guardas tinham preparado uma fogueira e estavam a aquecer-se. Pedro juntou-se-lhes para se aquecer também.

19

O chefe dos sacerdotes interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

20 Jesus respondeu-lhe: «Eu falei em público a toda a gente. Ensinei sempre nas sinagogas e no templo, onde se reúnem todos os judeus, e nunca disse nada em segredo.

21 Por que é que me perguntas isso? Pergunta antes aos que ouviram as minhas palavras. Eles sabem o que eu disse.»

22

Quando Jesus disse isto, um dos guardas do templo, que estava presente, deu-lhe uma bofetada e disse: «É assim que respondes ao sumo sacerdote?»

23 Jesus replicou: «Se disse alguma coisa de mal, mostra onde está o mal. Mas se o que eu disse está certo, por que é que me bates?»

24

Então Anás mandou-o preso para Caifás, que era sumo sacerdote.

25

Simão Pedro continuava junto da fogueira a aquecer-se. Disseram-lhe os outros: «Não és tu também um dos discípulos desse homem?» Pedro negou: «Não, não sou!»

26 Um criado do chefe dos sacerdotes, que ainda era parente do homem a quem Pedro tinha cortado a orelha, dirigiu-se-lhe também: «Porventura não te vi eu com ele no olival?»

27 Pedro negou outra vez, e nesse instante cantou o galo.

28

Depois levaram Jesus da casa de Caifás ao palácio do governador romano. Já começava a amanhecer e para poderem celebrar a Páscoa, os judeus não entraram no palácio, porque as suas leis o proibiam.

29 Por isso, o governador Pilatos veio cá fora para lhes falar e perguntar-lhes: «Que acusação têm contra este homem?»

30 Eles responderam: «Se não fosse um criminoso, não to entregávamos.»

31 Pilatos concluiu: «Então levem-no e julguem-no segundo as leis da vossa religião.» Os judeus replicaram: «Nós não podemos condenar ninguém à morte.»

32 Assim se estava a cumprir o que Jesus tinha dito, quando falou sobre a maneira como devia morrer.

33

Pilatos entrou novamente no palácio e chamou Jesus: «Tu és o rei dos judeus?»

34 Ele respondeu: «Perguntas-me isso porque tu mesmo o pensaste ou foram os outros que to disseram de mim?»

35 «Acaso sou eu judeu?», replicou Pilatos. «O teu povo e os chefes dos sacerdotes é que te entregaram a mim. Que é que tu fizeste?»

36 Jesus respondeu-lhe: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos teriam lutado para eu não cair nas mãos das autoridades judaicas. Mas o meu reino não é daqui.»

37 Nesta altura, Pilatos perguntou-lhe: «Mas então sempre és rei?» Jesus respondeu-lhe: «És tu que o dizes: eu sou rei. Nasci e vim ao mundo para dizer o que é a verdade. Todos os que vivem da verdade ouvem aquilo que eu digo.»

38 Pilatos perguntou-lhe ainda: «Mas que é a verdade?»

Depois de fazer esta pergunta, Pilatos saiu outra vez do palácio para falar com os judeus: «Não encontro nenhum motivo para condenar este homem!

39 É vosso costume que eu vos solte um preso todos os anos por altura da festa da Páscoa. Não querem que vos solte este ano o rei dos judeus?»

40 Eles gritaram: «Não, esse não! Solta-nos Barrabás!» Ora Barrabás era um criminoso.

19

1

Então Pilatos mandou prender e açoitar Jesus.

2 Os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos que puseram na cabeça de Jesus. Depois colocaram-lhe aos ombros um manto vermelho .

3 Aproximavam-se e faziam pouco dele: «Viva o rei dos judeus!» E davam-lhe bofetadas.

4

Uma vez mais, Pilatos saiu do palácio e foi dizer aos judeus: «Eu vou trazê-lo cá fora, para que saibam que não encontro nenhuma razão para o mandar matar.»

5 Quando Jesus saiu do palácio, trazia a coroa de espinhos na cabeça e o manto vermelho pelos ombros. Pilatos disse aos judeus: «Aqui está o homem!»

6 Quando os chefes dos sacerdotes e os guardas do templo o viram, começaram a gritar: «Crucifica-o! Crucifica-o!» Disse-lhes Pilatos: «Levem-no e crucifiquem-no vocês. Eu não encontro nenhuma razão para o condenar.»

7 Os judeus responderam-lhe: «Nós temos uma lei, e segundo essa lei ele deve morrer, porque afirmou que era o Filho de Deus .»

8

Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou ainda com mais medo.

9 Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: «Donde és tu?» Mas Jesus não respondeu.

10 Admirado, Pilatos insistiu: «Não me falas? Não sabes que tenho autoridade para te soltar ou para te mandar crucificar?»

11 Respondeu-lhe Jesus: «Não terias qualquer autoridade contra mim, se não te tivesse sido dada do alto. Por isso mesmo, quem me entregou a ti tem mais culpa diante de Deus do que tu.»

12 Por causa destas palavras, Pilatos procurava todas as maneiras de o pôr em liberdade. Mas os judeus gritavam: «Se dás a liberdade a esse homem, não és amigo do imperador, pois todo aquele que se faz rei, é inimigo do imperador.»

13 Pilatos, ao ouvir isto, levou Jesus para fora do palácio e sentou-o na cadeira de juiz, num lugar pavimentado com pedras e que por isso se chama em hebraico Gabatá.

14

Era o dia da Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia . Pilatos disse aos judeus: «Aqui está o vosso rei!»

15 Mas eles gritaram: «Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o!» Pilatos tornou a questioná-los: «Então hei de crucificar o vosso rei?» Desta vez os chefes dos sacerdotes responderam-lhe: «Nós não temos outro rei a não ser o imperador!»

16 Por fim, Pilatos entregou-lhes Jesus para ser crucificado.

Eles levaram Jesus.

17 E ele, carregando ele próprio a cruz, saiu em direção a um lugar chamado Caveira, que em língua hebraica se diz Gólgota.

18 Foi ali que o pregaram na cruz. E crucificaram com ele outros dois homens, um à esquerda e outro à direita de Jesus.

19

Pilatos mandou escrever e colocar sobre a cruz um letreiro que dizia: Jesus o Nazareno, Rei dos judeus.

20 Muitos judeus puderam facilmente ler este letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado era perto da cidade e o letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego.

21 Os chefes dos sacerdotes disseram a Pilatos: «Não escrevas “Rei dos judeus”, mas sim: “Este homem disse: Eu sou o Rei dos judeus”.»

22 E Pilatos retorquiu: «O que escrevi, escrevi.»

23

Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, pegaram na roupa dele e dividiram-na em quatro partes, ficando cada um com uma parte . E havia também a túnica, feita de uma só peça de pano, sem costura.

24 Os soldados disseram uns aos outros: «Não a vamos rasgar, mas tiremos à sorte para ver quem fica com ela.» Assim se cumpriu a passagem da Sagrada Escritura:

Repartiram as minhas roupas entre si
e tiraram sortes sobre a minha túnica .

Foi isto o que os soldados fizeram.

25

Junto da cruz de Jesus estavam a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.

26 Jesus viu a sua mãe e junto dela o discípulo que ele amava. E disse à sua mãe: «Mulher, aí tens o teu filho.»

27 Depois disse ao discípulo: «Aí tens a tua mãe.» E, desde esse momento, aquele discípulo recebeu-a em sua casa.

28

Depois disto, como Jesus sabia que a sua obra agora tinha chegado ao fim, exclamou para se cumprir o que diz a Sagrada Escritura: «Tenho sede .»

29

Havia ali uma vasilha cheia de vinagre . Molharam uma esponja no vinagre, ataram-na a uma cana, e chegaram-na à boca de Jesus.

30 Ele provou o vinagre e disse então: «Tudo está cumprido.» Depois inclinou a cabeça e morreu .

31 Como era a Preparação da Páscoa, e também o início do sábado — porque aquele sábado era muito solene — os corpos dos condenados não deviam ficar na cruz. Por isso os chefes dos judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e retirar os corpos .

32 De facto, os soldados foram e quebraram as pernas aos dois homens que tinham sido crucificados ao mesmo tempo que Jesus.

33 Mas quando chegaram a Jesus, vendo que ele já tinha morrido não lhe quebraram as pernas.

34 No entanto, um dos soldados espetou-lhe a lança no peito e imediatamente saiu sangue e água.

35 Quem viu estas coisas dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro — e ele sabe que diz a verdade — para que também vocês acreditem.

36

Estas coisas aconteceram para se cumprir a Sagrada Escritura que diz: Não lhe hão de quebrar nenhum osso .

37 E há ainda outra passagem da Escritura que diz: hão de contemplar aquele que trespassaram com uma lança .

38

Depois disto, um homem chamado José, da cidade de Arimateia , pediu licença a Pilatos para retirar da cruz o corpo de Jesus. José era um discípulo de Jesus, mas às escondidas, porque tinha medo das autoridades judaicas. Pilatos deu-lhe licença. José foi então ao lugar da cruz e retirou o corpo.

39 Nicodemos , aquele homem que tinha ido ter com Jesus pela calada da noite, apareceu também com uma mistura de perto de cem libras de mirra e aloés.

40 Levaram então o corpo de Jesus e envolveram-no com ligaduras de linho, perfumadas com os produtos que tinham preparado, como era costume entre os judeus ao sepultarem os mortos.

41

No lugar onde Jesus foi crucificado havia uma propriedade com um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.

42 Foi ali que puseram o corpo de Jesus, por causa do dia — a Preparação da Páscoa dos judeus — e porque o túmulo ficava perto e o dia do descanso dos judeus ia começar.

20

1

No primeiro dia da semana , Maria Madalena foi ao túmulo, logo de manhã, fazendo ainda escuro e viu que a pedra da entrada já tinha sido retirada.

2 Foi a correr ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e disse-lhes: «Levaram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o puseram.»

3

Então Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo ver o que se passava.

4 Iam a correr juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro.

5 Inclinou-se para ver e reparou que as ligaduras continuavam ali, mas não quis entrar.

6 Logo a seguir chegou Simão Pedro. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver as ligaduras no chão

7 e o pano que cobria a cabeça de Jesus dobrado a um canto e não misturado com as ligaduras.

8 Depois entrou também o outro discípulo que tinha chegado primeiro. Viu e acreditou.

9 Na verdade ainda não tinham entendido a Escritura segundo a qual Jesus havia de ressuscitar .

10 Depois disto os discípulos foram-se embora para casa.

11

Maria ficou junto ao túmulo da parte de fora, a chorar. Entretanto, inclinou-se para dentro

12 e viu dois anjos vestidos de branco. Estavam sentados no sítio onde tinha sido colocado o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.

13 Eles perguntaram-lhe: «Mulher, por que estás a chorar?» E ela disse-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»

14 Logo a seguir, voltou-se para trás e viu Jesus de pé mas não sabia que era ele.

15 Perguntou-lhe Jesus: «Mulher, por que estás a chorar? Quem é que procuras?» Ela pensava que era o homem encarregado da propriedade e disse-lhe: «Se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste que eu vou lá buscá-lo.»

16 Jesus chamou-a: «Maria!» Ela, voltando-se, exclamou em hebraico: «Rabuni!» (palavra que quer dizer «meu Mestre»).

17 E Jesus disse-lhe: «Não me toques porque ainda não voltei para o meu Pai. Vai ter com os meus irmãos e dá-lhes este recado: eu volto para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus.»

18

Maria Madalena foi dar a notícia aos discípulos e dizia: «Eu vi o Senhor!» E contou-lhes o que ele lhe tinha dito.

19

Na tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, os discípulos encontravam-se juntos e tinham as portas fechadas com medo das autoridades judaicas. Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»

20 Depois mostrou-lhes as mãos e o peito. Eles alegraram-se muito por verem o Senhor.

21 Jesus disse-lhes outra vez: «A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio.»

22 Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebam o Espírito Santo.

23 Àqueles a quem perdoarem os pecados, são perdoados; e àqueles a quem não os perdoarem, não lhes são perdoados .»

24

Ora Tomé, um dos Doze, a quem chamavam Gémeo, não estava com eles quando Jesus lhes apareceu.

25 Os outros discípulos contaram-lhe: «Vimos o Senhor!» Mas Tomé respondeu-lhes: «Se eu não vir a ferida dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo no lugar dos pregos e a minha mão na ferida do peito, não acredito.»

26

Uma semana mais tarde, os discípulos estavam de novo reunidos em casa, e Tomé encontrava-se com eles. Apesar de as portas estarem fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e exclamou: «A paz esteja convosco!»

27 A seguir disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos, estende a tua mão e mete-a no meu peito. Não sejas descrente! Acredita!»

28 E Tomé respondeu: «Meu Senhor e meu Deus!»

29 Jesus disse-lhe: «Crês agora porque me viste? Felizes os que creram sem terem visto .»

30

Jesus fez ainda diante dos seus discípulos muitos outros sinais que não vêm neste livro.

31 Estes foram aqui contados para que creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida no seu nome.

21

1

Mais tarde, Jesus apareceu outra vez aos seus discípulos nas margens do lago de Tiberíades, e manifestou-se desta maneira:

2 Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, a quem chamavam Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os dois filhos de Zebedeu e outros dois discípulos.

3 Simão Pedro disse aos companheiros: «Vou pescar.» Os outros responderam-lhe: «Nós vamos contigo.» Saíram de casa e meteram-se num barco, mas naquela noite não apanharam nada.

4 Ao romper do dia, Jesus apareceu nas margens do lago, mas os discípulos não sabiam que era ele.

5 Jesus falou-lhes assim: «Amigos, têm alguma coisa que comer?» Eles responderam: «Nada.»

6 Jesus disse-lhes então: «Deitem a rede para o lado direito do barco que hão de encontrar.» Deitaram-na e, por causa da grande quantidade de peixes, não tiveram forças para a puxar .

7

Nisto, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Mal Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a roupa, pois estava nu, e lançou-se à água.

8 Os outros discípulos continuaram no barco, puxando a rede cheia de peixe. Já não estavam muito longe da margem, mas apenas a uns cem metros.

9 Quando saltaram para terra, viram ali peixe a assar nas brasas e pão.

10 Jesus disse-lhes: «Tragam-me alguns peixes dos que acabam de pescar.»

11 Simão Pedro entrou no barco e puxou a rede para terra. A rede vinha cheia de grandes peixes, ao todo cento e cinquenta e três e, mesmo assim, a rede não se rompeu.

12 Então Jesus disse-lhes: «Venham comer.» E nenhum discípulo se atrevia a perguntar-lhe quem ele era, porque sabiam muito bem que era o Senhor.

13 Jesus aproximou-se deles, tomou o pão e deu-lho; fez o mesmo com o peixe.

14 Foi assim que Jesus apareceu pela terceira vez aos discípulos, depois de ter ressuscitado.

15

Tendo acabado de comer, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, tu sabes que te amo.» Jesus disse-lhe: «Então toma conta dos meus cordeiros.»

16 Perguntou-lhe Jesus segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Respondeu-lhe: «Sim, Senhor, tu sabes que te amo.» Jesus disse-lhe: «Toma conta das minhas ovelhas.»

17 Jesus perguntou-lhe terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Pedro ficou triste por lhe ter perguntado terceira vez se o amava e respondeu-lhe: «Senhor, tu sabes tudo. Tu bem sabes que te amo.» Jesus disse-lhe: «Toma conta das minhas ovelhas .

18 Repara no que eu te digo: quando eras novo, tu mesmo te arranjavas e ias para onde querias. Mas quando fores velho, estenderás os braços, outro te há de vestir e levar para onde não queres.»

19 Com estas palavras, Jesus queria indicar o género de morte com a qual Pedro havia de dar glória a Deus. Depois acrescentou: «Segue-me!»

20

Pedro voltou-se e notou que atrás deles vinha o discípulo que Jesus amava. Era aquele que durante a última ceia estava reclinado ao lado de Jesus e lhe perguntou: «Senhor, quem é que te vai atraiçoar ?»

21 Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: «Senhor, que vai ser deste?»

22 E Jesus respondeu: «Se eu quiser que ele viva até que eu volte que tens com isso? Tu, segue-me!»

23 Por isso é que correu o boato entre os crentes que este discípulo não havia de morrer. Mas Jesus não lhe disse que não havia de morrer, mas sim: «Se eu quiser que ele viva até que eu volte, que tens com isso?»

24

É este o discípulo que testemunha tudo isto e que o escreveu, e nós sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.

25

Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, parece-me que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seria preciso escrever .