1
Já muitos procuraram narrar, na devida ordem,2 o que nos foi transmitido por aqueles que assistiram a tudo, desde o princípio, e se tornaram servos da palavra.
3 Também eu, depois de averiguar cuidadosamente tudo o que se passou desde o começo, achei conveniente escrever tudo isso para ti, ilustre Teófilo ,
4 para que fiques seguro de quanto te ensinaram.
5
No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que fazia parte da turma de Abias. A mulher de Zacarias chamava-se Isabel e era da família sacerdotal de Aarão.6 Tanto o marido como a esposa levavam uma vida justa perante Deus, cumprindo inteiramente os mandamentos e preceitos do Senhor.
7 Mas não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e nessa altura já os dois eram bastante idosos.
8
Um dia, estava Zacarias no templo a cumprir as suas obrigações como sacerdote, porque era a sua vez .9 Era costume entre os sacerdotes fazer-se um sorteio para ver quem devia entrar no santuário do templo, para oferecer incenso no altar. Dessa vez calhou a Zacarias.
10 No momento em que oferecia o incenso, todo o povo orava do lado de fora.
11 Apareceu então a Zacarias um anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso.
12 Mal viu o anjo, assustou-se e ficou cheio de medo.
13 Mas o anjo disse-lhe: «Não tenhas medo, Zacarias! Deus ouviu as tuas orações: Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho e lhe darás o nome de João .
14 Terás uma grande alegria e muita gente se vai alegrar também com esse nascimento.
15 O teu filho será grande diante de Deus. Não beberá vinho, nem qualquer bebida alcoólica, e será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe.
16 Fará com que muitos israelitas voltem para o Senhor seu Deus.
17 Ele irá adiante do Senhor com o espírito e o poder de Elias. Há de reconciliar os pais com os filhos e ensinará os rebeldes a seguir a sabedoria dos justos. Assim preparará o povo para receber o Senhor.»
18
Então Zacarias perguntou ao anjo: «Como posso ter a certeza disso, se já estou velho e a minha mulher também?»19 O anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel . Estou ao serviço de Deus e ele mandou-me falar contigo para te dar esta boa nova.
20 Mas como não acreditaste no que te disse, vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que isso acontecer, pois tudo se realizará no tempo devido.»
21
O povo, que estava à espera de Zacarias, estranhava a sua demora no santuário.22 Quando ele saiu não conseguia falar, e eles perceberam que tinha tido uma visão. Falava-lhes por sinais e continuava mudo.
23
Ao acabar os dias de serviço no templo, Zacarias voltou para casa.24 Algum tempo depois Isabel ficou grávida e não saiu de casa durante cinco meses.
25 «Deus foi bom para mim», dizia ela para consigo. «Agora já não tenho de que me envergonhar diante de ninguém.»
26
Quando Isabel estava grávida de seis meses, Deus mandou o anjo Gabriel a Nazaré, na província da Galileia,27 para falar com uma virgem chamada Maria que estava noiva de José, descendente do rei David.
28 O anjo aproximou-se dela e disse-lhe: «Eu te saúdo, ó escolhida de Deus. O Senhor está contigo.»
29 Maria ficou perturbada com estas palavras e perguntava a si própria o que queria dizer aquela saudação.
30 Então o anjo continuou: «Não tenhas medo, Maria, pois foste abençoada por Deus.
31 Ficarás grávida e terás um filho, a quem vais pôr o nome de Jesus.
32 Ele será grande e será chamado o Filho do Deus altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono do seu antepassado David.
33 Governará para sempre os descendentes de Jacob e o seu reinado não terá fim.»
34
Maria perguntou então ao anjo: «Como é que isso pode ser, se nunca tive marido?»35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Deus altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o que vai nascer é santo e será chamado Filho de Deus.
36 Também a tua parente Isabel vai ter um filho, apesar da sua muita idade. Dizia-se que era estéril, mas já está no sexto mês.
37 É que para Deus não há nada impossível.»
38 Maria disse então: «Eu sou a serva do Senhor. Cumpra-se em mim a tua palavra.» E o anjo retirou-se.
39
Por aqueles dias, Maria apressou-se em ir a uma povoação nas montanhas da Judeia.40 Entrou em casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41 Quando esta ouviu a saudação de Maria, a criança mexeu-se dentro dela. Isabel ficou cheia do Espírito Santo
42 e disse em voz alta: «Abençoada és tu, mais do que todas as mulheres, e abençoado é o filho que de ti há de nascer!
43 Que grande honra para mim ser visitada pela mãe do meu Senhor!
44 Mal ouvi a tua saudação, logo a criança que trago dentro de mim saltou de alegria.
45 Feliz daquela que acreditou, porque nela se cumprirá o que foi dito da parte do Senhor.»
46
Maria disse então:
«A minha alma celebra a grandeza do Senhor
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e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
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porque ele olhou com amor para esta sua humilde serva!
Daqui em diante toda a gente me vai chamar ditosa,
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pois grandes coisas me fez o Deus poderoso.
Ele é Santo!
50
Ele é sempre misericordioso para aqueles que o adoram,
em todas as gerações.
51
Fez coisas grandiosas com o seu poder extraordinário.
Dispersou os orgulhosos de pensamento e coração.
52
Derrubou os poderosos dos seus tronos
e exaltou os humildes.
53
Encheu de bens os que têm fome
e mandou embora os ricos de mãos vazias.
54
Ajudou o povo de Israel que o serve,
lembrando-se dele com misericórdia.
55
Conforme tinha prometido aos nossos antepassados,
a Abraão e seus descendentes para sempre.»
56
Maria ficou com Isabel cerca de três meses e depois voltou para casa.57
Quando acabou o tempo, Isabel teve um menino.58 Os vizinhos e os parentes foram dar-lhe os parabéns com muita alegria, por verem que Deus tinha mostrado tão grande misericórdia com ela.
59
Quando o menino tinha oito dias foram circuncidá-lo e queriam pôr-lhe o nome de Zacarias, como o pai.60 Mas a mãe disse: «De maneira nenhuma! Ele vai chamar-se João.»
61 Responderam-lhe: «Mas não há ninguém na tua família com esse nome!»
62 E perguntaram por gestos ao pai do menino como é que ele queria que o filho se chamasse.
63 Zacarias pediu então uma tabuinha e escreveu: «O nome dele é João.» E ficaram todos muito admirados.
64
Nesse momento, voltou a fala a Zacarias e ele pôs-se a dar louvores a Deus.65 Os vizinhos ficaram assustados com o que viram. E a notícia espalhou-se logo por toda a região montanhosa da Judeia.
66 Todos os que ouviam falar do que tinha acontecido ficavam a pensar e perguntavam: «Que virá a ser este menino?» De facto, a mão do Senhor estava com ele.
67
Zacarias, o pai do menino, ficou cheio do Espírito Santo e pôs-se a profetizar dizendo:68
«Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,
porque veio socorrer e salvar o seu povo.
69
Ele fez nascer entre nós um Salvador poderoso,
descendente do seu servo David.
70
Desde há muito tempo que ele o prometeu,
por meio dos seus santos profetas,
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que nos ia livrar dos nossos inimigos
e da mão de todos aqueles que nos odeiam;
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que havia de tratar com misericórdia os nossos antepassados
e lembrar-se da sua santa aliança,
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e da promessa que tinha feito com juramento
ao nosso antepassado Abraão:
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que nos ia livrar da mão dos nossos inimigos
para podermos servi-lo sem receio,
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com santidade e justiça
todos os dias da nossa vida.
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E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo.
Irás adiante do Senhor para lhe preparares os caminhos
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dando conhecimento da salvação ao seu povo
para perdão dos seus pecados,
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porque o nosso Deus é cheio de misericórdia.
Ele fará brilhar entre nós uma luz que vem do Céu.
79
Essa luz iluminará os que se encontram na escuridão e na sombra da morte
e guiará os nossos passos pelo caminho da paz.»
80
O rapazico desenvolvia-se no corpo e no espírito e viveu no deserto até ao dia em que se apresentou ao povo de Israel.1
Por essa altura, o imperador Augusto decretou que se fizesse o recenseamento de toda a população do império romano.2 Foi o primeiro recenseamento quando Quirino era governador da Síria.
3 Todos iam inscrever-se, cada um na sua cidade.
4 Por isso José partiu de Nazaré, na província da Galileia, e foi para a cidade de David que se chama Belém, na província da Judeia. Como José era descendente de David,
5 foi lá inscrever-se levando consigo Maria, sua noiva, que estava grávida.
6
Enquanto estavam em Belém, chegou o momento de Maria dar à luz.7 Nasceu-lhe então o menino, que era o seu primeiro filho. Envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, por não conseguirem arranjar lugar na casa.
8
Naquela região havia pastores que passavam a noite no campo guardando os rebanhos.9 Apareceu-lhes um anjo e a luz gloriosa do Senhor envolveu-os. Ficaram muito assustados,
10 mas o anjo disse-lhes: «Não tenham medo! Venho aqui trazer-vos uma boa nova que será motivo de grande alegria para todo o povo.
11 Pois nasceu hoje, na cidade de David, o vosso Salvador que é Cristo, o Senhor!
12 Poderão reconhecê-lo por este sinal: encontrarão o menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura.»
13
Nisto, juntaram-se ao anjo muitos outros anjos do céu louvando a Deus e cantando:14
«Glória a Deus no mais alto dos céus
e paz na Terra aos homens
a quem ele quer bem!»
15
Mal os anjos partiram para o Céu, os pastores disseram uns para os outros: «Vamos a Belém para vermos o que o Senhor nos deu a conhecer.»16 Foram a toda a pressa e lá encontraram Maria e José, e o menino, que estava deitado na manjedoura.
17 Depois de verem tudo isto, puseram-se a contar a toda a gente o que lhes fora dito a respeito daquele menino.
18 Todos os que ouviram o que os pastores diziam ficavam muito admirados.
19 Porém Maria guardava todas estas coisas no seu coração e meditava nelas.
20 Os pastores foram-se embora, e pelo caminho cantavam louvores a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto, exatamente como lhes fora anunciado.
21
Quando o menino tinha oito dias, circuncidaram-no e puseram-lhe então o nome de Jesus, tal como o anjo indicara antes de ele ser concebido.22
Chegado o tempo da cerimónia da sua purificação, conforme a Lei de Moisés, levaram o menino ao templo de Jerusalém para o apresentarem ao Senhor.23 É que na lei de Deus está escrito: Se o primeiro filho que nascer for menino, deverá ser consagrado ao Senhor .
24 José e Maria ofereceram também um sacrifício, como manda a lei: um par de rolas ou dois pombinhos .
25
Ora vivia nessa altura em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era justo e muito piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava com ele26 e tinha-lhe assegurado que não havia de morrer sem ver o Messias enviado por Deus.
27 Simeão foi ao templo guiado pelo Espírito Santo. E quando os pais do menino Jesus o iam apresentar, para cumprir o que a lei mandava a respeito dele,
28 Simeão tomou-o nos braços, deu graças a Deus e disse:
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«Agora, Senhor, já podes deixar partir em paz o teu servo conforme a tua palavra!
30
Já vi com os meus olhos a tua salvação
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que preparaste para todos os povos.
32
Luz de revelação para os pagãos e glória para Israel, teu povo.»
33
Tanto o pai como a mãe de Jesus estavam admirados com o que se dizia dele.34 Simeão abençoou-os e disse a Maria sua mãe: «Este menino é para muitos em Israel motivo de ruína ou salvação. Ele é sinal de divisão entre os homens,
35 para revelar os pensamentos escondidos de muitos. Uma grande dor, como golpe de espada, trespassará a tua alma.»
36
Vivia também em Jerusalém uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Asser. Já tinha oitenta e quatro anos de idade e tinha-lhe morrido o marido ao fim de sete anos de casada.37 Depois continuou sempre viúva e não saía do templo, onde adorava a Deus, de dia e de noite, com jejuns e orações.
38 Ana apareceu naquele momento e começou também a louvar a Deus. E falava do menino a todos os que esperavam que Deus salvasse Jerusalém.
39
Depois de terem cumprido tudo o que a lei de Deus manda fazer, José e Maria voltaram com Jesus para a sua terra, Nazaré da Galileia.40 O menino crescia e tornava-se mais forte e cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele.
41
Todos os anos os pais de Jesus iam a Jerusalém à festa da Páscoa.42 Quando o menino tinha doze anos, foram lá como de costume.
43 Passados os dias da festa, José e Maria voltaram para casa, mas Jesus ficou em Jerusalém sem os pais darem por isso.
44 Julgavam que ele vinha com algum grupo pelo caminho. Ao fim de um dia de viagem, começaram a procurá-lo entre os parentes e os amigos,
45 mas não o encontraram. Voltaram por isso a Jerusalém à sua procura.
46 Ao fim de três dias descobriram-no dentro do templo, sentado entre os doutores. Escutava o que eles diziam e fazia-lhes perguntas.
47 Todos os que o ouviam ficavam maravilhados com a sua inteligência e as suas respostas.
48 Quando os pais o viram, ficaram muito impressionados e a mãe disse-lhe: «Filho, por que nos fizeste isso? O teu pai e eu temos andado aflitos à tua procura.»
49 Jesus respondeu-lhes: «Por que é que me procuravam? Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai ?»
50 Mas eles não compreenderam o que lhes disse.
51
Jesus voltou então com eles para Nazaré, e continuou a ser-lhes obediente. Sua mãe guardava atentamente todas estas coisas no coração.52
Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens.1
Estava-se no ano quinze do governo do imperador Tibério . Pôncio Pilatos era então governador da Judeia, Herodes governava a Galileia, seu irmão Filipe governava a Itureia e a Traconítide. Lisânias governava a Abilena.2 Anás e Caifás eram os chefes dos sacerdotes. Foi nessa altura que Deus falou no deserto a João, filho de Zacarias.
3 João foi por todas as terras junto do rio Jordão e anunciava o batismo de arrependimento para perdão dos pecados.
4 Isto aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro: Uma voz clama no deserto: Preparem o caminho do Senhor e abram-lhe estradas direitas.
5 Todo o vale será aterrado, todo o monte e toda a colina serão aplanados. Os caminhos tortos serão endireitados e os pedregosos serão arranjados.
6 E toda a Humanidade verá a salvação de Deus .
7
João dizia às multidões que iam ter com ele para serem batizadas: «Que raça de víboras! Quem vos disse que podiam escapar ao castigo de Deus, que se aproxima?8 Mostrem pelas ações que estão verdadeiramente arrependidos, em vez de andarem a dizer: “Somos descendentes de Abraão.” Pois eu garanto-vos que Deus até destas pedras pode fazer descendentes de Abraão.
9 O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda a árvore que não der bons frutos será abatida e lançada no fogo.»
10
O povo perguntava a João Batista: «Que devemos então fazer?» E ele respondia:11 «O que tem duas túnicas deve dar uma a quem não tem nenhuma, e o que tiver comida, reparta-a com os outros.»
12
Também lá foram cobradores de impostos para serem batizados e perguntaram a João: «Mestre, que devemos nós fazer?»13 Ele respondeu: «Não cobrem mais do que está determinado.»
14 Houve também soldados que lhe perguntaram: «E nós, que devemos fazer?» «Não roubem a ninguém, usando a força ou fazendo falsas acusações, mas contentem-se com o que ganham», continuou a responder.
15
O povo estava na expectativa e cada um se interrogava a si próprio se João não era o Messias.16 Mas ele explicou a todos: «Eu batizo-vos em água, mas está a chegar quem tem mais autoridade do que eu, e a esse eu nem sequer mereço a honra de lhe desatar as correias das sandálias. Ele há de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo.
17 Tem nas mãos a pá para separar, na eira, o trigo da palha. Guardará o trigo no seu celeiro e queimará a palha numa fogueira que não se apaga.»
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Era com estas e outras exortações que João Batista anunciava ao povo a boa nova.19
Também repreendia o governador Herodes, por viver com Herodias, mulher do irmão, e por muitas outras coisas em que Herodes tinha procedido mal.20 Então Herodes acrescentou às suas culpas ainda mais esta: mandou prender João.
21
Toda a gente recebia o batismo e Jesus também foi batizado. Estava a orar quando o céu se abriu22 e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma visível, como uma pomba. E uma voz do céu disse: «Tu és o meu Filho querido. Tenho em ti a maior satisfação.»
23
Quando Jesus começou a sua atividade tinha cerca de trinta anos. Era filho de José, como se pensava, filho de Eli,24 filho de Matat, filho de Levi, filho de Malqui, filho de Janai, filho de José,
25 filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai,
26 filho de Maat, filho de Matatias, filho de Simei, filho de Josec, filho de Jodá,
27 filho de Joanan, filho de Ressa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri,
28 filho de Malqui, filho de Adi, filho de Cosam, filho de Elmadam, filho de Er,
29 filho de Jessua, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi,
30 filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonam, filho de Eliaquim,
31 filho de Melea, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Nachon, filho de David,
32 filho de Jessé, filho de Jobed, filho de Booz, filho de Salá, filho de Nachon,
33 filho de Aminadab, filho de Admin, filho de Arni, filho de Hesron, filho de Peres, filho de Judá,
34 filho de Jacob, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Tera, filho de Naor,
35 filho de Serug, filho de Reú, filho de Peleg, filho de Éber, filho de Chela,
36 filho de Quenan, filho de Arpaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec,
37 filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaliel, filho de Quenan,
38 filho de Enós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.
1
Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão. O Espírito conduziu-o para o deserto,2 onde esteve durante quarenta dias e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias, não comeu nada e quando chegou ao fim teve fome.
3 O Diabo disse-lhe então: «Se tu és o Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão.»
4 Mas Jesus respondeu: «A Sagrada Escritura diz: Não se vive só de pão .»
5
Então o Diabo levou-o para mais alto e mostrou-lhe num momento todos os países do mundo.6 Depois disse-lhe: «Posso dar-te todo este poder e a sua glória, porque tudo isto me foi entregue a mim e eu dou-o a quem eu quiser.
7 Tudo será teu, se me adorares.»
8 Mas Jesus respondeu-lhe: «A Escritura diz: Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto .»
9
Depois o Diabo conduziu Jesus a Jerusalém, levou-o ao ponto mais alto do templo e disse-lhe: «Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo,10 porque lá diz a Escritura: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito para te ampararem:
11 eles hão de levar-te nas mãos para evitar que magoes os pés contra as pedras .»
12
Jesus respondeu: «Mas a Escritura também diz: Não tentarás o Senhor teu Deus .»13
Após ter tentado Jesus de todas as maneiras, o Diabo afastou-se dele até um tempo determinado.14
Jesus voltou para a Galileia conduzido pelo Espírito Santo. A sua fama espalhou-se por toda aquela região.15 Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.
16
Foi em seguida para Nazaré, a terra onde se tinha criado. No sábado foi à sinagoga, como era seu costume, e pôs-se de pé para ler as Escrituras .17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Ele abriu-o e encontrou o lugar onde estava escrito assim:
18
«O Espírito do Senhor tomou posse de mim, por isso me escolheu para levar a boa nova aos pobres. Enviou-me para anunciar a libertação aos prisioneiros, para dar vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos19 e para proclamar o tempo favorável da parte do Senhor .»
20
Depois Jesus fechou o livro, devolveu-o ao encarregado e sentou-se. Ficaram todos com os olhos fixos nele.21 Jesus começou então a dizer-lhes: «Esta parte da Escritura que acabaram de ouvir cumpriu-se hoje mesmo.»
22 Todos testemunhavam dele e estavam admirados com as palavras da graça divina que saíam da sua boca. E perguntavam: «Este não é o filho de José?»
23
Jesus disse-lhes mais: «Certamente vão lembrar-me aquele provérbio que diz: “Médico, cura-te a ti mesmo.” Faz aqui na tua terra tudo o que fizeste em Cafarnaum, conforme nos contaram.»24 E acrescentou: «Digo-vos com toda a verdade que nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
25 Com certeza que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando deixou de chover durante três anos e seis meses, e houve muita fome em todo o país.
26 No entanto, Elias não foi enviado a nenhuma dessas viúvas, mas sim a uma que vivia em Sarepta, nos arredores de Sídon.
27 E havia muitas pessoas com lepra em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhuma delas foi curada a não ser Naaman que era da Síria.»
28
Ficaram todos muito zangados, na sinagoga, ao ouvirem Jesus dizer aquilo.29 Levantaram-se e puseram-no fora da cidade. Levaram-no então ao alto do monte, onde a cidade estava edificada, para o atirarem dali abaixo,
30 mas Jesus passou pelo meio deles e foi-se embora.
31
Foi então para Cafarnaum, na Galileia, e aí ensinava aos sábados.32 Os que o ouviam ficavam admirados com os seus ensinamentos, porque falava com autoridade.
33
Num desses sábados, estava na sinagoga um homem possuído dum espírito mau que, aos gritos, disse a Jesus:34 «Que temos nós a ver contigo, Jesus de Nazaré? Vieste aqui para nos destruir? Bem sei que tu és o Santo que Deus mandou!»
35 Jesus repreendeu-o: «Cala-te e sai desse homem.» O espírito mau deitou o homem ao chão diante de todos e saiu dele sem lhe fazer mal.
36 Toda a gente ficou pasmada e diziam uns aos outros: «Que significa isto? Ele dá ordens aos espíritos maus, com autoridade e poder, e eles obedecem-lhe!»
37 E a fama de Jesus espalhava-se por todos os lugares daquela região.
38
Jesus saiu da sinagoga e foi para casa de Simão Pedro. Como a sogra de Pedro estava de cama com muita febre, pediram por ela a Jesus.39 Ele inclinou-se para ela, mandou que a febre saísse e a febre passou-lhe. Ela levantou-se logo e começou a servi-los.
40
Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com vários padecimentos traziam-nos a Jesus. Ele punha as mãos sobre cada um e curava-os.41 Também de muitas pessoas saíam espíritos maus que diziam aos gritos: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Jesus repreendia-os e não os deixava falar, porque eles sabiam que ele era o Messias.
42
Mal rompeu o dia, Jesus saiu da cidade e foi para um lugar isolado. A multidão pôs-se à procura dele. Quando o encontraram, não o queriam deixar ir embora.43 Mas Jesus disse-lhes: «É preciso que eu vá anunciar a boa nova do reino de Deus também a outras povoações. Foi por isso que Deus me enviou.»
44 E pregava nas sinagogas da Judeia.
1
Um dia estava Jesus à beira do lago de Genesaré e a multidão apertava-o, porque queria ouvir a mensagem de Deus.2 Ele viu dois barcos parados junto à praia. Os pescadores tinham saído e estavam a lavar as redes.
3 Jesus entrou numa das embarcações, que era de Simão Pedro, e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra. Sentou-se e do barco ensinava a multidão.
4
Quando acabou de falar disse a Simão: «Leva o barco para a parte mais funda do lago, com os teus companheiros, e lança as redes.»5 Simão respondeu-lhe: «Mestre, andámos toda a noite à pesca e não apanhámos nada; mas já que tu o dizes, vou lançar as redes.»
6 Deitaram as redes à água e apanharam tanto peixe que elas ficaram quase a rebentar.
7 Fizeram então sinais aos companheiros que estavam no outro barco para os irem ajudar. Eles foram e encheram os dois barcos com tanto peixe que quase se afundavam.
8 Quando Simão Pedro viu aquilo, ajoelhou-se aos pés de Jesus e disse: «Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um pecador.»
9 Tanto Simão como os que estavam com ele ficaram pasmados com a enorme quantidade de peixe que tinham apanhado.
10 O mesmo aconteceu com os companheiros de Simão que se chamavam Tiago e João, filhos de Zebedeu. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo! Daqui em diante serás pescador de homens.»
11 Eles puxaram então os barcos para terra, deixaram tudo e foram com Jesus.
12
Uma vez estava Jesus numa certa povoação onde havia um homem cheio de lepra. Mal viu Jesus, inclinou-se até ao chão e pediu-lhe: «Senhor, se tu quiseres podes curar-me.»13 Jesus tocou-lhe e disse: «Quero sim! Fica curado.» E ao dizer isto a lepra deixou-o.
14 Mas Jesus deu-lhe ordem para não contar a ninguém o que se tinha passado e acrescentou: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece a Deus, pela tua cura, o sacrifício que Moisés mandou para lhes servir de prova.»
15 Entretanto, a fama de Jesus espalhava-se cada vez mais, de modo que muitas pessoas iam para o ouvir e para serem curadas das suas doenças.
16 Mas Jesus procurava lugares isolados, onde ficava em oração.
17
Jesus estava um dia a ensinar e entre os ouvintes estavam sentados alguns fariseus e doutores da lei que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, bem como de Jerusalém. O poder de Deus estava com Jesus para curar os doentes.18 Nisto, chegaram ali uns homens que transportavam um paralítico numa enxerga. Tentaram passar com ele e colocá-lo diante de Jesus,
19 mas não conseguiram por causa da multidão. Subiram então ao telhado e desceram a enxerga com o paralítico por entre as telhas, até ficar no meio de todos, em frente de Jesus.
20 Quando ele viu a fé daqueles homens disse ao doente: «Amigo, os teus pecados estão perdoados!»
21 Mas os doutores da lei e os fariseus começaram a dizer para consigo: «Quem é este homem que ofende Deus desta maneira? Só Deus é que pode perdoar pecados!»
22 Porém Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, disse-lhes: «Que é que estão a pensar lá no íntimo?
23 Que será mais fácil? Dizer a este paralítico: “os teus pecados estão perdoados”, ou dizer-lhe: “levanta-te e anda?”
24 Para que saibam que o Filho do Homem tem poder na Terra para perdoar pecados», voltando-se para o paralítico disse-lhe: «Sou eu quem te diz: levanta-te, pega na tua enxerga e vai para casa.»
25 Ele levantou-se imediatamente, à vista de todos, pegou na enxerga em que estava deitado e foi para casa dando glória a Deus.
26 Ficaram tão maravilhados que davam louvores a Deus e diziam cheios de espanto: «O que vimos hoje é extraordinário!»
27
Mais tarde, Jesus saiu e viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado no posto de cobrança. «Segue-me», disse-lhe.28 Levi deixou tudo, levantou-se e foi com Jesus.
29 Posteriormente deu em sua casa um grande banquete em honra de Jesus, em que tomaram parte muitos cobradores de impostos e outras pessoas.
30 Os fariseus e os doutores da lei puseram-se então a criticar os discípulos de Jesus e perguntaram-lhes: «Por que é que comem e bebem com os cobradores de impostos e pecadores?»
31 Jesus então respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
32 Eu não vim para chamar os justos, mas sim os pecadores para que se arrependam.»
33
Fizeram-lhe ainda outra pergunta: «Por que é que os discípulos de João Batista e dos fariseus jejuam tantas vezes, e fazem orações, e os teus discípulos comem e bebem?»34 Jesus respondeu com outra pergunta: «Poderão obrigar os convidados duma boda a jejuar enquanto o noivo estiver com eles?
35 Lá virá o tempo em que hão de jejuar, quando o noivo lhes for tirado.»
36 Jesus apresentou-lhes depois a seguinte parábola: «Ninguém corta um bocado de roupa nova para o coser em roupa velha; se fizer isso, estraga a roupa nova e o remendo não vai ficar bem na roupa velha.
37 E ninguém deita vinho novo em vasilhas velhas, porque o vinho rebenta-as perdendo-se desse modo o vinho e as vasilhas.
38 Portanto, o vinho novo deve ser metido em vasilhas novas.
39 E ninguém deseja beber vinho novo depois de ter bebido do velho, pois acha que o velho é melhor.»
1
Num sábado, Jesus e os discípulos passavam por uma seara. Os discípulos iam arrancando espigas que debulhavam com as mãos e comiam.2 Então uns fariseus perguntaram: «Por que é que fazem ao sábado aquilo que a lei não permite?»
3 Jesus lembrou-lhes: «Nunca leram o que David fez um dia quando ele e os seus homens tiveram fome?
4 Entrou na casa de Deus, pegou nos pães consagrados, comeu deles e deu também aos companheiros . Ora só os sacerdotes é que podiam comer esses pães.»
5 E acrescentou: «O Filho do Homem tem autoridade sobre o próprio sábado.»
6
Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar. Estava lá um homem com a mão direita paralisada.7 Então os doutores da lei e os fariseus observavam Jesus para verem se o curava, sendo sábado, pois queriam achar uma razão para o acusarem.
8 Mas como Jesus sabia muito bem o que eles pensavam, disse ao homem: «Levanta-te e vem aqui para o meio.» Ele levantou-se e ficou de pé.
9 Depois Jesus dirigiu-se aos outros: «Vou fazer-vos uma pergunta: a lei permite fazer bem ao sábado ou fazer mal? Salvar a vida a uma pessoa ou deixar que se perca?»
10 E olhando para todos à sua volta, disse ao homem: «Estende a mão.» Ele estendeu-a e a mão ficou sã.
11 Eles ficaram furiosos e combinavam uns com os outros o que haviam de fazer contra Jesus.
12
Por essa altura, Jesus subiu a um monte para orar e passou lá a noite em oração a Deus.13 Quando já era dia, reuniu os discípulos e escolheu doze, a quem chamou apóstolos. Eram eles:
14 Simão, ao qual deu o nome de Pedro; André, irmão de Pedro; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,
15 Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, do partido dos Nacionalistas;
16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que atraiçoou Jesus.
17
Jesus desceu com eles o monte e chegou a um lugar plano com muitos dos que o seguiam. Estava ali uma grande multidão vinda de toda a Judeia e de Jerusalém, e das cidades costeiras de Tiro e Sídon.18 Tinham vindo para ouvir Jesus e para ser curados dos seus males. E os possuídos de espíritos maus foram igualmente curados.
19 Toda a multidão tentava tocar Jesus, porque dele saía poder que sarava os que lhe tocavam.
20
Jesus olhou para os seus discípulos e disse-lhes: «Felizes os pobres,21
Felizes os que agora têm fome,
porque serão satisfeitos.
Felizes os que agora choram,
porque hão de rir.
22
Felizes serão quando as pessoas vos odiarem, rejeitarem, insultarem e difamarem por serem seguidores do Filho do Homem.23 Alegrem-se quando isso acontecer, saltem de contentamento, porque no céu serão largamente recompensados. Foi assim que os antepassados dessa gente maltrataram também os profetas.
24
Mas ai dos ricos,
porque já vos foi dada a recompensa.
25
Ai dos que agora estão fartos,
porque irão passar fome.
Ai dos que agora se riem,
pois vão ter muito que lamentar e chorar.
26
Ai, quando toda a gente vos elogiar, porque era assim que os vossos antepassados tratavam os falsos profetas.»27
«Digo a todos os que me estão a ouvir: amem os vossos inimigos e façam bem a quem vos odeia.28 Abençoem quem vos amaldiçoa e orem por aqueles que vos tratam mal.
29 Ao que te bater num lado da cara, deixa-o bater também no outro. Ao que te tirar o manto, não o impeças de levar a túnica.
30 Dá a quem te pedir, e se alguém levar o que é teu, não tornes a pedi-lo.
31
Façam aos outros como desejam que os outros vos façam.32
Se amarem apenas aqueles que vos amam, que recompensa poderão esperar de Deus? Até os pecadores têm amor àqueles que os amam.33 Se fizerem bem somente aos que vos fazem bem, que recompensa poderão esperar? Até os pecadores procedem assim.
34 Se emprestarem apenas àqueles de quem esperam tornar a receber, que recompensa poderão esperar? Até os pecadores emprestam uns aos outros para tornarem a receber.
35 Vocês, pelo contrário, tenham amor aos vossos inimigos, façam-lhes bem, e emprestem sem nada esperar em troca. Assim, receberão grande recompensa e serão filhos do Deus altíssimo, porque ele é bom até para as pessoas ingratas e más.
36 Sejam misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.»
37
«Não julguem e não serão julgados. Não condenem e não serão condenados. Perdoem e serão perdoados.38 Deem e ser-vos-á dado. Uma boa medida, calcada, batida e transbordante vos será colocada no regaço. Pois a medida que usarem para os outros será usada também para convosco.»
39
Jesus apresentou-lhes depois esta parábola: «Pode um cego guiar outro cego? Não irão cair os dois nalgum buraco?40 Nenhum discípulo está acima do seu mestre, mas todo o discípulo bem ensinado será como o mestre.
41 Por que é que tu reparas no cisco que está na vista do teu semelhante e não vês a trave que está nos teus próprios olhos?
42 Como podes tu dizer ao teu semelhante: “Anda cá, deixa-me tirar-te isso”, se não consegues ver aquilo que tens nos teus olhos? Fingido! Tira primeiro a trave que está nos teus olhos e depois já vês melhor para tirares o cisco da vista do teu semelhante.»
43
«Não há nenhuma árvore boa que dê frutos ruins nem árvore ruim que dê frutos bons.44 Qualquer árvore se reconhece pelos seus frutos. Não se colhem figos dos espinheiros nem uvas das silvas.
45 Quem é bom diz coisas boas, porque tem um tesouro de bondade no seu coração, mas quem é mau diz coisas más, porque o seu coração está cheio de maldade. Cada qual fala daquilo que transborda do seu coração.»
46
«Por que é que estão sempre a chamar-me: “Senhor! Senhor!” e não fazem o que eu digo?47 Sabem com quem eu comparo todo aquele que vem ter comigo para ouvir as minhas palavras e as põe em prática?
48 Com o homem que construiu uma casa escavando bem fundo para assentar os alicerces na rocha. Veio uma cheia, a água bateu com força contra a casa, mas não a abalou porque estava assente na rocha.
49 Mas todo aquele que ouve o que eu digo e não o pratica pode comparar-se ao homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerces. Quando a corrente embateu contra ela, caiu logo e ficou completamente destruída.»
1
Quando Jesus acabou de dizer aquelas coisas ao povo, entrou em Cafarnaum.2 Havia ali um oficial do exército romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, quase a morrer.
3 Quando o oficial ouviu falar de Jesus, mandou ir ter com ele alguns anciãos dos judeus para lhe pedirem que fosse curar o seu criado.
4 Ao chegarem junto de Jesus, pediram-lhe com insistência que lá fosse e diziam: «Este oficial merece que lhe faças isso,
5 porque estima o nosso povo e foi ele quem mandou construir a nossa sinagoga.»
6 Então Jesus foi com eles, mas quando já estava perto da casa o oficial mandou uns amigos ao encontro de Jesus para lhe dizerem: «Senhor, não te incomodes que eu não mereço que entres em minha casa.
7 Foi por isso que não me julguei digno de ir ter contigo pessoalmente. Basta que digas uma palavra e o meu empregado ficará curado.
8 Também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados a quem dou ordens. Digo a um que vá, e ele vai. Digo a outro que venha, e ele vem. E digo ao meu empregado: “Faz isto”, e ele faz.»
9 Ao ouvir estas coisas, Jesus sentiu admiração por aquele homem. Voltou-se para a multidão que ia atrás dele e disse: «Fiquem sabendo que ainda não encontrei tamanha fé, nem mesmo entre o povo de Israel.»
10 E quando os enviados do oficial romano chegaram a casa dele viram que o doente já estava curado.
11
Depois disto, Jesus foi a uma cidade chamada Naim. Iam com ele os seus discípulos e uma grande multidão.12 Quando estava à porta da cidade viu que passava um funeral. O morto era filho único de uma viúva. Ia muita gente com ela no funeral.
13 Ao ver a viúva, o Senhor teve pena dela e disse-lhe: «Não chores.»
14 E aproximando-se tocou no caixão. Os homens que o levavam pararam. Jesus disse então: «Rapaz, sou eu quem te diz: levanta-te!»
15 Nisto, o rapaz sentou-se e pôs-se a falar. Jesus entregou-o à mãe.
16 Ficaram todos muito impressionados e davam glória a Deus dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós! Deus veio visitar o seu povo!»
17 E por toda a Judeia e regiões vizinhas correu a fama do que Jesus tinha feito.
18
Os discípulos de João Batista foram contar-lhe tudo.19 Ele chamou então dois deles e mandou-os ir ter com o Senhor para lhe perguntarem: «És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?»
20 Quando chegaram junto de Jesus disseram-lhe: «João Batista mandou-nos cá para te perguntarmos se tu és aquele que está para vir ou se devemos esperar outro.»
21 Naquele momento curou Jesus muitos doentes de vários males e enfermidades, possessos de espíritos maus e deu a muitos cegos a graça de poder ver.
22 Então Jesus respondeu aos enviados: «Vão contar a João isto que agora viram e ouviram: que os cegos veem, os coxos andam, os que têm lepra são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e os pobres são evangelizados.
23 Feliz daquele que não se escandalizar em mim.»
24
Quando os enviados de João se foram embora, Jesus pôs-se a falar dele ao povo: «Que é que foram ver ao deserto? Uma cana abanada pelo vento?25 Que é que lá foram ver? Um homem de roupas finas? Os que andam vestidos de luxo e vivem na opulência encontram-se nos palácios reais.
26 Mas afinal o que é que foram ver? Um profeta? Sim, e digo-lhes ainda: ele é mais do que um profeta,
27 pois é aquele de quem as Escrituras dizem: Enviarei o meu mensageiro à tua frente para te preparar o caminho .
28
E fiquem a saber que entre os homens não há ninguém maior do que João Batista. No entanto, o mais pequeno no reino de Deus é maior do que ele.»29
Todas as pessoas que o ouviram, incluindo os cobradores de impostos, sabiam que cumpriram a justiça de Deus sendo batizados com o Batismo de João.30 Mas os fariseus e os doutores da lei desprezaram a vontade de Deus para com eles por não terem querido ser batizados.
31
Disse ainda: «Com quem hei de comparar as pessoas desta época? Com quem se parecem elas?32 Com as crianças que andam a brincar na praça pública e gritam umas para as outras: “Tocámos flauta e não dançaram,
cantámos lamentações e não choraram.”
33
No entanto, apareceu João Batista, que não come pão e não bebe vinho, e dizem: “tem Demónio.”34 Veio depois o filho do Filho do Homem, que come e bebe, e dizem dele: “Olhem para este homem! Come bem e bebe melhor, e é amigo de cobradores de impostos e pecadores.”
35
Mas a justiça da sabedoria de Deus foi confirmada por todos os seus filhos.»36
Um dia, um fariseu convidou Jesus para comer em sua casa. Jesus foi e sentou-se à mesa.37 Então uma mulher pecadora, que havia naquela terra, ao saber que Jesus estava à mesa em casa do fariseu, foi lá com um frasco de alabastro cheio de perfume puro.
38 Pôs-se atrás, aos pés de Jesus, a chorar. Com as lágrimas começou a molhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, beijava-os e deitava-lhes perfume.
39 Quando o fariseu viu aquilo, disse para consigo: «Se este homem fosse um profeta devia saber que espécie de mulher é esta que lhe está a tocar nos pés, pois é uma pecadora.»
40 Então Jesus dirigiu-se assim ao fariseu: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te.» E ele retorquiu: «Diz lá, Mestre.»
41 Jesus prosseguiu: «Havia dois homens que deviam dinheiro a outro: um devia-lhe quinhentas moedas de prata, e o outro cinquenta.
42 Nenhum dos dois tinha possibilidades de pagar a dívida, por isso ele perdoou a ambos. Qual deles ficará com mais amor ao credor?»
43 Simão respondeu: «Julgo que será aquele a quem mais perdoou.» Jesus acrescentou: «Julgaste muito bem.»
44 E apontando para a mulher disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés, mas ela lavou-mos com lágrimas e enxugou-os com os cabelos.
45 Não me recebeste com um beijo, mas ela, desde que entrou, não deixou de me beijar os pés.
46 Não me deste óleo perfumado para a cabeça, mas ela deitou-me perfume nos pés.
47 Digo-te que os seus muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou. A quem pouco se perdoa, pouco amor mostra.»
48 Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.»
49 Os convidados puseram-se a comentar assim: «Quem será este que até perdoa pecados?»
50
Jesus continuou para a mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»1
Jesus ia passando por cidades e aldeias a proclamar o evangelho do reino de Deus e os Doze andavam com ele.2 Acompanhavam-no também algumas mulheres que ele tinha curado de espíritos maus e de doenças; entre elas, Maria Madalena, de quem tinha expulsado demónios,
3 Joana, mulher de Cuza, oficial da corte de Herodes, Susana e muitas outras que com os seus bens ajudavam Jesus e os discípulos.
4
Muita gente vinda de toda a parte continuava a procurar Jesus. Quando já havia uma multidão à sua volta, falou-lhes usando esta parábola:5 «Andava uma vez um homem a semear. Quando lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho, foi pisada e os pássaros comeram-na toda.
6 Outra caiu em terreno pedregoso e, mal rompeu, secou por não haver humidade.
7 Outra caiu entre espinhos e estes, ao crescerem, abafaram-na.
8 Mas uma outra parte da semente caiu em boa terra, desenvolveu-se e produziu fruto à razão de cem grãos por semente.» E por fim, erguendo a voz, exclamou: «Quem tem ouvidos, preste atenção!»
9
Os discípulos perguntaram a Jesus o que queria dizer com aquela parábola.10 Ele explicou-lhes: «É-vos dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros serão apresentadas parábolas para que olhem mas não vejam, e oiçam mas não entendam .»
11
«O significado da parábola é este: A semente é a palavra de Deus.12 A que caiu junto do caminho representa as pessoas que escutam; mas vem o Diabo e tira-lhes a palavra do seu coração, para que não creiam e não sejam salvas.
13 A semente que caiu em cima de pedras são aquelas pessoas que ouvem a palavra e a recebem com muita alegria. Mas como não ganham raízes, creem por algum tempo e desistem quando chegam as tentações.
14 A que caiu entre os espinhos significa as pessoas que ouvem, mas acabam por se deixar sufocar pelas preocupações da vida, pelas riquezas e pelos prazeres, de modo que nunca chegam a dar fruto.
15 E a semente que caiu em boa terra representa as pessoas que ouvem a palavra, com um coração bom e honesto, conservam-na com firmeza e dão fruto com perseverança.»
16
«Não há ninguém que acenda um candeeiro para o tapar com uma caixa ou para o colocar debaixo da cama. Põe-se antes num lugar em que alumie bem os que entram.17 Por isso não há nada que esteja escondido que não venha a descobrir-se: tudo o que é segredo virá sempre a ser conhecido e posto a claro.
18 Oiçam bem o que eu vos digo: ao que tem, ser-lhe-á dado. E a quem não tem, até o que julga ter lhe será tirado.»
19
A mãe e os irmãos de Jesus foram ter com ele, mas não conseguiram aproximar-se por causa da multidão.20 Entretanto, alguém lhe disse: «Olha que a tua mãe e os teus irmãos estão lá fora à tua procura.»
21 Mas Jesus respondeu: «A minha mãe e os meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.»
22
Certo dia, entrou Jesus num barco com os discípulos e disse-lhes: «Vamos para a outra banda do lago .»23 Ora durante a travessia, Jesus adormeceu. Nisto, formou-se uma tempestade no lago, e entrava tanta água no barco, que já estavam em perigo de se afundar.
24 Os discípulos acordaram Jesus e disseram-lhe: «Mestre, Mestre, estamos perdidos!» Ele levantou-se, deu ordem ao vento e às ondas; o vento parou e as ondas amansaram.
25 Depois dirigiu-se aos discípulos: «Onde está a vossa fé?» Eles porém tremiam de medo e diziam uns para os outros, muito admirados: «Mas quem é este que até o vento e as ondas lhe obedecem!»
26
Navegaram seguidamente para o território de Gerasa, que fica do outro lado do lago em frente da Galileia.27 Quando Jesus saiu do barco, foi ter com ele um homem daquela terra que estava possesso de espíritos maus. Há muito tempo que não se vestia e não vivia em casa, mas nos sepulcros.
28 Quando viu Jesus, caiu por terra gritando diante dele e disse em alta voz: «Que tenho eu a ver contigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Peço-te que não me atormentes!»
29 Ele disse isto porque Jesus dava ordens ao espírito mau para que saísse dele. Já muitas vezes o espírito mau se tinha apoderado dele. Prendiam-no com cadeias e correntes, mas ele rebentava tudo e era levado pelo espírito mau para lugares desertos.
30 Jesus perguntou-lhe: «Qual é o teu nome?» Ele respondeu: «Chamo-me Legião.» Isto, porque estava possuído por muitos espíritos maus.
31 E os demónios pediam a Jesus que não os mandasse para o abismo.
32
Ora andava a pastar ali no monte uma grande quantidade de porcos. Os demónios pediram a Jesus que os deixasse entrar nos porcos e Jesus consentiu.33 Os demónios saíram então do homem e entraram nos porcos que se puseram a correr pelo monte abaixo até ao lago e lá se afogaram.
34
Os guardadores dos porcos, quando viram aquilo, fugiram e foram à cidade e aos arredores contar o que se tinha passado.35 Foi lá muita gente para ver o que tinha acontecido. Aproximaram-se de Jesus e encontraram o homem, de quem tinham saído os espíritos maus, sentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo. Ao verem isso, ficaram impressionados.
36 Então os que tinham presenciado tudo contaram aos outros como é que o homem tinha sido curado.
37 Toda a gente do território de Gerasa pediu a Jesus que se fosse embora dali, porque estavam cheios de medo. Jesus voltou para o barco e, quando ia a partir,
38 o homem que tinha sido libertado dos demónios pedia-lhe que o deixasse ir com ele. Mas Jesus mandou-o embora e disse-lhe:
39 «Volta para tua casa e conta aquilo que Deus te fez.» O homem foi então por toda a cidade contar o que Jesus lhe fizera.
40
Quando Jesus voltou, foi recebido pela multidão que estava à sua espera.41 Nessa altura aproximou-se dele um homem, chamado Jairo, que era dirigente da sinagoga. Ajoelhou-se aos pés de Jesus e insistia para que fosse a sua casa,
42 porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos de idade, que estava à morte.
Enquanto iam a caminho, a multidão apertava Jesus de todos os lados.43 Ia lá também uma mulher que havia já doze anos sofria duma doença que a fazia perder sangue. Tinha gasto com os médicos tudo quanto possuía, mas ninguém a pôde curar.
44 Ela foi por detrás de Jesus, tocou-lhe na ponta do manto e ficou logo curada da doença.
45 Jesus então perguntou: «Quem foi que me tocou?» Todos negaram. E Pedro disse: «Mestre, é a multidão que te aperta e empurra de todos os lados!»
46 Mas Jesus repetiu: «Houve alguém que me tocou. Eu bem senti que saiu de mim poder.»
47 Então a mulher, vendo que não podia passar despercebida, aproximou-se de Jesus, toda a tremer, ajoelhou-se-lhe aos pés e confessou diante de toda a gente a razão por que tocara em Jesus e como tinha ficado curada imediatamente.
48 Jesus então disse-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou. Vai em paz.»
49
Ainda Jesus não tinha acabado de falar quando chegou alguém da casa de Jairo a dizer: «A tua filha já morreu. Não incomodes mais o Mestre.»50 Assim que Jesus ouviu a notícia, disse a Jairo: «Não tenhas medo! Basta que tenhas fé e a tua filha há de viver.»
51 Entrou em casa de Jairo, mas não deixou ninguém ir com ele, a não ser Pedro, Tiago e João e os pais da menina.
52 Toda a gente chorava com pena dela, mas Jesus disse: «Não chorem que a menina não está morta, está a dormir.»
53 Puseram-se todos a fazer troça dele, pois sabiam que ela estava morta.
54 E então Jesus pegou na mão da menina e ordenou: «Menina, levanta-te!»
55 Ela voltou a viver e levantou-se imediatamente. Jesus mandou que lhe dessem de comer.
56 Os pais da menina ficaram maravilhados, mas Jesus mandou que não contassem nada a ninguém.
1
Jesus reuniu os apóstolos e deu-lhes poder e autoridade para expulsarem espíritos maus e curarem doenças.2 Mandou-os também anunciar o reino de Deus e curar doentes.
3 Mas recomendou-lhes: «Não levem nada para o caminho: nem cajado, nem saco, nem pão, nem dinheiro, nem muda de roupa.
4 Quando entrarem numa casa, fiquem lá até deixarem a povoação.
5 Se nalguma terra as pessoas não vos quiserem receber, quando saírem de lá sacudam o pó dos pés, como testemunho contra essa gente.»
6 Os discípulos então partiram e foram de terra em terra, anunciando a boa nova e curando doentes por toda a parte.
7
Herodes, o governador da Galileia, teve conhecimento de tudo o que se estava a passar e ficou muito confuso, porque havia quem dissesse que era João Batista que ressuscitara.8 Outros diziam que era Elias que tinha aparecido, e outros afirmavam que era um dos profetas antigos que tinha ressuscitado.
9 Mas Herodes exclamou: «A João Batista mandei eu cortar a cabeça. Quem será então este de quem me vêm contar estas coisas?» E procurava ver Jesus.
10
Quando os apóstolos voltaram, contaram a Jesus tudo o que tinham feito. Ele então retirou-se só com eles para uma povoação chamada Betsaida.11 Mas assim que a multidão deu por isso foi logo atrás de Jesus. Ele recebeu-a, falou do reino de Deus e curou os doentes.
12
Ao declinar do dia, os Doze foram ter com Jesus e disseram-lhe: «Manda embora a multidão, para irem pelos campos e aldeias das redondezas arranjar onde descansar e comer, porque estamos num lugar deserto.»13 Jesus retorquiu: «Deem-lhes de comer.» Mas eles disseram: «Só temos aqui cinco pães e dois peixes. A não ser que vamos comprar comida para esta gente toda!»
14 É que estavam lá uns cinco mil homens. Jesus ordenou aos discípulos: «Mandem sentar o povo em grupos de cinquenta.»
15 Eles assim fizeram e acomodaram toda a gente.
16 Jesus pegou nos cinco pães e nos dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os e partiu-os. Depois entregou-os aos discípulos para os distribuírem pela multidão.
17 Todos comeram até ficarem satisfeitos e ainda se recolheram doze cestos dos pedaços que sobejaram.
18
Um dia, quando Jesus estava a orar sozinho, os discípulos aproximaram-se. Então perguntou-lhes: «Quem diz o povo que eu sou?»19 E eles responderam: «Uns dizem que és João Batista, outros que és Elias e outros ainda que és um dos profetas antigos que ressuscitou.»
20 Jesus acrescentou: «E quem acham vocês que eu sou?» Pedro afirmou logo: «Tu és o Messias enviado por Deus.»
21
Jesus deu-lhes ordem para não contarem aquilo a ninguém22 e acrescentou: «É preciso que o Filho do Homem sofra muito e seja rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos doutores da lei, para ser morto e ao terceiro dia ressuscitar.»
23
Depois disse a todos: «Se alguém me quiser acompanhar negue-se a si próprio, carregue com a sua cruz todos os dias e siga-me.24 Pois todo o que quiser salvar a sua vida perde-a, mas aquele que perder a vida, por causa de mim, salva-a.
25 Que aproveita a alguém ganhar o mundo inteiro, se acabar por perder-se ou destruir-se?
26 Se alguém tiver vergonha de mim e do que eu ensino, também o Filho do Homem terá vergonha dessa pessoa, quando vier na sua glória e na glória de seu Pai e dos santos anjos.
27 Lembrem-se do que vos digo: há aqui algumas pessoas que não hão de morrer sem verem chegar o reino de Deus.»
28
Cerca de uma semana após ter dito estas palavras, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago e subiu a um monte para orar.29 Quando estava em oração, o seu aspeto transformou-se e a sua roupa ficou de um branco muito brilhante.
30 Nisto, dois homens puseram-se a falar com ele. Eram Moisés e Elias,
31 rodeados duma luz celestial, a falar da sua morte que ia cumprir-se em Jerusalém.
32 Pedro e os companheiros estavam a cair de sono, mas quando acordaram viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
33 Quando aqueles homens se iam a retirar, Pedro, sem saber bem o que estava a dizer, exclamou: «Mestre, é tão bom estarmos aqui! Vamos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.»
34 Enquanto dizia estas coisas, uma nuvem envolveu-os na sua sombra e os discípulos ficaram atemorizados quando a nuvem os envolveu.
35 Saiu então da nuvem uma voz que dizia: «Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutem o que ele diz.»
36 Quando se ouviu aquela voz, Jesus já estava sozinho. Os discípulos calaram-se e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.
37
No dia seguinte, quando desciam do monte, veio uma grande multidão ao encontro de Jesus.38 Então um homem do meio da multidão clamou para Jesus: «Mestre, peço-te que olhes para o meu filho que é o único que tenho.
39 Há um espírito mau que toma posse dele e de repente o faz gritar e o sacode com violência até o fazer deitar espuma pela boca. Não o larga enquanto não o deixa completamente arrasado.
40 Pedi muito aos teus discípulos para expulsarem o espírito mau, mas eles não conseguiram.»
41 Jesus disse então ao povo: «Oh gente incrédula e sem rumo! Até quando estarei convosco e terei de vos suportar?» Depois disse ao pai do rapaz: «Traz-me cá o teu filho.»
42 Quando o rapaz se aproximava de Jesus, o espírito mau atirou-o ao chão com um ataque. Jesus repreendeu o espírito mau, curou o rapaz e entregou-o ao pai.
43 E todos ficaram impressionados com a grandeza de Deus.
Toda a gente andava maravilhada com aquilo que Jesus fazia. Então ele disse aos discípulos:44 «Oiçam bem o que vou dizer-vos: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens.»
45 Mas não compreendiam esta linguagem. Era-lhes velada para que a não percebessem ; e tinham receio de fazer perguntas sobre este assunto.
46
Certa vez estavam os discípulos a discutir sobre qual deles seria o mais importante.47 Jesus percebeu as ideias deles; e pegando num menino, colocou-o junto de si
48 e disse: «Todo aquele que receber esta criança, em meu nome, é a mim que recebe. E quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Aquele que for o mais humilde, esse é que é o maior.»
49
João disse a Jesus: «Mestre, vimos um homem a expulsar espíritos maus em teu nome e proibimo-lo, porque não é dos nossos.»50 Mas Jesus corrigiu-os: «Não proíbam isso, porque quem não é contra nós é um dos nossos.»
51
Como já estava a chegar a altura em que havia de ser levado deste mundo, Jesus tomou a decisão de ir a Jerusalém.52 Mandou à frente alguns mensageiros e eles foram a uma aldeia dos samaritanos para prepararem a chegada de Jesus.
53 Mas como os da aldeia perceberam que ele ia para Jerusalém, não o receberam.
54 Então os discípulos Tiago e João, ao verem aquilo, disseram: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os destruir ?»
55 Mas Jesus voltou-se para eles e repreendeu-os .
56 E foram para outra aldeia.
57
Quando iam a caminho, houve alguém que disse a Jesus: «Irei contigo para onde quer que fores.»58 Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm tocas e as aves têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde encostar a cabeça.»
59 Depois disse a outro: «Segue-me.» Mas ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro fazer o funeral ao meu pai.»
60 Jesus replicou: «Deixa os mortos enterrar os seus mortos, mas tu vai anunciar o reino de Deus.»
61 Houve outro que lhe disse: «Senhor, quero seguir-te, mas primeiro deixa-me ir despedir da família.»
62 Jesus declarou: «Todo aquele que pega na charrua e olha para trás não serve para o reino de Deus.»
1
Depois disto, o Senhor escolheu setenta e dois outros discípulos e mandou-os adiante dele, dois a dois, a todas as povoações e lugares aonde ele havia de ir.2 E disse-lhes: «Há uma colheita abundante, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da seara que mande mais trabalhadores para fazer a colheita.
3 Vão, mas reparem que vos mando como cordeiros para o meio de lobos.
4 Não levem bolsa nem saco nem sandálias, e não parem a cumprimentar ninguém pelo caminho.
5 Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: “Haja paz nesta casa.”
6 Se lá houver pessoas de paz, a saudação ficará com elas; se não houver, ficará convosco.
7 Não andem de casa em casa. Fiquem numa só casa e comam e bebam do que vos oferecerem, pois todo o trabalhador merece o seu salário.
8 Quando chegarem a uma povoação que vos receba, comam do que vos servirem.
9 Curem todos os doentes que lá houver e digam ao povo: “O reino de Deus está a chegar.”
10 Mas em qualquer povoação onde entrarem e não vos quiserem receber, vão pelas ruas e digam:
11 “Até o pó desta povoação, que se nos pegou aos pés, nós sacudimos como protesto.” Mas fiquem a saber que está a chegar o reino de Deus.»
12
Jesus disse ainda: «Afirmo-vos que, no dia do juízo, os habitantes da cidade de Sodoma serão tratados com menos dureza do que essa gente.»13
«Ai de ti, Corazin! Ai de ti, Betsaida! Se os milagres que em ti se fizeram tivessem sido feitos nas cidades de Tiro e Sídon, há muito tempo que os seus habitantes se teriam arrependido dos seus pecados, vestindo-se de luto e com cinza na cabeça.14 Portanto, no dia do juízo, os habitantes de Tiro e Sídon serão tratados com menos dureza.
15 E tu, Cafarnaum, querias elevar-te até ao céu? Serás rebaixada até ao inferno!»
16
E continuou dirigindo-se aos discípulos: «Quem vos escutar é a mim que escuta; quem vos rejeitar, rejeita-me também a mim. E quem me rejeitar, rejeitará aquele que me enviou.»17
Os setenta e dois discípulos voltaram muito contentes e diziam: «Senhor, até os espíritos maus nos obedecem quando lhes falamos em teu nome.»18 Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás a cair do céu como um raio.
19 Escutem! Eu dei-vos poder para pisarem cobras e escorpiões e vencerem a força do inimigo, sem que vos aconteça mal.
20 Mas não se alegrem só porque os espíritos maus vos obedecem. Alegrem-se antes por terem os vossos nomes escritos no Céu.»
21
Naquele momento, Jesus cheio de alegria por ação do Espírito Santo , disse: «Agradeço-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque revelaste aos simples as coisas que tinhas escondido aos sábios e entendidos. Sim, Pai, pois foi essa a tua vontade.22 Meu Pai entregou-me tudo. Ninguém sabe quem é o Filho senão o Pai, e ninguém sabe quem é o Pai senão o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar.»
23
Virou-se de novo para os discípulos e disse-lhes em particular: «Que felicidade a vossa por verem as coisas que veem!24 Digo-vos que muitos profetas e reis gostariam de ter visto o mesmo, mas não puderam; e de ter ouvido o que estão a ouvir, mas não ouviram.»
25
Um certo doutor da lei, que queria experimentar Jesus, levantou-se e fez-lhe esta pergunta: «Mestre, que devo eu fazer para ter direito à vida eterna?»26 «Que diz a Escritura acerca disso?», respondeu-lhe. «Como é que a entendes?»
27 E ele disse: «Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a alma, com todas as forças e com todo o entendimento. E ama o teu próximo como a ti mesmo .»
28 Jesus comentou: «Respondeste bem. Faz isso e alcançarás a vida.»
29 Mas o doutor da lei, querendo justificar-se, tornou a perguntar: «E quem é o meu próximo?»
30 Então Jesus contou o seguinte: «Ia um homem a descer de Jerusalém para Jericó. Caíram sobre ele uns ladrões que lhe roubaram roupa e tudo, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o quase morto.
31 Por casualidade, descia um sacerdote por aquele caminho. Quando viu o homem passou pelo outro lado.
32 Também por lá passou igualmente um levita que, ao vê-lo, se desviou.
33 Entretanto, um samaritano que ia de viagem passou junto dele e, ao vê-lo, sentiu compaixão.
34 Aproximou-se, tratou-lhe os ferimentos com azeite e vinho e pôs-lhe ligaduras. Depois colocou-o em cima do seu jumento, levou-o para uma pensão e tratou dele.
35 No outro dia, deu duas moedas de prata ao dono da pensão e mandou-lhe: “Cuida deste homem, e quando eu voltar pago-te tudo o que gastares a mais com ele.”»
36 Jesus perguntou então ao doutor da lei: «Qual dos três te parece que foi o próximo do homem assaltado pelos ladrões?»
37 E ele respondeu: «O que teve compaixão dele.» Jesus concluiu: «Então vai e faz o mesmo.»
38
Jesus e os discípulos seguiam o seu caminho. Ao entrarem numa aldeia, uma mulher chamada Marta recebeu Jesus em sua casa.39 Ela tinha uma irmã chamada Maria que se sentou aos pés do Senhor para o ouvir.
40 Ora Marta andava muito atarefada, por ter muito que fazer. Aproximou-se e disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe só com todo o trabalho? Diz-lhe então que me venha ajudar.»
41 Mas o Senhor respondeu: «Marta, Marta, andas preocupada e agitada com tantas coisas,
42 quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada.»
1
Uma vez estava Jesus a orar num certo lugar. Quando acabou, um dos seus discípulos pediu-lhe: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Batista ensinou os seus discípulos.»2
Jesus disse-lhes então:
«Quando orarem digam assim:
Pai,
santificado seja o teu nome.
Venha o teu reino.
3
Dá-nos cada dia o pão de que precisamos.
4
Perdoa as nossas ofensas,
pois nós também perdoamos a todos os que nos ofendem.
E não nos deixes cair em tentação.»
5
E prosseguiu: «Suponham que têm de ir a casa de um amigo à meia-noite e lhe pedem: “Empresta-me três pães,6 porque me apareceu em casa um amigo que vem de viagem e eu não tenho nada para lhe dar.”
7 Ora imaginem que o outro grita lá de dentro: “Não me incomodes! A porta já está fechada; os meus filhos e eu já estamos na cama. Não posso levantar-me para te dar os pães.”»
8
Jesus acrescentou: «Pois digo-vos: ainda que ele não se queira levantar para lhe dar os pães, acaba por levantar-se e dar-lhe tudo o que for preciso, não por ser seu amigo, mas para não ser mais incomodado.9 Por isso vos digo: Peçam, que vos será dado; procurem, que hão de encontrar; batam à porta e ela há de abrir-se.
10 Pois o que pede recebe, o que procura encontra e a quem bate à porta esta se abrirá.
11 Alguém que seja pai será capaz de dar ao filho uma cobra, se ele pedir um peixe,
12 ou um escorpião, se pedir um ovo?
13 Ora se, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!»
14
Jesus estava a expulsar um espírito mau que era mudo. Quando o espírito mau saiu, o mudo pôs-se a falar e o povo ficou admiradíssimo.15 Mas alguns disseram: «É pelo poder de Satanás, chefe dos espíritos maus, que ele os expulsa.»
16 Outros, para o experimentar, pediam-lhe um sinal milagroso vindo do Céu.
17 Mas Jesus sabia o que eles estavam a pensar e disse-lhes: «Um país dividido em grupos que lutem entre si acaba por se arruinar, e as casas caem umas após outras.
18 Ora se Satanás está em luta contra si próprio, como poderá o seu reino aguentar-se? Dizem que eu expulso os espíritos maus pelo poder de Satanás.
19 Se eu os expulso por Satanás, por quem os expulsam os vossos adeptos? Por isso, eles mesmos vos hão de julgar.
20 Mas se é pelo poder de Deus que eu expulso os espíritos maus, isto quer dizer que o reino de Deus já aqui chegou.
21 Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, todos os seus bens estão em segurança,
22 mas se aparece outro mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e reparte o que lhe roubou.
23 Quem não está comigo está contra mim; e quem comigo não junta, espalha.»
24
Jesus continuou: «Quando um espírito mau sai duma pessoa vai por lugares áridos à procura de repouso. Não o encontrando diz: “Voltarei para a minha casa donde saí.”25 Ao chegar lá, encontra a casa varrida e bem arranjada.
26 Vai então buscar outros sete espíritos, piores do que ele, e vão todos viver dentro dessa pessoa. E assim ela acaba por ficar pior do que antes.»
27
Quando Jesus acabou de dizer estas coisas, uma mulher da multidão levantou a voz: «Feliz a mulher que te deu à luz e te amamentou.»28 Mas Jesus retorquiu: «Muito mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e lhe obedecem.»
29
Juntou-se uma multidão à volta de Jesus e ele começou a falar-lhes: «A gente deste tempo é má. Pede-me um sinal, mas o único que lhe será dado é o do profeta Jonas.30 Pois assim como Jonas foi um sinal de Deus para os habitantes de Nínive, assim o Filho do Homem será também sinal para a gente deste tempo.
31 A rainha do Sul há de levantar-se no dia do juízo contra os homens deste tempo para os condenar, porque ela veio lá do fim do mundo para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é maior do que Salomão.
32 Também os habitantes de Nínive se hão de levantar no dia do juízo para condenar a gente deste tempo, porque eles arrependeram-se dos seus pecados com a pregação de Jonas. Ora o que está aqui é maior do que Jonas!»
33
Jesus prosseguiu: «Ninguém acende um candeeiro para o colocar em sítio escondido ou debaixo dum caixote. Põe-no mas é num lugar próprio para alumiar os que entram em casa.34 A luz do teu corpo são os teus olhos: se eles forem bons, todo o teu corpo tem luz, mas se forem maus, o teu corpo fica às escuras.
35 Por isso, tem cuidado, não aconteça que a tua luz seja escuridão.
36 Mas se o teu corpo estiver cheio de luz, sem qualquer escuridão, tudo será claro, como quando a luz do candeeiro te alumia.»
37
Quando Jesus acabou de falar, um fariseu convidou-o para comer em sua casa. Jesus entrou e sentou-se à mesa.38 Ora o fariseu ficou muito admirado por ver que ele não tinha cumprido a cerimónia de lavar as mãos antes de comer.
39 Mas o Senhor disse-lhe: «Ó fariseus! Vocês limpam os copos e os pratos por fora, mas lá por dentro vocês estão cheios de roubos e de maldade.
40 Gente sem juízo! Então não sabem que quem fez o lado de fora também fez o de dentro?
41 Deem em esmola o que têm dentro do prato e tudo se vos tornará puro.
42 Vocês dão a Deus a décima parte da hortelã, da arruda e de todos os vegetais; no entanto, não fazem caso nem da justiça nem do amor de Deus. Eram estas coisas que interessava praticar, sem desprezar as outras.
43 Ó fariseus! Gostam muito de ter os lugares de honra nas sinagogas e de ser cumprimentados em público.
44 São como as sepulturas que não se veem e anda-se por cima delas sem se saber.»
45
Então um dos doutores da lei disse a Jesus: «Mestre, ao dizeres isso também nos ofendes a nós.»46 Ele deu-lhe esta resposta: «Ó doutores da lei, também vocês põem sobre os outros cargas insuportáveis e nem sequer com um dedo lhes tocam.
47 Constroem os sepulcros dos profetas e foram os vossos próprios antepassados que os mataram.
48 Deste modo mostraram bem que estão de acordo com os atos dos vossos antepassados, porque eles mataram os profetas e vocês levantam-lhes sepulcros.
49 Por isso é que a sabedoria de Deus diz: “Vou mandar-lhes profetas e apóstolos, mas eles matarão e perseguirão alguns deles.”
50 Por isso, Deus vai pedir contas à gente de hoje por todos os profetas que foram assassinados, desde a criação do mundo,
51 a começar pelo assassínio de Abel até ao de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário. Repito: Deus vai pedir contas disso à gente desta época.
52 Tenham cautela, ó doutores da lei, porque se apoderaram da chave do conhecimento religioso, mas nem entraram nem deixaram entrar os outros.»
53
Quando Jesus saiu da casa, os doutores da lei e os fariseus puseram-se a criticá-lo com dureza e a incomodá-lo com muitas perguntas traiçoeiras,54 para ver se o apanhavam nalguma resposta.
1
Entretanto, juntaram-se ali milhares de pessoas, que até se atropelavam umas às outras. Jesus começou por dizer primeiro aos discípulos: «Tenham cuidado com o fermento dos fariseus; isto é, o seu fingimento.2 Não há nada encoberto que não venha a descobrir-se, nem há nada escondido que não venha a saber-se.
3 Por isso, tudo o que disserem na escuridão será ouvido à luz do dia, e aquilo que segredarem dentro de casa será apregoado em cima dos telhados.»
4
Jesus continuou: «Digo-vos meus amigos: não temam os que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada.5 Eu vou dizer-vos a quem devem temer: temam a Deus que, depois de tirar a vida, pode ainda lançar no inferno. A ele é que devem temer.»
6
E disse ainda: «Não se vendem cinco pássaros por duas moedas? No entanto, Deus não se esquece de nenhum deles.7 Pois bem, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temam, porque valem mais do que muitos pássaros.»
8
«Digo-vos ainda que a todo aquele que se declarar a meu favor diante dos outros, o Filho do Homem fará o mesmo por ele diante dos anjos de Deus.9 Mas àquele que me negar diante dos outros, também ele o negará diante dos anjos de Deus.
10 Deus perdoará àquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem, mas não perdoará ao que blasfemar contra o Espírito Santo.
11 Quando vos levarem às casas de oração, ou à presença dos chefes e das autoridades, não se preocupem como terão de se defender ou com aquilo que terão de dizer,
12 porque o Espírito Santo vos ensinará, nessa altura, o que deverão dizer.»
13
Alguém do meio da multidão pediu a Jesus: «Mestre, diz ao meu irmão que divida a herança comigo.»14 Mas Jesus respondeu: «Amigo, quem me deu o direito de vos julgar ou fazer partilhas?»
15 Depois dirigiu-se à multidão: «Tenham cuidado! Não se deixem dominar pela ganância, porque a vida de qualquer pessoa não depende da abundância dos seus bens.»
16
A seguir apresentou-lhes esta parábola: «A quinta dum certo rico tinha dado uma grande colheita.17 E o rico pôs-se a pensar assim: “Que hei de eu fazer? Não tenho onde guardar a minha colheita!
18 Já sei: deito abaixo os celeiros e faço outros maiores, onde guardarei o trigo e todos os meus bens.
19 Depois poderei dizer para comigo: És feliz! Tens em depósito tantos bens que te vão dar para muitos anos. Não te rales: come, bebe e diverte-te.”
20 Mas Deus advertiu-o: “Louco, esta noite vais morrer, e o que tens guardado para quem será?”»
21
Jesus concluiu: «Assim acontecerá àqueles que só amontoam riquezas para si, mas que não são ricos aos olhos de Deus.»22
E continuou a falar aos discípulos: «É por isso que eu vos digo: não andem preocupados com o que hão de comer, nem com a roupa de que precisam para vestir.23 A vida é mais do que a comida e o corpo é mais do que a roupa.
24 Reparem nos corvos: nem semeiam, nem colhem, nem têm despensas, nem celeiros, mas Deus dá-lhes de comer. Ora vocês valem muito mais do que as aves.
25 Quem é que, por mais que se preocupe, poderá prolongar um pouco o tempo da sua própria vida?
26 Portanto, se nem as coisas mais pequenas são capazes de fazer, por que se preocupam com as outras?
27 Reparem como crescem os lírios que não fiam nem tecem. Contudo, digo-vos que nem o rei Salomão, que era riquíssimo, se vestiu como qualquer deles.
28 Ora se Deus veste assim as plantas, que hoje estão no campo e amanhã são queimadas, quanto mais vos há de vestir ó gente sem fé?
29 Portanto, não estejam preocupados nem inquietos com o que hão de comer e beber.
30 Os pagãos é que se preocupam com tudo isso, mas o vosso Pai sabe muito bem do que precisam.
31 Procurem primeiro o reino de Deus que tudo isso vos será dado.»
32
Jesus continuou: «Não tenham medo, pequeno rebanho! O vosso Pai achou por bem dar-vos o seu reino.33 Vendam o que têm e deem o dinheiro aos pobres. Arranjem bolsas que nunca se estraguem e depositem no Céu uma riqueza que não se esgota. Ali não chegam os ladrões, nem a traça.
34 Pois onde tiverem a vossa riqueza, aí terão o coração.»
35
Jesus acrescentou ainda: «Estejam sempre preparados e de lanternas acesas.36 Façam como aqueles empregados que estão à espera do patrão, que há de voltar duma festa de casamento, para lhe abrirem a porta quando ele bater.
37 Felizes são aqueles que o patrão encontrar acordados quando chegar. Acreditem no que vos digo: o patrão irá convidá-los a sentarem-se à mesa e será ele próprio a servi-los.
38 Quer ele chegue à meia-noite quer de madrugada, felizes os que se mantiverem acordados.
39 Lembrem-se disto: se o dono da casa soubesse a que horas vinha o ladrão não deixaria arrombar a casa.
40 Portanto, estejam também preparados, porque o Filho do Homem virá quando menos o esperam.»
41
Pedro perguntou-lhe: «Senhor, esta parábola é só para nós, ou é para toda a gente?»42 Jesus respondeu: «Como poderá mostrar-se fiel e prudente o empregado a quem o patrão deixou a tomar conta dos outros, para lhes dar a comida a horas?
43 Feliz será aquele empregado a quem o patrão, quando vier, encontrar a proceder assim.
44 Digo-vos que certamente o fará administrador de todos os seus bens.
45 Mas que acontecerá se aquele empregado disser para consigo: “O meu patrão ainda se demora” e então começar a maltratar os colegas e se puser a comer e beber até ficar embriagado?
46 Quando o patrão chegar, em dia e hora em que ele menos espera, irá aplicar-lhe um grande castigo, condenando-o como infiel.
47 Este empregado, que conhecia a vontade do patrão, mas não se preparou nem fez nada de acordo com o que ele queria, será bastante castigado.
48 Porém, o empregado que por ignorância fez coisas erradas será menos castigado. A quem muito for dado, muito se exigirá, e a quem muito for confiado, mais ainda se pedirá.»
49
Prosseguiu Jesus: «Eu vim lançar fogo à Terra e quem me dera que já estivesse a arder!50 Tenho que passar por uma dura prova e estou angustiado até que isso aconteça!
51 Julgam que vim trazer paz ao mundo? De modo nenhum: o que eu vim trazer foi a divisão.
52 Pois daqui em diante, se houver cinco pessoas numa família, três estarão contra as outras duas, e as duas contra as três.
53 Os pais estarão contra os filhos, e os filhos contra os pais; as mães contra as filhas, e as filhas contra as mães; as sogras contra as noras, e as noras contra as sogras.»
54
E disse também à multidão: «Quando veem uma nuvem levantar-se no Poente dizem logo: “Vem lá chuva.” E assim acontece.55 Quando o vento sopra do Sul, dizem: “Vai haver muito calor.” E assim acontece.
56 Hipócritas! Se sabem compreender os sinais da Terra e do Céu, como é que não compreendem os da época em que vivem?
57 Como é que não sabem julgar devidamente as coisas?»
58
E acrescentou: «Quando tiveres que ir com um adversário à presença das autoridades, procura fazer as pazes com ele pelo caminho, não vá ele levar-te ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça para te meter na prisão.59 Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o último cêntimo.»
1
Nessa ocasião chegaram algumas pessoas que contaram a Jesus que Pilatos tinha mandado matar uns homens da Galileia, quando estavam a oferecer a Deus sacrifícios de animais. Deste modo se misturou o sangue deles com o dos animais sacrificados.2 Na sequência disso Jesus disse-lhes: «Julgam que esses eram mais pecadores do que os outros galileus, lá porque foram mortos dessa maneira?
3 Digo-vos que se enganam e que morrerão como eles, se não se arrependerem.
4 Julgam também que aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé lhes caiu em cima, tinham mais culpas do que os outros habitantes de Jerusalém?
5 Pois digo-vos que se enganam e que morrerão como eles, se não se arrependerem.»
6
Jesus apresentou-lhes esta parábola: «Havia um homem que tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá ver se tinha figos e não encontrou nenhum.7 Ordenou então ao homem que lá trabalhava: “Escuta! Há três anos que venho procurar figos a esta figueira e não encontro nada. Portanto, corta-a. Por que há de ela continuar a ocupar o terreno?”
8 Mas o trabalhador respondeu: “Deixa-a ficar ainda este ano, que eu vou cavar em volta e deitar-lhe estrume.
9 Talvez assim dê fruto. Se não der, manda-a cortar então.”»
10
Num certo sábado Jesus estava a ensinar numa sinagoga.11 Havia lá uma mulher que há dezoito anos estava doente. Andava muito curvada, sem se poder endireitar, porque estava possessa dum espírito mau.
12 Quando Jesus a viu, chamou-a e disse: «Mulher, estás livre do teu mal.»
13 Pôs as mãos sobre ela e nesse momento a mulher endireitou-se e começou logo a dar glória a Deus.
14 Mas o dirigente da sinagoga ficou indignado por Jesus ter feito uma cura ao sábado e disse ao povo: «Há seis dias na semana em que se deve trabalhar. Venham cá nesses dias para serem curados, mas não ao sábado.»
15 O Senhor respondeu: «Hipócritas! Haverá alguém que ao sábado não desprenda da manjedoura o boi ou o burro, para o levar a beber?
16 Ora esta mulher, que também pertence ao povo de Abraão, estava presa por Satanás há dezoito anos. Por que motivo não havia ela de ficar livre da sua doença, embora seja sábado?»
17 Esta resposta de Jesus deixou envergonhados os seus inimigos. Mas o povo mostrava-se alegre com todas as maravilhas que Jesus fazia.
18
Jesus continuou: «A que é semelhante o reino de Deus? Com que o hei de comparar?19 É semelhante a um grão de mostarda que alguém semeia na sua horta. A planta cresce, até se fazer árvore, e as aves fazem ninho nos seus ramos.»
20
Disse também: «A que hei de comparar ainda o reino de Deus?21 Ao fermento que uma mulher mistura em três medidas de farinha e faz levedar toda a massa.»
22
Jesus dirigia-se para Jerusalém e ensinava nas cidades e povoados por onde passava.23 Houve alguém que lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?» E ele respondeu:
24 «Esforcem-se por entrar pela porta estreita, pois digo-vos que muitos hão de procurar entrar e não vão conseguir.
25 Depois de o dono da casa se levantar e vos fechar a porta, ficando de fora, hão de bater e dizer: “Senhor, abre-nos a porta.” Mas ele responderá: “Não sei donde são.”
26 Então hão de dizer-lhe: “Comemos e bebemos contigo e ensinaste nas nossas ruas.”
27 Mas ele responderá: “Já vos disse que não sei donde são: Afastem-se de mim todos, malfeitores!”
28 Irão chorar e ranger os dentes quando virem Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas no reino de Deus, enquanto vocês são postos fora.
29 Mas virão pessoas do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, para tomar lugar no reino de Deus.
30 Alguns dos que agora são os últimos, serão os primeiros; enquanto outros que agora são os primeiros, serão os últimos.»
31
Naquele momento, alguns fariseus foram ter com Jesus e disseram-lhe: «Vai-te embora daqui porque Herodes quer matar-te.»32 Mas Jesus respondeu: «Vão lá dizer a essa raposa que eu expulso espíritos maus e faço curas hoje e amanhã, mas ao terceiro dia termino.
33 Porém, é preciso que eu siga o meu caminho nestes três dias, porque um profeta não pode morrer fora de Jerusalém.
34 Oh Jerusalém, Jerusalém! Matas os profetas e apedrejas os mensageiros que Deus te envia! Quantas vezes eu quis juntar os teus habitantes, como uma galinha junta os pintainhos debaixo das asas, e tu não quiseste!
35 Agora, vão ficar com a casa abandonada. E digo-vos que já não me hão de ver mais, senão quando chegar a altura em que disserem: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor .»
1
Num certo sábado Jesus foi a casa dum dos chefes dos fariseus para comer com ele, e todos observavam o que Jesus fazia.2 Mesmo em frente dele estava um homem que sofria duma doença que o trazia inchado .
3 Então Jesus perguntou aos doutores da lei e aos fariseus: «Pode-se curar ao sábado ou não?»
4 Eles ficaram calados. Jesus tocou no homem, curou-o e mandou-o embora.
5 E perguntou-lhes mais: «Quem de vós não irá tirar imediatamente do poço um filho ou um boi que lá lhe tenha caído a um sábado?»
6 Mas eles não conseguiram dar-lhe uma resposta.
7
Ao reparar como alguns convidados escolhiam os lugares de honra à mesa, Jesus disse-lhes:8 «Quando alguém te convidar para um casamento, não te sentes no lugar principal, porque pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu.
9 Então aquele que convidou os dois terá que te dizer: “Dá o lugar a este.” Ficarás depois envergonhado quando tiveres de procurar o último lugar.
10 Por isso, quando fores convidado, senta-te no último lugar e assim quando vier o que te convidou dirá: “Amigo, passa para um lugar mais honroso.” Nessa altura ficarás muito honrado diante de todos os que estiverem contigo à mesa.
11 Pois todo aquele que se engrandece será humilhado, e todo o que se humilha será engrandecido.»
12
Depois dirigiu-se àquele que o tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os vizinhos ricos, para que não tenham, por sua vez, que te convidar a fim de te compensar.13 Quando deres uma festa, convida os pobres, os inválidos, os coxos e os cegos.
14 Assim serás feliz, porque esses não têm com que te recompensar, mas serás recompensado por Deus na ressurreição dos justos.»
15
Ao ouvir isto, um dos que estavam sentados à mesa disse a Jesus: «Feliz aquele que se sentar à mesa no reino de Deus!»16 Jesus contou-lhe o seguinte: «Um certo homem preparou um dia um grande banquete e convidou muita gente.
17 À hora da festa mandou um criado dizer aos convidados: “Venham, que está tudo pronto.”
18 Mas todos eles, um por um, foram-se desculpando. O primeiro disse: “Comprei um campo e tenho que ir vê-lo. Desculpa, mas não posso ir.”
19 Outro respondeu: “Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-los. Desculpa, mas não posso ir.”
20 Outro desculpou-se assim: “Acabei de me casar e por isso não posso ir.”
21 O criado voltou e contou isso tudo ao dono da casa. Este, muito zangado, deu-lhe esta ordem: “Vai depressa pelas praças e pelas ruas da cidade e traz para cá os pobres, os inválidos, os cegos e os coxos.”
22 Quando o criado voltou, disse: “Já fiz como mandaste, mas ainda há lugares.”
23 Então aquele senhor insistiu: “Vai pelos caminhos e pelos atalhos e obriga-os a vir, para que a minha casa fique cheia.
24 Garanto-vos que nenhum daqueles que convidei primeiro há de provar do meu banquete.”»
25
Numa ocasião em que ia muita gente com Jesus, ele voltou-se para a multidão e disse:26 «Se alguém vier ter comigo e não me tiver mais amor do que ao pai, à mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos e às irmãs e até a si próprio, não pode ser meu discípulo.
27 E aquele que não quiser pegar na sua cruz e vir comigo, também não pode ser meu discípulo.
28 Se algum de vós quiser construir uma torre, não começará primeiro por se sentar e fazer os cálculos do que vai gastar, para ver se tem possibilidade de a acabar?
29 Isto para que não aconteça que comece a construir e a não possa acabar. Não faltará então quem faça troça dele e diga:
30 “Este começou a construir, mas não conseguiu chegar ao fim.”
31 Ou, se um rei tiver que fazer guerra a outro rei, não começará por se sentar para pensar bem e ver se com dez mil homens pode fazer frente ao exército de vinte mil que vem contra ele?
32 Se vir que não, manda embaixadores a esse rei, que ainda está longe, e pergunta-lhe as condições para fazerem a paz.
33 Da mesma maneira, se não deixarem tudo o que vos pertence, não podem ser meus discípulos.»
34
E acrescentou: «O sal é realmente bom, mas se ele perder a qualidade que é que se lhe pode fazer para novamente salgar?35 Nem presta para a terra, nem para o estrume: deita-se fora. Quem tem ouvidos, preste atenção!»
1
Todos os cobradores de impostos e outros pecadores se chegavam a Jesus para o ouvir.2 Por isso, os fariseus e os doutores da lei o criticavam: «Este recebe pecadores e come com eles .»
3 Jesus apresentou-lhes uma parábola:
4 «Suponham que algum de vós tem cem ovelhas e perde uma delas. Não deixará logo as noventa e nove no deserto, para ir à procura da ovelha perdida até a encontrar?
5 Quando a encontra, põe-na aos ombros todo satisfeito
6 e, ao chegar a casa, diz aos amigos e vizinhos: “Alegrem-se comigo porque já encontrei a minha ovelha que andava perdida.”
7 Da mesma maneira, digo-vos que haverá mais alegria no Céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de se arrepender.»
8
«Suponham também que uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma delas. Que é que ela faz? Acende a lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente até a encontrar.9 Quando a encontra, diz às amigas e vizinhas: “Alegrem-se comigo, porque já encontrei a moeda perdida.”
10 Da mesma maneira, digo-vos que há alegria entre os anjos de Deus cada vez que um pecador se arrepende.»
11
E prosseguiu: «Um certo homem tinha dois filhos.12 O mais novo pediu ao pai: “Pai, dá-me a parte da herança que me pertence.” E o pai repartiu os bens pelos dois filhos.
13 Poucos dias depois, o mais novo reuniu tudo o que era dele e partiu para uma terra muito distante, onde gastou o que possuía.
14 Depois de ter gasto tudo, e como houve muita fome naquela região, começou a ter necessidade.
15 Foi pedir trabalho a um homem da região que o mandou para os seus campos guardar porcos.
16 Desejava encher o estômago mesmo com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
17 Foi então que caiu em si e pensou: “Tantos trabalhadores do meu pai têm quanta comida querem e eu estou para aqui a morrer de fome!
18 Vou mas é ter com o meu pai e digo-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti.
19 Já nem mereço ser teu filho, mas aceita-me como um dos teus trabalhadores.”
20 Levantou-se e voltou para o pai. Mas ainda ele vinha longe de casa e já o pai o tinha visto. Cheio de ternura, correu para ele, apertou-o nos braços e cobriu-o de beijos.
21 O filho disse-lhe: “Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já nem mereço ser teu filho.”
22 Mas o pai ordenou logo aos empregados: “Tragam depressa o melhor fato e vistam-lho. Ponham-lhe também um anel no dedo e sandálias nos pés.
23 Tragam o bezerro mais gordo e matem-no. Vamos fazer um banquete,
24 porque este meu filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e apareceu.” E começaram com a festa.
25
Ora o filho mais velho estava no campo. Ao regressar, quando se aproximava de casa, ouviu a música e as danças.26 Chamou um dos empregados e perguntou-lhe o que era aquilo.
27 E o empregado disse-lhe: “Foi o teu irmão que voltou e o teu pai matou o bezerro mais gordo, por ele ter chegado são e salvo.”
28 Ao ouvir isto, ficou zangado e nem queria entrar. O pai saiu para o convencer.
29 Mas ele respondeu: “Sirvo-te há tantos anos, sem nunca ter desobedecido às tuas ordens, e não me deste sequer um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos.
30 Vem agora este teu filho, que desperdiçou o teu dinheiro com prostitutas, e mataste logo o bezerro mais gordo.”
31 “Meu filho”, respondeu-lhe, “tu estás sempre comigo e tudo o que eu tenho é teu,
32 mas era preciso fazermos uma festa e alegrarmo-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou a viver, estava perdido e reapareceu.”»
1
Jesus disse aos seus discípulos: «Havia um homem rico que tinha um feitor. Foram-lhe dizer que esse feitor desperdiçava os seus bens.2 Ele chamou-o: “Que é isso que me têm dito de ti? Apresenta-me contas, porque vais deixar de trabalhar para mim.”
3 O feitor disse para consigo: “Que hei de eu fazer, se o meu patrão me põe na rua? Cavar, não posso; de pedir esmola, tenho vergonha.
4 Já sei o que vou fazer para quando for despedido ter quem me receba.”
5 Chamou os devedores do patrão, um a um, e inquiriu do primeiro: “Quanto deves ao meu patrão?”
6 Ele respondeu: “Cem medidas de azeite.” O feitor disse: “Pega lá depressa nas tuas contas, senta-te e escreve só cinquenta.”
7 Depois perguntou a outro: “E tu, quanto deves?” Ele respondeu: “Cem sacos de trigo.” “Pega lá nas tuas contas e escreve só oitenta”, disse-lhe o feitor.
8 O patrão acabou por elogiar o feitor desonesto pela habilidade que teve. Realmente aqueles que se ocupam das coisas deste mundo são mais espertos, nos negócios uns com os outros, do que os que se ocupam das coisas de Deus.
9
Também vos digo: aproveitem as riquezas desonestas para fazerem amigos, para ver se quando as riquezas se acabarem eles vos recebem no Céu!10 O que é honesto nas coisas sem importância também o será nas importantes. E quem é desonesto nas pequenas coisas também o é nas grandes.
11 Mas se não forem honestos com as riquezas deste mundo, quem vos vai confiar as riquezas verdadeiras?
12 E se não forem fiéis com aquilo que é dos outros, como querem que vos deem aquilo que vos pertence?
13 Nenhum empregado pode servir dois patrões, porque ou não gosta dum deles e estima o outro, ou há de ser leal para um e desprezar o outro. Não podem servir a Deus e ao dinheiro.»
14
Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo aquilo e faziam troça de Jesus.15 Mas ele disse-lhes: «Deus conhece-vos bem, mesmo que pretendam passar por bons. Pois aquilo que para os homens tem muito valor, nada vale para Deus.
16
Até ao tempo de João Batista, estavam em vigor a Lei de Moisés e os profetas. A partir daí anuncia-se a boa nova do reino de Deus e todos se esforçam por entrar nele.17 No entanto, é mais fácil acabar o Céu e a Terra do que cair uma só vírgula da lei.»
18
Disse mais: «Todo o homem que se separar da sua mulher e casar com outra, comete adultério. E o que casar com a separada também comete adultério.»19
Acrescentou ainda: «Havia um rico que se vestia com fatos caríssimos e todos os dias fazia grandes festas.20 Havia também um pobre, chamado Lázaro, coberto de chagas, que costumava ir para a porta do rico,
21 para ver se ao menos comia as migalhas que caíam da sua mesa. Até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
22
O pobre morreu e foi levado pelos anjos de Deus para junto de Abraão. O rico também morreu e foi enterrado.23 No lugar de sofrimento, onde se encontrava, levantou os olhos e viu lá longe Abraão e Lázaro com ele.
24 Disse então em voz alta: “Pai Abraão! Tem compaixão de mim e manda Lázaro molhar na água a ponta do dedo e vir refrescar-me a língua, porque sofro horrivelmente neste fogo!”
25 Mas Abraão disse-lhe: “Lembra-te, meu filho, de que em toda a tua vida só tiveste coisas boas, enquanto Lázaro só teve males. Agora ele é consolado e tu atormentado.
26 Além disso, há um grande abismo entre nós, de modo que nem os de cá podem passar para lá, nem os daí para aqui.”
27 E o rico exclamou: “Peço-te, pai Abraão, que mandes Lázaro a casa do meu pai.
28 Tenho cinco irmãos e se Lázaro lá fosse avisá-los já não vinham para este lugar de sofrimento.”
29 Respondeu-lhe Abraão: “Para isso têm Moisés e os profetas. Que lhes prestem atenção.”
30 Mas o rico retorquiu: “Não, pai Abraão. É que se alguém, dos que já morreram, fosse lá falar-lhes eles arrependiam-se dos pecados.”
31 Mas Abraão respondeu: “Se não fazem caso de Moisés e dos profetas, também não acreditarão num morto que volte à vida.”»
1
Jesus disse aos discípulos: «Não se pode evitar que haja ocasiões de pecado, mas ai de quem for responsável por elas!2 Seria melhor para essa pessoa ser atirada ao mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, do que ela fazer cair em pecado um destes pequeninos.
3 Tenham cuidado! Se o teu irmão pecar, repreende-o. E se ele se arrepender, perdoa-lhe.
4 Se ele pecar contra ti sete vezes no dia, e outras tantas for ter contigo para te dizer que está arrependido, deves perdoar-lhe.»
5
Os apóstolos pediram então ao Senhor: «Aumenta a nossa fé.»6 E o Senhor respondeu: «Se tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: “Arranca-te e vai plantar-te no mar”, que ela obedecia-vos.
7
Quem é que tendo um trabalhador a lavrar-lhe o campo, ou a guardar-lhe o gado, lhe vai dizer, quando ele voltar, “anda, senta-te à mesa”?8 Não lhe dirá antes, “faz-me o jantar e serve-me e, depois de eu ter comido, podes ir tu comer”?
9 Acham que ele deve ficar agradecido ao trabalhador por este ter feito o que lhe mandou?
10 Assim, quando tiverem cumprido tudo o que Deus vos mandou, digam: “Somos simples trabalhadores, porque não fizemos mais do que a nossa obrigação.”»
11
Quando Jesus se dirigia a Jerusalém, atravessou a Galileia e a Samaria.12 Ao entrar em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez doentes com lepra. Ficaram a uma certa distância
13 e puseram-se a gritar: «Jesus, Mestre, tem pena de nós!»
14 Jesus olhou para eles e disse: «Vão ter com os sacerdotes para que eles vos examinem.» Foram, e enquanto iam no caminho, ficaram curados.
15 Um deles, quando viu que estava curado, voltou e louvava a Deus em voz alta.
16 Ajoelhou-se aos pés de Jesus, curvando-se até ao chão em agradecimento. E este era samaritano.
17 Então Jesus perguntou: «Não eram dez os que foram curados? Onde estão os outros nove?
18 Mais nenhum voltou para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?»
19 Depois disse-lhe: «Levanta-te e vai-te embora. A tua fé te salvou.»
20
Alguns fariseus perguntaram a Jesus quando é que chegava o reino de Deus. «O reino de Deus não vem como uma coisa que se possa observar», respondeu-lhes.21 «Não se poderá dizer: Está aqui ou está acolá. Na verdade, o reino de Deus já está no vosso meio.»
22
Depois disse aos discípulos: «Lá virá o tempo em que desejarão ver ao menos um só dos dias do Filho do Homem e não poderão.23 Alguns hão de dizer-vos: “Olha, está aqui”, ou “está acolá”. Mas não vão atrás desses boatos,
24 porque o Filho do Homem virá no seu dia próprio como um relâmpago que ilumina o céu dum extremo ao outro.
25 Mas primeiro tem ele que sofrer muito e ser rejeitado pelas pessoas deste tempo.
26
Tal como aconteceu no tempo de Noé, assim vai ser nos dias do Filho do Homem.27 Comiam, bebiam e casavam-se, até ao dia em que Noé entrou na arca. Depois veio o dilúvio e morreram todos.
28 Assim aconteceu também no tempo de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e construíam.
29 Mas no dia em que Lot saiu de Sodoma, caiu do céu fogo e enxofre sobre a cidade e morreram todos.
30 Assim sucederá no dia em que o Filho do Homem aparecer.
31
Nesse dia, quem estiver no terraço não desça a casa para tirar de lá seja o que for, e se estiver no campo não volte para trás.32 Lembrem-se da mulher de Lot!
33 Aquele que quiser salvar a vida perde-a e o que a perder salva-a.
34 Digo-vos que nessa noite estarão duas pessoas na mesma cama: uma será levada e a outra fica.
35 Duas mulheres estarão juntas a moer farinha: uma será levada e a outra fica.
36 [Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro fica .»]
37 Nessa altura os discípulos perguntaram-lhe: «E onde vai ser isso, Senhor?» «Onde estiver o corpo morto» replicou ele, «é que se juntam os abutres».
1
Jesus apresentou esta parábola para lhes mostrar que deviam orar sempre, sem nunca desanimar:2 «Havia numa certa povoação um juiz que não acreditava em Deus e não tinha respeito por ninguém.
3 Nessa mesma povoação morava uma viúva que procurava muitas vezes o juiz e lhe dizia: “Faça-me justiça contra o meu inimigo.”
4 Durante muito tempo o juiz não fez caso dela, mas depois pensou: “Apesar de eu não acreditar em Deus, nem ter consideração por ninguém,
5 como esta viúva me anda a incomodar, vou fazer-lhe justiça para que ela não me faça esgotar a paciência.”»
6 E o Senhor acrescentou: «Ora vejam lá o que faz o mau juiz.
7 Não fará Deus justiça aos seus escolhidos que chamam por ele dia e noite? Acham que os vai fazer esperar muito?
8 Pois eu afirmo-vos que Deus vos fará justiça sem demora. Mas quando o Filho do Homem vier, achará ele ainda fé sobre a terra?»
9
Jesus propôs mais outra parábola para alguns que se julgavam pessoas muito justas e desprezavam os outros:10
«Dois homens foram ao templo para orar. Um deles era fariseu e o outro cobrador de impostos.11 O fariseu, altivo, orava assim: “Ó Deus, agradeço-te porque não sou como os outros, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este cobrador de impostos que ali está.
12 Jejuo duas vezes na semana e dou a décima parte de tudo o que ganho.”
13 Mas o cobrador de impostos ficou à distância e nem sequer se atrevia a levantar os olhos para o céu; apenas batia com a mão no peito e dizia: “Ó meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”»
14 E Jesus concluiu: «Afirmo-vos que o cobrador de impostos foi para sua casa justificado aos olhos de Deus, ao contrário do fariseu. Pois todo aquele que se engrandece será humilhado e todo o que se humilha será engrandecido.»
15
Algumas pessoas levavam também criancinhas a Jesus para ele as abençoar, mas os discípulos, ao verem isso, repreendiam aquelas pessoas.16 Então Jesus mandou trazer as crianças: «Deixem-nas vir ter comigo! Não as estorvem, porque o reino de Deus é dos que são como elas.
17 Lembrem-se disto: quem não receber o reino de Deus como uma criança não entrará nele.»
18
Um judeu importante perguntou a Jesus: «Bom Mestre, que hei de eu fazer para possuir a vida eterna?»19 «Por que me chamas bom?», respondeu-lhe Jesus. «Só Deus é bom e mais ninguém.
20 Com certeza sabes os mandamentos: Não cometas adultério, não mates, não roubes, não dês falso testemunho e respeita o teu pai e a tua mãe .»
21 «Desde rapaz que cumpro todos esses mandamentos», disse ele.
22 Jesus ouviu-o e acrescentou: «Só te falta uma coisa: vai vender tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres. Ficarás assim com um tesouro no Céu. Depois segue-me.»
23 Mas ele ficou desolado com aquelas palavras, porque era muito rico.
24
Quando Jesus o viu assim, comentou: «Como é difícil aos ricos entrar no reino de Deus!25 Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.»
26 Os que ouviram isto perguntavam: «Neste caso quem é que pode salvar-se?»
27 «Aquilo que é impossível aos homens, é possível a Deus», observou-lhes Jesus.
28
Então Pedro disse a Jesus: «Olha que nós deixámos tudo para sermos teus discípulos.»29 Jesus retorquiu-lhes: «Pois eu garanto-vos que todo aquele que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do reino de Deus,
30 receberá muito mais neste mundo, e no outro possuirá a vida eterna.»
31
Jesus chamou à parte os doze discípulos: «Escutem! Vamos para Jerusalém, onde se cumprirá tudo o que os profetas escreveram acerca do Filho do Homem.32 Será entregue aos pagãos que vão troçar dele, insultá-lo e cuspir-lhe,
33 bater-lhe e dar-lhe a morte. Mas ao terceiro dia ele há de ressuscitar.»
34 Os discípulos não perceberam nada daquilo. Era para eles uma linguagem velada; coisas que eles não compreendiam.
35
Jesus estava quase a chegar à cidade de Jericó e à beira do caminho encontrava-se um cego a pedir esmola.36 Ao perceber que passava muita gente, o cego perguntou o que era.
37 Disseram-lhe que era Jesus, o Nazareno, que ia a passar.
38 Então ele gritou dali: «Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim!»
39 Os que iam à frente mandavam-no calar, mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem compaixão de mim!»
40 Jesus parou e mandou-o chamar. Quando ele chegou, perguntou-lhe:
41 «Que queres que eu te faça?» E ele respondeu: «Senhor, queria voltar a ver.»
42 Jesus disse-lhe: «Pois vê! A tua fé te salvou.»
43 Naquele mesmo instante o cego começou a ver; seguiu também com Jesus louvando a Deus pelo caminho. E toda a gente, vendo aquilo, também dava louvores a Deus.
1
Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade.2 Havia lá um homem rico chamado Zaqueu, chefe de cobradores de impostos.
3 Queria ver quem era Jesus, mas como era muito baixo não conseguia, por causa da multidão.
4 Correu então adiante do povo, subiu a uma figueira brava e ficou à espera que Jesus por ali passasse, para o ver.
5 Quando Jesus chegou ali, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, porque hoje preciso de ficar na tua casa.»
6 Ele desceu imediatamente e recebeu Jesus com alegria.
7 Ao verem isto, começaram todos a criticar e a dizer que Jesus tinha ido para casa de um homem pecador.
8 Zaqueu pôs-se de pé e disse ao Senhor: «Ó Senhor! Vou dar aos pobres metade de todos os meus bens e às pessoas a quem prejudiquei vou dar-lhes quatro vezes mais.»
9 Jesus então declarou: «Hoje entrou a salvação nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão.
10 Na verdade, o Filho do Homem veio buscar e salvar os que estavam perdidos.»
11
A multidão ouvia Jesus acerca de todas estas coisas. Como ele estava perto de Jerusalém, e o povo pensava que ia chegar imediatamente o reino de Deus, Jesus acrescentou ainda esta parábola:12 «Havia um homem de boas famílias que partiu para outro país, a fim de ser nomeado rei e em seguida voltar.
13 Antes de partir, chamou dez dos seus empregados, distribuiu entre eles dez moedas e disse: “Façam negócio com este dinheiro até que eu volte.”
14 Ora o povo daquele país odiava esse homem e enviou atrás dele uma comissão com este recado: “Não queremos que ele seja o nosso rei.”
15 Depois de ser nomeado rei, ele voltou. Mandou logo chamar os empregados a quem tinha deixado o dinheiro, para saber quanto tinha ganho cada um deles no negócio.
16 Chegou o primeiro e disse: “Senhor, o teu dinheiro rendeu dez vezes mais.”
17 E o rei disse: “Está muito bem! És um bom empregado. Já que foste fiel numa coisa tão pequena, faço-te governador de dez cidades.”
18 Depois veio o segundo empregado: “Senhor, o teu dinheiro rendeu cinco vezes mais.”
19 O rei disse também a este: “Serás governador de cinco cidades.”
20 Apareceu por fim um a dizer: “Senhor, aqui tens a tua moeda. Guardei-a num lenço,
21 porque tive medo de ti, por seres muito rigoroso, pois vais buscar aonde não puseste e colhes o que não semeaste.”
22 Mas o rei respondeu-lhe: “Tu és um mau empregado e vou julgar-te pelas tuas próprias palavras. Sabias que sou um homem rigoroso, que vou buscar aonde não pus e colho o que não semeei.
23 Por que não puseste então o meu dinheiro no banco para que, quando eu voltasse, o recebesse com juros?”
24 E ordenou aos que estavam com ele: “Tirem-lhe a moeda e deem-na ao que tem dez.”
25 Mas eles replicaram: “Senhor, esse já tem dez moedas!”
26 O rei respondeu: “Pois eu digo-vos que ao que tem dá-se-lhe mais, mas ao que não tem tira-se-lhe até o que possui.
27 Quanto àqueles inimigos que não queriam que eu fosse o rei, tragam-mos cá e matem-nos na minha presença.”»
28
Depois de dizer isto, Jesus seguia à frente do povo para Jerusalém.29 Quando estava perto de Betfagé e Betânia, junto do Monte das Oliveiras, mandou dois discípulos
30 com este recado: «Vão à povoação que fica ali em frente. Logo que lá entrarem encontrarão um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltem-no e tragam-no cá.
31 Se alguém lhes perguntar por que é que fazem isso, digam que é o Senhor que precisa dele.»
32 Eles foram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito.
33 Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos disseram: «Por que é que estão a soltar o jumento?»
34 E eles responderam: «O Senhor precisa dele.»
35 Levaram-no então a Jesus e puseram as suas capas por cima do jumento. Depois ajudaram Jesus a montar.
36 À medida que Jesus avançava, as pessoas estendiam as capas pelo caminho.
37 Ao chegarem perto da descida do Monte das Oliveiras, todos os discípulos começaram a gritar de alegria e a dar louvores a Deus pelos milagres que tinham visto.
38 E exclamavam:
«Bendito seja o rei,39
Então alguns fariseus que estavam entre a multidão disseram: «Mestre, repreende os teus discípulos.»40 Mas Jesus respondeu-lhes: «Olhem que se estes se calarem, até as pedras hão de gritar.»
41 Quando chegou perto de Jerusalém, ao ver a cidade, Jesus chorou por ela
42 e exclamou: «Se tu também compreendesses, ao menos hoje, aquilo que te pode dar a paz! Mas por agora não conseguirás entender!
43 Lá virá o tempo em que os teus inimigos farão uma muralha em volta de ti e te cercarão por todos os lados.
44 Hão de deitar-te por terra e matar os teus habitantes e não deixarão em ti uma pedra sobre outra, porque não reconheceste o tempo em que Deus te veio visitar.»
45
Jesus entrou no templo e começou a pôr de lá para fora os que estavam a fazer negócio:46 «A Sagrada Escritura diz: O meu templo será casa de oração . Mas vocês transformaram-no em caverna de ladrões.»
47
Jesus ensinava todos os dias no templo. Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei, bem como os chefes do povo, andavam entretanto a ver como podiam matá-lo.48 Mas não encontravam maneira, porque toda a gente andava entusiasmada de o ouvir.
1
Um dia encontrava-se Jesus no templo a ensinar o povo e a pregar o evangelho, quando chegaram uns chefes dos sacerdotes e doutores da lei, juntamente com anciãos,2 e lhe perguntaram: «Diz-nos lá: Quem te deu tal autoridade? Quem te deu esse direito?»
3 «Também eu vos vou fazer uma pergunta», respondeu-lhes Jesus. «Digam-me lá:
4 João batizava com autoridade de Deus ou dos homens?»
5 Eles puseram-se então a refletir uns com os outros: «Se respondermos que é de Deus, ele vai já perguntar-nos por que razão não acreditámos em João.
6 Mas se dissermos que é dos homens, toda a gente nos vai atirar pedras, porque João Batista é tido como verdadeiro profeta.»
7 Responderam então que não sabiam.
8 E Jesus concluiu: «Pois também eu não vos digo com que autoridade faço estas coisas.»
9
Depois Jesus apresentou ao povo mais esta parábola: «Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns camponeses e ausentou-se para fora da terra por muito tempo.10 Quando chegou a época das vindimas, mandou um criado aos camponeses para pagarem a sua parte do fruto. Mas eles agarraram o criado, espancaram-no e mandaram-no embora de mãos vazias.
11 O dono da vinha mandou outro e eles espancaram também este, insultaram-no e mandaram-no embora de mãos vazias.
12 Mandou-lhes um terceiro criado, mas eles feriram-no também e mandaram-no embora.
13 Então o dono da vinha disse para consigo: “Que hei de eu fazer? Vou mandar o meu querido filho. Certamente que a ele o vão respeitar.”
14 Mas quando os camponeses o viram, disseram logo uns para os outros: “Este é que é o herdeiro! Vamos matá-lo e a herança dele fica para nós.”
15 Levaram-no então para fora da vinha e mataram-no. Em face disto, que lhes fará o dono da vinha?
16 Matará aqueles homens e arrendará a vinha a outros.»
Quando o povo ouviu isto, disse: «Deus queira que tal não aconteça!»17 Jesus olhou para o povo e perguntou: «Qual será então o significado desta frase da Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se a pedra principal ?»
18
E acrescentou: «Todo aquele que cair em cima dessa pedra ficará feito em pedaços e aquele em cima de quem ela cair ficará reduzido a pó.»19
Os doutores da lei e os chefes dos sacerdotes procuraram maneira de prender Jesus naquela altura, porque perceberam muito bem que aquela história se referia a eles, mas tinham medo do povo.20
Os doutores da lei e os chefes dos sacerdotes puseram-se a vigiar Jesus e mandaram espiões, que se fingiam muito honestos, para ver se o apanhavam em falso naquilo que dizia e para o entregarem depois à autoridade e ao poder do governador.21 Estes apresentaram a Jesus o seguinte problema: «Mestre, sabemos que tudo o que dizes e ensinas está certo e que não julgas as pessoas pela aparência, pois ensinas com fidelidade a vontade de Deus.
22 Diz-nos uma coisa: Devemos ou não pagar imposto ao imperador romano?»
23 Jesus percebeu a malícia deles:
24 «Deixem cá ver uma moeda. De quem é esta figura e esta inscrição?» «Do imperador César», responderam.
25 Jesus concluiu: «Pois bem, deem então a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.»
26 E não conseguiram apanhá-lo em nada do que disse diante de toda a gente. Mas admirados com a sua resposta, calaram-se.
27
Uns saduceus foram ter com Jesus. Ora eles dizem que não há ressurreição e por isso perguntaram-lhe:28 «Mestre, Moisés deixou-nos escrito na lei que se um homem morrer e deixar a mulher sem nenhum filho, o irmão a seguir deve casar com a viúva, para assim dar descendência ao irmão falecido .
29 Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou-se e morreu sem deixar filhos.
30 Ora o segundo,
31 depois o terceiro e os outros, até ao sétimo, todos casaram com ela e todos morreram sem deixar filhos.
32 Por último, morreu a mulher.
33 No dia da ressurreição de qual deles será a mulher, visto que os sete casaram com ela?»
34
Jesus deu-lhes esta resposta: «Neste mundo é que as pessoas se casam.35 Mas os que foram julgados dignos de chegar ao outro mundo e ressuscitar dos mortos, esses não se casam.
36 São como os anjos e já não podem morrer: são filhos de Deus porque são herdeiros da ressurreição.
37 Até o próprio Moisés, naquele trecho acerca do arbusto, nos deu a entender que os mortos ressuscitam, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob .
38 Ele não é Deus de mortos, mas de vivos; por isso para ele todos estão vivos.»
39 Houve então alguns doutores da lei que lhe disseram: «Muito bem, Mestre!»
40 Depois disto, ninguém mais tinha coragem de lhe fazer perguntas.
41
Jesus questionou-os: «Como pode dizer-se que o Messias é descendente de David?42 Vejam que o próprio David disse no livro dos Salmos: Deus disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita,
43 até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés .
44
Ora se David lhe chama Senhor, como pode o Messias ser seu descendente?»45
Estando toda a gente a ouvi-lo, Jesus disse aos discípulos:46 «Cuidado com os doutores da lei! Gostam de andar a passear bem trajados e de serem cumprimentados com todas as atenções nas praças públicas. Escolhem os lugares de destaque tanto nas sinagogas como nos banquetes.
47 Devoram os bens das viúvas enquanto se disfarçam fazendo longas orações. Mas Deus há de castigá-los ainda mais por causa disso.»
1
Jesus observava os ricos a deitarem dinheiro na caixa das ofertas do templo.2 Viu também uma viúva muito pobre que lá deitou duas moedas com pouco valor.
3 Jesus disse: «Garanto-vos que esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros.
4 É que eles deram do que lhes sobejava, mas ela, na sua pobreza, deu tudo o que tinha para viver.»
5
Estavam ali alguns a dizer que o templo era muito belo, com as suas pedras formosas, bem trabalhadas, e com as ofertas que o adornavam.6 «Lá virá o dia», afirmou Jesus, «em que tudo isto que aqui veem será deitado abaixo. Nem uma só destas pedras ficará no lugar.»
7
Perguntaram-lhe então: «Mestre, quando será isso e qual vai ser o sinal de que todas essas coisas estão para acontecer?»8 Ele respondeu: «Tenham cuidado e não se deixem enganar por ninguém! Virão muitos em meu nome a dizer: “Sou eu o Messias, está a chegar a hora!” Não vão atrás deles!
9 E quando ouvirem dizer que há guerras e revoluções, não tenham medo. Estas coisas têm de acontecer primeiro, mas não quer dizer que já seja o fim.»
10 E continuou: «As nações hão de entrar em luta umas com as outras e os países vão atacar-se uns aos outros.
11 Haverá grandes terramotos, fomes e pestes em muitos lugares, hão de ver-se coisas espantosas e do céu virão grandes sinais.
12 Mas antes de tudo isso, vocês serão presos e perseguidos, levados a julgamento nas sinagogas e lançados na prisão. Vão ter que comparecer diante de reis e governadores, por minha causa,
13 e terão assim oportunidade para dar testemunho de mim.
14 No entanto, convençam-se que não é preciso preocuparem-se com a própria defesa,
15 porque eu vos darei palavras e sabedoria a que nenhum dos vossos inimigos poderá resistir, nem será capaz de contradizer.
16 Serão atraiçoados pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E alguns serão mesmo levados à morte.
17 Vão ser odiados por toda a gente por minha causa,
18 mas nem um só cabelo das vossas cabeças se irá perder.
19 Mantenham-se firmes até ao fim e serão salvos.»
20
«Quando virem Jerusalém cercada por exércitos, ficarão a saber que não tardará a ser destruída.21 Nessa altura, aqueles que estiverem na Judeia devem fugir para os montes. Os que estiverem dentro da cidade devem sair dela e os que estiverem nos campos não devem entrar nela,
22 porque serão esses os dias de castigo em que se há de cumprir tudo o que diz a Escritura.
23 Ai das mulheres que estiverem grávidas nessa altura e das que andarem a amamentar crianças, pois haverá grande miséria no país e este povo será muito castigado.
24 Muitos serão mortos à espada e outros serão levados prisioneiros para todos os países. E Jerusalém será calcada aos pés pelos estrangeiros, até que termine o tempo deles.»
25
E disse mais: «Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas, e todas as nações da Terra ficarão aflitas e assustadas com o terrível bramido do mar agitado.26 Haverá quem desfaleça com medo do que vai acontecer em toda a Terra, porque as forças do espaço serão abaladas.
27 Verão então o Filho do Homem chegar numa nuvem com grande poder e glória.
28 Quando estas coisas começarem a acontecer, animem-se e levantem a cabeça porque já estará próxima a vossa salvação.»
29
Jesus apresentou-lhes depois outra parábola: «Reparem na figueira e em todas as outras árvores.30 Quando as suas folhas começam a aparecer, vê-se logo que o verão se aproxima.
31 Do mesmo modo, quando virem acontecer estas coisas, fiquem sabendo que o reino de Deus está perto.
32 Garanto-vos que tudo isso há de acontecer antes de desaparecer a gente deste tempo.
33 Desaparecerão os Céus e a Terra, mas as minhas palavras não desaparecem!»
34
«Tenham muito cuidado! Não se deixem cair nos exageros do comer e do beber, nem se deixem absorver pelos muitos cuidados desta vida! Não vá acontecer que aquele dia vos apanhe de surpresa,35 pois ele virá como uma armadilha, sobre todos os habitantes da Terra.
36 Estejam bem atentos e peçam sempre a Deus para que possam escapar a todas estas coisas que vão acontecer e para que possam apresentar-se firmes diante do Filho do Homem.»
37
Jesus passava os dias a ensinar no templo e ao cair da noite saía para ir descansar no Monte das Oliveiras.38 Toda a gente ia ter com ele ao templo logo de manhã para o ouvir.
1
Estava já próxima a festa em que se comem os pães sem fermento, chamada a festa da Páscoa.2 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei procuravam a maneira de matar Jesus, mas tinham medo do povo.
3 Então Satanás entrou em Judas, que tinha o sobrenome de Iscariotes e que pertencia ao número dos doze apóstolos.
4 Judas foi ter com os chefes dos sacerdotes e com os oficiais do templo e combinou com eles a maneira de lhes entregar Jesus.
5 Eles ficaram muito contentes com isso e prometeram dar-lhe dinheiro.
6 Judas concordou e começou a procurar a melhor ocasião de o entregar sem que o povo desse por isso.
7
Chegou o dia da festa dos Pães sem Fermento em que deviam matar-se os cordeiros para a Páscoa.8 Jesus mandou Pedro e João à cidade e recomendou-lhes: «Vão preparar o necessário para comermos a ceia da Páscoa.»
9 Eles perguntaram-lhe: «Aonde queres que a vamos preparar?»
10 Jesus respondeu: «Quando entrarem na cidade, hão de encontrar um homem com um cântaro de água. Vão atrás dele até à casa em que ele entrar.
11 Uma vez lá, dirão ao dono da casa: “O Mestre manda perguntar: onde é que fica a sala para eu comer a ceia da Páscoa com os meus discípulos?”
12 Ele há de mostrar-vos uma grande sala no andar de cima, com tudo o que é preciso. Preparem lá a nossa Páscoa.»
13 Eles partiram, encontraram tudo como Jesus dissera e prepararam a ceia da Páscoa.
14
Quando chegou a altura, Jesus sentou-se à mesa com os apóstolos15 e disse-lhes: «Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de morrer.
16 Pois afirmo-vos que não voltarei a comê-la até que ela receba o seu significado completo no reino de Deus.»
17 Pegou então no cálice, deu graças a Deus e disse: «Tomem, repartam-no entre todos,
18 pois digo-vos que, a partir de agora, não voltarei a beber vinho até que chegue o reino de Deus.»
19 Depois pegou no pão, deu graças a Deus, partiu-o, deu-o aos discípulos: «Isto é o meu corpo entregue à morte para vosso benefício. Façam isto em memória de mim.»
20 Do mesmo modo, depois da ceia, pegou no cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança de Deus confirmada com o meu sangue, derramado para vosso benefício.»
21
«Mas reparem que aquele que me vai trair está aqui comigo à mesa.22 Na realidade, o Filho do Homem vai seguir o caminho que lhe foi traçado por Deus, mas ai daquele homem que o vai trair!»
23 Eles então começaram a perguntar uns aos outros qual deles é que iria fazer uma coisa daquelas.
24
Os discípulos tiveram uma discussão sobre qual deles seria o mais importante.25 Mas Jesus observou: «Os reis do mundo consideram-se senhores dos povos e os que têm poder passam por benfeitores públicos.
26 Mas convosco não pode ser assim. Pelo contrário, aquele que for o maior proceda como se fosse o mais pequeno, e o que governar proceda como quem serve os outros.
27 Qual será mais importante? O que está sentado à mesa a comer ou o que está a servir? Claro que é o que está sentado à mesa! Pois bem, aqui entre todos eu sou como aquele que serve.»
28
E acrescentou: «Eu sempre vos tive comigo em todas as minhas aflições.29 Por isso ponho à vossa disposição um reino, como meu Pai o pôs à minha disposição,
30 para que comam e bebam à minha mesa no meu reino e se sentem em tronos para julgarem as doze tribos de Israel.»
31
«Simão! Simão!», disse ainda o Senhor, «olha que Satanás pediu para vos experimentar a todos, como quem passa o trigo por um crivo,32 mas eu roguei a Deus por ti para que a tua fé não falhe. E tu, quando voltares para mim, encoraja os teus irmãos.»
33 Pedro respondeu: «Senhor, estou disposto a ir contigo até à prisão e até à morte.»
34 «Olha, Pedro», avisou-o Jesus, «não cantará hoje o galo sem que me tenhas negado três vezes.»
35
E perguntou aos discípulos: «Quando vos mandei sem bolsa, nem saco, nem calçado, faltou-vos por acaso alguma coisa?» «Não!», responderam eles36 Jesus prosseguiu: «Pois agora, aquele que tiver bolsa, leve-a consigo, bem como o saco. E o que não tiver espada, venda a capa e compre uma.
37 Afirmo-vos que irá cumprir-se em mim aquela frase da Escritura: Foi considerado como um criminoso . Realmente, tudo o que está escrito a meu respeito vai-se cumprir.»
38 Eles então disseram-lhe: «Senhor, temos aqui duas espadas.» E Jesus: «É suficiente.»
39
Jesus saiu para o Monte das Oliveiras, como era seu costume. Os discípulos foram com ele.40 Quando lá chegou, disse-lhes: «Peçam a Deus para não caírem em tentação.»
41 Afastou-se deles a uma curta distância e, pondo-se de joelhos, orava assim:
42 «Pai, se for do teu agrado, livra-me deste cálice de amargura. No entanto, não se faça a minha vontade, mas sim a tua.»
43 Nisto, apareceu-lhe um anjo do Céu que veio dar-lhe forças.
44 Jesus estava muito angustiado e orava ainda com mais fervor, enquanto o suor lhe caía no chão, como grandes gotas de sangue .
45
Depois da oração, levantou-se e foi ter com os discípulos, mas encontrou-os abatidos pela tristeza.46 «Estão a dormir? Levantem-se e orem, para não caírem em tentação», disse-lhes.
47
Ainda Jesus estava a falar quando chegou uma multidão. À frente vinha Judas, que era um dos doze discípulos. Aproximou-se de Jesus para lhe dar um beijo48 e Jesus perguntou-lhe: «Judas, é com um beijo que atraiçoas o Filho do Homem?»
49 Quando os discípulos que estavam com Jesus viram o que ia acontecer, adiantaram-se: «Senhor, queres que ataquemos à espada?»
50 E um deles atacou logo o criado do chefe dos sacerdotes, cortando-lhe a orelha direita.
51 Mas Jesus respondeu: «Basta! Deixem-nos.» E, tocando com a mão na orelha do homem, curou-o.
52
Jesus dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos que foram para o prender: «Vieram aqui com espadas e paus para me prenderem, como se eu fosse um ladrão?53 Estava convosco todos os dias no templo e não me prenderam! Mas esta é a vossa hora, é o poder das trevas!»
54
Eles prenderam Jesus e levaram-no à casa do chefe dos sacerdotes. Pedro seguia-o à distância.55 Alguns acenderam uma fogueira no meio do pátio e estavam sentados em volta para se aquecerem. Pedro sentou-se também entre eles.
56 A certa altura, uma criada que o viu sentado junto da fogueira pôs-se a olhar para ele: «Este também lá estava com ele!»
57 Mas Pedro negou: «Eu nem o conheço, mulher!»
58 Pouco depois, outro criado viu-o e exclamou: «Tu também és um deles!» Porém Pedro respondeu: «Ó homem, não sou!»
59 Daí por cerca de uma hora apareceu outro que insistiu: «Não há dúvida de que este estava com ele, porque também é da Galileia!»
60 E Pedro reafirmou: «Ó homem, não sei de que estás a falar!» Ainda ele estava a proferir estas palavras quando um galo cantou.
61 O Senhor então voltou-se, olhou para Pedro, que se lembrou do que ele lhe disse: «Não cantará hoje o galo sem que me tenhas negado três vezes.»
62 Então Pedro saiu dali e chorou amargamente.
63
Os homens que estavam a guardar Jesus faziam troça dele e batiam-lhe.64 Enquanto isto, vendaram-lhe os olhos e perguntavam: «Se és profeta, adivinha quem te bateu!»
65 E diziam muitas outras coisas para o insultar.
66
Quando se fez dia, reuniu-se o conselho dos anciãos do povo, chefes dos sacerdotes e doutores da lei e levaram Jesus à presença do tribunal judaico.67 Interrogaram-no então: «Diz-nos lá, és tu o Messias?» E ele respondeu: «Se vos disser que sim, não acreditam,
68 e se vos fizer uma pergunta não me dão resposta.
69 Mas a partir de agora o Filho do Homem estará sentado à direita de Deus todo-poderoso.»
70 Eles exclamaram todos: «Então és o Filho de Deus?» Ao que Jesus replicou: «Acabaram de dizer que eu o sou!»
71 Assim concluíram: «Já não precisamos de mais provas! Nós próprios ouvimos o que ele afirmou!»
1
Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos.2 Então começaram a acusá-lo: «Apanhámos este homem a revoltar o nosso povo, dizendo que não se deviam pagar impostos ao imperador e fazendo-se passar pelo Messias-Rei .»
3 Pilatos inquiriu: «És tu o rei dos judeus?» «Tu o dizes», retorquiu Jesus.
4 Pilatos falou assim aos chefes dos sacerdotes e à multidão: «Não acho razão para condenar este homem.»
5 Mas eles insistiam cada vez mais: «Olha que ele tem andado a agitar o povo com aquilo que ensina por todo o país, desde a Galileia até aqui.»
6
Quando Pilatos ouviu isto, perguntou se aquele homem era da Galileia.7 Sendo informado que Jesus pertencia à região governada por Herodes, enviou-lho, pois Herodes estava naquela altura em Jerusalém.
8 Herodes ficou muito contente por ver Jesus. Com efeito, desde há bastante tempo que desejava conhecê-lo, porque ouvia falar muito dele. Esperava mesmo que Jesus fizesse algum sinal milagroso na sua presença.
9 Perguntou-lhe muitas coisas, mas Jesus não respondeu a nenhuma.
10 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei levantaram-se, acusando Jesus com grande insistência.
11 Então Herodes, juntamente com os seus soldados, tratou-o com desprezo. Mandou que o vestissem com um manto vistoso e enviou-o a Pilatos.
12 Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes ficaram amigos, pois antes disso andavam de relações cortadas.
13
Pilatos reuniu então os chefes dos sacerdotes, as autoridades e o povo, e falou-lhes assim:14 «Trouxeram-me este homem e disseram-me que ele tem andado a revoltar o povo. Mas interroguei-o aqui na presença de todos e não lhe encontro crime nenhum daqueles de que o acusam.
15 Nem mesmo Herodes o achou culpado, pois como estão a ver ele mandou-o outra vez para nós. Olhem que ele não fez nada que mereça a pena de morte.
16 Portanto, vou pô-lo em liberdade, depois de o ter castigado.»
17 [Durante a festa da Páscoa, Pilatos tinha sempre que lhes soltar um preso .]
18 Mas todos começaram a gritar ao mesmo tempo: «Fora daqui com ele! Solta-nos mas é Barrabás!»
19 Este Barrabás tinha sido preso por causa duma revolta ocorrida na cidade e por homicídio.
20 Pilatos, querendo soltar Jesus, falou outra vez ao povo.
21 Contudo, aquela multidão gritava cada vez mais: «Crucifica-o! Crucifica-o!»
22 Pilatos insistiu pela terceira vez: «Mas que mal fez ele? Não lhe encontro nenhum crime que mereça a pena de morte. Por isso, vou pô-lo em liberdade, depois de o castigar.»
23 Eles insistiam aos gritos que fosse crucificado. E tanto gritaram
24 que Pilatos acabou por lhes fazer a vontade:
25 soltou-lhes, como eles queriam, o homem que tinha sido preso como revoltoso e assassino, e entregou Jesus para que o povo fizesse dele o que quisesse.
26
Quando o levavam, obrigaram um homem de Cirene chamado Simão, que vinha do campo, a carregar a cruz de Jesus às costas e a seguir atrás dele.27 Ia também uma grande multidão em que se viam algumas mulheres que choravam e se lamentavam por causa dele.
28 Jesus voltou-se e disse-lhes: «Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim, chorem antes pelas vossas vidas e pelos vossos filhos.
29 Há de vir o tempo em que se dirá: “Felizes as mulheres que não podem ter filhos, e que nunca os tiveram, e que nunca os amamentaram!”
30 Nessa altura as pessoas começarão a dizer às montanhas: “Caiam em cima de nós!” e às colinas: “Escondam-nos!”
31 Pois se tratam desta maneira a árvore verde que será da que estiver seca?»
32
Também levavam dois criminosos para os matarem juntamente com Jesus.33 Chegaram ao lugar chamado Caveira e ali o pregaram numa cruz, bem como aos dois criminosos: um à sua direita e o outro à sua esquerda.
34 Jesus porém dizia: «Pai, perdoa-lhes, que não sabem o que fazem !» Eles dividiram entre si a roupa de Jesus, depois de terem deitado sortes.
35 O povo olhava para aquilo tudo, enquanto as autoridades judaicas faziam troça dele e diziam: «Salvou os outros, que se salve a si mesmo, se é o Messias a quem Deus escolheu!»
36 Também os soldados escarneciam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre
37 e diziam: «Salva-te a ti mesmo, se és o rei dos judeus.»
38 Por cima de Jesus estava um letreiro com estes dizeres: «Este é o rei dos judeus.»
39
Um dos criminosos crucificados insultava-o assim: «Então não és o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós!»40 Mas o outro repreendia-o: «Não tens temor a Deus, tu que estás a sofrer a mesma condenação?
41 Nós estamos aqui a pagar o justo castigo pelos atos que temos praticado, mas este não fez nada de mal.»
42 E pediu a Jesus: «Lembra-te de mim quando chegares ao teu reino.»
43 Jesus respondeu-lhe: «Podes ter a certeza que hoje mesmo estarás comigo no paraíso.»
44
Era quase meio-dia quando o Sol deixou de brilhar e toda a Terra ficou às escuras até às três horas da tarde.45 A cortina do templo rasgou-se ao meio.
46 Então Jesus deu um grande brado e disse: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Mal acabou de pronunciar estas palavras, morreu.
47 Ao ver isto, o oficial romano que ali estava deu glória a Deus exclamando: «Este homem era realmente justo!»
48 As pessoas que lá se juntaram para presenciar o que acontecia, depois do que viram, voltaram para casa a bater no peito.
49 Todos os que conheciam Jesus pessoalmente, incluindo as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia, ficaram a uma certa distância a ver o que se passava.
50
Havia um homem chamado José, da cidade de Arimateia, na região da Judeia, que era pessoa de bem, muito religioso, e esperava também a vinda do reino de Deus.51 Fazia parte do tribunal judaico, mas não tinha concordado com o que se fez.
52 Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.
53 Depois tirou-o da cruz, envolveu-o num lençol e foi sepultá-lo num túmulo aberto na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
54 Era sexta-feira e estava quase a começar o sábado.
55
As mulheres que tinham vindo com Jesus desde a Galileia foram atrás de José. Viram o túmulo e como o corpo de Jesus lá foi sepultado.56 Quando voltaram para casa prepararam perfumes e unguentos para o corpo. Mas no sábado descansaram, como manda a lei.
1
No domingo de manhãzinha, as mulheres levaram os perfumes que tinham preparado e foram ao túmulo.2 Nisto, viram que a pedra que tapava a entrada do sepulcro tinha sido rodada para o lado.
3 Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
4 Estavam ainda sem saber o que haviam de fazer, quando viram dois homens de pé junto delas, vestidos com roupas brilhantes.
5 Elas baixaram os olhos para o chão, cheias de medo, mas eles disseram-lhes: «Por que procuram entre os mortos aquele que está vivo?
6 Não está aqui, mas ressuscitou. Não se lembram do que ele vos disse, quando ainda estava na Galileia,
7 que é preciso que o Filho do Homem seja entregue ao poder dos maus, que seja pregado numa cruz e que ao terceiro dia ressuscite?»
8 Elas então lembraram-se daquelas palavras.
9 Saíram do túmulo e foram dizer tudo isto aos onze apóstolos e a todos os demais.
10 Essas mulheres eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e ainda outras que também confirmavam isso.
11 Mas os apóstolos acharam que aquelas coisas que as mulheres contaram não faziam sentido e não acreditaram nelas.
12 No entanto, Pedro levantou-se e correu até ao sepulcro. Inclinou-se, viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado com o que tinha acontecido .
13
Nesse mesmo dia iam dois dos discípulos para uma aldeia chamada Emaús, a cerca de onze quilómetros de Jerusalém.14 Pelo caminho conversavam a respeito de tudo o que sucedera.
15 No meio da conversa, Jesus aproximou-se e pôs-se a caminho com eles.
16 Mas os seus olhos estavam incapazes de o reconhecer.
17 Jesus perguntou-lhes: «Que é que vão a discutir pelo caminho?» Eles pararam, com ar muito triste.
18 Um deles, que se chamava Cléofas, respondeu: «Serás tu o único visitante que não sabe o que se passou em Jerusalém nestes últimos dias?»
19 E ele: «Mas que aconteceu?» Eles responderam: «Aquilo que se passou com Jesus de Nazaré que era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de toda a gente.
20 Os nossos chefes dos sacerdotes e as nossas autoridades entregaram-no para ser condenado à morte e pregaram-no numa cruz.
21 E nós esperávamos que fosse ele quem viria libertar Israel! Mas com todas estas coisas, já lá vão três dias desde que isto aconteceu.
22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram em sobressalto, porque foram de madrugada ao sepulcro
23 e não encontraram lá o corpo. Depois vieram dizer-nos que tinham tido uma visão de anjos a anunciar-lhes que ele estava vivo.
24 Alguns dos nossos companheiros foram logo ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Jesus não o viram!»
25
Jesus, por fim, disse-lhes: «Mas que falta de entendimento e que lentidão a vossa para acreditar em tudo o que os profetas disseram!26 Então o Messias não tinha que sofrer tudo isso antes de ser glorificado?»
27 E pôs-se a explicar-lhes o que acerca dele se dizia em todas as Escrituras, começando pelos livros de Moisés e seguindo por todos os livros dos profetas.
28
Quando chegaram à aldeia para onde iam, Jesus fez como quem ia para mais longe.29 Mas eles convenceram-no a ficar: «Fica connosco, porque já se está a fazer tarde; já é quase noite.» Jesus entrou e ficou com eles.
30 Quando estavam à mesa, pegou no pão, deu graças a Deus, partiu-o e dividiu-o com eles.
31 Foi nessa altura que se lhes abriu o entendimento e o reconheceram, mas nisto ele desapareceu.
32 Diziam então um para o outro: «Não é verdade que o coração nos ardia no peito, quando ele nos vinha a falar pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
33
Levantaram-se imediatamente e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os onze apóstolos reunidos com outros companheiros34 que lhes disseram: «É verdade que o Senhor ressuscitou! Simão já o viu!»
35 Os dois que vieram de Emaús contaram-lhes então o que lhes acontecera pelo caminho, e como o tinham reconhecido no partir do pão.
36
Estavam a descrever estas coisas, quando Jesus apareceu no meio deles e disse: «A paz esteja convosco.»37 Assustaram-se e ficaram cheios de medo, porque pensavam que era um fantasma.
38 Mas Jesus tranquilizou-os dizendo: «Por que é que se assustam, e por que têm tantas dúvidas a meu respeito?
39 Olhem para as minhas mãos e para os meus pés. Sou eu mesmo. Toquem-me e vejam, porque um espírito não tem carne nem ossos, como veem que eu tenho.»
40 Ao dizer isto, mostrou-lhes as mãos e os pés .
41 Mas até lhes custava a acreditar, tão cheios de alegria e de admiração eles estavam. Então Jesus perguntou-lhes: «Têm aqui alguma coisa para comer?»
42 Deram-lhe uma posta de peixe assado,
43 que comeu à vista deles.
44
Jesus acrescentou ainda: «O que eu vos tinha dito, quando andávamos juntos, é que tudo o que estava escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos livros dos profetas e nos Salmos, tinha de se cumprir.»45 Depois abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras
46 e disse-lhes: «É assim que está escrito: que o Messias tinha de morrer, que ao terceiro dia havia de ressuscitar dos mortos
47 e que em seu nome se havia de pregar a mensagem sobre o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando em Jerusalém.
48 São vocês as testemunhas de tudo isto;
49 e como tal vou enviar-vos, eu próprio, o que meu Pai prometeu. Devem esperar aqui em Jerusalém, até que recebam o poder que vos há de vir do Céu.»
50
Jesus levou-os depois para fora da cidade, para os lados de Betânia. Ali levantou as mãos e abençoou-os.51 Enquanto os abençoava, afastou-se e foi elevado ao Céu.
52 Eles adoraram-no e voltaram para Jerusalém muito contentes;
53 e estavam constantemente no templo dando graças a Deus.