1
No terceiro ano do reinado de Joaquim, rei de Judá , Nabucodonosor, rei da Babilónia, foi cercar Jerusalém.2 O Senhor permitiu que ele se apoderasse de Joaquim, rei de Judá, e de uma parte dos objetos sagrados do templo. Regressando à Babilónia , Nabucodonosor depositou esses objetos na sala dos tesouros do templo dos seus deuses .
3
O rei deu ordem a Aspenaz, chefe do pessoal da sua casa, para que escolhesse de entre os israelitas exilados alguns jovens da família real e da nobreza.4 Esses jovens destinavam-se a servir na corte e, por isso, deviam ser de bom aspeto e sem defeito físico, inteligentes, bem-educados e instruídos. Aspenaz devia ensinar-lhes a ciência e a língua dos babilónios .
5 O rei também deu ordens para que a comida e o vinho que lhes eram servidos diariamente fossem os mesmos da casa real. E durante três anos deviam prepará-los, para entrarem ao serviço de Sua Majestade.
6
Entre os jovens escolhidos, encontravam-se Daniel, Hananias, Michael e Azarias, todos da tribo de Judá.7 Porém Aspenaz, chefe do pessoal da casa real, pôs-lhes nomes diferentes: a Daniel pôs o nome de Beltechaçar ; a Hananias, o de Chadrac; a Michael, o de Mechac; e a Azarias, o de Abed-Nego.
8 Daniel tomou a resolução de se manter fiel às regras de alimentação do seu povo e não queria tocar na comida e no vinho da corte. Por isso, pediu a Aspenaz que o dispensasse dessa alimentação.
9 E Deus fez com que o chefe do pessoal acolhesse Daniel com simpatia e benevolência.
10 Porém Aspenaz teve medo do rei e lembrou-lhes: «Foi o rei, meu senhor, que decidiu o que devem comer e beber. E se ele vê que ficam mais magros do que os outros da vossa idade, a minha vida fica em perigo, por vossa causa.»
11
Então Daniel foi ter com o encarregado que Aspenaz tinha nomeado para cuidar dele e dos seus três colegas Hananias, Michael e Azarias e pediu-lhe:12 «Faça uma experiência connosco, durante dez dias. Dê-nos legumes para comer e água para beber.
13 No fim desses dez dias, compare-nos com os jovens que comem da ementa real e então decida segundo o resultado que encontrar.»
14
O encarregado concordou em fazer com eles a experiência, durante dez dias.15 Ao fim deste prazo, verificou-se que os jovens tinham um aspeto mais sadio e robusto do que os que comiam da ementa real.
16 Por isso, o encarregado permitiu que continuassem a comer legumes, pondo de parte as comidas e bebidas que lhes eram destinadas.
17 Deus abençoou estes quatro jovens, dando-lhes sabedoria e conhecimento nas letras e ciências. E a Daniel deu o poder de interpretar visões e sonhos.
18
No fim dos três anos prescritos pelo rei, Aspenaz levou o grupo à presença de Nabucodonosor.19 Ao falarem com Sua Majestade, Daniel, Hananias, Michael e Azarias impressionaram-no mais do que os outros. Por essa razão, ficaram diretamente ao serviço do rei.
20 Sempre que este lhes fazia uma pergunta ou apresentava um problema, os quatro jovens mostravam dez vezes mais conhecimento do que os outros magos e adivinhos de todo o seu reino.
21
E Daniel permaneceu na corte até ao primeiro ano do reinado de Ciro .1
No segundo ano do seu reinado, Nabucodonosor foi assaltado por sonhos que o agitaram de tal maneira que não conseguia dormir.2 Mandou chamar os magos, adivinhos, feiticeiros e astrólogos, para lhe explicarem os sonhos. Quando estavam reunidos na sua presença,
3 o rei disse-lhes: «Tive um sonho e fiquei muito preocupado, sem saber o que ele significava.»
4
Em seguida, aqueles magos dirigiram-se ao rei em aramaico : «Que Vossa Majestade viva para sempre! Conte-nos o sonho que teve e diremos o que significa.»5
O rei replicou: «Tomei esta firme decisão: se não forem capazes de me explicar o sonho e o seu significado, vou mandar que vos cortem aos bocados e que destruam por completo as vossas casas.6 Mas se me contarem o sonho e me derem o seu significado, receberão grande recompensa e honra. Digam-me lá então o que sonhei e o seu significado.»
7
Ao ouvirem estas palavras, ainda insistiram: «Se Vossa Majestade nos contar o sonho, imediatamente lhe diremos o que significa.»8
Então o rei exclamou: «É isso mesmo! Estão a tentar ganhar tempo, porque veem que decidi9 castigar-vos a todos, se não me disserem o que sonhei. Estão a ganhar tempo, para ver se me esqueço de vez do que sonhei, para me dizerem outra coisa e eu mudar a minha decisão a vosso respeito. Digam-me primeiro o que eu sonhei e só então terei a certeza de que são capazes de me dar o seu significado.»
10
Os magos responderam: «Não há ninguém em toda a terra que possa satisfazer o desejo de Vossa Majestade. Nenhum rei, por maior e mais poderoso que seja pode exigir semelhante coisa aos seus magos, adivinhos e astrólogos.11 O que Vossa Majestade pede é tão difícil que ninguém o pode fazer, a não ser os deuses; e estes não vivem no mundo dos seres humanos.»
12
Ao ouvir isto, o rei não pôde conter a sua ira e ordenou que fossem mortos todos os sábios da Babilónia.13 E foi publicado um decreto para que eles fossem executados. Daniel e os seus companheiros tinham de ser igualmente mortos.
14
Então Daniel foi ter com Arioc, comandante da guarda real, a quem fora dada a ordem de matar os sábios da Babilónia. Escolhendo as palavras com cuidado e sabedoria,15 perguntou-lhe a razão de uma ordem tão severa da parte do rei. E Arioc contou-lhe o que sucedera.
16 Em seguida, Daniel foi pedir ao rei para que lhe concedesse um prazo e que lhe havia de dar o significado do sonho.
17
Ao regressar a casa, contou aos seus amigos Hananias, Michael e Azarias tudo o que se passava.18 Pediu-lhes que orassem para que o Deus dos céus tivesse misericórdia e lhes revelasse o mistério, para que não fossem mortos juntamente com os outros sábios da Babilónia.
19
Naquela mesma noite, o sonho misterioso foi revelado a Daniel, numa visão, e ele louvou o Deus dos céus, desta maneira:20
«Deus é sábio e poderoso ;
louvado seja o seu nome para todo o sempre!
21
Ele controla os tempos e as estações;
estabelece e destrona os reis;
é ele que dá a sabedoria aos sábios
e a inteligência aos inteligentes.
22
Revela o que é profundo e secreto,
conhece o que é obscuro,
e está sempre rodeado de luz .
23
A ti, ó Deus dos meus antepassados,
dou louvor e honra.
Tu deste-me sabedoria e coragem:
respondeste à nossa oração,
e mostraste-nos o que devemos dizer ao rei.»
24
Em seguida, Daniel dirigiu-se a Arioc, a quem o rei dera ordens para que executasse os sábios da Babilónia, e disse-lhe: «Não os mates; leva-me à presença do rei e eu lhe mostrarei o que significa o sonho.»25 Arioc fez comparecer Daniel diante do rei Nabucodonosor e disse-lhe: «Majestade! Descobri, entre os exilados judeus, um que diz que é capaz de revelar o significado do sonho.»
26
O rei perguntou a Daniel, que também se chamava Beltechaçar: «És capaz de me contar o sonho e dizer o que ele significa?»27
Daniel respondeu-lhe: «Saiba Vossa Majestade que não há nenhum sábio, adivinho, mago, ou astrólogo capaz de lhe revelar esse mistério.28 Mas há um Deus nos céus, capaz de revelar os mistérios. Ele quis informar Vossa Majestade sobre o que vai acontecer no futuro. Na visão que teve enquanto estava a dormir, o seu sonho foi o seguinte:
29 Deitado na sua cama, Vossa Majestade sonhou acerca do futuro; Deus, que revela os mistérios, mostrou o que vai acontecer.
30 Esse sonho misterioso foi-me revelado, não porque eu seja mais sábio do que os outros, mas para que Vossa Majestade conheça o significado do sonho que teve e perceba aquilo que o preocupava.
31
Vossa Majestade viu diante de si uma estátua gigantesca, muito brilhante e de aspeto impressionante.32 A cabeça era feita de ouro puro; o peito e os braços eram de prata; o ventre e as coxas eram de bronze;
33 as suas pernas eram de ferro e os pés em parte de ferro e em parte de barro.
34 Enquanto Vossa Majestade olhava, uma grande pedra soltou-se dum rochedo , sem que ninguém lhe tocasse, e bateu nos pés de ferro e de barro da estátua, fazendo-os em pedaços.
35 Como consequência, não só o ferro e o barro, mas também o bronze, a prata e o ouro desfizeram-se em pó; e como o pó da eira, no verão , o vento espalhou-o de tal maneira que não ficou nenhum vestígio. Porém a pedra cresceu até se transformar numa montanha, que cobriu toda a terra.
36
Este foi o sonho. Agora vou dizer a Vossa Majestade o que ele significa.37 Vossa Majestade é o maior de todos os reis. O Deus dos céus deu-lhe soberania, poder, domínio e honra.
38 Fê-lo senhor de toda a Humanidade e de todos os animais e aves, onde quer que se encontrem. Vossa Majestade é a cabeça de ouro.
39 Depois de Vossa Majestade, virá outro reino, não tão poderoso como o seu, que será seguido de um terceiro, um reino de bronze, que dominará sobre toda a terra.
40 Em seguida, surgirá um quarto reino, forte como o ferro, que tudo faz em bocados e destrói. E assim como o ferro tudo faz em bocados, também fará em bocados e destruirá os reinos anteriores .
41 Vossa Majestade viu ainda que os pés e os dedos dos pés da estátua eram em parte de barro e em parte de ferro. Isso significa que se trata de um reino dividido. A sua força será em parte semelhante à do ferro, porque havia ferro misturado com barro.
42 Os dedos em parte de ferro e em parte de barro, significa que parte desse reino será forte e parte será fraco.
43 Vossa Majestade viu igualmente que o ferro estava misturado com o barro. Isso significa que os governantes desse reino tentarão unir as suas famílias por casamento, mas não o conseguirão, da mesma maneira que o ferro se não pode misturar com o barro .
44
No tempo desses reis, o Deus dos céus fundará um reino que não terá fim. Esse reino nunca será conquistado por outro povo, mas aniquilará por completo todos os outros reinos e permanecerá para sempre.45 Por isso, Vossa Majestade viu como uma grande pedra se soltou de um rochedo, sem que ninguém lhe tocasse, e reduziu a pó o ferro, bronze, barro, prata e ouro. O Deus que é poderoso quis assim mostrar a Vossa Majestade o que irá acontecer no futuro. O que acabo de relatar foi o que o rei viu em sonhos; e esta interpretação é verdadeira.»
46
Então o rei Nabucodonosor inclinou-se respeitosamente até ao chão diante de Daniel e deu ordens para que lhe apresentassem sacrifícios e ofertas.47 E dirigindo-se a Daniel, o rei disse: «O vosso Deus é o maior de todos; ele domina sobre todos os reis e só ele revela os mistérios. De facto, só tu foste capaz de me desvendar este mistério.»
48 Em seguida, concedeu a Daniel grandes honras e ofereceu-lhe muitos e valiosos presentes. Entregou-lhe ainda o governo da província da Babilónia e fê-lo chefe supremo de todos os sábios do país.
49 A pedido de Daniel, o rei nomeou Chadrac, Mechac e Abed-Nego para a administração da província da Babilónia, enquanto Daniel ficava no palácio real.
1
O rei Nabucodonosor mandou fazer uma estátua de ouro, com cerca de trinta metros de altura e três de largura, e ordenou que a pusessem na planície de Dura, na província da Babilónia.2 E ordenou também que se reunissem todos os altos funcionários, os sátrapas, ministros prefeitos, conselheiros, tesoureiros, letrados e magistrados. Todos deviam assistir à inauguração da estátua que o rei Nabucodonosor mandara fazer.
3 Quando todos eles estavam reunidos para a inauguração e se apresentaram diante da estátua erguida por Nabucodonosor,
4 um arauto fez saber em alta voz:
«Povos de todas as nações, raças e línguas, prestem atenção!5 Vão ouvir o toque das trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios e de muitos outros instrumentos. Quando se ouvir o toque desses instrumentos, prostrai-vos para adorar a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor mandou erguer.
6 Quem não se prostrar em adoração será imediatamente lançado numa fornalha a arder em chamas!»
7
E assim, mal o som dos referidos instrumentos se fez ouvir, os povos de todas as nações, raças e línguas se prostraram para adorar a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor mandara fazer.8
Foi então que alguns caldeus aproveitaram a ocasião para denunciar os judeus.9 E foram dizer ao rei Nabucodonosor: «Que Vossa Majestade viva para sempre!
10 Vossa Majestade emitiu um decreto para que mal se fizesse ouvir o toque das trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios e doutros instrumentos, todos se deviam prostrar para adorar a estátua de ouro.
11 E se alguém não se inclinasse e recusasse adorar a estátua seria atirado para uma fornalha a arder em chamas.
12 Mas alguns judeus que Vossa Majestade nomeou para governarem a província da Babilónia desobedeceram às ordens dadas pelo rei. Não adoraram os vossos deuses nem se prostraram diante da estátua. São eles Chadrac, Mechac e Abed-Nego.»
13
Nabucodonosor ficou furioso e ordenou que os três homens fossem levados à sua presença. Quando eles se apresentaram,14 o rei perguntou-lhes: «Chadrac, Mechac e Abed-Nego, é verdade que vocês se recusaram a adorar os meus deuses e a adorar a estátua que mandei erguer?
15 Pois bem! Mal ouvirem o som das trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios e de todos os outros instrumentos, devem prostrar-se e adorar a estátua que fiz. Se desobedecerem, serão imediatamente atirados para dentro da fornalha a arder em chamas. Pensam que há algum deus que vos possa livrar do meu poder?»
16
Chadrac, Mechac e Abed-Nego responderam: «Saiba Vossa Majestade que não nos queremos defender.17 Mas o Deus a quem servimos é capaz de nos livrar da fornalha e do vosso poder. E vai livrar-nos.
18 Mas mesmo que ele não nos livrasse, pode ter a certeza que não adoraremos os vossos deuses nem nos inclinaremos diante da estátua de ouro que mandou fazer.»
19
Nabucodonosor ficou furioso e perdeu a paciência com Chadrac, Mechac e Abed-Nego. Ordenou aos seus servos que pusessem sete vezes mais lenha na fornalha.20 Mandou então aos soldados mais fortes do seu exército que amarrassem os três homens e os atirassem para dentro da fornalha a arder em chamas.
21 E assim foram amarrados com a camisa, capa, turbante e tudo o que tinham vestido e foram lançados na fornalha a arder.
22 Como o rei tinha dado ordens estritas para a fornalha ser aquecida acima do normal, as chamas atingiram e mataram os guardas que atiraram para o fogo os três homens, Chadrac, Mechac e Abed-Nego.
23 Chadrac, Mechac e Abed-Nego, ainda ligados, caíram os três no meio da fornalha em chamas.
24
De repente, Nabucodonosor levantou-se estupefacto, e perguntou aos oficiais: «Não eram três os homens que amarrámos e atirámos para dentro da fornalha?» Eles responderam: «É certo, Majestade!»25
O rei replicou: «Então como é que eu vejo quatro a andar no fogo? E estes não estão ligados nem parecem ser atingidos pelas chamas! O quarto parece mesmo um deus!»26
Então Nabucodonosor aproximou-se da entrada da fornalha e gritou: «Chadrac! Mechac! Abed-Nego! Servos do Deus altíssimo! Saiam cá para fora!» E eles saíram.27
Sátrapas, chefes, governadores e outros oficiais do rei aproximaram-se dos três homens para verificar se não estavam queimados. O seu cabelo não estava chamuscado, nem a roupa tinha ardido. Nem sequer cheiravam a fumo.28 Então o rei exclamou: «Louvado seja o Deus de Chadrac, Mechac e Abed-Nego! Ele enviou o seu anjo para socorrer estes homens que o servem e nele confiam. Desobedeceram às minhas ordens e preferiram arriscar a vida a inclinar-se para adorar outros deuses, além do seu.
29 Por isso, ordeno que quem falar sem respeito pelo Deus de Chadrac, Mechac e Abed-Nego, seja quem for e venha donde vier, sem distinção de raça ou de língua, seja feito em bocados e a sua casa seja completamente destruída. Pois não há outro deus que possa livrar alguém, como este.»
30
Em seguida o rei promoveu Chadrac, Mechac e Abed-Nego a posições ainda mais elevadas, no governo da província da Babilónia.31
Mensagem do rei Nabucodonosor para os povos de todas as nações, raças e línguas do mundo: «Desejo-vos paz e prosperidade!32
Pareceu-me bem fazer o relato dos prodígios e milagres que o Deus Altíssimo me fez.33
Como são grandes os prodígios de Deus!
E como são extraordinários os seus milagres!
Deus reinará para sempre;
o seu domínio durará eternamente.»
1
«Eu vivia tranquilo no conforto e sumptuosidade do meu palácio.2 E, uma noite, enquanto dormia, tive um sonho e pesadelos que me perturbaram; neles vi coisas terríveis.
3 Quando acordei, mandei vir à minha presença os sábios da Babilónia, para que me revelassem o significado daquilo que eu sonhara.
4 Os magos, adivinhos, astrólogos e feiticeiros compareceram diante de mim. Contei-lhes o sonho, mas não foram capazes de me explicar o seu sentido.
5 Por fim, veio à minha presença Daniel, que também se chama Beltechaçar, segundo o nome do meu deus . O espírito dos deuses santos está com ele. Contei-lhe também o que sonhara e disse-lhe:
6 “Eu sei que o espírito dos deuses santos está contigo, ó Beltechaçar, chefe dos magos; sei que podes entender todos os mistérios. Vou dizer-te o que sonhei, para que me digas o que significa.
7
Enquanto dormia na minha cama, tive esta visão: Vi uma árvore gigantesca, plantada no meio da terra.8
Ela não parou de crescer
até que chegou ao céu
e podia ser vista do mundo inteiro.
9
As suas folhas eram belas,
e estava carregada de fruto
suficiente para alimentar toda a terra.
Animais selvagens descansavam à sua sombra;
as aves faziam ninho nos seus ramos
e todos os seres criados comiam do seu fruto.
10
Enquanto eu, deitado, meditava na visão,11
que proclamava com voz forte:
Deitem a árvore abaixo e cortem os seus ramos;
tirem-lhe as folhas e espalhem os frutos.
Afastem os animais que estão debaixo dela,
e enxotem as aves dos seus ramos!
12
Mas deixem no chão o cepo com as raízes,
com um anel de ferro e bronze à sua volta.
Deixem-no ali no campo, juntamente com a erva.
Será molhado pelo orvalho do céu
e comerá erva como os animais.
13
Perderá o entendimento de homem
ficando só como um animal.
E que fique assim durante sete anos.
14
Esta é a decisão dos anjos vigilantes,
a ordem transmitida pelos santos.
Todo o povo saiba que o Altíssimo
tem poder sobre os reinos humanos,
e que os pode entregar a quem quiser,
até mesmo ao mais insignificante dos homens.”»
15
«Este é o sonho que eu, Nabucodonosor, tive. Diz-me agora, Beltechaçar! Qual é o seu sentido, pois nenhum dos sábios do meu reino pôde explicá-lo, mas tu podes, porque o espírito dos deuses santos está contigo.»16
Então Daniel, também chamado Beltechaçar, ficou tão alarmado que mal podia falar. O rei disse-lhe: «Beltechaçar, não te deixes alarmar pelo sonho e pelo seu significado.» Beltechaçar respondeu: «Quem dera que o sonho e o seu significado se referissem aos vossos inimigos e não a vós, mas refere-se a Vossa Majestade!17 A árvore que viu era tão alta que chegava ao céu e podia ser vista do mundo inteiro.
18 As suas folhas eram belas e o seu fruto, suficiente para alimentar toda a população da terra. Os animais selvagens repousavam à sua sombra e as aves faziam ninho nos seus ramos.
19 Majestade, vós sois a grande árvore, alta e forte. Vossa Majestade cresceu tanto que chega ao céu e o seu poder chega até aos confins da terra.
20 Enquanto Vossa Majestade estava a sonhar, um anjo desceu do céu e ordenou: “Que a árvore seja cortada e destruída, mas que o cepo fique intacto. Ligue-se o tronco com um anel de ferro e de bronze e seja deixado junto à erva do campo. Que o orvalho caia sobre esse homem e viva como os animais, durante sete anos.”
21
É este o significado do sonho e o que o Altíssimo predisse que vai acontecer a Vossa Majestade.22 Vai ser afastado do convívio da sociedade humana e habitará com os animais selvagens. Durante sete anos, comerá erva como os bois, dormirá ao relento e será molhado pelo orvalho. Depois disto, Vossa Majestade tem que admitir, finalmente, que o Altíssimo domina sobre todos os reinos e os entrega a quem bem lhe parece.
23 Os anjos deram ordens para que o cepo fosse poupado com as raízes. Isso significa que Vossa Majestade será rei novamente, quando reconhecer que Deus é soberano sobre toda a terra.
24 Por isso, ó rei, siga o meu conselho. Renuncie aos seus pecados, pratique a justiça e tenha compaixão dos pobres. Só então poderá viver tranquilo.»
25 E tudo isto aconteceu ao rei Nabucodonosor.
26
Doze meses mais tarde, enquanto passeava pelos jardins do seu palácio, na Babilónia,27 dizia com admiração: «Olhem para esta cidade da Babilónia, como é grandiosa! Construí-a para que fosse a minha capital, para demonstrar o meu poder e domínio, a minha glória e majestade.»
28
Ainda o rei não tinha acabado de falar, ouviu-se uma voz do céu: «Rei Nabucodonosor, escuta o que te vou dizer: o teu poder real vai-te ser retirado.29 Vais ser afastado do convívio da sociedade humana; terás que viver como os animais selvagens e comer erva como os bois, durante sete anos. Então reconhecerás que o Deus altíssimo domina sobre todos os reinos e os entrega a quem bem lhe parece.»
30
E logo esta sentença se cumpriu. Nabucodonosor foi afastado da sociedade e passou a comer erva como se fosse um boi. O orvalho caía sobre o seu corpo e cresceu-lhe pelo tão comprido como penas de águia; as suas unhas eram como garras das aves.31
«Cumprido aquele tempo, eu, Nabucodonosor, olhei para o céu e recuperei o meu juízo. Louvei o Altíssimo e dei honra e glória àquele que vive para sempre. A sua soberania é eterna e o seu reino durará por séculos sem fim.32 Os habitantes da terra não são nada aos seus olhos; os anjos e os homens estão debaixo do seu domínio. Ninguém se pode opor à sua vontade nem pedir-lhe contas do que faz.
33
Quando recuperei o juízo, recebi novamente a honra, a majestade e a glória que me são devidas. Os meus oficiais e nobres acolheram-me com alegria e foi-me restituído o poder real, mais ainda do que tinha antes.34 Por isso, eu, Nabucodonosor, louvo, honro e dou glória ao Rei do Céu. Tudo o que ele faz está certo e são justos os seus caminhos. Sim, ele tem poder para humilhar os orgulhosos!»
1
Certa noite, o rei Baltasar, filho de Nabucodonosor, convidou mil dos seus nobres para um grande banquete e puseram-se a beber vinho.2 Já tocado pelo vinho, Baltasar mandou buscar as taças e os copos de ouro e prata que o seu pai levara do templo de Jerusalém . Era intenção do rei servir-se deles para beber vinho com as suas mulheres e concubinas e com os nobres.
3 Levaram-lhe então as taças de ouro retiradas do templo de Jerusalém e o rei com as mulheres e concubinas, puseram-se a beber por elas juntamente com os nobres.
4 Quando estavam já bem bebidos, brindaram em honra dos deuses de ouro, prata, bronze e ferro, madeira e pedra.
5
Mas de repente, apareceu uma mão humana, que começou a escrever na parte mais iluminada da parede estucada do palácio. Ao ver essa mão a escrever,6 o rei empalideceu e ficou com tanto medo que os seus joelhos começaram a tremer e a bater um no outro.
7 Pôs-se a gritar e mandou logo chamar os adivinhos e os astrólogos e feiticeiros e, mal estes sábios da Babilónia foram introduzidos à sua presença, disse-lhes: «Quem for capaz de ler o que está escrito e me disser o que significa receberá vestes de púrpura reais e será presenteado com uma corrente de ouro para o pescoço. Também terá o terceiro lugar em poder, em todo o meu reino.»
8
Porém nenhum dos sábios do rei conseguiu ler o que fora escrito nem dizer o que significava.9 O pânico do rei Baltasar era cada vez maior e os seus nobres não sabiam o que fazer.
10
Então a rainha, ao ouvir o barulho que o rei e os seus nobres faziam, entrou na sala do banquete e exclamou: «Viva para sempre, Majestade! Não se aflija nem se preocupe! Escusa de ficar pálido!11 Há uma pessoa neste reino que tem o espírito dos deuses santos . Quando o vosso pai era rei, essa pessoa mostrou bom senso, conhecimento e sabedoria iguais aos dos deuses . E o senhor vosso pai, o rei Nabucodonosor, fê-lo chefe dos magos, adivinhos, astrólogos e feiticeiros.
12 Ele tem habilidade especial e sabe interpretar os sonhos, resolver os enigmas e explicar os mistérios; mande pois, Vossa Majestade, chamar Daniel, a quem o rei, vosso pai, pôs o nome de Beltechaçar, e ele lhe dirá o que tudo isto significa.»
13
Mandaram chamar Daniel imediatamente à presença do rei e este disse-lhe: «És tu Daniel, o judeu, que o meu pai trouxe prisioneiro de Judá?14 Ouvi dizer que tens o espírito dos deuses e que tens uma inteligência luminosa e sabedoria extraordinária.
15 Até aqui, nenhum dos meus sábios e adivinhos que me trouxeram foi capaz de ler esta escrita nem de me explicar o seu significado.
16 Mas ouvi dizer que és capaz de revelar o que está escondido e explicar os mistérios. Se conseguires ler esta escrita e me disseres o que significa, receberás vestes de púrpura reais, e ofereço-te uma corrente de ouro para o pescoço. E serás a terceira pessoa mais poderosa do meu reino.»
17
Daniel respondeu ao rei: «Pode guardar os presentes, Majestade! Ou, se o entender, pode dá-los a outra pessoa! Quanto à inscrição, eu vou lê-la e explicar para Vossa Majestade o seu significado.18 O Deus Altíssimo permitiu que Nabucodonosor, vosso pai, fosse um grande rei e deu-lhe glória e majestade.
19 A sua grandeza era tal que os povos de todas as nações, raças e línguas o temiam, e tremiam diante dele. Ele tinha poder para matar ou deixar viver; honrar ou humilhar a quem ele quisesse.
20 Mas por causa do seu orgulho, teimosia e crueldade, foi-lhe retirado o trono e privado da dignidade real.
21 Foi afastado do convívio da sociedade humana e ficou sem entendimento como um animal. Vivia com os burros selvagens, comia erva como os bois e dormia ao relento e o orvalho caía-lhe em cima. Por fim, reconheceu que o Deus Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e tem poder para os entregar a quem bem lhe parece.
22 Porém Vossa Majestade, que é filho dele, não se mostrou submisso embora soubesse tudo isto.
23 Vossa Majestade ofendeu o Senhor do céu, ao mandar vir os copos e taças que eram do seu templo. Com os seus nobres e as suas mulheres e concubinas, bebeu vinho por eles, cantando louvores aos deuses feitos de ouro, prata, bronze, ferro, madeira e pedra, deuses que não podem ver nem ouvir e que nada conhecem. Mas não prestou honra a Deus que lhe pode dar a vida ou a morte e que controla tudo o que Vossa Majestade faz.
24 Por isso, Deus, por mão misteriosa, fez escrever estas palavras.
25 A sua leitura é a seguinte: Mene, Mene, Tequel, Farsin .
26 Ou seja: Mene: Deus contou os dias do vosso reinado e fê-los chegar ao fim.
27 Tequel: Vossa Majestade foi pesado na balança e era leve demais.
28 Farsin: o vosso reino foi dividido e dado aos medos e aos persas .»
29
Imediatamente, Baltasar deu ordens aos seus servos para que vestissem Daniel com um manto de púrpura real e lhe pusessem uma corrente de ouro ao pescoço. E fez dele a terceira pessoa mais poderosa do reino.30
Naquela mesma noite, Baltasar, o rei da Babilónia, foi morto.1
Dario, o medo, sucedeu-lhe no trono com sessenta e dois anos de idade.2
Dario decidiu nomear cento e vinte sátrapas para administrar o seu império.3 E à frente deles colocou Daniel e mais dois outros superintendentes, para que os sátrapas lhes dessem contas e assim zelassem pelos interesses do rei.
4 Daniel logo demonstrou capacidades de trabalho superiores aos outros dois e aos sátrapas. Com efeito, evidenciou-se de tal maneira que o rei pensou em o nomear responsável de todo o império.
5 Então os outros superintendentes e sátrapas procuraram descobrir alguma deficiência na maneira como Daniel administrava o império, mas não conseguiram, porque Daniel era cumpridor e não fazia nada de mal nem era desonesto.
6 Por isso, eles diziam entre si: «Não vamos conseguir encontrar nada para acusar Daniel, a não ser que descubramos algo relacionado com a sua religião.»
7
Assim foram à presença do rei e disseram: «Que Vossa Majestade viva para sempre, ó rei Dario!8 Todos nós que administramos o vosso império, superintendentes, chefes, sátrapas, oficiais e governadores recomendamos que Vossa Majestade faça um decreto que entre imediatamente em vigor. Deem-se ordens para que, durante trinta dias, ninguém seja autorizado a requerer seja o que for dos deuses ou dos homens, exceto de Vossa Majestade. Quem violar este decreto será atirado para uma cova cheia de leões.
9 Que este decreto seja imediatamente redigido, assinado por Vossa Majestade, para que não possa ser alterado e seja irrevogável, como lei dos medos e dos persas .»
10 E assim, o rei Dario assinou e promulgou o decreto.
11
Quando Daniel soube que aquele decreto tinha sido assinado, foi para casa. No andar superior, tinha uma janela voltada para Jerusalém . Como era seu costume, três vezes por dia , ajoelhou-se ali, de janela aberta, para orar a Deus.12 Os inimigos de Daniel apareceram de repente e descobriram que ele continuava a fazer oração ao seu Deus.
13 Foram logo à presença do rei para acusar Daniel e disseram: «Vossa Majestade assinou um decreto para que nos próximos trinta dias, se alguém pedir seja o que for aos deuses ou aos homens, exceto a Vossa Majestade, seja atirado para uma cova cheia de leões!» O rei confirmou: «Sim! É um decreto que tem de ser cumprido, uma lei dos medos e dos persas, que não pode ser alterada.»
14
Disseram então ao rei: «Daniel, um dos exilados de Judá, não tem respeito por Vossa Majestade e não obedece ao decreto. Ele faz a sua oração regularmente ao seu Deus, três vezes por dia.»15
Quando o rei ouviu estas palavras, ficou muito abatido e fez o possível para encontrar maneira de salvar Daniel. Até ao pôr do sol, não descansou para o livrar.16 Então os que tinham acusado Daniel voltaram à presença do rei e disseram: «Vossa Majestade sabe que, segundo as leis dos medos e dos persas, nenhum decreto promulgado pelo rei pode ser mudado.»
17 Então o rei deu ordem para que Daniel fosse preso e lançado numa cova cheia de leões. Disse porém a Daniel: «Que o teu Deus, a quem tu serves tão fielmente, venha em teu socorro .»
18
Uma grande pedra foi colocada sobre a abertura da cova, selada com o selo do rei e com o dos seus nobres, para que ninguém pudesse socorrer a Daniel.19
O rei voltou para o palácio e passou a noite sem dormir, recusando comida e quaisquer divertimentos.20
De madrugada, levantou-se e foi a correr para a cova dos leões.21 Mal lá chegou, chamou, cheio de ansiedade: «Daniel, servo do Deus vivo! Será que o Deus a quem tu serves tão fielmente te livrou realmente dos leões?»
22
Daniel respondeu-lhe: «Viva Vossa Majestade para sempre!23 Deus enviou o seu anjo para fechar a boca dos leões, a fim de que não me fizessem mal. Ele sabia que eu estava inocente e que também não tinha feito nada contra Vossa Majestade.»
24
O rei ficou cheio de alegria por causa de Daniel e imediatamente deu ordem para que este fosse retirado da cova. Quando o puxaram para fora verificaram que não tinha sido mordido, pois tinha confiado em Deus.25 Então o rei mandou prender aqueles que tinham acusado Daniel e mandou-os atirar, juntamente com as suas mulheres e filhos, para dentro da cova cheia de leões. Antes de chegarem ao fundo, já os leões se tinham apoderado deles e despedaçado os seus ossos.
26
Depois o rei Dario enviou aos povos de todas as nações, raças e línguas da terra a seguinte mensagem: «Desejo-vos paz e prosperidade!27
Ordeno e mando, que todos os súbditos do meu império temam e respeitem o Deus de Daniel. Pois, ele é um Deus vivo28
Ele salva e socorre;
faz maravilhas e milagres,
tanto no céu como na terra.
Foi ele que salvou Daniel
de ser morto pelos leões.»
29
E Daniel prosperou durante o reinado de Dario e, depois, durante o de Ciro, rei dos persas .1
No primeiro ano do reinado de Baltasar, rei da Babilónia, Daniel teve um sonho, uma visão durante a noite. Escreveu o que viu no sonho e este é o seu relato:2 «Nessa noite, tive um sonho, uma visão noturna. Os quatro ventos sopravam de todas as direções e fustigavam a superfície do mar imenso.
3 Quatro animais enormes saíram do mar , sendo cada um diferente dos outros.
4 O primeiro parecia um leão, mas tinha asas como as da águia. Enquanto eu olhava, as asas foram arrancadas. Fizeram levantar o animal e pôr-se de pé, como se fosse um homem. Em seguida deram-lhe entendimento humano.
5 O segundo animal era parecido com um urso e estava de pé sobre as patas traseiras. Tinha três costelas entre os dentes e uma voz ordenou-lhe: “Vai, come carne com abundância!”
6 Depois enquanto eu olhava, apareceu outro animal. Parecia-se com um leopardo, mas no dorso tinha quatro asas, como as asas duma ave, e tinha quatro cabeças. E a este foi dada a autoridade .
7 Continuei a olhar e um quarto animal apareceu. Aparentava grande força, era horrível e metia medo. Triturava as suas vítimas com os enormes dentes de ferro e o resto pisava-o com as patas. Era diferente dos outros animais anteriores e tinha dez chifres .
8 Enquanto eu observava aqueles chifres, vi um outro chifre pequeno surgir dentre os primeiros e partir três deles. Este chifre tinha olhos humanos e uma boca que falava com arrogância .»
9
«Eu continuava a olhar e foram preparados tronos. Um ancião de longa idade sentou-se num dos tronos. A sua roupa era branca como a neve e o seu cabelo, branco como a lã pura. O seu trono assentava em rodas de fogo e estava como que em brasa10 e dele saía uma torrente de fogo. Estava rodeado de milhares ou milhões de pessoas que o serviam e se mantinham continuamente às suas ordens. O tribunal iniciou os trabalhos e os livros foram abertos .
11
Enquanto olhava, não deixava de ouvir o pequeno chifre que gesticulava e falava de modo arrogante. Então o quarto animal foi morto e o seu corpo foi atirado ao fogo e destruído.12 Em seguida, foi retirado o poder aos outros animais que, no entanto, continuaram vivos por mais algum tempo.
13
Continuei a olhar, durante essa visão noturna, e vi algo semelhante a um ser humano. Aproximou-se de mim, rodeado de nuvens , e dirigiu-se ao ancião de longa idade e foi-lhe apresentado.14 A ele foi dada autoridade, honra e poder real, de maneira que os povos de todas as nações, raças e línguas lhe ficaram sujeitos. A sua autoridade devia durar para sempre e o seu reino não seria destruído .»
15
«Eu, Daniel, fiquei muito alarmado e profundamente perturbado, com as visões que tive.16 Dirigi-me então a um daqueles que estavam ali de pé e pedi-lhe que me explicasse o que se passava. E ele deu-me esta explicação:
17 “Estes quatro animais enormes representam quatro impérios , que hão de surgir sobre a terra.
18 Mas depois, os santos do Altíssimo receberão poder soberano que nunca mais lhes será retirado, por toda a eternidade .”
19
Quis então saber mais sobre o que significava o quarto animal, que não era semelhante aos outros, aquele animal que metia um medo terrível e que despedaçava as suas vítimas com garras de bronze e dentes de ferro e, depois, pisava o resto com as patas.20 Quis saber qual o significado dos dez chifres sobre a sua cabeça e do chifre que surgira depois, provocando a queda de três dos outros chifres. Este chifre tinha olhos e boca; falava com arrogância e parecia maior do que todos os outros.
21
Estando eu a olhar, esse chifre fez guerra aos santos e estava mesmo a vencê-los .22 O ancião de longa idade entrou em ação e pronunciou uma sentença a favor dos santos do Altíssimo . Chegou então o momento de os santos receberem o reino.
23
Esta é a explicação que me foi dada: “O quarto animal representa um quarto império que dominará a terra e será diferente dos outros impérios. Ele vai devorar toda a terra; vai pisá-la aos pés e esmagá-la.24 Os dez chifres representam os dez reinos que dominarão sobre o império . A seguir surgirá outro rei; ele será muito diferente dos anteriores e destronará três reis.
25 Este há de insultar o Altíssimo e oprimirá os seus santos. E há de tentar mudar as suas leis religiosas e os seus dias de festa; e os santos ficarão nas mãos deste império, durante três anos e meio .
26 Então o tribunal do céu vai reunir-se para o julgamento; vai retirar o poder a esse império e destruí-lo por completo e para sempre.
27
E assim a soberania, o poder e a grandeza de todos os reinos da terra serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo. Esse será para sempre e todos os governantes da terra o hão de servir e lhe obedecerão .”28
Assim termina a explicação da visão. Eu, Daniel, fiquei tão cheio de medo que o meu rosto empalideceu. E guardei todas estas coisas sem as revelar a ninguém.»1
«No terceiro ano do reinado de Baltasar , eu, Daniel, tive uma segunda visão, depois daquela que tinha acontecido anteriormente.2 E o que vi foi o seguinte: eu encontrava-me na cidade fortificada de Susa, na província de Elam; estava em pé, na margem do rio Ulai.
3 Olhei para a margem do rio e vi um carneiro que estava ali de pé com dois chifres compridos, e o último a nascer era o mais comprido dos dois .
4 O carneiro dava marradas para ocidente, para o norte e para o sul. Nenhum animal podia detê-lo nem fugir ao seu domínio. Fazia o que lhe aprazia e crescia em arrogância.
5
Enquanto eu procurava entender o significado disto, surgiu um bode do ocidente, a correr com tanta velocidade que os pés não tocavam no chão. Ele tinha um chifre proeminente entre os olhos .6 Dirigiu-se para o carneiro com os dois chifres, que eu vira à beira do rio, e precipitou-se sobre ele com toda a força.
7 Vi-o atacar o carneiro. Estava tão furioso que arremeteu contra ele, partindo-lhe logo os dois chifres. O carneiro era incapaz de lhe resistir, pelo que foi atirado ao chão e pisado. E não houve ninguém para o socorrer.
8 O bode tornou-se cada vez mais arrogante; porém no auge da sua força, o chifre partiu-se. Em seu lugar, surgiram quatro chifres proeminentes, cada um apontando em direção aos quatro pontos cardeais .
9
De um destes chifres cresceu um outro chifre pequeno, cujo poder se estendia para o sul, para o oriente, e em direção à terra querida .10 Tornou-se tão poderoso que podia atacar o exército do céu, as próprias estrelas . Com efeito atirou algumas delas para o chão e pisou-as.
11 Até desafiou o comandante do exército do céu, acabando com as ofertas diárias que lhe eram oferecidas e destruiu o santuário.
12 O povo pecava por não apresentar as ofertas diárias devidas; a religião verdadeira estava por terra. Aquele chifre apresentava-se cada vez mais vitorioso .
13
Então ouvi um santo perguntar ao outro: “Estas coisas que vi em visão, por quanto tempo vão continuar? Por quanto tempo este horrível pecado substituirá as ofertas diárias? Por quanto tempo será espezinhado o exército do céu e o santuário?”14 Ouvi o outro santo responder: “Assim será por duas mil e trezentas tardes e manhãs. Depois o santuário será purificado.”»
15
«Procurava eu, Daniel, descobrir o significado daquela visão, quando subitamente alguém apareceu diante de mim.16 Ouvi uma voz que chamava das bandas do rio Ulai: “Gabriel, explica-lhe o significado do que ele viu.”
17 Quando Gabriel se aproximou de mim, fiquei cheio de medo e caí no chão. Ele disse-me: “Procura compreender, ó homem, o significado daquilo que viste. A visão diz respeito ao fim dos tempos.”
18 Enquanto ele falava comigo, adormeci profundamente com o meu rosto voltado para o chão. Mas ele segurou-me e pôs-me de pé outra vez,
19 dizendo: “Vou-te mostrar as consequências da ira de Deus. A visão refere-se ao fim dos tempos.
20 O carneiro que tu viste, e que tinha dois chifres, representa os reinos da Média e da Pérsia.
21 O bode simboliza o reino da Grécia e o chifre proeminente entre os seus olhos representa o seu primeiro rei.
22 Os quatro chifres que apareceram, quando o primeiro foi quebrado, representam os quatro reinos em que essa nação será dividida e que não serão tão fortes como o primeiro reino.
23 Quando se aproximar o fim desses reinos, e a sua maldade for tão grande que devam ser castigados, surgirá um rei tirano e astuto.
24 Será poderoso à custa dos outros. Sairá vitorioso em todos os seus empreendimentos e estará na origem da terrível destruição de nações poderosas e do próprio povo dos santos.
25 Pela sua habilidade, terá êxito e enganará a muitos. Será cheio de orgulho e matará muita gente, sem ser provocado. Chegará mesmo a desafiar o Príncipe dos príncipes, mas será morto sem nenhuma intervenção humana.
26 A visão acerca dos sacrifícios da tarde e da manhã foi-te explicada e será cumprida. Contudo, por agora, guarda-a em segredo, porque ainda falta muito tempo até que se torne realidade.”
27
Fiquei deprimido e doente durante vários dias, findos os quais me levantei e voltei para o trabalho que o rei me dera a fazer, não sem ficar intrigado com a visão, cujo significado eu não compreendia.»1
«Dario, filho de Xerxes, da dinastia dos medos, foi reis dos caldeus.2 No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, pus-me a estudar os livros sagrados e a meditar nos setenta anos, durante os quais Jerusalém ficaria em ruínas, segundo aquilo que o SENHOR comunicou ao profeta Jeremias.
3 Então jejuei, vesti roupas grosseiras e sentei-me na cinza, em sinal de penitência, orando e suplicando com fervor ao Senhor Deus.
4 Orei ao SENHOR, meu Deus, e confessei os pecados do meu povo dizendo:
“Senhor Deus, tu és grande e infundes respeito. Tu cumpriste a aliança que fizeste e mostraste constante amor para com os que te amam e obedecem aos teus mandamentos.5 Pecámos, procedemos mal, fomos culpados. Rejeitámos as tuas ordens e afastámo-nos dos caminhos direitos que nos mostraste.
6 Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis e governantes, aos nossos antepassados e a toda a nação, em geral.
7 Tu, Senhor, és justo! Mas nós que vivíamos na Judeia e em Jerusalém, nós os israelitas que espalhaste pelos países vizinhos e longínquos, estamos ainda hoje cheios de vergonha por causa da nossa infidelidade para contigo.
8
Sim, ó SENHOR! Estamos cheios de vergonha! Nós, os nossos reis e governantes e os nossos antepassados. Procedemos vergonhosamente e pecámos contra ti!9 Mas o Senhor nosso Deus é compassivo e quer perdoar, embora nos tenhamos revoltado contra ele.
10 Não te demos ouvidos, SENHOR, nosso Deus, quando nos mandaste viver segundo as leis que nos deste, por meio dos teus servos, os profetas.
11 Todo o povo de Israel transgrediu as tuas leis e recusou dar ouvidos ao que disseste. Pecámos contra ti, e por isso fizeste cair sobre nós as maldições mencionadas na Lei de Moisés , teu servo.
12 Cumpriste as tuas ameaças contra nós e contra os nossos governantes. Eles contribuíram para que esta desgraça caísse sobre nós. Castigaste Jerusalém mais do que qualquer outra cidade do mundo,
13 fazendo-nos sofrer o castigo escrito na Lei de Moisés. Tudo isto caiu sobre nós. E mesmo agora, SENHOR, nosso Deus, não procurámos agradar-te, arrependendo-nos dos nossos pecados e seguindo a tua verdade.
14 Tu, SENHOR nosso Deus, estavas pronto a castigar-nos e castigaste-nos realmente, porque sempre procedes com justiça e nós não te demos ouvidos.
15
Ó Senhor, nosso Deus, tu mostraste o teu poder, quando tiraste o teu povo para fora do Egito. Sim, ainda hoje nos lembramos desse teu poder. Mas pecámos e fizemos mal.16 Ó Senhor, nós sabemos que tu és justo! Não te zangues mais com Jerusalém, que é a tua cidade, o teu monte santo. Os habitantes das terras vizinhas desprezam agora Jerusalém e o teu povo, por causa dos nossos pecados e do mal que os nossos antepassados fizeram.
17 Ó Deus, ouve a oração e a súplica deste teu servo. Por favor! Olha com bondade para o teu templo, que foi destruído!
18 Meu Deus, ouve-nos; olha para nós e repara na nossa aflição e no sofrimento por que está a passar a cidade que te pertence. Fazemos-te este pedido, porque tu és um Deus de misericórdia, não porque tenhamos procedido bem.
19 Senhor, ouve-nos! Senhor, perdoa-nos! Senhor, escuta-nos e faz alguma coisa. Para que toda a gente saiba que tu és Deus. Não te demores, pois esta cidade e este povo são teus.”»
20
«Continuei a orar, confessando os meus pecados e os pecados do meu povo, Israel, e intercedendo junto do SENHOR, meu Deus, a favor do seu santo monte .21 Enquanto eu assim orava, o anjo Gabriel, que eu vira na visão anterior, desceu voando até onde me encontrava, à hora da oferta da tarde,
22 e, em jeito de explicação disse-me:
“Daniel, eu vim para te ajudar a compreender a profecia.23 Quando começaste a dirigir a Deus a tua súplica, ele decidiu responder-te. Ele ama-te e eu vim para te dar a resposta. Presta pois atenção ao que te vou explicar sobre a visão.
24
Setenta semanas é o espaço de tempo que Deus determinou para libertar o teu povo e a tua cidade santa do pecado e do mal, para que os pecados sejam perdoados e reine a justiça para sempre, para que a visão e a profecia se cumpram e o santuário seja de novo consagrado.25 Toma nota e compreende o seguinte: desde o momento em que foi pronunciada a mensagem sobre o fim do exílio e a reconstrução de Jerusalém, até que venha um chefe que Deus escolheu, passarão sete semanas . Jerusalém será reconstruída, tanto as ruas como as muralhas, e ficará de pé durante sessenta e duas semanas; todavia, este será um tempo cheio de dificuldades.
26 Depois das sessenta e duas semanas, alguém escolhido de Deus será morto, embora inocente. A cidade e o templo serão destruídos por um exército invasor, comandado por um chefe poderoso. O fim virá, qual enxurrada, trazendo consigo a guerra e a destruição, conforme foi decidido por Deus.
27 Esse chefe fará um acordo, durante uma semana, com muitos dentre o povo; e durante meia semana, ele fará com que os sacrifícios e as ofertas terminem. O ídolo abominável será colocado na parte mais elevada do templo, onde permanecerá, até que aquele que o colocou lá tenha o fim que Deus lhe destinou.”»
1
No terceiro ano do reinado de Ciro, da Pérsia, foi revelada uma mensagem a Daniel, que também se chama Beltechaçar. A mensagem era verdadeira e fazia prever grandes dificuldades . Numa visão, Daniel compreendeu o seu significado, depois de profunda reflexão.2
Nessa altura, encontrava-me eu de luto de três semanas.3 Não comi manjares delicados, nem carne, nem bebi vinho, nem usei perfumes, antes de terminarem as três semanas.
4 No vigésimo quarto dia do primeiro mês do ano, encontrava-me de pé na margem do imponente rio Tigre,
5 quando vi uma pessoa vestida de roupa de linho, que tinha um cinto de ouro puro de Ufaz.
6 O seu corpo brilhava como uma pedra preciosa. O seu rosto era tão resplandecente como um relâmpago, e os seus olhos pareciam de fogo. Tinha braços e pernas que luziam como se fossem de bronze polido, e a sua voz ressoava como o clamor duma grande multidão .
7 Só eu, Daniel, fui testemunha desta visão. Os que se encontravam comigo não viram nada, mas ficaram cheios de medo e fugiram para se esconder.
8 Estava sozinho, a observar esta visão estranha. Senti-me sem forças; o meu rosto ficou desfigurado e eu fiquei transtornado e sem coragem.
9 Quando ouvi a sua voz, caí por terra, inconsciente, de rosto para baixo.
10
Em seguida, uma mão segurou-me e fez-me pôr de joelhos apoiado nas mãos, a tremer.11 O anjo disse-me: «Daniel, Deus ama-te. Levanta-te e presta atenção ao que te vou dizer. Fui enviado para vir ter contigo.» Ao ouvi-lo pronunciar estas palavras, levantei-me ainda a tremer.
12 Ele disse ainda: «Daniel, não tenhas medo! Deus ouviu as tuas orações, desde o primeiro dia que tomaste a decisão de fazer penitência, a fim de obteres a explicação do que se passa. E eu vim em resposta à tua oração.
13 O anjo protetor do reino da Pérsia opôs-se-me durante vinte e um dias. Então Miguel , um dos chefes dos anjos, veio em meu auxílio, porque eu ficara só na Pérsia.
14 Vim para te explicar o que vai acontecer ao teu povo no futuro. Pois, esta visão tem a ver com o futuro.»
15
Quando proferiu estas palavras, fiquei a olhar para o chão, sem poder abrir a boca.16 Então um outro ser que tinha o aspeto duma pessoa, estendeu a sua mão e tocou nos meus lábios. Eu consegui abrir a boca e disse-lhe: «Senhor, esta visão fez-me sentir tão fraco que não consigo deixar de tremer.
17 Pareço um escravo diante do seu Senhor. Como poderei falar contigo? Sinto-me sem forças e até me falta o ar.»
18 Uma vez mais, ele me amparou e senti-me com mais forças.
19 Ele disse-me: «Deus ama-te, não te deixes desfalecer nem atemorizar. Fica tranquilo!» Após estas palavras, senti que as forças me voltavam e pedi: «Senhor, diz-me o que tens para me dizer. Já me sinto melhor.»
20 Ele perguntou-me: «Sabes por que vim ter contigo? É que tenho de voltar a enfrentar o príncipe da Pérsia. Depois de eu sair vem o príncipe da Grécia.
21 Mas quero revelar-te o que está escrito no livro da verdade. E mais ninguém está comigo para os enfrentar, a não ser Miguel, vosso príncipe.»
1
«Também eu já o ajudei a ele, no primeiro ano de Dario, rei dos medos.2 Aquilo que te digo é totalmente verdade.»
O anjo disse: «Três reis reinarão ainda sobre a Pérsia. Estes serão seguidos por um quarto, que será o mais rico de todos. No auge do seu poder e riqueza, mostrar-se-á hostil contra o reino da Grécia.3 Surgirá então na Grécia um rei extremamente poderoso, que reinará sobre um império gigantesco e fará tudo o que lhe aprouver.
4 No auge do seu poder, o império cairá e será dividido em quatro. O seu lugar será ocupado por reis que não são da sua linhagem. Estes não terão, todavia, o mesmo poder.
5
O rei do sul será forte . Mas um dos seus generais será ainda mais forte e reinará sobre um reino ainda maior.6 Decorridos alguns anos, o rei do sul fará uma aliança com o rei do norte e dar-lhe-á a sua filha em casamento. Mas essa aliança não durará. Tanto ela como o marido e o seu filho, bem como os servos que a acompanharam, serão todos mortos.
7
Pouco depois, um dos seus parentes subirá ao trono e atacará o exército do rei do norte. Entrará na fortaleza e derrotá-los-á.8 Levará de volta para o Egito as imagens dos seus deuses e os objetos de ouro e de prata que eram consagrados aos deuses.
9 Após alguns anos de paz, o rei da Síria invadirá o Egito mas será repelido.
10
Os filhos do rei do norte preparar-se-ão para a guerra e reunirão um grande exército. Um deles atacará com o poder de uma enxurrada e ameaçará uma fortaleza inimiga.11 O rei do sul ficará enfurecido, entrará em guerra contra a Síria e conquistará o exército imenso, que o seu rei tinha preparado.
12 Ficará orgulhoso da sua vitória e de matar muitos soldados; todavia o seu êxito não durará.
13 O rei do norte voltará e reunirá um exército ainda maior do que o anterior. Quando o momento propício chegar, atacará com esse exército poderoso e bem equipado.
14 Então muitos se revoltarão contra o rei do sul. E certos homens violentos do teu povo, ó Daniel, vão revoltar-se por causa de uma visão que vão ter, mas serão derrotados.
15 Então o rei do norte cercará uma cidade fortificada, e tomá-la-á. Os soldados do sul deixarão de combater; até os soldados mais valentes enfraquecerão.
16 O invasor fará o que lhe aprouver com eles, sem encontrar resistência. Dominará por completo a terra querida .
17 Organizará uma expedição, que incluirá todo o exército. Em seguida, a fim de derrotar o reino inimigo, fará aliança com ele e dar-lhe-á uma filha em casamento; mas o plano fracassará.
18 Depois avançará para as zonas marítimas e conquistará muitas nações. Porém um general estrangeiro derrotá-lo-á e porá fim à sua arrogância.
19 O rei voltará para a fortaleza do seu país, mas será derrotado e morto, sem deixar rasto.
20 Suceder-lhe-á um outro rei, que enviará um emissário para extorquir o tesouro do reino . Pouco depois, também esse rei será morto; nem por causa da ira nem do combate .»
21
O anjo prosseguiu: «O rei que lhe sucederá será um ser desprezível, sem direitos ao trono; mas surgirá de surpresa e apoderar-se-á do poder, usando de artimanhas.22 Quem se lhe opuser, ainda que seja o chefe do povo da aliança, será repelido e aniquilado.
23 Por meio de conluios, enganará as outras nações e não deixará de crescer em poder, embora seja rei de uma pequena nação.
24 Invadirá de surpresa as zonas mais férteis do país e fará o que antes dele nenhum dos seus predecessores fez. Seguidamente repartirá o espólio pelos seus cúmplices. E procurará atacar várias fortalezas, durante algum tempo.
25
Seguro da sua força e coragem, organizará um grande exército para atacar o rei do sul, que se preparará para lhe dar luta com um tremendo e poderoso exército. Mas não conseguirá resistir, porque será vítima de conluios.26 Os seus conselheiros mais íntimos levá-lo-ão à derrocada. Muitos dos seus soldados morrerão e o seu exército será dizimado.
27
Em seguida, os dois reis sentar-se-ão para comer à mesma mesa. Porém os seus intuitos serão enganosos, mentirão um ao outro. Não obterão o que pretendem, porque ainda não chegou o momento fixado por Deus.28 O rei do norte, voltando para o seu país com muitos despojos, estava decidido a destruir a religião do povo de Deus. E fará como tinha premeditado, após o que regressará para o seu país.
29
Mais tarde, invadirá novamente o sul, mas o desenrolar dos acontecimentos será totalmente diferente.30 Povos vindos do mar hão de atacá-lo com os seus barcos e dar-lhe-ão luta; e isso vai atemorizá-lo. A seguir, furioso, ele tentará destruir a religião do povo da santa aliança. E seguirá o conselho dos que abandonaram essa santa aliança.
31 Alguns dos seus soldados profanarão o templo; acabarão com as ofertas diárias e colocarão nele o ídolo abominável.
32 O rei usará de engano para ganhar o apoio dos que transgrediram os preceitos da aliança; mas os que reconhecem a Deus ripostarão na luta.
33 O povo terá governantes sábios que partilharão da sua sabedoria com muitos outros. Todavia, durante algum tempo, alguns deles serão mortos em combate ou serão queimados vivos, enquanto outros serão feitos prisioneiros, depois de confiscados os seus bens.
34 Enquanto prosseguir a perseguição, o povo de Deus receberá pouco auxílio, pois muitos dos que se unirão a eles o farão por motivos egoístas.
35 Alguns desses governantes sábios serão mortos. Porém, como resultado, o povo será purificado. E assim estará limpo e preparado para quando vier o fim do tempo que foi determinado por Deus.
36
Aquele rei fará o que lhe aprouver, envaidecendo-se e gabando-se de ser maior do que qualquer deus e superior ao próprio Deus supremo; e falará com arrogância. Assim será até que chegue o tempo em que Deus o castigará. Os planos de Deus serão totalmente postos em prática.37 O rei não respeitará o deus dos seus antepassados, nem o deus querido das mulheres . Sim, ele não respeitará nenhum deus, porque pensará que é maior do que eles.
38 Porém honrará o deus que protege a fortaleza; oferecerá ouro, prata, joias e outras riquezas a esse deus que os seus antepassados nunca adoraram.
39 A fim de defender as suas fortalezas, utilizará gente que presta culto a um deus estrangeiro. Honrará muito os que acreditam nesse deus , confiar-lhes-á posições elevadas, e recompensá-los-á com terras.
40
Quando chegar o tempo final, o rei do sul atacará o rei do norte. Este oferecerá resistência, com todo o seu poder, fazendo uso de carros, cavalos e muitos barcos.41 Invadirá muitos países, como a inundação a transbordar nas margens. Invadirá também a terra querida e matará dezenas de milhares; só escaparão as terras de Edom, Moab e o que ficar dos habitantes de Amon.
42 Quando invadir esses países, nem mesmo o Egito escapará.
43 Levará consigo os tesouros escondidos do Egito, tesouros de ouro e de prata, além de outras riquezas. E submeterá também a Líbia e o Sudão.
44 Então chegarão notícias do oriente e do norte, que o atemorizarão; por isso, ele combaterá encarniçadamente, matando muita gente.
45 Chegará mesmo a montar as suas enormes tendas reais entre o mar e a montanha santa da terra querida. Porém morrerá sem que ninguém lhe preste socorro.»
1
«Nesse tempo, aparecerá o poderoso anjo Miguel, que protege o teu povo. Haverá então um tempo de angústia, como nunca houve desde que existem as nações. Quando vier esse tempo, os habitantes do teu povo, cujos nomes estiverem escritos no livro de Deus, serão salvos.2 Muitos dos que já morreram, viverão novamente. Alguns desfrutarão de vida eterna, enquanto outros receberão a vergonha, a eterna desgraça.
3 Os governantes sábios resplandecerão como o esplendor do firmamento. E muitos dos que ensinaram o povo a ser fiel cintilarão para sempre, como as estrelas.
4
E agora, Daniel, fecha o livro e sela-o até ao tempo final. Nessa altura, muitos o hão de consultar e o conhecimento aumentará.»5
Eu, Daniel, vi então outros dois seres que estavam na margem dum rio, um de cada lado.6 Um deles perguntou ao homem com roupas de linho que se encontrava mais acima, do lado da nascente: «Quanto tempo falta até que estes acontecimentos extraordinários se cumpram?»
7 O homem vestido de linho levantou ambas as mãos em direção ao céu e, por aquele que vive eternamente, fez esta promessa solene: «Passar-se-ão três anos e meio. Quando terminar a perseguição contra o povo santo, todas estas coisas já terão acontecido.»
8
Ouvi o que ele disse, mas não compreendi. Por isso, perguntei: «Mas Senhor, como é que tudo isso vai acabar?»9 Ele respondeu: «Deixa, Daniel, porque estas palavras devem ficar em segredo e escondidas até que venha o fim.
10 Muita gente será purificada, limpa e aquilatada. Os maus não compreenderão mas continuarão a fazer o mal; apenas entenderão os que forem sábios.
11 Desde o tempo em que as ofertas diárias terminaram, isto é, desde que foi colocado o ídolo abominável, passarão mil duzentos e noventa dias.
12 Felizes daqueles que permanecerem fiéis até que terminem os mil trezentos e trinta e cinco dias!
13 E tu, Daniel, segue fiel até ao fim. Depois de morreres, hás de ressuscitar novamente, para receberes a recompensa no fim dos tempos.»