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No quinto dia do quarto mês do ano trinta , eu, o sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, encontrava-me entre os exilados judeus, junto ao canal Quebar , na Babilónia. O céu abriu-se e tive uma visão da parte de Deus.

2 Fazia cinco anos que o rei Jeconias fora para o exílio .

3 Ali, junto ao canal Quebar, na Babilónia, o SENHOR dirigiu-me a sua mensagem e senti o seu poder sobre mim.

4

Ao olhar para cima, vi que se aproximava uma tempestade, das bandas do norte. De uma grande nuvem saíam relâmpagos, que iluminavam o céu em volta. O seu brilho assemelhava-se ao dum metal brilhante.

5 No meio da tempestade, havia algo semelhante a quatro criaturas vivas com forma humana,

6 tendo cada uma quatro rostos e quatro asas.

7 As suas pernas eram direitas, mas os pés eram semelhantes a cascos de boi e brilhavam como se fossem de cobre polido.

8 Além dos quatro rostos e das quatro asas, tinham quatro mãos de homem, uma debaixo de cada asa.

9 As asas tocavam uma na outra e juntavam-se aos pares. Quando eles se moviam, não se viravam as asas mas caminhavam sempre em frente.

10

Cada um destes seres tinha quatro rostos diferentes: o rosto de homem à frente, o de leão à direita, o de boi à esquerda e o rosto de águia atrás.

11 Assim eram os seus rostos. Quanto às suas asas, duas estendiam-se para cima, de maneira a tocar nas duas da outra criatura que estava à sua frente; com os outros dois pares cobriam o próprio corpo.

12 Cada um caminhava em frente, para onde queria sem se virar para o lado.

13

Nesses seres, havia algo semelhante a carvões a arder, como se tochas acesas fossem de uns para os outros em constante movimento, como fogo, e desse fogo saíam relâmpagos.

14 Esses seres deslocavam-se de uma parte para a outra com a velocidade do relâmpago.

15

Ao olhar com atenção, notei que havia quatro rodas, que tocavam no chão, uma junto de cada rosto.

16 Essas rodas eram semelhantes; cada uma brilhava como uma pedra preciosa e intercetava a outra em ângulo reto,

17 de maneira que as rodas se podiam mover, avançando nas quatro direções, sem terem de virar.

18 Essas rodas eram de uma altura espantosa e os seus aros estavam cheios de olhos a toda a volta.

19 Quando esses seres se deslocavam, as rodas moviam-se também com eles; e, se se elevavam do chão, as rodas acompanhavam-nos.

20 Iam para onde queriam e as rodas correspondiam a cada movimento, pois o espírito daqueles seres vivos estava nelas.

21 Cada vez que esses seres se moviam ou paravam ou se erguiam no ar, as rodas acompanhavam-nos porque o espírito daqueles seres estava também nelas.

22 Por cima das suas cabeças havia algo semelhante ao firmamento, que brilhava como cristal resplandecente, estendido por cima deles.

23 Debaixo desse firmamento, cada ser estendia duas asas em direção ao que lhe estava próximo. Com as outras duas asas cobriam o corpo.

24 Ouvi o ruído que faziam a voar; era semelhante à voz do Deus supremo, parecia o ruído do mar tempestuoso ou o barulho ensurdecedor dum grande exército. Quando paravam, fechavam as asas.

25 E quando, do firmamento, uma voz se fazia ouvir sobre as suas cabeças, ficavam parados e recolhiam as asas.

26

Sobre o firmamento que cobria as suas cabeças, havia algo semelhante a um trono. Era feito de safira e, sentado nesse trono, havia um ser semelhante a um homem.

27 Esse ser tinha o brilho do metal brilhante e parecia todo rodeado de fogo. Em seu redor, tanto na parte de cima como na de baixo, a luz resplandecente que o envolvia

28 tinha as cores do arco-íris em dia de chuva. Essa luz resplandecente refletia a presença gloriosa do SENHOR. Ao ver tudo isso, caí de rosto em terra e ouvi então a voz de alguém a falar-me .

2

1

Aquela voz dizia-me: «Homem , põe-te em pé que eu quero falar contigo!»

2 Enquanto me falava, o Espírito de Deus entrou em mim e ajudou-me a ficar de pé, ouvindo o que me era dito.

3 E aquela voz continuou: «Homem, vou enviar-te ao povo de Israel, às nações rebeldes, que se revoltaram contra mim, e, tal como os seus antepassados, persistem até hoje na sua rebeldia.

4 São gente de cabeça dura e coração empedernido. Por isso, te envio a eles, para que lhes comuniques o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes dizer.

5 Eles hão de ficar a saber que esteve entre eles um profeta, quer lhe queiram dar ouvidos quer não, pois são realmente um povo de rebeldes.

6

Tu, porém, homem, não deves ter medo deles, nem de nada que te digam. Eles vão desafiar-te e desprezar-te; vais sentir-te como se estivesses no meio de escorpiões. Mas não tenhas medo daqueles rebeldes, nem do que te digam.

7 Vais falar-lhes exatamente como eu te disser, quer eles te queiram dar ouvidos quer não. Pois são um povo rebelde!

8

Homem, ouve bem o que te vou dizer. Não sejas rebelde como eles. Abre a boca e come o que te vou dar!»

9 Vi então uma mão estendida para mim, segurando um rolo escrito .

10 A mão desenrolou o rolo e eu vi que ele estava escrito de ambos os lados; continha lamentos, gemidos e gritos de dor.

3

1

E a mesma voz disse-me: «Homem, come esse rolo que aí tens e vai em seguida falar ao povo de Israel.»

2

Então abri a boca e ele deu-me o rolo a comer

3 e disse: «Homem , come esse rolo que te dou; enche com ele o teu estômago.» Comi-o e era doce como mel.

4 Deus disse-me ainda: «Vai ter com o povo de Israel e transmite-lhe o que te vou dizer.

5 Não te estou a enviar a nenhuma nação que fale uma língua estranha e difícil. Envio-te aos habitantes de Israel.

6 Se te enviasse às grandes nações que falam línguas estranhas e difíceis, que não percebes, esses dar-te-iam ouvidos.

7 Mas ninguém de Israel vai querer dar-te ouvidos; pois nem mesmo a mim querem ouvir. Tornaram-se gente de cabeça dura e coração empedernido.

8 Vou agora fazer com que fiques duro como eles, com a cabeça dura para os enfrentares.

9 Serás como um rochedo, duro como um diamante. Não tenhas medo daqueles rebeldes!»

10

Deus prosseguiu: «Homem, presta atenção e lembra-te de tudo o que te vou dizer.

11 Vai ter com os teus compatriotas, que estão no exílio, e comunica-lhes o que eu, o SENHOR Deus, lhes mando dizer, quer queiram ouvir, quer não.»

12

Então o Espírito de Deus ergueu-me, e atrás de mim ouvi ressoar esta aclamação: «Bendito seja o SENHOR, no lugar onde manifesta a sua gloriosa presença!»

13 Ouvi as asas daqueles seres vivos, a baterem umas nas outras e o ruído das rodas a avançar, como se fosse um tremor de terra.

14 O espírito apoderou-se então de mim e levou-me. Senti amargura e indignação. Mas o SENHOR segurou-me com a sua mão.

15 Dirigi-me em seguida a Tel-Avive, que fica à beira do canal Quebar, onde moravam os exilados, e ali permaneci durante sete dias, desolado.

16

Decorridos os sete dias, o SENHOR dirigiu-me a seguinte mensagem:

17 «Ezequiel, vou colocar-te como sentinela do povo de Israel. Vais transmitir-lhes os avisos que eu te der.

18 Se eu te disser que alguém deve morrer, por causa da sua maldade, e tu não o prevenires, para que mude de comportamento e salve a vida, ele morrerá, porque é pecador, e tu serás responsável pela sua morte.

19 Porém se avisares esse homem mau e ele não deixar o seu mau caminho, esse tal morrerá, porque é pecador, mas a tua vida será poupada.

20

Se um homem justo começar a praticar o mal, vou preparar-lhe uma armadilha e ele morrerá se não o prevenires. Morrerá por causa dos seus pecados, não será tomado em consideração o bem que tinha feito e tu serás responsável pela sua morte.

21 Porém se avisares o homem justo para que não peque; se ele te der ouvidos e não pecar, viverá e a tua vida será igualmente poupada.»

22

O SENHOR segurou-me de novo com a sua mão disse-me: «Levanta-te e vai para o vale. Ali te falarei.»

23

Fui então para o vale e ali o SENHOR me manifestou a sua presença gloriosa, tal como acontecera antes, junto ao canal Quebar. Inclinei-me com o rosto por terra,

24 mas o Espírito de Deus entrou em mim e ajudou-me a ficar de pé. O SENHOR disse-me: «Vai para casa e fecha-te lá dentro.

25 Tu, homem, serás amarrado com cordas e não poderás sair para a rua.

26 Paralisarei a tua língua e ficarás mudo, de maneira que não poderás continuar a avisar esse povo rebelde.

27 E quando eu te falar outra vez e te restituir a fala, então lhes comunicarás o que eu, o SENHOR Deus, disse. Alguns vão dar ouvidos, mas outros não quererão saber, porque são um povo rebelde.»

4

1

Deus disse: «Homem , pega num tijolo, põe-no diante de ti e desenha nele uma cidade, que é Jerusalém.

2 Em seguida, desenha trincheiras, baluartes, rampas, acampamentos e aríetes à volta da cidade, representando um cerco.

3 Pega numa frigideira de ferro e põe-na entre ti e a cidade, como se fosse um muro de ferro. Põe-te diante da cidade, como se a estivesses a cercar. Isso será um sinal para o povo de Israel.

4 Em seguida, deita-te sobre o teu lado esquerdo e toma sobre ti o pecado de Israel; carregarás com a sua iniquidade durante o tempo que assim permaneceres.

5 Porque decidi que cada ano em que os israelitas cometeram a iniquidade corresponderia a um dia. Serão para ti trezentos e noventa dias , durante os quais deverás sofrer por causa da iniquidade do povo de Israel.

6

Quando terminares esses dias, volta-te então para o lado direito, suportando durante quarenta dias o castigo pela iniquidade de Judá; um dia equivalerá a um ano de castigo.

7

Fixa os teus olhos no cerco de Jerusalém. Levanta o teu braço para a cidade e profetiza contra ela.

8 Vou amarrar-te com cordas, para que não te possas virar de um lado para o outro, durante o tempo em que tens de ficar imobilizado.

9

Agora recolhe trigo, cevada, favas, lentilhas, milho miúdo e aveia. Amassa-os todos num recipiente e faz um pão com eles. É isso que vais comer durante os trezentos e noventa dias que ficares deitado sobre o teu lado esquerdo.

10 A tua ração será de duzentos e trinta gramas de pão por dia e deverá bastar-te até ao dia seguinte.

11 A tua ração de água será de cerca de um litro por dia.

12 Terás de fazer uma fogueira com excrementos humanos secos e ali cozerás o pão, em forma de torta de cevada, e o comerás à vista de todos.»

13

Disse o SENHOR: «É dessa maneira que os israelitas terão de comer coisas proibidas pela lei, quando os espalhar pelos países estrangeiros.»

14

Porém eu respondi: «Ó SENHOR Deus, eu nunca toquei nada de impuro. Desde criança, que não como carne de um animal morto de morte natural, ou que fosse morto por animais selvagens . Nunca comi carne que fosse considerada impura.»

15

Então Deus disse-me: «Pois bem, então vou deixar-te usar estrume de boi em vez de excrementos humanos e poderás cozer nele o teu pão.»

16 E acrescentou: «Vou acabar com as reservas de pão de Jerusalém. O povo ficará angustiado e terá que racionar severamente as reservas de comida e de água potável.

17 Ficarão sem pão e sem água; ficarão desesperados e morrerão; tudo por causa dos seus pecados.»

5

1

Disse o SENHOR: «Ezequiel , pega numa espada afiada como a navalha do barbeiro. Corta a barba, rapa o cabelo e, em seguida, pesa o cabelo na balança e divide-o em três partes.

2 Queima uma terça parte dentro da cidade, quando terminar o cerco. Pega noutra terça parte e corta-a com a espada, enquanto dás a volta à cidade. Deixa que o vento espalhe o restante que eu hei de persegui-lo com a minha espada.

3 Guarda ainda um pouco de cabelo e mete-o na dobra da tua capa.

4 E desse cabelo que tu guardaste, pega num pouco e deita-o ao fogo, para que arda. O fogo que dele vai sair há de espalhar-se por toda a nação de Israel.»

5

Pois o SENHOR Deus declara o seguinte: «Isto representa Jerusalém. Eu coloquei-a no centro do mundo, com os outros países à sua volta.

6 Mas Jerusalém revoltou-se contra os meus mandamentos e mostrou ser pior do que as outras nações, mais desobediente às minhas leis do que os países vizinhos. Jerusalém rejeitou os meus mandamentos e recusou-se a guardar as minhas leis.

7 Ouve, pois, ó Jerusalém, o que eu, o SENHOR Deus, te vou dizer! Mostraste-te mais rebelde do que os países que te rodeiam. Não obedeceste às minhas leis nem guardaste os meus mandamentos. Nem sequer seguiste os costumes dos outros povos .

8 Por isso, eu, o SENHOR Deus, me declaro teu inimigo. As minhas sentenças cairão sobre ti, de maneira que as outras nações sejam testemunhas.

9 Por causa de todas as coisas abomináveis que fazes, vou-te castigar, ó Jerusalém, como nunca o fiz nem voltarei mais a fazer.

10 Por isso, os pais que moram em Jerusalém hão de comer os seus próprios filhos, e as crianças comerão os seus pais . Castigar-te-ei e espalharei aos quatro ventos os que sobreviverem.

11

Por isso, tão certo como eu sou o Deus vivo e porque profanaste o meu templo com os teus ídolos e outras coisas abomináveis , vou matar-te sem misericórdia.

12 Uma terça parte dos teus habitantes morrerá de doença e fome na própria cidade; um terço cairá morto à espada, fora da cidade; e espalharei os restantes aos quatro ventos. E hei de persegui-los à espada.

13 Assim se completará a minha ira, a minha indignação e vingança contra eles. Ficarão a saber que eu, o SENHOR, os avisei porque estou ofendido com a sua infidelidade.

14 As outras nações e todos quantos passarem perto de ti hão de ver como ficaste arruinada e desprezível.

15

Quando executar a minha sentença contra ti, com indignação e furor, as nações que te rodeiam olharão para ti com desprezo e farão troça de ti. Mas ficarão igualmente aterrorizadas, porque isto é um aviso para elas.

16 Farei com que te falte a comida para que fiques com fome. Sentirás os apertos da fome como flechas afiadas que atirarei para te destruir e fazer morrer de fome.

17 Enviarei fome e animais selvagens para matar os teus filhos; enviarei a doença, a violência e a guerra para te matarem. Sou eu, o SENHOR, quem o declara!»

6

1

O SENHOR falou-me assim :

2 «Homem , volta-te para os montes de Israel e proclama a minha mensagem para os que lá estão.

3 Diz aos montes de Israel que ouçam a palavra do SENHOR, que ouçam o que eu, o SENHOR Deus, tenho para dizer aos montes, colinas, ribeiras e vales. Vou enviar a espada para destruir os seus santuários pagãos.

4 Os altares serão deitados abaixo e os braseiros de incenso serão partidos e muitos cairão mortos, diante dos seus ídolos.

5 Eu espalharei os cadáveres do povo de Israel com os seus ídolos; espalharei os seus ossos à volta dos altares .

6 As cidades de todo o país de Israel serão destruídas e os altares pagãos com os seus ídolos serão feitos em bocados; os braseiros de incenso serão desfeitos e tudo o que o povo fez, desaparecerá.

7 Os habitantes cairão mortos por toda a parte e os sobreviventes reconhecerão que eu sou o SENHOR.

8

Deixarei que alguns escapem à mortandade e sejam espalhados pelas outras nações

9 e por lá viverão exilados. Ali se lembrarão de mim e reconhecerão que os castiguei e os despedacei , porque os seus corações infiéis me abandonaram e preferiram voltar-se para os seus ídolos. Ficarão envergonhados do mal e das coisas degradantes que fizeram.

10 Saberão que eu sou o SENHOR e que os meus avisos não eram ameaças falsas. Se os ameacei é sinal que estava disposto a castigar.»

11

O SENHOR Deus disse: «Torce as mãos de dor! Bate com os pés! E chora por causa de todo o mal e de todas as coisas abomináveis que os israelitas fizeram. Uns vão morrer na guerra, outros de fome e de peste.

12 Os que estão longe cairão doentes e morrerão; os que estão perto serão mortos na guerra e os que sobreviverem morrerão de fome. Farei cair sobre eles toda a minha indignação.

13 Cadáveres serão espalhados, tal como os seus ídolos, à volta dos seus altares; serão espalhados pelas colinas e pelo cimo dos montes, debaixo das árvores frondosas e dos grandes carvalhos, por toda a parte onde queimaram sacrifícios aos seus ídolos . Então todos reconhecerão que eu sou o SENHOR.

14 Sim, estenderei a minha mão contra eles e destruirei o seu país. Farei deles uma terra desolada, desde o deserto, ao sul, até à cidade de Ribla , ao norte, sem poupar nenhum lugar onde vivem os israelitas. Então todos reconhecerão que eu sou o SENHOR.»

7

1

O SENHOR disse-me:

2 «Homem , eis o que eu, o SENHOR Deus, tenho para comunicar à terra de Israel: o seu fim está próximo! O desastre chegará aos quatro cantos do país!

3

Israel, o teu fim chegou. Vou fazer cair sobre ti a minha indignação; vou julgar-te pelo que fizeste. Retribuir-te-ei por todo o teu abominável comportamento.

4 Não te pouparei nem terei pena de ti. Vou pedir-te contas pelo mal que fizeste e revelar publicamente as tuas práticas abomináveis, para que saibas que eu sou o SENHOR.

5

Eu, o SENHOR, vos declaro que uma grande desgraça está a chegar. Ela aí vem!

6 O fim está próximo, mesmo a chegar! Aí está ele a cair sobre ti!

7 Chegou a vossa vez, ó gente deste país! Chegou o momento, o dia do castigo aproxima-se. Sobre as montanhas haverá terror, em vez dos gritos de alegria!

8 Vou dar livre curso à minha indignação contra ti e, com toda a minha ira, vou condenar-te pelo que fizeste e atirar-te à cara todas as tuas abominações.

9 Não te pouparei nem terei pena de ti. Vou pedir-te contas pelo mal que fizeste e revelar publicamente as tuas práticas abomináveis, para que saibas que eu, o SENHOR, sou capaz de dar o castigo.

10

Aí está o dia! É a vossa vez! Cada vez há mais violência e a arrogância atingiu o seu máximo.

11 A violência produziu mais maldade. Mas deles nada ficará, nem da sua riqueza, nem do esplendor da sua glória.

12

Está a chegar o dia em que o comprar ou o vender não voltarão mais a dar alegria ou tristeza a ninguém, porque o castigo de Deus cairá sobre todos por igual.

13 Ninguém viverá o tempo suficiente para recuperar o que vendeu, porque a ira de Deus cairá sobre todos. Os que são maus não sobreviverão.

14 Soam as trombetas e cada um se prepara para o combate; mas ninguém vai para a guerra, porque a ira de Deus cairá sobre todos por igual.»

15

«Nas ruas, é a morte pela espada e dentro de casa, a enfermidade e a fome! Quem estiver fora morrerá na guerra e os que ficarem na cidade serão vítimas de doença e fome.

16 Alguns escaparão para os montes. Como pombas a arrulhar todos eles gemerão pelos seus pecados.

17 As suas mãos enfraquecerão e os seus joelhos tremerão, batendo um contra o outro.

18 Vestir-se-ão de roupas grosseiras e ficarão cheios de medo. As suas cabeças serão rapadas e todos ficarão cobertos de vergonha .

19 Atirarão com o ouro e a prata para a rua, como se fosse lixo, porque nem o ouro nem a prata os poderão socorrer da ira do SENHOR. Não o poderão gastar para satisfazer os seus desejos nem para encher o estômago. Pois o ouro e a prata é que os fizeram tropeçar.

20 Antes orgulhavam-se das belas joias e usaram-nas para fazer ídolos abomináveis. Por isso, o SENHOR fez com que a sua riqueza se tornasse como lixo.

21

Deixarei que os estrangeiros saqueiem as suas riquezas e que os transgressores da lei lhes levem tudo, profanando a sua cidade.

22 Não intervirei, quando o templo, o meu tesouro, for invadido e profanado pelos ladrões.

23

Prepara as correntes , pois o país está cheio de assassinos e a cidade repleta de violência.

24 Farei com que as nações mais bárbaras ataquem e se apoderem das vossas casas. Os vossos mais fortes heróis perderão a confiança e os seus lugares de culto serão profanados.

25 Sim, vem aí o desespero. Haveis de querer paz, mas não a conseguireis.

26 Virá desastre sobre desastre e as más notícias nunca mais acabarão. Haveis de pedir aos profetas que vos revelem o futuro, mas será em vão. Os sacerdotes não terão nada a ensinar ao povo e os anciãos não terão conselhos a dar.

27 O rei ficará de luto, os chefes desesperados e o povo tremerá de medo. Vou castigá-los a todos por tudo o que fizeram e condená-los da mesma maneira que eles condenaram os outros. Assim reconhecerão que eu sou o SENHOR.»

8

1

No sexto ano do exílio , no dia cinco do sexto mês, estavam sentados comigo, em minha casa, os anciãos dos exilados de Judá. Subitamente, o poder do SENHOR Deus veio sobre mim.

2 Olhei para cima e vi então uma figura que parecia um homem . Da cintura para baixo parecia de fogo e da cintura para cima resplandecia como se fosse de um metal brilhante;

3 estendeu uma espécie de braço e apanhou-me pelo cabelo. Então o Espírito de Deus ergueu-me bem alto e, naquela visão, levou-me a Jerusalém. Levou-me para o lado de dentro da porta norte do templo. Havia lá um ídolo ; era um insulto insuportável para Deus.

4

Ali se manifestava a presença gloriosa do Deus de Israel, tal como a tinha visto na planície do canal Quebar.

5 Deus disse-me: «Homem , olha para o norte!» Olhei e junto ao altar, à entrada da porta, vi um ídolo, que era um insulto insuportável para Deus.

6

Deus disse-me: «Estás a ver o que se passa? Olha para as coisas vergonhosas que o povo de Israel está ali a fazer, expulsando-me cada vez para mais longe do meu santuário. Mas vais ver coisas ainda mais horrorosas do que estas!»

7

Levou-me em seguida à entrada do átrio exterior, mostrou-me uma fenda no muro

8 e disse-me: «Abre um buraco nesse muro!» Abri um buraco e descobri uma porta.

9 O SENHOR disse-me: «Entra e vê as coisas horrorosas e terríveis que ali se fazem!»

10 Entrei e olhei. As paredes estavam cobertas de pinturas de cobras e outros animais repugnantes , além de muitos ídolos que os israelitas adoravam.

11 Encontravam-se ali de pé setenta anciãos de Israel, incluindo Jazanias, filho de Chafan. Cada um tinha na mão um incensário e o fumo do incenso espalhava-se pelo ar .

12 Deus perguntou-me: «Vês agora, Ezequiel, o que estes anciãos dos israelitas estão a fazer em segredo? Estão todos a prestar culto na sala do seu ídolo e desculpam-se dizendo: “O SENHOR não nos vê! Ele abandonou este país!”»

13

Então o SENHOR disse-me: «Vais vê-los fazer coisas ainda mais abomináveis do que essas!»

14 Em seguida levou-me à porta norte do templo e ali estavam mulheres a lamentar-se pela morte do deus Tamuz .

15 O SENHOR perguntou-me: «Estás a ver tudo isso Ezequiel? Pois verás coisas ainda mais abomináveis.»

16

Levou-me depois à parte interior do templo. Ali, perto da entrada do santuário do SENHOR, entre o altar e o pórtico, havia cerca de vinte e cinco homens. Estavam de costas para o santuário e inclinavam-se até ao chão, voltados para o oriente, em adoração ao sol nascente.

17

O SENHOR disse-me: «Estás a ver aquilo? Os habitantes de Judá não se contentam em fazer todas as coisas degradantes que viste, enchem de violência o país inteiro, irritando-me mais e mais. E ainda se põem a tocar com um ramo no nariz .

18 Não os pouparei nem terei misericórdia deles. Farão orações a mim, em alta voz, mas não os ouvirei.»

9

1

Então ouvi Deus dar esta ordem em voz alta: «Venham cá os que vão castigar a cidade! Que cada um traga na mão as suas armas de destruição!»

2 Logo saíram seis homens da porta norte do templo, cada um com a sua arma de destruição. Com eles encontrava-se um homem vestido de linho , que levava à cintura a tábua de escriba. Então vieram todos e puseram-se em volta do altar de bronze.

3 Apareceu em seguida o esplendor da presença gloriosa do Deus de Israel, esplendor que saiu de cima dos querubins que ali se encontravam e se moveu para a entrada do templo. O SENHOR dirigiu-se ao homem vestido de linho que levava à cintura a tábua de escriba e disse:

4 «Percorre a cidade de Jerusalém e põe um sinal na testa de cada pessoa que lamente e desaprove as coisas abomináveis que se fazem nesta cidade.»

5

Depois ouvi-o dizer aos outros homens: «Sigam-no por toda a cidade e matem os seus habitantes. Não poupem nem tenham compaixão de ninguém.

6 Matem velhos e jovens, de ambos os sexos, mães e crianças. Mas não molestem nenhum dos que têm o sinal na testa . Comecem já por aqui, pelo meu templo.» E eles começaram pelos anciãos que se encontravam diante do templo.

7 Deus disse-lhes: «Podem tornar impuro o templo, enchendo os átrios de cadáveres . Mãos à obra!» E eles começaram a matar os habitantes da cidade.

8

Enquanto a matança prosseguia, fiquei ali sozinho; deitei-me com o rosto por terra e gritei: «SENHOR, meu Deus! Estás tão irado contra Jerusalém para matares aqueles que ainda restam em Israel?»

9 E Deus respondeu-me: «O povo de Israel e de Judá é culpado de pecados enormes! Cometeram assassinatos por todo o país e encheram Jerusalém com os seus crimes. Dizem que eu, o SENHOR, abandonei este país e já não olho para eles.

10 Sim! Não me compadecerei deles, nem terei misericórdia! Vou fazê-los pagar pelo que fizeram!»

11

Então o homem que estava vestido de linho e tinha à cintura a tábua de escriba voltou e disse ao SENHOR: «As ordens que me deste foram cumpridas!»

10

1

Olhei para aquele firmamento que estava sobre a cabeça dos querubins. Por cima deles havia algo semelhante a um trono feito de safira.

2 Deus dirigiu-se ao homem que estava vestido de linho e disse: «Vai por entre as rodas debaixo dos querubins, pega num punhado de brasas; e espalha-as pela cidade.» E vi-o ir apanhar as brasas.

3 Quando ele entrou, os querubins estavam de pé, a sul do templo, e uma nuvem encheu o átrio interior.

4 A presença gloriosa do SENHOR elevou-se por sobre os querubins e dirigiu-se para a entrada do templo. Então o templo e o átrio ficaram iluminados pelo esplendor da presença gloriosa do SENHOR.

5 Podia ouvir-se o ruído feito pelas asas dos querubins no átrio exterior. Esse ruído era semelhante à voz do Deus supremo.

6 Quando o SENHOR ordenou ao homem vestido de linho que tirasse fogo do interior das rodas que estavam debaixo dos querubins, o homem foi colocar-se de pé ao lado de uma das rodas.

7 Um dos querubins pôs a mão no fogo que estava entre eles, apanhou algumas brasas e colocou-as nas mãos do homem vestido de linho. Este pegou nas brasas e saiu.

8

Vi que cada querubim tinha uma espécie de braço humano debaixo de cada asa.

9 Vi também que havia quatro rodas, cada uma ao lado de um dos querubins. As rodas brilhavam como se fossem pedras preciosas.

10 Tinham todas a mesma forma, como se uma roda encaixasse na outra.

11 Quando os querubins avançavam, podiam fazê-lo em qualquer direção, sem terem de se virar. Iam todos juntos na direção que queriam, sem se virarem.

12 Os seus corpos, costas, mãos, asas e rodas estavam cheios de olhos .

13 E ouvi chamar «Turbilhão» àquelas rodas.

14 Cada querubim tinha quatro rostos. O primeiro era semelhante ao do boi, o segundo era um rosto humano, o terceiro, o rosto do leão, e o quarto era semelhante ao da águia.

15 Eram os mesmos que vira à margem do canal Quebar . Quando eles se erguiam no ar

16 e se moviam, as rodas iam com eles.

17 Quando abriam as asas para voar, as rodas acompanhavam-nos. Quando paravam, as rodas paravam; e quando voavam, as rodas iam com eles, pois eram dirigidas pela vontade daqueles seres vivos.

18

Então a presença gloriosa do SENHOR deixou a entrada do templo e foi colocar-se por cima dos querubins.

19 Vi então os querubins abrirem as asas e voarem, levando consigo as rodas. Detiveram-se junto à porta oriental do templo, e a presença gloriosa de Deus brilhava sobre eles.

20 Verifiquei que se tratava dos mesmos seres vivos que tinha visto junto ao Deus de Israel, na margem do canal Quebar. Os seres vivos e os querubins eram a mesma coisa.

21 Cada um tinha quatro rostos, quatro asas e uma espécie de braço humano debaixo de cada asa.

22 Os seus rostos eram semelhantes aos que eu tinha visto junto ao canal Quebar. Cada um deles se movia a direito, sempre para a frente.

11

1

O Espírito de Deus arrebatou-me e levou-me até à porta oriental do templo. Ali, junto à porta, vi vinte e cinco homens, entre os quais se encontrava Jazanias, filho de Azur, e Pelatias, filho de Benaías, chefes do povo.

2 O SENHOR disse-me: «Homem , estes homens tramam planos criminosos e dão conselhos perversos à cidade.

3 Eles dizem: “Não será em breve, vamos começar novamente a construir casas; a cidade assemelha-se a uma panela e nós somos a carne dentro dela .”

4 Homem, deves denunciá-los agora.»

5

O Espírito do SENHOR apoderou-se de mim e disse-me que transmitisse ao povo a seguinte mensagem: «Povo de Israel, sou conhecedor do que dizem e dos planos que traçaram.

6 Assassinaram tanta gente nesta cidade que as ruas estão cheias de cadáveres.»

7 Por isso, eis o que o SENHOR Deus vos manda dizer: «Esta cidade é de facto a panela, mas a carne são os cadáveres daqueles que mataram! Quanto a vós, vou lançar-vos para fora da cidade!

8 Têm medo das espadas? Pois vou trazer homens com espadas para vos atacarem. Palavra do SENHOR, Deus!

9 Vou tirar-vos da cidade e entregar-vos ao poder dos estrangeiros. Vou condenar-vos à morte

10 e serão mortos em combate dentro do vosso país. Então reconhecereis que eu sou o SENHOR.

11 Esta cidade não vos guardará, como a panela guarda a carne dentro dela. Vou castigar-vos onde quer que estiverem, na terra de Israel.

12 Terão de reconhecer que eu sou o SENHOR e que, enquanto obedeciam às leis dos povos vizinhos, transgrediam as minhas leis e desobedeciam aos meus mandamentos.»

13

Enquanto eu transmitia a mensagem, Pelatias, filho de Benaías, morreu . Eu deitei-me de rosto por terra e gritei: «Não, SENHOR Deus! Vais matar também os que restam de Israel?»

14

O SENHOR dirigiu-me a seguinte mensagem:

15 «Ezequiel, o povo que está em Jerusalém anda a falar de ti e dos teus compatriotas israelitas que estão no exílio; dizem: “Os exilados encontram-se longe demais para poderem prestar culto ao SENHOR. Ele entregou-nos esta terra nas nossas mãos.”

16 Vai agora dizer aos outros exilados o que eu tenho para lhes comunicar! Eu sou aquele que os enviou para viverem em países longínquos e os espalhou por essas nações. Mas em qualquer país, serei para vocês como um santuário .

17 Por isso, diz-lhes o que eu, o SENHOR Deus, lhes comunico. Vou reunir-vos de todos os países para onde foram e juntar-vos de todos os lugares por onde andam dispersos e vou restituir-vos a terra de Israel.

18 Quando voltarem, devem retirar de lá todos os ídolos abomináveis que ainda estiverem de pé.

19 Vou dar-lhes um só coração e um espírito novo. Retirarei o seu coração de pedra e dar-lhes-ei um coração humano obediente.

20 Assim obedecerão às minhas leis e seguirão as minhas ordens com fidelidade. Serão o meu povo e eu serei o seu Deus .

21 Castigarei porém o povo que prestar culto aos ídolos abomináveis. Castigá-los-ei de tudo o que fizeram. Palavra do SENHOR!»

22

Os querubins começaram a voar e as rodas acompanharam-nos. A presença gloriosa do Deus de Israel ia sobre eles.

23 Então a presença gloriosa do SENHOR saiu de cima da cidade e dirigiu-se para o monte que está a oriente.

24 O Espírito de Deus arrebatou-me em visão e levou-me de novo para junto dos exilados na Babilónia. Então a visão terminou

25 e contei aos exilados tudo o que o SENHOR me mostrara.

12

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , tu vives entre gente rebelde . Têm olhos para ver, mas não veem; têm ouvidos para ouvir, mas não ouvem; porque são gente rebelde.

3 Mas tu, pega agora nos teus haveres, como faria um refugiado, e sai antes de anoitecer. Que todos saibam que partes e vais para outro lugar. Talvez eles se deem conta que são gente rebelde.

4 Enquanto é dia, pega, pois, nos teus haveres, para ires para o exílio, de maneira que te vejam realmente sair, ao anoitecer, como um exilado.

5 À vista deles, faz um buraco na parede da tua casa e passa por ele, com os teus haveres.

6 Põe-nos aos ombros, de maneira que todos te vejam, e sai para o escuro com os olhos vendados, para não veres para onde vais. Isso servirá de aviso para os israelitas.»

7

Fiz como o SENHOR me ordenara. Nesse dia, preparei as minhas coisas como quem parte para o exílio e, à tarde, ao escurecer, fiz um buraco na parede com as mãos e saí por ele. À vista dos que me observavam, pus o meu embrulho às costas e parti.

8 Na manhã seguinte, o SENHOR dirigiu-me esta mensagem:

9 «Ezequiel, agora que aqueles israelitas rebeldes começaram a perguntar o que estás a fazer,

10 mostra-lhes o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar. A minha mensagem destina-se ao chefe que governa Jerusalém e para todo o povo que ali vive.

11 Diz-lhes que o que fizeste é um sinal do que lhes vai acontecer, pois vão ser levados para o exílio como prisioneiros.

12 O chefe que os governa levará aos ombros os seus haveres, de noite, e escapará através de um buraco que para isso alguém lhe fez na parede. Tapará os olhos, para não ver a sua terra.

13 Porém eu lançarei a minha rede e ficará apanhado na armadilha. Em seguida, vou levá-lo para a cidade da Babilónia, onde morrerá sem ter podido vê-la.

14 Espalharei aos quatro ventos os membros da sua corte e os seus conselheiros e guarda-costas, e eu hei de persegui-los com a minha espada.

15 Quando virem que os espalhei pelas outras nações e países estrangeiros, vão reconhecer que eu sou o SENHOR.

16 Permitirei que uns poucos sobrevivam à guerra, à fome e à peste, para irem contar aos outros povos as práticas abomináveis dos habitantes de Jerusalém, e para reconhecerem que eu sou o SENHOR.»

17

O SENHOR dirigiu-me esta mensagem:

18 «Ezequiel, treme, quando comeres, e estremece de medo, quando beberes.

19 Diz a toda a nação de Israel que esta é a mensagem do SENHOR Deus ao povo de Jerusalém, que ainda habita no país: ao comerem, hão de tremer, e hão de estremecer de medo, ao beberem. A sua terra será devastada, porque os seus habitantes a encheram de opressão.

20 Cidades que estão agora cheias de gente, serão destruídas e o país vai transformar-se num deserto. Vão assim reconhecer que eu sou o SENHOR.»

21

O SENHOR disse-me ainda:

22 «Ezequiel, por que é que os habitantes de Israel repetem este provérbio: os dias passam e as profecias não se cumprem?

23 Mostra-lhes agora o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar. Esse provérbio deixará de ter sentido e nunca mais será repetido em Israel. Pelo contrário, hão de dizer: “Chegou o tempo e as profecias cumpriram-se!”

24 Não haverá mais falsas visões, nem profecias enganosas para o povo de Israel.

25 Eu, o SENHOR Deus, vou falar-lhes; e o que eu disser vai cumprir-se sem demora. Isso será nos vossos dias, enquanto vocês, rebeldes, viverem; e eu cumprirei as ameaças que vos dirigi. Palavra do SENHOR!»

26

O SENHOR disse-me ainda:

27 «Ezequiel, os israelitas pensam que as tuas visões e profecias se referem a um futuro muito distante.

28 Transmite-lhes agora o que eu, o SENHOR Deus, te revelei. Não haverá mais demora. O que eu te disse, vai cumprir-se já. Palavra do SENHOR!»

13

1

O SENHOR disse-me:

2 «Homem , denuncia os profetas de Israel que inventam o que dizem. Avisa-os que prestem atenção à palavra do SENHOR.»

3 Eis que o SENHOR Deus diz: «Estes profetas insensatos estão condenados ao fracasso! Proclamam mensagens inventadas e fabricam as suas próprias visões.

4 Ó povo de Israel, os teus profetas são tão inúteis como as raposas que vivem nas ruínas de uma cidade.

5 Não guardam os locais onde o muro ruiu, nem reconstroem as muralhas e por isso Israel não se poderá defender quando a guerra vier, no dia do castigo do SENHOR.

6 As suas visões são falsas e as suas profecias são mentira. Pretendem transmitir a mensagem do SENHOR, mas eu não os enviei. Contudo, pensam que as suas palavras se cumprirão!»

7 Eis o que lhes digo: «Essas visões, que vocês têm, são falsas e as profecias que fazem são mentira. Dizem que são palavras minhas, mas eu não as pronunciei!

8

Por isso, eu, o SENHOR Deus, vos aviso! As vossas palavras são falsas, e as vossas visões são mentira. Eu aqui estou contra vós!»

9

Estou prestes a castigar os profetas de falsas visões e de mensagens enganosas. Eles não estarão presentes quando o meu povo se reunir para tomar decisões; os seus nomes não serão mencionados na lista dos cidadãos de Israel ; nunca mais voltarão à sua terra. Então ficarão a saber que eu sou o SENHOR Deus.

10 Os profetas conduziram o meu povo por maus caminhos, dizendo-lhe que tudo vai bem quando nada vai bem. O meu povo fez um muro de pedras soltas e os profetas contentam-se em o cobrir com cal.

11 Diz àqueles falsos construtores que o seu muro vai desmoronar-se. Vou fazer cair uma grande chuvada, com granizo e vento ciclónico.

12 O muro vai desmoronar-se, e todos perguntarão para que serviu a cal.

13

É isto que eu vos declaro, eu o SENHOR Deus: «Na minha ira enviarei um vento forte, uma grande chuvada e granizo, para deitar abaixo esse muro.

14 Farei cair o muro que cobriram de cal, para que se desmorone e deixe à mostra os seus alicerces. Quando cair, vai matar-vos a todos. Então ficareis a saber que eu sou o SENHOR.

15 O muro e os que lhe puseram a cal ficarão a conhecer os resultados da minha ira. Vereis então que o muro desapareceu assim como os que lhe deitaram a cal.

16 E garantiram os profetas por profecias e visões que tudo iria correr bem para Jerusalém, quando isso não era verdade ! Palavra do SENHOR!»

17

Disse o SENHOR: «E agora, Ezequiel, volta-te contra as mulheres do teu povo, que pretendem ser profetisas. Denuncia-as

18 e mostra-lhes o que o SENHOR Deus tem para lhes dizer: “Vós, mulheres, estais condenadas! Coseis amuletos para toda a gente usar no braço e fazeis lenços mágicos para as pessoas usarem na cabeça, para assim terem influência na vida dos outros . Pretendeis possuir o poder da vida e da morte sobre o meu povo e usá-lo para vosso proveito.

19 Desonrais-me diante do povo, a fim de receberdes um pouco de cevada e de pão. Considerais dignos de morte aqueles que não merecem morrer e deixais viver os que deviam morrer. Assim enganais o meu povo, que acredita nas vossas mentiras.

20 Mas eu, o SENHOR, vosso Deus, tenho a declarar-vos que vou intervir contra os laços com que procurais apanhar as pessoas. Vou arrancar e rasgar os laços que tendes na mão e darei a liberdade ao povo que dominais.

21 Arrancarei os vossos lenços e farei com que o meu povo se liberte da vossa influência, de uma vez para sempre. Então ficareis a saber que eu sou o SENHOR.

22 Com as vossas mentiras, fazem desanimar a gente boa, a quem eu não queria fazer mal. E, pelo contrário, impedem os maus de se arrependerem do mal e de salvar as suas vidas.

23 Mas as vossas visões falsas e as vossas profecias enganosas terminaram. Vou libertar o meu povo do vosso domínio e ficareis a saber que eu sou o SENHOR.”»

14

1

Alguns dos anciãos de Israel vieram ter comigo para me consultarem acerca da vontade do SENHOR.

2 Então o SENHOR me falou assim:

3 «Homem , estes homens entregaram os seus corações aos ídolos desprezíveis, voltam-se para os ídolos que os levam a pecar. E pensam que ainda lhes vou dar uma resposta?

4 Fala agora com eles e diz-lhes o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar: “Cada israelita que entregou o seu coração aos ídolos e se voltou para aqueles que o levam a pecar e que vem depois consultar um profeta, receberá de mim uma só resposta; a resposta que merecem pelos seus muitos ídolos.

5 Todos esses ídolos afastaram de mim os israelitas, mas espero, com a minha resposta, conquistar de novo o seu coração.

6 Agora, pois, diz aos israelitas o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar; arrependam-se e deixem os vossos ídolos; não se voltem para essas coisas abomináveis.

7 Sempre que um israelita ou um estrangeiro que viver na comunidade israelita , se afastar de mim e prestar culto aos ídolos e depois for consultar um profeta, eu, o SENHOR, hei de dar-lhe a resposta que merece.

8 Hei de voltar-me contra ele e farei com que o seu caso sirva de exemplo. Hei de expulsá-lo do meu povo, para que saibam que eu sou o SENHOR.

9

Se um profeta se enganar e der uma resposta falsa, eu, o SENHOR, vou deixá-lo cair no seu erro. E com o meu poder hei de expulsá-lo do meu povo, Israel.

10 Tanto o profeta, como aquele que o consultar receberão de mim igual castigo.

11 Assim farei para impedir que os israelitas se afastem para longe de mim e se manchem com os seus muitos pecados. Então eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. Palavra do SENHOR!”»

12

O SENHOR dirigiu-me a seguinte mensagem:

13 «Homem, se um povo pecar e me for infiel, eu levantarei a minha mão contra ele e destruirei as suas reservas de pão. Enviarei contra ele fome e matarei o povo e os animais.

14 Mesmo se os três homens justos, Noé, Daniel e Job ali vivessem, a sua integridade apenas chegaria para eles mesmos serem salvos. Palavra do SENHOR!

15

Ou então poderia enviar animais ferozes para matar aquele povo, tornando a terra como um deserto, que ninguém atravessa, por medo das feras.

16 E mesmo que aqueles três homens ali vivessem, tão certo como eu ser o Deus da vida te garanto que não seriam capazes de salvar os seus próprios filhos. Apenas conseguiriam salvar-se a si mesmos e a terra ficaria transformada num deserto.

17

Ou então, se eu trouxesse a guerra àquele país e fizesse com que armas terríveis destruíssem não só as pessoas, mas também os animais,

18 mesmo que aqueles três homens ali habitassem, tão certo como eu ser o Deus da vida, te garanto que não conseguiriam salvar os seus filhos mas apenas a si próprios.

19

Se eu enviasse uma epidemia a esse país e pela minha indignação destruísse muitas vidas, matando pessoas e animais,

20 ainda que Noé, Daniel e Job ali vivessem, tão certo como eu ser o SENHOR Deus da vida te garanto que não seriam mesmo capazes de salvar os seus filhos. Com a sua integridade apenas conseguiriam salvar-se a si mesmos.»

21

Assim diz o SENHOR Deus: «Vou enviar os quatro castigos piores que há, sobre Jerusalém: guerra, fome, animais ferozes e doença, para destruir, quer o povo, quer os animais.

22 Se alguém ficar vivo e salvar os filhos e vier ter convosco, olhem bem para eles e vejam o seu procedimento e os seus crimes e terão menos dificuldade em compreender que o castigo que fiz cair sobre Jerusalém é justificado.

23 Então reconhecerão que tive boas razões para fazer o que fiz. Palavra do SENHOR!»

15

1

O SENHOR dirigiu-me a seguinte mensagem:

2 «Homem , que valor tem a madeira da videira , comparada com a das árvores dos bosques?

3 Serve-te para alguma coisa? Consegues mesmo fazer com ela um cabide para pendurar qualquer coisa?

4 Na realidade só serve para se deitar no fogo. As pontas ardem logo e a cepa fica a arder em brasa. Serve-te para alguma coisa?

5 Se já não servia para nada mesmo antes de arder! Depois de ser queimada pelo fogo e carbonizada, ainda serve para menos!

6 Eis, pois, o que o SENHOR tem para dizer: “Assim como a lenha da videira brava é queimada no fogo, assim farei também com os habitantes de Jerusalém,

7 para os castigar. Escaparam do fogo, mas será o fogo que os há de consumir. Quando os castigar, ficareis a saber que eu sou o SENHOR.

8 Eles foram-me infiéis e por isso o seu país ficará deserto. Palavra do SENHOR!”»

16

1

O SENHOR falou-me novamente e disse:

2 «Homem , faz ver a Jerusalém as suas práticas abomináveis

3 e comunica-lhe o que eu, o SENHOR Deus, lhe mando dizer: “Ó Jerusalém, tu nasceste na terra de Canaã ; o teu pai era amorreu e a tua mãe hitita .

4 Quando nasceste, ninguém te cortou o cordão umbilical nem te lavou. Ninguém te esfregou com sal nem te pôs fraldas.

5 Ninguém se compadeceu suficientemente nem teve pena, para tratar de ti, quando nasceste. Com desprezo, foste atirada fora para o campo.

6 Então eu passei e vi-te estrebuchando no teu sangue. Embora estivesses coberta de sangue, não te deixei morrer, porque queria que vivesses.

7 Fiz-te crescer como uma planta sadia. Ficaste forte e alta e fizeste-te mulher. Os teus peitos desenvolveram-se e o teu cabelo cresceu. Porém estavas completamente nua.

8 Quando passei de novo, vi que chegara a idade de te apaixonares. Cobri o teu corpo nu com a minha capa e prometi amar-te. Sim, jurei que havia de casar contigo e tu ficaste a pertencer-me. Palavra do SENHOR!

9

Lavei-te com água e esfreguei a tua pele com azeite.

10 Vesti-te com roupa fina e dei-te sapatos do melhor cabedal; dei-te um turbante de linho e uma capa de seda.

11 Adornei-te com joias, braceletes e colares.

12 Dei-te um brinco para o nariz, brincos para as orelhas e uma esplêndida coroa para pores na cabeça.

13 Estavas ornamentada de ouro e de prata e a tua roupa brocada era só de linho e de seda. Comeste pão feito com a melhor farinha e alimentaste-te de mel e de azeite. A tua beleza era impressionante; eras uma autêntica rainha .

14 Tornaste-te famosa entre os povos pela tua enorme formosura, porque eu te fiz mui atraente.

15 Mas tu abusaste da tua beleza e fama e prostituíste-te com todos os que apareciam.

16 Usaste as tuas roupas preciosas para decorar os teus lugares de culto pagão e neles te entregaste a qualquer pessoa, como se fosses uma prostituta .

17 Com as joias de prata e de ouro que te dei fizeste ídolos e com eles te prostituíste.

18 Com a roupa de brocados que te dei, vestiste essas imagens e ofereceste-lhes o azeite e o incenso que te tinha dado.

19 Dei-te também comida, farinha de primeira qualidade, azeite e mel; mas entregaste tudo isso aos ídolos em sacrifício, para lhes agradares.

20 Seguidamente, tomaste os teus filhos e filhas, que me tinhas dado, e ofereceste-os em sacrifício aos ídolos . Não era já um grande pecado que me fosses infiel?

21 Para que foste ainda sacrificar os meus filhos como oferta aos ídolos?

22 Durante a tua vida depravada como prostituta, nunca te lembraste da tua meninice, quando estavas nua, estrebuchando no teu sangue.”»

23

«Palavra do SENHOR! Ai de ti! Ai de ti, Jerusalém que, depois de todos estes crimes,

24 ainda foste edificar, junto às estradas, lugares para prestares culto aos ídolos e te dedicares à prostituição.

25 Atolaste a tua beleza na lama, entregaste-te a quem passava e a tua prostituição foi cada vez maior.

26 Deixaste que os teus vizinhos sensuais, os egípcios, fossem para a cama contigo , e com a tua prostituição fizeste com que eu ficasse muito zangado contigo.

27 Eis que levanto agora a minha mão, para te castigar, e retiro de ti a minha bênção. Entreguei-te aos filisteus , que te odeiam e têm horror à tua vida imoral.

28 E porque não te satisfizeste com esses, ainda foste atrás dos assírios . Prostituíste-te com eles mas também não ficaste satisfeita.

29 Prostituíste-te depois com os babilónios, essa nação de comerciantes; porém, eles também não te satisfizeram.

30

Fizeste tudo isto como uma prostituta desavergonhada. Palavra do SENHOR!

31 Edificaste lugares de culto aos ídolos à beira das estradas e dedicaste-te à prostituição. Mas o teu motivo não foi o dinheiro, como as outras prostitutas.

32 És como uma mulher que comete adultério com estranhos em vez de amar o marido.

33 As prostitutas são pagas , mas tu ainda deste presentes aos teus amantes, para os atrair de toda a parte a irem dormir contigo.

34 Tu pertences a uma casta diferente de prostitutas. Ninguém te forçou a teres a vida que levas; não te pagaram, tu é que lhes pagaste! Sim, és realmente diferente!»

35

«Escuta agora, Jerusalém prostituta, o que o SENHOR tem para te comunicar.

36 Sou eu, o SENHOR quem te fala! Tu despiste-te e como uma prostituta, entregaste-te aos teus amantes e aos teus ídolos abomináveis e mataste os teus filhos para os sacrificar aos ídolos.

37 Por causa disso, vou reunir todos esses amantes a quem quiseste agradar, tanto os que tu amaste como aqueles dos quais te aborreceste. Vou pô-los à tua volta e em seguida vou despir-te para que te vejam nua em público.

38 Vou condenar-te por adultério e por assassinato, e na minha grande indignação vou dar-te a morte.

39 Vou entregar-te nas suas mãos e eles destruirão esses lugares onde prestaste culto aos ídolos e onde te prostituíste. Tirar-te-ão a roupa e as joias e abandonar-te-ão ali completamente nua.

40 Incitarão a multidão contra ti, para te apedrejar e te cortar em bocados com as suas espadas.

41 Deitarão fogo às tuas casas e as outras mulheres verão o teu castigo. Assim deixarás de ser prostituta e não darás mais presentes aos teus amantes.

42 Só então se apagará o furor da minha indignação. Depois ficarei sossegado e não sentirei mais ciúmes.

43 Nunca mais te lembraste como te tratei quando eras pequena e indignaste-me com o que fizeste. Por isso, te fiz pagar por tudo. Porque, além das coisas degradantes que fizeste, ainda te foste prostituir. Palavra do SENHOR!»

44

Disse-me o SENHOR: «O povo dirá este provérbio de ti, Jerusalém: Tal mãe, tal filha.

45 Na verdade, tu és bem a filha de tua mãe. Ela detestava o marido e os filhos. Tu és como as tuas irmãs, que detestavam igualmente os maridos e os filhos. Tu e as cidades tuas irmãs tiveram uma mãe hitita e um pai amorreu.

46

A tua irmã mais velha é a Samaria, ao norte, com as aldeias à sua volta. A tua irmã mais nova, ao sul, é Sodoma, com as aldeias em volta.

47 Não só lhes seguiste as pisadas e imitaste todo o mal que fizeram, mas, pouco depois, estavas a fazer ainda pior do que elas.

48 Tão certo como eu ser o SENHOR da vida, te garanto que a tua irmã Sodoma e as aldeias em volta nunca praticaram tanto mal como tu e as tuas aldeias.

49 Ela e as suas aldeias orgulhavam-se por ter muito que comer, e por viverem em paz e sossego; porém não ajudaram os pobres e desprotegidos.

50 Eram orgulhosas e teimosas e fizeram coisas que eu detesto; por causa disso, como sabes, eu as destruí.

51 A Samaria não fez metade do mal que tu fizeste. Procedeste de maneira mais abominável do que ela. A tua enorme corrupção fez com que as tuas irmãs pareçam inocentes.

52 Agora tens de sofrer também a humilhação. Os teus pecados são mais horríveis que os das tuas irmãs e elas parecem inocentes ao pé de ti. Cora agora e envergonha-te, porque fazes com que as tuas irmãs pareçam puras e virtuosas.

53

Vou fazer com que Sodoma, Samaria e as aldeias que as rodeiam, sejam de novo prósperas. Mas também a ti hei de dar prosperidade como a elas.

54 Sentirás vergonha e humilhação e a tua desgraça dará ânimo às tuas irmãs.

55 Elas voltarão de novo à sua antiga prosperidade e tu, com as aldeias à tua volta, serás igualmente reconstruída como antes.

56 Não fizeste tu troça de Sodoma, naqueles tempos em que te sentias orgulhosa

57 e antes de o mal que fizeste ser revelado? Agora tornaste-te como ela, motivo de troça para os edomeus , para os filisteus e para todos os outros vizinhos que escarnecem de ti.

58 Tens de sofrer por causa das práticas sujas e degradantes que fizeste. Palavra do SENHOR!»

59

O SENHOR Deus diz: «Vou tratar-te como mereces, porque quebraste os teus compromissos e a minha aliança.

60 Porém eu respeitarei a aliança que fiz contigo, quando eras pequena, e farei uma aliança contigo, que durará para sempre.

61 Lembrar-te-ás do teu procedimento e, ao acolheres as tuas irmãs mais velhas e mais novas, ficarás envergonhada do que fizeste. Farei com que sejam como tuas filhas, embora isso não fizesse parte da minha aliança contigo.

62 Renovarei a minha aliança contigo e ficarás a saber que eu sou o SENHOR.

63 Perdoarei todo o mal que fizeste, porém tu hás de lembrar-te dele e terás vergonha de abrir a tua boca. Palavra do SENHOR!»

17

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra dizendo:

2 «Homem , apresenta ao povo de Israel uma parábola,

3 que lhes mostre o que eu, o SENHOR Deus, lhes quero comunicar: uma águia gigante , com belas penas coloridas, e asas enormes, abertas em toda a sua extensão, voou até a montanha do Líbano e arrancou a ponta mais alta dum cedro.

4 Em seguida, levou o ramo de cedro para uma área de comércio e depô-lo numa cidade de negociantes .

5 Depois levou um rebento da terra de Israel e plantou-o num campo de cultivo, com muita água, para que se desenvolvesse bem.

6 A planta cresceu e transformou-se numa videira cheia de varas, de cepa baixa; enquanto as varas cresciam em direção à águia, as raízes desenvolveram-se em profundidade; a videira ia-se cobrindo de ramos e de folhas.

7

Havia ainda uma outra águia com asas enormes e penugem espessa; e eis que a videira dirigia as suas raízes e ramos, em sua direção, à espera de obter mais água do que recebia do terreno em que estava plantada.

8 Esse terreno era fértil, com muita água, ideal para fazer brotar muitos ramos e dar muito fruto, para ser, enfim, uma videira magnífica.

9

E agora pergunto eu, o SENHOR: será que esta vinha vai crescer? A primeira águia não irá arrancá-la pela raiz, tirar-lhe as uvas e despedaçar os ramos, para que sequem ? Não é preciso muita força nem uma nação poderosa para o fazer.

10 É verdade que está plantada, mas será que vai crescer? Não irá antes secar, quando o vento oriental a fustigar? Na terra boa em que devia crescer, secará.»

11

O SENHOR disse-me ainda:

12 «Pergunta a esses rebeldes se sabem o que esta parábola quer dizer. Diz-lhes que o rei da Babilónia foi a Jerusalém e levou consigo o rei e a sua corte para o seu país.

13 Fez aliança com um dos descendentes da família real e fê-lo jurar fidelidade. Levou consigo os mais influentes como reféns,

14 para impedir que a nação se levantasse e para ter a certeza que o tratado seria respeitado.

15 Porém o rei de Judá revoltou-se contra ele e enviou emissários ao Egito, para pedir cavalos e um grande exército. Conseguirá o que pretende? Ficará impune? Irá quebrar a aliança e escapar sem castigo?

16

Tão certo como ser eu o SENHOR da vida esse rei perecerá na Babilónia, porque faltou ao juramento e quebrou a aliança que fez com o rei da Babilónia, que o colocou no poder.

17 Nem mesmo o poderoso exército do rei do Egito conseguirá ajudá-lo na guerra, quando os babilónios fizerem rampas e edificarem baluartes, afim de matarem muita gente.

18 Ele faltou ao juramento e quebrou a aliança que fez. Por causa de tudo isso, não escapará sem castigo.

19

Por isso, eu, o SENHOR Deus vos declaro: tão certo como eu ser o Deus da vida, castigá-lo-ei por quebrar a aliança que pelo meu nome jurou cumprir.

20 Vou lançar-lhe uma rede e apanhá-lo. Depois vou mandá-lo para a Babilónia e dar-lhe o castigo que merece, porque me foi infiel.

21 Os seus melhores soldados perecerão na batalha e os sobreviventes serão espalhados por toda a parte. Sabereis então que fui eu, o SENHOR, que vos falei.»

22

Assim diz o SENHOR Deus: «Arrancarei a ponta mais alta dum alto cedro e quebrarei o tenro rebento ; plantá-lo-ei no cimo de um alto monte ,

23 no monte mais alto de Israel. Farei crescer os seus ramos, de modo que dê semente e se desenvolva num cedro imponente. Nele se abrigarão aves de toda a espécie e sob a sua sombra se acolherão.

24 Todas as árvores dos campos saberão que eu sou o SENHOR. Eu corto as árvores altas e faço com que as pequenas se tornem grandes, faço secar as árvores verdes e reverdecer as árvores secas. Palavra do SENHOR!»

18

1

Perguntou-me o SENHOR:

2 «Que quer o povo de Israel dizer com o provérbio “os pais comeram uvas azedas, mas foram os filhos que ficaram com o mau gosto na boca”?

3 Tão certo como eu ser o Deus da vida, vos declaro eu, o SENHOR, que ninguém há de repetir mais esse provérbio em Israel.

4 A vida de cada pessoa, tanto pais como filhos, pertence-me. Aquele que pecar é que deve morrer .

5 Suponhamos que se trata dum homem bom, justo e honesto.

6 Ele não adorou os ídolos dos israelitas nem tomou parte nos banquetes dos sacrifícios pagãos sobre os montes. Não seduz a mulher de outro homem nem tem relações sexuais com uma mulher durante a menstruação .

7 Não engana nem rouba ninguém, antes restitui o depósito recebido por algo que emprestou; dá comida ao que tem fome e roupa ao que não a tem.

8 Não empresta dinheiro para ter juros nem acumula interesses . Recusa fazer o mal e é imparcial nas disputas entre duas pessoas.

9 Tal pessoa obedece aos meus mandamentos e é escrupuloso em seguir as minhas leis. É um homem de bem, pelo que certamente viverá. Palavra do SENHOR!

10

Porém suponhamos que tal homem tem um filho que rouba e mata, que comete todos esses crimes,

11 que o seu pai nunca cometeu. Toma parte nos banquetes de sacrifício pagãos sobre os montes e seduz a mulher de outros.

12 Engana e rouba o pobre, e não restitui o penhor recebido por algo que emprestou; presta culto aos falsos deuses e pratica ações abomináveis,

13 e empresta dinheiro para receber juros e acumular interesses. Esse certamente que não viverá. Cometeu todas essas coisas abomináveis e por isso merece morrer. É responsável pela sua própria morte.

14

Suponhamos ainda que este homem tem um segundo filho, que testemunha os pecados de seu pai, mas não lhe segue as pisadas.

15 Não presta culto aos ídolos dos israelitas, nem toma parte nos banquetes de sacrifício sobre os montes. Não seduz a mulher dos outros,

16 nem faz mal a ninguém; restitui o depósito a quem lhe pediu emprestado e não rouba os outros. Dá de comer a quem tem fome e roupa ao que não a tem.

17 Não oprime o pobre e não empresta dinheiro a juros nem acumula interesses. Guarda as minhas leis e obedece aos meus mandamentos. Tal pessoa não morrerá por causa dos pecados do seu pai, antes viverá.

18 Porém o seu pai, que oprimiu e roubou e que fez mal aos outros, esse tem de morrer por causa dos seus próprios pecados.

19

Porém vocês perguntam por que razão o filho não há de pagar pelos pecados do pai. A razão é porque o filho fez o bem e agiu legalmente, obedeceu às minhas leis e pô-las em prática. Por isso, viverá.

20 Todavia, aquele que pecar, morrerá. Um filho não deve pagar pelos pecados do pai, nem um pai pelos pecados dos filhos. O homem justo será recompensado por praticar o bem, e o homem mau pagará pelo mal que fizer .

21

Se um homem mau deixar de praticar o mal e obedecer às minhas leis, se agir com justiça e fizer o bem, esse não morrerá, antes viverá.

22 As suas transgressões serão perdoadas, e viverá, porque fez o que era reto.

23 Pensam que me alegro ao ver um homem mau morrer? Pelo contrário, preferia vê-lo arrepender-se e viver. Palavra do SENHOR!

24

Mas se um homem que pratica o bem começar a agir mal e a fazer o que os homens maus fazem, poderá viver? Não! O bem que antes fez não será lembrado. Ele terá de morrer por causa da sua infidelidade e das suas transgressões.

25 Porém vocês dizem que aquilo que o Senhor faz não está bem. Ouçam-me, ó israelitas! Pensam que não tenho razão em fazer o que faço? Vocês é que não têm razão no vosso procedimento.

26 Quando um homem justo deixa de fazer o bem e começa a praticar o mal, e depois morre, ele morre por causa do mal que cometeu.

27 Quando um homem mau deixa de praticar o mal e começa a agir bem, salva a sua vida.

28 Ele compreende que está a agir mal e deixa de o fazer. Por isso, não morrerá, antes viverá.

29 E ainda dizem, israelitas, que o Senhor não tem razão? Pois pensam que eu estou errado, mas são vocês que a não têm.

30

Sou eu que hei de julgar a cada um de vós, pelo que fizeram, ó israelitas. Palavra do SENHOR! Deixem de praticar o mal e não deixem que o pecado vos destrua.

31 Abandonem as vossas transgressões e procurem ter uma nova mentalidade e um coração novo. Por que haveis de morrer, se sois israelitas?

32 Não quero que ninguém morra. Palavra do SENHOR! Deixem as vossas transgressões e viverão.»

19

1

O SENHOR disse-me: «Entoa um cântico, para lamentar os príncipes de Israel.


2
“Que bela leoa era a tua mãe!
Ela alimentava os seus filhotes,
deitada entre os leões!

3
Educou um dos leõezinhos e ensinou-o a caçar;
ele tornou-se um leão devorador de homens.

4
As nações ouviram falar dele,
e atraíram-no a uma armadilha.
Amarraram-no e arrastaram-no para o Egito.

5
A mãe aguardou até perder as esperanças;
em seguida criou outro dos seus filhotes,
que por sua vez se fez um forte leão.

6
Quando atingiu a idade adulta,
e se misturou com os outros leões,
também ele aprendeu a caçar
e a devorar homens.

7
Invadiu as suas fortalezas
e devastou as suas cidades;
os habitantes do país ficavam aterrorizados
sempre que ele rugia.

8
As nações uniram-se contra ele;
vieram de toda a parte.
Puseram-lhe laços e armadilhas
e ele foi apanhado.

9
Meteram-no numa gaiola
e levaram-no preso ao rei da Babilónia .
Puseram-no na cadeia,
para que nunca mais fosse rugir
nos montes de Israel.

10

A tua mãe era como uma videira ,
plantada à beira de um regato.
Em virtude de ali haver muita água,
a vinha cobriu-se de folhas e de fruto.

11
Os seus ramos tornaram-se fortes como cetros reais.
A videira cresceu tanto que chegou até às nuvens;
toda a gente podia ver como era alta,
e como estava cheia de folhas.

12
Mas foi arrancada violentamente,
e atirada ao chão.
O vento leste secou-lhe o fruto;
os seus fortes ramos ficaram secos,
como se o fogo os tivesse devorado.

13
Agora está plantada num deserto,
em terra árida e sem água.

14
A cepa da videira pegou fogo,
que lhe queimou os ramos e os frutos.
Os ramos nunca mais serão fortes,
nem poderão tornar-se cetros reais.”

Isto é uma lamentação e como tal será entoada.»

20

1

Era o dia dez do quinto mês , do sétimo ano do nosso exílio. Alguns dos anciãos da comunidade israelita vieram consultar-me acerca da vontade do SENHOR.

2 Então o SENHOR dirigiu-me a seguinte mensagem:

3 «Homem , dirige-te a estes anciãos e diz-lhes que eu, o SENHOR Deus, lhes declaro o seguinte: “Vocês vieram para saber a minha vontade, não é verdade? Pois, tão certo como eu ser o Deus da vida não vos deixarei perguntar coisa nenhuma. Palavra do SENHOR!”

4

E tu, homem, estás pronto a julgá-los? Então lembra-lhes as abominações que os seus pais cometeram.

5 Conta-lhes o que te digo. Quando escolhi a Israel, e abençoei a família de Jacob, revelei-me a eles no Egito, e disse-lhes solenemente: “Eu sou o SENHOR, vosso Deus!”

6 Jurei solenemente, nesse dia, que havia de fazê-los sair do Egito e de os conduzir a uma terra que escolhi para eles , uma terra onde o leite e o mel correm como água; na realidade, a melhor de todas as terras.

7 Pedi-lhes que se desfizessem dos ídolos abomináveis que adoravam e que não se tornassem impuros com os falsos deuses do Egito, porque eu sou o SENHOR, seu Deus.

8 Porém eles revoltaram-se contra mim e recusaram-se a ouvir-me. Não se desfizeram dos ídolos abomináveis nem dos deuses egípcios. Cheguei a ponto de querer fazer-lhes sentir o peso da minha indignação, mesmo ali, no Egito.

9 Mas não o fiz, pois isso teria trazido desonra ao meu nome, porque tinha já comunicado a Israel, na presença do povo entre o qual viviam, que os faria sair do Egito.

10

Por isso, trouxe-os para fora do Egito, para o deserto.

11 Dei-lhes os meus mandamentos e ensinei-lhes as minhas leis, que dão vida a quem as cumpre.

12 Fiz da guarda do sábado um sinal da aliança entre mim e eles, para lhes lembrar que eu, o SENHOR, faço deles um povo santo.

13 Todavia, mesmo no deserto, os israelitas se revoltaram contra mim. Transgrediram as minhas leis e rejeitaram os meus mandamentos, que dão vida a quem os cumpre. Também profanaram os meus sábados. Cheguei a querer fazer-lhes sentir o peso da minha indignação, ali mesmo no deserto, e a destruí-los.

14 Mas não o fiz, pois isso teria desonrado o meu nome na opinião dos povos que me viram tirar Israel para fora do Egito.

15 Jurei então, ali no deserto, que não os levaria para a terra que lhes dera, uma terra onde corre leite e mel, na realidade, a melhor de todas.

16 Procedi assim porque rejeitaram os meus mandamentos, transgrediram as minhas leis e profanaram os meus sábados, porque o seu coração pende para os seus ídolos.

17 Tive, porém, pena deles. Decidi que não os mataria; não acabaria com eles ali no deserto .

18

Pelo contrário, admoestei os seus descendentes: “Não sigam as leis que os vossos antepassados fizeram; não imitem os seus costumes, nem se contaminem com os seus ídolos.

19 Eu sou o SENHOR, vosso Deus. Obedeçam às minhas leis e cumpram fielmente os meus mandamentos.

20 Façam dos meus sábados dias santificados, para que sejam um sinal de aliança entre mim e vós, para que se saiba que eu sou o SENHOR, vosso Deus.”

21

Porém os seus filhos revoltaram-se contra mim e transgrediram as minhas leis. Não cumpriram os meus mandamentos, que dão vida a quem os cumpre; profanaram os meus sábados, a tal ponto que eu estava para descarregar sobre eles a minha indignação, ali no deserto, acabando com eles.

22 Mas não o fiz, porque isso teria desonrado o meu nome diante dos povos que me viram tirar os israelitas do Egito.

23 Jurei-lhes então, ali no deserto, que os espalharia por todo o mundo, exilando-os em terras estrangeiras.

24 Isto, por terem rejeitado os meus mandamentos, transgredido as minhas leis, profanado os meus sábados e se terem voltado para os mesmos ídolos que os seus antepassados tinham servido.

25 Dei-lhes então leis bastante duras e mandamentos que lhes tornavam a vida difícil .

26 Permiti que se profanassem a si mesmos com as suas ofertas, deixando-os sacrificar os seus filhos primogénitos. Procedi assim, para que se sentissem culpados e reconhecessem que eu sou o SENHOR.

27

Agora pois, Ezequiel, comunica aos israelitas que eu, o SENHOR Deus, lhes quero dizer o seguinte: “Os vossos antepassados insultaram-me ainda doutra maneira e foram-me infiéis.

28 Eu trouxe-os para a terra que lhes tinha prometido e eles, quando viram os altos montes e as árvores frondosas, ofereceram sacrifícios em todos esses lugares. Fizeram com que me zangasse por causa dos sacrifícios que queimaram, para agradar aos falsos deuses e pelas ofertas de vinho que aí apresentaram.

29 Perguntei-lhes então que lugares altos eram aqueles para onde eles iam. Por isso, se chamam, desde então, lugares altos aos santuários pagãos.”

30

Mostra agora aos israelitas o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar: “Por que haveis de cometer os mesmos crimes que os vossos pais cometeram, entregando-vos a esses ídolos imundos?

31 Continuam ainda a oferecer as mesmas ofertas, e a contaminar-vos com os mesmos ídolos, sacrificando os vossos filhos e queimando-os no fogo. E ainda me vêm perguntar qual é a minha vontade, ó israelitas! Tão certo como eu ser o SENHOR Deus da vida vos garanto que não vos deixarei perguntar mais nada.

32 Tomaram a decisão de ser como as outras nações, como pagãos vivem nos outros países e adoram deuses de madeira e de pedra. Porém não vai ser como vocês querem.”»

33

«Tão certo como eu ser o SENHOR, Deus da vida vos garanto que, na minha indignação, vos hei de dominar com mão forte e com o meu imenso poder.

34 Vou mostrar-vos o meu poder e a minha ira, quando vos reunir de novo e vos fizer voltar dos países, por onde vocês foram espalhados.

35 Vou separar-vos dos outros povos e levar-vos para o deserto ; ali sereis julgados frente a frente.

36 Vou condenar-vos como condenei os vossos antepassados no deserto do Sinai. Palavra do SENHOR!

37

Vou guardar-vos com o meu cajado e obrigar-vos a cumprir as obrigações da minha aliança.

38 Afastarei dentre vós aqueles que são rebeldes e maus. Retirá-los-ei da terra onde agora vivem, mas não permitirei que voltem à terra de Israel. Reconhecereis então que eu sou o SENHOR.

39

Ouçam agora o que vos digo, ó israelitas! Façam o que quiserem; continuem a adorar os vossos ídolos! Mas previno-vos que depois disto terão de me obedecer e deixar de desonrar o meu santo nome com as ofertas aos vossos ídolos.

40 Na terra de Israel, no meu santo monte, no grande monte de Israel, todos os israelitas me hão de adorar. Aí vos acolherei com agrado e esperarei que me tragam os vossos presentes, as vossas melhores ofertas e tudo o que me consagrarem.

41 Depois de vos trazer de volta dos países para onde vocês foram espalhados e de vos reunir de novo hei de aceitar com agrado os vossos sacrifícios, e as outras nações verão por isso que eu sou um Deus santo.

42 Quando vos trouxer de volta a Israel, à terra que jurei dar aos vossos antepassados, vocês hão de ver então que eu sou o SENHOR.

43 Hão de lembrar-se de todo o mal que fizeram, profanando-se a si mesmos. Ficareis desgostosos convosco mesmos, por causa de todo o mal praticado.

44 Quando eu vos tratar desta maneira, a fim de proteger o meu nome, vereis que eu sou o SENHOR, porque não vos trato como merecem os vossos atos maus e corruptos. Palavra do SENHOR Deus!»

21

1

O SENHOR dirigiu-me ainda a palavra e disse-me:

2 «Homem , olha em direção ao sul. Dirige em meu nome uma mensagem contra o bosque do sul .

3 Diz a esse bosque que fica ao sul, que eu, o SENHOR, lhe comunico o seguinte: “Ouve, ó bosque do sul! Vou deitar-te o fogo, que consumirá todas as tuas árvores, tanto as verdes como as secas. Nada o poderá apagar. Toda a gente, do sul ao norte, há de sofrer o calor das labaredas.

4 Assim verão que eu, o SENHOR, lhes pus fogo e que ninguém o pode apagar.”»

5 Porém eu protestei e disse: «Ó SENHOR Deus, não me mandes fazer tal coisa! Toda a gente diz já que só falo por parábolas!»

6

Então o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

7 «Homem, denuncia a Jerusalém, denuncia os lugares onde o povo presta culto. Previne a terra de Israel

8 que eu, o SENHOR, lhes declaro o seguinte: “Sou vosso inimigo. Puxarei da minha espada e vou matar-vos a todos, justos e maus.

9 Farei uso da minha espada contra todos, desde o sul até ao norte.”

10 Então toda a gente saberá que, se eu, o SENHOR, puxei da minha espada não é para a pôr outra vez na bainha.

11

E tu, homem, geme como se o teu coração estivesse despedaçado pelo desespero. Chora de tristeza num lugar onde todos te vejam.

12 Quando te perguntarem por que choras, diz que é por causa das notícias sobre o futuro. Então os seus corações se encherão de temor, as suas mãos ficarão sem força, o seu ânimo vacilará e os seus joelhos tremerão. O que está para vir já está a chegar. Palavra do SENHOR!»

13

O SENHOR dirigiu-me ainda esta mensagem:

14 «Homem, fala ao povo em meu nome; anuncia que eu, o Senhor, tenho para lhe dizer o seguinte:

“Existe uma espada,
uma espada afiada e polida.

15
Está afiada para matar,
e polida a brilhar como um relâmpago.
Haverá motivo para alegria?
É que o meu povo desprezou
o pau que o castigava !

16
A espada está a ser polida
pronta para ser usada.
Está afiada e polida,
para ser entregue nas mãos de quem vai matar.

17
Chora e lamenta-te, homem,
que esta espada é para ferir o meu povo
e todos os chefes de Israel.
Vão ser todos mortos
com o resto do meu povo.
Batam com as mãos no peito, em desespero!

18
Eu estou a pôr à prova o meu povo
e se recusarem arrepender-se,
todas estas coisas cairão sobre eles.
Palavra do SENHOR!”»

19

«Anuncia agora, Homem.
Bate palmas e a espada ferirá
à direita e à esquerda por três vezes.
É uma espada que mata, que semeia o terror
e não deixa ninguém escapar.

20
Eis que ela ferirá em todas as casas do meu povo.
Fará com que ele perca o ânimo e tropece.
É uma espada que brilha como o relâmpago,
pronta para matar.

21
Fere à direita e à esquerda, ó espada bem afiada!
Fere para onde te voltares!

22
Também eu baterei as palmas,
e a minha indignação ficará satisfeita.
Palavra do SENHOR!»

23

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

24 «Ezequiel, traça duas estradas por onde o rei da Babilónia há de passar com a sua espada. Ambas devem partir do mesmo país. Coloca sinais com a direção de cada uma delas;

25 uma deve levar o rei à cidade amonita de Rabá ; a outra levá-lo-á até Judá, à cidade fortificada de Jerusalém.

26 O rei da Babilónia encontra-se diante dos sinais, no lugar onde as estradas se separam. Para se decidir sobre qual estrada deve tomar, ele agita as flechas, consulta os seus ídolos familiares e examina o fígado dum animal .

27 A sua mão direita segura a flecha que diz “Jerusalém”. Isso mostra que deve seguir nessa direção e deve montar aríetes, soltar o grito de guerra, colocar os aríetes contra as portas e fazer rampas e baluartes.

28 O povo de Israel não acreditará no que os seus olhos virem, porque se sentem protegidos por um acordo. Mas o rei lembra-lhes as suas más ações e avisa-os de que vão ser feitos prisioneiros.

29 Pois eu, o SENHOR Deus, vos declaro que as vossas más ações estão descobertas. Toda a gente sabe quão culpados sois. As vossas más ações são evidentes e o pecado está em cada procedimento vosso. Já que se fazem assim tanto notar, sereis feitos prisioneiros pelos vossos inimigos.

30

E quanto a ti, infame e criminoso chefe de Israel , chegou o dia do teu castigo.

31 É o SENHOR Deus quem o declara! Tira a tua coroa e o teu turbante. Nada voltará a ser como antes. O que era humilde fica engrandecido e o que era grande fica humilhado.

32 Ruína, ruína! Sim, eis que faço a cidade em ruínas. Mas tal não acontecerá até que chegue aquele a quem eu concedi o poder de castigar a cidade. Então entregar-lha-ei .»

33

«Homem, anuncia o que eu, o SENHOR Deus, tenho para declarar aos amonitas , que insultam a Israel. Diz-lhes:

“Existe uma espada, pronta para destruir;
está afiada para matar,
e polida como um relâmpago a brilhar!

34

As visões que tu tens são falsas e as adivinhações que fazes são mentiras. Tu és má e iníqua e o teu dia está a chegar, o dia do teu castigo final. A espada vai cair sobre o teu pescoço.

35

Mete a espada na bainha! Vou castigar-te no lugar onde foste criada, na terra onde nasceste.

36 Sentirás a minha indignação, quando fizer cair sobre ti o fogo da minha ira: entregar-te-ei nas mãos de homens violentos, peritos na destruição.

37 Serás consumida pelo fogo; o teu sangue será derramado no teu país e nunca mais ninguém se lembrará de ti. Palavra do SENHOR !”»

22

1

Disse-me o SENHOR:

2 «Homem , estás pronto para julgar e condenar aquela cidade cheia de assassinos? Mostra-lhe claramente todas as coisas abomináveis que praticou.

3 Mostra à cidade que eu, o SENHOR Deus, lhe comunico o seguinte: “O teu fim chegou, porque mataste tanta gente dentre o teu povo e te contaminaste na adoração de ídolos.

4 És culpada dessas mortes, e estás contaminada pelos ídolos que fizeste; por essa razão, o teu fim está para breve; por isso, permiti que as outras nações façam troça de ti e te desprezem.

5 Países de perto e de longe fazem troça de ti, pelo teu nome desprezível, por viveres sem lei.

6 Os governantes de Israel confiaram na sua própria força e cometeram assassinatos .

7 Dentro de ti, ninguém honra os seus pais. Vocês abusam dos estrangeiros e oprimem as viúvas e os órfãos.

8 Não têm respeito pelas coisas sagradas nem guardam os meus sábados.

9 Alguns de vocês levantam calúnias acerca de outros, a fim de os entregarem à morte; outros tomam parte nos banquetes de sacrifício oferecidos aos ídolos nas montanhas ; outros ainda entregam-se ao vício.

10 Alguns dormem com a mulher do seu pai; outros forçam as mulheres a terem relações com eles, durante a menstruação .

11 Uns cometem adultério com a mulher dos vizinhos, outros desonram a sua própria nora ou violentam a sua irmã, filha do mesmo pai.

12 Há em ti gente capaz de matar a troco de dinheiro. Cobram juros por empréstimos que fazem a outros israelitas e enriquecem assim à custa deles. Esqueceram-se por completo de mim. Palavra do SENHOR!

13

Eis que a minha mão vai castigar os vossos roubos e os assassinatos que em ti se cometem.

14 Pensam que vão ter ânimo ou força para resistirem contra mim, quando eu acabar por vos castigar? Palavra do SENHOR!

15 Espalharei o teu povo por todos os países e nações e porei cobro às tuas práticas indecentes.

16 As outras nações vão desprezar-te e tu verás então que eu sou o SENHOR.”»

17

O SENHOR dirigiu-me a palavra, dizendo:

18 «Homem, os israelitas não me servem para nada. São como metal de desperdício: cobre, estanho, ferro e chumbo, metais que ficaram depois de a prata ter sido purificada no forno .

19 Assim eu, o SENHOR Deus, vos declaro que os israelitas são tão inúteis como esses desperdícios. Vou juntar-vos todos em Jerusalém

20 da mesma maneira que a prata, o cobre, o ferro, o chumbo e o estanho se amontoam num forno para serem purificados. A minha ira e o meu furor hão de derretê-los como o fogo derrete o metal.

21 Sim, juntá-los-ei em Jerusalém, porei fogo debaixo deles e derretê-los-ei ali mesmo com a minha indignação.

22 Serão derretidos em Jerusalém, tal como a prata é derretida no forno. E assim vocês sentirão o SENHOR descarregar sobre vós a sua indignação.»

23

O SENHOR falou-me de novo:

24 «Homem, mostra ao povo de Israel que a sua terra está contaminada e por isso vou deixá-la como uma terra sem chuva.

25 O bando dos seus profetas são como leões que rugem, caindo sobre a presa; matam o povo, tiram-lhes o dinheiro e os bens que podem e dessa maneira assassinam, deixando muitas viúvas.

26 Os sacerdotes transgridem as minhas leis e não têm respeito pelo que é santo. Não ensinam a diferença entre o que é ritualmente puro e o que não é, e não guardam os meus sábados. Numa palavra, não têm respeito por mim.

27 Os seus governantes portam-se como lobos que despedaçam os animais que matam. Assassinam pessoas, só para enriquecerem.

28 Os profetas encobrem essas más ações, tal como se cobre uma parede com cal ; têm falsas visões e fazem adivinhações falsas; pretendem transmitir palavras do SENHOR Deus, porém eu, o SENHOR, não lhas transmiti.

29 Os ricos oprimem e roubam, maltratam e humilham os pobres e necessitados e aproveitam-se dos estrangeiros .

30 Busquei quem pudesse reconstruir o muro ou fosse capaz de defender a cidade no lugar onde os muros caíram, agora que a minha ira está prestes a destruí-la, mas não encontrei ninguém.

31 Por isso, deixarei que a minha indignação caia sobre eles; vou consumi-los como o fogo, por causa das suas más ações. Palavra do SENHOR!»

23

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra, dizendo:

2 «Homem , era uma vez duas irmãs, filhas da mesma mãe .

3 Quando eram novas e viviam no Egito, perderam a virgindade e tornaram-se prostitutas. Foi lá que lhes acariciaram os seios pela primeira vez.

4 A mais velha chamava-se Ola e representa Samaria; a mais nova chamava-se Oliba e representa Jerusalém. Casei com ambas e de ambas tive filhos.

5 Embora fosse minha mulher, Ola continuava a prostituir-se e não deixava de seduzir os seus amantes e vizinhos, da Assíria.

6 Eles eram soldados em uniforme de púrpura; havia-os também nobres e oficiais de altas patentes; todos eram bem parecidos e montados em belos cavalos.

7 Ela era a prostituta dos oficiais assírios e a sua leviandade levou-a a contaminar-se, adorando os ídolos dos assírios.

8 Continuou assim o que começara, quando se fez prostituta no Egito e perdeu a virgindade. Desde jovem, os homens dormiram com ela, tirando-lhe a virgindade e tratando-a como prostituta.

9 Por isso, a abandonei nas mãos dos seus amantes assírios, de quem ela tanto gostava.

10 Eles deixaram-na nua, arrancaram-lhe os filhos e as filhas e mataram-na à espada. O castigo que lhe deram foi exemplar e ficou como aviso para as outras mulheres.

11

Embora a sua irmã Oliba tivesse sido testemunha de tudo isto, deixou-se arrastar pelos seus desejos e ainda se tornou pior prostituta do que Ola.

12 Também ela seduziu os soldados e oficiais assírios, todos eles jovens bem parecidos, vestidos de uniformes coloridos, e montados em belos cavalos.

13 Vi que ela se afundou na lama; o seu comportamento era tão mau como o da sua irmã;

14 e enterrou-se cada vez mais na sua imoralidade. Quando viu homens caldeus esculpidos a vermelho nas paredes,

15 com cintos à volta da cintura e turbantes garridos na cabeça,

16 ela encheu-se de sensualidade e mandou emissários à Babilónia, para os seduzir .

17 Os babilónios vieram para ter relações com ela. Abusaram dela de tal modo que finalmente ela se fartou deles.

18 Expôs-se publicamente nua e toda a gente ficou a saber que ela era uma prostituta. Fiquei horrorizado com ela, tal como acontecera com a sua irmã.

19 Então ela tornou-se ainda mais leviana, comportando-se como quando era uma jovem prostituta no Egito.

20 Encheu-se de desejos por aqueles amantes sensuais, de membros desmesurados e desenfreados como touros.

21 Assim tu, Oliba, quiseste repetir a imoralidade de que foste culpada quando eras jovem no Egito, onde os homens se deleitavam com os teus seios e perdeste a tua virgindade.»

22

«Eu, o SENHOR Deus, tenho a comunicar-te agora o seguinte: Estás farta dos teus amantes, Oliba; mas eu vou voltá-los contra ti, de maneira que te cerquem por todos os lados.

23 Trarei os babilónios e os caldeus, homens de Pecod, Choa e Coa , e ainda os assírios. Reunirei todos esses homens bem parecidos, nobres e oficiais, todos montados em belos cavalos e valorosos guerreiros.

24 Vão atacar-te com um grande exército, com carros e carroças de abastecimento; virão com escudos e couraças, para te cercar. A eles concederei o poder de te julgarem e eles te julgarão segundo as suas próprias leis.

25 Porque estou irado contigo, deixarei que te tratem com furor; hão de cortar-te o nariz e as orelhas e matarão os teus filhos. Sim, tirar-te-ão os teus filhos e filhas e queimarão vivos os teus descendentes.

26 Arrancar-te-ão os teus vestidos e tirar-te-ão as joias.

27 Acabarei com a indecência e a imoralidade com que te comportaste, desde que estiveste no Egito. Nunca mais desejarás nada disso nem pensarás mais nos egípcios.

28 E quero ainda comunicar-te uma coisa. Vou entregar-te ao povo que tu odeias e de quem estás farta.

29 E como eles também te odeiam, hão de tirar-te tudo o que ganhaste e deixar-te, para que todos vejam que és uma prostituta. A tua sensualidade e prostituição

30 são a causa do teu estado. Foste uma prostituta das nações e contaminaste-te com os seus ídolos.

31 Seguiste as pisadas da tua irmã; por isso, te darei a beber o mesmo cálice de castigo que dei a ela.


32
Eu, o SENHOR Deus, declaro o seguinte:
“Terás de beber do cálice da tua irmã,
que é grande e fundo.
Toda a gente fará troça de ti;
porque o cálice está bem cheio.

33
Esse cálice de medo e ruína,
o cálice da tua irmã Samaria,
far-te-á sentir bêbeda de angústia.

34
Beberás dele até à última gota
até chupares os seus cacos
e estes vão rasgar-te os peitos.
Palavra do SENHOR!

35

Eis o que eu, o SENHOR Deus, tenho agora para te comunicar. Já que me esqueceste e me voltaste as costas, sofrerás as consequências da tua imoralidade e prostituição.”»

36

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me: «E tu, homem, estás pronto para julgar Ola e Oliba? Acusa-as das coisas degradantes que fizeram.

37 Cometeram adultério e assassinatos; cometeram adultério com os ídolos e mataram os filhos que tiveram de mim, sacrificando-os aos seus ídolos.

38 E não é tudo. Num mesmo dia, profanaram o meu templo e transgrediram os sábados, que me são consagrados.

39 No dia em que mataram os meus filhos em sacrifícios aos ídolos, vieram ao meu templo, que é a minha casa, e profanaram-no!

40 Vezes sem conta, mandaram emissários convidando homens a virem ter com elas de grande distância e eles vieram. As duas irmãs, após o banho, pintavam os olhos e cobriam-se de joias.

41 Sentavam-se num belo sofá e diante delas havia uma mesa com o incenso e o azeite, que eu lhes dei.

42 Podia ouvir-se o ruído duma multidão descontraída, de um grupo de homens trazidos do deserto embriagados. Puseram braceletes nos braços das mulheres e colocaram belas coroas nas suas cabeças.

43 E disse comigo mesmo que estavam a usar como prostituta uma mulher gasta pelo adultério.

44 Vezes sem conta, tiveram encontros com essas prostitutas; encontraram-se de novo com Ola e Oliba, essas mulheres indecentes.

45 Homens honestos hão de condená-las por adultério e assassinato, porque cometeram adultério e as suas mãos estão cheias de sangue.

46

Pois eu, o SENHOR, declaro que vou incitar a multidão para as aterrorizar e vou deixar que roubem tudo o que elas têm.

47 Que a multidão as apedreje e ataque com espadas! Hão de matar-lhes os filhos e pôr fogo às suas casas.

48 Farei com que a imoralidade acabe em todo o país, como aviso para que mais nenhuma mulher cometa semelhantes indecências.

49 Quanto a vocês, as duas irmãs, vou castigar-vos pela vossa imoralidade, pela vossa criminosa idolatria. Ficareis então a saber que eu sou o SENHOR Deus.»

24

1

No dia dez do décimo mês do nono ano do nosso exílio, o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , anota a data de hoje, porque hoje o rei da Babilónia começa o cerco de Jerusalém.

3 Conta a este povo rebelde a parábola que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes propor.

“Enche uma panela de água
e põe-a ao lume.

4
Deita-lhe dos melhores bocados de carne,
a coxa e o peito dos animais,
e mistura-lhe os ossos de melhor qualidade.

5
Usa a carne do mais tenro carneiro;
põe lenha debaixo da panela.
Deixa ferver a água
e coze os ossos juntamente com a carne.

6

Pois eu, o SENHOR, declaro que esta cidade de assassinos está condenada. É como uma panela ferrugenta que nunca foi limpa. Vai-se-lhe tirando a carne, bocado a bocado, até não ficar nada.

7 Houve crime de morte na cidade, mas o sangue não foi derramado no chão , onde se podia misturar com o pó. Foi derramado sobre a pedra lisa.

8 Deixei que o sangue ali ficasse, para que não se pudesse encobrir e para que com indignação reclame vingança.

9

Sim! A cidade de assassinos está condenada! Sou eu, o SENHOR, quem o declara! Eu próprio farei a pilha de lenha.

10 Tragam mais lenha! Aticem o fogo! Ponham mais carne! Fervam o molho até evaporar e queimem os ossos.

11 Ponham a panela de bronze vazia sobre os carvões, para que fique em brasa. A panela ficará ritualmente purificada, quando a ferrugem ficar em brasa.

12 Mas todos os esforços são inúteis. Tanta ferrugem já não sai com o fogo.

13 Jerusalém, o teu procedimento imoral contaminou-te; eu quis purificar-te e não quiseste. Pois não vais ficar pura, até teres sentido os efeitos da minha indignação.

14 Sou eu, o SENHOR, quem o afirma e vai acontecer. Vou intervir e não passarei por alto os vossos pecados, nem me compadecerei, nem mostrarei misericórdia. Serás castigada pelos crimes que fizeste. Palavra do SENHOR!”»

15

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

16 «Homem, vou arrebatar de ti repentinamente a pessoa que é o encanto dos teus olhos. Porém não deves pôr luto nem lamentar-te, nem derramar lágrimas.

17 Não deixes que ninguém oiça o teu soluçar. Não saias de cabeça descoberta, nem descalço em sinal de luto. Não cubras o teu rosto, nem comas a comida dos que estão de luto .»

18

De manhã cedo, eu falei ao povo; à noite, a minha mulher faleceu e no dia seguinte fiz como me fora dito.

19 Então as pessoas perguntaram-me: «Por que é que procedes assim?»

20

Eu respondi-lhes: «O SENHOR falou-me e disse-me que

21 vos transmitisse, a vocês israelitas, a seguinte mensagem: “Vocês têm orgulho na imponência do templo; é o encanto dos vossos olhos e a esperança dos vossos corações. Mas o SENHOR vai deixá-lo profanar. Os vossos filhos mais novos que ficarem em Jerusalém serão mortos na guerra.

22 Vocês terão de fazer então como eu fiz: não cobrirão o rosto nem comerão a comida das pessoas que estão de luto;

23 não andarão de cabeça descoberta, nem de pés descalços; não farão luto nem chorarão. Vocês hão de consumir-se por causa dos vossos pecados e hão de todos gemer uns pelos outros.

24 Ezequiel será então um sinal para vós; hão de fazer o que ele fez. E quando isso acontecer, saberão que eu sou o SENHOR Deus.”

25

Homem, vou tirar-lhes o seu imponente templo, que é o seu orgulho e maravilhosa alegria, o encanto dos seus olhos; vou arrebatar-lhes o apoio das suas vidas, os filhos e filhas.

26 Nesse dia, alguém que tenha escapado à destruição virá para te dar a notícia.

27 Nesse mesmo dia, vais recuperar de novo a fala que perdeste e falarás com o sobrevivente. Dessa maneira, serás um sinal para o povo e eles ficarão a saber que eu sou o SENHOR.»

25

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , anuncia a minha mensagem contra o país de Amon .

3 Mostra aos seus habitantes o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes dizer: “Vocês ficaram contentes, quando viram o meu templo ser profanado, a terra de Israel ser invadida e o povo de Judá ser arrastado para o exílio.

4 Por terem ficado contentes, farei com que as tribos nómadas do oriente se apoderem da vossa terra. Armarão as suas tendas no vosso país e aí ficarão a morar; comerão a fruta e beberão o leite que deviam ser vossos.

5 Transformarei a cidade de Rabá numa pastagem de camelos e farei de todo o país de Amon um curral de ovelhas, para que saibam que eu sou o SENHOR.

6 Bateram as palmas e saltaram de alegria; desprezaram a terra de Israel.

7 Por isso, eu, o SENHOR Deus, vos declaro que vou entregar-vos às outras nações que vos roubarão e espoliarão. Vou destruir-vos de maneira que não sereis mais uma nação, nem tereis terra vossa. Então ficareis a saber que eu sou o SENHOR.”»

8

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me: «Já que os habitantes de Moab disseram que Judá é como as outras nações,

9 farei com que as cidades fronteiriças de Moab sejam atacadas, incluindo as suas melhores cidades: Bet-Jechimot, Baal-Meon e Quiriataim .

10 Deixarei que as tribos nómadas do oriente conquistem Moab, juntamente com Amon, para que Moab não seja mais uma nação.

11 Assim castigarei os habitantes de Moab, para que saibam que eu sou o SENHOR.»

12

«Eu, o SENHOR tenho a declarar o seguinte: “O povo de Edom vingou-se terrivelmente de Judá e a culpa de Edom é precisamente essa vingança.

13 Mas eu garanto que castigarei Edom e matarei os seus habitantes e animais; farei do país um deserto, desde a cidade de Teman até à cidade de Dedan, e os seus habitantes cairão mortos na guerra.

14 O meu povo de Israel vingar-se-á de Edom por mim e fará com que Edom sinta a minha terrível indignação. Edom ficará a saber como é a minha vingança. Palavra do SENHOR!”»

15

«Eu, o SENHOR Deus, declaro: “Já que os filisteus se vingaram cruelmente dos seus inimigos de longa data e com ódio os destruíram,

16 eu declaro que levantarei o meu braço contra os filisteus e darei cabo deles. Destruirei o resto dos habitantes que vivem na planície costeira.

17 Vou castigá-los severamente e vingar-me-ei com todo o furor. Assim sentirão a minha dura vingança e saberão que eu sou o SENHOR.”»

26

1

No décimo primeiro ano do nosso exílio, no primeiro dia do mês , o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , os habitantes da cidade de Tiro gritam de alegria e exclamam: “Jerusalém, que era a porta das nações, foi deitada abaixo! O seu poder passa para nós, enquanto ela está em ruínas !”

3

Pois bem, eu, o SENHOR, declaro agora que sou teu inimigo, ó cidade de Tiro. Farei com que muitas nações se levantem contra ti e te ataquem, ameaçadoras como as ondas do mar.

4 Destruirão os muros da tua cidade e derribarão as tuas torres. Até o seu pó desaparecerá; não ficará mais do que as pedras nuas.

5 Os pescadores secarão nela as suas redes, à beira-mar. Sou eu quem o afirma! Palavra do SENHOR! As nações invasoras saquearão a cidade de Tiro

6 e matarão à espada os habitantes dos seus campos. Então os habitantes de Tiro saberão que eu sou o SENHOR.

7

Eu, o SENHOR, vos declaro que vou trazer o rei mais poderoso de todos, o rei Nabucodonosor da Babilónia, para atacar Tiro. Ele virá do norte com cavalos e carros e com um exército enorme.

8 Aqueles que vivem nas tuas aldeias do interior serão mortos na batalha. O inimigo fará baluartes, rampas e virá com uma barreira sólida de escudos contra ti.

9 Atacarão os teus muros com aríetes e derribarão as tuas torres com barras de ferro.

10 À passagem dos seus cavalos, cobrir-te-ão nuvens da poeira. O trote dos seus cavalos, puxando carros e carroças, fará tremer os teus muros, à sua passagem pelas portas da cidade em ruínas.

11 Os seus cavaleiros invadirão as tuas ruas e matarão os teus habitantes à espada. As tuas colunas imponentes serão deitadas abaixo.

12 Os teus inimigos aproveitar-se-ão da tua riqueza e mercadorias; derribarão os teus muros e arrasarão as tuas casas luxuosas; atirarão ao mar as pedras e a madeira das casas, juntamente com os seus escombros.

13 Porei fim a todos os teus cânticos e farei silenciar a música das tuas harpas.

14 Só deixarei as tuas pedras nuas, onde os pescadores secarão as redes. E a cidade nunca mais será reconstruída. Sou eu quem o afirma. Palavra do SENHOR!

15

Eu, o SENHOR, tenho a declarar-te, ó cidade de Tiro, que, quando estiveres a ser conquistada, os povos que vivem junto ao mar ficarão aterrorizados ao ouvirem os gritos dos que estão a ser mortos.

16 Os reis das nações situadas à beira-mar, cairão dos seus tronos, tirarão as suas vestes e roupas de brocados e sentar-se-ão a tremer no chão, em sinal de luto. Ficarão tão aterrorizados por causa do teu destino que não serão capazes de deixar de tremer.

17 E entoarão o seguinte cântico fúnebre em tua memória:

“Olhem como está em ruínas esta cidade famosa, rainha dos mares !
Antes os seus habitantes controlavam os mares
e aterrorizavam as pessoas que viviam à beira-mar.

18
Hoje, que ela caiu,
as ilhas tremem de medo
e os seus habitantes ficaram espantados
com o seu fim.”

19

Eu, o SENHOR Deus, declaro que farei com que fiques tão deserta como cidades em ruínas, onde ninguém habita. Cobrir-te-ei com as águas vindas dos profundos oceanos.

20 Mandar-te-ei para o mundo dos mortos, para que te juntes às pessoas que morreram, desde sempre. Farei com que ali fiques, nesse mundo subterrâneo, de eternas ruínas, a fazer companhia aos mortos. Como resultado nunca mais serás habitada, tu que já foste a melhor das cidades do mundo.

21 Todos ficarão aterrorizados, ao ver que já não existes. As pessoas podem procurar-te, mas nunca mais te encontrarão. Palavra do SENHOR!»

27

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , entoa uma lamentação pela cidade de Tiro.

3 Essa cidade que fica à beira-mar e faz negócios com os povos da beira-mar. Mostra-lhe a mensagem do SENHOR:

“Ó cidade de Tiro, tu gabaste-te
da tua beleza perfeita.

4
Tu moras no meio do mar,
os teus arquitetos construíram-te como um belo barco;

5
eles usaram madeira de cipreste do monte Hermon
e de cedro do Líbano para os teus mastros.

6
Os remos eram feitos de carvalho de Basã;
o convés era de pinho de Creta,
incrustado de marfim.

7
As tuas velas eram feitas de linho,
linho com brocados do Egito,
reconhecível à distância como estandarte.
As cobertas eram do mais fino tecido
de púrpura da ilha de Chipre.

8
Os teus remadores eram de Sídon e de Arvad ;
a flor dos teus mancebos compunha a tripulação.

9
Os carpinteiros do teu barco
foram especialistas treinados em Biblos.
Marinheiros de todas as paragens e barcos
fizeram negócio nas tuas lojas.

10
Soldados da Pérsia, Lud e Put,
serviram no teu exército.
Dependuraram os seus escudos e capacetes
nos teus quartéis;
foram eles os soldados que te cobriram de glória.

11

Soldados de Arvad guardaram os teus muros, e homens de Gamad estiveram de vigia nas tuas torres. Dependuraram os seus escudos nos teus muros. São eles os homens que te deram toda a beleza.

12 Fizeste negócio com os habitantes de Társis e de lá trouxeste a prata, o ferro, o estanho e o chumbo, em troca da abundância dos teus produtos.

13 Fizeste negócio com a Grécia, Tubal e Mechec e trocaste a tua mercadoria por escravos e artigos de bronze.

14 Vendeste os teus produtos em troca de cavalos, cavaleiros e mulas de Bet-Togarma .

15 Os habitantes de Dedan fizeram negócio contigo; gente de muitos portos deu-te marfim e ébano em troca das tuas mercadorias.

16 Os habitantes da Síria também compraram as tuas mercadorias e todos os teus produtos. Deram esmeraldas, roupa de púrpura, rendas, linho fino, coral e rubis em troca dos teus artefactos.

17 Judá e Israel pagaram os teus produtos a troco de trigo de Minit , milho miúdo, mel, azeite e especiarias.

18 Os habitantes de Damasco compraram a tua mercadoria e os teus produtos em troca de vinho de Helbon e lã de Saar .

19 Da região de Uzal, a população de Dan e de Javan trocou pelas tuas mercadorias ferro trabalhado, canela e cana aromática.

20 Os habitantes de Dedan negociaram panos de coberta para os cavalos, em troca dos teus produtos.

21 Os árabes e os chefes da terra de Quedar pagaram a tua mercadoria com ovelhas, carneiros e cabras.

22 Pelos teus produtos, os comerciantes de Sabá e Rama pagaram com bálsamos, pedras preciosas e ouro.

23 As cidades de Haran, Cané e Éden, os comerciantes de Sabá, as cidades de Assur e Quilmad , todas fizeram negócio contigo.

24 Venderam-te vestuário luxuoso, tecidos de púrpura, rendas, carpetes de cores vivas e cordas bem entrançadas.


25
A tua mercadoria foi transportada
em frotas de grandes barcos de carga.
Estavas no meio do mar
como um barco bem cheio e carregado.

26
Quando os teus remadores te levaram para o mar,
um vento oriental afundou-te no mar alto.

27
Toda a tua rica carga,
os marinheiros da tripulação,
os carpinteiros do barco e os comerciantes,
os soldados a bordo do barco,
toda a gente, sem escapar um, se perdeu no mar,
quando o teu barco naufragou.

28
Os gritos dos marinheiros que se afogavam
ecoaram até à praia.

29
Os remadores abandonaram os barcos
e todos os marinheiros ficaram em terra.

30
Todos te choram, soluçando amargamente,
atirando poeira à cabeça
e rebolando-se na cinza, em sinal de desespero.

31
Rapam a cabeça por tua causa
e vestem-se de luto.
Os seus corações choram de amargura por ti

32
e entoam um cântico fúnebre por ti.
Quem se podia igualar à cidade de Tiro,
Tiro que agora jaz em silêncio no mar?

33
Quando a tua mercadoria ia para além-mar,
tu satisfazias as necessidades de muitas nações;
muitos reis enriqueceram
com a riqueza das tuas mercadorias.

34
Mas agora naufragaste no mar,
afundaste-te nas profundezas do oceano;
os teus produtos e aqueles que para ti trabalhavam
desapareceram contigo nas ondas.

35
Todos os que vivem à beira-mar
ficaram espantados com o teu destino;
os próprios reis ficaram aterrorizados,
e os seus rostos exprimem grande medo.

36
Desapareceste para sempre,
e os negociantes de todo o mundo
ficaram estupefactos,
com medo que lhes aconteça o mesmo.”»

28

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , mostra ao rei de Tiro o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhe dizer: “Inchado de orgulho, pensas que és um deus; dizes que te sentas no trono como um deus, rodeado pelos mares. Tu podes pretender que és um deus, mas és um simples mortal e não um deus.

3 Podes pensar que és mais sábio do que Daniel , que possuis a chave de todos os segredos.

4 A tua sabedoria e capacidade fizeram-te rico, arrecadando tesouros de ouro e de prata.

5 Com a tua grande esperteza e sabedoria fizeste bons negócios que te deixaram grande lucro. E orgulhas-te agora da tua riqueza!

6

Agora, pois, eis o que eu, o SENHOR Deus, tenho para te comunicar. Já que pretendes ser tão grande como um deus,

7 vou fazer com que inimigos terríveis te ataquem sem piedade. Eles destruirão com a sua espada tudo o que de belo tu adquiriste, pela tua sabedoria e capacidade.

8 Os teus inimigos hão de matar-te e hão de atirar-te ao abismo.

9 Quando te forem matar, ainda pensarás que és um deus? Quando te vires diante dos teus assassinos, verás que és um simples mortal e que não és divino.

10 Morrerás como um cão, às mãos de estrangeiros. Palavra do SENHOR!”»

11

O SENHOR dirigiu-me a sua palavra de novo e disse-me:

12 «Homem, faz uma lamentação para o rei de Tiro. Mostra-lhe o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhe comunicar: “Ó rei, tu foste um exemplo de perfeição. Eras muito sábio e bem parecido!

13 Vivias no Éden , o jardim de Deus, coberto de joias de toda a qualidade: rubis, diamantes, topázio, berilo, ónix, jaspe, safira, esmeralda e crisólito . Tambores e flautas cravejados de ouro estavam à tua disposição, desde o dia em que foste criado.

14 Coloquei-te como um querubim protetor; vivias no meu santo monte e andavas por entre joias cintilantes.

15 Tudo o que fazias era perfeito, desde o dia em que foste criado, até que começaste a praticar o mal.

16 Ocupavas-te a comprar e vender, e isso levou-te a cometer violência e a fazer o mal. Por isso, te obriguei a deixar o meu santo monte. Afastei-te, ó querubim protetor, do meio do brilho das pedras preciosas.

17 Orgulhavas-te da tua formosura e a tua fama levava-te a proceder como um louco. Por isso, deitei-te por terra e fiz de ti um aviso para os outros reis.

18 Procedeste com tanta maldade nos teus negócios que os teus lugares de culto foram profanados. Por isso, pus fogo à tua cidade e arrasei-a por completo. Quem olhe para ti hoje, não vê mais do que cinzas espalhadas pelo chão.

19 Todos os que te conhecem entre os povos ficarão aterrorizados por tua causa, com medo que lhes aconteça o mesmo que a ti, que nunca mais te levantarás.”»

20

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

21 «Homem, anuncia a minha mensagem contra a cidade de Sídon .

22 Mostra ao povo que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar o seguinte: “Eu estou contra ti, cidade de Sídon! E ficarei cheio de glória pelo que te vou fazer. Todos ficarão a saber que eu sou o SENHOR, quando castigar os que aí vivem; mostrando a minha santidade.

23 Farei com que os teus habitantes fiquem doentes e o sangue corra pelas tuas ruas. Serás atacada por todos os lados e os teus habitantes serão mortos. E todos ficarão a saber que eu sou o SENHOR.”»

24

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me: «Nenhuma das nações vizinhas voltará a escarnecer de Israel, nem a picá-lo como espinhos e a feri-lo como silvas. E todos ficarão a saber que eu sou o SENHOR Deus.

25

Pois eu, o SENHOR Deus, declaro que vou reunir de novo o povo de Israel, trazendo-o das nações por onde foi espalhado e os povos saberão que eu sou santo. O povo viverá na sua própria terra, na terra que dei ao meu servo Jacob.

26 Ali viverão em segurança, construirão casas e plantarão vinhas. Castigarei os seus vizinhos, que os trataram com desdém, e Israel viverá em segurança. Ficarão então a saber que eu sou o SENHOR Deus.»

29

1

No décimo ano do nosso exílio, no dia doze do décimo mês , o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , anuncia a minha mensagem contra o rei do Egito. Mostra-lhe como ele e toda a terra do Egito serão castigados.

3 Eis a minha mensagem para o rei do Egito: “Eu estou contra ti, crocodilo monstruoso, que vives no Nilo. Dizes que o Nilo te pertence e que foste tu que o fizeste.

4 Vou segurar-te pela boca com um gancho e fazer com que os peixes do rio se prendam nas placas da tua pele. Em seguida, vou tirar-te para fora do Nilo, com os peixes que se agarrarem a ti.

5 Vou em seguida atirar-te, com todos esses peixes, para o deserto. O teu corpo ali ficará, sem ser recolhido nem enterrado. Dá-lo-ei como comida às aves e animais.

6 Então os habitantes do Egito ficarão a saber que eu sou o SENHOR.

Os israelitas buscaram apoio dos egípcios, mas tu não passaste duma cana sem resistência;

7 quando te agarraram, tu rachaste e cortaste-lhes as mãos, quando se apoiaram, partiste e atravessaste-lhes os rins.

8 Eis que agora, eu, o SENHOR Deus, te asseguro que farei com que os homens te ataquem com espadas e matem o teu povo e os teus animais.

9 O Egito ficará em ruínas e sem população. Então ficarás a saber que eu sou o SENHOR. Já que afirmaste que o Nilo é teu e que foste tu que o fizeste,

10 eu volto-me contra ti e contra o teu Nilo. Farei do Egito uma nação em ruínas e sem população, desde a cidade de Migdol ao norte, até à cidade de Assuão e à fronteira da Etiópia, no sul.

11 Nenhum ser humano ou animal por lá passará. Nada ali terá vida durante quarenta anos .

12 Farei do Egito o país mais deserto do mundo; durante quarenta anos, as cidades do Egito ficarão em ruínas, ruínas que serão maiores do que as de qualquer outra cidade. Os egípcios serão deportados, terão de fugir para os outros países e viver entre os outros povos.

13 Mas eu, o SENHOR Deus, vos declaro que, depois desses quarenta anos, reunirei de novo os egípcios das nações por onde os espalhei.

14 Vou fazer regressar os egípcios e deixá-los viver no sul do Egito, donde são originários. Ali constituirão um reino fraco.

15 Será o mais fraco de todos e eles nunca mais terão domínio sobre as outras nações. Farei deles um povo tão insignificante que nunca mais conseguirão sujeitar à sua vontade nenhuma outra nação.

16 Israel nunca mais dependerá dele, para estar seguro. O destino do Egito lembrará a Israel que cometeu um erro em se apoiar nele . Então Israel ficará a saber que eu sou o SENHOR Deus.”»

17

No vigésimo sétimo ano do nosso exílio, no primeiro dia do primeiro mês , o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

18 «Homem, o rei Nabucodonosor da Babilónia lançou um ataque contra Tiro . Fez com que os seus soldados levassem cargas de tal maneira pesadas que as suas cabeças perderam o cabelo e os seus ombros ficaram em ferida. Porém nem o rei, nem o seu exército, receberam os despojos da guerra.

19 Por isso, eu, o SENHOR Deus, vos declaro que vou dar a terra do Egito ao rei Nabucodonosor. Ele saqueará e apoderar-se-á de toda a riqueza e dos despojos do Egito, e dá-los-á como paga ao seu exército.

20 Vou dar-lhe o Egito como paga pelos seus serviços, porque o seu exército trabalhou para mim. Palavra do SENHOR!

21 Quando isso acontecer, fortalecerei o povo de Israel, e deixarei que tu, Ezequiel, lhes dirijas de novo a palavra , para que fiquem a saber que eu sou o SENHOR.»

30

1

O SENHOR dirigiu-me de novo a palavra e disse-me:

2 «Homem , anuncia a mensagem que eu, o SENHOR Deus, tenho para comunicar. Vem aí um dia terrível.

3 Aproxima-se o dia em que o SENHOR vai intervir, um dia sombrio, de castigo para todas as nações.

4 Haverá guerra no Egito e grande convulsão na Etiópia; muita gente morrerá no Egito; o país será posto a saque e deixado completamente em ruínas.

5 Essa guerra matará igualmente os mercenários da Etiópia, Put, Lud , Líbia, Arábia, e até do meu povo.

6 De Migdol, ao norte, até Assuão, ao sul, os defensores do Egito morrerão na guerra. O poderoso exército do Egito será destroçado. Palavra do SENHOR!

7 O seu país será o mais deserto do mundo, e as suas cidades serão deixadas em completa ruína.

8 Quando eu puser fogo ao Egito e morrerem aqueles que o apoiam, ficareis a saber que eu sou o SENHOR.

9 Quando esse dia vier e o Egito for destruído, enviarei emissários em barcos, para meterem medo ao tranquilo povo da Etiópia. Esse dia está para breve!

10

Garanto-vos que vou fazer com que o rei Nabucodonosor da Babilónia ponha fim à riqueza do Egito.

11 Juntamente com o seu exército poderoso, virá para devastar a terra. Atacarão o Egito com as suas espadas e o país ficará cheio de cadáveres.

12 Secarei o Nilo e porei o Egito sob o domínio de um povo cruel. O país será devastado por estrangeiros. Sou eu, o SENHOR, quem o afirma!

13 Eis que vou destruir os ídolos e falsos deuses de Mênfis . Não ficará ninguém para governar o Egito e deixarei o seu povo em pânico.

14 Farei com que a região de Patros, no sul, fique num deserto e porei fogo à cidade de Soan, no norte. Castigarei Tebas, a sua capital.

15 A cidade de Sin, a grande fortaleza do Egito, sentirá o peso da minha indignação. Destruirei as riquezas de Tebas.

16 Porei fogo ao Egito e Sin ficará em convulsão. Os muros de Tebas serão deitados abaixo, e a cidade sentirá os efeitos da invasão .

17 Os jovens das cidades de Heliópolis e Pi-Besset morrerão na guerra e os restantes habitantes serão levados prisioneiros.

18 Táfnis será envolta em escuridão, quando eu enfraquecer o poderio do Egito e puser fim à sua força, da qual tanto se orgulha. Uma nuvem cobrirá o Egito, e os habitantes das suas cidades serão levados para o exílio.

19 Quando eu castigar o Egito, então todos ficarão a saber que eu sou o SENHOR.»

20

No décimo primeiro ano do nosso exílio, no sétimo dia do primeiro mês , o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

21 «Homem, eu quebrei o braço ao rei do Egito; ninguém o ligou nem engessou, para que se restabelecesse e pudesse empunhar novamente a espada.

22 Agora pois, eis o que eu, o SENHOR Deus, tenho para declarar. Eu estou contra o rei do Egito e vou quebrar-lhe ambos os braços, aquele que ainda está bom, e o que já está partido; e a espada há de cair-lhe da mão.

23 Vou espalhar e dispersar os egípcios por todo o mundo.

24 Fortalecerei então os braços do rei da Babilónia e porei a minha espada nas suas mãos e quebrarei os braços ao rei do Egito, o qual, gemendo, vai morrer diante do inimigo.

25 Sim, vou enfraquecer o rei do Egito e fortalecer o rei da Babilónia. E quando eu entregar a este último a minha espada e ele a empunhar contra o Egito, toda a gente ficará a saber que eu sou o SENHOR.

26 Espalharei e dispersarei os egípcios por todo o mundo e todos ficarão então a saber que eu sou o SENHOR.»

31

1

No décimo primeiro ano do nosso exílio, no primeiro dia do terceiro mês , o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , diz ao rei do Egito e aos seus numerosos súbditos o seguinte:

“Quem se pode comparar contigo, na tua grandeza?

3
És como um pinheiro ou um cedro do Líbano
com ramos belos e frondosos,
uma árvore alta que chega às nuvens!

4
Não faltou a chuva para a fazer crescer,
nem as águas subterrâneas para a alimentar.
Regavam o lugar onde a árvore crescia
e depois corriam para todas as árvores da floresta.

5
Porque era tão bem regada,
aquela árvore cresceu mais do que todas as outras;
os seus ramos engrossaram e a sua copa cresceu.

6
Toda a espécie de aves fazia ninho nos seus ramos;
à sua sombra, os animais bravios
iam dar à luz os seus filhotes;
e debaixo dela abrigava-se gente de todos os povos.

7
Que árvore tão bela, alta e frondosa!
As raízes eram fundas
e chegavam aos regatos subterrâneos.

8
Nenhum cedro do jardim de Deus
se lhe podia comparar;
os ciprestes não possuíam tal ramagem
e os plátanos não tinham copas como aquela;
nenhuma árvore do jardim de Deus era assim tão bela.

9
Fui eu que a criei tão bela,
com ramagens tão frondosas que faziam inveja
às outras árvores do Éden, o jardim de Deus.

10

Agora pois, eu, o SENHOR Deus, te mostrarei o que vai acontecer a essa árvore, que cresceu e deu rebentos até chegar às nuvens. À medida que crescia, tornou-se mais orgulhosa;

11 por isso, eu a rejeitei; deixarei que um rei estrangeiro a domine . Ele dará a essa árvore o que ela merece pela sua maldade.

12 Estrangeiros cruéis vão deitá-la abaixo e assim a deixarão abandonada na montanha; as folhas foram caindo e os seus ramos quebrados espalham-se por montes e vales do país. Todas as nações que têm vivido à sua sombra a deixarão.

13 As aves habitarão nos restos que dela ficaram e os animais selvagens andarão por cima dos seus ramos.

14 E assim, daqui em diante, nenhuma árvore, mesmo que esteja bem regada, crescerá tão alto, nem chegará às nuvens. Todas ficarão condenadas a morrer, como os homens mortais e a descer às profundezas da terra, como os mortos descem ao sepulcro.

15

Eu, o SENHOR Deus, declaro que no dia em que a árvore descer ao mundo dos mortos, farei com que as águas do abismo a cubram, em sinal de luto; farei parar as suas correntes e estancar as suas águas. Por causa da morte da árvore, farei descer a escuridão sobre as montanhas do Líbano e as árvores desmaiarão.

16 Quando eu a fizer descer ao mundo dos mortos, o barulho da sua queda abalará as nações. As árvores do Éden e as maiores e mais belas árvores do Líbano, que já tiverem descido ao pó da terra, vão alegrar-se com a sua queda.

17 Elas também desceram ao mundo dos mortos, abatidas à espada. Da mesma maneira, lá caíram os que eram seus auxiliares e que moravam à sua sombra, dentre as nações.

18 Essa árvore és tu, rei do Egito, com os teus súbditos. Nem mesmo as árvores do Éden eram tão altas e majestosas. Mas agora, tal como as árvores do Éden, descerás ao mundo dos mortos e vais juntar-te com os pagãos que foram mortos na guerra. Palavra do SENHOR Deus!”»

32

1

No décimo segundo ano do nosso exílio, no primeiro dia do décimo segundo mês , o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , entoa uma lamentação sobre o rei do Egito. Dá-lhe a seguinte mensagem da minha parte: “Tu assemelhavas-te a um leão entre as nações, porém mais pareces um crocodilo a agitar a água no rio. Remexes a água com as patas deixando o rio cheio de lodo.

3 Mas eu, o SENHOR, te declaro que quando se reunirem à tua volta muitas nações, vou apanhar-te na minha rede, para a puxar em seguida para a margem.

4 Vou atirar-te ao chão e abandonar-te em lugar ermo; vou atrair as aves e os animais de todo o mundo para te comerem.

5 Espalharei por montes e vales os restos do teu cadáver.

6 Derramarei o teu sangue até que ele corra pelas montanhas e encha os rios.

7 Quando eu te destruir, cobrirei os céus e escurecerei as estrelas. O Sol esconder-se-á atrás das nuvens e a Lua não dará a sua luz.

8 Por tua causa, apagarei todas as luzes do céu e mergulharei o teu país na escuridão. Palavra do SENHOR!

9 Muitas nações e países de que nunca ouviste falar ficarão perturbados, quando eu espalhar a notícia da tua destruição.

10 Sim, o que te vou fazer, levará muitas nações a ficarem estupefactas. Quando brandir a minha espada na sua frente, os reis encolher-se-ão cheios de medo. No dia em que caíres, todas elas tremerão de medo pelas suas próprias vidas.

11

Pois eu, o SENHOR, te declaro que vais ser atingido pela espada do rei da Babilónia.

12 Farei com que soldados de nações cruéis puxem das suas espadas e matem os teus súbditos. O teu povo, e tudo o mais de que tanto te orgulhas no Egito, será destruído.

13 Matarei o teu gado nas margens do Nilo, nem povo nem gado ficarão para enlodar mais a água.

14 Farei com que as tuas águas se acalmem, e os teus rios correrão tranquilos como azeite. Palavra do SENHOR!

15

Quando eu fizer do Egito um país deserto e destruir todos os seus habitantes, tudo o que ali existe, então todos hão de saber que eu sou o SENHOR.”

16

Esta é a lamentação que devem cantar; será cantada pelas mulheres de todas as nações, lamentando a sorte do Egito e do seu povo. Palavra do SENHOR!»

17

No décimo segundo ano do nosso exílio, no décimo quinto dia do mesmo mês, o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

18 «Homem, faz uma lamentação pelo povo do Egito. Manda-o juntamente com as outras nações poderosas para o mundo dos mortos, para as profundezas da terra, com os que descem à sepultura.

19 Diz-lhes: “Pensam que são melhores do que os outros? Porém vão descer ao mundo dos mortos e ali ficarão entre os que não conhecem a Deus.

20 Os habitantes do Egito cairão juntamente com os que forem mortos na guerra. Uma espada está preparada para os matar a todos.

21 Os maiores heróis e aqueles que lutaram pelo Egito aclamarão os egípcios à sua chegada ao mundo dos mortos. Eles gritarão: Estes pagãos foram mortos na guerra e desceram até cá. Ei-los que aqui jazem.

22 Ali se encontra também a Assíria com as sepulturas dos seus soldados. Foram todos mortos na guerra,

23 e as suas sepulturas estão situadas nos lugares mais recônditos do mundo dos mortos. Todos os seus soldados caíram em batalha e as suas sepulturas rodeiam o túmulo do rei. Quem diria que, antes, eram eles que aterrorizavam o mundo inteiro?

24

O rei de Elam ali está com as sepulturas dos seus soldados. Foram todos mortos em batalha e desceram à cova, ao mundo dos mortos, como pagãos. Em vida espalharam o terror, mas agora estão ali, mortos na sepultura.

25 O rei de Elam, jaz ao lado daqueles que foram mortos na guerra. Em vida, aqueles pagãos espalharam o terror; mas agora jazem ali, mortos e esquecidos, partilhando o destino dos que morreram na guerra.

26

Mechec e Tubal também ali estão, rodeados pelas sepulturas dos seus soldados. Todos eles são pagãos e foram mortos na guerra. Porém quando estavam em vida, aterrorizavam o mundo inteiro.

27 Não receberam uma sepultura honrosa, como outrora os heróis receberam, quando eram sepultados com toda a sua armadura: as espadas debaixo da cabeça e os escudos sobre o corpo. Estes heróis eram poderosos quando estavam vivos, e semeavam o terror entre os vivos.

28 É assim que vocês morrerão, ó egípcios! E ficarão sepultados entre todos estes pagãos que foram mortos na guerra.

29

Edom ali se encontra com os seus reis e governantes. Antes eram soldados poderosos, mas agora jazem no mundo dos mortos, com os pagãos, que foram mortos na guerra.

30

Os príncipes do norte ali se encontram, bem como os de Sídon . Antes o seu poder semeava o terror, porém agora desceram à terra do esquecimento, com aqueles pagãos que foram mortos na guerra e desceram à sepultura envergonhados. Recebem o mesmo descrédito que os outros que desceram para debaixo da terra.

31

O espetáculo daqueles que foram mortos na guerra servirá de algum conforto para o rei do Egito e para o seu exército. Palavra do SENHOR!

32 Eu fiz com que o rei do Egito aterrorizasse os vivos, porém ele e o seu exército serão mortos e postos a descansar ao lado dos pagãos que morreram na guerra. Palavra do SENHOR!”»

33

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , mostra ao teu povo o que vai acontecer, quando eu trouxer a guerra a um país. Os seus habitantes têm de escolher dentre eles um para sentinela.

3 Quando a sentinela vê que o inimigo se aproxima, dá o alarme para prevenir toda a gente.

4 Se alguém o ouvir, mas não quiser fazer caso, e o inimigo vier e o matar, essa pessoa é culpada da sua própria morte.

5 Deve a morte a si mesma, porque não deu atenção ao alarme. Pois se tivesse prestado atenção, poderia ter escapado.

6

Porém se a sentinela vê chegar o inimigo e não der o alarme, o inimigo virá e matará aqueles transgressores. Porém eu considero a sentinela responsável pela morte deles.

7

E agora, homem, eu te nomeio sentinela para o povo de Israel. Deves transmitir-lhes o alarme que eu te comunicar.

8 Se eu te avisar que um homem mau vai morrer e tu não o prevenires, para que mude o seu procedimento e possa salvar a vida, ele morrerá, como transgressor que é; mas eu considero-te responsável pela sua morte.

9 Mas se tu avisares esse homem mau e ele não deixar de fazer o mal, então ele morrerá, como transgressor, mas a tua vida será poupada.»

10

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me: «Lembra aos israelitas o que eles andam a dizer: “Sentimos o peso das nossas transgressões e do mal que temos feito. Sentimo-nos esmagados. Como poderemos sobreviver?”

11 Diz-lhes que, tão certo como eu ser o Deus da vida, lhes garanto que não tenho prazer em ver um transgressor morrer. O que eu gostaria era de o ver deixar de pecar e viver. Ó Israel, deixa o mal que estás a fazer. Por que hás de querer morrer?

12

Agora, homem, mostra aos teus compatriotas que, quando um homem bom peca, o bem que ele fez não o salvará. Se um homem mau deixa de praticar o mal, não será castigado: mas se um homem justo começar a pecar, a sua vida não será poupada.

13 Eu posso prometer a vida a um homem justo, mas se ele começar a pensar que o bem que praticou no passado chega, e começar a fazer o mal, eu não terei em consideração o bem que ele fez. Tal pessoa morrerá, por causa dos seus pecados.

14 Eu posso avisar um homem mau que ele vai morrer, mas se ele deixar de fazer o mal e fizer o que é bem;

15 por exemplo, se restituir aquilo que recebeu em depósito por um empréstimo ou devolver o que roubou; se ele deixar de pecar e seguir as leis que são fonte de vida, ele não morrerá, mas viverá.

16 Perdoarei os pecados que ele cometeu e essa pessoa viverá, porque passou a fazer o que era bem.

17

O teu povo diz que o que eu faço não está bem! Mas não! Pelo contrário, são eles que não procedem bem.

18 Quando um homem justo deixa de praticar o bem e começa a fazer o mal, morrerá por causa do pecado que cometeu.

19 Quando um injusto deixa de fazer o mal e começa a praticar o bem, essa pessoa salva a sua vida.

20 Ó povo de Israel, dizem que sou eu que não procedo bem, mas o que eu faço é julgar-vos a cada um pelas suas obras.»

21

No décimo segundo ano do nosso exílio, no dia cinco do décimo mês , um homem que conseguiu escapar de Jerusalém chegou junto de mim e contou-me que a cidade caiu na mão do inimigo.

22 Na noite que precedeu a sua chegada, senti sobre mim a mão poderosa do SENHOR e restituiu-me a fala. Quando aquele homem chegou, na manhã seguinte, o SENHOR tinha-me restituído a fala e, dali em diante, não voltei a ficar mudo .

23

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

24 «Ezequiel, o povo que habita nas cidades de Israel, em ruínas, diz: “Abraão era um só homem e recebeu o país inteiro em propriedade. E agora, nós somos muitos; é evidente que esta terra nos pertence!”

25

Mostra-lhes, por isso, o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar: “Comem carne com sangue , adoram os ídolos e cometem assassinatos e ainda acham que a terra vos pertence?

26 Põem a vossa confiança nas espadas, praticam ações abomináveis e cometem adultério com a mulher dos vossos compatriotas e ainda acham que a terra vos pertence?

27

Diz-lhes que tão certo como eu vivo, eu, o SENHOR Deus, lhes garanto que o povo que habita nas cidades em ruínas será morto; os que vivem no país serão comidos por animais selvagens; e os que se escondem nas montanhas e nas grutas, morrerão de doença.

28 Farei com que o país fique deserto e desolado e a grandeza de que se orgulhavam chegará ao fim. As montanhas de Israel ficarão tão desoladas que ninguém se atreverá a passar por elas.

29 Quando eu castigar o povo, por causa das suas práticas abomináveis, e fizer do país um deserto, então ficarão a saber que eu sou o SENHOR.”»

30

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me: «Homem, o teu povo anda a falar de ti. Quando se encontram junto aos muros da cidade ou à porta das casas, dizem entre si: “Vamos ouvir o que o SENHOR tem para nos dizer!”

31 O meu povo aglomera-se à tua volta em grande número, para ouvir a tua mensagem, mas não fazem o que tu lhes dizes. Dizem palavras muito bonitas, mas o seu coração é profundamente interesseiro.

32 Para eles, não és mais do que um cantor de cantigas agradáveis, que tem uma bela voz e toca muito bem. Ouvem as tuas palavras mas não obedecem a nada do que dizes.

33 Porém quando as tuas palavras se cumprirem, e elas vão cumprir-se, então reconhecerão que havia um profeta no meio deles.»

34

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Ezequiel, denuncia os chefes da nação de Israel, apresenta-lhes a minha mensagem e faz-lhes saber que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhes comunicar o seguinte: “Vocês estão condenados, ó pastores de Israel . Sabem cuidar bem dos vossos interesses. Mas os pastores devem cuidar das suas ovelhas.

3 Vocês bebem o leite, usam roupas de lã e matam as melhores ovelhas para comer, mas não cuidam das ovelhas.

4 Não protegeram as mais fracas, nem trataram das doentes; não ligaram as que estavam feridas; não trouxeram de volta as que se encontravam extraviadas; não procuraram as que se encontravam perdidas. Em vez disso, trataram-nas com dureza e crueldade.

5 Como as ovelhas não tinham pastor, perderam-se; e os animais selvagens mataram-nas e comeram-nas.

6 Por isso, as minhas ovelhas andam perdidas pelos montes. Espalharam-se pela terra inteira e ninguém quis saber delas, nem foi à sua procura.

7

Por isso, oiçam agora, ó pastores, o que eu, o SENHOR, vos declaro!

8 Tão certo como eu vivo, eu, o SENHOR Deus, vos garanto que só têm a ganhar se me derem ouvidos. As minhas ovelhas foram atacadas por animais selvagens que as mataram e comeram, porque não havia pastor. Os meus pastores não fizeram nenhum esforço para as encontrar. Só cuidavam de si próprios, e não das ovelhas.

9 Por isso, deem-me atenção, ó pastores!

10 Eu, o SENHOR Deus, declaro que vou voltar-me contra vós. Vou tirar-vos as minhas ovelhas, e nunca mais permitirei que sejam os seus pastores; nunca mais vos deixarei andar a cuidar apenas dos vossos interesses. Arrancarei as minhas ovelhas da vossa boca, para não continuarem a ser devoradas por vocês.

11

Eis o que tenho para vos declarar, eu, o SENHOR Deus: a partir de agora, eu próprio cuidarei das minhas ovelhas.

12 Da mesma maneira que um pastor segue o rasto do seu rebanho, que se extraviou, também eu seguirei o rasto das minhas ovelhas. Hei de libertá-las de todos os lugares por onde se espalharam, naquele dia negro e terrível .

13 Vou tirá-las dos países estrangeiros, juntá-las e trazê-las para a sua terra. Conduzi-las-ei de volta aos montes e vales de Israel e apascentá-las-ei em verdes pastagens.

14 Deixarei que pastem em segurança, nos prados, nos montes e nos vales, bem como nas pastagens verdes da terra de Israel.

15 Eu próprio serei o pastor do meu rebanho, e encontrarei para ele um lugar tranquilo. Palavra do SENHOR!

16

Irei em busca das que se perderam e vou trazer de volta as que se extraviaram; ligarei as que estão feridas e tratarei das doentes. Quanto às que estão gordas e fortes, a essas destruirei , porque eu sou um pastor que as trata com justiça.

17

Por isso, eis o que eu, o SENHOR Deus vos declaro, ó meu rebanho! Vou julgar a cada um de vós e separar os bons dos maus, as ovelhas das cabras.

18 Alguns dentre vós não se contentam em comer nas melhores pastagens, mas ainda espezinham o que não comem! Bebem da água limpa e deixam suja a que não bebem.

19 As minhas outras ovelhas têm de comer a erva que vocês pisaram e beber a água que sujaram.

20

Por isso, eu, o SENHOR Deus, vos declaro, que vou fazer distinção entre vocês, as ovelhas fortes e as fracas.

21 Empurram para o lado as doentes e às cabeçadas escorraçam-nas para fora do rebanho.

22 Porém eu virei em socorro das minhas ovelhas; não permitirei que continuem a ser maltratadas e restabelecerei a justiça entre elas.

23 Vou dar-lhes um rei como único pastor, semelhante ao meu servo David; e ele cuidará delas.

24 Eu, o SENHOR, serei o seu Deus, e um rei semelhante ao meu servo David será o seu chefe. Palavra do SENHOR!

25

Farei uma aliança com as minhas ovelhas, que garanta a sua paz e segurança. Libertarei o país dos animais ferozes, para que as minhas ovelhas vivam em segurança nos campos e possam dormir nos bosques.

26 Deixarei que vivam à volta do meu monte santo e vou abençoá-las, mandando-lhes a chuva abundante, sempre que dela tenham falta.

27 As árvores darão muito fruto, os campos produzirão com abundância, e cada qual viverá em segurança na sua própria terra. Quando eu despedaçar as correntes que prendem o meu povo e os libertar dos que os fizeram escravos, ficarão a saber que eu sou o SENHOR.

28 As nações pagãs nunca mais as assaltarão e os animais selvagens não mais as matarão nem comerão. Viverão em segurança e ninguém as há de incomodar.

29 Hei de dar-lhes campos férteis e porei fim à fome existente no país. As outras nações não as voltarão a humilhar.

30 Todos ficarão a saber que eu sou o SENHOR que cuida de Israel e que Israel é o meu povo. Palavra do SENHOR!

31

Vocês são as ovelhas do meu rebanho, aqueles a quem eu guardo, e eu sou o vosso Deus. Palavra do SENHOR!”»

35

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , volta-te para a região de Edom e transmite a minha mensagem !

3 Comunica ao povo de Edom o seguinte: “Eu, o SENHOR, vos declaro que sou vosso inimigo, ó terra de Edom! Mostrarei contra ti o meu poder e farei dessa terra um deserto.

4 Deixarei as vossas cidades em ruínas e a vossa terra sem habitantes; e assim ficarão a saber que eu sou o SENHOR.

5 Vocês foram o inimigo permanente de Israel, e contribuíram para que o seu povo fosse dizimado à espada, quando lhe sobreveio a calamidade, quando chegou o tempo de serem castigados pelos seus pecados.

6 Por isso, tão certo como eu vivo, eu, o SENHOR Deus, vos garanto que estão condenados a morrer, sem apelo. A muitos causaram a morte e a morte vos há de perseguir também.

7 Farei das colinas de Edom um país deserto e matarei a quem por lá passar.

8 Encherei os seus montes de cadáveres; e os corpos daqueles que foram mortos na guerra cobrirão os montes, as colinas e os vales.

9 Farei com que a vossa terra fique para sempre deserta e que as vossas cidades nunca mais sejam habitadas. Ficareis então a saber que eu sou o SENHOR.

10

Vocês disseram que as duas nações, Judá e Israel, com os seus territórios, vos pertencem, e que haviam de tomar posse delas, apesar de eu, o SENHOR, ser o seu Deus.

11 Por isso, tão certo como eu vivo, eu, o SENHOR Deus, garanto que vos farei pagar pela vossa atitude, pela vossa inveja e ódio para com o meu povo. E o meu povo reconhecerá que vos castiguei, por causa do que lhe fizeram.

12 E vocês ficarão a saber que eu, o SENHOR, estava a ouvir, quando vocês diziam com insolência que os montes de Israel ficaram desertos e que estavam ao vosso alcance, para os devorarem.

13 Ouvi como vocês falaram de mim com desprezo e de maneira provocante.

14 Eu vos declaro que farei com que o vosso país fique num deserto, de modo que todo o mundo se regozijará da vossa queda.

15 Vocês alegraram-se com a destruição de Israel, que me pertence. Pois, a região montanhosa de Seir e todo o país de Edom ficarão num deserto. Então todos ficarão a saber que eu sou o SENHOR.”»

36

1

«Quanto a ti, homem, transmite a mensagem que eu,

2 o SENHOR Deus, tenho sobre os montes de Israel. Os inimigos afirmam que essas antigas montanhas lhes pertencem.

3 Fala, pois, e anuncia que eu, o SENHOR Deus, tenho para dizer o seguinte: “Quando as nações vizinhas se apoderaram das montanhas de Israel e as devastaram, não se fartaram de falar mal de ti, ó Israel.

4 É esta agora a mensagem que eu, o SENHOR Deus, tenho para vos transmitir, montes e colinas, rios e vales, lugares que ficaram destruídos e cidades desertas que foram devastadas e de quem as nações vizinhas escarneceram.

5 Eu, o SENHOR Deus, no auge da minha indignação, profiro ameaças contra o que resta das nações vizinhas e em especial contra Edom. Elas que se apoderaram da minha terra e pastagens, com tanta alegria e desprezo.

6 Por isso, Ezequiel, transmite a minha mensagem ao país de Israel, anuncia aos montes, colinas, rios e vales, que eu, o SENHOR Deus vou mostrar a minha indignação, por causa da maneira como esses países vos insultaram e humilharam.

7 Eu, o SENHOR Deus, vos garanto que essas nações que vos rodeiam vão, por sua vez, sofrer humilhações.

8 Porém as árvores de Israel terão novas folhas verdes e darão fruto que será vosso, ó Israel, meu povo. E em breve voltareis para a vossa terra.

9 Eu estou convosco, e farei com que as vossas terras sejam lavradas e semeadas de novo.

10 Farei com que o vosso número aumente. Vão habitar nas cidades e reconstruir tudo o que ficou em ruínas.

11 O povo e o gado aumentarão em número. Serão mais numerosos do que nunca, pois terão muitos filhos. Vou deixar que vivam como viviam no passado e farei a vossa prosperidade aumentar como nunca. Então ficareis a saber que eu sou o SENHOR.

12 Farei com que vocês, o meu povo de Israel, voltem de novo para a vossa terra, para lá viverem outra vez. Essa terra será vossa de novo e nunca mais deixareis que os vossos filhos morram de fome.

13 É isto o que vos diz o SENHOR Deus. É verdade que os inimigos desta terra dizem que ela devora as pessoas, e que mata.

14 Mas daqui em diante, ordeno a esta terra que nunca mais devore as pessoas, nem lhes faça perder os seus filhos. Palavra do SENHOR!

15 O país nunca mais terá de ouvir o escárnio e os insultos das outras nações. E nunca mais deixará morrer os filhos do seu povo. Palavra do SENHOR!”»

16

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse:

17 «Homem, quando os israelitas habitavam no seu país e o profanaram com a sua maneira de viver e com os seus crimes, eu considerei tudo isso ritualmente impuro, como uma mulher durante a menstruação .

18 Deixei que sentissem todo o peso da minha indignação, por causa dos assassinatos que cometeram no país e por causa dos ídolos com que profanavam a terra.

19 Condenei-os por tudo isso, e espalhei-os pelos outros países.

20 Onde quer que fossem, só deixavam ficar mal o meu nome, porque os habitantes desses países comentavam: “Esta gente teve de sair da terra que lhe foi dada pelo seu próprio Deus!”

21 Isso fez-me sofrer, por ver como os israelitas difamavam o meu bom nome por onde quer que fossem.

22

Por isso, dirige-lhes a seguinte mensagem que eu, o SENHOR Deus, tenho para eles: o que vou fazer agora não é por consideração por vocês, mas por causa do meu bom nome, que vocês difamaram em todos os países para onde foram.

23 Quando mostrar a grandeza e a santidade do meu nome às nações, esse mesmo nome que vocês desonraram, então ficarão todos a saber que eu sou o SENHOR, quando verificarem que eu realmente vos trato como um Deus santo. Palavra do SENHOR!

24 Hei de tirar-vos dessas nações e fazer-vos regressar à vossa terra.

25 Farei com que, por meio de água limpa, fiquem ritualmente puros da imundície dos vossos ídolos, de tudo o que vos contaminou.

26 Vou dar-vos um novo coração e um novo espírito. Em vez do vosso coração de pedra, vou dar-vos um obediente coração de carne.

27 Vou pôr o meu espírito em vós e farei com que obedeçam fielmente às minhas leis e aos meus mandamentos que vos dei.

28 Vivereis então no país que eu dei aos vossos antepassados. Vocês serão o meu povo e eu serei o vosso Deus.

29 Vou limpar-vos de tudo o que vos deixou ritualmente impuros.

30 Farei com que a vossa terra produza trigo com abundância, para que nunca mais voltem a ter fome. Farei com que as vossas árvores se carreguem de fruto e os vossos campos produzam como nunca antes, para que nunca mais a fome vos envergonhe diante das outras nações.

31 Vocês hão de lembrar-se sempre dos maus caminhos e do mal que praticaram e terão vergonha de tudo isso, de todos os vossos pecados e práticas abomináveis.

32 Ó Israel, quero que saibas que não faço nada disto por tua causa. Tem vergonha do que andas a fazer. Palavra do SENHOR!

33

Por isso, eu, o SENHOR, vos declaro que quando vos limpar dos vossos pecados, vou deixar-vos viver de novo nas vossas cidades e reconstruí-las.

34 Quem, ao passar, lamentava antes o estado dos vossos campos abandonados e incultos há de ver agora como voltam a ser cultivados.

35 Toda a gente testemunhará como esta terra, que estava inculta, se transformou numa espécie de jardim do Éden e como as cidades que foram derrubadas, devastadas e deixadas em ruínas, estão agora habitadas e fortificadas.

36 Então as nações vizinhas que ainda restarem ficarão a saber que eu, o SENHOR, posso reconstruir cidades em ruínas e tornar produtivos campos incultos. Eu, o SENHOR, prometi que assim faria e hei de realizá-lo.

37

Eu, o SENHOR Deus, vos declaro que farei com que os israelitas me busquem de novo para os ajudar e farei com que sejam tão numerosos como um imenso rebanho.

38 As cidades que presentemente estão em ruínas ficarão cheias de habitantes, do mesmo modo que outrora Jerusalém se enchia com os animais oferecidos em sacrifício, durante as festas. Então ficarão a saber que eu sou o SENHOR.»

37

1

O poder do SENHOR apoderou-se de mim e o seu espírito arrebatou-me e levou-me a um vale coberto de ossos.

2 Levou-me à volta do vale, de maneira que pude ver que havia muitos ossos e que estavam muito secos.

3 Então o SENHOR perguntou-me: «Homem , podem estes ossos voltar à vida?»

Eu respondi: «SENHOR Deus, só tu sabes responder a essa pergunta!»

4 Ele acrescentou: «Fala aos ossos em meu nome e diz-lhes o seguinte: “Ossos secos escutem a palavra do SENHOR!

5 Eu, o SENHOR Deus, vos declaro que vou reanimar-vos e dar-vos vida outra vez.

6 Vou dar-vos nervos e músculos e cobrir-vos de pele. Vou reanimar-vos e dar-vos vida outra vez. Então ficareis a saber que eu sou o SENHOR.”»

7

Então transmiti-lhes a mensagem tal como a recebi. Enquanto falava, ouvi um grande barulho e os ossos começaram a juntar-se, cada um ao osso que lhe correspondia.

8 Enquanto observava a cena, os ossos cobriram-se de nervos e músculos e depois de pele. Mas não tinham vida.

9

Então o SENHOR disse-me: «Homem transmite a minha mensagem ao sopro da vida e diz-lhe que o SENHOR Deus lhe ordenou que venha de todas as direções e que entre nesses corpos mortos e os faça voltar à vida.»

10

Assim transmiti a mensagem que me foi dada. O sopro da vida entrou naqueles corpos, que voltaram à vida e se levantaram. Eram em número suficiente para formar um exército enorme.

11

Então o SENHOR dirigiu-me a palavra e disse: «Homens, esses ossos representam o povo de Israel. Eles dizem que os seus ossos estão secos, sem esperança e que nada se pode fazer por eles.

12 Diz ao meu povo de Israel que eu, o SENHOR Deus, vou abrir as suas sepulturas e fazê-los sair delas para poderem regressar à terra de Israel.

13 Quando eu abrir as sepulturas onde o meu povo se encontra encerrado e os fizer sair, ficarão a saber que eu sou o SENHOR.

14 Porei neles o meu sopro de vida e vou fazer com que tenham vida novamente, para que possam habitar no seu país. Então saberão que eu sou o SENHOR e que tudo o que prometi fazer hei de realizar. Palavra do SENHOR!»

15

O SENHOR dirigiu-me novamente a palavra e disse-me:

16 «Homem, pega num pau de madeira e escreve nele Reino de Judá ; pega em seguida noutro pau e escreve nele Reino de Israel.

17 Segura os dois paus um contra o outro, de maneira que pareçam um só.

18 Quando o teu povo te perguntar o que isso quer dizer,

19 anuncia-lhes que eu, o SENHOR Deus, vou pegar no pau que representa Israel e juntá-lo ao que representa Judá. Dos dois farei um só pau, que segurarei na minha mão.

20

Segura os dois paus na tua mão, de modo que o povo os veja.

21 Diz-lhes em seguida que eu, o SENHOR Deus, vou tirar o meu povo das nações para onde foram; vou reuni-los e trazê-los de volta para o seu país.

22 Farei deles uma nação na sua terra, nas montanhas de Israel; serão governados por um só rei e nunca mais serão divididos em duas nações, nem em dois reinos.

23 Não se contaminarão com ídolos ou práticas degradantes nem se sujarão com pecado. Vou libertá-los dos caminhos por onde se transviaram e me traíram. Farei com que fiquem ritualmente puros. Eles serão então o meu povo e eu serei o seu Deus.

24 Um rei semelhante ao meu servo David será o seu rei, como único pastor de todos eles; e eles hão de obedecer às minhas leis com fidelidade.

25 Habitarão na terra que dei ao meu servo Jacob, a terra onde viveram os seus antepassados. Ali viverão para sempre, com os seus filhos e os seus descendentes. Um rei semelhante ao meu servo David reinará sobre eles para sempre.

26 Farei com eles uma aliança que lhes garantirá paz e segurança para sempre; farei crescer a sua população e colocarei o meu templo no seu país para sempre.

27 Ali farei a minha morada e serei o seu Deus e eles serão o meu povo.

28 Quando eu ali colocar o meu templo para ficar no meio deles para sempre, então as nações ficarão a saber que eu sou o SENHOR, que faço de Israel um povo santo.»

38

1

O SENHOR dirigiu-me a palavra e disse-me:

2 «Homem , vira-te para Gog, o rei mais poderoso das nações de Mechec e Tubal, na terra de Magog. Fala contra ele

3 e transmite-lhe que eu, o SENHOR Deus, vou voltar-me contra ele.

4 Vou pôr-lhe anzóis nos queixos, para o arrastar para longe, juntamente com as suas tropas. O seu exército, com cavalos e cavaleiros em magníficos uniformes, é de facto muito grande. Os seus soldados têm escudos e espadas.

5 Mercenários da Pérsia, Etiópia e Put fazem parte dele e todos têm escudos e capacetes.

6 Os soldados dos países de Gómer e Bet-Togarma , no extremo norte, estão com ele, além de homens de muitas outras nações.

7 Diz-lhe que se prepare e que tenha todo o seu exército a postos, sob o seu comando.

8 Bastante mais tarde vou dar-lhe ordem para que invada um país para onde o povo foi trazido de volta, de muitas nações, e onde tem vivido num receio de guerra; invadirá os montes de Israel, que estiveram abandonados e desertos durante tanto tempo, mas onde todos agora vivem em segurança, depois de terem sido retirados dentre os povos.

9 Com o seu exército e os seus aliados, ele investirá como se fosse uma tempestade e cobrirá a terra como se fosse uma nuvem.

10

Esta é a mensagem que eu, o SENHOR Deus tenho para Gog! Quando vier esse tempo, farás planos malignos.

11 Decidirás invadir um país indefeso, onde os habitantes vivem em paz e segurança, em cidades sem muralhas nem portas bem trancadas.

12 Invadirás e roubarás o povo que vive nas cidades que antes estavam em ruínas. Esse povo foi reunido de todas as nações e possui agora gado e bens e vive no centro do mundo .

13 Os negociantes de Társis e os habitantes de Sabá e Dedan e das localidades vizinhas hão de perguntar-se: “Reuniste o teu exército e invadiste o país para o devastar e roubar? Pretendes apoderar-te da prata e do ouro, do gado e dos bens, para fugires com todos os despojos?”

14

Por isso, Ezequiel, deves transmitir a Gog o que eu, o SENHOR Deus, tenho para lhe dizer: “Agora, que o meu povo de Israel vive em segurança, tu te porás a caminho .

15 Virás do teu país do extremo norte, à frente dum exército composto por gente de todas as nações; virão a cavalo e formarão um exército poderoso.

16 Atacarão o meu povo de Israel como se fossem uma tempestade que assola o país. Quando esse tempo vier, far-te-ei invadir a minha terra, ó Gog, para mostrar às nações que eu sou o Deus santo; e vou mostrar-lhes isso através do que vou fazer por teu intermédio.

17 Era de ti que eu falava desde há muito tempo, sempre que tenho feito saber, por meio dos meus servos, os profetas de Israel, que em dias futuros traria alguém para atacar Israel.”»

18

«Mas no dia em que Gog invadir Israel, vou ficar irado.

19 E, na minha indignação, declaro que nesse dia haverá um grande tremor de terra em Israel.

20 Peixes e aves, animais grandes e pequenos, e todos os habitantes do mundo tremerão com medo de mim. As montanhas hão de cair, os rochedos hão de desfazer-se e os muros ficarão em ruínas .

21 Semearei o terror entre os de Gog, com calamidades de toda a espécie. Palavra do SENHOR! Os seus soldados hão de virar-se uns contra os outros à espada.

22 Vou castigá-lo com a doença e a morte. Grandes chuvadas e granizo, juntamente com fogo e enxofre, cairão sobre ele e sobre o seu exército, sobre as muitas nações suas aliadas.

23 Dessa forma, mostrarei às nações que sou o Deus poderoso e santo. Então ficarão a saber que eu sou o SENHOR.»

39

1

«E tu, Homem , anuncia da minha parte a Gog, o rei mais poderoso das nações de Mechec e Tubal , que eu, o SENHOR Deus, me vou voltar contra ele.

2 Farei com que ele siga o caminho que eu mandar e vou conduzi-lo do extremo norte até aos montes de Israel.

3 Farei então cair o arco da sua mão esquerda e as flechas da sua direita.

4 Gog e o seu exército, com todos os seus aliados, cairão mortos nos montes de Israel e farei com que os seus cadáveres sejam comidos pelas aves e animais selvagens.

5 Cairão mortos nos campos. Sou eu quem o afirma! Palavra do SENHOR!

6 Porei fogo ao país de Magog e às zonas marítimas onde os povos se sentem em paz e ficarão assim a saber que eu sou o SENHOR.

7 Farei com que o meu povo, Israel, reconheça que eu sou o Deus santo, para que o meu nome não seja mais desprezado. Então todas as nações ficarão a saber, que eu, o SENHOR, sou o santo Deus de Israel.

8

O dia de que falei virá de certeza. Palavra do SENHOR!

9 Os habitantes que vivem nas cidades de Israel sairão delas e ajuntarão as armas abandonadas, para lhes deitar o fogo. Assim farão fogueiras com escudos e couraças, arcos e flechas, lanças e maças. Dará para arder durante sete anos.

10 Não precisarão de apanhar lenha nos campos, nem cortar árvores nos bosques, porque haverá lenha suficiente com todas essas armas abandonadas. Ficarão com os despojos daqueles que antes os despojaram. Palavra do SENHOR Deus!

11

Quando tudo isto acontecer, darei sepultura a Gog, em Israel, no vale dos Viajantes, a leste do mar Morto. Gog e o seu exército serão ali sepultados; os viajantes deixarão de passar por ali, e o vale será chamado “o vale da Multidão de Gog”.

12 Os israelitas levarão sete meses a sepultar os cadáveres e a limpar a terra de novo.

13 Os habitantes da terra ajudarão a enterrá-los e fá-lo-ão com orgulho, pois será o dia da minha vitória. Palavra do SENHOR!

14 Depois de passarem os sete meses, terão que nomear pessoas que percorram o país a fim de procurar e enterrar os cadáveres que ainda ficaram sem sepultura, a fim de que toda a terra fique purificada.

15 Ao percorrerem o país, sempre que encontrem um osso humano, farão um monte de pedras ao seu lado, para assinalar a sua presença, para que os coveiros os sepultem no vale da Multidão de Gog.

16 Haverá mesmo uma cidade perto, cujo nome será Hamona, isto é, Multidão. E assim a terra ficará purificada de novo.

17

E tu, homem, chama as aves e os animais para que venham de toda a redondeza a fim de participar no banquete de festa que lhes vou preparar. Será uma grande festa, que farei nos montes de Israel, onde poderão comer carne e beber sangue com fartura.

18 Irão comer os cadáveres dos soldados e beber o sangue dos governantes da terra. Todos estes serão mortos como se fossem carneiros, ou ovelhas, ou cabras ou bois gordos de Basã.

19 Com a mortandade que vou fazer para eles, as aves e os animais poderão comer a gordura até se fartarem e beber sangue até ficarem bêbedos.

20 Comerão à minha mesa carne de cavalos e cavaleiros, bem como de soldados e homens de valor, com fartura. Palavra do SENHOR!

21 Farei com que as nações vejam a minha glória e vou mostrar-lhes como tenho poder para executar as minhas sentenças.

22 Os israelitas ficarão então a saber que eu sou o SENHOR, seu Deus.

23 E as nações ficarão a saber que os israelitas foram para o exílio, por causa das transgressões que cometeram contra mim. Por isso, desviei deles o meu olhar e permiti que os seus inimigos os derrotassem e matassem na guerra.

24 Dei-lhes o que mereciam por causa da sua imoralidade e maldade e desviei deles o meu olhar.

25

Porém eu, o SENHOR Deus, declaro que tratarei com misericórdia os descendentes de Jacob, o povo de Israel, e lhes darei de novo prosperidade; e exigirei de todos o respeito que é devido ao meu santo nome.

26 Quando estiverem uma vez mais a habitar em segurança no seu próprio país, sem que ninguém os ameace, poderão então esquecer toda a infelicidade que lhes aconteceu quando me traíram.

27 A fim de mostrar às nações que sou santo, trarei de volta o meu povo dos países onde vivem no meio dos seus inimigos.

28 Então o meu povo ficará a saber que eu sou o SENHOR Deus, ao ver que os enviei para o exílio e agora os reúno e faço voltar ao seu país, sem que nenhum fique por lá.

29 Derramarei o meu espírito sobre os habitantes de Israel e nunca mais desviarei deles o meu olhar. Palavra do SENHOR!»

40

1

No décimo dia do novo ano, que era o vigésimo quinto do nosso exílio e o décimo quarto depois da tomada de Jerusalém , nesse dia senti a mão poderosa do SENHOR, que me arrebatou

2 em visão à terra de Israel, onde me colocou sobre um monte muito alto. Vi para o lado do sul um aglomerado de casas que se parecia com uma cidade.

3 Quando me levou mais perto, vi um homem que brilhava como o bronze polido. Tinha na sua mão um fio de linho e uma cana de medir e encontrava-se perto da porta de entrada .

4 Aquele homem disse-me: «Toma nota, ouve bem e presta atenção a tudo o que eu te mostrar, porque essa é a razão pela qual foste trazido aqui. E, depois, deves transmitir aos habitantes de Israel o que vires.»

5

Vi o templo, com um muro à sua volta. O homem pegou na cana de medir, que tinha três metros de comprido, e mediu o muro. Este tinha três metros de altura e três metros de espessura.

6 Foi em seguida à porta oriental, subiu os seus degraus, e no cimo da escadaria mediu a soleira da porta. Esta tinha três metros de largura.

7 Para além dela, havia um pórtico que tinha três casas da guarda de cada lado. Cada uma dessas casas tinha a forma quadrada, com três metros de lado, e as paredes entre elas tinham dois metros e meio de espessura. Para além das casas da guarda, havia um pórtico de três metros de comprido que levava a uma grande sala, em frente do templo.

8 Ele mediu com um metro a sala mais próxima do templo para o interior da porta;

9 mediu-a e verificou que tinha quatro metros de profundidade, tendo os muros exteriores um metro de espessura.

10 Estas casas da guarda, de cada lado do pórtico, tinham todas as mesmas dimensões e as paredes que as dividiam, a mesma espessura.

11

Em seguida, o homem mediu a largura da passagem do lado da qual a porta se abria. Tinha cinco metros. A largura total da passagem central era de seis metros e meio.

12 Diante de cada uma das casas da guarda havia uma parede baixa de cinquenta centímetros de altura e cinquenta centímetros de espessura. As salas tinham três metros de lado.

13 Em seguida mediu a distância desde a parede traseira de uma sala até à parede traseira da sala do outro lado do pórtico, e viu que tinha doze metros e meio.

14 A sala, no lado extremo, dava para o átrio. Mediu essa sala e viu que tinha dez metros de largura.

15 O comprimento total da entrada desde a parede de fora da porta até ao extremo oposto da última sala era de vinte e cinco metros.

16 Havia pequenas aberturas nas paredes do lado de fora de todas as salas e também nas paredes interiores entre as salas. Havia ainda decorações de palmeiras nas paredes interiores que davam para o pórtico.

17

O homem levou-me através da entrada para o átrio exterior. Havia ali trinta compartimentos a toda a volta, encostados ao muro exterior, e à frente havia uma área cujo chão era pavimentado.

18 Esta área estendia-se à volta do átrio. O átrio exterior encontrava-se a um nível mais baixo que o do pátio interior.

19 Havia uma entrada situada num plano mais elevado que dava passagem para o átrio interior, mais a norte. O homem mediu a distância entre as duas entradas e viu que tinha cinquenta metros.

20 Em seguida, mediu a entrada norte, do lado que dava para o pátio exterior.

21

As três casas da guarda, de cada lado do pórtico, as paredes que as separavam, e a grande sala, todas tinham as mesmas medidas das que se encontravam junto à entrada do lado oriental. O comprimento total da entrada era de vinte e cinco metros e a largura de doze metros e meio.

22 A grande sala, as janelas e os ornamentos de palmeiras eram semelhantes aos da entrada oriental. Aqui havia sete degraus que levavam para a porta, e a grande sala encontrava-se do lado que fica em frente do átrio.

23 Do outro lado do átrio, desta entrada norte, havia uma outra entrada que dava para o átrio interior, tal como no lado oriental. O homem mediu a distância entre estas duas entradas e viu que era de cinquenta metros.

24

Em seguida, o homem levou-me ao lado sul, onde havia uma outra entrada; e viu que media o mesmo das outras.

25 Havia janelas nas salas desta entrada, tal como nas outras. O comprimento total da entrada era de vinte e cinco metros e a largura de doze metros e meio.

26 Tinha sete degraus e um grande pórtico do outro lado, que dava para o átrio. Tinha ornamentos de palmeiras nas paredes interiores que davam para a passagem.

27 Também aqui havia uma entrada que dava para o átrio interior. O homem mediu a distância dali até à segunda entrada e viu que tinha cinquenta metros.

28

O homem levou-me em seguida pela entrada sul do pátio interior. Mediu a entrada, que tinha as mesmas medidas das entradas do muro exterior.

29 As suas salas de guarda, o pórtico e as paredes interiores tinham as mesmas dimensões das outras entradas.

30 Havia também janelas nas salas desta entrada e o seu comprimento total era de vinte e cinco metros e a largura de doze metros e meio .

31 A sua grande sala dava para o outro átrio e tinha ornamentos de palmeiras nas paredes, ao longo da passagem. Oito degraus davam para a porta de entrada.

32

O homem levou-me pela entrada oriental até ao átrio interior. Mediu a entrada e viu que tinha as mesmas dimensões das outras.

33 As salas da guarda, a grande sala, e as paredes interiores tinham as mesmas medidas das outras entradas. Havia também as janelas a toda a volta e na grande sala. O comprimento total era de vinte e cinco metros e a largura de doze metros e meio.

34 A grande sala dava para o átrio exterior. Havia ornamentos de palmeiras ao longo das paredes que dividiam as salas dum lado e doutro. Oito degraus davam para esta porta.

35

Em seguida, o homem levou-me para a entrada norte; mediu-a e viu que tinha as mesmas dimensões das outras.

36 Tal como anteriormente, tinha salas da guarda, paredes interiores decoradas, uma grande sala e janelas a toda a volta. O seu comprimento total era de vinte e cinco metros e a largura doze metros e meio.

37 A grande sala dava para o átrio exterior. Havia ornamentos de palmeiras nas paredes ao longo da passagem. A porta tinha oito degraus.

38

No átrio exterior havia um anexo junto à entrada interior, no lado norte. Este dava para uma grande sala, do lado do pátio, e era ali que se lavavam os animais mortos, prontos para serem queimados em holocausto.

39 Nesta grande sala, havia quatro mesas, duas de cada lado da mesma. Sobre estas mesas, matavam os animais que deviam ser oferecidos em holocausto. Os animais seriam queimados por inteiro, ou oferecidos em sacrifício pelo pecado, ou em sacrifício de reparação.

40 Fora deste pórtico havia quatro mesas semelhantes, duas de cada lado da entrada norte.

41 Ao todo, havia oito mesas sobre as quais eram mortos os animais que se destinavam aos sacrifícios: quatro dentro deste pórtico e quatro no átrio interior.

42 As quatro mesas que se encontravam no anexo eram usadas para preparar os sacrifícios e colocar os utensílios para matar as vítimas. Eram de pedra e tinham cinquenta centímetros de altura e setenta e cinco centímetros de lado.

43 À volta da sala havia rebordos com um palmo de largura. A carne que devia ser oferecida em sacrifício era posta sobre as mesas.

44 Em seguida levou-me ao átrio interior. Havia ali duas salas, uma voltada para o sul, junto à entrada norte, e a outra voltada para o norte, junto à entrada sul.

45 O homem disse-me que a sala que dava para o sul se destinava aos sacerdotes que serviam no templo

46 e a sala que dava para o norte se destinava aos sacerdotes que trabalhavam no altar. Os sacerdotes são descendentes de Sadoc e são os únicos membros da tribo de Levi que podem entrar no templo do SENHOR, para o servir.

47

O homem mediu o átrio interior; era quadrado e tinha cinquenta metros de lado. E o altar encontrava-se diante do templo.

48 Em seguida levou-me ao pórtico do templo. Mediu-o e viu que os pilares da porta tinham dois metros e meio de espessura e a entrada, sete metros de largura. Tinha paredes de metro e meio de espessura, de cada lado.

49 A este pórtico subia-se por degraus: media dez metros de comprimento por seis metros de largura. E havia duas colunas, uma de cada lado da entrada .

41

1

Em seguida, o homem conduziu-me ao interior, que era a nave do templo. Mediu os pilares da entrada e viu que tinham três metros de espessura.

2 A entrada tinha cinco metros de largura e paredes de dois metros e meio de espessura de cada lado. Mediu depois a nave que tinha vinte metros de comprimento e dez metros de largura.

3 Em seguida, foi para o interior; mediu a entrada e viu que tinha um metro de comprimento e três metros de largura, com paredes de cada lado, com a espessura de três metros e meio.

4 Mediu a sala que era quadrada e tinha dez metros de lado em frente da nave. Em seguida disse-me: «Este é o lugar santíssimo.»

5

O homem mediu a espessura da parede interior do templo e viu que tinha três metros. Junto à parede, a toda a volta do templo, havia uma série de pequenas salas de dois metros de largura.

6 Estas salas situavam-se em três andares, com trinta salas em cada andar. Cada sala encaixava na parede exterior mas não encaixava na parede do próprio templo.

7 Em cada andar a superfície das salas aumentava, enquanto que a espessura do muro diminuía, e isso à volta de todo o templo. Por essa razão, à medida que se subia, as salas eram maiores.

8 Notei que à volta do templo, os anexos estavam assentes sobre um aterro, três metros acima do átrio.

9 A parede exterior dos anexos tinha dois metros e meio de espessura. Havia uma área aberta entre as salas laterais do templo

10 e as restantes salas. Essa área tinha dez metros de largura, a toda a volta do templo.

11 As salas anexas comunicavam para a área aberta, por meio de duas portas, uma ao norte e a outra ao sul.

12

No outro extremo da área aberta, no lado ocidental do templo, havia um edifício de quarenta e cinco metros de comprido e trinta e cinco metros de largura; as suas paredes tinham dois metros e meio de espessura, a toda a volta.

13 O homem mediu o lado exterior do templo, e viu que tinha cinquenta metros de comprido. Do lado de trás do templo, ao longo da área aberta até ao lado oposto do edifício, a ocidente, havia uma distância de cinquenta metros.

14 A distância de ponta a ponta, em frente do templo, incluindo a área aberta de cada lado, era também de cinquenta metros.

15 Ele mediu o comprimento do edifício situado atrás do templo, incluindo os corredores de ambos os lados, e viu que tinha igualmente cinquenta metros.

Os pórticos de entrada e o interior do templo

16 estavam revestidos de madeira, bem como as salas anexas construídas em toda a volta em três andares, tudo estava revestido de madeira, desde o chão até às janelas. E estas também tinham revestimento de madeira.

17 As paredes interiores do templo, até à altura da parte superior da porta eram completamente revestidas com ornamentos

18 de palmeiras e querubins. As palmeiras alternavam com os querubins, um a seguir ao outro, a toda a volta da sala. Cada querubim tinha dois rostos:

19 um humano que estava voltado para uma palmeira, dum lado, e um rosto de leão, que se voltava para a outra, do lado contrário. Assim era a toda a volta da parede,

20 desde o chão até à altura da parte superior das portas.

21 A porta do templo era quadrada. Em frente da entrada do lugar santíssimo havia algo semelhante a

22 um altar de madeira. Tinha metro e meio de altura e um metro de largura. Tinha ângulos, uma base e os lados de madeira. O homem disse-me: «Esta é a mesa que está sempre diante do SENHOR.»

23

Havia uma porta que dava entrada no interior do templo e outra porta que dava do templo para o lugar santíssimo.

24 Ambas eram portas duplas que se abriam ao meio.

25 Havia palmeiras e querubins a ornamentar as portas do interior do templo, tal como acontecia nas paredes. E no lado exterior havia um guarda-vento em madeira , na fachada exterior do pórtico de entrada.

26 Nas paredes laterais deste pórtico havia janelas, decoradas com palmeiras, tal como nos anexos e no guarda-vento .

42

1

Em seguida, o homem conduziu-me ao átrio exterior e levou-me ao edifício que fica a norte do templo, perto do edifício que fica no extremo ocidental do templo.

2 Este edifício tinha cinquenta metros de comprimento e vinte e cinco metros de largura.

3 De um lado, dava para a área de dez metros de largura à volta do templo, do outro, dava para a área do átrio exterior. Tinha três andares, uns em cima dos outros.

4 Ao longo do lado norte deste edifício havia uma passagem de cinco metros de largura e cinquenta metros de comprimento, com entradas desse lado.

5 As salas do andar superior do edifício eram mais estreitas do que as do andar do meio e do inferior, porque estavam encaixadas mais para trás.

6 As salas dos três pisos ficavam em terraços e não tinham colunas, como os outros junto ao átrio.

7 A parede exterior em frente dos aposentos do lado do átrio exterior tinha vinte e cinco metros.

8 Porque o comprimento dos aposentos paralelos ao átrio exterior era de vinte e cinco metros. A extensão total em frente do santuário era de cinquenta metros.

9 Por debaixo dessas duas salas havia uma entrada do lado oriental que dava acesso a quem vinha do átrio exterior.

10 A toda a largura do muro e do átrio, do lado sul, em frente do pátio e do edifício, havia salas.

No lado sul do templo, havia um edifício idêntico perto do edifício situado no extremo ocidental do templo.

11 Diante das salas havia uma passagem semelhante à passagem do lado norte. Tinha as mesmas medidas, a mesma disposição e entradas idênticas.

12 Havia uma porta por baixo das salas, no lado sul do edifício, no extremo oriental, onde começava a parede.

13

O homem disse-me o seguinte: «Ambos os edifícios são santos. Ali os sacerdotes, que servem na presença do SENHOR, comem as ofertas sagradas. Visto esses compartimentos serem santos, os sacerdotes depositarão ali as ofertas mais sagradas: as ofertas de cereais e os sacrifícios pelo pecado e sacrifícios de reparação.

14 Quando os sacerdotes tiverem estado no templo e quiserem sair para o átrio exterior, deverão deixar nestas salas as roupas sagradas que usam, quando servem diante do SENHOR. E devem vestir outras roupas, antes de saírem para o local onde o povo está reunido.»

15

Quando o homem terminou de medir o interior da área do templo, conduziu-me pela porta oriental e mediu o lado exterior do mesmo.

16 Pegou na cana de medir e viu que havia duzentos e cinquenta metros.

17 Mediu o lado do norte e tinha duzentos e cinquenta metros;

18 mediu do lado sul e tinha igualmente duzentos e cinquenta metros;

19 voltando-se para o lado ocidental, mediu duzentos e cinquenta metros com a cana de medir.

20 Desta maneira, a parede fechava uma área quadrada de duzentos e cinquenta metros de lado. A parede servia para separar o que era considerado sagrado do que não era .

43

1

O homem levou-me à porta do lado oriental,

2 e dali vi uma luz deslumbrante, que vinha do oriente, era a presença gloriosa do Deus de Israel . A voz de Deus ecoou como o ruído do mar e a terra brilhou com essa luz deslumbrante.

3 Esta visão foi semelhante à que tive, quando Deus veio destruir Jerusalém e à que tive junto ao canal Quebar . E inclinei-me de rosto por terra.

4 O esplendor da presença do SENHOR entrou pela porta oriental e dirigiu-se ao templo.

5

O Espírito do SENHOR ergueu-me e conduziu-me ao átrio interior, onde verifiquei que o templo estava cheio da glória do SENHOR.

6 O homem encontrava-se a meu lado e eu ouvi alguém que me falava de fora do templo:

7 «Homem , este é o meu trono. Habitarei aqui entre o povo de Israel para sempre. Nem o povo de Israel nem os seus reis voltarão a profanar o meu santo nome, adorando a outros deuses ou sepultando os seus reis neste lugar.

8 Os reis edificaram a soleira da porta do seu palácio junto da soleira da porta do meu templo, de maneira que só havia uma parede a separar-nos. Profanaram o meu santo nome, por causa das coisas abomináveis que fizeram; por isso, na minha indignação, eu destruí-os.

9 Devem, pois, daqui em diante, deixar de adorar outros deuses e retirar para outro lugar os cadáveres dos seus reis. Se assim fizerem, habitarei para sempre no meio deles.

10

E tu, homem, fala aos habitantes de Israel acerca do templo e diz-lhes que aprendam o seu plano. Faz com que se sintam envergonhados dos seus maus atos.

11 Se eles se sentirem de facto envergonhados do que fizeram, explica-lhes como o templo está feito: o seu traçado, as entradas e saídas, a forma, a disposição de tudo e os regulamentos. Escreve tudo para que possam ler e vejam como tudo está delineado, para que possam seguir os regulamentos.

12 Esta é a lei essencial relativa ao templo: toda a área que o rodeia, no cimo do monte, é sagrada e santa.»

13

Eis as medidas do altar, usando o mesmo sistema de medidas utilizado para medir o templo. À volta da base do altar havia um fosso de cinquenta centímetros de fundo e cinquenta centímetros de largura, com um rebordo de vinte e cinco centímetros de altura do lado de fora. Quanto à altura do altar,

14 era de um metro na parte mais baixa, desde a base; a parte seguinte era mais larga cinquenta centímetros a toda a volta do bordo e tinha dois metros de altura.

15 A parte superior, sobre a qual se queimavam os sacrifícios, tinha igualmente dois metros de altura. Os cantos eram também mais altos que o resto da parte de cima do altar.

16 O topo do altar era quadrado e tinha seis metros de lado.

17 A secção intermédia era também quadrada, e tinha sete metros de lado, com um rebordo do lado de fora do bordo, com vinte e cinco centímetros de altura. O fosso tinha cinquenta centímetros de largura. Os degraus para subir ao altar estavam situados no lado oriental.

18

O SENHOR Deus dirigiu-me a palavra dizendo: «Homem, presta atenção ao que te vou dizer. Quando o altar for construído, deves consagrá-lo oferecendo holocaustos e aspergindo-o com o sangue dos animais sacrificados.

19 Os sacerdotes, porque pertencem à tribo de Levi e são da descendência de Sadoc , são os únicos que podem vir à minha presença, para me servir. Palavra do SENHOR! Deves dar-lhes um touro como sacrifício pelo perdão dos pecados.

20 Deves separar parte do sangue e colocá-lo nos quatro cantos do altar, bem como nos cantos da parte média e à volta do bordo. Dessa maneira, tornas o altar ritualmente puro e realizas a sua consagração.

21 Deves em seguida pegar no touro que é oferecido em sacrifício pelo pecado e queimá-lo no lugar próprio, fora da área do templo.

22 No dia seguinte, deves pegar num bode sem defeito e oferecê-lo como sacrifício pelo pecado. Purifica o altar com o sangue da mesma maneira que fizeste com o do touro.

23 Quando terminares, pega num bezerro e num carneiro, ambos sem defeito,

24 e apresenta-os diante de mim. Os sacerdotes deverão deitar-lhes sal e queimá-los, em seguida, como holocausto.

25 Cada dia, durante sete dias, deves oferecer-me um cabrito, um touro e um carneiro como sacrifícios pelo pecado. E todos eles devem ser sem defeito.

26 Durante sete dias, os sacerdotes devem fazer o ritual de purificação do altar, de maneira que fique apto para ser usado.

27 Quando terminar a semana, os sacerdotes devem começar a oferecer sobre o altar os holocaustos e os sacrifícios de comunhão. Assim eu hei de acolher-vos, com agrado. Palavra do SENHOR Deus.»

44

1

O homem conduziu-me à porta exterior do templo, do lado oriental. A porta estava fechada

2 e o SENHOR disse-me: «Esta porta ficará fechada e nunca deverá ser aberta. Nenhum ser humano a deve usar, porque eu, o SENHOR Deus de Israel, passei por ela. Deve permanecer fechada.

3 O príncipe, contudo, como soberano, poderá ir ali para comer uma refeição sagrada na minha presença. Mas deve chegar e retirar-se pelo pórtico interior da mesma porta.»

4

Em seguida o homem conduziu-me pela porta norte, até à entrada do templo. Olhei e vi que o templo do SENHOR estava cheio do esplendor da sua gloriosa presença. Inclinei-me até ao chão, de rosto em terra,

5 e o SENHOR disse-me: «Homem , toma nota de tudo o que vires e ouvires. Vou mostrar-te todas as leis e regulamentos relativos ao templo. Toma nota das pessoas que nele podem entrar e das que não podem.

6

Transmite ao povo rebelde de Israel a seguinte mensagem do SENHOR Deus: “Ó povo de Israel, estou farto das coisas abomináveis, que vocês fizeram no passado!

7 Profanaram o meu templo, deixando que estrangeiros, pagãos que me não obedecem, entrassem no templo, quando a gordura e o sangue dos sacrifícios me estavam a ser oferecidos. Assim o meu povo quebrou as obrigações da minha aliança, fazendo todas essas coisas abomináveis.

8 Não cuidaram do ritual sagrado do meu templo; mas pelo contrário, entregaram-no a estrangeiros.

9 Por isso, eu, o SENHOR Deus, declaro que nenhum estrangeiro não circuncidado, ninguém que me desobedeça poderá entrar no meu templo, nem mesmo o estrangeiro que mora com o meu povo de Israel.”»

10

«Os levitas que, juntamente com o povo de Israel, me abandonaram e adoraram os ídolos, receberão o castigo merecido.

11 Podem servir-me no templo na qualidade de porteiros e cumprindo outras tarefas no templo; podem matar os animais que o povo oferecer para holocaustos e sacrifícios, e devem igualmente servir o povo.

12 Mas por terem dirigido o culto de ídolos em nome do povo de Israel, e dessa maneira terem induzido o meu povo a pecar, eu, o SENHOR Deus, declaro solenemente que serão castigados como merecem.

13 Não me devem servir como sacerdotes nem se devem aproximar de nada que me seja consagrado nem entrar no lugar santíssimo. E sofrerão cheios de vergonha o castigo por causa das coisas abomináveis que fizeram.

14 Encarrego-os unicamente dos serviços secundários, que são necessários para o funcionamento do templo.»

15

«Os sacerdotes da tribo de Levi, que são descendentes de Sadoc , não deixaram de me servir com fidelidade no templo, mesmo quando o resto do povo de Israel me voltou as costas a mim, seu SENHOR. Por isso, são eles que me devem servir e vir à minha presença, para me oferecer a gordura e o sangue dos holocaustos. Palavra do SENHOR!

16 Apenas eles devem entrar no meu templo, servir no meu altar e encarregar-se do serviço sagrado no templo.

17 Quando entrarem pela porta que leva ao átrio interior do templo, devem vestir-se de linho. Não devem usar nada feito de lã, quando estiverem de serviço no átrio interior ou no templo.

18 Para não suarem, devem usar turbantes de linho e calças de linho, sem cinto.

19 Antes de saírem ao átrio exterior, onde o povo se encontra, devem despir as roupas que usaram, quando estiveram de serviço no templo, e deixá-las nos lugares sagrados destinados para o efeito. Devem usar outras roupas a fim de não colocarem o povo em contacto com o vestuário sagrado .

20

Os sacerdotes não devem nunca rapar a cabeça nem deixar o cabelo ficar comprido. Devem cortá-lo normalmente.

21 Os sacerdotes não devem beber vinho antes de entrar no átrio interior.

22 Nenhum sacerdote deve casar-se com uma mulher divorciada; só pode casar com uma israelita solteira ou com a viúva de outro sacerdote.

23

Os sacerdotes devem ensinar o meu povo a distinguir entre o que é sagrado e o que não é; entre o que é ritualmente puro e o que não é.

24 Quando surgir uma disputa legal, os sacerdotes devem julgar e decidir o caso segundo as minhas leis. Devem celebrar as minhas festas religiosas, conforme as minhas leis e regulamentos; e devem guardar o sábado como dia santo.

25

Um sacerdote não deve tocar num cadáver, a menos que se trate dos seus pais, filhos ou irmãos, ou ainda de uma irmã solteira, porque ficaria ritualmente impuro.

26 Depois de se ter purificado de novo, deve esperar sete dias

27 e ir em seguida ao átrio interior do templo, para oferecer um sacrifício de purificação, a fim de que possa de novo servir no templo. Palavra do SENHOR!

28

Aos sacerdotes pertence o sacerdócio como a herança que se transmite de geração em geração. Os sacerdotes não devem possuir terras em Israel, pois eu sou para eles tudo aquilo de que eles necessitam.

29 As ofertas de cereais, as ofertas pelo perdão dos pecados e de reparação serão a comida dos sacerdotes; tudo o que me for destinado em Israel ficará para eles.

30 Os sacerdotes deverão receber o melhor das primeiras colheitas e de tudo o que me for oferecido ritualmente. Cada vez que vocês fizerem pão, devem dar ao sacerdote a melhor farinha, para que eu abençoe as vossas casas.

31 Os sacerdotes nunca devem comer aves nem animais que tenham tido uma morte natural, ou que tenham sido mortos por outro animal .»

45

1

«Quando a terra for repartida entre as tribos israelitas, uma parte do território deverá ser reservada para ficar consagrada ao SENHOR. Deverá ter doze quilómetros e meio de extensão e dez quilómetros de largo . Esse território deverá ser considerado sagrado.

2 Dentro da sua área, deve ficar um terreno quadrado, destinado ao templo, com duzentos e cinquenta metros de lado, rodeado por um espaço livre de vinte e cinco metros de largura.

3 Metade dessa área, ou seja um terreno de doze quilómetros e meio de extensão por cinco quilómetros de largo, deverá ser medido separadamente, para lá ficar situado o templo; é a área mais sagrada do país.

4 Será um lugar sagrado para todo o país, destinado aos sacerdotes que servem ao SENHOR no seu templo. Ali serão construídas as suas casas e também incluirá a área do templo.

5 A outra metade da área pertence aos levitas, que trabalham no templo. Ali ficarão situadas as povoações onde eles poderão habitar.

6 Neste território reservado ao SENHOR, haverá também uma área de doze quilómetros e meio de extensão e dois quilómetros e meio de largo, que deverá destinar-se a uma cidade onde todo o povo de Israel poderá habitar.

7

Deverá ainda ser destinado um terreno para o príncipe. Esse terreno irá desde o lado ocidental da área reservada ao SENHOR, para ocidente em direção ao mar Mediterrâneo; e desde o limite oriental, estender-se-á para o lado oriental do país, de maneira que a sua largura será a mesma de uma das áreas destinadas às tribos de Israel.

8 Assim os príncipes possuirão os seus domínios em Israel e não voltarão mais a oprimir o povo do SENHOR; antes deixarão o resto do país às tribos de Israel.»

9

«Eu, o SENHOR Deus, vos declaro, ó príncipes de Israel! Basta de opressão e injustiça! Renunciem à violência e à tirania. Pratiquem a justiça e a retidão! Nunca mais afastem o meu povo da sua terra. Palavra do SENHOR!

10 Devem servir-se apenas de balanças e medidas honestas:

11 o efá para os cereais equivale ao bat para os líquidos. Ambas as medidas serão a décima parte de um hómer, que será a medida de base .

12 A moeda de prata de um siclo equivalerá a vinte gueras. Sessenta siclos farão uma mina .

13

As vossas ofertas deverão ser feitas da seguinte maneira: devem dar uma medida em cada sessenta das vossas colheitas de trigo e de cevada

14 e um por cento do vosso azeite; meçam o azeite com um bat, que é a décima parte de um hómer e é igualmente a décima parte de um coro.

15 Quanto ao gado, deem um carneiro em cada duzentos. Trareis as ofertas de cereais, os animais para os holocaustos e os animais para os sacrifícios de comunhão, para que os vossos pecados vos sejam perdoados. Palavra do SENHOR!

16

Todos os habitantes do país deverão apresentar estas ofertas ao príncipe de Israel.

17 Este terá por obrigação fornecer o necessário para os holocaustos, para as ofertas de cereais e de vinho, durante as festas, em particular as do primeiro dia do mês, os sábados e outras ocasiões em que o povo de Israel se reúne. O príncipe deverá fornecer as ofertas pelo perdão dos pecados, as ofertas de cereais, os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, de modo a fazer expiação em favor do povo de Israel.

18

Eu, o SENHOR Deus ordeno que no primeiro dia do primeiro mês do ano , devem sacrificar-me um touro sem defeito, para purificação do templo.

19 O sacerdote tocará com o sangue da vítima nas ombreiras da porta do templo, sobre os quatro cantos do altar, e sobre as ombreiras das portas para o átrio interior.

20 No sétimo dia do mês, devem fazer a mesma coisa em favor dos que cometeram qualquer falta, sem intenção ou por ignorância. Dessa maneira, vocês conservarão puro o templo.

21

No décimo quarto dia do primeiro mês, começarão a celebrar a festa da Páscoa. Durante sete dias comerão pão sem fermento.

22 No primeiro dia da festa, o príncipe que estiver a governar oferecerá um touro como sacrifício pelos seus pecados e pelos de todo o povo.

23 Em cada um dos sete dias da festa, deve sacrificar ao SENHOR sete touros e sete carneiros, sem defeito, e oferecê-los em holocausto. Deve ainda sacrificar um cabrito por dia, como sacrifício para obter o perdão.

24 Para cada touro e cada carneiro a serem sacrificados, deve haver uma oferta de uns vinte litros de cereal e uns quatro litros de azeite.

25

Para a festa das Tendas, que começa no décimo quinto dia do sétimo mês , o príncipe oferecerá em cada um dos sete dias o mesmo sacrifício pelo pecado, os mesmos holocaustos, e as mesmas ofertas de cereal e de azeite.»

46

1

O SENHOR falou-me de novo e disse-me: «A porta principal que dá para o átrio interior deverá estar sempre fechada durante os seis dias de trabalho, mas deverá ser aberta ao sábado e na festa do primeiro dia do mês.

2 O príncipe virá do átrio exterior para o pórtico junto à entrada e permanecerá de pé junto à porta, enquanto os sacerdotes queimam os holocaustos e oferecem os sacrifícios de comunhão. Ali junto à porta, ele deve inclinar-se profundamente e em seguida sairá de novo. A porta não se deve fechar até à noite.

3 Cada sábado e no primeiro dia de cada mês, os habitantes devem ir ali adorar o SENHOR, inclinando-se em frente da porta .

4

Ao sábado, o príncipe levará ao SENHOR, em holocausto, seis cordeiros e um carneiro, sem defeito.

5 Juntamente com cada carneiro deve apresentar uma oferta de uns vinte litros de cereal, e com cada cordeiro trará a quantidade de trigo que achar por bem. Para cada oferta de cereal deve trazer uns quatro litros de azeite.

6 Na festa do primeiro dia do mês, ele oferecerá um touro, seis cordeiros e um carneiro, todos sem defeito.

7 Com cada touro e cada carneiro deve apresentar sempre uns vinte litros de cereal, e juntamente com cada cordeiro, a oferta será a quantidade de trigo que o príncipe achar por bem. Com cada oferta de cereal, serão oferecidos uns quatro litros de azeite.

8 O príncipe entrará e sairá pelo mesmo caminho, atravessando o pórtico perto da entrada.

9

Quando o povo me vier adorar, em todas as festas, aqueles que entrarem pela porta norte deverão sair pela porta sul e os que entrarem pela porta sul sairão pela porta norte. Ninguém deverá sair pela mesma porta por onde entrou, antes sairá pela porta do lado oposto.

10 O príncipe deve entrar também quando entrarem os israelitas, e sairá, quando eles saírem.»

11

«Nos dias de festa e nas ocasiões solenes, a oferta de cereal será de uns vinte litros por cada touro ou carneiro, além daquilo que o ofertante achar por bem dar, juntamente com cada cordeiro. Juntamente com cada oferta de cereal, devem oferecer-se uns quatro litros de azeite.

12

Quando o príncipe quiser apresentar uma oferta voluntária ao SENHOR, seja em holocausto seja em sacrifício de comunhão, a porta oriental que dá para o átrio interior ser-lhe-á aberta. Deverá apresentar a oferta da mesma maneira que o faz ao sábado, devendo a porta ser fechada, quando ele sair de novo.

13

Cada manhã, devem apresentar ao SENHOR em holocausto um cordeiro de um ano, sem defeito. Esta oferta deverá ser feita cada dia.

14 Farão ainda a oferta de cinco quilos de farinha, cada manhã, juntamente com dois litros de azeite, para misturar com a farinha. O regulamento para esta oferta diária ao SENHOR, será válido para sempre.

15 O cordeiro, a farinha e o azeite devem ser oferecidos ao SENHOR, cada manhã, para sempre.

16

Eu, o SENHOR Deus, ordeno igualmente que se o príncipe der parte da terra que possui, como presente a um dos seus filhos, ela pertencerá ao filho como parte da propriedade de família.

17 Mas se o príncipe der parte da sua terra a alguém que esteja ao seu serviço, essa terra voltará a fazer parte da propriedade do príncipe, quando chegar o ano da libertação . Então voltará a pertencer ao príncipe, pois apenas ele e os seus filhos têm o direito a possuí-la para sempre.

18 O príncipe não deve, por sua vez, apoderar-se da propriedade de nenhum habitante. Toda a terra que ele der aos filhos deve ser parte da sua própria terra, que lhe é destinada, pois ele não deve oprimir ninguém dentre o meu povo, apoderando-se das suas propriedades.»

19

Seguidamente o homem levou-me à entrada das salas voltadas para o norte, e que estão situadas perto da porta sul, no átrio interior. Estas salas são consagradas para uso dos sacerdotes. Ele apontou para um lugar, no lado ocidental das salas

20 e disse: «Este é o lugar onde os sacerdotes deverão cozer a carne dos animais oferecidos em sacrifício para obter o perdão e sacrifícios de reparação; ali devem comer também as ofertas de farinha, para que nada do que é sagrado seja levado para o átrio exterior, para que o povo não entre em contacto com o que é sagrado .»

21

Em seguida, levou-me ao átrio exterior e fez-me passar diante dos seus quatro cantos: em cada canto havia um átrio.

22 Estes quatro átrios eram pequenos e tinham todos as mesmas dimensões, ou seja, vinte metros de extensão e quinze metros de largo.

23 Cada sala tinha uma parede de pedra à volta, com fornos instalados contra a parede.

24 O homem disse-me: «Estas são as cozinhas onde os servos do templo deverão cozer a carne dos animais oferecidos em sacrifício pelo povo.»

47

1

O homem levou-me de volta para a entrada do templo. Reparei que havia água a brotar de debaixo da entrada e corria para oriente, ou seja, na direção em que a fachada do templo está orientada. A água corria para a parte sul do templo, passando pelo lado sul do altar.

2 O homem levou-me, em seguida, para fora da área do templo pela porta norte e conduziu-me à porta oriental. Ali uma pequena corrente de água corria para fora, do lado sul da porta.

3 O homem, com a cana de medir, mediu quinhentos metros de corrente de água, em direção ao oriente, e disse-me para atravessar essa corrente. A água chegava-me apenas aos tornozelos.

4 Seguidamente, mediu mais quinhentos metros e a água subiu-me até aos joelhos. Continuou mais quinhentos metros e a água subiu-me até à cintura.

5 Mediu mais quinhentos metros e o riacho era tão profundo que perdi o pé. Só era possível passá-lo a nado.

6 Então ele disse-me: «Ezequiel, toma nota de tudo isto.»

Em seguida o homem levou-me de volta à margem do rio

7 e, quando ali cheguei, vi que havia muitas árvores em ambas as margens.

8 Ele disse-me: «Esta água corre através do país, em direção ao oriente, e desce até ao vale do Jordão e ao mar Morto. Quando chegar ao mar Morto as suas águas mortas voltarão a ter vida.

9 Para onde correr esta torrente, ali haverá animais e peixe de toda a espécie; fará com que as águas do mar Morto tenham vida e por onde quer que passar fará aparecer vida.

10 Desde En-Guédi até En-Églaim, haverá doravante pescadores, estendendo as suas redes a secar à beira-mar. Haverá ali tanta variedade de peixe como no mar Mediterrâneo.

11 Porém nas salinas e lagoas, à beira-mar, a água não ficará doce. Ficarão com reserva de sal.

12 De cada margem do regato crescerão árvores de toda a espécie, que produzirão fruto em abundância. As suas folhas nunca secarão e o fruto não se acabará, pois as árvores darão uma produção cada mês, regadas como estão pela torrente que nasce do templo. O seu fruto servirá de alimento e as folhas de remédio para a Humanidade.»

13

O SENHOR Deus declara o seguinte: «Estas são as fronteiras do território que distribuí entre as doze tribos. Os descendentes de José devem receber o dobro do território .

14 Devem dividir em partes iguais todo o território que prometi solenemente aos vossos antepassados e será vossa como propriedade hereditária.

15 A fronteira norte irá desde o mar Mediterrâneo, passando pela estrada de Hetlon, até ao desvio para Hamat e Sedad;

16 depois passará pelas cidades de Berota e Sibraim, cidades essas que ficam entre o território do reino de Damasco e o de Hamat, e ainda por Haçar-Ticon, que fica junto à fronteira com Hauran.

17 Assim a fronteira norte irá desde o mar Mediterrâneo, a ocidente, até à vila de Haçar-Enan, a oriente e fará fronteira com os reinos de Damasco e de Hamat. Isto, quanto à fronteira norte.

18 A fronteira oriental sairá do local situado entre Damasco e Hauran, estender-se-á ao longo do vale do Jordão, entre a região de Guilead e o país de Israel, e irá até Tamar , junto ao mar Morto. Isto, quanto à fronteira oriental.

19 Ao sul, a fronteira irá desde Tamar, até ao oásis de Meriba de Cadés; e daí para noroeste, seguindo a ribeira do Egito até ao mar Mediterrâneo. Isto, quanto à fronteira sul.

20 A ocidente, o mar Mediterrâneo servirá de fronteira desde o sul até à altura do desvio para Hamat, ao norte. Isto, quanto à fronteira ocidental.

21

Devem dividir o país entre as vossas tribos.

22 Façam a distribuição do território por tiragem à sorte, sem esquecer os estrangeiros que vivem convosco e que já têm filhos nascidos no país. Essas pessoas deverão ser tratadas como israelitas, tal como os membros do povo, e receber a sua parte de território integrados nas tribos de Israel.

23 Os estrangeiros deverão receber a parte que lhes compete na tribo em que se fixarem. Palavra do SENHOR!»

48

1

«Eis agora o nome das tribos, juntamente com o território que lhes toca. O território de Dan ficará situado no extremo norte, junto à estrada que passa por Hetlon, até ao desvio para Hamat e Haçar-Enan, na fronteira com os reinos de Damasco e Hamat; irá da fronteira oriental até ao mar Mediterrâneo, a ocidente.

2 A toda a extensão da fronteira de Dan, do oriente ao ocidente, será situada a tribo de Asser;

3 ao lado de Asser, fazendo fronteira do oriente ao ocidente, ficará a tribo de Neftali;

4 fazendo fronteira com Neftali, ficará a tribo de Manassés;

5 junto a Manassés, ficará Efraim;

6 junto a Efraim, ficará Rúben;

7 e junto a Rúben, ficará a tribo de Judá.»

8

«A toda a extensão do território de Judá, desde a fronteira oriental até ao mar Mediterrâneo, a ocidente, será reservado um território que terá a mesma extensão que a de cada tribo, ou seja com doze quilómetros e meio de extensão. No centro desse território será construído o santuário.

9 O território reservado ao SENHOR terá doze quilómetros e meio de comprimento e dez quilómetros de largura.

10 Haverá uma parte deste território, destinado aos sacerdotes, que terá doze quilómetros e meio de extensão, na direção Este-Oeste, e cinco quilómetros, na direção Norte-Sul. Ao centro, será construído o santuário do SENHOR.

11 Essa área será sagrada e destinada aos sacerdotes, descendentes de Sadoc . Foram esses que me serviram com fidelidade e não seguiram o resto dos israelitas no mal que estes, bem como os restantes membros da tribo de Levi, fizeram.

12 Por conseguinte, a área deles ficará separada da área destinada aos levitas e será a mais sagrada de todas.

13 Os levitas deverão igualmente receber uma área sagrada, a sul da dos sacerdotes. Essa área terá também doze quilómetros e meio na sua extensão este-oeste, e cinco quilómetros na direção norte-sul.

14 A área dedicada ao SENHOR será a parte mais escolhida de todo o país e nenhuma parte dela poderá jamais ser vendida, nem trocada, nem transferida a outrem. É sagrada e pertence ao SENHOR.»

15

«Nesse território especial sobrará ainda um terreno de dois quilómetros e meio de largura e doze quilómetros e meio de comprimento. Essa área não será sagrada, antes se destinará à cidade e aos seus habitantes. A cidade ficará situada ao centro;

16 terá a forma quadrada com dois mil duzentos e cinquenta metros de lado.

17 À volta da cidade, nos seus quatro lados, haverá uma área aberta, de cento e vinte e cinco metros de largo.

18 O terreno que não for usado na construção da cidade, na área imediatamente a sul da parte sagrada, com cinco quilómetros por dois quilómetros e meio a este e cinco quilómetros por dois quilómetros e meio a oeste, será destinada à agricultura, para os habitantes da cidade.

19 Quem viver na cidade, seja de que tribo for, poderá colher do fruto dessa terra.

20 A área total do território reservado ao SENHOR, incluindo a área ocupada pela cidade, será a de um quadrado de doze quilómetros e meio de lado.

21 O resto será destinado ao príncipe. Os seus domínios ficarão situados a oriente e a ocidente da área reservada ao SENHOR e da área destinada à cidade. Terá doze quilómetros e meio do lado das outras partes, estender-se-á a oriente em direção da fronteira oriental e a ocidente, em direção ao mar Mediterrâneo, deixando no meio a parte reservada para o santuário e o templo.

22 A parte reservada aos levitas e à cidade ficará entre as duas áreas destinadas ao príncipe, limitadas a norte pelo território de Judá, e a sul pelo território de Benjamim.»

23

«O território das restantes tribos é o seguinte: o território de Benjamim irá da fronteira oriental até ao mar Mediterrâneo, a ocidente.

24 Fazendo fronteira com Benjamim, na extensão este-oeste, ficará a tribo de Simeão,

25 e a seu lado ficará Issacar;

26 ao lado de Issacar ficará Zabulão

27 e ao lado de Zabulão ficará o território de Gad.

28

A fronteira sul de Gad será a fronteira do país; irá de Tamar, a oriente, até ao oásis de Meriba de Cadés, continuando pela ribeira do Egito até ao mar Mediterrâneo.

29 Esta é a terra que devem repartir e o território que cada tribo de Israel deverá possuir no país. Palavra do SENHOR!»

30

«Estas são as saídas da cidade: do lado norte que mede dois mil duzentos e cinquenta metros,

31 as portas da cidade têm os nomes das tribos de Israel. As três portas a norte são as de Rúben, a de Judá e a de Levi .

32 A oriente, haverá também um muro de dois mil duzentos e cinquenta metros, com três portas: a porta de José, a de Benjamim e a de Dan.

33 Ao sul, haverá um muro com a mesma extensão e com três portas: a porta de Simeão, a de Issacar e a de Zabulão.

34 Finalmente, a ocidente, haverá um muro com a mesma extensão e também com três portas: a porta de Gad, a de Asser e a de Neftali.

35 O comprimento total dos muros à volta da cidade será de nove mil metros. E, doravante, o nome da cidade será “O SENHOR está ali.”»