1

1

Mensagem revelada por Deus a Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém, durante os reinados de Uzias, Jotam, Acaz e Ezequias, reis de Judá .


2
Céu e terra, escutem
e ouçam o que diz o SENHOR:
«Criei filhos e fi-los crescer,
mas eles revoltaram-se contra mim.

3
O boi reconhece o seu proprietário
e o burro, o estábulo do seu dono;
mas Israel não reconhece,
o meu povo não compreende.»

4
Ai de vós, nação pecadora,
povo cheio de crimes,
raça de malfeitores,
filhos desnaturados!
Abandonaram o SENHOR,
desprezaram o Santo de Israel
e voltaram-lhe as costas.

5
Para quê castigar-vos ainda mais,
se praticam traição sobre traição,
se toda a vossa cabeça está em chagas,
e o vosso coração sem coragem?

6
Desde a planta dos pés até à cabeça
não há nada sadio;
tudo são feridas, golpes e chagas abertas,
que ninguém curou nem tratou com ligaduras,
nem lhe aliviou as dores com azeite.

7
O vosso país parece um deserto,
com as vossas cidades devastadas pelo fogo;
os estrangeiros devoraram as vossas sementeiras na vossa frente.
Fica tudo devastado e destruído
como costumam fazer os estrangeiros.

8
Sião ficou só como uma cabana no meio da vinha,
ou como uma barraca em terra de melões,
tal como uma cidade cercada pelos inimigos.

9
Se o SENHOR Deus, todo-poderoso,
não tivesse poupado alguns de entre nós,
estaríamos agora como Sodoma e Gomorra.

10
Chefes de Sodoma, ouçam a palavra do SENHOR,
povo de Gomorra , escuta o ensinamento do nosso Deus.

11
O SENHOR diz:
«Por que é que me oferecem tantos sacrifícios?
Estou farto dos vossos holocaustos de carneiros
e da gordura dos vossos vitelos.
Já me repugna o sangue dos touros,
dos carneiros e dos cabritos.

12
Vêm à minha presença,
mas quem é que vos convidou
para entrarem no átrio do meu templo?

13
Não me tragam mais ofertas sem valor,
tal incenso é abominável para mim.
Já não suporto as festas inúteis que celebrais
pela lua nova, aos sábados e noutras assembleias solenes.

14
Detesto as vossas festas da Lua Nova
e as vossas solenidades fazem-me tanto nojo
que já não as suporto mais .

15
Quando levantam as mãos para orar,
eu desvio os meus olhos.
Bem podem multiplicar as vossas orações
que eu não as ouço,
porque as vossas mãos estão manchadas de sangue.

16

Lavem-se e purifiquem-se!
Afastem da minha vista as vossas maldades!
Não voltem a praticar o mal!

17
Aprendam a fazer o bem,
procurem fazer o que é justo,
ajudem os oprimidos,
protejam os órfãos
e defendam os direitos das viúvas .»

18

O SENHOR diz:
«Venham! Vamos discutir este assunto!
Mesmo que os vossos pecados tenham a cor escura da púrpura
hão de ficar brancos como a neve;
mesmo que sejam vermelhos como escarlate,
ficarão claros como lã.

19
Se aceitarem ser obedientes,
comerão os melhores produtos da terra;

20
mas se insistem em ser rebeldes,
é a espada que vos há de devorar!»
O SENHOR é quem o diz.

21
Como é possível que uma cidade fiel
se tivesse transformado numa prostituta ?
Antes estava cheia de lealdade e retidão,
mas agora só tem assassinos!

22
Eras prata e tornaste-te lixo;
eras bom vinho e foste adulterado.

23
Os teus governantes são rebeldes
e companheiros de bandidos.
Todos eles se deixam comprar por dinheiro
e fazem tudo para receberem presentes.
Não protegem o órfão
nem aceitam defender os direitos da viúva.

24

Por isso, declara o SENHOR,
o Deus todo-poderoso de Israel
«Basta! Ajustarei as contas com os meus adversários;
vingar-me-ei dos meus inimigos!

25

Tenho de erguer a minha mão contra ti,
e queimar o teu lixo na fornalha.
Tenho de te limpar de todas as tuas maldades.

26

Vou fazer com que os teus juízes e conselheiros
sejam justos como outrora.
Então serás chamada novamente
Cidade da Justiça, Cidade Fiel.

27

A cidade de Sião será salva pela prática da justiça
se os seus habitantes se mostrarem fiéis.

28

Mas os malvados e os pecadores serão destruídos,
todos os que abandonarem o SENHOR hão de morrer.

29

Hão de ter vergonha das árvores sagradas,
que eram do vosso agrado,
e desgosto dos vossos jardins preferidos .

30
E sereis como um carvalho de folhas secas
e como um jardim sem água.

31

Quem pensa ser forte é como a estopa
e todo o seu trabalho é uma fagulha:
ambos vão arder juntos
e ninguém poderá apagar o fogo.»

2

1

Mensagem revelada por Deus a Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém:


2
Dias virão em que a montanha
sobre a qual está o templo do SENHOR
ficará acima de todas as montanhas
mais alta do que qualquer outro monte;
e acorrerão a ela os povos de todas as nações,

3
em enorme multidão, exclamando:
«Vinde! Subamos à montanha do SENHOR,
ao templo do Deus de Jacob!
Ele nos ensinará o que devemos fazer,
para podermos cumprir a sua vontade.
Do monte de Sião, em Jerusalém,
é que o SENHOR nos ensina com a sua palavra.

4
Ele será o juiz entre as nações
e o árbitro nas questões entre os povos.
Então eles hão de converter as suas espadas em arados
e as suas lanças em foices .
Nenhum povo levantará a espada contra outro
nem voltarão a ser treinados para a guerra .

5
Vamos, povo de Jacob!
Caminhemos guiados pela luz do SENHOR!»

6
SENHOR, abandonaste o teu povo,
os descendentes de Jacob,
porque a nação está cheia de adivinhos orientais
e de magos à maneira dos filisteus
e abundam os filhos de estrangeiros .

7
O país está cheio de prata e ouro
e os seus tesouros são incontáveis.
Está também cheio de cavalos
e de carros de guerra sem fim.

8
O país está cheio de ídolos.
As pessoas adoram os deuses
que eles mesmos fabricaram
com as suas próprias mãos.

9
Todos os que assim procedem
serão abatidos e humilhados.
Não lhes perdoes, SENHOR!

10
Escondam-se no meio das rochas
e metam-se nas tocas da terra,
quando o SENHOR aparecer de rosto irado
e com o esplendor terrível da sua majestade.

11
Virá o dia em que os orgulhosos serão abatidos
e os soberbos humilhados.
Só o SENHOR será vitorioso!

12
Virá o dia em que o SENHOR todo-poderoso
vai humilhar aquele que é orgulhoso, soberbo e altivo;

13
todos os que pensam ser como os cedros do Líbano,
altos e magnificentes
ou como os carvalhos de Basã;

14
todos os que pensam ser como as altas montanhas
ou como as colinas elevadas;

15
todos os que pensam ser como as altas torres
ou como as muralhas inacessíveis;

16
todos os que pensam ser como os grandes navios de Társis
ou como os barcos de luxo.

17
O orgulho das pessoas será humilhado
e a sua altivez será esmagada.
Naquele dia, só o SENHOR será vitorioso.

18
E todos os ídolos desaparecerão.

19

Escondam-se nas cavernas das rochas
e nos buracos da terra,
quando o SENHOR aparecer com o rosto irado
e com o esplendor terrível da sua majestade,
quando ele se levantar, enchendo a terra de terror.

20
Naquele dia, todos lançarão aos ratos e aos morcegos
os seus ídolos de ouro e prata,
que fabricaram para adorarem;

21
irão enfiar-se nos buracos das rochas
e nas fendas dos penhascos,
para se esconderem do SENHOR que aparece de rosto irado
e com o esplendor terrível da sua majestade,
quando ele se levantar, enchendo a terra de terror.

22
Deixem, pois, de confiar no homem!
Ele não é mais que um sopro .
Que valor tem ele, então?

3

1

Prestem atenção! O SENHOR, Deus todo-poderoso
vai retirar a Jerusalém e a Judá
toda a espécie de assistência e apoio.
Vai retirar-lhes o pão e a água,

2
os guerreiros e os homens de armas,
os juízes, os profetas, os adivinhos e os anciãos,

3
os capitães e os aristocratas,
os conselheiros, artesãos e magos
e os peritos em encantamentos.

4
E, para chefes, o Senhor há de dar-lhes
autênticas crianças sem experiência,
que os governarão ao acaso.

5
As pessoas vão maltratar-se umas às outras,
até mesmo os próprios amigos.
Os jovens hão de atirar-se contra os velhos
e os plebeus contra os nobres.

6

Até entre os parentes
e gente da mesma família se há de dizer:
«Tu, que ainda tens um manto para te cobrires,
sê o nosso chefe,
assume o comando deste caos.»

7
Mas o outro responder-lhe-á:
«Eu não posso remediar.
Em minha casa não tenho comida nem roupa;
não me façam chefe de ninguém.»

8
Jerusalém, de facto, está num caos
e Judá caiu em ruínas,
porque tudo o que faziam e diziam era contra o SENHOR,
insultando-o na sua própria presença.

9
Até o aspeto do seu rosto os acusa.
Não ocultam os seus pecados,
como Sodoma, mostram-nos publicamente.
Ai deles! Pois provocaram a sua própria desgraça!

10

Pensem nisto: o justo é que é feliz
porque receberá o fruto das suas ações.

11
Ai do mau, porque terá o mal!
Será tratado segundo as suas obras.

12
Um rapazito é o tirano do meu povo
e os que o governam são como mulheres .
Ó meu povo, os teus dirigentes enganam-te,
e desviam-te do caminho que devias seguir.

13

O SENHOR já se levanta para o julgamento,
e está pronto para pedir contas ao seu povo .

14
Ele vai chamar a tribunal os conselheiros
e os chefes do seu povo:
«Devoraram a minha vinha ,
e guardam em casa os despojos que roubaram aos pobres.

15
Com que direito oprimem o meu povo
e calcam aos pés a dignidade dos pobres?»
É o SENHOR todo-poderoso quem o declara!

16
O SENHOR diz:
«Vejam como as mulheres de Sião são orgulhosas!
Andam de cabeça emproada,
lançam olhares desavergonhados,
caminham a passo afetado,
fazendo ouvir as argolas dos seus pés.»

17
O Senhor rapará a cabeça das mulheres de Sião
e elas ficarão sem cabelo e envergonhadas .

18

Naquele dia,
o Senhor fará desaparecer todos os adornos:
os adornos dos pés, os colares
em forma de sol e de lua;

19
os brincos, as braceletes e os véus,

20
as fitas da cabeça, as argolas dos pés,
os cintos, os talismãs e os amuletos;

21
os anéis, os adornos do nariz,

22
os vestidos de festa, os mantos,
os xailes e as bolsas de mão,

23
os espelhos e as musselinas,
os turbantes e as mantilhas .

24
E então, em vez de perfume haverá mau cheiro;
em vez duma cinta, uma corda;
em vez de elegantes tranças, a cabeça rapada;
em vez de vestidos finos, roupa grosseira;
em vez de beleza, uma horrível cicatriz .

25

Os teus homens cairão na guerra,
os teus guerreiros morrerão na batalha.

26
Às tuas portas hão de ouvir-se choros e lamentos
e tu hás de sentar-te na terra, desolada.

4

1

Naquele dia, sete mulheres
hão de agarrar-se a um só homem e dizer-lhe:
«Nós mesmas arranjaremos
a nossa alimentação e vestidos.
Mas deixa-nos usar o teu nome como esposas,
para não vivermos envergonhadas.»

2
Naquele dia,
aquilo que o SENHOR fará germinar
será a honra e a glória
dos que ficaram com vida em Israel.
O que a terra produzir será o seu orgulho e honra.

3
Os que ficarem com vida no monte de Sião,
todos os sobreviventes de Jerusalém,
serão chamados «povo santo de Deus».
Os seus nomes figuram na lista,
para viver em Jerusalém.

4
O Senhor vai lavar as imundícies de Sião
e os crimes de sangue em Jerusalém
com o seu vento justiceiro, como furacão devorador.

5
Sobre todos os lugares do monte Sião
e sobre todos quantos lá se reúnem,
o SENHOR manifestará os sinais da sua presença:
uma nuvem durante o dia,
fumo denso e clarão de fogo durante a noite .
É que a glória do SENHOR a todos há de proteger

6
como uma tenda que dá sombra nos dias de calor,
como um abrigo contra a tempestade e a chuva.

5

1

Quero cantar para o meu melhor amigo
o canto que ele dedicou à sua vinha.

Sobre uma colina verdejante,
tinha o meu amigo uma vinha .

2
Remexeu a terra, limpou-a das pedras,
e depois plantou-a do melhor bacelo.
No meio construiu uma torre de guarda
e fez lá também um lagar de pedra.
Esperava que ela lhe desse boas uvas,
mas só deu uvas amargas.

3

E agora, habitantes de Jerusalém e gente de Judá,
digam lá quem é que tem a culpa:
sou eu ou é a minha vinha?

4
Poderia eu fazer mais pela minha vinha,
depois de tudo o que eu fiz?
Por que é que então só deu uvas amargas,
quando eu esperava que desse uvas boas?

5

Pois bem, vou dizer-vos
o que penso fazer à minha vinha:
vou desfazer-lhe a sebe, para que seja destruída,
e fazer uma brecha no muro, para que seja calcada.

6
Vai ficar completamente abandonada,
pois nem será podada nem cavada.
Então os espinhos e a erva daninha hão de crescer,
e proibirei as nuvens
que derramem chuva sobre ela.

7

A vinha do SENHOR, o Todo-Poderoso,
sois vós, israelitas;
e a sua terra preferida
sois vós, gente de Judá.
O SENHOR esperava de vós honestidade,
mas só há crueldade;
esperava justiça,
mas só há gritos de injustiça .

8
Ai de vós, que arranjais casas e mais casas,
e que comprais campos e mais campos,
até se tornarem senhores absolutos
de todos os lugares do país.

9
Mas eu ouvi o SENHOR todo-poderoso a dizer:
«Muitas casas serão destruídas,
e embora sejam grandes e belas
ninguém as habitará.

10
Três hectares de vinha
não darão mais que um pequeno barril de vinho,
e dez medidas de semente
só produzirão uma.»

11

Ai daqueles que se levantam cedinho,
para logo se embriagarem,
e até altas horas da noite
se aquecem com o vinho.

12
Embebedam-se ao som das harpas e da lira,
dos tamborins e das flautas.
Por isso, não reparam nas obras do SENHOR,
nem veem o que as suas mãos realizam.

13
Por isso, o meu povo será deportado,
porque não compreende nada.
Os seus nobres vão morrer de fome
e a gente simples vai morrer de sede.

14
Eis que o abismo da morte alargou as suas goelas
e abriu a sua boca enorme.
Os nobres e o povo simples para lá resvalam
entre tumultos e festejos.

15
Toda a gente terá de se dobrar e humilhar,
e os arrogantes terão de inclinar-se.

16
O SENHOR do Universo será vitorioso,
o Deus santo mostrará a sua santidade
por este julgamento e por esta justiça.

17
Os cordeiros pastarão nas ruínas da cidade
como se fosse nos seus prados,
e os cabritos de engorda
procurarão aí a sua comida.

18

Ai dos que puxam a culpa com as cordas da maldade,
e o pecado com sogas de carro de bois.

19
Eles dizem: «Que o SENHOR se despache, sem demora,
para podermos ver a sua obra:
que o plano do Santo de Israel aconteça rapidamente,
para o podermos comprovar.»

20

Ai dos que chamam ao mal, bem e ao bem, mal,
que tratam as trevas como luz e a luz como trevas,
que têm o amargo por doce e o doce por amargo .

21

Ai dos que se tomam por sábios
e pensam ser inteligentes!

22

Ai dos valentes a beber vinho
e dos espertos em preparar bebidas fortes.

23

Eles subornam o culpado em troca dum presente,
e recusam ao inocente a sua justiça.

24
Por isso, como a língua de fogo consome o restolho
e a palha é devorada pela chama,
as suas raízes ficarão podres
e os seus rebentos voarão como o pó fino.
É que eles rejeitaram o ensino do SENHOR do Universo,
e desprezaram a palavra do Santo de Israel.

25
Por isso, o SENHOR se volta, irado, contra o seu povo
e estende a mão para o ferir.
Tremem os montes;
os cadáveres das vítimas
jazem nas ruas, como se fosse estrume.
Mas ainda assim, a cólera do SENHOR não se aplaca,
e a sua mão continua ameaçadora.

26

Ele levantará um estandarte
para chamar uma nação distante ;
vai assobiar-lhe para os confins da terra.
E eis que ela se apressa e chega rapidamente.

27
Nenhum se sente cansado nem coxo;
nenhum cabeceia de sono, nem dorme;
nenhum desaperta o seu cinto,
nem desata a correia das sandálias.

28
As suas flechas estão aguçadas
e todos os arcos bem puxados;
os cascos dos seus cavalos são duros como pedra,
e as rodas dos carros parecem um turbilhão.

29
Mais parece o rugido duma leoa
junto com o rugido das suas crias.
Aos gritos, eles agarram a presa e seguram-na bem
e ninguém lha consegue tirar.

30

Naquele dia,
o rugido do inimigo contra este país
será como o rugir do mar.
Olharão para a terra,
mas só haverá trevas espessas;
as nuvens sombrias obscurecem a luz do dia.

6

1

No ano em que morreu o rei Uzias tive uma visão em que vi o Senhor sentado num trono muito alto. A cauda do seu manto enchia o templo.

2 Havia serafins junto dele, para o servirem. Cada um tinha seis asas: com duas cobriam a cara, com duas cobriam o corpo e com duas voavam.

3 E clamavam uns para os outros:

«Santo, Santo, Santo
é o SENHOR do Universo!
Toda a terra está cheia da sua glória .»

4

A voz deles fazia tremer as portas nos gonzos e o templo encheu-se de fumo.

5 Então eu disse:

«Ai de mim, estou perdido !
Sou um homem de lábios impuros,
que vive no meio dum povo de lábios impuros,
e vi com os meus olhos o rei, o SENHOR do Universo.»

6

Voou então para mim um dos serafins com uma brasa na mão que tinha tirado do altar com uma tenaz.

7 Com ela, tocou-me na boca e disse:

«Olha bem! Isto tocou os teus lábios.
A tua culpa desapareceu,
o teu pecado fica perdoado.»

8

Então ouvi a voz do Senhor a perguntar:

«Quem vou enviar?
Quem irá por nós?»
Eu respondi: «Aqui estou eu! Envia-me a mim.»

9
Ele retomou a palavra:
«Vai dizer a este povo:
Ouçam com os vossos ouvidos, que não entendereis;
vejam com os vossos olhos, que não compreendereis.

10
Torna o coração deste povo insensível,
endurece-lhe os ouvidos e cega-lhe os olhos:
que os seus olhos não vejam,
que os seus ouvidos não ouçam,
que o seu coração não entenda,
para que não se voltem para mim e fiquem curados .»

11

Então eu perguntei:

«Até quando, Senhor?»

Ele respondeu-me:

«Até que as cidades fiquem devastadas e desabitadas,
as casas sem gente e os campos como desertos.

12
O SENHOR mandará para longe os homens,
e muitas terras do país ficarão abandonadas.

13
Se ainda ficar uma décima parte da população,
também esses serão arrasados.
Serão como o carvalho ou o terebinto
que apenas deitam um rebento quando são cortados.
Mas desse rebento crescerá de novo o povo de Deus.»

7

1

No tempo em que Acaz, filho de Jotam e neto de Uzias, era rei de Judá, aconteceu que o rei da Síria, chamado Recin e o rei de Israel, chamado Peca, que era filho de Remalias, vieram atacar a cidade de Jerusalém. Mas não a conseguiram conquistar .

2

Acaz e a sua corte foram informados de que os arameus tinham acampado em Efraim. O rei e o seu povo, perante a notícia, ficaram com o coração em sobressalto e agitados, como as árvores da floresta pelo vento.

3

O SENHOR disse então a Isaías: «Vai ter com o rei Acaz e leva contigo o teu filho Chear-Jachub . Ele encontra-se no extremo do canal da piscina superior, na direção da calçada do Lavadouro

4 E dir-lhe-ás: “Está atento e tem calma. Não tenhas medo nem te acobardes, por causa da cólera de Recin, o arameu, e do filho de Remalias. Não são mais que dois tições fumegantes.

5 De facto, a Síria, Peca e as tropas de Efraim resolveram acabar contigo, pois disseram:

6 Avancemos contra Judá, vamos sitiá-la, obrigá-la a render-se a nós e instalemos como rei o filho de Tabiel .”


7
Mas eis o que diz o SENHOR Deus:
“Tal coisa não acontecerá:

8
Damasco é a capital da Síria,
e Recin é quem manda em Damasco.
Daqui a sessenta e cinco anos
Efraim deixará de ser um povo.

9
Samaria é a capital de Efraim
e Peca, o filho de Remalias, só manda em Samaria.
Se não acreditarem, não estarão seguros!”»

10

O SENHOR mandou Isaías levar outra mensagem a Acaz:

11 «Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, venha ele do fundo do abismo ou do alto do céu.»

12

Mas Acaz respondeu: «Não farei tal coisa, não quero provocar o SENHOR.»

13

Isaías disse-lhe então: «Ouve-me bem, herdeiro da dinastia de David ! Não vos basta cansarem a paciência dos homens, para cansarem também agora a paciência do meu Deus?

14 Pois bem, é o próprio Senhor que vos vai dar um sinal: a jovem mulher está grávida e vai dar à luz um filho e pôr-lhe-á o nome de Emanuel .

15 Comerá requeijão e mel, até chegar à idade de saber rejeitar o mal e escolher o bem.

16 Mas antes que a criança saiba rejeitar o mal e escolher o bem, o território dos dois reis que tu tanto temes será abandonado pelos seus habitantes.»

17

«O SENHOR fará vir para ti, para o teu povo e para a tua dinastia dias tais como não houve desde que Efraim se separou de Judá. É a invasão do rei da Assíria.


18
Vai chegar o dia em que o SENHOR,
com um assobio, fará vir as moscas
dos confins do delta do Egito
e as abelhas da terra da Assíria.

19
Virão e pousarão todas juntas
nos vales escarpados e nas fendas das rochas,
em todos os matos e em todos os bebedouros.

20
Num destes dias,
o Senhor alugará uma navalha
do outro lado do rio Eufrates
isto é, o rei da Assíria,
e rapará a vossa cabeça,
a vossa barba e todos os pelos do vosso corpo .

21
Nesses tempos,
cada um criará uma vaca e duas ovelhas;

22
haverá tão grande abundância de leite
que a alimentação será de requeijão.
Todos os que ficarem no país
hão de comer requeijão e mel.

23
Nesses tempos,
uma vinha com mil cepas
no valor de mil moedas de prata,
produzirá silvas e cardos.

24

Só se poderá entrar no país com arcos e flechas,
porque estará coberto de silvas e cardos.

25

As colinas que antes eram cultivadas à enxada
e onde não havia perigo de alastrarem silvas e cardos,
apenas servirão para pasto dos bois,
para serem pisadas pelos carneiros .»

8

1

O SENHOR disse-me: «Pega num pedaço de barro grande e devidamente preparado e escreve em carateres correntes: Para aquele que tem o nome de Pronto-para-o-Saque-Rápido-para-a-Presa .»

2 Mostrei o escrito a duas testemunhas dignas de fé, o sacerdote Urias e Zacarias, filho de Berequias.

3 Uni-me então à profetisa, minha mulher; ela ficou grávida e deu à luz um filho. E o SENHOR ordenou-me: «Põe-lhe o nome de Pronto-para-o-saque-Rápido-para-a-presa.

4 Ainda antes que o menino saiba dizer “papá, mamã”, as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria serão levados ao rei da Assíria.»


5
O SENHOR disse-me ainda:

6
«Este povo despreza as águas do canal de Siloé ,
que correm mansamente,
e preferem a arrogância dos dois reis,
Recin e o filho de Remalias.

7

Por isso, o Senhor fará cair sobre vós,
as torrentes abundantes e violentas do rio Eufrates,
isto é, o rei da Assíria com todo o seu poder.
O Eufrates sairá do seu leito
e transbordará das suas margens.

8
As suas águas invadem Judá,
inundam e transbordam
até chegarem ao pescoço.
As suas margens estender-se-ão
até abrirem a vastidão da tua terra,
ó Emanuel !

9
Tremam, ó povos, pois sereis derrotados;
estejam atentas, nações longínquas;
armem-se bem, pois sereis esmagadas;
armem-se bem, sereis sempre esmagadas.

10
Tracem planos, que sairão frustrados;
pronunciem ameaças que não se realizarão,
porque Deus está connosco .»

11
Assim me falou o SENHOR, agarrando-me pela mão
e afastando-me do caminho deste povo:

12
«Não acreditem em conspiração,
quando este povo fala de conspiração,
não temam o que ele teme,
nem se assustem.

13
Quem devem tratar como santo é ao SENHOR, todo-poderoso;
é a ele que devem respeitar,
é ele que vos deve inspirar temor.

14
Ele será uma pedra de tropeço e um precipício,
para os dois reinos de Israel:
será uma armadilha, uma cilada
para os habitantes de Jerusalém.

15
Muitos tropeçarão nela,
cairão e serão despedaçados,
serão apanhados na armadilha e não poderão livrar-se.»

16

Guardo a mensagem, selo as instruções e confio-as apenas aos meus discípulos.

17 Espero no SENHOR, que por agora ocultou o seu rosto aos descendentes de Jacob. Espero pacientemente nele.

18 Eu próprio e os filhos que o SENHOR me deu serviremos de sinal e presságio para Israel, em nome do SENHOR do Universo, que habita no monte Sião .

19

Certamente que vos dirão: «Consultem os espíritos dos mortos e os adivinhos que murmuram e segredam. Não é normal que um povo consulte os seus deuses e interrogue os mortos acerca dos vivos,

20 para receberem instruções com garantia?» Certamente hão de falar dessa maneira. Mas para esses não haverá manhã .


21
hão de vaguear pelo país, oprimidos e esfomeados.
Agastados pela fome,
amaldiçoarão o seu rei e o seu Deus;
levantarão os olhos para o céu

22
e, depois, olharão para a terra.
Encontrarão apenas aflição e trevas,
escuridão opressora e noite sem saída.

23
Não haverá mais escuridão para o país em angústia.
Em tempos passados, o SENHOR humilhou
a região de Zabulão e a de Neftali .
Mas no futuro, cobrirá de glória
o caminho ao longo do mar
o país a leste do Jordão
e a Galileia dos estrangeiros.

9

1

O povo que caminhava nas trevas
viu uma grande luz;
habitavam numa terra de sombras
e uma luz brilhou para eles.

2
Acrescentaste a alegria, ó SENHOR,
aumentaste o júbilo.
Rejubilam diante de ti
como se alegram no tempo das ceifas,
como rejubilam ao repartirem os despojos.

3
Tal como outrora com o jugo dos madianitas ,
também agora quebras o jugo da opressão
que pesa sobre o teu povo,
a vara que lhes rasga os ombros
e o bastão do capataz de trabalhos forçados.

4
A bota inimiga que pisa o solo com arrogância
e a capa enrolada , tingida de sangue,
serão queimadas e pasto do fogo.

5
É que um menino nos nasceu,
um filho nos foi dado.
Deus colocou a soberania sobre os seus ombros.
Os seus títulos são:
Conselheiro maravilhoso,
Deus forte, Pai para sempre,
Príncipe da paz.

6
Ele vai alargar o seu domínio
e governar em paz total,
sobre o trono de David e sobre o seu reino.
Vai estabelecê-lo e consolidá-lo
com a justiça e o direito,
desde agora e para sempre.
É isto mesmo o que vai realizar
o SENHOR do Universo, com todo o zelo.

7
O Senhor lançou a sua sentença
contra os descendentes de Jacob,
ela caiu sobre o reino de Israel .

8
Todo o povo a há de ouvir,
o reino de Efraim e os habitantes da Samaria.
Eles dizem com soberba e presunção:

9
«Se caíram os tijolos,
reconstruiremos com pedras lavradas;
se deitaram abaixo as vigas de sicómoro,
substituí-las-emos por vigas de cedro.»

10
O SENHOR fez que surgisse contra eles
o seu inimigo Recin .
Atiçou os seus adversários,

11
os arameus pela frente
e os filisteus por detrás.
Eles devoraram Israel à boca cheia.
E apesar disto, a ira do SENHOR não se acalma,
a sua mão continua ameaçadora.

12

Mas o povo não se converteu a Deus, que o castigava,
não procurou o SENHOR do Universo.

13
Então num só dia,
o SENHOR cortou em Israel a cabeça e a cauda
a palma e o junco.

14
O ancião e o nobre são a cabeça,
os falsos profetas são a cauda.

15
Os dirigentes do povo enganam-no,
e os dirigidos são totalmente esmagados.

16
Por isso, o Senhor não se alegra com os jovens,
e não tem compaixão dos órfãos e viúvas.
São todos ímpios e maus;
tudo quanto dizem é infame.
E apesar disto, a ira do Senhor não se acalma,
a sua mão continua ameaçadora.

17

A maldade está a arder como um fogo,
que consome silvas e cardos;
o fogo toma conta das árvores da floresta
e levanta para o céu colunas de fumo.

18
O país está em chamas
devido à cólera do SENHOR do Universo:
o povo é pasto das chamas.
Ninguém tem compaixão do seu próximo.

19
Cortam um pedaço à direita
e continuam com fome,
devoram um outro pedaço à esquerda
e não ficam saciados.
Cada um devora os seus próprios parentes.

20
A tribo de Manassés está contra a de Efraim
e esta contra a de Manassés,
e as duas juntas contra a de Judá.
E, apesar disto, a ira do Senhor não se acalma,
a sua mão continua ameaçadora.

10

1

Ai dos que decretam leis injustas,
dos que escrevem leis que geram a miséria!

2
Retiram do tribunal as reivindicações dos fracos,
e privam dos seus direitos os pobres do meu povo.
As viúvas servem-lhes de presa
e exploram os órfãos .

3

Quando o SENHOR intervier,
quando a tempestade chegar de longe,
que podereis fazer?
A quem ireis pedir auxílio?
E onde ireis esconder as vossas riquezas?

4
Sereis humilhados como prisioneiros,
caindo por terra com os que morrem.
E, apesar disto, a ira do SENHOR não se acalma,
a sua mão continua ameaçadora.

5
O SENHOR diz: «Ai da Assíria , vara da minha ira
e bastão do meu furor !

6
Enviei-a contra uma nação infiel,
mandei-a contra o povo que me irritou,
para recolher os despojos e fazer a pilhagem,
para o calcar aos pés como barro da rua.

7

Mas não foi assim que os assírios pensaram;
o seu coração tinha outros propósitos.
A sua ideia era aniquilar e exterminar
todas as nações que pudessem.

8
Diziam: “Porventura os chefes dos meus exércitos
não valem tanto como os reis dos outros?

9
Não aconteceu à cidade de Calno
o mesmo que à de Carquémis?
E não acabei com Hamat como com Arpad,
com a Samaria como com Damasco ?”

10
A minha mão conquistou aqueles reinos de ídolos,
cujas imagens são mais ricas
que as de Jerusalém e Samaria.

11
O que fiz com a Samaria e seus deuses,
hei de fazer também com Jerusalém e seus ídolos?»

12

Quando o Senhor acabar a sua tarefa no monte Sião e em Jerusalém, castigará o orgulho do rei da Assíria e a arrogância do seu olhar insolente.

13 Ele dizia:

«Tudo quanto fiz é devido à minha força
e ao meu saber, pois sou inteligente.
Acabei com as fronteiras entre as nações,
saqueei os seus tesouros
e destronei, como um herói, os seus reis.

14
Como se mete a mão num ninho,
assim arrecadei as riquezas dos povos;
como quem apanha ovos abandonados,
assim apanhei eu toda a terra.
E não houve ninguém que batesse as asas
ou abrisse a boca para protestar.»

15

Será que o machado se envaidece contra quem o usa?
E a serra vangloria-se contra quem a maneja?
É como se o pau manejasse a quem o segura,
e a vara levantasse quem é mais do que ela.

16

Por isso, o SENHOR Deus, todo-poderoso,
fará com que definhem os fortes guerreiros da Assíria.
E que em vez de glória, a febre os consuma como fogo ardente.

17
A luz de Israel converter-se-á num fogo,
o seu Santo será uma chama,
que destruirá e queimará
os cardos e as silvas, num só dia.

18
A beleza das suas florestas e pomares
será totalmente consumida,
como um homem minado pela doença.

19
Apenas algumas árvores ficarão
na floresta da Assíria , mas tão poucas
que até uma criança as poderá contar.

20
Naquele dia, o resto de Israel ,
os sobreviventes do povo de Jacob,
não voltarão mais a apoiar-se em quem os castigava;
vão apoiar-se, sim, no SENHOR, o Santo de Israel .

21

Um resto voltará;
um resto do povo de Jacob
voltará para o Deus forte.

22
Mesmo que a tua população, ó Israel,
fosse numerosa como as areias da praia,
apenas um resto voltaria para o SENHOR.
A destruição está decretada,
a sentença está ditada.

23

O SENHOR, o Deus do Universo, cumprirá em toda a terra a destruição que decidiu .

24

Por isso, assim fala o SENHOR, Deus do Universo:

«Meu povo, que habitas em Sião, não temas a Assíria, embora te castigue com a vara e levante o seu pau contra ti, como fizeram outrora os egípcios.

25 Dentro de muito pouco tempo a minha ira vai destruí-los, o meu furor acabará com eles.»

26

O SENHOR do Universo levantará contra a Assíria o seu chicote, como fez contra os madianitas no rochedo de Oreb ; erguerá o seu bastão contra o mar, como fez contra os egípcios.


27
Naquele dia,
ele tirará dos teus ombros a carga pesada
e do teu pescoço o jugo torcido.
Em vez do jugo haverá abundância.

28
O inimigo avança sobre Aiat ,
atravessa Migron e revista as armas em Micmás.

29
Atravessa o desfiladeiro;
Guebo serve-lhe de acampamento.
A cidade de Ramá treme de medo
e Guibeá, a cidade de Saul, põe-se em fuga.

30

Gritem forte, gente de Galim,
escutem, habitantes de Laís; respondam, povo de Anatot.

31
Mademena pôs-se a salvo
e os habitantes de Guebim puseram-se em fuga.

32
Mais um dia e o inimigo estará em Nob ,
e já estende a mão para o monte Sião,
a colina de Jerusalém.

33
Vejam como o SENHOR, Deus do Universo,
lança por terra a ramagem à machadada;
os troncos mais fortes serão abatidos,
os ramos mais altos derribados.

34
Cortará as árvores da floresta com o machado
e o Líbano com o seu esplendor cairá por terra.

11

1

Um novo ramo sairá do tronco de Jessé ,
e da sua raiz brotará um rebento.

2
Sobre ele repousará o Espírito do SENHOR:
espírito de sabedoria e entendimento
espírito de conselho e valentia,
espírito de conhecimento e de respeito pelo SENHOR.

3
Viverá inteiramente para honrar o SENHOR.
Não julgará segundo as aparências,
nem dará sentenças pelo que ouve dizer.

4
Defenderá com justiça os fracos
e com retidão, os pobres do país.
A sua palavra, como uma vara, castigará o país,
condenando à morte os malvados.

5
A justiça e a verdade serão a cintura
com que ele se aperta continuamente.

6
Então o lobo habitará com o cordeiro,
o leopardo deitar-se-á junto do cabrito,
o vitelo e o leão pastarão juntos;
até uma criança pequena os conduzirá.

7
A vaca pastará com o urso,
as suas crias deitar-se-ão juntas,
e o leão comerá erva com o boi.

8
O bebé brincará na toca da cobra,
e a criança meterá a mão no buraco da víbora.

9
Não haverá mais mal nem destruição
em todo o meu Monte Santo,
porque o conhecimento do SENHOR encherá o país,
tal como as águas enchem o mar .

10
Naquele dia,
um descendente de Jessé
será como uma bandeira levantada para os povos:
as nações virão procurá-lo
e será gloriosa a sua morada .

11
Naquele dia,
o Senhor estenderá outra vez a sua mão
para resgatar o resto do seu povo:
os que sobreviveram da Assíria e do Egito,
de Patros, de Cuche, do Elam, da Mesopotâmia, de Hamat
e das ilhas.

12

Levantará uma bandeira para que as nações saibam
que ele vai reunir os exilados de Israel
e reagrupar os judeus dispersos
dos quatro cantos da terra.

13
Então acabará a inveja de Efraim
e os inimigos de Judá serão destroçados.
Efraim não terá inveja de Judá,
nem Judá se voltará contra Efraim .

14
Correrão lado a lado contra os filisteus, a Ocidente,
bem unidos, pilharão as tribos do Oriente.
Edom e Moab cairão nas suas mãos,
e os amonitas tornar-se-ão seus súbditos.

15
O SENHOR secará o golfo do mar do Egito,
e ameaçará o Eufrates com a sua mão levantada.
Com o seu sopro poderoso,
atacará os seus sete canais,
de modo a poderem ser atravessados a pé.

16
E haverá um caminho plano para o resto do seu povo
que sobreviver da Assíria,
tal como aconteceu com os israelitas,
quando saíram do Egito.

12

1

Naquele dia cantarás:
«Eu te dou graças, SENHOR,
porque estavas irado contra mim,
mas a tua ira acabou e tu confortaste-me.

2
Este é o Deus que me salvou:
sinto-me confiante e sem medo,
porque a minha força e coragem é o SENHOR.
Ele foi a minha salvação.»

3

Ireis às fontes da salvação
buscar a água com alegria.

4
Naquele dia, direis:
«Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome,
anunciai a todos os povos os seus prodígios
proclamai como o seu nome é grande.

5
Cantai ao SENHOR, porque fez grandes coisas,
dai-as a conhecer por toda a terra.»

6
Mostra a tua alegria e júbilo, habitante de Sião!
Como é grande no meio de ti o Santo de Israel!

13

1

Mensagem contra a Babilónia , revelada por Deus a Isaías, filho de Amós.


2
Sobre uma montanha pelada coloquem uma bandeira,
gritem forte aos guerreiros,
façam-lhes sinais com as mãos,
para que entrem pelas portas dos príncipes.

3
Eu mesmo dei ordens aos meus consagrados,
recrutei os soldados da minha vingança,
os defensores entusiastas da minha honra.

4
Escutem este ruído sobre as montanhas,
como se fosse o duma multidão imensa.
Escutem o tumulto de reinos e nações reunidos.
Aí vem o SENHOR do Universo
passar revista ao seu exército
que vai para o combate.

5
Eles vêm dum país longínquo,
dos confins do horizonte:
é o SENHOR que vem com aqueles de que ele se serve,
para devastar toda a terra com furor.

6
Gritem de dor, porque o dia do SENHOR está perto,
como um desastre do Deus devastador .

7
Por isso, os braços desfalecerão
e todos os homens perderão a coragem.

8
Eles estão desmoralizados,
apanhados pelo terror e pela angústia.
Torcem-se como a mulher que dá à luz.
Olham uns para os outros aterrados,
com os rostos da cor do fogo.

9

Eis que chega o dia do SENHOR,
dia cruel, de furor transbordante e ardente.
Vem fazer da terra uma desolação
e exterminar dela os pecadores.

10
As estrelas no céu e as constelações
nunca mais darão brilho.
O Sol, ao despontar, torna-se escuro,
e a Lua não irradia a sua luz .

11

«Eu intervirei — diz o SENHOR,
contra a maldade do mundo,
contra os crimes dos perversos.
Porei fim à soberba dos insolentes
e humilharei o orgulho dos tiranos.

12
Farei com que os homens sejam mais raros
que o ouro fino, que o ouro de Ofir .

13
Para tanto, sacudirei os céus,
e a terra será abanada desde os seus fundamentos.
É a manifestação do furor do SENHOR do Universo,
o dia da sua ardente ira.

14
Serão como uma gazela perseguida,
como rebanho sem pastor .
Cada qual procurará o seu próprio povo
ou tentará fugir para o seu país.

15
Quem for apanhado será atravessado pelas flechas,
quem for agarrado será morto à espada.

16
As suas crianças serão espezinhadas à vista deles,
as suas casas serão pilhadas
e as suas mulheres violadas.

17

Vou incitar contra eles os medos ,
que não estimam a prata,
nem se importam com o ouro.

18
Com as suas flechas abatem os jovens;
não poupam os recém-nascidos,
nem têm piedade diante dos bebés.

19

Babilónia, a pérola das nações,
joia e orgulho dos caldeus,
será destruída por Deus,
como aconteceu a Sodoma e a Gomorra.

20
Nunca mais será repovoada;
ficará sem habitantes por séculos sem fim.
Até os nómadas deixarão de acampar nela
e os pastores de nela repousar.

21
Os animais selvagens farão ali o seu poiso,
os mochos encherão as suas casas,
as avestruzes irão ali habitar
e os bodes irão para lá dançar.

22
As hienas uivarão nas casas abandonadas
e os chacais nos seus palácios de prazer.
A hora da Babilónia está mesmo a chegar
e os seus dias não serão prolongados.»

14

1

Realmente, o SENHOR vai ter piedade dos descendentes de Jacob e vai mostrar uma vez mais que escolheu Israel, estabelecendo-os de novo na sua pátria.

Os povos estrangeiros serão associados a eles e incorporados no povo de Jacob.

2 Os povos estrangeiros vão recolhê-los e levá-los para a sua pátria. E ali, naquela terra que pertence ao SENHOR, Israel tomará posse deles como escravos, homens e mulheres. Farão prisioneiros os que os tinham aprisionado e dominarão os que os tinham dominado.

3

Israel, quando o SENHOR te der o repouso merecido de tantas penas e tormentos e da dura escravidão a que foste submetido,

4 deves entoar esta sátira contra o rei da Babilónia:

«Como acabou o tirano!
Como acabou a sua arrogância!

5
O SENHOR quebrou o cetro dos malvados,
o bastão dos tiranos,

6
daquele que, furioso, subjugou os povos
com golpes de matar, sem fim,
e com a ira, oprimiu as nações
perseguindo-as implacavelmente.

7
A terra inteira descansa finalmente tranquila
e dá gritos de alegria.

8
Até os ciprestes se alegram da tua derrota,
bem como os cedros do Líbano;
agora exclamam: “Desde que caíste morto,
ninguém mais nos veio abater.”

9

O abismo profundo estremece, por tua causa,
ao anúncio da tua chegada.
Por ti, desperta as sombras dos mortos,
todos os que foram grandes senhores sobre a terra;
levanta de seus tronos todos os reis das nações,

10
que se põem a dizer em coro,
dirigindo-se a ti:
“Também tu caíste sem forças como nós,
tornaste-te igual a nós!”

11
A tua grandeza foi lançada no abismo dos mortos,
com a música das tuas harpas.
O teu leito é de percevejos
e o teu cobertor de vermes.

12

Como pudeste cair do céu,
astro brilhante da manhã!
Foste precipitado por terra,
tu, o vencedor das nações!

13
Tu dizias no teu íntimo:
“Subirei até aos céus,
levantarei o meu trono
por cima das estrelas de Deus,
sentar-me-ei na montanha do conselho dos deuses,
no seu extremo norte .

14
Subirei até ao cimo das nuvens,
serei igual ao Deus altíssimo.”

15
Mas é ao fundo do abismo dos mortos,
ao mais profundo da sepultura que vais descer .

16
Os que te veem ficam a olhar para ti,
fixam-te atentamente e dizem:
“É este o que fazia tremer a terra
e estremecer os reinos?

17
É este o que transformava o mundo num deserto,
arrasava as suas cidades,
e recusava libertar os seus prisioneiros?”

18
Todos os reis das nações
repousam em sepulcros gloriosos,
cada qual no seu mausoléu.

19
Mas tu foste lançado para fora do sepulcro ,
como um aborto asqueroso;
cobriram-te de mortos massacrados pela espada,
arrojados para as pedras da fossa,
como se fosses um cadáver espezinhado.

20
Tu não te juntarás a eles na sepultura,
porque arruinaste o teu país,
destruíste o teu povo.
Nunca mais se pronunciará o nome
da tua raça malvada.

21

Preparem a matança dos seus filhos
pelos crimes dos seus pais;
não aconteça que eles se levantem,
se apoderem da terra
e cubram o mundo de cidades.

22
Levantar-me-ei contra eles
arrancarei da Babilónia o seu nome e a sua raça,
toda a sua posteridade e descendência!
Palavra do SENHOR do Universo!

23
Farei da sua terra um pântano
habitado por ouriços do mar;
vou arrasá-la completamente a golpes de vassoura!
Palavra do SENHOR do Universo!»

24
O SENHOR do Universo fez este juramento:
«Aquilo que eu previ há de acontecer,
aquilo que eu decidi há de cumprir-se.

25
Quebrarei o poder da Assíria no meu país,
calcá-lo-ei aos pés nas minhas montanhas.
Retirarei de cima deles o jugo que transportavam
e o fardo de cima das suas costas.»

26
Esta é a decisão do SENHOR contra toda a terra,
a sua ameaça contra todas as nações.

27
E quando o SENHOR do Universo decide,
quem o poderá impedir?
Quando estende a sua mão ameaçadora,
quem lha poderá desviar?

28
No ano em que morreu o rei Acaz ,
foi pronunciada esta mensagem:

29
«Não te alegres, ó terra dos filisteus,
por se ter quebrado a vara que te batia;
porque do cadáver da serpente sairá uma víbora
e do seu ovo sairá um dragão voador.

30
Os que até agora foram miseráveis
serão como cordeiros a apascentar:
os pobres terão segurança e repouso.
Mas quanto a ti, terra dos filisteus,
farei morrer de fome os teus habitantes
e os teus sobreviventes serão massacrados.

31
Geme, ó porta! Grita, ó cidade!
Estremeça toda a Filisteia!
É que uma nuvem de fumo chega do lado do norte,
e nenhum inimigo se afasta das suas fileiras.

32
E que responder aos enviados desta nação?
Respondam que foi o SENHOR quem fundou Sião
e é lá que os pobres do seu povo estarão seguros.»

15

1

Mensagem contra Moab .

Numa noite, a cidade de Ar de Moab foi esmagada,
numa noite Quir de Moab foi derrotada.

2
O povo de Dibon sobe ao templo
e aos lugares altos para chorar;
Moab geme pelas cidades de Nebo e de Madabá,
de cabeça rapada e barba cortada, em sinal de tristeza.

3
Nas ruas vestem-se com roupas grosseiras;
nos terraços e nas praças públicas,
todos se lamentam e se desfazem em lágrimas.

4
Em Hesbon e em Elalé, o povo grita com todas as forças;
e os seus lamentos até se ouvem em Jaás.
Também os soldados de Moab lançam gritos de guerra,
mas as suas forças desfalecem.

5

O meu coração lamenta-se pela sorte de Moab;
os seus fugitivos correm até Soar e até Eglat-Selissia.
Sobem a chorar pela colina de Luit
e a caminho de Horonaim lançam gritos de desespero.

6
O oásis de Nimerim tornou-se um lugar desolado,
a erva secou e não voltará a rebentar;
já não há mais verdura.

7
Os poucos bens que ficaram,
as provisões que conservaram
carregam-se para além da torrente dos Salgueiros.

8
Ouvem-se gritos à volta do território de Moab,
as suas lamentações chegam até Eglaim,
fazem-se ouvir até ao poço de Elim.

9
As águas de Dimon vão cheias de sangue.
Mas eu, o SENHOR, ajuntarei novas pragas contra Dimon:
um leão contra os sobreviventes de Moab,
contra os que escaparam no país.

16

1

Enviem ao senhor do país
um cordeiro como presente,
desde Petra, no deserto, ao monte Sião .

2
As mulheres de Moab,
como aves espantadas, arremessadas dos seus ninhos,
caminham pelos desfiladeiros do rio Arnon e pedem:

3
«Dá-nos um conselho, toma uma decisão,
em pleno meio-dia protege-nos com a tua sombra,
como se fosse meia-noite;
esconde os refugiados, não descubras os fugitivos.

4
Dá asilo aos refugiados de Moab,
oferece-lhes um esconderijo contra o devastador.
Quando acabar a opressão, terminar a devastação
e desaparecer o opressor do país,

5
então, pela tua bondade, estabelecer-se-á um trono
para o descendente de David.
Sentar-se-á nele com lealdade
e será um juiz preocupado com a retidão,
e sempre pronto a fazer o que é justo .»

6
Nós ouvimos falar da soberba de Moab,
uma soberba desmedida;
da sua arrogância, do seu orgulho, dos seus excessos
e da sua vaidade insensata.

7
Mas os moabitas hão de lamentar-se por Moab,
todos lamentarão a sua desgraça.
Hão de suspirar desesperados
pelos doces de uvas de Quir-Haresset.

8
Os campos de trigo de Hesbon são devastados,
as vinhas de Sibma esmagadas.
Os senhores das nações calcam aos pés os seus rebentos.
E elas estendiam-se até Jazer,
espalhavam-se pelo deserto
e os seus sarmentos estendiam-se
para além do mar Morto.

9

Por isso, eu choro com o povo de Jazer
sobre as vinhas de Sibma.
Espalharei torrentes de lágrimas
sobre vós, Hesbon e Elalé.
As canções de alegria desapareceram
das tuas vindimas e ceifas.

10
A alegria jubilosa desapareceu das vossas hortas
e nas vossas vinhas já não se ouvem
os gritos de contentamento.
Já não se pisam as uvas nos lagares
e acabaram as canções de alegria.

11
Por isso, o meu coração se comove por Moab
e, como se fora uma guitarra,
o meu peito estremece por Quir-Haresset.

12
Veremos Moab afadigar-se
por subir ao lugar alto,
por ir ao santuário orar,
mas tudo será em vão.

13

Isto é o que o SENHOR disse outrora contra Moab.

14
Mas agora o SENHOR volta a dizer:
«Daqui a três anos, sem um dia a mais,
será humilhada a nobreza de Moab
com todo o seu povo numeroso.
Os que ficarem serão muito poucos e insignificantes.»

17

1

Mensagem contra Damasco.

Prestem atenção! Damasco vai deixar de ser cidade;
não será mais que um montão de ruínas.

2
As suas cidades abandonadas para sempre
serão lugar de repouso dos rebanhos,
onde ninguém os vai incomodar.

3
O reino de Efraim ficará sem fortalezas,
e Damasco sem a sua realeza;
e ao resto dos arameus sucederá o mesmo
que aconteceu à nobreza de Israel.
É isto o que declara o SENHOR do Universo.

4

Naquele dia, a riqueza de Jacob ficará pobre,
a sua corpulência passará a magreza.

5
Será como no tempo da ceifa
quando se recolhe o trigo,
quando as espigas são apanhadas às braçadas
no vale de Refaim.

6
Não ficarão senão alguns rabiscos,
tal como acontece quando se vareja a oliveira:
ficam apenas duas ou três azeitonas no cimo da árvore
e quatro ou cinco nos seus ramos.
É isto o que afirma o SENHOR, Deus de Israel.

7

Naquele dia, o homem olhará para o seu criador, levantará o seu olhar para o Deus santo de Israel.

8 E deixará de olhar para os altares que fabricou e para os ídolos que as suas mãos modelaram, tais como os símbolos da deusa Achera e as imagens dedicadas ao Sol.

9

Naquele dia, as suas cidades fortificadas serão abandonadas como o foram as florestas e o cimo dos montes diante dos filhos de Israel . Ficará tudo como um deserto.


10
Porque tu, Israel, esqueceste o Deus que te salvou
e não te lembraste da tua rocha de refúgio.
Por isso, plantavas jardins de Adónis
e fazias sementeiras em honra dos deuses estrangeiros.

11
No dia em que os plantavas eles germinavam;
pela manhã as sementes floresciam;
mas a colheita dissipar-se-á no dia da desgraça
e então o mal já não terá remédio.

12
Ai esta gritaria dos povos inumeráveis!
Até parece a gritaria dos mares revoltosos!
Este rugir das nações
mais parece o rugir das vagas caudalosas!

13
O rugir das nações é como o rugir de mares furiosos.
Mas o SENHOR ameaça-as e logo fogem para longe.
O SENHOR dispersa-os como palha levada pelo vento,
como a flor seca dos cardos levada pelo vendaval.

14
Ao entardecer é o terror,
e ainda antes do amanhecer, já não existem.
É este o destino dos que nos roubam,
a sorte dos que nos vêm saquear.

18

1

Ai do país onde se ouve o bater de asas,
que fica para além dos rios de Cuche,

2
que envia embaixadores pelo Nilo,
em canoas de junco sobre as águas.

Corram mensageiros com rapidez ,
para este povo forte e bronzeado,
de quem todos têm medo em toda a parte,
para esta nação poderosa,
que espezinha os inimigos
e é sulcada por canais.

3
Habitantes do mundo, moradores da terra,
olhem bem quando a bandeira for levantada nos montes,
escutem quando soar a trombeta.

4
Foi o SENHOR quem mo disse:
«Desde a minha morada eu contemplo sereno,
como o calor radiante do meio-dia,
como a nuvem de orvalho no tempo quente da ceifa.»

5
Acontecerá como antes da vindima,
quando a vinha já tem flor,
quando a flor se tornou uva
e a uva já amadureceu.
É então que se cortam os rebentos inúteis
e se lançam fora os ramos que não prestam.

6
Serão abandonados aos abutres das montanhas
e aos animais selvagens da terra:
os abutres dominam no verão
e os animais selvagens no inverno.

7

Então, esse povo forte e bronzeado,
de quem todos têm medo em toda a parte,
essa nação poderosa que espezinha os inimigos,
e é sulcada por canais,
há de trazer os seus dons ao SENHOR do Universo,
no santuário do monte Sião.

19

1

Mensagem contra o Egito.

Olhem para o SENHOR que entra no Egito,
sobre uma nuvem ligeira.
Os ídolos do Egito tremem diante dele,
e o coração dos egípcios aperta-se no seu peito.

2

«Eu, o SENHOR, vou virar os egípcios uns contra os outros,
de modo a guerrearem-se entre si,
indivíduo contra indivíduo,
cidade contra cidade e reino contra reino .

3
Os egípcios perderão o bom senso
e farei que os seus planos fracassem.
Depois consultarão os seus ídolos
e os que invocam os mortos,
os que interrogam os espíritos e os adivinhos.

4
Entregarei os egípcios nas mãos de um dominador cruel,
será um rei tirano que dominará sobre eles.
Palavra do SENHOR, Deus do Universo!»

5

As águas desaparecerão do rio,
o Nilo ficará completamente seco.

6
Os canais cheirarão mal
e as águas baixarão tanto
que o fundo ficará totalmente enxuto.
Os papiros e os juncos murcharão,

7
bem como as plantas da foz do Nilo.
Todas as sementeiras ao longo do Nilo secarão;
levadas pelo vento, desaparecem.

8
Os pescadores choram e lamentam-se,
todos quantos lançam o anzol ao Nilo;
os que pescam à rede estão desanimados.

9
Os que trabalham o linho vivem desapontados:
as mulheres que o cardam e os homens que o tecem.

10
As fiandeiras estão consternadas
e os trabalhadores abatidos.

11

Como são loucos os príncipes de Tânis ;
os conselheiros do faraó dão conselhos estúpidos.
Como podeis dizer ao faraó: «Sou filho de sábios,
descendente de antigos reis?»

12
Onde estão os teus conselheiros sábios?
Que eles te anunciem, se é que sabem,
o que o SENHOR do Universo decidiu contra o Egito.

13
Os príncipes de Tânis ficaram estúpidos
e os da cidade de Mênfis andam iludidos.
Como governadores das províncias,
eles levam a ruína ao Egito.

14
O SENHOR lançou no meio deles a confusão:
estragam tudo quanto se faz no Egito.
Parecem um bêbedo a cambalear em cima do seu vómito.

15
No Egito já não há nada a fazer,
desde o rei ao escravo,
desde a palma ao junco.

16

Virá um dia em que os egípcios tremerão de medo como mulheres, quando o SENHOR do Universo agitar a mão contra eles.

17 A terra de Judá será um terror para o Egito. Basta nomeá-la para os egípcios ficarem aterrorizados, por causa do plano que o SENHOR do Universo tem contra eles.

18

Naquele dia, haverá no Egito cinco cidades que falarão a língua de Canaã e ficarão a pertencer por juramento ao SENHOR do Universo. O nome duma delas será Cidade-do-Sol .

19

Naquele dia, haverá no centro do Egito um altar dedicado ao SENHOR e um monumento levantado em sua honra, junto à fronteira.

20 Eles serão um sinal e um testemunho de como o SENHOR do Universo está presente no Egito. Se os egípcios clamarem pelo SENHOR contra os seus opressores, ele lhes enviará um salvador para os defender e libertar.

21 O SENHOR manifestar-se-á aos egípcios e estes reconhecerão o SENHOR. Oferecer-lhe-ão sacrifícios e ofertas, farão promessas e hão de cumpri-las.

22 Depois de ter castigado os egípcios com força, o SENHOR os curará. Eles voltarão para o SENHOR, que se mostrará favorável aos seus pedidos e os curará.

23

Naquele dia, uma estrada ligará o Egito à Assíria. Os assírios irão ao Egito e os egípcios à Assíria e tanto os egípcios como os assírios servirão o SENHOR.

24

Nesse dia, ao lado do Egito e da Assíria, aparecerá Israel como mediador e será uma bênção de Deus no meio do mundo.

25 O SENHOR do Universo dará a seguinte bênção: «Eu abençoo o Egito, meu povo, a Assíria, que criei com as minhas mãos, e Israel, a minha herança .»

20

1

Aconteceu no ano em que o chefe supremo das forças armadas assírias foi enviado por Sargão , rei da Assíria, para atacar a cidade filisteia de Asdod, que acabou por conquistar.

2

Três anos antes o SENHOR tinha dito a Isaías, filho de Amós: «Vamos! Desata a faixa que trazes à cintura e tira as sandálias que tens nos pés.» Ele assim fez, de modo que andava nu e descalço.

3 E o SENHOR disse: «Há três anos que o meu servo Isaías caminha nu e descalço. É um sinal e um presságio para o Egito e para Cuche ,

4 porque também o rei dos assírios levará os prisioneiros do Egito e os deportados de Cuche, novos e velhos, nus e descalços, o que será uma vergonha para o Egito.

5 Então os que confiavam em Cuche e se gabavam da ajuda do Egito ficarão dececionados e confundidos.»

6

Naquele dia, os habitantes destas regiões em que vivemos hão de exclamar: «Vejam em que ficaram as nossas esperanças! Pensávamos encontrar proteção e auxílio junto deles, para nos livrarmos do rei da Assíria! Como poderemos agora salvar-nos?»

21

1

Mensagem contra a região marítima .

Como os furacões que atravessam o Negueve
assim o inimigo vem dos lados do deserto,
dum país terrível.

2
É uma visão medonha, esta que me foi revelada:
«O traidor atraiçoa
e o destruidor devasta tudo.
Elamitas, ao ataque! Medos, cerquem a cidade.
Farei calar todos os seus gemidos.»

3
Perante isto, fiquei cheio de angústia,
assaltaram-me as dores como as duma parturiente;
estou assustado de ouvir tais coisas
e espantado de as ver.

4
Estou perturbado,
o terror apoderou-se de mim;
esperava a frescura da tarde,
mas transformou-se em terror.

5

Preparem a mesa , estendam os tapetes,
comam e bebam.
De pé capitães! Preparem as armas!

6

Eis o que me disse o Senhor:
«Vai e põe uma sentinela,
que anuncie tudo o que vir!

7
Se vir um carro de guerra puxado por cavalos,
uma caravana de burros ou de camelos,
que preste atenção, muita atenção!»

8
Aquele que estava de sentinela gritou: «Meu senhor!
Estou atento a vigiar durante todo o dia,
permaneci de sentinela, durante toda a noite.

9
Atenção! Vejo alguém que chega
num carro puxado por cavalos.
Ele está a dizer em voz alta:
“Caiu, caiu a Babilónia!
As estátuas dos seus deuses
encontram-se em pedaços por terra !”»

10

Ó meu povo, pisado como o trigo na eira!
Foi isto o que ouvi e vos anuncio,
da parte do SENHOR do Universo, Deus de Israel.

11

Mensagem contra Duma .

Alguém me grita desde Seir:
«Sentinela, que vês na noite?
Sentinela, que vês na noite?»

12
E a sentinela responde:
«Vem a manhã e também a noite.
Se querem uma resposta
voltem novamente.»

13

Mensagem contra a Arábia .

Vão passar a noite no mato, na estepe,
caravanas de Dedan.

14
Ó habitantes de Temá,
levem água aos que morrem de sede,
e deem pão aos fugitivos.

15
Eles vão a fugir da espada que a ninguém poupa,
dos arcos retesados e da dureza do combate.

16

Porque o Senhor disse-me o seguinte:

«Daqui a um ano, exatamente,
desaparecerá toda a glória de Quedar ,

17
e o que ficar dos valentes arqueiros de Quedar
será muito pouca coisa.»
É o SENHOR, Deus de Israel, quem o declara!

22

1

Mensagem sobre o vale da Visão .

Que se passa contigo,
para que toda a gente suba aos terraços?

2
Por que és uma cidade tão cheia de barulho
de animação e de alegria?
Os teus mortos não morreram à espada,
não foram mortos em combate.

3
Os teus oficiais desertaram todos,
mas caíram prisioneiros sob a ameaça do arco.
Todos os que o inimigo encontrou em ti
foram feitos prisioneiros,
mesmo os que tinham fugido para longe.

4
Por isso vos suplico:
Afastem-se de mim, deixem-me chorar amargamente.
Não quero que continuem a consolar-me
pela ruína do meu povo.

5
Este é um dia de derrota, humilhação e confusão,
que o SENHOR, Deus do Universo, nos enviou.
No vale da Visão a refrega foi muito dura
e os gritos ecoaram pelas montanhas.

6
O exército elamita pegou nas suas setas,
os homens puseram-se a postos nos carros de combate,
os soldados de Quir apresentaram os escudos.

7
Os teus vales mais férteis
estavam cheios de carros e de cavalos,
que tomavam posição junto das portas.

8
Judá ficou sem defesa possível.
Naquele dia inspecionaram o arsenal de armas
guardadas na «casa da Floresta »,

9
e repararam na quantidade de brechas da muralha
que rodeia a cidade de David.
Armazenaram a água que estava na piscina inferior,

10
contaram as casas de Jerusalém,
e demoliram algumas delas
para fortificar as muralhas.

11
Fizeram um depósito entre duas muralhas,
para as águas da piscina velha .
Contudo, não dirigiram os olhares
para o autor destes acontecimentos;
não viram aquele que, de há muito, os tinha preparado.

12

Naquele dia, o SENHOR, Deus do Universo,
tinha-vos convidado ao pranto e à penitência,
a raparem a cabeça e a vestirem de luto.

13
Mas em vez disto, vocês fizeram festa rija.
Mataram bois e cordeiros
comeram carne e beberam vinho.
E disseram: «Comamos e bebamos ,
porque amanhã morreremos.»

14
Mas o SENHOR do Universo revelou-me o seguinte:
«Garanto-vos que este pecado não será expiado
enquanto não morrerem.»
É o que declara o SENHOR, Deus do Universo!

15

Assim me falou o SENHOR, Deus do Universo: «Vai dizer a Chebna, esse que é o administrador do palácio real:


16
“Que direito de propriedade tens tu,
para poderes construir aqui um túmulo para ti,
um túmulo muito bem lavrado
e escavado na pedra?

17
Olha bem, homem forte!
O SENHOR vai-te abater dum só golpe
e arrojar-te com violência.

18
Vai-te fazer dar voltas e mais voltas
como uma bola, numa terra vasta e espaçosa.
Ali morrerás e acabarão os teus carros de luxo,
ó vergonha da corte do teu senhor!

19
Vou derrubar-te do teu pedestal
e arrancar-te-ei do teu posto.

20

Naquele dia, chamarei o meu servo Eliaquim,
o filho de Hilquias.

21
Vesti-lo-ei com o teu manto,
cingi-lo-ei com a tua faixa,
dar-lhe-ei os teus poderes.
Será um pai para os habitantes de Jerusalém
e para o reino de Judá.

22
Porei sobre os seus ombros
a chave do palácio de David:
o que ele abrir ninguém poderá fechar,
o que ele fechar ninguém poderá abrir .

23
Fixá-lo-ei como um prego em lugar firme
e será um motivo de glória para a sua família.”

24
Mas todos os seus parentes,
grandes e pequenos, se penduraram nele,
tal como se pendura num prego a louça de cozinha,
desde os copos aos jarros.

25

Por isso, o SENHOR do Universo declara, de modo solene: “Virá o dia em que o prego fixado em lugar firme cederá, soltar-se-á e cairá. E toda a carga que ele sustentava ficará em pedaços.”»

É o SENHOR que assim o declara!

23

1

Mensagem contra Tiro .

«Lamentem-se, gente dos grandes navios de Társis ,
porque o vosso porto foi destruído.»

Foi no regresso de Chipre
que eles receberam esta notícia.

2

«Fiquem espantados,
os que habitais as costas marítimas,
os que negociais em Sídon ,
que cruzais o mar, enviando gente a toda a parte.»

3
Através do mar alto Sídon recolhe
o que se semeia ao longo do rio Nilo,
o lucro do comércio do mundo.

4
Envergonha-te, Sídon, fortaleza do mar!
É o mar quem agora te diz:
«Não suportei as dores de parto, nem dei à luz,
não eduquei rapazes nem raparigas .»

5
Quando receber as notícias acerca de Tiro,
o Egito contorcer-se-á de dor.

6

Regressem a Társis,
e chorem, habitantes das costas marítimas!

7
Não é esta a vossa cidade tão animada,
de origem tão antiga,
que implantou colónias em paragens longínquas?

8
Quem decretou a ruína de Tiro,
cidade que distribuía coroas reais,
cujos comerciantes eram como príncipes
e cujos mercadores eram considerados gente nobre?

9
Foi o SENHOR do Universo que o decretou,
para abater o orgulho de toda esta gente
e humilhar os que são considerados grandes.

10
Regressa à tua terra, povo de Társis,
porque o teu porto já não existe.

11
Com um gesto, o SENHOR ameaçou o mar,
fez estremecer os reinos,
e mandou destruir as fortalezas de Canaã.

12
Ele disse: «Povo de Sídon,
acabou-se a festa para ti,
pois és como uma donzela violada.
Se cruzas o mar e vais para Chipre,
nem mesmo encontrarás ali descanso.

13
Considera a terra dos caldeus;
é um povo que já não existe.
A Assíria pôs lá os seus navios,
levantou torres e demoliu palácios,
e reduziu-a a uma ruína completa.

14

Chorem, marinheiros de Társis,
porque o vosso porto foi destruído.»

15

Naquele tempo,
Tiro ficará esquecida durante setenta anos,
os anos da vida de um rei.
No fim destes setenta anos, sucederá a Tiro
o que diz a cantiga da prostituta:

16

«Pega na guitarra e percorre a cidade,
ó prostituta esquecida.
Toca o melhor que souberes e canta sem parar,
para que se lembrem de ti .»

17

Ao fim de setenta anos, o SENHOR ocupar-se-á de Tiro. Ela voltará a enriquecer, prostituindo-se com todos os reinos do mundo.

18 Mas os lucros do seu comércio serão consagrados ao SENHOR; não serão nem armazenados nem entesourados. Servirão para alimentar abundantemente e para vestir condignamente aqueles que habitam na presença do SENHOR.

24

1

O SENHOR vai devastar a terra e arruiná-la,
transtornar a face do mundo
e dispersar os seus habitantes.

2
A mesma sorte terá o sacerdote e o leigo,
o senhor e o seu escravo,
a senhora e a sua serva,
o que vende e o que compra,
o que empresta e o que recebe,
o credor e o devedor.

3
A terra será totalmente devastada
e totalmente saqueada.
Foi o SENHOR quem pronunciou esta sentença.

4
A terra está de luto e está murcha,
o mundo está de luto e desfalece.
Desfalecem os céus e a terra.

5
A terra foi profanada pelos seus habitantes,
pois transgrediram as instruções do SENHOR,
violaram os preceitos
e romperam a aliança eterna .

6
Por isso, a maldição de Deus devora a terra,
e os habitantes suportam as penas dos seus crimes.
Por isso, é que eles desaparecem da terra
e poucos ficam para serem contados.

7

É uma tristeza para o vinho novo,
a videira murcha,
e os que andavam alegres soltam gemidos.

8
Parou o som alegre dos tamborins
acabou a animação dos que se divertiam
e emudeceu o som jovial das guitarras.

9
Já não se bebe vinho entre canções
e as bebidas deixam sabor amargo a quem as bebe.

10

A cidade da desolação está em ruínas,
as entradas das casas estão fechadas.

11
Nas ruas, as pessoas lamentam a falta de vinho.
Acabaram-se as festas, a alegria desapareceu do país.

12
Na cidade só há escombros,
a sua porta está destroçada, em ruínas.

13

Acontecerá no meio da terra e entre os povos,
como no varejo da azeitona
ou como no rabisco, depois da vindima.

14
Os sobreviventes entoam um cântico.
Eles vêm do Ocidente com gritos de júbilo,
aclamando a grandeza do SENHOR.

15
Glorifiquem, pois, o SENHOR, desde o Oriente.
Nas costas marítimas , proclamem o seu nome!
Ele é o SENHOR, o Deus de Israel.

16
Desde os confins da terra ouvimos o cântico:
«Glória ao Deus Justo!»
Mas eu digo: «Ai de mim, que estou perdido!»
Os traidores atraiçoam
e não terminam as suas traições.

17
O terror, a cova e a armadilha
é o que vos espera, habitantes da terra.

18
O que fugir para escapar aos gritos de terror,
cairá na cova; e se puder sair da cova,
será apanhado na armadilha.
Abrem-se as comportas do céu
e a terra treme até aos fundamentos.

19
A terra cambaleia e bamboleia,
ela parte-se e desfaz-se,
ela mexe e remexe.

20
Ela vacila e oscila como um bêbedo,
abana como uma cabana,
cai sob o peso do seu pecado
e não se levanta mais.

21
Naquele dia,
o SENHOR intervirá, lá no alto,
contra os exércitos dos astros,
e, cá em baixo, contra os reis da terra.

22
Serão encerrados como prisioneiros numa fossa
e fechados numa masmorra.
Depois de bastante tempo, comparecerão a juízo .

23

A Lua corará de vergonha
e o Sol ficará confundido,
pois o SENHOR do Universo reinará
no monte Sião, em Jerusalém,
glorioso na presença dos seus conselheiros.

25

1

SENHOR, tu és o meu Deus,
quero louvar-te e celebrar aquilo que tu és;
porque realizaste coisas maravilhosas,
projetos antigos, firmes e leais.

2
Reduziste a cidade a um montão de pedras,
a cidade bem fortificada tornaste-a uma ruína.
A fortaleza dos orgulhosos deixou de ser uma cidade,
e nunca mais será reedificada.

3
Por isso, um povo poderoso te glorifica,
a capital dos povos tiranos te respeita.

4
Porque tu foste o refúgio dos fracos,
o refúgio dos infelizes na sua angústia,
um abrigo contra o mau tempo,
uma sombra contra os ardores do Sol.
Realmente, o furor dos tiranos
é como uma tempestade de inverno ,

5
ou como um Sol ardente em terra árida.
Tu fazes calar o ruído dos orgulhosos.
Assim como as nuvens diminuem o ardor do Sol,
também tu abafas o canto vitorioso dos tiranos.

6
No monte Sião, o SENHOR do Universo
vai oferecer a todos os povos
um banquete de carnes gordas,
acompanhadas de vinhos finos,
carnes gordas e bem defumadas,
vinhos finos e bem tratados .

7
Neste monte arrancará o véu de luto
que cobre todos os povos,
a cortina que tapa todas as nações.

8
O SENHOR Deus aniquilará a morte para sempre,
enxugará as lágrimas em todas as faces,
e tirará da nação inteira
a afronta que o seu povo tem suportado.
Foi o SENHOR quem o prometeu!

9
Dir-se-á naquele dia:
«É ele que é o nosso Deus,
aquele em quem esperámos, confiantes, e nos salvou.
Sim, nós esperámos no SENHOR!
Exultemos e rejubilemos porque ele nos salvou.

10
A mão protetora do SENHOR repousa neste monte!»
Mas Moab será pisada no seu próprio terreno
como se pisa a palha na estrumeira.

11
Lá dentro, agita os braços,
como faz o nadador ao nadar,
mas, apesar desses esforços,
o SENHOR humilhará o seu orgulho.

12
Os altos baluartes das tuas muralhas, ó Moab,
o SENHOR os derrubará e abaterá,
deixando-os por terra destruídos.

26

1

Naquele dia,
cantar-se-á este cântico no país de Judá:
«Temos uma cidade forte;
para a proteger, o SENHOR fez-lhe muralhas e baluartes.

2
Abram as portas para que entre o povo fiel,
que cumpre os seus compromissos.

3
As suas disposições são firmes.
Tu, SENHOR, o guardas em paz,
porque confia em ti.

4
Tenham sempre confiança no SENHOR,
porque o SENHOR é a rocha eterna.

5
Ele humilhou os que habitavam nas alturas,
precipitou por terra a cidade inacessível
e arrojou-a para o pó.

6
Ela será calcada aos pés
pelo povo pobre e fraco.»

7
O caminho do justo é a retidão.
É o SENHOR que lhe prepara caminhos retos.

8
É seguindo os caminhos dos teus desejos
que nós esperamos em ti, SENHOR.
O nosso desejo é pronunciar o teu nome
e lembrar-nos de ti.

9
Anseio por ti, durante a noite,
do fundo do coração, eu te procuro.
Quando as tuas intervenções se realizam na terra,
os povos do mundo reconhecem a justiça.

10
Mas se o mau é tratado com clemência,
não aprende o que é justo;
no país da sensatez continua como ignorante;
nem vê a tua grandeza, ó SENHOR.

11

SENHOR, a tua mão é ameaçadora,
mas eles não se apercebem.
Que eles vejam, envergonhados como defendes o teu povo!
Que sejam devorados pelo fogo
preparado para os teus inimigos!

12
SENHOR, és tu que nos dás a paz,
pois tudo quanto fazemos
és tu que o levas a bom termo.

13
Ó SENHOR, nosso Deus,
outros senhores, que não tu, nos dominaram.
Mas tu és o único a quem queremos recorrer.

14
Os outros são mortos que não tornam a viver,
sombras que não voltam a levantar-se.
Foste tu que intervieste para os aniquilar
e apagar completamente a sua lembrança.

15
SENHOR, tu multiplicaste o nosso povo,
e assim manifestaste a tua glória;
alargaste todas as fronteiras do país.

16

SENHOR, na tristeza nós te procurámos,
e clamámos por ti, no aperto do teu castigo.

17
Diante de ti, SENHOR, nós éramos
como a mulher grávida que vai dar à luz:
torce-se e grita com as dores.

18
Demos à luz, cheios de dores,
mas apenas nos nasceu vento.
Não trouxemos a salvação ao país,
nem novos habitantes ao mundo.

19
Os teus mortos reviverão ,
os seus cadáveres ressuscitarão.
Despertai e gritai de júbilo
vós, os que jazeis no pó da terra!

Na verdade, o teu orvalho é orvalho de luz,
a terra fará renascer os que não passavam de sombras.

20

Vamos, meu povo, entra nos teus aposentos
e fecha a porta por dentro.
Esconde-te por um momento,
até que passe o castigo do SENHOR.

21
Realmente ele vai sair da sua morada,
para castigar os crimes dos habitantes da terra.
A terra deixará aparecer o sangue que escondia
e não ocultará mais as vítimas que acolheu.

27

1

Naquele dia,
o SENHOR castigará com a sua espada,
pesada, grande e bem afiada,
o monstro Leviatã , serpente má e tortuosa,
e acabará por matar esse dragão marinho.

2
Naquele dia,
entoem um cântico sobre a vinha deliciosa:

3
«Eu, o SENHOR, sou o seu guarda;
rego-a continuamente
e guardo-a dia e noite,
para impedir qualquer assalto.

4
Não me aborreço mais com ela.
Mas se nela crescerem silvas e cardos,
dar-lhes-ei guerra aberta
para os queimar totalmente,

5
a menos que se ponham sob a minha proteção,
e façam as pazes comigo,
e estejam de bem comigo.»

6
Dias virão, em que Jacob deitará novas raízes;
Israel produzirá botões e flores,
enchendo o mundo com os seus frutos.

7
Porventura, o SENHOR feriu-os
como fez com aqueles que os feriam?
Ou matou-os como fez com os que os matavam?

8
Apenas os castigou com o exílio
e os expulsou, com o seu sopro violento,
num dia de vento leste.

9
Assim se expiará a maldade de Jacob,
e o resultado do perdão da sua culpa será o seguinte:
as pedras dos altares pagãos serão pulverizadas,
como acontece com as pedras de cal,
e não mais se levantarão
nem os símbolos da deusa Achera
nem as imagens dedicadas ao Sol.

10
A cidade fortificada ficou sem ninguém,
desabitada e abandonada como um deserto.
Nela pastam os vitelos,
nela se deitam e comem os seus ramos.

11
Quando os ramos estão secos, partem-se
e vêm as mulheres e queimam-nos.
Realmente esta gente é de pouco entendimento,
e, por isso, o seu Criador já não tem pena,
aquele que os formou não se compadece deles.

12
Naquele dia,
o SENHOR debulhará as espigas
desde o Eufrates até à ribeira do Egito ;
mas vós, israelitas, sereis apanhados um a um.

13

Naquele dia,
o SENHOR tocará a grande trombeta ,
e virão os dispersos da terra da Assíria
e os que andavam perdidos no Egito.
Virão prostrar-se diante do SENHOR,
na santa montanha, em Jerusalém.

28

1

Ai da Samaria, coroa orgulhosa dos bêbedos de Efraim!
Dominando um vale tão fértil,
a sua beleza gloriosa não passa duma flor caduca
na cabeça de gente totalmente embriagada.

2
Eis que se aproxima, por ordem do Senhor,
uma potência forte e robusta,
como um turbilhão de granizo e tempestade destruidora,
como uma tromba de água caudalosa que tudo destrói;
com a sua mão põe tudo por terra.

3
A coroa soberba dos bêbedos de Efraim
será pisada com os pés.

4
Ela que domina com a sua beleza o vale muito fértil
não passará duma flor caduca.
Será como um figo amadurecido antes do verão:
o primeiro que o vê, logo o apanha e o come.

5

Virá o dia em que o SENHOR do Universo
será a coroa esplêndida e o diadema glorioso
dos sobreviventes do seu povo.

6
Inspirará a justiça aos que presidem nos tribunais
e dará valentia aos que repelem o inimigo,
diante das portas da cidade.

7
Vejam como o vinho e as bebidas fortes
desnorteiam e fazem cambalear as pessoas:
sacerdotes e profetas ficam tontos e cambaleiam por causa delas.
As bebidas alcoólicas fazem-nos desnortear,
veem as coisas de maneira confusa
e não conseguem falar com clareza.

8
As suas mesas estão todas cobertas de vómitos
e não há um lugar sem porcaria.

9
Eles perguntam: «A quem é que este quer ensinar?
A quem é que ele quer dar a lição?
A crianças recém-desmamadas?
A bebés que acabaram o período da amamentação?»

10
Ora ouçam:
«tsav latsav, tsav latsav
kav lakav, kav lakav,
menino aqui, menino ali .»

11
Pois bem, é com uma linguagem balbuciante,
com uma linguagem estranha
que o SENHOR vai falar a este povo.

12
Ele já lhes tinha dito:
«Nisto consiste o repouso:
Dai descanso aos que estão cansados.
Nisto consiste o descanso.»
Mas eles não quiseram obedecer.

13

Então o SENHOR fala-lhes de modo ininteligível:
«tsav latsav, tsav latsav
kav lakav, kav lakav,
menino aqui, menino ali.»

Por isso, quando caminharem, hão de cair de costas;
quebrarão os ossos e serão apanhados na rede.

14
Escutem, pois, a palavra do SENHOR, ó gente insolente
que governais este povo de Jerusalém.

15
Vocês dizem: «Concluímos uma aliança com a morte,
um pacto com o mundo dos mortos;
por isso, a catástrofe passará sem nos apanhar
porque temos a mentira por refúgio
e o engano por esconderijo.»

16
Eis, então, o que declara o SENHOR Deus:
«Vou colocar em Sião uma pedra de fundação
para os pôr à prova.
Será uma pedra preciosa, angular, de cimento firme.
Quem nela tiver confiança não ficará desiludido.

17
Usarei o direito como cordel de medir
e a justiça como nível.»
Mas o granizo arrasará o vosso refúgio de mentira
e as águas torrenciais arrastarão o vosso abrigo.

18
O vosso pacto com a morte será desfeito,
a vossa aliança com o mundo dos mortos não durará.
Quando a catástrofe passar,
sereis por ela esmagados.

19

Cada manhã, cada dia e cada noite,
sempre que ela passar, há de apanhar-vos.
Basta que se fale nela, para ficardes aterrados.

20
Como diz o provérbio,
o leito é muito curto para alguém se deitar
e a manta muito estreita para poder agasalhar.

21
O SENHOR levantar-se-á como no monte Peracim
e mostrar-se-á zangado como no vale de Guibeon,
para realizar a sua obra,
para fazer o seu trabalho,
uma obra extraordinária e um trabalho inaudito.

22

Assim pois, deixem-se de insolências,
para que não se apertem mais as vossas cadeias,
pois soube da parte do SENHOR, Deus do Universo,
que ele decidiu destruir todo o país.

23
Escutem-me bem e prestem atenção!
Ouçam o que tenho para vos dizer.

24
Porventura o lavrador que vai semear
passa todo o tempo a arar e a abrir regos na terra?

25
Não! Depois de ter preparado a terra,
ele semeia os grãos de nigela e depois os de cominho,
semeia o trigo, o milho miúdo e a cevada,
nos regos convenientes, e o trigo duro nas bordas.

26
Assim o instrui o seu Deus
e lhe ensina as regras a seguir.

27

Não se debulha a nigela com o trilho de ferro,
nem as rodas do carro devem passar sobre o cominho.
A nigela deve ser sacudida com uma vara
e o cominho com um pau.

28
O trigo tem que ser debulhado,
mas sem ser triturado em demasia.
As rodas do carro põem-se em movimento,
mas de modo a não esmagar o grão.

29
Este proceder vem do SENHOR do Universo,
que demonstra como é admirável o seu plano
e como é grande a sua eficiência.

29

1

Ai de Ariel! Ai de Ariel ,
a cidade que David cercou!
Podem manter o ciclo das festas,
ano após ano, ou mesmo acrescentá-lo!

2
Mas virá o tempo em que eu, o SENHOR te castigarei,
e então haverá prantos e gemidos.
Serás para mim como o antigo Ariel.

3
Vou montar acampamento à tua volta;
cercar-te-ei de trincheiras
e levantarei baluartes contra ti.

4
Cairás tão baixo que a tua voz
parece vir das profundezas da terra,
a tua palavra mal se percebe debaixo do chão.
Será como a voz dum fantasma saído da terra,
cuja mensagem mal se percebe do fundo da cova.

5
A multidão dos teus inimigos
será como uma nuvem de poeira,
e a multidão dos teus agressores
como uma nuvem de flocos de palha.

Mas logo a seguir, de imprevisto,

6
o SENHOR do Universo virá em teu auxílio,
por meio duma grande trovoada,
tremores de terra e grande tumulto,
com furacões, vendavais e chamas devoradoras.

7
A multidão dos povos que te combatia, Ariel,
os que te atacavam, assediavam e sitiavam,
desapareceram como se fosse um sonho
ou como uma visão na noite .

8

Acontecerá à multidão das nações que lutam contra Sião
o que acontece ao homem esfomeado,
que sonha estar a comer,
mas acorda de estômago vazio,
ou ao homem cheio de sede,
que sonha estar a beber,
mas acorda de garganta seca.

9
Pasmem, fiquem espantados,
fiquem cegos, deixem de ver;
embriaguem-se, sem ser de vinho,
cambaleando, sem ter bebido.

10
Foi o SENHOR que vos mergulhou
num estado profundo de sonolência:
fechou os vossos olhos, isto é, os profetas,
e cobriu as vossas cabeças, isto é, os videntes.

11

A revelação destes acontecimentos é para vós como o texto dum livro selado. Entregam-no a alguém que saiba ler e pedem-lhe: «Lê-o, por favor!» Mas ele responde: «Não posso, porque está selado!»

12 Então entregam-no a alguém que não sabe ler, e pedem-lhe: «Lê tu, por favor», mas ele responde: «Não sei ler.»


13
Diz o Senhor:
«Este povo aproxima-se de mim só com palavras,
honra-me apenas com os lábios,
pois o seu coração está longe de mim.
O culto que me tributam
não passa dum hábito ou duma tradição humana .

14
Por isso, vou continuar
a espantá-los com os meus prodígios:
fracassará a sabedoria dos seus sábios,
e será confundida a competência dos seus expertos .»

15
Ai daqueles que trabalham em segredo,
que ocultam ao SENHOR os seus planos
e planeiam as suas jogadas na sombra
e dizem: «Quem é que nos pode ver?
Quem é que vai saber disto?»

16
Que insensatez a vossa,
pôr no mesmo plano o barro e o oleiro!
Pode o objeto dizer ao que o fabricou:
«Não foste tu que me fizeste?»
Ou pode o vaso dizer do oleiro:
«Ele não entende nada disto!»

17
Dentro de muito pouco tempo, a montanha do Líbano
transformar-se-á num pomar
e esse pomar será como uma floresta.

18
Naquele dia,
os surdos ouvirão o que diz o livro;
e, livres de escuridão e trevas,
os cegos ficarão a ver.

19
Os humildes voltarão a alegrar-se no SENHOR,
e os pobres da terra exultarão no Santo de Israel.

20
Será o fim do tirano e o extermínio dos insolentes,
e serão aniquilados todos os que buscam a maldade:

21
os que acusam de crime os inocentes,
os que subornam os juízes
e atiram os homens para os calabouços.

22

Por isso, o SENHOR que resgatou Abraão,
assim fala aos descendentes de Jacob:
«O povo de Jacob nunca mais será humilhado,
a sua cara nunca mais ficará envergonhada .

23
Quando eles ou os seus filhos virem
o que eu vou fazer por eles,
hão de reconhecer quem eu sou,
eu, o Deus santo de Jacob;
hão de tremer diante de mim, o Deus de Israel.

24
Os espíritos desencaminhados compreenderão então
e os que protestavam, aceitarão o ensino.»

30

1

O SENHOR declara:
«Ai de vós, filhos rebeldes,
que fazeis projetos sem contar comigo,
que estabeleceis alianças sem a minha intervenção.
É assim que cometeis pecado atrás de pecado .

2
Pondes-vos a caminho do Egito
sem antes me consultarem.
Ides procurar segurança junto do faraó
e refúgio à sombra do Egito.

3
Mas a segurança do faraó será a vossa vergonha,
e o refúgio que procurais no Egito, a vossa humilhação,

4
embora os vossos ministros já se encontrem em Soan
e os vossos embaixadores tenham chegado a Hanés .

5
Ficarão todos desiludidos por este povo inútil,
que não vos poderá socorrer nem auxiliar;
pelo contrário, será para eles uma desilusão e uma vergonha.»

6

Mensagem sobre os animais selvagens do Sul.

Os animais de carga que caminham pelo Sul
atravessam uma região de tristeza e angústia,
de leões e leoas ferozes,
de víboras e dragões voadores.
As riquezas e os tesouros são transportados
por asnos e camelos e levados ao Egito,
uma nação que não é útil a ninguém.

7
O seu auxílio é inútil e nulo,
e por isso o chamo: «Besta que nada faz .»

8
«Agora despacha-te e escreve estas coisas numa tabuinha,
grava-as num documento,
para que sirvam para o futuro
como testemunho perpétuo.»

9
Este povo é, de facto, rebelde, filhos renegados,
que não querem ouvir a lei do SENHOR.

10
Dizem aos videntes: «Deixem-se de visões!»
E aos profetas: «Não queremos que nos façam mais avisos!
Digam-nos antes coisas agradáveis e profetizem ilusões!

11
Afastem-se do caminho reto, retirem-se da boa direção
e que o Santo de Israel não nos aborreça mais!»

12
Por isso, o Deus santo de Israel declara:
«Uma vez que rejeitais a minha palavra
e confiais e vos apoiais na opressão e nas intrigas,

13
semelhante pecado será para vós
como uma fenda numa alta muralha.
Aparece a saliência e, de repente,
sem ninguém esperar, desmorona-se tudo.

14
A muralha desfaz-se em pedaços
como uma vasilha de barro despedaçada, sem se poder consertar.
De entre os bocados não se arranja sequer um caco
para apanhar brasas do braseiro
ou tirar um pouco de água do tanque.»

15
Assim declara o SENHOR Deus, o Santo de Israel:
«Vocês só serão salvos se voltarem para mim
e se se mantiverem calmos;
só terão força, se tiverem confiança em mim
e ficarem tranquilos;
mas vocês não quiseram.

16
E, ainda respondem:
“De modo algum! Nós vamos a cavalo!”
Sim, irão a cavalo, mas é para fugir!
E replicam: “Iremos em carros velozes!”
Mas os vossos perseguidores ainda serão mais rápidos.

17
Um só inimigo bastará para ameaçar mil dos vossos.
Fugirão todos diante da ameaça de cinco inimigos.
Por fim, os que ficarem serão como um mastro
abandonado no cimo dum monte,
ou como um estandarte numa colina.»

18
Entretanto, o SENHOR espera o momento
de vos conceder os seus favores,
de vos manifestar misericórdia.
Porque o SENHOR é um Deus reto,
e felizes aqueles que nele esperam.

19
Povo de Sião, que habitas em Jerusalém,
não chores mais.
Quando chamarem pelo SENHOR, ele terá misericórdia;
mal ouça o pedido, imediatamente vos responderá.

20
O Senhor vos dará o pão em tempo de tristeza
e a água em tempo de opressão.
Aquele que te ensina, não se esconderá mais;
tu o verás com os teus próprios olhos.

21
Ouvirás dentro de ti esta voz,
quando tiveres de caminhar
para a direita ou para a esquerda:
«Este é o caminho a seguir!»

22
Deves considerar impuros os teus ídolos prateados
e as tuas estátuas adornadas de ouro;
lançá-los-ás fora como imundície
e lhes dirás: «Fora daqui!»

23
O SENHOR te dará chuva
para as sementes que semeares na terra,
e o alimento que a terra produzir
será abundante e excelente.
Naquele dia, os teus rebanhos terão amplas pastagens.

24
Os bois e os burros que trabalham a terra
comerão forragem salgada ,
remexida com a pá e a forquilha.

25
No dia do grande massacre,
em que as torres desabarão,
haverá torrentes de água abundante
em todas as montanhas e colinas.

26
No dia em que o SENHOR curar as chagas do seu povo
e tratar das feridas que sofreu,
a Lua refulgirá como um sol
e o Sol brilhará sete vezes mais em cada dia.

27
É o SENHOR em pessoa que vem de longe;
a sua cólera é ardente, como fogo espesso,
os seus lábios estão cheios de furor,
a sua palavra é fogo devorador.

28
O seu sopro é uma torrente transbordante,
que inunda até ao pescoço.
Vem crivar os povos com o crivo da destruição
e pôr na boca das nações um freio
que os desvia contra a sua vontade.

29

Vós, porém, haveis de cantar
como na noite sagrada de festa .
O vosso coração alegrar-se-á
como aquele que caminha ao som da flauta,
enquanto vai à montanha do SENHOR,
que é a rocha de Israel.

30

O SENHOR fará ouvir a sua voz majestosa,
e mostrará a força ameaçadora do seu braço.
Manifestará o seu furor nas chamas dum fogo devorador,
no meio de tempestades e tormentas de granizo.

31
A Assíria ficará aterrada à voz do SENHOR
e castigada pelos seus golpes.

32
Cada paulada que o SENHOR lhe infligir
será acompanhada de pandeiretas, guitarras e danças .

33
Desde há muito que a fogueira está preparada,
e nem o rei lhe escapa.
Está preparada numa cova profunda e larga,
com muita madeira empilhada para o fogo.
O sopro do SENHOR vai pegar-lhe o fogo,
como uma torrente de enxofre.

31

1

Ai daqueles que vão ao Egito buscar socorro!
Apenas confiam nos cavalos,
no grande número dos seus carros,
e na valentia dos seus cavaleiros;
não olham para o Deus santo de Israel,
nem se dirigem ao SENHOR.

2
Mas ele também tem capacidade para provocar a desgraça,
e não retira as ameaças que pronunciou.
Vai surgir contra o bando dos maus
e contra os que ajudam os malfeitores.

3
Os egípcios são apenas homens,
sem qualquer poder divino;
os seus cavalos são apenas animais,
sem nenhuma força superior.
Basta que o SENHOR estenda a sua mão:
o protetor cambaleará e o protegido cairá;
ambos ficarão completamente arruinados.

4
Eis o que me disse o SENHOR:
«Quando o leão e as suas crias
rugem para segurar a presa
ainda que muitos pastores se juntem contra eles,
não se deixam amedrontar pelos seus gritos,
nem intimidar pela sua algazarra.
Da mesma maneira descerá o SENHOR do Universo
para combater no cimo do monte Sião.

5
Como as aves estendem as suas asas
assim o SENHOR do Universo há de proteger Jerusalém;
há de protegê-la e libertá-la,
poupá-la e salvá-la.»

6
Ó israelitas, convertam-se ao SENHOR,
deixando a vossa profunda rebeldia.

7
Virá o dia em que cada um de vós terá que rejeitar
os ídolos de prata e ouro,
que as vossas mãos pecadoras fizeram.

8

A Assíria cairá ao fio duma espada sobre-humana,
será destruída por uma espada não humana.
Fugirão diante desta espada
e os seus jovens guerreiros serão submetidos à servidão.

9
Os mais fortes fugirão aterrorizados,
e os chefes, apavorados, abandonarão o estandarte.
Quem o afirma é o SENHOR,
que tem o seu fogo em Sião,
a sua fornalha em Jerusalém.

32

1

Virá um rei que reinará com a justiça,
e os príncipes governarão segundo o direito.

2
Cada um será como abrigo contra o vento,
como um refúgio contra a tempestade,
como regos de água em terra seca,
como a sombra duma alta rocha em terra árida.

3
Os olhos dos que devem ver não estarão fechados,
e os ouvidos dos que devem entender estarão bem abertos.

4
As pessoas precipitadas aprenderão a compreender,
e os gagos falarão com rapidez e clareza.

5
Nunca mais se chamará nobre aos insensatos
e aos fraudulentos, gente boa.

6
Os insensatos só dizem loucuras.
Só pensam no mal que vão fazer,
no crime a realizar.
Falam perversamente contra o SENHOR;
deixam os famintos sem nada para comer
e não dão de beber a quem morre de sede.

7
Os fraudulentos usam armas cruéis
e continuamente maquinam intrigas.
Quando os pobres e infelizes reclamam os seus direitos
inventam mentiras contra eles.

8
Mas um coração nobre só tem pensamentos nobres
e só defende as causas que são nobres.

9
Mulheres despreocupadas, levantem-se e escutem!
Senhoras altivas, ouçam o que tenho a dizer-vos:

10
Dentro de um ano e alguns dias,
haveis de estremecer, apesar dessa altivez,
porque a vindima estará perdida
e já não haverá colheita.

11
Tremam de medo, ó despreocupadas,
estremeçam, ó altivas,
dispam-se até ficarem nuas,
cobrindo só a cintura, como quem está de luto.

12
Batam no peito e chorem
pelos belos campos e vinhas férteis,

13
pela terra do meu povo
onde só crescem silvas,
pela alegria perdida em todas as casas
e pela vida animada da cidade.

14
Porque o palácio está abandonado,
a cidade tumultuosa, deserta;
a fortaleza de Ofel e a torre de vigia
estão convertidas para sempre em terras abandonadas,
para delícia dos asnos selvagens
e pastagem dos rebanhos.

15

Até que, do alto, Deus nos dê novo alento.
Então o deserto se converterá em pomar
e o pomar será como uma floresta.

16
O direito habitará nestas terras, agora desertas,
e a justiça reinará no futuro pomar.

17
A justiça produzirá a paz,
e daí resultará para sempre tranquilidade e segurança.

18
O meu povo habitará num oásis de paz,
em moradas tranquilas e em lugares sossegados.

19

A floresta será abatida pelo granizo
e a cidade ficará totalmente destruída.

20
Mas felizes de vós, que semeais onde há água,
podendo deixar o boi e o burro andar à vontade.

33

1

Ai de ti, devastador, que não foste devastado;
ai de ti, traidor, que ainda não foste traído.
Quando acabares de devastar, serás devastado tu também;
quando acabares de trair, serás atraiçoado.

2

SENHOR, tem piedade de nós:
é em ti que nós esperamos.
Sê a nossa força, em cada novo dia,
a nossa salvação no tempo do perigo.

3
Perante o ruído da tua intervenção, fogem os povos;
quando te levantas, as nações dispersam-se.

4
Recolhe-se o despojo como se juntam os gafanhotos,
lançam-se sobre ele como fazem os gafanhotos .

5
O SENHOR é soberano, porque habita lá nas alturas;
encheu Sião e Sião de direito e de justiça.

6
O SENHOR será a segurança dos teus dias.
A riqueza que traz a salvação consiste
na sabedoria e no conhecimento de Deus;
respeitar o SENHOR será o teu tesouro.

7
Eis as gentes de Ariel
que lançam gritos pelas ruas.
Os mensageiros da paz choram amargamente.

8
As estradas estão desertas,
ninguém passa pelos caminhos.
Ele rompeu a aliança, desprezou as testemunhas,
não teve consideração pelos humanos.

9
A nação, de luto, desfalece,
a montanha do Líbano perdeu as cores, ficou mirrada,
a planície de Saron parece-se com o deserto,
os bosques de Basã e do Carmelo perderam a folhagem.

10
«Agora vou intervir — diz o SENHOR,
agora vou levantar-me e mostrar a minha grandeza.

11
Concebereis palha e dareis à luz feno.
O meu sopro é como um fogo
que vos devorará.

12
Quanto aos outros povos, serão reduzidos a pó,
como cardos cortados e lançados ao fogo.

13
Ouçam o que eu fiz, aqueles que estão longe!
Os que estão perto, reconheçam o meu valor.»

14
Em Sião, os pecadores estão cheios de medo,
um tremor agarra os perversos e perguntam:
«Quem de nós poderá permanecer
perto deste fogo devorador?
Quem de nós poderá permanecer
junto deste braseiro sem fim?»

15
Aquele que procede com justiça e fala verdade,
que recusa benefícios adquiridos pela violência;
o que afasta os que o querem subornar,
o que fecha os ouvidos a propostas assassinas,
e fecha os olhos para não aceitar o mal.

16
Esse habitará nas alturas,
o seu refúgio terá lugar nas rochas fortificadas,
o pão e a água nunca lhe faltarão.

17
Os teus olhos contemplarão o rei no seu esplendor,
e verão o país em toda a sua extensão.

18
Recordarás, então, os terrores passados,
e dirás: «Onde está o cobrador e o fiscal,
onde estão os que inspecionavam as fortificações?»

19
Já não verás este povo arrogante,
de falar incompreensível e linguagem estranha,
que ninguém entende.

20
Contempla Sião,
cidade das nossas festas,
os teus olhos verão Jerusalém,
como uma morada tranquila
uma tenda bem fixada,
cujas estacas nunca mais serão arrancadas,
e cujas cordas não serão retiradas.

21
Ali é que o SENHOR nos mostrará a sua grandeza.
Haverá rios e canais muito largos,
em que os barcos a remos não passarão
e os grandes navios não circularão.

22
Porque o SENHOR é quem nos governa e manda em nós.
O SENHOR é o nosso rei, ele é a nossa salvação.

23
Os teus cordames afrouxaram,
já não seguram o mastro direito,
nem permitem içar o estandarte.

Então será repartido o produto da pilhagem,
em grande quantidade,
e até os coxos tomarão parte nela!

24
Nenhum habitante de Jerusalém dirá: «Estou doente!»
O povo que lá habitar terá o perdão das suas culpas.

34

1

Aproximem-se, nações, e ouçam:
povos, prestem atenção.
Ouça a terra e tudo o que ela contém,
o mundo inteiro e tudo quanto produz.

2
O SENHOR está irado contra todas as nações
e dirige o seu furor contra todos os seus exércitos.
Entregou-os ao extermínio e ao massacre.

3
Os seus mortos são atirados por terra,
os cadáveres deitam mau cheiro,
as montanhas destilam o sangue dos mortos.

4
O exército das estrelas desfaz-se,
o céu enrola-se como um rolo de papiro.
Os astros caem todos como as folhas mortas
duma vinha ou duma figueira .

5

Porque a espada do SENHOR aparece no céu
cheia de sangue.
Eis que se abate sobre os edomeus ,
um povo que o SENHOR condenou ao extermínio.

6
A espada do SENHOR está cheia de sangue,
coberta de gordura,
como do sangue dos cordeiros e dos bodes,
como da gordura das entranhas dos carneiros.
Na capital de Edom o SENHOR fará um sacrifício,
uma matança enorme na cidade de Bosra.

7
Caem juntos os búfalos, os touros e os novilhos;
a sua terra embriaga-se de sangue
e o chão ficará farto de gordura.

8
Trata-se do dia da vingança do SENHOR,
do ano de desforra para o defensor de Sião.

9
As torrentes de Edom vão transformar-se em pez
e o seu chão, em enxofre;
o país vai tornar-se num campo de pez ardente,

10
que não se apaga nem de dia nem de noite,
com o fumo a subir continuamente para o céu.
Edom ficará devastada para sempre
e por séculos sem fim ninguém mais passará por ela.

11
As gralhas e os ouriços tomarão posse dela,
a coruja e o corvo habitarão lá.
O SENHOR estenderá sobre ela a corda da destruição
e o fio de prumo da desolação.

12
Não haverá mais nobres para elegerem um rei,
e todos os seus príncipes desaparecerão.

13
Os tojos crescerão nos seus palácios,
as urtigas e os espinheiros nas suas fortalezas;
ela será covil de chacais
e guarida para as crias de avestruz.

14
Os gatos selvagens encontram-se lá com as hienas
e os bodes fazem de Edom o lugar de encontro.
O fantasma Lilit vai instalar-se lá
e encontrar o lugar do seu repouso.

15
É ainda em Edom que a serpente fará o seu ninho,
porá os seus ovos e os chocará
e os protege até nascerem os filhos.
É ainda lá que os abutres se juntam e se acasalam.

16
Investiguem o livro do SENHOR e verão
que nenhuma destas coisas lá falta,
porque foi o SENHOR que assim ordenou;
foi o seu espírito que os juntou.

17
Ele distribuiu o quinhão de cada um deles;
tomou o cordel e dividiu por eles o país.
Serão os seus proprietários para sempre;
habitarão nele de geração em geração.

35

1

O deserto e a terra árida alegrar-se-ão por isso,
a estepe exultará e dará flores belas como narcisos.

2
Repito, que ela se cubra de flores,
salte, dance e grite de alegria.
O SENHOR dar-lhe-á a grandeza das montanhas do Líbano,
o esplendor do monte Carmelo e da planície de Saron.
Então hão de contemplar a grandeza do SENHOR
e o esplendor do nosso Deus.

3

Tornem fortes os braços cansados,
deem firmeza aos joelhos vacilantes.

4
Digam aos de coração cobarde:
«Sejam fortes, não temam.
Eis o vosso Deus, que vem para vos vingar,
para pagar aos vossos inimigos o mal que vos fizeram.
Ele vem em pessoa salvar-vos.»

5

Então se abrirão os olhos dos cegos
e os ouvidos dos surdos ficarão a ouvir.

6
Então os coxos saltarão como os veados
e os mudos gritarão de alegria.
Porque as águas jorram no deserto
e as torrentes na estepe.

7
A terra queimada mudar-se-á em lago,
a terra seca em fontes caudalosas.
No covil em que repousavam os chacais,
as ervas tornar-se-ão canas e juncos.

8

Haverá ali uma estrada,
um caminho que terá o nome de Via Sagrada .
Os idólatras não passarão por ele:
é para aqueles que nele devem andar,
e nem os mais simples se extraviarão.

9
Ali não haverá leões
e nenhum animal feroz passará por este caminho;
ninguém os encontrará.
Apenas caminharão por lá os que o SENHOR libertar;

10
e os que o SENHOR resgatou voltarão
e chegarão a Sião, cantando de alegria.
É uma alegria eterna que ilumina os seus rostos.
Serão repletos de gozo e alegria;
as penas e as aflições desaparecerão .

36

1

No décimo quarto ano do reinado de Ezequias, o rei da Assíria, Senaquerib, atacou todas as cidades fortificadas do reino de Judá e apoderou-se delas.

2 Encontrava-se em Láquis , quando este enviou um alto oficial, acompanhado de forte destacamento, ao rei Ezequias, em Jerusalém. O oficial estabeleceu-se junto ao canal da piscina superior, na calçada que conduz ao Campo do Lavadouro.

3 Então Eliaquim, filho de Hilquias, que era chefe do palácio real saiu da cidade ao seu encontro, acompanhado do secretário Chebna e de Joá, filho de Assaf, porta-voz do rei.

4 O oficial do rei assírio disse-lhes: «Vão transmitir a Ezequias esta mensagem do grande rei, o rei da Assíria: “Donde te vem essa confiança?

5 Pensas que a estratégia e a valentia militares são apenas uma questão de palavras? Em quem confias para te revoltares contra mim?

6 Confias nessa cana rachada que é o Egito? Se alguém se apoiar nessa cana, ela espeta-se-lhe na mão e corta-lha. Assim é o faraó para os que nele confiam.

7 Se me dizes: Confio no SENHOR, nosso Deus, eu pergunto: Não é esse o Deus cujos lugares altos e altares foram suprimidos por Ezequias, ordenando às populações de Judá e de Jerusalém que prestassem culto apenas diante do altar de Jerusalém?

8 Pois bem, entra em acordo com o meu senhor, o rei da Assíria, e dar-te-ei dois mil cavalos, se é que arranjas cavaleiros para os montar.

9 Como te atreves a repelir um oficial do meu senhor, mesmo que seja um dos menores, confiante que o Egito te fornecerá carros e cavaleiros?

10 Além disso, crês que o meu senhor veio atacar este país para o destruir sem que o SENHOR, vosso Deus, o tenha querido? Foi o próprio SENHOR quem lhe ordenou que atacasse este país e o destruísse.”»

11

Então Eliaquim, Chebna e Joá disseram ao oficial assírio: «Fala-nos em aramaico, porque nós compreendemos. Não nos fales em hebraico, porque os que estão por cima da muralha podem ouvir-nos.»

12 Mas o oficial respondeu: «Pensas que a mensagem que o meu senhor me deu é apenas para o teu senhor e para ti? Ela é dirigida também aos que estão em cima da muralha, que vão ser reduzidos, como vós, a comer os seus excrementos e a beber a sua urina.»

13 Nisto o ajudante de campo levantou-se e gritou com toda a força em hebraico: «Ouçam a mensagem do grande rei, o rei da Assíria!

14 Não se deixem enganar por Ezequias, porque ele não vos poderá libertar.

15 Que Ezequias não vos leve a confiar no SENHOR, quando vos diz: “O SENHOR há de libertar-nos com toda a certeza e nunca entregará esta cidade ao rei da Assíria.”

16 Não façam caso de Ezequias. Escutem aquilo que o rei da Assíria vos propõe: “Façam as pazes comigo e rendam-se. Só assim é que podereis tirar proveito das vossas vinhas, das vossas figueiras e da água das vossas cisternas.

17 Depois virei buscar-vos para vos levar a um país como o vosso, rico em trigo para dar pão e em vinhas para dar vinho.”

18 Não se deixem, pois, enganar por Ezequias, quando vos diz: “O SENHOR há de livrar-nos.” Porventura os deuses das outras nações livraram os seus países da mão do rei da Assíria?

19 Onde estão os deuses de Hamat e de Arpad e de Sefarvaim ? Alguém conseguiu livrar a Samaria do meu poder?

20 Entre todos estes deuses houve algum que conseguisse livrar os seus países das minhas mãos? Como é que o SENHOR, vosso Deus, me poderá impedir de tomar Jerusalém?»

21

Os hebreus ficaram calados e nada disseram, porque assim lhes tinha ordenado o rei Ezequias.

22 No fim de tudo, Eliaquim, filho de Hilquias, chefe do palácio real, Chebna, o secretário e Joá, filho de Assaf, porta-voz do rei, depois de terem rasgado as vestes , foram ter com o rei Ezequias e comunicaram-lhe tudo o que o oficial do rei da Assíria lhes tinha dito.

37

1

Quando o rei Ezequias ouviu o relato do acontecido rasgou também as suas roupas, vestiu-se de roupas grosseiras, em sinal de tristeza, e dirigiu-se ao templo do SENHOR.

2 Depois enviou Eliaquim, chefe do palácio real, Chebna, o secretário, e os sacerdotes mais idosos para irem ter com o profeta Isaías, filho de Amós. Deviam ir todos vestidos de roupas grosseiras, em sinal de tristeza,

3 e dizer ao profeta: «Vimos da parte do rei Ezequias com a seguinte mensagem: “Hoje é um dia de aflição, de castigo e humilhação. Como se costuma dizer, a criança devia nascer, mas a mãe não tem força para a dar à luz.

4 O rei da Assíria enviou o seu oficial para insultar o Deus vivo. Oxalá o SENHOR, teu Deus, tenha ouvido semelhantes insultos e o castigue por ter falado daquele modo. Intercede, pois, junto do SENHOR em favor do que resta do seu povo.”»

5

Os enviados do rei Ezequias foram ter com Isaías;

6 este respondeu-lhes: «Vão transmitir ao vosso soberano esta mensagem do SENHOR: “Ouviste os insultos que os oficiais do rei da Assíria me dirigiram. Não tenhas medo do que eles disseram.

7 Vou fazer com que o rei da Assíria receba uma certa notícia que o obrigará a regressar ao seu país, onde morrerá assassinado.”»

8

O oficial do rei da Assíria soube, entretanto, que o seu senhor tinha deixado Láquis para combater contra Libna e foi lá que o encontrou.

9 De facto o rei da Assíria tinha sabido que o faraó etíope Tiraca o vinha atacar .

Perante as notícias do seu oficial, Senaquerib enviou novos mensageiros a Ezequias, rei de Judá, com a seguinte mensagem:

10 «Não te deixes enganar pelo teu Deus, em quem confias, pensando que Jerusalém não será entregue nas minhas mãos.

11 Sabes muito bem como é que os reis da Assíria trataram todos os outros países e os destruíram. Pensas que serias poupado?

12 Porventura os deuses de Gozan, Haran, Recef e da capital dos edenitas, Telassar, conseguiram impedir que os meus predecessores destruíssem as suas cidades?

13 Pensa no que aconteceu aos reis de Hamat, Arpad, Lair, Sefarvaim, Hena e Ava!»

14

Ezequias pegou na carta que os mensageiros lhe entregaram e leu-a. Depois subiu ao templo, abriu-a diante do SENHOR

15 e dirigiu-lhe a seguinte oração:

16

«SENHOR do Universo, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, tu és o único Deus de todos os reinos do mundo e fizeste o céu e a terra.

17 Presta atenção, SENHOR, e escuta! Abre os olhos e vê! Repara nos insultos que os mensageiros de Senaquerib disseram contra ti, o Deus vivo!

18 É verdade, SENHOR! Os reis da Assíria destruíram todos os outros países.

19 Queimaram e destruíram os deuses dessas nações, porque não eram verdadeiros deuses, mas apenas estátuas de madeira e de pedra fabricadas pelos homens.

20 Agora, SENHOR, nosso Deus, salva-nos das mãos de Senaquerib e todos os reinos do mundo saberão que só tu, SENHOR, és Deus.»

21

Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: «Eis o que te manda dizer o SENHOR, Deus de Israel, em resposta à oração que lhe fizeste acerca de Senaquerib, rei da Assíria.

22 É esta a sentença que o SENHOR pronuncia contra ele:

“A jovem filha de Sião despreza-te e faz pouco de ti,
a cidade de Jerusalém meneia a cabeça atrás de ti.

23
A quem é que insultaste e ultrajaste?
Contra quem levantaste a voz e o teu olhar arrogante?
Foi contra mim, o Deus santo de Israel.

24
Por meio dos teus embaixadores ultrajaste o Senhor.
Tu disseste: Eu, Senaquerib,
com os meus carros sem conta,
subi aos cimos dos montes,
até ao coração do Líbano,
cortei os seus belos cedros e os melhores ciprestes.
Posso chegar até ao cimo mais alto
e entrar na sua densa floresta.

25
Eu escavei poços e bebi a água dos outros povos.
E sou capaz de secar todos os canais do Egito,
só com pisar o seu solo.

26

Não percebeste, Senaquerib, que, desde há muito
fui eu que preparei este plano
e que, desde tempos antigos fiz este projeto,
que agora estou realizando?
Destinei-te a reduzires a montões de escombros
as cidades fortificadas.

27
Os seus habitantes, de braços caídos,
estão consternados e humilhados.
São como a erva dos campos e o verde dos prados,
como as plantas dos telhados
que murcham antes de crescer .

28

Conheço toda a tua vida:
quando te sentas, quando sais e quando entras,
e também quando te enfureces contra mim.

29
Eu bem percebi quando te enfureceste
e te mostraste insolente.
Por isso, vou prender-te com uma argola no nariz
e um freio na boca
e vou conduzir-te pelo caminho por onde vieste.”»

30

«Quanto a ti, eis o sinal que te dou: este ano comereis do que ficar no restolho do trigo, e, no próximo ano, do que crescer espontaneamente. Mas no ano seguinte já haveis de semear e ceifar o vosso trigo, já podereis plantar vinhas e fazer a vindima.

31

Os sobreviventes do reino de Judá serão novamente como uma árvore que lança as suas raízes debaixo da terra e se cobre de frutos por cima.

32 Na verdade, de Jerusalém e do monte Sião, ficará um resto de sobreviventes.»

É isto o que o SENHOR do Universo vai fazer pelo seu amor ardente.

33 E agora eis o que o SENHOR diz acerca do rei da Assíria: «Ele não entrará nesta cidade; não atirará flechas contra ela, não se aproximará dela ao abrigo dos escudos, nem levantará contra ela baluartes.

34 Pelo caminho que veio será forçado a partir. E nesta cidade não entrará. Palavra do SENHOR!

35 Hei de proteger Jerusalém e salvá-la; afirmo-o por quem sou e pela fidelidade a David, meu servo.»

36

O anjo do SENHOR interveio no acampamento assírio e matou cento e oitenta e cinco mil homens. No dia seguinte, pela manhã, os sobreviventes descobriram todos estes cadáveres.

37 Então Senaquerib, rei da Assíria, levantou o acampamento, regressou a Nínive, e por lá ficou.

38 Um dia encontrava-se ele em oração no templo do seu deus Nisseroc, e dois dos seus filhos, Adramelec e Sarécer, assassinaram-no à espada e fugiram para a região de Ararat. Um outro dos seus filhos, Assaradon, sucedeu-lhe no trono .

38

1

Por este tempo, o rei Ezequias foi atingido por uma doença mortal. O profeta Isaías, filho de Amós, foi visitá-lo e disse-lhe da parte do SENHOR: «Faz o testamento, porque não irás viver por muito mais tempo.»

2 Então Ezequias voltou-se para a parede e orou ao SENHOR desta maneira:

3

«Ó SENHOR, lembra-te que procedi para contigo com lealdade e com um coração íntegro e fiz sempre o que te agrada.» E Ezequias irrompeu num grande choro.

4

Então o SENHOR encarregou Isaías

5 de ir ter com Ezequias para lhe falar nestes termos: «Eis o que o SENHOR, Deus de David, teu antepassado, tem para te dizer: “Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas. Pois bem, vou deixar que vivas mais quinze anos.

6 Vou libertar-vos, a ti e a Jerusalém, das mãos do rei da Assíria e protegerei esta cidade .”»

7

Isaías disse-lhe: «O SENHOR vai conceder-te o seguinte sinal, para que saibas que ele cumprirá a sua palavra:

8 no relógio de sol de Acaz farei que a sombra retroceda os dez degraus que já avançou.» E o Sol desandou no relógio os dez degraus que já tinha avançado.

9

Poema que Ezequias, rei de Judá, compôs depois de ter sido curado da sua doença:


10
«Eu dizia para mim mesmo:
vivi apenas metade da minha vida
e já tenho de partir
para ir passar no mundo dos mortos
os anos que me faltavam para viver!

11
E pensava ainda:
nunca mais verei o SENHOR na terra dos vivos,
nem fixarei um rosto humano neste mundo.

12
A minha morada é levada para longe de mim,
como se faz à tenda dum pastor.
A minha vida chegou ao fim do rolo,
como uma peça de tecido que o tecelão enrola,
depois de ter cortado os fios.
Dia e noite me estás acabando, SENHOR,

13
e eu soluço até ao amanhecer.
Quebras-me os ossos como um leão,
dia e noite me estás acabando!

14
Pio como uma andorinha e gemo como uma pomba.
Os meus olhos já não podem erguer-se para o céu.
Senhor, estou esmagado;
faz qualquer coisa por mim!

15

Mas como devo eu falar para que ele me ouça,
se foi ele que fez tudo isto?
Deverei aguentar todos os meus anos
com o peso desta amargura?

16
Aqueles que Deus protege vivem
e entre eles eu continuarei a viver também.
Senhor, tu me restabeleces e fazes reviver.

17
Agora a minha amargura mudou-se em felicidade,
porque tu preservaste a minha vida do túmulo vazio;
lançaste para longe de ti todas as minhas faltas.

18
No mundo dos mortos ninguém te pode louvar;
os defuntos não te podem aclamar.
Aqueles que desceram ao túmulo
não esperam mais na tua fidelidade.

19
Apenas os vivos te podem louvar, como eu, agora.
O pai dará a conhecer aos seus filhos como tu és fiel.

20
SENHOR, tu salvaste-me;
por isso, te louvaremos com instrumentos de música
todos os dias da nossa vida
na tua casa, ó SENHOR.»

21

Depois Isaías deu esta ordem: «Tragam um emplastro de figos e apliquem-no na parte doente para que o rei fique curado.»

22 Então Ezequias perguntou: «Qual é o sinal que me garanta que ainda poderei ir ao templo do SENHOR?»

39

1

Por aquela altura, o rei da Babilónia, Merodac-Baladan, filho de Baladan, teve conhecimento que Ezequias tinha estado doente e se curara. Enviou-lhe embaixadores com uma carta e presentes .

2 Ezequias ficou muito contente e levou-os a visitar o edifício em que guardava os objetos de valor: a prata e o ouro, os perfumes e unguentos. Mostrou-lhes ainda o local em que estava o arsenal de guerra e tudo quanto havia nos seus depósitos. Não havia nada de valor que Ezequias não lhes mostrasse, tanto no seu palácio como em todos os seus domínios.

3

Então o profeta Isaías foi ter com o rei Ezequias e perguntou-lhe: «De onde é que vieram esses homens e que é que te disseram?» Ezequias respondeu: «Vieram de muito longe, da Babilónia.»

4 Isaías perguntou-lhe ainda: «O que é que eles viram no teu palácio?» Ezequias respondeu: «Viram todo o meu palácio. Mostrei-lhes tudo quanto havia nos meus tesouros.»

5

Então Isaías disse a Ezequias: «Escuta com atenção a sentença do SENHOR do Universo!

6 Um dia, virá em que tudo quanto tens no teu palácio e quanto os teus predecessores entesouraram, será levado para a Babilónia. Nada ficará aqui, diz o SENHOR!

7 Inclusivamente, hão de levar alguns dos teus próprios descendentes, para os fazer eunucos ao serviço do rei no palácio da Babilónia .»

8

Ezequias respondeu a Isaías: «É uma boa notícia que me dás da parte do SENHOR.» É que ele pensava para consigo: «Assim enquanto eu viver, haverá paz e segurança.»

40

1

Consolem, consolem o meu povo,
é o vosso Deus quem o pede.

2
Falem ao coração de Jerusalém e proclamem
que acabaram os seus trabalhos forçados
e está pago o seu crime;
que já recebeu do SENHOR o dobro do castigo pelos seus pecados.

3

Ouço uma voz gritar:
«Preparem no deserto o caminho do SENHOR,
na estepe, abram uma calçada para o nosso Deus .

4
Que os vales sejam levantados
e as montanhas e colinas, rebaixadas;
que os cimos dos montes sejam aplanados
e os terrenos escarpados sejam nivelados.

5
O SENHOR vai mostrar a sua grandeza
e toda a gente a verá.
É o SENHOR quem o declara!»

6

Ouço uma voz a pedir: «Faz uma proclamação!»
Mas eu respondo: «Que proclamação?»
«Que toda a gente é como erva
e a sua beleza como flor do campo.

7
A erva seca e a flor murcha,
quando o sopro do SENHOR passa por elas.
É bem certo! As pessoas são erva caduca!

8
Sim! A erva seca e a flor murcha,
mas a palavra do nosso Deus permanece para sempre.»

9
Sobe a um alto monte, pregoeiro de Sião,
levanta com força a tua voz, pregoeiro de Jerusalém;
levanta bem a voz, não tenhas medo
e diz às cidades de Judá: «Vem aí o vosso Deus!»

10
O SENHOR Deus vem aí,
cheio de força e pronto para reinar,
traz consigo, como sinal de vitória
o povo que ele resgatou .

11
Ele é como um pastor que apascenta o seu rebanho
e o reúne com o cajado na mão.
Leva os cordeiros ao colo
e cuida das ovelhas que têm crias .

12
Quem mediu as águas do mar com a mão,
ou o diâmetro do céu a palmo,
ou o pó da terra com o alqueire?
Quem pesou as montanhas e as colinas na balança?

13
Quem mediu o Espírito do SENHOR
e quem foi o homem que estabeleceu o seu plano ?

14
Com quem ele se aconselhou, para o esclarecer,
ou para lhe ensinar o caminho certo?
Quem é que lhe ensinou a ciência
e lhe deu a conhecer a sabedoria?

15
Diante do SENHOR, as nações são uma gota de água
que cai num balde, ou um grão de poeira,
no prato duma balança.
E os povos das ilhas não pesam mais que um pouco de pó.

16
As florestas do Líbano não chegam
para o fogo do seu altar,
nem os seus animais, para os holocaustos.

17
Diante dele,
todas as nações são como se não existissem,
elas contam menos que nada.

18
A quem quereis comparar Deus?
Com que imagem o podeis confrontar?

19
Um ídolo, é um artista que o modela;
depois, vem o ourives que o cobre de ouro
e lhe põe alguns retoques de prata.

20
Aquele que tem menos posses para uma tal oferta
escolhe um pedaço de madeira sem caruncho,
e contrata um bom artista,
para lhe fazer um ídolo que possa durar.

21
Será que não sabem nem aprenderam?
Não vo-lo anunciaram desde o princípio?
Ainda não compreenderam quem fez o mundo?

22
Foi aquele que está sentado sobre a cúpula da terra,
olhando os seus habitantes como se fossem gafanhotos.
Foi ele que estendeu os céus como um grande véu,
e os desdobrou como uma tenda, para neles habitar,

23
ele que reduz a nada os dirigentes do mundo
e converte em nulidade os governantes.

24
Logo que estejam plantados ou semeados,
mal tenham criado raízes na terra,
o SENHOR sopra sobre eles e secam imediatamente;
Depois são levados como palha por um vendaval.

25

«A quem podereis comparar-me?
Quem será igual a mim?» — pergunta o Deus santo.

26

Levantem os olhos para o céu
e vejam! Quem é que criou as estrelas?
Foi aquele que as põe em movimento
como se fosse um exército bem ordenado.
A todas, ele chama pelo seu nome.
O seu poder é tão grande e a sua força é tal,
que nenhuma falta à chamada.

27
Por que é que dizes, Jacob, e por que repetes, Israel:
«O SENHOR não compreende o meu destino,
o meu Deus ignora a minha causa!»

28
Porventura não o sabes?
Será que não ouviste dizer?
O SENHOR é um Deus eterno;
criou a terra dum extremo ao outro.
Não se cansa nem perde as forças.
A sua sabedoria é insondável.

29
Ele dá forças ao cansado
e enche de vigor aquele que é fraco.

30
Até os jovens se cansam e fatigam,
e os mais valentes também tropeçam.

31
Mas os que confiam no SENHOR renovam as suas forças;
lançam-se como as águias,
correm sem se cansarem,
andam sempre sem se fatigarem.

41

1

Prestem atenção, povos das ilhas ;
povos das nações, encham-se de coragem!
Aproximem-se de mim, e falem então;
vamos comparecer juntos em tribunal.

2
Quem fez aparecer no Oriente aquele homem
e o apresenta vitorioso a cada passo?
Quem lhe submete as nações e lhe entrega os reis?
A sua espada os reduz a pó,
as flechas do seu arco os dispersam como palha.

3
Persegue-os e avança seguro,
sem pisar o caminho com os seus pés.

4
Quem é o autor destas coisas?
É aquele que anuncia o futuro de antemão.
Sou eu mesmo, o SENHOR,
aquele que está no princípio e no fim de tudo.

5
Vejam e estremeçam, ó povos das ilhas,
aproximem-se e tremam, povos dos confins da terra.

6

Os homens ajudam-se uns aos outros
e dizem ao companheiro do lado: «Coragem!»

7
O cinzelador encoraja o ourives,
o que trabalha com o martelo encoraja o da bigorna.
Vendo a soldadura dizem: «Bom trabalho!»
Depois fixam o ídolo com rebites para não cair .

8
Ouve, Israel, meu servo,
povo de Jacob, meu escolhido,
descendência de Abraão, o meu amigo .

9
Eu fui buscar-te aos confins da terra,
chamei-te, quando estavas no fim do mundo.
Eu disse-te: «Tu é que és o meu servo;
foi a ti que eu escolhi e nunca te rejeitarei.»

10
Não tenhas medo, porque estou contigo;
não te aflijas, porque sou o teu Deus.
Eu torno-te forte, ajudo-te,
protejo-te com a minha mão direita vitoriosa.

11
Todos os que se enfurecem contra ti
serão confundidos e cobertos de vergonha;
serão reduzidos a nada e destruídos
todos os teus adversários.

12
Procurarás em vão o rasto dos que lutam contra ti;
serão reduzidos a nada os que te combatem.

13
Porque eu, o SENHOR, sou o teu Deus,
seguro-te pela mão e digo-te:
«Não tenhas medo, eu mesmo te ajudarei!»

14

Não tenhas medo, verme de Jacob,
pobre gente de Israel.
Eu mesmo serei a tua ajuda.
Palavra do SENHOR!
O teu protetor é o Santo de Israel.

15
Vou fazer de ti uma grade aguçada,
nova e armada de dentes;
hás de trilhar os montes e triturá-los,
hás de fazer com que as colinas sejam como a palha.

16
Tu os joeirarás, o vento há de levá-los
e o vendaval os espalhará.
Tu exultarás, então, no SENHOR
e te gloriarás no Santo de Israel.

17
Os pobres e os indigentes buscam água,
mas não a encontram;
a sua língua está ressequida pela sede.
Mas eu, o SENHOR, vou responder-lhes;
eu, o Deus de Israel, não os abandonarei.

18
Farei brotar rios nos morros pelados,
e fontes nas planícies;
transformarei o deserto numa lagoa
e a terra árida em oásis.

19
Plantarei no deserto cedros e acácias,
murtas e oliveiras.
Porei ciprestes nas regiões sem água,
ao lado do olmeiro e do buxo.

20
Desta maneira, todos hão de ver e reconhecer,
todos irão considerar e compreender
que foi o SENHOR que fez isto, com o seu poder,
que o Santo de Israel o criou.

21
Apresentem a vossa queixa, diz o SENHOR,
mostrem as vossas provas, diz o rei de Jacob.

22
Aproximem-se e anunciem-nos o que vai acontecer.
Vejamos o que tinham anunciado
das coisas que já aconteceram!
Anunciem-nos o que há de vir,
para sabermos o que vai acontecer.

23
Digam-nos o que vai acontecer no futuro
e saberemos então que sois verdadeiramente deuses.
Façam qualquer coisa de bom ou de mal
e todos seremos testemunhas do que virmos.

24
Mas valem menos que nada,
e tudo quanto fazem nada vale.
Quem vos escolhe é um ser abominável.

25

Mas eu fiz que alguém surgisse, no Norte,
e eis que ele aí vem.
No Oriente, onde o Sol se levanta,
já pronunciam o seu nome.
Pisa os governantes como se pisa o barro,
faz como o oleiro, quando amassa a argila .

26
Quem anunciou este acontecimento de antemão
para o podermos conhecer?
Quem o predisse para concluirmos que tinha razão?
Certamente nenhum de vós o anunciou ou contou;
ninguém ouviu os vossos oráculos.

27
Fui eu, o primeiro que o anunciei a Sião
e enviei a Jerusalém um pregoeiro com a boa notícia.

28
Procurei mas não vi ninguém;
entre os deuses não vi ninguém capaz de aconselhar,
capaz de responder a quem os consultar.

29
Todos juntos não valem nada.
O que eles fazem vale menos que nada.
Os seus ídolos são pura ilusão e vazio.

42

1

Eis o meu servo, que eu seguro pela mão,
aquele que eu decidi escolher.
Coloquei nele o meu espírito,
para que leve às nações o que é direito.

2
Ele não grita, não levanta a voz,
nem se farão ouvir nas ruas os seus discursos.

3
Não quebra a cana curvada,
não apaga a mecha que ainda fumega.
Mas há de promover o direito entre as nações.

4
Não vacila nem se deixará abater,
até estabelecer na terra o direito
e as leis que os povos das ilhas esperam dele .

5

Assim fala o SENHOR Deus,
que criou os céus e os estendeu,
que consolidou a terra com a sua vegetação,
que deu a vida às populações que a habitam,
e anima os que nela se movem:

6
«Eu, o SENHOR, chamei-te e levo-te pela mão,
para seres instrumento de justiça;
formei-te para garante da minha aliança com o povo ,
para seres luz das nações,

7
para dares aos cegos a luz dos olhos,
para tirares da cadeia os prisioneiros,
e da masmorra os que habitam nas trevas.»

8

Eu sou o SENHOR; este é o meu nome .
A ninguém cedo a minha glória,
nem aos ídolos o louvor que me é devido.

9
Os primeiros acontecimentos já se realizaram,
anuncio agora outros novos,
e comunico-os a vós antes que apareçam.

10
Cantem ao SENHOR um cântico novo,
louvem-no desde os confins da terra,
vós que percorreis o mar e tudo o que o enche,
vós que habitais nas ilhas longínquas.

11
Entoem cânticos nas cidades do deserto,
nos acampamentos dos que habitam em Quedar ;
exultem os habitantes de Petra,
e soltem gritos de alegria do cimo das suas montanhas.

12
Cantem a glória do SENHOR,
anunciem o seu louvor, nas ilhas distantes.

13
O SENHOR avança como um herói,
como um guerreiro, enche-se de coragem!
Lança um grito de guerra muito forte,
enfrentando com valentia os seus inimigos.

14
Desde há muito que guardo silêncio,
que estou calado e aguento.
Mas agora vou gritar como uma mulher a dar à luz,
que grita e se sente sufocada e oprimida.

15
Vou devastar montes e colinas,
secar toda a sua verdura,
converter os rios em terra firme
e secar as lagoas.

16
Vou levar os cegos por um caminho que não conhecem.
Vou guiá-los por carreiros que ignoram.
Mudarei diante deles as trevas em luz
e os obstáculos em estrada plana.
É este o projeto que vou realizar por eles
e de modo algum os abandonarei.

17
Fiquem para trás cobertos de vergonha,
os que põem a confiança nos ídolos
e que dizem a imagens de metal:
«Vós sois os nossos deuses!»

18
Ouçam, ó surdos!
Ó cegos, olhem e vejam!

19
Quem é cego, senão o meu servo?
E quem é surdo como o mensageiro que eu envio?
Quem é cego como o que eu restabeleci,
tão cego como o servo do SENHOR?

20
Ele viu muitas coisas, mas sem as entender,
ouviu de ouvidos abertos, mas sem nada compreender.

21
O SENHOR foi benevolente, por fidelidade ao seu plano,
mostrou como a sua lei é grande e magnífica.

22
Eis este povo saqueado e despojado!
Todos os valentes foram feitos prisioneiros
e encerrados em masmorras.
Eram saqueados, sem que ninguém os libertasse;
eram despojados e ninguém dizia: «Restitui!»

23

Quem de vós prestará atenção a estas coisas?
Quem está atento para compreender o futuro?

24
Quem entregou Jacob aos saqueadores
e Israel aos que o despojaram?
Não foi o SENHOR contra quem pecámos?
É que não quisemos seguir os seus caminhos
nem obedecer à sua lei!

25
O SENHOR derramou sobre Israel
o furor da sua ira e a violência da guerra;
rodeou-o de chamas, mas ele não compreendeu,
incendiou-o, mas ele não o levou a sério.

43

1

E agora, assim declara o SENHOR,
aquele que te criou, ó Jacob,
aquele que te formou, ó Israel:
«Não tenhas medo, porque eu resgatei-te,
chamei-te para me servires: e tu pertences-me.

2
Mesmo que atravesses os mares, estarei contigo;
os rios profundos não te hão de afogar.
Quando caminhares pelo fogo, não te queimarás,
as chamas não te hão de atingir.

3
Porque eu, o SENHOR, sou o teu Deus;
eu, o Santo de Israel, sou o teu salvador.
Dou o Egito para pagar a tua libertação,
Cuche e Sabá em troca de ti.

4
Já que tens muito valor para mim,
que te estimo e te amo,
entrego homens em teu lugar
e povos em vez da tua pessoa.

5

Não tenhas medo, que eu estou contigo.
Trarei os teus filhos desde o Oriente
e congregarei os que te pertencem desde o Ocidente.

6
Digo ao Norte: “Devolve-os!”
e ao Sul: “Não os retenhas!”
Tragam-me os meus filhos lá de longe
e as minhas filhas dos confins da terra.

7
São todos quantos têm o meu nome,
que eu criei, formei e fiz,
para manifestarem a minha glória.»

8
«Façam comparecer este povo,
que tem olhos, mas não vê,
tem ouvidos, mas não ouve.

9
Juntem-se todas as nações,
e reúnam-se os povos.
Qual dos seus deuses anunciou estas coisas
e nos predisse o que aconteceu?
Que apresentem testemunhas para se justificarem,
e, ouvindo-as, se possa dizer: “É verdade!”

10

Vós é que sois as minhas testemunhas.
Palavra do SENHOR!
Vós é que sois o meu servo, aquele que eu escolhi,
para saber, acreditar
e compreender quem sou eu.
Antes de mim, não houve nenhum deus,
e depois de mim também não haverá.

11
Eu, e só eu, é que sou o SENHOR.
Fora de mim, não há ninguém que salve!

12
Sou eu que ofereço a salvação, a anuncio e proclamo,
e não é nenhum deus estrangeiro que esteja no meio de vós.
Eu sou Deus e vós sois testemunhas disso!
Palavra do SENHOR!

13
Eu sou esse Deus desde sempre,
por isso, ninguém me poderá resistir;
aquilo que eu faço ninguém o poderá desfazer.»

14
Assim declara o SENHOR,
aquele que vos liberta, o Santo de Israel:
«Por vossa causa envio uma expedição à Babilónia,
para arrancar todos os ferrolhos das prisões.
Os gritos de alegria dos babilónios
vão transformar-se em lamentações.

15
Eu sou o SENHOR, o vosso Santo,
o criador de Israel, vosso Rei.»

16
O SENHOR, que outrora abriu um caminho no mar,
uma estrada nas águas impetuosas;

17
que pôs em marcha carros e cavalos,
os exércitos com as suas tropas mais valentes,
que os fez cair para nunca mais se levantarem,
e extinguir-se como um pavio que se apaga,

18
é ele que agora vos declara:
«Não recordem mais os acontecimentos de outrora,
nem pensem mais no passado.

19
É que eu vou realizar algo de novo,
que já está a aparecer.
Será que não o notais?
Vou abrir um caminho no deserto
e rios na terra árida.

20
Animais selvagens, chacais e avestruzes vão louvar-me
porque fiz brotar água no deserto
e rios em terra árida,
para dar de beber ao povo que escolhi.

21
E este povo que eu formei
há de narrar as minhas glórias.»

22
«Ó povo de Jacob, não era a mim que invocavas,
não era por mim que te esforçavas, Israel.

23
Não era por mim que sacrificavas cordeiros,
não era a mim que honravas com os teus sacrifícios.
Também não exigi de ti ofertas,
nem te fatiguei, pedindo-te incenso.

24
Não era por mim que compravas a canela,
nem me saciavas com a gordura dos teus sacrifícios.
Tu é que fizeste de mim um escravo com os teus pecados,
cansaste-me com os teus crimes.

25
Da minha parte, eu esquecia as tuas revoltas,
sem me lembrar mais dos teus pecados.

26
Diz-me o que tens contra mim e discutamos
conta-me tudo para ver se tens razão.

27
Já o teu primeiro antepassado pecou
e os teus chefes revoltaram-se contra mim.

28
Por isso, profanei os responsáveis do templo,
entreguei Jacob à destruição,
e Israel aos insultos.»

44

1

«Mas agora ouve-me, Jacob, meu servo,
Israel, o meu escolhido.

2
Eu o SENHOR que te fiz e te formei,
e desde o seio materno te auxilio,
tenho a dizer-te o seguinte:
“Não tenhas medo, meu servo Jacob,
meu querido , meu povo escolhido.

3
Vou derramar água sobre o que tem sede
e fazer correr riachos sobre a terra árida.
Vou derramar o meu espírito sobre os teus filhos
e a minha bênção sobre os teus descendentes.

4
Crescerão como erva junto das fontes,
como salgueiros junto de água corrente.

5
Um dirá: Eu sou do SENHOR;
um outro reclamará para si o nome de Jacob;
outro escreverá na mão: Pertenço ao SENHOR,
e terá orgulho no nome de Israel.”»

6
Eis o que declara o SENHOR, rei de Israel,
o seu protetor, o SENHOR do Universo:
«Eu sou o primeiro e o último;
fora de mim não há outro deus.

7
Quem há semelhante a mim?
Que se apresente e fale!
Terá de me dizer e explicar
quem é que, desde sempre, anunciou o futuro,
e pode revelar as coisas que estão para vir?

8
Não tenham medo, nem se perturbem:
não fui eu que desde há muito o anunciei?
Vós sois testemunhas.
Haverá outro Deus além de mim?
Não conheço outra rocha de refúgio.»

9
«Os fabricantes de ídolos nada são;
as suas imagens preciosas de nada valem
e as suas testemunhas nada veem e nada sabem
e assim vão ficar dececionados.

10
Quem é que fabrica um deus ou faz uma imagem
se não é para tirar algum proveito?

11
Todos os seus devotos ficarão confundidos,
pois os artistas que os fabricam não passam de homens.
Que eles se reúnam e compareçam todos:
ficarão a tremer e cheios de vergonha.

12

O ferreiro trabalha o metal,
leva-o à bigorna e vai-o modelando com o martelo,
trabalha-o com os braços robustos;
passa fome, cansa-se, não bebe e fica esgotado.

13

Quanto ao que trabalha com a madeira,
toma as suas medidas, faz o desenho,
desbasta a madeira com o cinzel,
modela-a com a lima;
dá-lhe o aspeto duma figura humana
e depois coloca-a num templo.

14

Põe de reserva um cedro para cortar,
escolhe uma azinheira ou um carvalho
que deixa crescer entre as árvores da floresta.
Ou então planta um pinheiro
que há de crescer com a chuva.

15
Para as pessoas, a sua madeira serve para o lume;
apanham-na para se aquecerem ou cozerem o pão.
Ou então fazem dela um deus e adoram-no,
fabricam uma imagem e inclinam-se diante dela.

16
Queimam no fogo metade da madeira,
assam a carne sobre as brasas,
comem-na e ficam satisfeitos;
ou, então, aquecem-se e dizem:
“Como é bom estar quentinho e ver o fogo a arder!”

17
Com a outra metade da madeira fazem um deus,
um ídolo que adoram, inclinando-se diante dele
e dirigem-lhe esta oração:
“Salva-me, pois tu és o meu deus!”

18

Esta gente não compreende nem percebe!
Têm olhos para ver e não veem,
têm mente mas não entendem.

19
Não refletem, não têm o bom senso,
nem a inteligência para pensarem:
“Queimei metade no fogo,
cozi o meu pão sobre as brasas,
assei a carne para comer;
e vou fazer do resto um ídolo abominável,
e inclinar-me diante dum pedaço de madeira?”

20
Esta gente alimenta a cabeça de cinzas,
o seu espírito extraviado desencaminha-os.
Não conseguem libertar-se, dizendo:
“O que eu tenho na minha mão direita
não passa de um falso deus.”»

21
Lembra-te, Jacob, destas coisas,
pois tu, Israel, és meu servo.
Formei-te para estares ao meu serviço.
Nunca te esquecerei, Israel.

22
Dissipei como névoa as tuas revoltas,
como nuvem os teus pecados;
volta para mim, porque eu te resgatei.

23

Alegrem-se os céus, pelo que o SENHOR fez!
Gritem de júbilo, profundezas da terra!
Montanhas, árvores e florestas rompam em aclamações,
porque o SENHOR resgatou Jacob,
manifesta a sua glória em Israel.

24
Assim diz o SENHOR, teu redentor,
que te formou desde o ventre materno:
«Eu, o SENHOR, é que criei tudo;
sozinho estendi os céus.
Quando firmei a terra, quem estava comigo ?

25
Reduzo a nada os presságios dos magos,
faço delirar os adivinhos,
obrigo os sábios a recuar;
e mostro que o seu saber é estupidez.

26
Mas realizo as palavras dos meus servos,
faço cumprir os planos dos meus mensageiros!
Digo a Jerusalém: “Serás repovoada”,
às cidades de Judá: “Sereis reconstruídas.”
Pois hei de levantar as suas ruínas.

27
Digo às profundezas do mar:
“Transformem-se em terra árida;
que as vossas torrentes fiquem secas.”

28
Digo a Ciro: “És o pastor que eu escolhi!”
Ele cumprirá em tudo a minha vontade:
fará com que Jerusalém seja reedificada
e o templo reconstruído .»

45

1

Eis o que o SENHOR declara a Ciro, seu escolhido :

«Eu peguei-te pela mão:
vou fazer com que as nações se sujeitem a ti
e que os reis fiquem sem poder.
Vou fazer com que os batentes das portas das cidades
se abram de par em par diante de ti.

2
Caminharei diante de ti para aplanar os obstáculos,
arrombar portas de bronze e quebrar ferrolhos de ferro.

3
Dar-te-ei tesouros ocultos e riquezas escondidas.
Assim saberás que eu sou o SENHOR, o Deus de Israel,
que te chama pelo teu nome.

4
Por amor de Jacob, meu servo,
de Israel, meu escolhido,
chamei por ti e dei-te um nome,
sem que tu me conhecesses.

5
Eu é que sou o SENHOR e mais ninguém:
fora de mim não há outro deus.
Dei-te o poder, sem que me conhecesses,

6
para que saibam desde o Oriente até ao Ocidente
que fora de mim não há nada.
Eu é que sou o SENHOR e mais ninguém.

7
Faço a luz e crio as trevas,
sou o autor do bem-estar e o criador da desgraça.
Sou eu, o SENHOR que faço tudo isto.

8
Que o céu, lá do alto, faça descer o orvalho,
e que as nuvens façam chover a vitória;
abra-se a terra para que floresça a salvação
e, ao mesmo tempo, germine a justiça.
Sou eu, o SENHOR, que crio tudo isto.»

9
Ai de quem, sendo simples vaso de argila como os outros,
se atreve a discutir com quem o fez!
Acaso o barro diz ao oleiro: «Que fazes?»
Ou então: «A tua bilha não tem asas ?»

10
Ai de quem se atreve a dizer ao seu pai:
«Que espécie de filho geraste?»
Ou então à sua mãe:
«O que é que tu deste à luz?»

11
Assim declara o SENHOR, o Santo de Israel,
que formou o seu povo:
«Pretendeis pedir-me contas acerca dos meus filhos
e dar-me ordens sobre aquilo que devo fazer?

12
Eu é que fiz a terra e criei os homens para a povoar;
eu é que estendi os céus com as minhas mãos
e dou ordens ao exército das estrelas.

13
Fui eu que pus esse homem em marcha para a vitória,
e aplanarei todos os seus caminhos.
Ele reconstruirá a minha cidade,
e libertará o meu povo do exílio,
sem nada exigir como recompensa.
É o SENHOR do Universo quem o declara.»

14
Assim fala o SENHOR:
«Os trabalhadores egípcios, os comerciantes etíopes,
os povos de Seba, de alta estatura,
todos passarão diante de ti e serão teus.
Estes povos irão atrás de ti com cadeias,
inclinar-se-ão diante de ti
e dir-te-ão em súplica:
“Não há outro Deus se não o teu;
todos os outros não são nada!”»

15
Na verdade, tu, és um Deus escondido,
o Deus de Israel, o Salvador.

16
Os fabricantes de ídolos retiram-se cheios de vergonha,
confundidos e cobertos de ignomínia.

17
Mas Israel foi salvo pelo SENHOR para sempre.
Nunca mais haverá para eles vergonha nem desonra.

18

O SENHOR que criou o céu,
o Deus que formou a terra e a fez,
que não a criou vazia, mas pronta para ser habitada,
declara o seguinte:
«Eu é que sou o SENHOR e mais ninguém.

19
Não falei em segredo, nem em lugar obscuro,
não pedi aos israelitas que me procurassem no vazio.
Eu, o SENHOR, falo de maneira franca,
o que anuncio é bem claro.

20
Reúnam-se, venham juntar-se aqui
aqueles que sobreviveram no exílio.
Nada percebem os que levam o seu ídolo de madeira
e oram a um deus que os não pode salvar.

21
Digam o que têm a dizer e apresentem provas;
podem mesmo aconselhar-se em conjunto.
Quem anunciou de antemão o que está acontecendo?
Quem o revelou desde há muito?
Não fui eu, o SENHOR?
Fora de mim não há nenhum outro deus.
Eu sou um Deus justo e salvador,
e não existe nenhum outro.

22
Voltem-se para mim e sereis salvos,
os que habitais nos confins da terra,
pois eu sou Deus e não há nenhum outro.

23
Juro por mim mesmo
e o que digo é verdadeiro,
pois a minha palavra não muda!
Toda a gente, de joelhos ,
me fará um juramento de fidelidade e dirão:

24
“Só no SENHOR se encontra a lealdade e a força.”»

E todos os que se tinham levantado contra o SENHOR,
virão ter com ele cheios de vergonha.

25
Mas todos os descendentes de Israel
hão de triunfar e receber louvores junto do SENHOR.

46

1

O deus Bel curva-se e o deus Nebo inclina-se,
as suas imagens são postas sobre animais de carga
e as estátuas pesadas deixam esgotados os animais.

2
Os deuses curvam-se e inclinam-se,
incapazes de salvar as suas estátuas;
e até eles próprios vão para o cativeiro.

3

Ouçam-me, ó gente de Jacob,
sobreviventes do povo de Israel,
eu trouxe-vos ao colo desde o vosso nascimento,
desde que a vossa mãe vos deu à luz.

4
Até à vossa velhice eu serei o mesmo,
encarregar-me-ei de vós até terem cabelos brancos.
Assim o fiz e continuarei a fazê-lo,
encarreguei-me de vós e hei de livrar-vos.

5
A quem me podereis comparar ou igualar?
Quem poderá assemelhar-se a mim ou comparar-se comigo?

6
Há quem tire todo o ouro das suas bolsas
e pese a prata na balança.
Depois contratam um ourives para lhes fabricar um deus;
prostram-se diante dele e até o adoram.

7
Põem-no aos ombros e transportam-no;
e onde o colocam ali fica, sem se mexer do lugar.
Por mais que lhe gritem, não responde,
não salva ninguém do perigo.

8
Lembrem-se disto e tenham vergonha,
meditem seriamente no vosso íntimo , ó gente rebelde.

9
Lembrem-se da vossa história de sempre:
vejam que eu sou Deus e não há outro;
não existe nenhum Deus como eu.

10
Anuncio de antemão o que vai acontecer;
muito antes que suceda, já o prevejo.
Eu digo: «O meu plano cumprir-se-á,
tudo quanto eu quero, eu o faço .»

11
Chamo dos lados do Oriente uma ave de rapina ,
vem duma terra distante o homem
que cumprirá os meus planos.
Assim o disse e melhor o faço;
o que planeei será realizado.

12
Escutem-me, ó gente de coração duro,
que pensais que a vitória final está muito longe.

13
Mas a minha vitória está próxima, mesmo a chegar.
A minha salvação não tardará;
eu mesmo trarei a Sião a salvação
e farei participar Israel da minha glória.

47

1

Ó cidade da Babilónia, capital dos caldeus,
desce do teu trono e senta-te por terra, no pó;
porque já não te chamarão: «A delicada e a alegre».

2
Pega nas duas pedras do moinho e faz a farinha;
tira o véu do teu rosto, arregaça o teu vestido,
descobre as tuas pernas e atravessa os rios.

3
Põe-te nua diante de todos,
para que possam ver o que tu cobres com vergonha.
Vou vingar-me
sem que ninguém me possa impedir .

4
Quem o diz é aquele que nos salva,
que tem por nome: o SENHOR do Universo,
o Santo de Israel.

5
Senta-te, calada e esconde-te nas trevas,
capital dos caldeus,
porque já não te chamarão mais:
«Senhora dos impérios».

6
Eu estava irado contra o meu povo,
deixei que fossem desonrados os que me pertenciam,
entregando-os nas tuas mãos.
Mas não tiveste compaixão deles,
pois esmagaste os velhos com o peso do teu jugo.

7
Dizias: «Serei a dominadora do mundo para sempre»;
não refletiste nem pensaste
no que te poderia vir a acontecer.

8
Agora escuta com atenção, ó desavergonhada,
tu que reinavas tranquilamente, e dizias a ti mesma:
«Ninguém é semelhante a mim; nunca ficarei viúva,
nunca saberei o que é ficar sem os meus filhos!»

9
Ambas as desgraças cairão sobre ti,
num só dia e de repente:
ficarás viúva e sem filhos ao mesmo tempo.
Tudo isto, apesar das tuas muitas bruxarias
e do grande poder dos teus magos .

10
Punhas a tua confiança nas tuas maldades
e dizias: «Ninguém me vê!»
A tua sabedoria e a tua ciência transtornaram-te;
por isso, é que dizias: «Eu e mais ninguém!»

11
Virá sobre ti uma tal desgraça,
que não saberás como a esconjurar;
cairá sobre ti uma catástrofe,
da qual não te poderás proteger;
sobre ti cairá repentinamente
um desastre, que nunca imaginavas.

12
Insiste, pois, nas tuas bruxarias
e nas tuas numerosas receitas mágicas
a que te dedicaste desde a juventude.
Talvez te possam servir para esconjurar a desgraça.

13
Cansaste-te a procurar conselheiros;
que se apresentem e te salvem
os que dividem o céu por zonas, auscultando os astros
para anunciar todos os meses o que te vai acontecer.

14
Tornaram-se como a palha que o fogo devora;
não conseguem escapar ao poder das chamas.
Não são como brasas na lareira,
onde nos sentamos para aquecer.

15
Assim será a sorte dos adivinhos,
que te esforçavas por consultar desde a juventude.
Cada qual fugirá para seu canto
e nenhum te poderá salvar.

48

1

Escuta, ó gente de Jacob,
que te orgulhas do nome de Israel
e de ser descendente de Judá,
que juras pelo nome do SENHOR,
e invocas o Deus de Israel,
mas sem verdade nem retidão.

2
Tens orgulho em ser da cidade santa,
e em te apoiares no Deus de Israel,
cujo nome é «o SENHOR do Universo».

3
Eu é que predisse desde há muito o que já aconteceu;
fui eu que falei para te informar.
Num abrir e fechar de olhos eu atuei
e as coisas aconteceram.

4
Como sei que és um povo obstinado,
teimoso para obedecer
e de cabeça dura para compreender;

5
predisse-te os acontecimentos com muita antecedência.
Informei-te antes que se realizassem
para que não dissesses: «Foi o meu ídolo que fez isto,
foi o meu deus de madeira ou de bronze que o decidiu.»

6
Ouviste o que eu predisse e viste que tudo se realizou;
será que não o queres reconhecer?
Mas a partir de hoje anuncio-vos coisas novas
que estavam em segredo e que nenhum de vós conhecia.

7
São coisas criadas agora e não antes,
não ouviste falar disso antigamente
para não poderes dizer: «Já o sabia.»

8
Aliás, tu não querias ouvir nem saber de nada,
e os teus ouvidos não se abriam para isto.
Eu sei que foste inclinado à traição
e que desde o ventre materno te chamam rebelde.

9
Mas por ser Deus eu contenho a minha cólera,
por amor da minha glória tenho paciência,
para não vos aniquilar.

10
Passei-te pelo cadinho da prova como a prata,
obriguei-te a passar pelo crisol da desgraça.

11
É só por mim que assim o faço:
porque o meu nome não deve ser desonrado
e a minha glória não a cedo a ninguém.

12
Ouve-me, Jacob, a quem eu chamei!
Sou eu; eu sou o primeiro e o último.

13
Com as minhas mãos pus os fundamentos da terra
e estendi os céus.
Chamo por eles e logo comparecem.

14
Reúnam-se todos e ouçam bem:
tenho um amigo que realizará os meus intentos
contra a Babilónia, contra a raça dos caldeus.
Mas quem é que, dentre eles, pode revelar tais coisas?

15
Eu é que falei e chamei por ele.
Fiz que ele viesse e em toda a parte alcançará êxito.

16

Aproximem-se de mim e ouçam atentamente!
Desde o princípio que falei abertamente;
sempre estive presente desde que estas coisas começaram.

E agora, o SENHOR Deus enviou-me o seu espírito .

17

Assim declara o SENHOR, o teu libertador,
o santo de Israel:
«Eu, o SENHOR, sou o teu Deus,
ensino-te o que é bom para ti,
e guio-te pelo caminho que deves seguir.

18
Ah! Se tivesses atendido ao que eu mandava!
A tua paz seria como um rio,
o teu triunfo como as ondas do mar!

19
Os teus filhos e descendentes seriam numerosos,
seriam incontáveis como a areia das praias,
o seu nome não teria sido apagado
nem destruído diante de mim!»

20
Saiam da Babilónia , fujam dos caldeus!
Com gritos de júbilo anunciem e proclamem,
até aos confins do mundo a boa nova:
«O SENHOR libertou o seu servo Jacob.»

21
Não passaram sede quando os conduziu pelo deserto.
Fez brotar para eles a água do rochedo;
fendeu o rochedo e logo a água jorrou.

22

Mas para os maus não haverá prosperidade,
declara o SENHOR.

49

1

Escutem-me, povos das ilhas distantes ,
estejam atentos, povos longínquos.
O SENHOR chamou por mim, antes de eu nascer;
quando eu estava no ventre materno,
pronunciou o meu nome.

2
Fez da minha palavra uma espada afiada ,
escondeu-me na concha da sua mão.
Fez da minha mensagem uma seta penetrante,
bem guardada na sua aljava.

3
E disse-me: «Israel, tu és o meu servo;
em ti se manifesta a minha glória.»

4
Mas eu pensava para comigo:
«Em vão trabalhei e em vão gastei as minhas forças.»
No SENHOR é que eu tenho garantido o meu direito
e no meu Deus, a minha recompensa.

5
E agora o SENHOR declara-me
que, desde o ventre materno, me formou,
para ser seu servo,
para conduzir a ele os descendentes de Jacob
e congregar o povo de Israel à sua volta.
Aos olhos do SENHOR eu estou bem-visto,
no meu Deus reside a minha força.

6
Ele disse-me: «Não basta que estejas ao meu serviço
só para restabeleceres as tribos de Jacob
e reunires os sobreviventes de Israel.
Eu quero que sejas a luz das nações,
para que a minha salvação chegue aos confins da terra .»

7
O SENHOR, que é o libertador
e o Santo de Israel,
declara agora o seguinte
a ti que te tens desprezado a ti mesmo,
que tens sido detestado pelos pagãos,
e tens sido escravo dos poderosos:
«Quando os reis te virem, levantar-se-ão do trono,
e os príncipes prestar-te-ão homenagem.»
Tudo isto acontece porque o SENHOR é fiel,
porque o Santo de Israel te escolheu.

8
Eis o que diz o SENHOR:
«No tempo devido respondi-te
quando chegou o dia da salvação vim em tua ajuda.
Guardei-te para uma aliança com o povo,
para restaurar o país e repartir as terras devastadas ,

9
para dizer aos prisioneiros: “Saiam da prisão!”
e aos que vivem na escuridão: “Venham para a luz!”
Haverá boas pastagens ao longo dos caminhos,
e encontrarão alimento em todas as colinas.

10
Não passarão fome nem sede,
não lhes fará mal nem o vento suão nem o sol,
porque aquele que lhes tem amor
os conduzirá para se refrescarem nas fontes de água.

11
Transformarei os meus montes em caminhos planos
e as minhas estradas serão arranjadas.

12
Vejam como eles chegam de longe!
Uns vêm do Norte, outros do Ocidente,
e outros da terra do Egito, ao Sul!»

13

Exulta, ó céu! Alegra-te, ó terra!
Aclamem com alegria as montanhas!
Na verdade, o SENHOR reconforta o seu povo
e mostra o seu amor aos humilhados.

14
Jerusalém dizia de mim: «O SENHOR abandonou-me;
ele esqueceu-se de mim.»

15
Mas pode uma mãe esquecer o seu bebé,
deixar de ter amor ao filho que ela gerou?
Ainda que ela se esquecesse dele,
eu nunca te esqueceria.

16
Pois eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos;
as tuas muralhas estão sempre diante dos meus olhos.

17
Os que te vão reconstruir andam mais depressa,
do que os que te destruíram
e os que te devastavam fogem de ti.

18
Olha bem à tua volta e vê:
todos se reúnem para virem ter contigo.
Juro pela minha vida, diz o SENHOR,
que eles serão para ti como um vestido precioso
ou como um adorno de noiva.

19
As tuas ruínas e escombros e a tua terra desolada
em breve serão estreitos para os seus habitantes,
enquanto os que te destruíram se irão embora.

20
Ainda hás de ouvir dizer aos filhos
que julgavas perdidos:
«Este lugar é muito apertado,
chega-te para aí, para eu poder habitar.»

21
Tu perguntarás: «Quem me deu tantos filhos?
Eu era uma mulher sem filhos e estéril,
exilada e abandonada;
quem criou estes filhos?
Deixaram-me completamente só;
donde vieram estes filhos?»

22
Assim fala o SENHOR Deus:
«Vou levantar a minha mão e fazer um sinal às nações,
vou levantar um estandarte para chamar os povos.
Trarão os teus filhos nos braços
e as tuas filhas aos ombros.

23
Os reis serão os tutores dos teus filhos
e as suas princesas serão as amas.
Inclinar-se-ão por terra diante de ti
e lamberão o pó dos teus pés.
Então reconhecerás que eu sou o SENHOR
e que não ficarão envergonhados os que confiam em mim.»

24

Pode-se retirar ao guerreiro o despojo conquistado,
ou arrancar um prisioneiro ao vencedor ?

25
Pois bem, assim declara o SENHOR:
«Se é facto que se pode tirar ao vencedor o prisioneiro
e ao guerreiro o despojo conquistado,
eu mesmo defenderei a tua causa,
e libertarei os teus filhos.

26
Obrigarei os teus opressores
a comerem a sua própria carne,
e a embriagarem-se com o seu próprio sangue,
como se fosse vinho novo.
Então todos saberão que eu, o SENHOR,
é que sou o teu salvador,
que o Poderoso de Jacob é o teu libertador!»

50

1

Eis o que diz o SENHOR:
«Onde está o documento de divórcio
com que repudiei Jerusalém, vossa mãe ?
Ou então a qual dos meus credores
vos vendi como escravos?
Se foram vendidos foi por causa das vossas culpas;
e se a vossa mãe foi repudiada, foi por causa dos vossos crimes.

2
Por que é que não encontrei ninguém quando vim?
Por que é que ninguém respondeu quando chamei?
Será o meu braço muito curto para vos poder salvar?
Não terei força suficiente para vos libertar?
Contudo, com uma simples ameaça seco o mar,
e mudo os rios em deserto;
por falta de água, os peixes morrem de sede e apodrecem.

3
Visto o céu de negro
e cubro-o com uma veste de luto.»

4
O SENHOR Deus ensinou-me o que devo dizer,
para saber dar uma palavra de alento aos desanimados.
Cada manhã ele me faz estar atento
para que eu aprenda como bom discípulo.

5
O SENHOR ensinou-me a escutar
e eu não resisti nem recuei.

6
Apresentei as costas aos que me batiam,
e a face aos que me arrancavam a barba.
Não escondi o rosto
dos que me ultrajavam e cuspiam .

7
O SENHOR Deus ajuda-me
e por isso eu não sentia os ultrajes,
o meu rosto era resistente como uma pedra
e sabia que não ficaria envergonhado.

8
Aquele que me defende está ao meu lado;
quem se atreverá a levantar contra mim um processo?
Compareçamos juntos diante do juiz!
Apresente-se quem quiser ser meu adversário!

9
Na verdade, se o SENHOR Deus me ajudar,
quem poderá condenar-me?
Todos os meus adversários acabarão
como roupa velha roída pela traça .

10
Se alguém entre vós reconhece a autoridade do SENHOR,
esteja atento à palavra do seu servo!
Mesmo que caminhe pelas trevas, sem um raio de luz,
deposite a sua confiança no SENHOR
e apoie-se no seu Deus.

11
Mas quanto a vós, que ateais o fogo,
que vos armais de setas inflamadas,
caireis nas chamas do vosso próprio fogo,
apanhados pelas vossas setas incendiadas.
É assim que a mão do SENHOR vos há de tratar
e haveis de jazer nos vossos tormentos.

51

1

Ouçam, todos os que procuram a justiça,
e que buscam o SENHOR.
Contemplem o rochedo do qual foram talhados,
a pedreira de onde foram tirados:

2
olhem para Abraão, vosso pai,
e para Sara que vos deu à luz.
Quando o chamei, não tinha filhos,
mas abençoei-o e dei-lhe descendência numerosa.

3
O SENHOR vai reconfortar Sião por todas as suas ruínas.
Converterá este deserto num jardim de maravilhas,
este lugar árido em paraíso do SENHOR;
ali haverá alegria e regozijo,
cânticos de louvor e muita música.

4

Presta-me atenção, ó meu povo,
escuta-me atentamente, minha nação.
Sou eu, o SENHOR, que estabeleço a lei,
e o direito que eu determino será a luz dos povos.

5
A minha vitória está muito próxima,
a minha salvação está mesmo a chegar.
Com a força dos meus braços governarei os povos;
as nações longínquas põem a sua esperança em mim,
e depositam a sua confiança no meu poder.

6
Levantem os olhos para o céu,
observem em baixo a terra;
o céu dissipar-se-á como fumo,
e a terra gastar-se-á como a roupa.
Os seus habitantes cairão como mosquitos,
mas a minha libertação será para sempre,
a vitória que vou conseguir não terá fim.

7
Ouve-me, ó povo que sabes o que é justo,
tu que tens a minha lei no coração!
Não tenham medo dos insultos dos homens,
não se deixem abater pelos seus ultrajes,

8
porque eles hão de ser destruídos
como a traça faz à roupa,
como os vermes fazem à lã.
Mas a minha vitória será para sempre
e a minha libertação nunca mais terá fim.

9
Desperta! Desperta, SENHOR,
e mostra novamente o teu poder!
Levanta-te como dantes, nas gerações passadas!
Não foste tu que esmagaste o monstro Raab,
que trespassaste o dragão dos mares ?

10
Não foste tu que secaste o mar,
as águas do grande oceano?
Não traçaste um caminho nas profundezas do mar,
para dar passagem aos que tu libertaste?

11
Aqueles que o SENHOR libertou voltarão,
e entrarão em Sião com cânticos.
Uma alegria eterna iluminará o seu rosto,
um regozijo transbordante os inundará;
as penas e aflições desaparecerão.

12

Sou eu, e só eu aquele que vos reconforta.
Quem és tu para teres medo dum simples mortal,
dum homem que acabará como a erva?

13
Esqueces o SENHOR, que te criou,
que estendeu os céus e alicerçou a terra.
Todos os dias tremes de medo,
diante da fúria do opressor ,
como se ele tivesse capacidade para te destruir.
Mas onde é que está a fúria do opressor?

14
Em breve o prisioneiro será libertado;
não morrerá no cárcere, nem lhe faltará o pão.

15
Eu, o SENHOR, é que sou o teu Deus;
agito o mar e as suas ondas rugem.
O meu nome é SENHOR do Universo.

16
Confiei-te a minha mensagem,
guardei-te na palma da minha mão;
estendo novamente os céus e alicerço a terra,
e digo a Sião: «Tu és o meu povo!»

17
Desperta! Desperta, Jerusalém e levanta-te!
Já bebeste da mão do SENHOR a taça da sua ira;
bebeste dela até à última gota,
a ponto de ficares atordoada.

18
De todos os filhos que deste à luz,
não há nenhum que te guie,
de todos os filhos que criaste,
nenhum que te segure pela mão.

19
Desses dois males que caíram sobre ti,
quem é que se compadece de ti?
Da ruína e destruição, fome e guerra,
quem é que te consolará?

20
Os teus filhos jazem desfalecidos,
em todos os cantos das ruas,
como antílopes caídos na rede,
apanhados pela cólera do SENHOR,
pela ameaça do teu Deus.

21
Por isso, escuta-me com atenção,
ó Jerusalém desgraçada,
tu que estás bêbada, sem ser de vinho!

22
Eis o que o SENHOR teu Deus,
que toma a defesa do seu povo, te diz:
«Vou retirar da tua mão a taça que atordoa,
a taça da minha cólera;
nunca mais tornarás a beber dela.

23
Vou pô-la na mão dos teus verdugos,
daqueles que te diziam:
“Inclina-te, para passarmos por cima de ti!”
E tiveste de baixar os teus ombros
como se fosses terra e calçada da rua,
para passarem por cima de ti.»

52

1

Desperta! Desperta, Sião! Enche-te de força!
Jerusalém, cidade santa, veste os teus trajes de gala,
porque os pagãos , os impuros,
não voltarão a entrar dentro de ti.

2
Sacode o pó e põe-te de pé, Jerusalém cativa;
desata as cadeias do teu pescoço, Sião prisioneira.

3

O SENHOR vai declarar o seguinte: «Fostes vendidos como escravos, sem qualquer indemnização. Também sereis libertos sem nada pagar.»

4 E o SENHOR Deus acrescenta: «No princípio, o meu povo foi refugiar-se no Egito. Mais tarde, os assírios oprimiram-no.

5 Perante esta situação o que é que eu devo fazer? O meu povo foi feito prisioneiro, sem qualquer indemnização. Os seus opressores lançam gritos de triunfo e todos os dias ultrajam o meu nome .

6

Por isso, muito brevemente, o meu povo vai ficar a saber quem é que eu sou. Vai compreender que digo a verdade quando afirmo: Aqui estou!»


7
Como são formosos sobre os montes
os pés do mensageiro
que anuncia a paz,
que traz a boa nova,
que anuncia a salvação,
que diz a Sião: «O teu Deus reina !»

8
Ouve! Todas as tuas sentinelas gritam de alegria
porque veem com os seus próprios olhos
o regresso do SENHOR a Sião.

9
Ruínas de Jerusalém, rompam em gritos de alegria,
porque o SENHOR consola o seu povo
com a libertação de Jerusalém.

10
Aos olhos de todas as nações, o SENHOR
mostra a força do seu braço poderoso,
e até aos confins da terra há de ver-se a vitória
que o nosso Deus nos dá.

11
Fora! Fora! Saiam daí!
Não toqueis em nada de impuro.
Saiam dela, purifiquem-se,
todos os que transportam os objetos do SENHOR !

12
Desta vez, não devem partir com precipitação,
nem retirar-se como fugitivos,
porque à vossa frente caminha o SENHOR,
e à vossa retaguarda, o Deus de Israel.

13
Eis que o meu servo prosperará,
será engrandecido e receberá as maiores honras.

14
Assim como muitos se espantaram diante dele,
de tal modo estava desfigurado
que nem tinha aspeto humano.

15
Da mesma forma fará com que muitos estrangeiros
fiquem agora admirados.
Os reis ficarão de boca aberta,
pois verão coisas que jamais lhes foram contadas
e observarão coisas que não conseguem compreender .

53

1

Quem acreditou naquilo que ouvimos?
A quem foi revelada a intervenção do SENHOR ?

2
O servo cresceu diante do SENHOR
como um simples rebento,
ou raiz em terra árida sem aparências nem beleza
para poder dar nas vistas.
O seu aspeto não tinha qualquer atrativo.

3
Era desprezado e abandonado pelos homens,
como alguém cheio de dores e habituado ao sofrimento,
e para o qual se evita olhar.
Era desprezado e tratado sem nenhuma consideração.

4

Na verdade ele suportava os nossos sofrimentos
e carregava as dores, que nos eram devidas.
E nós pensávamos que Deus
é que assim o castigava e humilhava duramente .

5
Mas ele foi trespassado por causa das nossas faltas,
aniquilado por causa das nossas culpas.
O castigo que nos devia redimir caiu sobre ele;
ele recebeu os golpes e nós fomos poupados.

6
Todos nós vagueávamos como rebanho perdido ,
cada qual seguindo o seu caminho;
mas o SENHOR carregou sobre ele
as consequências de todas as nossas faltas.

7

Foi vexado e humilhado,
mas a sua boca não se abriu para protestar;
como um cordeiro que é levado ao matadouro
ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador,
a sua boca não se abriu para protestar.

8
Levaram-no à força e sem resistência nem defesa;
quem é que se preocupou com a sua sorte?
De facto, foi suprimido da terra dos vivos,
mas por causa dos pecados do meu povo
é que ele foi maltratado .

9
Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios
e um túmulo entre os malfeitores,
embora não tenha cometido qualquer crime,
nem praticado qualquer fraude.

10
Mas o SENHOR quis esmagá-lo com o sofrimento,
para que a sua vida fosse uma oferta de expiação.
Mas o servo verá a sua descendência
e viverá por muito tempo,
e o desígnio do SENHOR realizar-se-á por meio dele.

11
Por causa do sofrimento da sua vida verá a recompensa,
e ficará satisfeito com a experiência que teve.

«O meu servo, que é justo,
fará com que muitos se tornem justos diante de mim,
pois ele mesmo carregou com os crimes deles.

12
Por isso, receberá a sua parte entre os grandes
e repartirá os despojos com os mais poderosos,
já que expôs a sua vida à morte
e foi contado entre os malfeitores,
ele que carregou com o pecado de muitos
e intercedeu pelos pecadores.»

54

1

Jerusalém! Alegra-te,
tu que parecias estéril e sem filhos,
entoa cânticos de alegria,
tu que não tiveste as dores de parto.
Tu, mulher abandonada,
terás mais filhos que a casada.
É o SENHOR quem o diz !

2
Aumenta o espaço em que vives,
acrescentando mais panos à tua tenda
e não olhes a despesas.
Alarga as cordas da tua tenda e fixa bem as estacas,

3
porque vais aumentar por todos os lados.
Os teus filhos vão dominar as nações vizinhas
e as tuas cidades desertas vão ser povoadas.

4
Não tenhas medo porque não voltarás a ser humilhada.
Não tenhas vergonha porque não voltarás a ser desonrada.
Esquecerás a humilhação que recebeste na juventude
e nunca mais recordarás a afronta da tua viuvez.

5
Vais ter por esposo aquele que te criou,
cujo nome é o SENHOR do Universo.
O teu redentor é o Santo de Israel,
chama-se o Deus de toda a terra.

6
Eras como uma mulher abandonada e abatida,
mas o SENHOR volta a chamar-te .
É ele que o afirma!
Como é que se pode abandonar
a esposa com quem se vive desde a juventude?

7
Por muito pouco tempo te abandonei,
mas vou unir-te a mim com imenso carinho.

8
Num acesso de ira e por um instante,
desviei de ti o meu olhar,
mas quero amar-te com amor eterno.
Quem o diz é o SENHOR, o teu redentor.

9

Vou agir como no tempo de Noé:
prometi então que as águas do dilúvio
nunca mais haviam de cobrir a terra;
também agora te prometo
nunca mais me irritar contra ti
e nunca mais te ameaçar .

10
Ainda que os montes sejam abalados e tremam as colinas,
o meu amor por ti nunca mais será abalado
e a minha aliança de paz nunca mais vacilará.
Quem o diz é o SENHOR, que te ama.

11
Infeliz Jerusalém, sacudida pela tempestade,
sem ninguém para te reconfortar!
Eu mesmo te vou reconstruir de pedras trabalhadas,
colocar as tuas fundações sobre safiras,

12
estabelecer-te ameias de rubis
e portas de esmeralda;
as tuas muralhas serão de pedras preciosas .

13
Todos os teus habitantes serão discípulos do SENHOR,
e viverão em paz total.

14
Serás fundada sobre a justiça.
Livre de qualquer opressão e de qualquer terror,
nada terás a temer, nenhum mal poderá apanhar-te.

15
Se alguém te atacar, não sou eu que o faço;
mas quem te atacar, cairá diante de ti.

16
Quem cria o ferreiro, que sopra nas brasas do fogo,
e produz toda a espécie de armas, sou eu.
Mas sou eu também que crio
o exterminador para arrasar.

17
Armas fabricadas para te fazer mal não resultarão,
e se alguém te quiser acusar em tribunal,
serás tu que o farás condenar.
Esta é a herança dos servos do SENHOR,
estes os direitos que eu lhes prometo.
Sou eu, o SENHOR, quem o declara!

55

1

Atenção! Todos quantos têm sede
venham beber desta água!
Mesmo se não tiverem dinheiro,
venham comprar trigo para comer, sem nada pagar!
Levem vinho e leite, que é de graça!

2
Por que gastam o vosso dinheiro
naquilo que não alimenta,
e se cansam a trabalhar sem tirar proveito?
Mas se me escutarem, hão de comer do melhor
e saborear a comida mais deliciosa.

3
Prestem-me atenção e venham até mim;
escutem-me e viverão!
Farei convosco a aliança para sempre
garantindo os favores que prometi firmemente a David .

4
Fiz dele testemunho do meu poder para os povos,
um chefe e um legislador para as nações.

5
Pois agora, serás tu, Israel,
a chamar povos estrangeiros,
gentes que te não conheciam e que virão a ti.
Virão por causa do SENHOR, teu Deus,
porque o Santo de Israel te encheu de honra.

6
Procurem o SENHOR, uma vez que o podem encontrar;
invoquem-no uma vez que está perto de vós.

7
Que o ímpio deixe as suas maldades
e o homem mau os seus planos desonestos!
Que voltem para o SENHOR, pois tem piedade deles!
Voltem para o nosso Deus,
pois ele perdoa generosamente!

8
Realmente, o SENHOR declara:
«Os meus planos não são os vossos planos,
os vossos caminhos não são os meus caminhos.

9
Quanto o céu está acima da terra,
os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos
e os meus planos acima dos vossos planos.

10

A chuva e a neve caem do céu,
e não voltam para lá sem terem regado a terra,
sem a terem tornado fértil e sem fazerem germinar as sementes.
Assim a terra produz grão para semear e pão para comer .

11
O mesmo acontece com a palavra que sai da minha boca:
não voltará para mim sem ter produzido o seu efeito,
sem ter realizado a minha vontade,
sem ter atingido os meus propósitos.»

12
Haveis de sair de lá com alegria
e sereis conduzidos a casa com segurança.
Montes e colinas desatarão a cantar diante de vós,
e todas as árvores do campo hão de aplaudir.

13
Em vez do matagal de espinhos, crescerá o cipreste,
em vez das urtigas, crescerá a murta.
Para o SENHOR será um título de glória,
um sinal indestrutível
a lembrar para sempre esta maravilha.

56

1

Eis o que diz o SENHOR:
«Respeitem o direito e pratiquem a justiça,
porque a minha salvação está mesmo a chegar,
a minha vitória vai aparecer.

2
Feliz o homem que assim procede,
e que assim atua com firmeza,
que respeita o sábado com dedicação,
e se guarda de fazer qualquer espécie de mal.»

3

O estrangeiro que se converteu ao SENHOR não deve pensar:
«O SENHOR vai excluir-me do seu povo.»
E o eunuco também não deve pensar:
«Não passo duma árvore seca.»

4
Com efeito, o SENHOR declara o seguinte:
«Se um eunuco respeita os meus sábados,
decide fazer o que me agrada
e persevera na minha aliança,

5
dar-lhe-ei no meu templo e na minha cidade
um monumento e um nome,
bem melhor que filhos e filhas.
O seu nome ficará para sempre e nunca mais acabará.

6
O estrangeiro que se converter,
para me servir e amar como SENHOR
e para ser meu servo,
se respeitar os sábados com dedicação
e perseverar na minha aliança,

7
conduzi-lo-ei ao meu monte santo ,
enchê-lo-ei de alegria na minha casa de oração,
aceitarei os seus holocaustos e sacrifícios no meu altar,
porque a minha casa será declarada
casa de oração para todos os povos .»

8
O SENHOR Deus que reúne os exilados de Israel
declara de modo solene:
«hei de reunir ainda outros aos que já foram reunidos.»

9
Feras dos campos e animais da selva,
venham todos para o banquete!

10
Estes guardas estão cegos, não vêm nada!
São como cães mudos, incapazes de ladrar;
deitam-se a ressonar e só gostam de dormir.

11
Mas são também cães vorazes e insaciáveis.
E são estes os pastores! Gente que nada entende,
seguindo, todos até ao último, os seus belos desejos,
não pensando senão nos seus próprios interesses.

12
Dizem para os outros: «Venham! Toca a beber vinho!
Vamo-nos embebedar com bebidas fortes!
Amanhã será como hoje,
pois sobra sempre com abundância!»

57

1

E o justo definha, sem que ninguém se interesse,
os bons são ceifados, sem que ninguém entenda.
Os inocentes são vítimas dos criminosos.

2
Mas a paz há de vir
e os que seguem por caminhos retos
poderão, finalmente, repousar tranquilos.

3
Aproximem-se também, ó filhos da feitiçaria,
raça adúltera e prostituída .

4
De quem querem escarnecer?
A quem querem fazer caretas com a boca e com a língua?
Porventura não são filhos rebeldes,
raça de mentirosos?

5
Excitais os vossos desejos junto das grandes árvores,
debaixo de qualquer árvore frondosa.
Sacrificais crianças no leito das torrentes
e nas cavernas dos rochedos.

6

As pedras polidas da torrente são a tua herança
e o teu quinhão sagrado, ó Israel.
Foi a eles que ofereceste as tuas ofertas de vinho,
a eles apresentaste as tuas ofertas de cereais.
Poderei eu, o SENHOR, estar contente com tudo isto?

7
Sobre um monte alto e sobranceiro
preparavas o teu leito,
e subias até lá para ofereceres sacrifícios.

8
Por trás das ombreiras da porta
colocavas os teus feitiços.
Sem fazeres caso de mim,
despias-te e arranjavas um leito confortável.
Vendias-te aos teus amantes,
gostavas de te deitar com eles,
contemplando o ídolo obsceno .

9
Corrias para o deus Moloc com unguentos e perfumes;
enviaste mensageiros até terras longínquas,
desceste até ao abismo dos mortos.

10
Cansaste-te de tanto caminhar,
mas não disseste: «Basta!»
Encontravas novas forças e não desfalecias.

11

Quem te metia tanto medo que te levasse a enganar-me,
a não te lembrares de mim
nem a prestares-me atenção?
Não é verdade que estive calado durante muito tempo?
Por isso, é que não me respeitavas.

12
Mas vou demonstrar que a tua justiça era falsa
e que as tuas ações de nada te valem.

13
Quando gritares por socorro,
vê se a coleção dos teus ídolos te pode salvar!
A todos eles os levará o vento e um sopro os arrebatará.
Mas os que confiarem em mim
receberão o país como herança,
e possuirão a minha montanha santa.

14
O SENHOR diz:
«Abram o caminho, aplanem-no
tirem todos os obstáculos de diante do meu povo.»

15
Isto afirma aquele que é alto e excelso,
cuja morada é eterna e cujo nome é santo:
«Habito num lugar alto e santo,
mas estou com as pessoas acabrunhadas e humilhadas,
para dar vida aos humildes,
para fortificar o coração dos acabrunhados.

16
Não quero estar para sempre a acusar,
nem a ficar eternamente irado
porque, de contrário, destruiria o sopro de vida
de todos quantos criei.

17
A maldade de Israel fez com que eu me irritasse;
na minha irritação castiguei-o e não o queria mais ver.
Ele afastou-se para seguir o seu caminho preferido.

18
Conheço bem os seus caminhos;
mas hei de curá-lo, guiá-lo e reconfortá-lo.»
Aos que estão de luto

19
porei nos seus lábios este cântico:
«Paz! Paz, para os de longe e para os de perto!»
O SENHOR afirma-o: «hei de curar verdadeiramente o meu povo .»

20
Mas os maus são como um mar encapelado,
que não se pode acalmar,
as suas ondas remexem lodo e lama.

21
«Para os maus não haverá prosperidade»,
— declara o meu Deus .

58

1

Grita em alta voz, sem te cansares;
que a tua voz seja forte como o som da trombeta.
Denuncia ao meu povo as suas maldades,
aos descendentes de Jacob os seus pecados.

2

Procuram por mim dia após dia,
e mostram desejo em conhecer os meus caminhos.
Até parecem uma nação que pratica a justiça,
e que não abandonou os mandamentos do seu Deus.
Vêm pedir-me a sentença justa
e sentem-se contentes por estarem próximos de Deus.

3
Dizem-me: «Para quê jejuar,
se tu não fazes caso?
Para quê mortificar-nos, se não prestas atenção?»
Mas no dia do vosso jejum, buscais os vossos interesses,
e oprimis todos os vossos empregados.

4
Jejuais entre rixas e contendas,
dando bofetadas impiedosas.
Não devem jejuar como têm feito até agora,
se querem que a vossa voz seja ouvida nos céus.

5
Será esse o jejum que agrada ao SENHOR?
Será assim que o homem se mortifica verdadeiramente?
Curvar a cabeça como um junco,
vestir-se de luto e deitar-se sobre o pó:
é para isso que proclamais um jejum,
um dia agradável ao SENHOR?

6
O jejum que me agrada é este:
libertar os que foram presos injustamente,
livrá-los do jugo que transportam,
dar a liberdade aos oprimidos,
quebrar toda a espécie de opressão,

7
repartir o teu pão com os esfomeados,
dar abrigo aos pobres sem casa,
vestir os que vires sem roupas,
e não voltar as costas ao teu irmão .

8

Então surgirá para ti a alvorada dum dia novo,
e ficarás curado rapidamente das tuas feridas.
O triunfo caminhará na tua frente
e a glória do SENHOR atrás de ti .

9
Então chamarás pelo SENHOR e ele te responderá,
pedirás ajuda e ele te dirá: «Aqui estou!»
Se retirares da tua vida toda a opressão,
o gesto ameaçador e o falar ofensivo,

10
se repartires o teu pão com o esfomeado,
e matares a fome ao pobre,
então na escuridão em que vives brilhará a luz,
a tua obscuridade transformar-se-á em meio-dia.

11
O SENHOR será sempre o teu guia,
até em pleno deserto saciará a tua fome
e dará vigor ao teu corpo.
Serás como um jardim regado!
Como uma fonte abundante,
cujas águas nunca secam.

12
Reconstruirás as velhas ruínas,
levantá-las-ás sobre as antigas fundações.
Vão chamar-te «Reparador das brechas
e restaurador de ruas destruídas.»

13
«Se evitares trabalhar ao sábado,
não te ocupando dos teus negócios no meu dia santo,
se chamares ao sábado a tua delícia,
consagrando-o à glória do SENHOR;
se o honrares abstendo-te de viagens
e de negociares o que te interessa com muito palavreado,

14
então encontrarás no SENHOR as tuas delícias.
Farei com que caminhes em triunfo
sobre as alturas da terra,
e te alimentes na herança de Jacob, teu antepassado.
Fui eu, o SENHOR, que o prometi.»

59

1

Não pensem que o braço do SENHOR
é muito curto para vos salvar,
e que o seu ouvido é surdo para vos escutar!

2
São as vossas faltas que cavam um abismo
entre vós e o vosso Deus;
são os vossos pecados que o levam a desviar o olhar,
para não atender os vossos pedidos.

3
Porque as vossas mãos estão manchadas de sangue,
os vossos dedos, de maldades,
os vosso lábios proferem mentiras,
e as vossas línguas, calúnias.

4

Não há quem proclame a justiça,
quem se apresente em tribunal com a verdade.
As suas provas assentam na confusão,
e os seus argumentos na falsidade.
O que neles se gera é o crime
e dão à luz a maldade.

5
Tecem teias de aranha
e chocam ovos de serpente.
Quem comer desses ovos, morre;
quando se lhes quebra a casca, saem víboras.

6
As teias que eles tecem não prestam para fazer roupa;
ninguém se pode cobrir com semelhantes produtos.
O que produzem são obras de maldade,
o produto das suas mãos é a violência.

7
Correm velozes para o mal,
não perdem tempo, quando se trata de matar um inocente;
os seus planos são só para fazer o mal aos outros,
por onde passam fica a violência e o desastre.

8
Não conhecem o caminho da paz,
por onde andam, calcam o direito aos pés.
Escolheram para si caminhos tortuosos
e quem os seguir nunca há de conhecer a paz .

9
É por isso que o julgamento de Deus anda longe
e a salvação não chega até nós.
Esperávamos ver a luz e só há trevas,
a claridade do dia, e caminhamos às escuras.

10
Caminhamos às apalpadelas como os cegos diante dum muro,
andamos à deriva como os que não veem.
Ao meio-dia, tropeçamos como durante a noite escura,
estamos cheios de saúde e somos como os mortos.

11
Todos grunhimos como ursos,
e gememos como pombas.
Esperamos pelo julgamento e não aparece,
pela salvação e esta continua longe de nós.

12

Realmente, SENHOR,
os nossos crimes para contigo são muitos,
os nossos pecados são os nossos acusadores;
de facto, os nossos crimes acompanham-nos
e conhecemos bem as nossas culpas:

13
revoltámo-nos e negámos o SENHOR;
voltámos as costas contra o nosso Deus;
quando falamos é de opressão e revolta;
tudo quanto pensamos e imaginamos não passa de mentira.

14
Assim se compreende que o julgamento se afaste
e que a justiça esteja distante.
A verdade tropeça na nossa cidade,
a honestidade não entra nela.

15
Desapareceu a lealdade do meio de nós,
e quem se afasta do mal é espoliado.
O SENHOR observou tudo quanto se passava
e ficou desgostoso ao ver que só havia injustiça.

16
Pôde verificar que ninguém reagia
e estranhou que ninguém interviesse.
E interveio ele mesmo com o seu poder,
com a força que lhe vem da sua justiça .

17
Armou-se da justiça como duma couraça
e da vitória como dum capacete.
A vingança é a sua veste de guerreiro
e a indignação, o manto que leva para o combate .

18
Vai dar a cada um o que merece:
o furor para os adversários,
a represália para os inimigos,
atingindo mesmo os que estão longe.

19
Então os do Oriente hão de temer o SENHOR,
e os do Ocidente respeitar a sua glória.
A sua vinda será como torrente impetuosa
impelida pelo sopro do SENHOR.

20
Então virá um libertador para Sião
e para os que se afastam do crime, em Jacob.
É ele mesmo quem o declara !

21
E declara ainda mais:
«É esta a minha aliança para com eles:
o meu espírito que repousa sobre ti,
as minhas palavras que coloquei na tua boca,
não se afastarão da tua boca,
nem da boca dos teus filhos,
nem da boca dos teus netos.
Sou eu, o SENHOR, que o afirmo,
desde agora e para sempre.»

60

1

Levanta-te e brilha, Jerusalém,
porque a tua luz está a chegar!
A glória do SENHOR ilumina-te como sol nascente.

2
As trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos;
mas a ti, o SENHOR ilumina-te como sol nascente!
A sua glória vai aparecer sobre ti!

3
Então as nações encaminhar-se-ão para a tua luz,
e os reis serão atraídos para o esplendor da tua aurora.

4
Olha com atenção à tua volta,
e vê como todos eles se reuniram e veem a ti.
Os teus filhos vêm de longe
e as tuas filhas são trazidas aos ombros.

5
Ao veres isto, ficarás radiante de felicidade;
o teu coração, emocionado, encher-se-á de alegria,
ao ver que as riquezas do mar são despejadas junto de ti
e os tesouros das nações te são entregues.

6
Serás inundada por uma multidão de camelos,
caravanas de Madiã e de Efá.
De Sabá, virão todos, trazendo ouro e incenso,
enquanto proclamam os louvores do SENHOR.

7
Os rebanhos da região de Quedar vão-te ser entregues,
os carneiros de Nebaiot estarão ao teu serviço.
Serão apresentados no meu altar
como vítimas agradáveis,
e farei resplandecer a glória do meu templo.

8
Quem é toda esta gente?
Parecem-se a uma nuvem que corre,
ou a uma multidão de pombos que voltam ao pombal.

9
São navios que navegam para aqui,
aparecendo em primeiro lugar
os grandes navios de Társis.
Trazem os teus filhos que vêm de longe
e com eles a sua prata e o seu ouro.
Vêm glorificar o SENHOR, o teu Deus, o Santo de Israel,
que assim te enche de honra.

10

Os estrangeiros reconstruirão as tuas muralhas,
e os seus reis estarão ao teu serviço;
se eu, o SENHOR, te feri na minha indignação,
agora quero mostrar-te o meu amor e boa vontade.

11
As tuas portas ficarão sempre abertas;
não serão fechadas nem de dia nem de noite,
para te trazerem as riquezas das nações,
e os seus reis com a sua comitiva.

12

Qualquer povo ou rei que não te servir
será destruído.
Esses povos serão totalmente arrasados.

13
O melhor das florestas do Líbano será para ti,
madeiras de cipreste, de pinho e de buxo,
para ornarem o meu santo templo.
E assim vou mostrar o esplendor do trono
em que me sento.

14
Aqueles que te oprimiam virão a ti de cabeça baixa;
os que te desprezavam vão prostrar-se a teus pés.
E tu serás chamada «a cidade do SENHOR»,
«a Sião do Santo de Israel».

15
Tu eras uma cidade abandonada e desprezada
que ninguém ia visitar.
Mas agora farei de ti um motivo de orgulho e alegria
para toda a Humanidade futura.

16
As nações e os seus reis serão as tuas amas de leite,
e então saberás que sou eu, o SENHOR, que te salva,
que o teu Redentor é o Poderoso de Jacob.

17

Em vez do bronze, vou trazer-te ouro,
prata, em vez do ferro,
bronze, em vez da madeira,
ferro, em vez das pedras.
Como inspetor vou dar-te a paz
e como governador, a justiça.

18
Não se ouvirá mais falar de violência na tua terra,
nem de ruína e destruição dentro das tuas fronteiras.
Vais poder chamar às tuas muralhas «salvação»
e às tuas portas «louvor».

19
Já não será o Sol que te iluminará durante o dia,
nem a Lua, durante a noite.
O SENHOR, teu Deus, será a tua luz,
o teu esplendor, para sempre.

20
Não mais se porá o teu Sol
e a tua Lua não mais se esconderá,
porque o SENHOR será a tua luz para sempre.
E então será o fim do teu luto .

21

Todos os teus habitantes formarão um povo de justos,
e hão de possuir esta terra para sempre.
Serão como uma árvore que eu plantei,
a obra das minhas mãos,
para manifestarem a minha glória.

22
A família mais pequena terá mil pessoas,
a mais modesta será como uma nação poderosa.
Eu sou o SENHOR
e em breve farei com que tudo isto aconteça.

61

1

O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim,
porque o SENHOR me consagrou
para levar a boa nova aos pobres,
para curar os desesperados,
para proclamar a libertação aos exilados
e aos prisioneiros a liberdade ;

2
para anunciar o ano da graça do SENHOR
e o dia em que o nosso Deus se vai vingar dos inimigos;
para consolar os que estão de luto ;

3
para colocar na cabeça dos enlutados de Sião
uma coroa em vez da cinza,
um perfume de felicidade em vez da cara triste,
um vestido de festa em vez do rosto abatido.
Então serão chamados: «Terebintos do Deus Justo,
jardim plantado para a glória do SENHOR».

4
Reconstruirão o que há muito estava em ruínas,
levantarão as casas em escombros,
restaurarão as cidades arrasadas por muitas gerações.

5

Os estrangeiros ficarão lá
a apascentar os vossos rebanhos,
gente de fora cultivará os vossos campos e vinhas.

6
Sereis chamados «sacerdotes do SENHOR»,
e proclamados «servos do nosso Deus».
Haveis de comer da fortuna das nações
e substituí-las na sua glória .

7

Em vez da dupla desonra, que padecestes
e das injúrias que, contentes,
os inimigos vos prepararam,
ireis receber também a dobrar
a riqueza das terras dos vossos inimigos,
e haveis de viver sempre com alegria.

8

Eu, o SENHOR, amo o que é reto,
mas odeio o roubo e o crime.
Por isso, vou recompensá-los de modo fiel
e farei com eles uma aliança para sempre.

9
Os seus descendentes serão conhecidos
em toda a parte e entre todas as nações;
os que os viram reconhecerão
que sois a raça que o SENHOR abençoou.

10
Rejubilo de alegria no SENHOR
e exulto de contentamento no meu Deus,
porque a sua salvação cobre-me como um vestido de festa
e a sua vitória, como um manto de triunfo.
Sou como um noivo com o traje solene de casamento
como uma noiva enfeitada com as suas joias .

11
Na verdade, assim como a terra faz nascer os rebentos,
ou como um jardim faz brotar as sementes,
assim o SENHOR Deus faz germinar a salvação e o louvor
diante de todas as nações.

62

1

Pelo amor que tenho a Sião não me calarei,
pelo amor de Jerusalém não descansarei,
até que apareça a aurora da sua justiça
e a sua salvação brilhe como uma chama.

2
As nações hão de ver a tua justiça,
todos os reis contemplarão a tua glória;
hão de chamar-te um nome novo
que o próprio SENHOR escolheu.

3
Serás como uma coroa brilhante
na mão do SENHOR,
como um diadema real
na palma do teu Deus.

4
Não mais serás chamada «cidade abandonada»,
nem a tua terra será «terra devastada».
Antes serás chamada «preferida do SENHOR»,
e à tua terra chamarão «a bem casada».
Na verdade, terás a preferência do SENHOR
e a tua terra terá um esposo.

5
Assim como um rapaz se casa com uma jovem,
também aquele que te reconstrói se casa contigo.
Assim como a noiva é a alegria do noivo,
também tu serás a alegria do teu Deus.

6

Sobre as tuas muralhas, Jerusalém,
coloquei sentinelas.
Elas nunca se poderão calar,
nem de dia nem de noite.
«Os que se lembram do SENHOR
não se deem descanso

7
e não permitam que ele descanse
até que dê a Jerusalém estabilidade
e faça dela a admiração da terra.»

8

O SENHOR fez este juramento ao meu povo,
garantindo pelo poder da sua mão direita e do seu braço:
«Nunca mais deixarei que o teu trigo
sirva de alimento para os teus inimigos,
e que o teu vinho novo, que tanto te custou a cultivar,
sirva de bebida aos estrangeiros.

9
Os que hão de comer o trigo, louvando o SENHOR,
são os que o ceifarem;
os que hão de beber o vinho no meu santo templo,
são os que o vindimarem.»

10

Saiam! Saiam depressa pelas portas!
Preparem o caminho para o povo,
aplanem, aplanem a calçada
e limpem-na das pedras,
levantem um sinal para que os povos vejam.

11
O SENHOR faz ouvir as suas ordens em toda a terra.
Digam, pois, ao povo de Sião:
«Vem aí o teu salvador ;
traz consigo, o prémio da sua vitória
e a recompensa o acompanha .»

12
Esses serão chamados «povo santo»,
«resgatados pelo SENHOR».
E tu serás chamada «a desejada»,
«cidade não abandonada».

63

1

Quem é este que vem de Bosra, capital de Edom ,
com as roupas tingidas de vermelho?
Quem é este tão ricamente vestido
e que avança cheio de força?

— Sou eu!
Aquele que pronuncia a sentença justa
e tem todo o poder para salvar.

2

— Mas por que é que as tuas roupas estão vermelhas
e parecem as dos que pisam uvas no lagar?

3

— Trabalhei sozinho no lagar,
sem que nenhum outro povo me viesse ajudar.
Pisei os povos na minha cólera,
esmaguei-os no meu furor.
O seu sangue salpicou as minhas roupas
e fiquei todo manchado .

4
Porque este é o dia em que decidi vingar-me;
chegou o tempo do resgate.

5
Procurei, mas não vi ninguém para me ajudar.
Fiquei admirado por ninguém me apoiar .
Então eu mesmo pus mãos à obra
e a minha indignação foi o meu apoio.

6
Esmaguei os povos na minha ira,
embriaguei-os na minha indignação
e fiz correr o seu sangue pela terra.

7
Vou recordar as misericórdias do SENHOR
e os motivos para o louvar:
tudo quanto fez por nós o SENHOR,
toda a sua bondade para com o povo de Israel;
tudo quanto lhes retribuiu com amor,
e com a sua imensa bondade.

8

Ele disse de Israel: «Estes são o meu povo,
os filhos que não me hão de atraiçoar!»
E foi para eles o seu salvador.

9
Em todas as suas amarguras,
não foi um mensageiro nem um enviado,
mas foi ele mesmo que os salvou ;
foi ele que os resgatou
com o seu amor e a sua clemência;
foi ele que se encarregou deles e os transportou
durante toda a sua história passada.

10

Mas eles revoltaram-se
e ofenderam o santo Espírito de Deus.
E então tornou-se inimigo deles e pôs-se a combatê-los.

11
O povo recordou-se da história antiga
nos tempos de Moisés:
«Onde está aquele que tirou este povo do mar,
tanto os pastores como o seu rebanho?
Onde está aquele que pôs o seu santo espírito
no meio do seu povo?

12
Era ele que avançava à direita de Moisés
com o glorioso poder do seu braço.
Dividiu o mar diante deles,
conquistando para si um título eterno de glória.

13
Foi ele que os encaminhou pelo fundo do mar,
como um cavalo pela planície,
sem nunca os deixar tropeçar.

14
Mais pareciam um rebanho de gado
a descer por entre desfiladeiros,
conduzidos ao lugar de repouso pelo Espírito do SENHOR.»

Foi assim, SENHOR, que conduziste o teu povo,
conquistando para ti um nome glorioso.

15
Desde a tua morada santa e esplêndida nos céus,
repara bem e vê!
Onde está o teu zelo e a tua valentia?
Onde estão os teus sentimentos de ternura?
Já se esgotou a tua misericórdia para comigo?

16
Mas tu és o nosso pai .
Abraão, nosso antepassado, não nos conheceu
e Israel não se importou connosco;
só tu, SENHOR, és o nosso pai,
e o teu nome, desde sempre, é «nosso Libertador».

17
Por que nos deixas extraviar dos teus caminhos,
e que o nosso coração se endureça para não te respeitar?
Volta, por amor de nós, teus servos,
as tribos da tua herança.

18
Por pouco tempo o teu povo santo tomou posse do país;
os inimigos espezinharam o teu santo templo.

19
Desde há muito que não governas sobre nós,
nem somos chamados pelo teu nome!
Quem dera que rasgasses os céus e descesses!
Diante de ti as montanhas haviam de estremecer!

64

1

Serias como um fogo que abrasa a lenha seca,
ou que faz ferver a água.
Os teus adversários ficariam a saber quem tu és;
as nações haviam de tremer diante de ti,

2
pelos prodígios inesperados que realizarias.
Ao desceres, as montanhas haviam de tremer, diante de ti.

3
Nunca alguém ouviu dizer
e jamais olho algum pôde ver
que algum deus, exceto tu,
tenha feito o que tu fazes por quem em ti confia.

4
Vais ao encontro dos que praticam com alegria o que é justo,
e se recordam dos teus caminhos para os seguir.
Se tu te irritaste foi por causa dos nossos pecados,
mas seremos salvos seguindo os caminhos de outrora .

5
Somos todos pessoas impuras
todas as nossas melhores ações
são como um pano manchado de sangue;
estamos murchos como as folhas secas
e as nossas maldades arrebatam-nos como o vento.

6
Não há quem te invoque,
nem se esforce para procurar apoio em ti,
porque desviaste de nós o teu olhar
e afastaste-te de nós, devido às nossas iniquidades.

7
Mas tu, SENHOR, é que és o nosso pai.
Nós somos o barro e tu és o oleiro;
foste tu que nos moldaste a todos .

8
Não te irrites, SENHOR, em demasia,
nem lembres para sempre das nossas faltas;
olha com atenção que todos nós somos o teu povo.

9
As tuas cidades santas estão despovoadas,
Sião parece um deserto e Jerusalém um lugar devastado.

10
O nosso templo sagrado, que era o nosso orgulho,
onde os nossos antepassados celebravam os teus louvores,
tornou-se presa das chamas.
Este lugar que nós amávamos acima de tudo
ficou em completa ruína.

11
Diante de tudo isto, SENHOR, podes ficar insensível?
Vais permanecer calado e humilhar-nos ainda mais?

65

1

Eu estava pronto a responder, mas não me consultaram,
estava à disposição, mas não me procuraram.
A uma nação que não me invocava ,
eu dizia: «Estou aqui! Estou aqui!»

2
Estendi as mãos todos os dias a um povo rebelde,
que andava por maus caminhos,
seguindo apenas os seus planos pessoais.

3
É um povo que me provoca descarada e continuamente:
oferecem sacrifícios nos seus jardins
e queimam incenso aos ídolos em altares de tijolo;

4
vão sentar-se nos sepulcros
e passar algum tempo nas grutas ;
comem carne de porco
e põem nos seus pratos alimentos impuros.

5
Dizem a quem deles se aproxima:
«Cuidado! Não te aproximes de mim,
por causa da minha santidade.»
Estas práticas deixam-me a arder em cólera,
como fogo que arde continuamente.

6
Tomei nota, por escrito, de tudo isto
e não me calarei; vou obrigá-los a pagar por tudo;
vou lançar-lhes com tudo à cara.

7
Vou tomar em conta conjuntamente
as vossas faltas e as faltas dos vossos antepassados.
É o SENHOR quem o declara!
Também eles me ultrajavam nas montanhas e colinas,
queimando incenso em honra dos falsos deuses.
Hei de juntar o que eles fizeram desde antigamente
e lançar-lhes com tudo à cara.

8

Eis o que diz o SENHOR:
«Quando se vê que um cacho de uvas tem sumo,
não se destrói porque promete bom vinho»,
assim farei eu também, por causa dos meus fiéis;
não quero deitar tudo a perder.

9
Darei descendentes a Jacob,
e de Judá sairá o possuidor das minhas montanhas;
aqueles que eu escolhi serão os seus proprietários;
os meus fiéis habitarão lá.

10
Para aqueles que de entre o meu povo me procurarem
a planície de Saron será pastagem das ovelhas
e o vale de Acor logradouro para as vacas .

11
Quanto aos que abandonaram o SENHOR,
e esqueceram a minha montanha santa,
que serviram refeições e taças cheias de vinho
a Gad e Meni, deuses do destino,

12
eu é que vos vou dar o destino duma morte sangrenta;
hão de ser degolados com os joelhos por terra.
Porque eu chamei-vos, mas não me responderam,
falei-vos, mas não me ouviram;
fizeram o mal que me desagrada
e escolheram aquilo de que eu não gosto.

13
Por isso, assim declara o SENHOR Deus:
«Enquanto os que me são fiéis hão de comer,
vós passareis fome;
os que me são fiéis terão o que beber,
mas vós morrereis de sede;
os que me são fiéis hão de rejubilar,
e vós ficareis envergonhados.

14
Os que me são fiéis cantarão cheios de felicidade,
enquanto vós haveis de gritar cheios de dor,
haveis de vos lamentar de coração destroçado.

15
Para os meus escolhidos,
os vossos nomes servirão de maldição:
“Que o SENHOR Deus te faça morrer como fulano!”
Mas para abençoar os que me são fiéis
será invocado um nome bem diferente!

16
Aquele que quiser ser abençoado, neste país,
será abençoado em nome do único Deus verdadeiro;
aquele que quiser jurar, neste país,
jurará pelo nome do único Deus verdadeiro.
Na verdade, as angústias do passado serão esquecidas,
desaparecerão para longe da minha vista.»

17
«Eu, o SENHOR, vou criar um céu novo e uma nova terra,
de modo que não pensareis mais no passado,
nem vos preocupareis por coisas de outrora .

18
Alegrem-se e rejubilem por aquilo que eu vou criar,
pois vou criar uma Jerusalém cheia de entusiasmo
e um povo cheio de alegria.

19
Eu mesmo me entusiasmo com esta Jerusalém,
e me alegro com este povo;
e não se hão de ouvir mais nem choros nem gritos .

20
Não haverá ali criança que morra de tenra idade,
nem adulto que não chegue à velhice,
pois será ainda novo o que morrer aos cem anos,
e quem não chegar a esta idade será como um amaldiçoado.

21
Construirão casas e habitarão nelas,
plantarão vinhas e comerão o seu fruto.

22
Não construirão casas para os outros gozarem delas,
nem plantarão vinhas para os outros as aproveitarem.
O meu povo viverá longos anos como as árvores
e os meus escolhidos
hão de gozar dos bens que produzirem .

23
Nunca mais se hão de fatigar em vão,
nem hão de gerar filhos para os ver morrer,
porque serão a descendência bendita do SENHOR,
tanto eles como os seus filhos.

24
Ainda antes de me chamarem, eu lhes hei de responder,
antes de acabarem de falar, eu os hei de ouvir.

25
O lobo e o cordeiro pastarão juntos,
o leão e o boi comerão palha
e o alimento da serpente será o pó da terra.
Sou eu, o SENHOR, quem o afirma!
Não se cometerá mais o mal e a destruição
em todo o meu monte santo .»

66

1

Eis o que o SENHOR declara:
«O céu é o meu trono e a terra o estrado dos meus pés .
Que género de templo podereis construir-me,
ou que lugar para eu repousar?

2
Tudo quanto existe é obra das minhas mãos;
repito: tudo me pertence.
Eu olho com atenção é para o pobre
e para o que tem o coração destroçado,
pois escutam a minha palavra com todo o respeito.

3

Há quem imole um touro,
mas é capaz também de matar um homem;
há quem sacrifique uma ovelha,
mas é capaz também de degolar um cão;
há quem apresente uma oferta de farinha,
mas é capaz também de apresentar sangue de porco;
há quem ofereça o incenso a Deus,
mas honra também os falsos deuses.
Para os que escolheram seguir tais caminhos
e se comprazem em tais abominações,

4
também eu escolhi entregá-los aos seus caprichos,
e fazer vir sobre eles o que eles mesmos temem.
Porque eu chamei, mas ninguém respondeu,
falei, mas não ouviram.
Fizeram o mal que me desagrada
e escolheram aquilo de que eu não gosto.»

5

Ouçam o que diz o SENHOR,
vós que aceitais a sua palavra com todo o respeito.
Há compatriotas vossos que vos detestam
e vos excluem por causa da vossa fidelidade ao SENHOR.
Eles dizem: «Que o SENHOR mostre a sua glória,
para podermos comprovar a vossa alegria!»
Mas eles é que serão humilhados.

6
Ouçam o barulho que vem da cidade,
este ruído que vem do templo!
É a voz do SENHOR que dá a paga aos seus inimigos
conforme aquilo que eles merecem.

7

Antes das contrações do parto, ela deu à luz,
antes que as dores viessem, teve um menino.

8
Quem alguma vez ouviu tal
ou viu coisa semelhante?
Porventura um povo nasce num só dia
ou uma nação nasce duma só vez?
Mas foi este o caso de Sião:
mal sentiu as contrações, deu à luz os seus filhos.

9
E agora pergunta o SENHOR, teu Deus:
«Se eu conduzo a mulher até ao fim da gravidez,
iria impedir que lhe nasça o filho?
Se eu preparo o nascimento,
será para o tornar impossível?»

10

Vós, que amais Jerusalém,
alegrai-vos e rejubilai com ela.
Todos quantos têm partilhado com ela do seu luto
regozijem-se agora com o seu regozijo.

11
E assim podereis amamentar-vos dos seus peitos
e saciar-vos dos seus consolos,
saboreando a delícia dos seus peitos abundantes.

12

Eis o que o SENHOR afirma:
«Vou levar a Jerusalém a paz como um rio abundante
e as riquezas das nações
como uma torrente que transborda.
Sereis amamentados, levados ao colo,
e acariciados sobre os joelhos.

13
Assim como uma mãe consola o seu filho,
também eu vos consolarei.
E é em Jerusalém que haveis de ser consolados.

14
Ao ver tudo isto
o vosso coração ficará cheio de alegria;
o vosso corpo retomará vigor como a erva na primavera.»

O SENHOR mostrará o seu poder aos que lhe são fiéis,
mas a sua indignação aos seus inimigos.

15
Eis como o SENHOR se vai apresentar:
ele vai chegar no meio dum fogo,
e os seus carros serão como um furacão.
Vem dar a paga com o furor da sua ira
e amaldiçoar com a chama do seu fogo.

16
É pelo fogo e pela espada
que o SENHOR vai julgar toda a Humanidade.
E muitos cairão sob os seus golpes.

17
São aqueles que se consagram e se purificam
para os seus rituais nos jardins
e se colocam atrás daquele que fica ao centro,
aqueles que comem carne de porco ou de rato,
que são coisas abomináveis.
É o SENHOR quem o afirma!
Todos esses hão de morrer de uma vez por todas .

18
Eu conheço as suas obras e os seus planos!

Eu, o SENHOR, venho reunir os povos de todas as nações e línguas para contemplarem a minha glória.

19 Colocarei no meio delas um sinal: enviarei os que forem salvos aos povos de Társis, de Pul, da Etiópia e da Líbia, especialistas do arco, de Tubal, da Grécia e das ilhas longínquas, onde nunca se ouviu falar de mim e onde nunca se viu a minha glória. Eles revelarão a minha glória a estas nações .

20 E de todos estes países, como se se tratasse duma oferta feita ao SENHOR, trarão os vossos irmãos, a cavalo, em carros, em liteiras, em machos e em camelos, até à minha montanha santa, em Jerusalém. É o SENHOR que o afirma. Vai ser como quando os israelitas trazem ofertas ao templo do SENHOR em vasos sagrados.

21 E destas nações vou escolher sacerdotes e levitas. É o SENHOR quem o afirma!


22
Os vossos descendentes e o vosso nome
existirão sempre na minha presença
tal como o novo céu e a nova terra que eu vou criar.
É o SENHOR quem o afirma!

23

Desta maneira, em cada mês e em cada sábado,
todos virão inclinar-se diante de mim,
diz o SENHOR.

24
Ao sair, hão de ver
os cadáveres dos que se revoltaram contra mim.
Os seus vermes não morrem
e o fogo que os devora não se apaga.
Eles serão um objeto de horror para todos os humanos .