1
Depois da morte de Saul e após ter derrotado os amalecitas, David regressou a Siclag, onde permaneceu dois dias.2 Ao terceiro dia, chegou do acampamento de Saul um homem que trazia a roupa rasgada e a cabeça coberta de terra em sinal de tristeza. Quando chegou diante de David, inclinou-se respeitosamente até ao chão.
3 David perguntou-lhe: «De onde vens?» Ele respondeu: «Fugi do acampamento dos israelitas.»
4 David insistiu com ele: «Diz-me o que é que aconteceu.» O homem respondeu-lhe: «O exército de Israel foi desbaratado; e muitos caíram mortos e morreu também Saul e o seu filho Jónatas.»
5 David voltou a perguntar-lhe: «Como é que sabes que Saul e o seu filho Jónatas morreram?»
6 Ele respondeu: «Por acaso, eu estava no monte Guilboa e vi Saul deixar-se cair sobre a sua própria espada, quando os carros de combate e a cavalaria inimiga estavam já muito próximos dele.
7 Foi então que ele olhou para trás e, ao ver-me, chamou-me. Eu respondi-lhe: “Às suas ordens.”
8 Perguntou-me quem eu era e respondi-lhe que era um amalecita.
9 Pediu-me para me aproximar dele e para acabar de o matar, porque já tinha entrado em agonia, mas ainda continuava vivo.
10 Aproximei-me então dele e matei-o, pois bem sabia que, tal como estava, ele não conseguia resistir por mais tempo. Tirei-lhe a coroa da cabeça e a bracelete que tinha no braço e trouxe-os para si, meu senhor. Aqui estão !»
11
Ao ouvir isto, David e todos os que estavam com ele, rasgaram a roupa em sinal de tristeza.12 Eles choraram, lamentaram-se e jejuaram até à tarde, pela morte de Saul e de Jónatas, seu filho, e pelos israelitas, membros do povo do SENHOR que tinham caído mortos naquela guerra.
13
Depois disto, David perguntou ao jovem que lhe tinha trazido a notícia: «De onde és tu?» Ele respondeu: «Sou filho de um emigrante amalecita.»14 David disse-lhe: «E como é que te atreveste a levantar a mão para matares o rei que o SENHOR escolheu?»
15 David chamou um dos seus homens e ordenou-lhe que o matasse. Ele matou o amalecita,
16 enquanto David dizia: «Tu és o responsável pela tua própria morte, pois tu mesmo te declaraste culpado ao confessares que tinhas dado a morte ao escolhido do SENHOR.»
17
Depois David entoou o seguinte cântico de lamentação pela morte de Saul e do seu filho Jónatas,18 e ordenou que o ensinassem à gente de Judá. Esta lamentação está escrita no livro do Justo .
19
«Sobre as suas montanhas jazem mortos
os que eram a glória de Israel!
Como caíram os mais valentes!
20
Não o anunciem em Gat,
nem o contem nas ruas de Ascalon,
para que as filhas dos filisteus não se alegrem
nem saltem de alegria as filhas dos pagãos.
21
Ó montes de Guilboa ,22
a não ser de sangue das vítimas
e da gordura dos guerreiros.
O arco de Jónatas nunca falhava o alvo
e a espada de Saul nunca era desembainhada em vão.
23
Saul e Jónatas, amados e queridos,24
Mulheres de Israel, chorem por Saul!25
Como caíram os valentes em plena batalha!26
Estou triste, por tua causa, Jónatas, meu irmão!27
Como caíram os heróis!1
Depois destas coisas, David consultou o SENHOR e disse-lhe: «Devo atacar alguma das cidades de Judá?» O SENHOR respondeu-lhe: «Sim, deves fazê-lo.» E David perguntou vivamente ao SENHOR: «Qual delas?» O SENHOR respondeu-lhe: «A cidade de Hebron .»2
David dirigiu-se para lá com as suas duas mulheres: Ainoam, que era de Jezrael, e Abigail, que tinha sido mulher de Nabal, que era do Carmelo.3 David fez-se acompanhar também dos seus homens com as suas respetivas famílias que se estabeleceram nas cidades da região de Hebron.
4 Em seguida, os homens de Judá foram consagrar David com a unção como rei de Judá.
Foram dizer a David que a população de Jabés de Guilead é que tinha sepultado Saul,5 e David mandou-lhes alguns homens com esta mensagem: «Que o SENHOR vos abençoe por terem mostrado esta bondade para com Saul, vosso rei, dando-lhe sepultura.
6 Que o SENHOR vos trate com bondade e fidelidade. Também eu vos tratarei muito bem, por haverdes agido assim.
7 Sede fortes e valentes. Saul, vosso rei, morreu, mas os da tribo de Judá consagraram-me igualmente a mim, para ser o seu rei.»
8
Mas Abner, filho de Ner, chefe do exército de Saul, levou Isboset , o filho de Saul, a Manaim,9 e ali o consagrou como rei de Guilead, de Achur, de Jezrael, de Efraim, de Benjamim e de todo o Israel .
10 Este Isboset, filho de Saul, tinha quarenta anos quando começou a reinar em Israel, e foi rei durante dois anos. Apenas a tribo de Judá seguia David.
11 E o tempo em que David reinou sobre Judá foi de sete anos e seis meses e a capital era Hebron.
12
Abner saiu então de Manaim e foi para Guibeon, à frente das tropas de Isboset, filho de Saul.13 Por sua vez, Joab, filho de Seruia, saiu à frente das tropas de David e encontraram-se os dois exércitos perto da cisterna de Guibeon, cada qual tomando as respetivas posições dum lado e do outro da cisterna.
14 Abner disse a Joab: «Vamos propor que alguns jovens de ambos os lados lutem diante de nós.» E Joab respondeu: «Está bem!»
15
Desta maneira, foram nomeados doze rapazes da tribo de Benjamim para representarem os adeptos de Isboset, filho de Saul, e outros doze para representarem os adeptos de David.16 Cada qual agarrou o seu adversário pela cabeça e cravou-lhe a espada nas costas. Deste modo caíram todos mortos na mesma altura. E por isso, aquele lugar, situado em Guibeon, foi chamado «Campo das Rochas ».
17 O combate naquele dia foi muito duro e Abner, com as tropas de Isboset, foi derrotado pelos soldados de David.
18 Estavam lá os três filhos de Seruia: Joab, Abisai e Assael. Assael era ligeiro como uma gazela dos campos,
19 e pôs-se a perseguir Abner, correndo atrás dele.
20 Entretanto Abner olhou para trás e exclamou: «És tu, Assael?» E este respondeu-lhe: «Sim, sou eu mesmo!»
21 Abner disse-lhe: «Deixa de me perseguir! É melhor para ti perseguires um soldado e ficares com os seus despojos.» Mas Assael não desistiu de o perseguir.
22 Abner disse a Assael mais uma vez: «Deixa de me perseguir! Caso contrário tenho que te matar. E depois com que cara me posso apresentar ao teu irmão, Joab?»
23
Assael recusou-se a deixar de perseguir Abner. Então Abner matou-o cravando-lhe na barriga a ponta da lança que lhe saiu pelas costas. Assael caiu morto ali mesmo. E todos os que chegavam ao sítio onde ele tinha caído morto paravam.24
Então Joab e Abisai puseram-se em perseguição de Abner. Ao pôr do sol, chegaram à colina de Ama, que está em frente de Guia, no caminho do deserto de Guibeon.25 Entretanto os da tribo de Benjamim reuniram-se a Abner e formaram com ele um batalhão, tomando posições no cimo duma colina.
26 Então Abner gritou em direção de Joab: «Esta matança nunca mais vai acabar? Não estás a ver que isto só nos pode trazer muita tristeza? Quando é que dás ordens à tua gente para deixar de perseguir os teus irmãos?»
27 Joab respondeu: «Juro-te por Deus que, se não tivesses falado, os meus homens teriam continuado a perseguir os seus irmãos até ao amanhecer.»
28
Joab mandou que tocassem as trombetas e todos pararam, deixando de perseguir os israelitas e de lutar contra eles.29 Abner e os seus homens caminharam pelo vale de Arabá, durante toda aquela noite. Atravessaram o Jordão, caminharam ao longo da região de Bitron e chegaram a Manaim.
30
Logo que Joab deixou de perseguir Abner, reuniu todos os seus homens e, ao fazer a chamada, viu que tinham morrido dezanove dos homens de David, além de Assael.31 Mas os homens de David tinham matado trezentos e sessenta homens de Benjamim e de Abner.
32
Levaram o corpo de Assael para Belém e enterraram-no lá, no sepulcro de seu pai. Joab e os seus homens caminharam toda a noite, e, ao amanhecer, estavam em Hebron.1
A guerra entre os adeptos da família de Saul e os da família de David durou muito tempo. Mas enquanto o partido de David era cada vez mais forte, o de Saul tornava-se cada vez mais fraco.2
Os filhos que nasceram a David, enquanto esteve em Hebron foram: o mais velho, Amnon, que teve por mãe Ainoam, de Jezrael;3 o segundo, Quileab, que teve por mãe Abigail, que tinha sido mulher de Nabal, do Carmelo; o terceiro, Absalão, que teve por mãe Macá, a filha de Talmai, rei de Guechur ;
4 o quarto, Adonias, que teve por mãe Haguite; o quinto, Chefatias, que teve por mãe Abital;
5 o sexto, Itream, que teve por mãe Egla, outra mulher de David. Todos estes lhe nasceram em Hebron.
6
Enquanto durou a guerra entre a família de Saul e a de David, Abner ganhou cada vez mais poder sobre a família de Saul.7 Saul tinha tido uma concubina chamada Rispa, filha de Aiá. Isboset disse a Abner: «Por que é que tiveste relações com a concubina do meu pai ?»
8 Abner ficou muito aborrecido com estas palavras e respondeu-lhe: «Porventura sou um cão ao serviço dos da tribo de Judá? Desde a primeira hora que fui fiel à casa de Saul, teu pai, aos seus irmãos e amigos, e salvei-te de seres derrotado por David. E agora acusas-me de falta por causa daquela mulher?
9 Pois que o SENHOR me castigue severamente, se eu não fizer a David aquilo que o SENHOR lhe prometeu:
10 tirar a realeza à dinastia de Saul e estabelecer David no trono de Israel e de Judá, desde Dan, no norte até Bercheba, no sul.»
11 Isboset nada mais conseguiu responder a Abner, por causa do medo que tinha dele.
12
Entretanto Abner mandou mensageiros a David com a seguinte proposta: «De quem é o país? Façamos um contrato e eu farei quanto estiver ao meu alcance para que todo o Israel se junte a ti.»13 David respondeu-lhe: «Ótimo! Concordo em fazer um pacto contigo, mas com uma condição: a de trazeres contigo Mical, a filha de Saul, quando me vieres ver. Só assim poderás voltar a ver-me novamente.»
14 Por este motivo, David mandou alguns mensageiros a Isboset, filho de Saul, para lhe dizerem: «Entrega-me a minha mulher Mical, com quem me casei como prémio de ter cortado o prepúcio de cem filisteus.»
15 Perante isto, Isboset mandou que a tirassem ao seu marido Paltiel, filho de Laís.
16 Mas Paltiel foi atrás dela, a chorar, e acompanhou-a até Baurim. Foi então que Abner lhe mandou que voltasse para sua casa e ele assim fez.
17
Depois Abner foi ter com os responsáveis de Israel e disse-lhes: «Desde há muito tempo que vocês desejam David para vosso rei.18 Chegou agora o momento de agir, porque o SENHOR prometeu a David, que por meio dele, havia de livrar Israel, seu povo, do domínio dos filisteus e do poder de todos os seus inimigos.»
19 Abner falou assim à população da tribo de Benjamim e depois foi ter com David, em Hebron, para lhe comunicar o parecer de Israel e de toda a tribo de Benjamim.
20
Abner, acompanhado de vinte homens, foi ter com David em Hebron e David ofereceu-lhe, a ele e aos seus acompanhantes, um banquete.21 No fim, Abner disse a David: «Chegou a hora de eu partir e de reunir toda a gente de Israel para fazerem um pacto contigo, para poderes ser o seu rei, como pretendes.» David deu licença e Abner foi-se embora em paz.
22
Joab e alguns dos homens de David chegaram, nesse momento de uma expedição, trazendo consigo uma grande quantidade de despojos. Abner já não estava em Hebron; David tinha-lhe dado licença para ele poder ir-se embora em paz.23 Quando Joab chegou com o seu exército contaram-lhe que Abner, filho de Ner, tinha estado com o rei e que este o tinha mandado em paz.
24 Então Joab foi ter com o rei e disse-lhe: «Ó rei, por que é que fez isso? Abner veio apresentar-se diante do rei e deixou-o ir embora em paz,
25 mesmo sabendo que Abner, filho de Ner, veio apenas para o enganar e espiar todos os seus movimentos e planos.»
26
Mal Joab deixou David, enviou logo emissários em busca de Abner, sem que David o soubesse, e estes encontraram-no na cisterna de Sirá e obrigaram-no a regressar.27 Quando Abner chegou a Hebron, Joab levou-o para um lado da porta da cidade, como se fosse para lhe falar a sós, e ali o matou apunhalando-o na barriga, para assim se vingar da morte do seu irmão Assael.
28
Quando David tomou conhecimento do sucedido, declarou: «Eu e o meu reino, somos completamente inocentes, diante do SENHOR, do assassinato de Abner, filho de Ner.29 Que as culpas caiam sobre a cabeça de Joab e sobre toda a sua família e que, em castigo, nunca falte em sua casa alguém que sofra de corrimento, de lepra ou que tenha de fazer os trabalhos das mulheres, alguém que seja assassinado ou padeça de fome!»
30
Joab e seu irmão Abisai mataram Abner porque na batalha de Guibeon, Abner tinha matado o irmão deles, Assael.31
Depois David ordenou a Joab e a todos os que estavam com ele que rasgassem as roupas, se vestissem de panos grosseiros e assim guardassem luto pela morte de Abner. No funeral, o rei David ia atrás do caixão.32 Sepultaram Abner em Hebron e o rei chorou amargamente junto do túmulo, e bem assim todo o povo.
33 Depois o rei entoou esta lamentação por Abner:
«Por que é que morreste34
Não tinhas as mãos encadeadas
nem os pés ligados a ferros.
Morreste como quem morre às mãos de criminosos.»
35
Os que estavam com David pediam-lhe para que comesse qualquer coisa, antes que terminasse o dia. Mas David fez esta promessa solene: «Que Deus me castigue com toda a dureza, se eu comer qualquer coisa antes de o Sol se pôr!»36 Ao tomar conhecimento disto, o povo achou bem esta atitude. E tudo quanto o rei fazia era bem-visto por todo o povo.
37 Naquele dia, todo o povo, todos os israelitas, ficaram a saber que o rei não tivera nada a ver com a morte de Abner, filho de Ner.
38 Finalmente o rei disse aos seus oficiais: «Não sabem que um grande chefe e um grande homem acaba de morrer em Israel?
39 Por isso, embora eu seja o rei que Deus escolheu sinto-me fraco diante da violência dos filhos de Seruia. Que o SENHOR castigue os que merecem ser castigados.»
1
Quando Isboset, filho de Saul, soube que Abner tinha sido morto em Hebron, ficou cheio de medo e todo o povo de Israel ficou alarmado.2
Isboset tinha ao seu serviço dois homens, que eram chefes de uma quadrilha de ladrões. Um chamava-se Baaná e o outro Recab. Eram filhos de Rimon de Berot, da tribo de Benjamim. De facto, a povoação de Berot era considerada como pertencente à tribo de Benjamim,3 embora o povo de Berot tivesse fugido para Guitaim, onde têm vivido até ao dia de hoje.
4
Jónatas, filho de Saul, tinha um filho chamado Mefiboset , que era aleijado dos pés. É que, quando este tinha a idade de cinco anos, chegou a notícia a Jezrael de que Saul e Jónatas tinham morrido. Então a ama de Mefiboset agarrou-o para fugir com ele; mas, com as pressas, deixou-o cair e a criança ficou coxa.5
Entretanto Recab e Baaná, os filhos de Rimon de Berot, foram à casa de Isboset e chegaram lá à hora de maior calor, quando este estava a dormir a sesta.6 Penetraram no interior da casa, como quem vai entregar trigo, e mataram-no com uma punhalada na barriga. Depois Recab e o seu irmão Baaná fugiram.
7
Após terem entrado em casa de Isboset, quando ele estava deitado na cama a dormir, mataram-no e cortaram-lhe a cabeça e levaram-na consigo, caminhando toda a noite pelo caminho de Arabá,8 para a irem entregar a David em Hebron. Então disseram ao rei: «Aqui está a cabeça de Isboset, o filho do seu inimigo Saul, que procurava matar o rei. Mas hoje o SENHOR Deus concedeu ao rei a vingança completa sobre Saul e os seus descendentes.»
9
David deu a Recab e Baaná, filhos de Rimon de Berot, a seguinte resposta: «Juro pelo SENHOR, que me libertou de todos os perigos!10 Quando vieram ter comigo, pensando que me davam uma boa notícia, a contar-me que Saul tinha morrido, eu mandei prender e matar em Siclag o portador dessa notícia.
11 Com maior razão farei isso a malvados que assassinaram um homem inocente, enquanto dormia na sua cama. Vou castigar-vos por terem feito correr o seu sangue, vou eliminar-vos da face da terra.»
12
Então David deu ordens aos seus homens para matarem Recab e Baaná. Cortaram-lhes as mãos e os pés e penduraram os seus corpos junto do tanque de Hebron. Em seguida pegaram na cabeça de Isboset e sepultaram-na no túmulo de Abner, em Hebron.1
Depois disto, todas as tribos de Israel foram ter com David em Hebron e disseram-lhe: «Todos nós somos do mesmo sangue e da mesma família.2 Até nos anos passados, quando Saul era o nosso rei, eras tu quem conduzia o povo de Israel à guerra. Além disso, o SENHOR prometeu-te que, um dia, haverias de governar Israel e ser o chefe do seu povo.»
3
Todos os anciãos de Israel foram encontrar-se com o rei David em Hebron e ele concluiu com eles uma aliança em nome do SENHOR. E eles consagraram David como rei de Israel.4
David tinha trinta anos quando subiu ao trono e reinou quarenta anos.5 Em Hebron, foi rei de Judá durante sete anos e meio e, em Jerusalém, durante trinta e três anos, foi rei de todo o Israel e Judá.
6
O rei David e os seus homens dirigiram-se a Jerusalém, para a conquistarem aos jebuseus, que habitavam aquela região. Mas os jebuseus, pensando que David nunca seria capaz de lá entrar, disseram-lhe: «Nunca aqui conseguirás entrar! Bastam os cegos e os coxos para defender a fortaleza.»7 Mas David conquistou a fortaleza de Sião, que ficou a chamar-se cidade de David.
8 Para a conquistar, David disse aos seus homens: «Quem quiser atacar os jebuseus deve entrar pelo canal da água e matar esses cegos e coxos que eu odeio.» Daqui é que nasceu o ditado: «Nem os cegos nem os coxos podem entrar no templo.»
9 Depois David estabeleceu-se na fortaleza e deu-lhe o nome de cidade de David. Construiu muralhas à volta da cidade, desde a terraplenagem até ao lugar do palácio.
10 E o poder de David aumentava sempre cada vez mais, porque o SENHOR, o Deus todo-poderoso, estava com ele.
11
Por isso, mesmo, Hiram , o rei de Tiro, enviou mensageiros, a David, juntamente com carpinteiros e pedreiros, que levaram consigo madeira de cedro e lhe construíram um palácio.12 Então David compreendeu que o SENHOR o tinha confirmado como rei de Israel e que fazia prosperar o seu reinado em atenção ao seu povo.
13
Depois de se ter mudado de Hebron para Jerusalém, David teve ali outras concubinas e mulheres. Delas nasceram-lhe outros filhos e filhas.14 São estes os nomes dos filhos que lhe nasceram em Jerusalém: Chamua, Chobab, Natan, Salomão,
15 Jibar, Elisu, Néfeg, Jafia,
16 Elisama, Eliadá e Elifelet.
17
Quando os filisteus souberam que David tinha sido consagrado rei de Israel, puseram-se em campo para o apanharem; mas David soube disso e refugiou-se na fortaleza.18 Os filisteus chegaram e ocuparam o vale de Refaim.
19 Então David consultou o SENHOR, nestes termos: «Devo atacar os filisteus? Vais entregá-los nas minhas mãos?» E o SENHOR respondeu-lhe: «Vai! Ataca-os, que eu te darei a vitória sobre os filisteus.»
20
David chegou a Baal-Peracim e derrotou-os. Por isso, disse: «O SENHOR abriu uma brecha nos meus inimigos como as águas num dique!» Por isso, é que aquele lugar é chamado Baal-Peracim.21 Além disso, os filisteus abandonaram lá os seus ídolos, e David e os seus homens tiraram-lhos.
22
Mais tarde, os filisteus voltaram ao ataque, ocupando novamente o vale de Refaim.23 David consultou o SENHOR, que lhe respondeu: «Não os ataques de frente, mas pela retaguarda, quando chegares às árvores de bálsamo.
24 Quando ouvires um rumor de passos por cima das copas das árvores, lança-te ao ataque, porque isso significa que eu, o SENHOR, vou adiante de ti, para esmagar o exército dos filisteus.»
25
David fez como o SENHOR lhe disse e derrotou os filisteus, perseguindo-os desde Gueba até à entrada de Guézer.1
David reuniu de novo os melhores soldados de Israel, num total de trinta mil homens,2 e pôs-se com todos eles a caminho de Baalá de Judá , para trazer dali a arca da aliança de Deus, que está consagrada ao SENHOR, todo-poderoso, que tem o seu trono sobre os querubins.
3
A arca da aliança estava em casa de Abinadab, que ficava numa colina. Puseram-na em cima de um carro de bois novo e levaram-na de lá. Os filhos de Abinadab, chamados Uzá e Aio, guiavam o carro;4 mas Aio ia à frente da arca.
5 Entretanto David e todos os israelitas dançavam e cantavam diante do SENHOR ao som da música das harpas, liras, tamborins, sistros, címbalos e outros instrumentos de madeira de pinho.
6 Quando chegaram ao lugar conhecido por Eira de Nacon, Uzá estendeu a mão para agarrar a arca da aliança do SENHOR, porque os bois tinham tropeçado.
7 Mas o SENHOR encheu-se de fúria contra Uzá e matou-o , por causa da sua irreverência. Uzá caiu morto junto da arca da aliança,
8 e ainda hoje aquele lugar é chamado Peres-Uza. David ficou muito perturbado pelo facto de o SENHOR ter abatido Uzá daquele modo e por isso chamou àquele lugar Peres-Uza .
9
Por este motivo, David teve medo do SENHOR e exclamou: «Nem pensar em levar a arca da aliança do SENHOR comigo para Sião!»10 Renunciou a levar a arca da aliança do SENHOR para a cidade de David e ordenou que a levassem para casa de Obed-Edom, um homem de Gat.
11 A arca da aliança ficou três meses em casa de Obed-Edom e o SENHOR abençoou-o a ele e a toda a sua família.
12
Mais tarde, foram dizer ao rei David que o SENHOR tinha abençoado Obed-Edom, toda a sua família e todos os seus bens, por causa da arca da aliança. Então David, cheio de alegria, foi à casa de Obed-Edom buscar a arca da aliança do SENHOR e levá-la para a cidade de David.13 Mal os homens que levavam a arca da aliança tinham dado seis passos, David sacrificou um touro e um vitelo gordo.
14
David ia vestido com a insígnia sagrada de linho e dançava com todo o entusiasmo diante do SENHOR.15 E tanto ele como todos os israelitas levaram a arca da aliança do SENHOR entre gritos de alegria e ao som de trombetas.
16
Quando a arca estava a chegar à cidade de David, Mical, a filha de Saul, olhou pela janela, viu o rei David a saltar e a dançar diante da arca do SENHOR e sentiu um grande desprezo por ele.17
Levaram a arca e puseram-na no seu lugar, dentro de uma tenda que David tinha mandado erguer para esse fim. Depois David ofereceu ao SENHOR holocaustos e sacrifícios de comunhão.18 Após ter terminado a oferta dos holocaustos e sacrifícios, David abençoou o povo em nome do SENHOR, todo-poderoso.
19 Em seguida, mandou distribuir a toda a gente que ali estava, tanto homens como mulheres, um pão, um bolo de tâmaras e outro de uvas. Finalmente, as pessoas regressaram a suas casas.
20
Também David regressou a casa para saudar a sua família. Mical, a filha de Saul, veio ao seu encontro para o receber e disse-lhe: «Que triste figura fez hoje o rei de Israel, mostrando-se meio nu diante das escravas dos seus criados, como se fosse um desavergonhado qualquer!»21 Mas David respondeu-lhe: «É verdade que eu dancei, mas foi para louvar o SENHOR, que me escolheu em vez do teu pai e de toda a tua família, para ser o chefe do seu povo de Israel.
22 E ainda me humilharei mais e rebaixarei, como tu dizes. Mas serei honrado por essas mesmas escravas de que tu falas.»
23 E Mical não teve filhos em toda a sua vida.
1
O rei David ficou devidamente instalado no seu palácio, e vivia completamente em paz, sem inimigos, graças ao SENHOR.2 Um dia foi ter com o profeta Natan e disse-lhe: «Como vês, eu habito num palácio de cedro, enquanto que a arca da aliança do SENHOR está numa simples tenda!»
3 Natan respondeu-lhe: «Faz tudo o que tencionas fazer, porque terás o apoio do SENHOR.»
4
Mas naquela mesma noite, o SENHOR dirigiu-se a Natan e disse-lhe:5 «Vai ter com o meu servo, David, e comunica-lhe o seguinte: “Não serás tu que me hás de construir um templo, para eu nele habitar.
6 Desde o dia em que tirei os israelitas do Egito até hoje nunca habitei num templo; tenho tido sempre como morada uma tenda.
7 Durante todo o tempo em que andei com os filhos de Israel, nunca pedi a nenhuma das tuas tribos que tenho escolhido para governar o meu povo, de Israel, que me construísse um templo de madeira de cedro.”
8 Assim sendo, diz também ao meu servo David que eu, o SENHOR todo-poderoso, lhe comunico o seguinte: “Tirei-te de andares pelas pastagens, atrás dos rebanhos, para fazer de ti o chefe do meu povo, Israel.
9 Tenho andado sempre contigo por toda a parte e esmaguei todos os teus inimigos. Tornei-te famoso como são famosos os grandes deste mundo.
10 Preparei um lugar para o meu povo, Israel, e ali os instalei para que vivam seguros. Nunca mais serão molestados e filhos da iniquidade não hão de voltar a oprimi-los como faziam outrora,
11 no tempo em que estabeleci juízes sobre o meu povo Israel. Dei-te uma vida tranquila, livrando-te de todos os teus inimigos. Além do mais, ficas a saber hoje que eu é que vou criar para ti uma grande família .
12 Quando a tua vida chegar ao fim e fores juntar-te aos teus antepassados, hei de estabelecer um dos teus filhos como rei e farei com que o seu reinado seja seguro.
13 Ele é que me há de construir um templo e hei de tornar o seu reinado firme para sempre.
14 Serei para ele como um pai e ele será para mim como um filho . Se cometer algum erro, hei de castigá-lo e corrigi-lo como faz qualquer pai a seu filho.
15 Mas não lhe retirarei o meu apoio fiel, como fiz a Saul, que afastei do teu caminho.
16 A tua dinastia e o teu reino permanecerão para sempre e o teu trono ficará igualmente firme para sempre.”»
17
Natan contou a David tudo o que Deus lhe tinha dito naquela visão.18 Então o rei David foi à tenda da arca da aliança para falar ao SENHOR e disse: «Ó SENHOR Deus, quem sou eu e quem é a minha família, para que me tenhas feito chegar até aqui?
19 E como se isto ainda fosse pouco, SENHOR, fizeste também promessas sobre o futuro da dinastia do teu servo. Haverá algum homem capaz de atuar assim, ó SENHOR, meu Deus?
20 E que mais poderia eu dizer, SENHOR, se tu conheces tão bem este teu servo?
21 Fizeste todas estas maravilhas de acordo com a tua promessa e com o teu amor, para que eu as conhecesse.
22 Por isso, és grande, ó SENHOR, meu Deus! Não há ninguém como tu, nem existe outro Deus além de ti, segundo tudo quanto ouvimos dizer.
23 Porventura há sobre a terra alguma nação semelhante a Israel, teu povo? Foste tu que o libertaste, para ser o teu povo e o tornaste famoso, libertando-o do Egito, das nações pagãs e dos deuses pagãos e fazendo em seu favor, neste país que é teu, coisas maravilhosas e impressionantes.
24 Foste tu que fizeste com que Israel fosse o teu povo para sempre e que tu, SENHOR, fosses o seu Deus.
25
Portanto, ó SENHOR, meu Deus, mantém para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e à sua dinastia, e faz como prometeste.26 Que o teu nome seja louvado para sempre e se diga que o SENHOR todo-poderoso é o Deus de Israel! Que a dinastia deste teu servo, se mantenha firme diante de ti.
27 Foste tu mesmo, SENHOR Deus, todo-poderoso, Deus de Israel, que deste a conhecer a este teu servo que irias estabelecer a minha dinastia. É por isso que eu me atrevo a dirigir-te esta súplica.
28 Tu, SENHOR, é que és o Deus verdadeiro. As tuas palavras são verdadeiras e, por isso, fizeste ao teu servo esta promessa que o torna feliz.
29 Digna-te, pois, abençoar a dinastia do teu servo para que esteja sempre debaixo da tua proteção. Ó SENHOR, meu Deus, tu é que o prometeste e com a tua bênção a dinastia do teu servo será abençoada para sempre.»
1
Depois disto, David derrotou e humilhou os filisteus e passou a dominar as regiões que eles controlavam.2 Também derrotou os moabitas, obrigando-os a deitarem-se por terra para os medir com um cordel . Os que ficavam dentro das duas primeiras medidas de cordel, eram condenados à morte, e os que ficavam dentro da terceira eram deixados com vida! Desta maneira, os moabitas foram submetidos a David e tiveram que lhe pagar tributo.
3 David derrotou igualmente Hadad-Ézer, filho de Reob, rei de Sobá , quando ia para recuperar o seu domínio sobre a região do rio Eufrates.
4 David tomou-lhe mil e setecentos cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria e cortou os jarretes a todos os cavalos dos carros de combate. Ficou apenas com os cavalos suficientes para cem carros, inutilizando todos os outros.
5 Os arameus de Damasco vieram socorrer Hadad-Ézer, o rei de Sobá, mas David venceu-os, matando vinte e dois mil homens.
6 David colocou guarnições entre os arameus de Damasco e estes ficaram sujeitos a David e obrigados a pagar o tributo. Deste modo, o SENHOR dava a vitória a David em todas as campanhas que fazia.
7 David apanhou os escudos de ouro que pertenciam aos oficiais militares de Hadad-Ézer e levou-os para Jerusalém.
8 Também se apoderou de uma grande quantidade de bronze de Beta e de Berotai, cidades que pertenciam a Hadad-Ézer.
9
Quando Toi, rei de Hamat, soube que David tinha derrotado todo o exército de Hadad-Ézer,10 enviou o seu filho Jorão com objetos de prata, de ouro e de bronze, para saudar e felicitar o rei David, por ter lutado contra Hadad-Ézer e o ter vencido, porque Hadad-Ézer também era inimigo de Toi.
11 O rei David dedicou todos estes objetos ao SENHOR, ajuntando-os ao ouro e à prata que já lhe tinha dedicado e que tinham vindo de todos os povos que subjugara:
12 de Edom, Moab, Amon, dos filisteus e dos amalecitas, e ainda o espólio de Hadad-Ézer, filho de Reob, rei de Sobá.
13 David tornou-se ainda mais famoso, depois de ter conquistado Damasco, pelo facto de ter derrotado dezoito mil arameus no vale do Sal.
14 Por isso, mandou colocar guarnições em Edom e todos os edomeus ficaram a ser seus súbditos. E o SENHOR fazia com que David triunfasse em todas as campanhas que empreendia.
15
David foi rei de todo o povo de Israel e governava o seu povo com justiça e retidão.16 Joab, filho de Seruia, comandava o exército e Josafat, filho de Ailud, era o porta-voz do rei.
17 Sadoc, filho de Aitob, e Aimelec, filho de Abiatar, eram sacerdotes e Seraías era secretário.
18 Benaías, filho de Joiadá, comandava os cretenses e os peleteus da guarda real. Os filhos de David eram sacerdotes .
1
Um dia David perguntou: «Terá ficado alguém da família de Saul, a quem eu possa favorecer, em memória de Jónatas?»2 Ora, havia na família de Saul um criado chamado Siba. David mandou-o chamar e perguntou-lhe: «És tu Siba?» Ele respondeu: «Sim, meu senhor!»
3 O rei perguntou-lhe novamente: «Vive porventura alguém da família de Saul, a quem eu possa ajudar, em nome de Deus?» Siba respondeu: «Vive ainda um filho de Jónatas, aleijado de ambos os pés.»
4 O rei perguntou: «Onde está ele?» Siba respondeu: «Em Lo-Dabar, em casa de Maquir, filho de Amiel.»
5 E o rei mandou que fossem lá buscá-lo.
6
Quando Mefiboset, filho de Jónatas e neto de Saul, chegou diante de David, inclinou-se respeitosamente até ao chão. David exclamou: «Mefiboset!» E este respondeu: «Às suas ordens, meu senhor!»7 David disse-lhe: «Não tenhas medo. Quero fazer-te bem por amor de Jónatas, teu pai. Restituir-te-ei todas as terras do teu avô Saul e comerás sempre à minha mesa.»
8 Mefiboset inclinou-se respeitosamente e disse: «Por quê tanta bondade para com este seu servo, se eu sou como um cão morto?»
9 Então o rei chamou Siba, o antigo criado de Saul, e disse-lhe: «Vou entregar ao neto do teu amo tudo o que pertenceu a Saul e à sua família.
10 Tu, com os teus filhos e os teus criados, lavrarás a terra para ele e armazenarás o que ela produzir, para que a família do teu amo se possa manter. Mas quanto a Mefiboset, neto do teu amo, comerá sempre à minha mesa.» Siba, que tinha quinze filhos e vinte criados,
11 respondeu ao rei: «Tudo quanto o rei, meu senhor, ordenar a este seu servo, será feito.»
Mefiboset comia, pois, à mesa de David, como um dos filhos do rei .12 Ele tinha um filho pequeno chamado Mica e todos quantos viviam em casa de Siba estavam ao serviço de Mefiboset.
13 Mas Mefiboset, que era aleijado de ambos os pés, vivia em Jerusalém, porque comia sempre à mesa do rei.
1
Depois de algum tempo morreu Naás, o rei dos amonitas, sucedendo-lhe no trono o seu filho Hanun.2 O rei David disse: «Desejo manter com Hanun, filho de Naás, as mesmas boas relações que o seu pai manteve comigo.» E enviou a Hanun alguns oficiais para lhe apresentar os pêsames pela morte de seu pai. Mas quando os oficiais de David chegaram ao país amonita,
3 os chefes amonitas disseram a Hanun, seu soberano: «Pensas, ó rei, que David enviou esses homens para te mostrar a consideração que tinha pelo teu pai? Não terá sido antes para inspecionar e espiar a cidade e para depois a destruir?»
4
Então Hanun deu ordens para prenderem os oficiais de David, para lhes raparem metade da barba e lhes rasgarem a roupa da cintura para baixo. Depois despediu-os.5 Quando David soube disto, deu ordens para que os fossem receber, porque deviam sentir-se muito envergonhados, e mandou-os ficar em Jericó até que a barba crescesse, para poderem regressar a casa.
6
Os amonitas compreenderam que se tinham tornado odiosos a David e decidiram ir contratar vinte mil soldados arameus de Bet-Reob e de Sobá, mil homens do rei de Macá e doze mil do rei de Tob.7 Mas David soube disto e mandou Joab ao seu encontro com todo o exército dos mais valentes.
8 Os amonitas avançaram e puseram-se em linha de combate à entrada da sua cidade, enquanto que os soldados arameus de Sobá e de Reob e as tropas de Tob e de Macá tomaram as suas posições no campo.
9 Joab depressa percebeu que ia ser atacado pela frente e pela retaguarda. Por isso, escolheu os melhores soldados israelitas, que colocou em linha de batalha contra os arameus.
10 Confiou o resto do exército ao seu irmão Abisai, para fazerem frente contra os amonitas,
11 e depois disse-lhe: «Se os arameus forem mais fortes do que eu, virás em minha ajuda, e se os amonitas forem mais fortes do que tu, irei eu em tua ajuda.
12 Sê valente e lutemos com coragem pelo nosso povo e pelas cidades do nosso Deus. E que o SENHOR faça o que melhor lhe parecer.»
13
Então Joab e as suas tropas avançaram para atacar os arameus e estes fugiram diante dos israelitas.14 Quando os amonitas viram que os arameus fugiam, também eles se puseram a fugir de Abisai e meteram-se dentro da cidade. Então Joab deu por terminada a campanha contra os amonitas e regressou a Jerusalém.
15
Os arameus, vendo-se batidos pelos israelitas, juntaram-se outra vez.16 Hadad-Ézer enviou mensageiros para reunir todos os arameus que viviam do outro lado do rio Eufrates. Eles chegaram a Helam e eram chefiados por Chobac, chefe do exército de Hadad-Ézer.
17 David, tendo sabido disto, mobilizou as tropas de Israel, passou o Jordão e chegou a Helam. Os arameus organizaram-se e deram batalha às tropas de David,
18 mas acabaram por fugir diante dos israelitas. As tropas de David mataram aos arameus quarenta mil soldados de cavalaria e destruíram setecentos dos carros de combate. Chobac, o chefe do exército dos arameus, acabou igualmente por ser atingido e morreu ali mesmo.
19 Quando os reis aliados de Hadad-Ézer viram que os israelitas os tinham derrotado, fizeram a paz com eles e ficaram submetidos a eles. Desde então, os arameus nunca mais se atreveram a ajudar os amonitas.
1
No ano seguinte, pela primavera, que é a época em que os reis costumam sair para a guerra, David enviou Joab e os seus oficiais, com todo o exército israelita, para irem destruir os amonitas e cercar a cidade de Rabá. Mas David ficou em Jerusalém.2
Uma tarde, depois de se ter levantado da cama, David pôs-se a passear pelo terraço do seu palácio e avistou dali uma mulher muito bonita que estava a tomar banho.3 Mandou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabé, filha de Eliam e esposa de Urias, o hitita.
4 David enviou mensageiros para que lha trouxessem, e ela foi; David dormiu com ela e depois ela voltou para casa. Ora Betsabé estava no tempo de purificação depois do seu período menstrual.
5
Betsabé ficou grávida e mandou informar David do acontecido.6 Então David ordenou a Joab que lhe mandasse Urias, o hitita, e Joab cumpriu as ordens.
7 Quando Urias apareceu diante de David, este perguntou-lhe como estavam Joab e o exército, e como iam as coisas na guerra.
8 Em seguida pediu-lhe que fosse para sua casa e que descansasse um pouco. Urias saiu do palácio e o rei mandou alguém, logo atrás dele com um presente.
9 Mas Urias, em vez de ir para casa, passou a noite às portas do palácio juntamente com os soldados da guarda real.
10 Foram contar a David que Urias não tinha ido para sua casa, e, por isso, o rei perguntou-lhe: «Por que é que não foste para tua casa, depois da viagem que fizeste?»
11 Ao que Urias respondeu: «A arca da aliança do SENHOR, os soldados de Israel e de Judá dormem debaixo de tendas. Também Joab, o meu chefe, e os seus oficiais dormem em campo aberto. Como é que eu poderia ir para minha casa, para comer e beber e para me deitar com a minha mulher? Juro pela vida do rei que nunca faria tal coisa.»
12 Então David ordenou-lhe: «Fica hoje aqui e amanhã deixarei que regresses.» E Urias ficou em Jerusalém para o dia seguinte.
13 Entretanto David convidou-o para comer e beber com ele e embriagou-o. À noite, Urias saiu e foi dormir com os soldados da guarda real, mas não foi para sua casa .
14
Pela manhã seguinte, David escreveu uma carta a Joab e enviou-lha por Urias.15 Na carta dizia: «Coloca Urias na frente, onde o combate for mais renhido; depois deixem-no só, para que seja ferido e morra.»
16
Aconteceu, pois, que Joab fazia o cerco à cidade e pôs Urias no lugar onde sabia que estavam os soldados inimigos mais valentes.17 Quando os soldados que defendiam a cidade saíram para lutar contra Joab, morreram alguns dos oficiais de David e entre os mortos encontrava-se Urias, o hitita.
18 Joab enviou a David informações detalhadas sobre o combate
19 e deu as seguintes instruções ao mensageiro: «Quando acabares de contar ao rei todos os pormenores do combate,
20 se ele, indignado te disser: “Por que é que se aproximaram tanto da cidade para lutar? Por acaso não sabiam que eles lançam objetos do alto da muralha,
21 tal como aconteceu em Tebes, quando uma mulher matou Abimelec, filho de Jerubaal, lançando-lhe da muralha uma pedra de moinho? Por que é que, então, se aproximaram tanto da muralha?” Então tu lhe dirás: “Também morreu Urias, o hitita, oficial do rei .”»
22
O mensageiro partiu e contou ao rei tudo quanto Joab lhe tinha mandado.23 Ele disse ao rei: «Os inimigos saíram contra nós a lutar em campo aberto e eram mais fortes que nós, mas nós fizemo-los retroceder até à entrada da cidade.
24 Mas do alto da muralha, os arqueiros dispararam as suas flechas contra as tropas do rei e morreram alguns dos oficiais, entre eles Urias, o hitita.»
25 Então David respondeu ao mensageiro: «Diz a Joab que não se aflija por causa destas mortes, porque são coisas que acontecem na guerra. Ele que ataque a cidade com mais coragem até a destruir. E tu vê lá se o encorajas.»
26
Ao ter conhecimento da morte do seu marido, a mulher de Urias guardou luto por ele.27 Passado o período de luto, David mandou que a fossem buscar para o seu palácio. Casou com ela e ela deu-lhe um filho. Mas o procedimento de David desagradou ao SENHOR.
1
O SENHOR enviou o profeta Natan para ir ter com David. O profeta foi ter com ele e disse-lhe: «Havia dois homens numa cidade,2
O rico possuía grande quantidade de ovelhas e vacas,
3
mas o pobre não tinha senão uma ovelhinha que tinha comprado.
Ele mesmo lhe dava de comer e a ovelha ia crescendo na companhia dele e dos filhos;
comia da sua comida, bebia do seu copo e dormia no seu colo.
Era para ele como se fosse uma filha!
4
Certo dia chegou um hóspede à casa do homem rico,
e este não quis tocar nas suas muitas ovelhas e bois,
para oferecer de comer ao seu visitante.
Resolveu tirar a ovelhinha ao homem pobre
e preparou-a para a refeição do seu hóspede.»
5
David encheu-se de furor contra aquele homem e disse a Natan: «Juro-te pelo SENHOR, Deus vivo, que quem fez tal coisa merece a morte!6 Deve pagar quatro vezes o valor da ovelhinha, porque agiu sem ter mostrado nenhuma compaixão.»
7 Então Natan disse-lhe: «Esse homem és tu! E ouve o que o SENHOR, Deus de Israel, declara: “Eu escolhi-te para rei de Israel, salvei-te das mãos de Saul,
8 entreguei-te a família e as mulheres do teu senhor e todo o reino de Israel e de Judá. E, se ainda te parece pouco, poderei ajuntar muitos outros favores.
9 Por que é que desprezaste a minha palavra e fizeste o que me desagrada? Mataste Urias, o hitita, servindo-te dos amonitas para o matar, e ficaste com a sua mulher.
10 Uma vez que me desprezaste, apoderando-te da esposa de Urias, o hitita, nunca mais a violência se afastará da tua casa.
11 Eu, o SENHOR, declaro solenemente: Vou fazer que o teu castigo venha da tua própria família. Pegarei nas tuas mulheres à tua vista e entregá-las-ei a um outro da tua família, que dormirá com elas em plena luz do dia.
12 Tu agiste em segredo, mas eu vou atuar abertamente diante de todo o Israel e à plena luz do dia.”»
13
David disse então a Natan: «Pequei contra o SENHOR!» E Natan respondeu: «O SENHOR perdoa-te o teu pecado; por isso não morrerás.14 Mas como ofendeste gravemente o SENHOR, o teu filho recém-nascido terá de morrer.»
15
Natan regressou a casa e, entretanto, o SENHOR deu uma doença grave ao filho que David tinha da mulher de Urias.16 David suplicou a Deus pela criança; jejuava e passava as noites a dormir no chão.
17 Os responsáveis da corte iam ter com ele e pediam-lhe que se levantasse do chão, mas ele recusava e não comia com eles.
18
Sete dias depois, a criança morria. Os responsáveis da corte tinham medo de dizer a David, pois pensavam: «Quando a criança estava viva, nós bem lhe pedíamos, mas ele não fazia caso. O que será agora, quando lhe dissermos que a criança morreu? Pode cometer alguma loucura!»19
Mas David notou que os responsáveis da corte cochichavam entre si e logo compreendeu que a criança devia ter morrido. Por isso, perguntou-lhes: «A criança morreu?» E eles responderam: «Sim, morreu.»20 Levantou-se então do chão, tomou banho, perfumou-se e mudou de roupa. Depois foi ao templo para adorar o SENHOR. Em seguida voltou a casa e pediu que lhe servissem uma refeição e comeu.
21 Os oficiais da corte perguntaram-lhe: «Mas como se explica isto? Quando a criança ainda estava viva, o rei jejuava e chorava por ela; e agora que já morreu, o rei levantou-se e pôs-se a comer!»
22 David respondeu-lhes: «Quando a criança ainda vivia, eu jejuava e chorava pensando que talvez o SENHOR tivesse compaixão de mim e a deixasse viver.
23 Mas agora que morreu, para que hei de jejuar mais, se não posso fazer que ela volte à vida? Eu irei um dia para junto dela, mas ela não voltará mais para junto de mim.»
24
David foi consolar Betsabé, sua mulher. Foi visitá-la e teve relações com ela e ela deu à luz um filho a quem David pôs o nome de Salomão. O SENHOR amava a criança,25 e assim o fez saber a David por meio de Natan, o profeta. David, em atenção a isso, deu-lhe o nome de Jedidias, que significa «amado do SENHOR».
26
Entretanto Joab lançou um ataque contra a cidade amonita de Rabá. Já estava prestes a capturar a cidade real,27 quando enviou a David a seguinte mensagem: «Ataquei a cidade de Rabá e já me apoderei dela, que protege os reservatórios de água.
28 Peço ao rei que reúna o resto das tropas e venha atacar a cidade e conquistá-la; não queria ser eu a fazê-lo, ficando com a honra de a ter conquistado.»
29
Então David reuniu todas as suas tropas; pôs-se em marcha contra Rabá, atacou-a e conquistou-a.30 Tirou da cabeça de Milcom, do ídolo dos amonitas, a coroa de ouro , que pesava cerca de trinta e cinco quilos e continha pedras preciosas, e colocaram-na na cabeça de David. David apoderou-se também duma grande quantidade de despojos da cidade.
31 Quanto aos habitantes, deportou-os e pô-los a trabalhar com a serra, a picareta, o machado e no fabrico de tijolos. E, depois de ter feito o mesmo com todas as cidades dos amonitas, regressou com as suas tropas para Jerusalém.
1
Absalão, filho de David, tinha uma irmã muito bonita, chamada Tamar. Um dia aconteceu que Amnon, que também era filho de David, mas de mãe diferente, se apaixonou por Tamar.2 E de tal modo se apaixonou que acabou por ficar doente, pois Tamar ainda era virgem e ele achava que era impossível encontrar-se com ela .
3
Mas Amnon tinha um amigo muito esperto. Chamava-se Jonadab e era filho dum irmão de David chamado Chamá.4 Este perguntou a Amnon: «Que é que se passa contigo, ó príncipe, que dia após dia pareces andar mais abatido? Não mo queres dizer?» Amnon confidenciou-lhe: «Estou apaixonado por Tamar, a irmã do meu irmão Absalão.»
5 Então Jonadab aconselhou-o: «Deita-te na cama e finge-te doente. Quando teu pai te vier ver, diz-lhe: “Por favor, manda a minha irmã Tamar vir ter comigo, para me dar de comer e preparar a comida diante de mim. Se eu comer das mãos dela, já ganho apetite.”»
6
Amnon deitou-se e fingiu-se doente. Quando o rei o veio visitar, disse-lhe: «Por favor, manda a minha irmã Tamar vir ter comigo! Que ela me prepare, aqui, na minha presença, dois pasteizinhos e mos dê de comer.»7
Então David mandou dizer a Tamar, que estava em sua casa: «Peço-te que vás a casa do teu irmão Amnon e lhe prepares alguma coisa de comer, para ele ficar melhor.»8
Tamar dirigiu-se a casa do seu irmão Amnon, que estava deitado. Pegou na farinha, amassou-a e fez os pastéis à vista dele.9 Depois de estarem prontos, pegou na sertã e ofereceu a comida a Amnon. Mas este não quis comer e disse: «Mandem sair toda a gente.» Imediatamente saíram todos.
10 Depois disse a Tamar: «Traz a comida ao meu quarto, pois só serei capaz de comer se fores tu a dar-ma.» Tamar pegou nos pastéis que tinha cozinhado e levou-os ao quarto do seu irmão.
11 Quando ela se aproximou dele com a comida, Amnon agarrou-a e disse-lhe: «Vem, minha irmã, e deita-te comigo.»
12 Mas ela respondeu-lhe: «Não, meu irmão. Não me desonres, porque isso é proibido em Israel. Não cometas uma tal infâmia !
13 O que será de mim, se tu me desonrares? E também tu serás para sempre um desgraçado em Israel. Fala ao rei, que ele não se vai opor a que eu seja tua mulher .»
14 Mas Amnon não a quis ouvir e, como era mais forte do que ela, violentou-a e desflorou-a.
15
Em seguida, Amnon começou a sentir por ela uma aversão tal que ainda era maior do que o amor que antes lhe tinha. Tomado desta aversão, disse-lhe: «Levanta-te e vai-te embora.»16 Ela respondeu-lhe: «Não me expulses, porque esta maldade ainda seria pior que a que me acabas de fazer.» Mas ele não lhe deu ouvidos.
17 Chamou o seu criado e ordenou-lhe: «Põe esta mulher na rua, longe de mim, e depois fecha a porta.»
18 O criado cumpriu as ordens: pô-la na rua e fechou a porta. Tamar vestia uma túnica de mangas compridas, que era o vestido próprio das filhas do rei, enquanto solteiras.
19 Rasgou a túnica, colocou cinza na cabeça, e, com as mãos postas em cima da cabeça, pôs-se a caminho aos gritos.
20
Quando o seu irmão Absalão a viu, perguntou-lhe: «Foi o teu irmão Amnon que te fez isso? Não o digas a ninguém, porque ele é teu irmão. Não te apoquentes demasiado.» E Tamar ficou em casa do seu irmão Absalão, triste como uma mulher abandonada.21 Quando o rei David teve conhecimento de tudo isto, ficou muito aborrecido .
22 Por seu lado, Absalão deixou de falar a Amnon, e odiava-o por ter desonrado a sua irmã Tamar.
23
Dois anos mais tarde, por altura da tosquia das suas ovelhas, em Baal-Haçor, perto da cidade de Efraim, Absalão convidou para um banquete todos os filhos do rei.24 Foi ter com o rei e disse-lhe: «Chegou o tempo da tosquia do meu rebanho. Que o rei e os seus oficiais se dignem vir à festa deste seu servo.»
25 Mas o rei respondeu-lhe: «Não, meu filho, não podemos ir todos, para não teres demasiadas despesas.» Absalão ainda insistiu, mas o rei não quis ir e mandou-o embora com a sua bênção.
26
Absalão ainda replicou: «Se o rei não quer vir, permita que pelo menos nos acompanhe o meu irmão Amnon.» E o rei perguntou-lhe: «Por que é que tu queres que ele te acompanhe?»27 Absalão insistiu e o rei acabou por deixar ir Amnon e os seus outros filhos com ele .
28
E deu estas ordens aos seus criados: «Estejam atentos! Quando Amnon se mostrar alegre, por causa do vinho, e eu vos der o sinal para o matar, matem-no. Não tenham medo, pois eu assumo toda a responsabilidade. Sejam corajosos e valentes!»29
Os criados de Absalão cumpriram as suas ordens, matando Amnon. Então todos os outros filhos do rei se levantaram à pressa, montaram nas suas mulas e fugiram.30
Ainda eles iam a caminho, quando chegou a David o rumor de que Absalão tinha morto todos os seus filhos, sem escapar nenhum deles.31 Então o rei levantou-se, rasgou as suas vestes em sinal de dor e prostrou-se por terra. E todos os oficiais ali presentes rasgaram também as suas vestes.
32 Mas Jonadab, o filho de Chamá, irmão de David, disse: «Ó rei, meu senhor, não pense que foram assassinados todos os filhos do rei. Amnon deve ter morrido porque Absalão jurou matá-lo, desde o dia em que ele violou a sua irmã Tamar.
33 Portanto, não acredite no boato de que todos os príncipes foram mortos, porque só Amnon é que morreu.»
34
Entretanto Absalão pusera-se em fuga. E o soldado que estava de sentinela viu de repente muita gente a descer pelo caminho de Horonaim , pela encosta da montanha.35 E Jonadab disse ao rei: «Vá ver que são os filhos do rei, tal como eu lhe tinha dito.»
36 Mal ele tinha acabado de falar, chegaram os filhos do rei, que começaram a gritar e a chorar. E tanto o rei como os seus oficiais choravam igualmente, derramando abundantes lágrimas.
37
Absalão fugiu e foi ter com Talmai, filho de Amiud, rei de Guechur, enquanto David todos os dias se lamentava pela morte do seu filho Amnon .38
Absalão que fugira para Guechur ficou durante três anos.39 Mas depois, o rei David esqueceu um pouco mais a morte de Amnon e deixou de ter ressentimento contra Absalão.
1
Joab, filho de Seruia, vendo que o rei andava com saudades de Absalão,2 mandou ir buscar a Técoa uma mulher muito astuta e disse-lhe: «Finge que andas de luto, veste-te de preto, não te perfumes, e porta-te como uma mulher que chora por um morto, desde há muito tempo.
3 Vai ter com o rei e fala-lhe como eu te vou dizer.» E Joab disse-lhe o que ela havia de falar ao rei.
4
A mulher foi então ter com o rei, inclinou-se respeitosamente até ao chão e disse-lhe: «Ajude-me, ó rei!»5 O rei perguntou-lhe: «Que tens?» Ela respondeu: «Infeliz de mim! Sou uma mulher viúva. O meu marido morreu
6 e deixou-me dois filhos. Armaram uma rixa no campo e não apareceu ninguém para os separar, de modo que um matou o outro.
7 Então toda a família se levantou contra mim e dizem-me: “Entrega-nos o assassino, para o matarmos e nos vingarmos da morte do seu irmão, e acabarmos, ao mesmo tempo com o herdeiro.” Deste modo, querem apagar a última esperança que me resta e privar o meu marido de uma descendência que continue com o seu nome sobre a terra.»
8
O rei disse-lhe: «Volta para tua casa, que eu tomarei conta do teu caso.»9 A mulher disse depois ao rei: «Caia sobre mim e sobre a minha família a responsabilidade desta tragédia! O rei e os seus familiares estão inocentes.»
10 O rei respondeu-lhe: «Se alguém te voltar a falar do assunto, manda-o vir ter comigo. Garanto-te que nunca mais te voltará a incomodar!»
11
A mulher acrescentou: «Peço ao rei que me prometa em nome do SENHOR, nosso Deus, que não permitirá que o vingador de sangue agrave a minha desgraça, matando-me o outro filho.» O rei respondeu-lhe: «Juro-te pelo Deus vivo que nem um só cabelo do teu filho há de cair por terra.»12
A mulher disse-lhe: «Permita o rei que esta sua serva lhe diga ainda mais uma coisa.» «Fala!» — respondeu-lhe o rei.13 E ela disse: «Por que é que o rei decidiu agir contra o interesse do povo de Deus? Pegando nas palavras que acabou de pronunciar, o rei faz mal em não deixar regressar o seu filho Absalão, que vive desterrado.
14 Temos que morrer todos um dia, e seremos então como a água que se espalha por terra e que não mais se pode recolher. Mas Deus não quer retirar a vida a ninguém. Por isso, a sua vontade é que Absalão não deve continuar desterrado, longe de nós.
15 Se vim dizer tudo isto, ao rei, meu senhor, foi pelo medo que me causaram. Por isso, disse para comigo: “Irei falar ao rei, porque talvez ele faça o que lhe pedir.
16 Ele fará por me arrancar das garras do homem que me quer destruir a mim e ao meu filho, que somos do povo de Deus.”
17 A vossa serva, ó rei, pensou que tudo quanto o rei me dissesse havia de contribuir para acalmar o meu espírito. Porque o rei, meu senhor, é como um anjo de Deus que sabe distinguir o bem do mal. Que o SENHOR, teu Deus, esteja sempre contigo!»
18
O rei disse à mulher: «Vou fazer-te uma pergunta e peço-te que me respondas, sem nada ocultar.» A mulher disse-lhe: «Pergunte, ó meu senhor e rei!»19 O rei perguntou-lhe: «Porventura não é Joab que está por detrás de tudo isto?» A mulher respondeu-lhe: «Isso é tão certo como o meu senhor e rei estar vivo. Foi de facto o teu servo Joab que me instruiu sobre tudo quanto eu havia de dizer.
20 Ele agiu desta maneira para dar um novo rumo à situação. Mas o rei, meu senhor, é tão sábio como um anjo de Deus e consegue compreender tudo quanto se passa sobre a terra.»
21
O rei foi então ter com Joab e disse-lhe: «Decidi fazer como queres. Vai buscar o meu filho Absalão.»22 Joab prostrou-se por terra, diante do rei, e agradeceu-lhe com estas palavras: «Agora reconheço que me quer bem, ó meu senhor e rei, porque aceitou a minha proposta.»
23
Joab levantou-se e partiu para Guechur e trouxe Absalão para Jerusalém.24 Mas o rei ordenou que Absalão fosse para sua casa e que não aparecesse na sua presença. E assim fez Absalão: foi para sua casa e não apareceu diante do rei.
25
Não havia ninguém em Israel tão belo e tão admirado como Absalão. Desde a planta dos pés até à ponta dos cabelos não se encontrava nele qualquer defeito.26 Ele cortava os cabelos no fim de cada ano porque a sua cabeleira se tornava muito pesada. Tinha por costume pesar a cabeleira e pesava mais de dois quilos, segundo os pesos oficiais do rei.
27 Absalão teve três filhos e uma filha. A filha chamava-se Tamar e era muito bonita.
28
Absalão ficou dois anos em Jerusalém sem se apresentar diante do rei.29 Uma vez, mandou chamar Joab para o enviar ao rei, mas Joab negou-se a ir ter com ele. Enviou-lhe uma segunda mensagem, mas Joab negou-se novamente.
30 Então Absalão disse aos seus criados: «Vocês conhecem o campo de trigo que Joab tem pegado com o meu. Vão deitar-lhe o fogo.» E os criados foram incendiá-lo.
31
Então Joab foi ter com Absalão a casa dele e perguntou-lhe: «Por que é que os teus criados puseram fogo ao meu campo?»32 Absalão respondeu-lhe: «Porque te pedi para vires ter comigo e tu recusaste. Eu queria que fosses ter com o rei para lhe dizeres: “Por que é que eu vim de Guechur? Era bem melhor ter lá ficado!” Eu quero ser admitido no palácio do rei. E se fiz algum mal, que me condene à morte!»
33
Joab foi contar tudo isto ao rei. O rei mandou chamar Absalão, que imediatamente foi ter com ele, inclinando-se respeitosamente diante dele até ao chão. E o rei abraçou Absalão.1
Posteriormente, Absalão arranjou um carro e cavalos e cinquenta homens para o acompanharem, diante do carro.2 Levantava-se muito cedo e colocava-se à beira do caminho que dava para a entrada da cidade. Sempre que passava um homem que ia ter com o rei por causa de qualquer processo de justiça , Absalão mandava-o parar e perguntava-lhe: «De onde és tu?» Ele respondia: «Sou de tal tribo de Israel, meu senhor!»
3 Absalão respondia-lhe: «Bem! A tua causa é boa e tu tens toda a razão! Mas não há ninguém na corte do rei para te fazer justiça.»
4 Depois acrescentava: «Quem me dera poder ser juiz nesta terra! Todos aqueles que tivessem processos para julgar viriam ter comigo e eu lhes faria justiça!»
5 E se o homem se aproximava para se inclinar diante dele, Absalão levantava-o e abraçava-o.
6
Absalão agia desta maneira com todos os que iam ter com o rei para pedir justiça; e assim conquistava o coração dos israelitas.7 Ao fim de quatro anos , Absalão disse ao rei: «Permita-me que vá a Hebron cumprir um voto que fiz ao SENHOR.
8 É que quando eu estava em Guechur, na Síria, prometi ao SENHOR ir lá oferecer-lhe sacrifícios, se ele me deixasse voltar a Jerusalém.»
9 O rei respondeu-lhe: «Vai em paz!» E Absalão pôs-se a caminho de Hebron.
10 Dali, Absalão enviou os seus partidários a todas as tribos de Israel, com a seguinte palavra de ordem: «Quando ouvirem um certo som de trombeta, devem anunciar: “Absalão tornou-se rei em Hebron!”»
11 Absalão tinha convidado duzentos homens em Jerusalém para irem com ele. Mas eles desconheciam completamente as intenções de conspiração de Absalão.
12
Enquanto ele oferecia os sacrifícios, Absalão mandou chamar Aitofel, conselheiro de David, que vivia na cidade de Guilo. Desta forma aumentava o número dos partidários de Absalão e a conspiração tornava-se cada vez mais forte.13
Entretanto David teve a notícia de que os homens de Israel se tinham voltado para Absalão.14 E o rei disse a todos os seus oficiais que estavam com ele em Jerusalém: «Fujamos depressa, porque, de outro modo, não podemos escapar a Absalão. Partamos o mais depressa possível, não aconteça que ele nos apanhe, nos faça mal e passe a cidade a fio de espada.»
15
Os servidores do rei disseram-lhe: «Seja qual for a decisão do rei, nosso senhor, estaremos ao seu lado!»16 Então o rei com os da sua casa real saiu a pé, mas deixou dez das suas concubinas para guardarem o palácio.
17 O rei e quantos o acompanhavam a pé, ao saírem da cidade, pararam junto da última casa.
18 E todos os servidores de David desfilaram diante dele: os cretenses, os peleteus e os soldados de Gat que, em número de seiscentos, tinham seguido David desde o tempo em que ele esteve em Gat .
19
Nisto o rei disse a Itai, dos soldados de Gat: «Por que queres vir tu também connosco? Volta para a cidade e fica com o outro rei. Tu és um estrangeiro e um exilado.20 Chegaste há pouco tempo e não é justo que hoje te obrigue a ires connosco, pois nem eu mesmo sei para onde vou. Volta para a cidade e leva contigo os teus compatriotas. Que o SENHOR use para contigo de bondade e lealdade.»
21
Mas Itai respondeu-lhe: «Juro pelo SENHOR vivo e pela vida do rei, que onde estiver o meu senhor e rei aí estarei eu, tanto para a vida como para a morte.»22 Disse-lhe David: «Está bem, podes passar!» Itai, o de Gat, passou com os seus soldados e os seus familiares.
23
Toda a gente chorava em altos gritos, enquanto o exército desfilava diante de David. Finalmente, o rei atravessou também a torrente de Cédron pelo caminho que conduz ao deserto.24
O sacerdote Sadoc também lá estava com os levitas, que transportavam a arca da aliança de Deus. Puseram-na no chão e o sacerdote Abiatar ofereceu sacrifícios até passar todo o povo que vinha da cidade.25
O rei disse depois a Sadoc: «Torna a levar a arca da aliança de Deus para a cidade. Se o SENHOR me quiser bem, fará que eu regresse e possa tornar a ver a arca sagrada e o santuário.26 Mas se, pelo contrário, não quiser mais saber de mim, pois faça de mim o que lhe aprouver.»
27 O rei disse ainda a Sadoc: «Estás a ver! Volta tranquilamente para a cidade, com o teu filho Aimás, com Abiatar e o seu filho Jónatas.
28 Ficas a saber que me vou esconder na região do deserto e espero pelas vossas notícias.»
29 Sadoc e Abiatar levaram a arca novamente para Jerusalém e lá ficaram.
30
David subiu o monte das Oliveiras a chorar, com o rosto coberto e descalço. E todos os que iam com ele tinham o rosto coberto e choravam.31
Entretanto David soube que Aitofel se tinha aliado também a Absalão com os outros conspiradores. E David suplicou a Deus: «SENHOR, faz com que os conselhos de Aitofel se tornem vãos!»32
Chegando David ao cume do monte das Oliveiras, no lugar onde se adora a Deus, viu caminhar ao seu encontro o seu amigo Huchai, do clã de Erec, com a túnica rasgada e a cabeça coberta de pó.33 David disse-lhe: «Se vieres comigo, vais criar-me dificuldades.
34 Regressa à cidade e diz a Absalão: “Ó rei, de hoje em diante ficarei ao teu serviço! Até aqui, estava ao serviço de teu pai, mas agora é a ti que eu quero servir!” Desta maneira podes ajudar-me fazendo com que os conselhos de Aitofel fiquem frustrados.
35 Além disso, terás o apoio dos sacerdotes Sadoc e Abiatar. Deves comunicar-lhes tudo quanto souberes do palácio real.
36 Aimás, filho de Sadoc e Jónatas, filho de Abiatar, estão ambos com eles. Por meio deles devem transmitir-me tudo quanto souberem.»
37
Huchai, o amigo de David, entrou em Jerusalém, precisamente no momento em que Absalão também lá chegava.1
David tinha acabado de passar o alto do monte das Oliveiras, quando Siba, o criado de Mefiboset, lhe apareceu. Levava dois burros aparelhados, com duzentos pães, cem caixas de uvas secas, cem espécies de fruta da estação e um odre de vinho.2
O rei perguntou-lhe: «Para quem são estas coisas?» Siba respondeu-lhe: «Os burros servirão de montada para os da família real, os pães e os frutos serão para alimento dos seus soldados, e o vinho de conforto para as pessoas cansadas pelo deserto.»3 O rei perguntou-lhe: «Onde está Mefiboset, neto do rei Saul, teu senhor?» Siba respondeu-lhe: «Ficou em Jerusalém, porque pensa que agora os israelitas lhe darão a coroa do seu avô.»
4 O rei disse-lhe: «Podes ficar com tudo o que pertence a Mefiboset.» E Siba respondeu-lhe, inclinando-se reverentemente: «Obrigado, por este favor, ó meu senhor e rei!»
5
Quando o rei David chegou perto de Baurim aconteceu que um tal Simei, filho de Guera, que pertencia ao clã de Saul, saiu da povoação e pôs-se a amaldiçoar David.6 Lançava pedras contra ele e contra os seus oficiais; mas David era protegido pelo povo e pelos soldados, que se colocaram à sua direita e à sua esquerda.
7
Simei amaldiçoava David nestes termos: «Vai-te embora! Vai-te embora, assassino! Malvado!8 O SENHOR castiga-te agora por todas as mortes que provocaste na família de Saul. Roubaste a realeza a Saul e o SENHOR agora entrega-a nas mãos de teu filho Absalão. Caíste na infelicidade, porque és um assassino!»
9
Abisai, filho de Seruia, disse ao rei: «Como é possível que este cão desgraçado amaldiçoe o rei, meu senhor? Permita-me que lhe corte a cabeça!»10 Mas o rei replicou-lhe: «Que tens tu e o teu irmão Joab a ver com isto? Se este homem me amaldiçoa, é porque o SENHOR lho mandou e por isso ninguém o pode censurar.»
11 E David ajuntou depois, dirigindo-se a Abisai e a todos os outros oficiais: «Se o meu próprio filho me procura matar, quanto mais este benjaminita! Deixem-no em paz. Que ele me amaldiçoe, se o SENHOR lho ordenou.
12 Talvez o SENHOR olhe para a minha desgraça e queira mudar esta maldição de agora em bênção.»
13 David e a sua comitiva prosseguiram o seu caminho, mas Simei também caminhava não muito longe dele, seguindo pelo flanco da montanha. Ele continuava a amaldiçoar David, a lançar-lhe pedras e pó da estrada.
14
Finalmente, o rei com a sua comitiva chegou junto do Jordão. Estavam muito cansados e ficaram lá a descansar.15
Entretanto Absalão entrou em Jerusalém juntamente com muitos israelitas, seus partidários, e também com Aitofel.16 Nisto apareceu Huchai, amigo pessoal de David, que dirigiu a Absalão a seguinte saudação: «Viva o rei! Viva o rei!»
17 Absalão perguntou-lhe: «Porventura é assim que és fiel ao teu amigo David? Por que é que não vais com ele?»
18 Huchai disse a Absalão: «Não! Eu estarei com aquele que tanto o SENHOR como este povo, a multidão dos israelitas, escolherem. A esse quero servir.
19 Além disso, não posso escolher a quem hei de servir? Não és tu o filho do meu amigo? Assim como servi o teu pai, assim te servirei agora.»
20
Absalão disse a Aitofel: «Decidam vocês sobre o que devemos fazer.»21 Aitofel respondeu-lhe: «Vai violar as concubinas que o teu pai cá deixou a guardar o palácio. Desta maneira, ofenderás a honra do teu pai; os israelitas tomarão conhecimento disso e os teus partidários ficarão encorajados.»
22 Armaram, em seguida, uma tenda no terraço do palácio para Absalão e, à vista de todo o Israel, ele desonrou as concubinas de seu pai.
23 Naquele tempo, um conselho dado por Aitofel era como se fosse uma palavra do próprio Deus. Tanto David como Absalão seguiam os seus conselhos.
1
Aitofel disse depois a Absalão: «Deixa-me escolher doze mil homens e partir em perseguição de David, esta noite mesmo.2 Vou surpreendê-lo no momento em que estiver cansado e desmoralizado. Vou pô-lo em pânico e todos os que estiverem com ele fugirão. O rei ficará sozinho e hei de matá-lo.
3 Desta feita, farei com que o povo se volte para ti. Desde o momento que o homem de quem tu procuras desembaraçar-te estiver morto, todo o povo voltará para ti e viverá em paz e sossego.»
4
Esta proposta pareceu certa a Absalão e a todos os anciãos de Israel.5 Mas Absalão ordenou, depois: «Chamem Huchai, o arquita, para ouvirmos também o seu parecer.»
6 Quando Huchai chegou, Absalão disse-lhe: «É este o parecer de Aitofel. Que te parece? Devemos escutá-lo? Se não estiveres de acordo, apresenta a tua proposta.»
7 E Huchai respondeu a Absalão: «Desta vez, o conselho dado por Aitofel não é o melhor.
8 Conheces bem o teu pai e os seus homens, como eles são fortes e valentes e, para mais, agora que estão desesperados como uma ursa que ficou sem o seu filho na selva. Além disso, o teu pai, como bom estratega militar, não passará esta noite com os outros.
9 Ele agora deve estar escondido em alguma gruta ou em qualquer outro lugar. Se acontecer que haja vítimas nas nossas fileiras, logo se espalhará a notícia de que o exército de Absalão sofreu baixas.
10 Então até os mais valentes vão desanimar, mesmo que tenham um coração de leão, pois todos os israelitas sabem que o teu pai é um combatente muito corajoso e conta com soldados cheios de bravura.
11 Por isso, o meu conselho é o seguinte: mobiliza todos os soldados israelitas, desde Dan, ao norte, até Bercheba, ao sul, tantos como os grãos de areia da praia. E depois vai para o combate com eles.
12 Atacaremos David em qualquer lugar em que se encontre. Cairemos sobre ele como o orvalho cai em cima da terra. E nem ele escapará, nem nenhum dos seus homens.
13 Se eles se refugiarem numa cidade, os nossos soldados israelitas utilizarão cordas para arrastar essa cidade até à torrente mais próxima, de modo que não fique nem uma só pedra no lugar .»
14
Absalão e os israelitas acharam o conselho de Huchai, o arquita, melhor que o de Aitofel. O SENHOR decidira frustrar o conselho de Aitofel que era, de facto, o melhor. Mas fez isto para lançar a desgraça sobre Absalão.15
Huchai transmitiu aos sacerdotes Sadoc e Abiatar o que Aitofel tinha proposto a Absalão e aos anciãos de Israel e o que ele próprio também tinha proposto.16 Depois acrescentou: «Enviem a David, o mais depressa possível, esta mensagem: “Não fique esta noite na planície do Jordão.” É preciso a todo o custo que ele atravesse o rio, para não ser exterminado com todos os seus homens.»
17
Jónatas e Aimás estavam à espera em En-Roguel. Uma criada devia ir-lhes levar as notícias, que eles depois iriam transmitir a David. Eles não podiam entrar na cidade, para não serem vistos.18 Um jovem, porém, viu-os e avisou Absalão. Então os dois fugiram a toda a pressa; chegaram a casa de um habitante de Baurim que tinha um poço no seu quintal, e esconderam-se dentro dele.
19 A dona da casa pegou numa manta, estendeu-a na boca do poço e sobre ela espalhou grãos, de modo que ninguém suspeitava de nada.
20 Os enviados de Absalão entraram na casa da mulher e perguntaram-lhe: «Onde estão Aimás e Jónatas?» Ela respondeu-lhes: «Já passaram o reservatório de água!» Os enviados procuraram-nos, mas não os encontraram e acabaram por voltar para Jerusalém.
21
Depois da partida deles, Aimás e Jónatas saíram do poço e foram avisar o rei David sobre o conselho que Aitofel tinha dado. Em conclusão, disseram-lhe: «É preciso que o rei atravesse o rio o mais depressa possível.»22 Imediatamente, David e os seus homens puseram-se a atravessar o Jordão. Pela manhã não havia um só que não tivesse atravessado o rio.
23 Aitofel, ao ver que o seu conselho não tinha sido seguido, aparelhou o seu jumento e partiu para a cidade onde vivia, fez o seu testamento e enforcou-se. Foi sepultado no túmulo de seu pai.
24
David chegou a Manaim , quando Absalão, com todas as tropas israelitas, passava o rio Jordão.25 Absalão colocou Amassá à frente do exército, em lugar de Joab. Amassá era filho dum israelita chamado Jitra, que se unira a Abigal, filha de Naás e irmã de Seruia, mãe de Joab.
26 Absalão e os israelitas acamparam na terra de Guilead.
27
Logo que David chegou a Manaim, Chobi, filho de Naás, da cidade de Rabá, capital dos amonitas, Maquir, filho de Amiel de Lo-Dabar e Barzilai, de Roguelim, na terra de Guilead,28 trouxeram a David e aos seus homens: colchões, louças e panelas; trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas e lentilhas;
29 mel, manteiga, queijos de ovelha e de vaca. Agiram deste modo porque pensaram que aquela gente devia estar cheia de fome, de fadiga e de sede, por causa do deserto.
1
David passou revista às suas tropas e pôs à frente delas comandantes de regimentos com mil homens e de unidades com cem homens.2 Depois dividiu o exército em três grupos, confiando um terço a Joab, um outro terço a Abisai, filho de Seruia e irmão de Joab, e o terceiro terço a Itai, de Gat. Finalmente, o rei disse às suas tropas: «Eu irei convosco para a batalha.»
3 Mas os soldados responderam-lhe: «De modo algum! É que se nós formos obrigados a fugir, não terá importância para os nossos inimigos. Mesmo que a metade de nós morresse, nada disso lhes importaria, porque o rei vale por dez mil. É melhor que o rei fique na cidade, para nos socorrer.»
4 O rei respondeu: «Farei o que melhor vos parecer!» Então o rei colocou-se à porta da cidade, enquanto o exército saía formado por regimentos de mil homens e unidades de cem.
5 O rei ordenou finalmente a Joab a Abisai e a Itai: «Por favor, poupem o meu filho Absalão!» E todos os soldados ouviram a ordem que o rei acabava de dar aos chefes a respeito de Absalão.
6
O exército de David pôs-se em marcha para combater as tropas de Israel e a batalha teve lugar na floresta de Efraim .7 E as tropas de Israel foram derrotadas pelas de David. A mortandade foi grande, pois as baixas elevaram-se a vinte mil homens.
8 O combate estendeu-se por toda a região e por causa da floresta morreram naquele dia mais soldados do que pela a espada.
9
A certa altura, Absalão, montado numa mula, encontrava-se frente aos soldados de David. E a mula passou a correr por debaixo da ramada espessa de uma grande árvore. A cabeça de Absalão ficou presa nos ramos, enquanto a mula seguiu o seu caminho. E assim ficou Absalão pendurado entre o céu e a terra.10 Um soldado de David viu isto e foi dizer a Joab: «Eu vi Absalão pendurado nos ramos de uma árvore.»
11 E Joab perguntou-lhe: «Se o viste, por que é que não o abateste no mesmo lugar? Em paga, dar-te-ia dez moedas de prata e uma cintura.»
12 Mas o soldado respondeu-lhe: «Mesmo que me oferecesses mil moedas de prata, nunca levantaria a minha mão contra o filho do rei, pois todos nós ouvimos muito bem o que o rei te ordenou, a ti, a Abisai e a Itai: “Por favor poupem-me o meu filho Absalão!”
13 Se eu o tivesse matado, pretendendo nada saber, o rei acabaria, como sempre, por descobrir tudo e nem tu próprio me defenderias.»
14 Então Joab disse-lhe: «Não vou perder mais tempo contigo!» Pegou em três flechas de pau e foi espetá-las no coração de Absalão, que ainda estava vivo pendurado na árvore.
15 Os dez jovens soldados escudeiros de Joab, rodearam Absalão e acabaram de o matar.
16
Joab ordenou depois que tocassem a trombeta para assinalar o fim do combate. Os soldados de David deixaram então de perseguir os homens de Israel.17 Retiraram o corpo de Absalão, lançaram-no numa grande fossa dentro da floresta e colocaram em cima dele um enorme monte de pedras . Entretanto os israelitas fugiam cada um para sua casa.
18 Quando ainda vivia, Absalão tinha mandado construir o monumento que se encontra no vale do Rei, porque dizia: «Não tenho filhos para perpetuarem o meu nome.» Por isso, tinha dado o seu nome a este monumento, que ainda hoje se chama «monumento de Absalão».
19
Aimás, filho de Sadoc, disse a Joab: «Deixa que eu vá a correr levar esta boa notícia ao rei de que o SENHOR lhe fez justiça, livrando-o dos seus inimigos.»20 Mas Joab respondeu-lhe: «Hoje, não, porque hoje não serias um mensageiro de boas notícias. Deixa isso para outro dia! Hoje não, porque se trata da notícia da morte do filho do rei.»
21
Entretanto Joab disse a um escravo etíope: «Vai tu contar ao rei o que viste!» O escravo inclinou-se diante de Joab e correu a dar a notícia.22 Mas Aimás insistiu com Joab: «Aconteça o que acontecer, deixa-me também ir a correr atrás do etíope.» Joab perguntou-lhe: «Mas para quê correr, ó meu amigo, se esta notícia não te traz nenhuma recompensa?»
23 Mas ele voltou a insistir para Joab o deixar ir e Joab acabou por lhe dizer: «Está bem, vai!» Aimás partiu a correr pelo caminho da planície do Jordão e ultrapassou o etíope.
24
Nesta altura, David estava escondido entre a porta exterior e a porta interior da cidade. Uma sentinela subiu ao terraço, no cimo da muralha, e olhando em direção da porta exterior viu um homem a correr sozinho.25 Gritou e avisou o rei. O rei respondeu: «Se ele vem só, é porque traz boas notícias!» O mensageiro aproximava-se cada vez mais,
26 quando a sentinela viu outro homem a correr. Então gritou ao porteiro: «Vem lá mais um a correr sozinho.» E o rei exclamou: «Também este deve trazer boas notícias.»
27 A sentinela continuou: «Pela maneira de correr, reconheço o primeiro; é Aimás, filho de Sadoc.» E o rei disse: «É um bom homem e traz certamente boas notícias.»
28
Quando Aimás chegou, saudou o rei e inclinou-se respeitosamente por terra, diante dele. Depois continuou: «Louvado seja o SENHOR, teu Deus, que te entregou aqueles que se tinham revoltado contra o rei, meu senhor.»29 Depois o rei perguntou: «E como está o meu filho Absalão! Está bem?» Aimás respondeu-lhe: «No momento em que Joab me enviou e a um outro servo do rei, notei que havia uma grande agitação, mas não sei do que é que se trata.»
30 O rei disse-lhe: «Afasta-te para ali e espera.» Ele afastou-se e esperou.
31 Nisto chegou o etíope, que disse ao rei: «Trago-lhe uma boa notícia. Hoje, o SENHOR Deus fez-lhe justiça, libertando o rei, meu senhor, de todos os seus inimigos!»
32 E o rei perguntou-lhe: «Como está o meu filho Absalão? Está bem?» O etíope respondeu-lhe: «Deus permita que aconteça a todos os teus inimigos e a quantos se revoltam contra o rei, meu senhor, aquilo que aconteceu a Absalão!»
1
O rei ficou muito deprimido com esta notícia. Foi para o seu quarto, situado por cima da porta da cidade e pôs-se a chorar. Caminhava dum lado para outro a gritar: «Ó meu filho Absalão! Meu querido Absalão! Quem me dera ter morrido em vez de ti! Ó Absalão, meu filho querido!»2 Foram dizer a Joab que o rei estava a chorar e a lamentar-se por causa de Absalão.
3 Naquele dia, a alegria da vitória transformou-se em tristeza para todo o povo, porque os soldados souberam que o rei estava muito abatido por causa da morte de seu filho.
4 Entraram às escondidas na cidade, como se fossem soldados envergonhados fugindo da batalha.
5 O rei, de rosto coberto, continuava a gritar: «Ó meu filho Absalão! Absalão, meu querido filho!»
6
Joab foi ter com o rei a sua casa e disse-lhe: «Ó rei, meu senhor, com esta maneira de proceder, estás a cobrir de vergonha os teus soldados, que te salvaram a vida e a vida dos teus filhos e filhas e a vida de todas as tuas mulheres.7 Até parece que o rei ama aqueles que lhe querem mal e quer mal àqueles que o amam. O rei está a dar a entender que os chefes do seu exército e todos os seus oficiais nada contam para ele. Até parece que acharia normal se todos nós estivéssemos hoje mortos e Absalão estivesse vivo.
8 Levanta-te! O rei tem que reagir e tem que ir falar aos soldados com palavras que encoragem. Se não for, juro-lhe pelo SENHOR que nem um só ficará convosco por mais tempo. E isso seria para o rei uma desgraça maior que todas as que já sofreu, desde a mocidade.»
9 Então o rei levantou-se e foi colocar-se junto da porta da cidade. Foram anunciar o facto aos soldados e eles reuniram-se todos à volta do rei.
Os soldados de Absalão tinham fugido, cada qual para as suas casas.10 Entretanto em todas as tribos de Israel discutia-se fortemente e dizia-se: «O rei livrou-nos dos nossos inimigos, especialmente dos filisteus, e agora viu-se obrigado a fugir do país por causa de Absalão.
11 Mas Absalão, que tínhamos escolhido para rei, acaba de morrer na guerra. Por que esperamos agora mais tempo? Por que não fazemos voltar o rei David?»
12
Por seu lado, David mandou esta mensagem aos sacerdotes Sadoc e Abiatar: «Falem aos anciãos de Judá e perguntem-lhes: “Por que é que são os últimos a querer que o rei regresse ao seu palácio, quando ele mesmo está ao corrente das intenções do resto de Israel?13 Vocês são os meus irmãos, os meus parentes mais próximos. Por que é que são os últimos a querer que eu volte como rei?”
14
Depois vão também dizer a Amassá: “Não és tu da minha família? Que Deus me castigue severamente, se eu não te colocar na chefia do exército em vez de Joab!”»15
As palavras de David convenceram toda a gente de Judá, sem exceção de ninguém. E mandaram dizer ao rei: «Regressa, tu e toda a tua gente!»16 Então o rei pôs-se a caminho e chegou até às margens do Jordão. E os habitantes de Judá foram a Guilgal, ao encontro do rei, para o ajudar a atravessar o rio.
17
Simei, filho de Guera, o benjaminita de Baurim, apressou-se em ir ao encontro de David juntamente com as gentes de Judá.18 Ele ia acompanhado de mil homens da tribo de Benjamim, e ainda de Siba, o criado da família de Saul, e dos seus quinze filhos e vinte criados. Atravessaram o Jordão à frente do rei,
19 para ajudarem a família real a atravessar o rio e para executarem as ordens que o rei lhes quisesse dar.
Logo que o rei atravessou o Jordão, Simei lançou-se por terra diante dele20 e disse-lhe: «Rei, perdoe-me a minha culpa! Esqueça a falta que cometi no dia em que o rei deixou Jerusalém. Por favor, não a leve em consideração!
21 Eu reconheço a minha falta. Por isso vim hoje, antes de qualquer outro das tribos do norte, ao seu encontro, ó meu senhor e meu rei.»
22
Nisto Abisai, filho de Seruia, interveio e disse ao rei: «Será este um motivo bastante para não matar Simei, uma vez que ele amaldiçoou o rei escolhido do SENHOR?»23 Mas David disse a Abisai e ao seu irmão Joab: «Por que é que vocês se intrometem na minha vida? Por que é que se voltam contra mim, neste dia? Hoje nenhum israelita deve morrer, pois é o dia em que estou seguro de voltar a ser o rei de Israel.»
24 E o rei disse a Simei: «Tu não morrerás! Sou eu que o juro!»
25
Mefiboset, neto de Saul, foi também ao encontro do rei. Desde o dia em que o rei tinha partido até ao momento em que voltou são e salvo, nunca mais tinha lavado os pés, nem aparado a barba, nem lavado a roupa.26 Quando se apresentou diante do rei, este perguntou-lhe: «Mefiboset, por que é que não partiste comigo?»
27 E Mefiboset respondeu-lhe: «Foi por culpa do meu criado, que me enganou. Embora seja aleijado, tinha pensado em mandar preparar a minha mula e montar nela para ir com o rei.
28 Mas o meu servo foi contar ao rei mentiras a meu respeito. Porém o rei, meu senhor, é sábio como um anjo de Deus. Faça como lhe parecer bem.
29 De facto, para o rei, meu senhor, só havia na família do meu avô Saul gente que merecia a morte. Mas apesar disso, o rei admitiu-me entre os que comem à sua mesa. Terei ainda algum direito? Poderei reclamar alguma coisa?»
30 O rei disse-lhe: «Não digas mais palavras! Determino que tu e Siba sejam herdeiros das terras de Saul!»
31 E Mefiboset disse: «Siba até pode ficar com tudo. O importante é que o meu senhor e rei volte são e salvo ao seu palácio.»
32
Barzilai, natural de Roguelim, em Guilead, acompanhou também o rei; foi desde a sua terra até ao Jordão e despediu-se dele junto do rio.33 Barzilai era um homem bastante idoso, pois já tinha oitenta anos. Como era muito rico, abasteceu o rei durante a sua estadia em Manaim.
34 O rei disse-lhe: «Vem comigo para Jerusalém, que eu te sustentarei em tudo o que for preciso.»
35 Mas Barzilai respondeu ao rei: «Quanto tempo me resta ainda para viver, para que valha a pena ir convosco para Jerusalém?
36 Já fiz oitenta anos e por isso não estou em idade de distinguir o que tem bom ou mau sabor, nem de apreciar a boa comida e a boa bebida, nem as vozes dos cantores e das cantoras. Por que é que este seu servo se há de tornar um peso para o rei?
37 Já fico contente por poder atravessar o Jordão convosco. Nem sou digno de merecer do rei uma tal recompensa!
38 Permita-me que regresse à minha cidade, para aí morrer junto dos túmulos de meu pai e minha mãe. Mas aqui está o meu filho Quimeam. Ele irá com o rei, meu senhor; trate-o como melhor lhe parecer.»
39 Então o rei disse: «Pois seja como desejas. Quimeam irá comigo e farei por ele tudo o que te agradar. E tudo quanto me pedires, também to concederei.»
40
Entretanto a multidão terminou de passar o Jordão, que o rei já tinha atravessado. David abraçou Barzilai e abençoou-o e este voltou para a sua terra.41 O rei seguiu para Guilgal, acompanhado de Quimeam.
Todos os da tribo de Judá e metade dos israelitas das tribos do norte atravessaram o rio com o rei.42 Os do norte foram ter com ele e perguntaram-lhe: «Por que é que os da tua tribo, os de Judá, te sequestraram e te fizeram passar o Jordão com a tua família, uma vez que todos os teus soldados estavam por ti?»
43 Porém os judeus replicaram: «É que o rei é o nosso parente mais chegado. Por que é que isso vos irrita? Acaso temos comido à custa do rei ou recebemos dele alguma coisa?»
44 Mas os israelitas retorquiram imediatamente: «Nós temos dez vezes mais direitos sobre o rei do que vós; até mesmo sobre David temos mais direitos! Por que é que nos tratas com um tal desprezo? E não fomos nós os primeiros a propor que se pedisse ao nosso rei que regressasse?» Mas os judeus responderam aos israelitas ainda com mais dureza .
1
Encontrava-se lá um homem muito mau, chamado Cheba, filho de Bicri, da tribo de Benjamim. Ele tocou a trombeta e gritou: «Nada temos a ver com David,2
Então os israelitas abandonaram David para seguirem Cheba, filho de Bicri. Só os judeus ficaram com o seu rei, para o acompanharem desde o Jordão até Jerusalém.3
Logo que David entrou no seu palácio, em Jerusalém, mandou chamar as dez concubinas que lá tinha deixado a tomar conta do palácio. Fechou-as no seu harém, provendo sempre à sua alimentação, sem nunca mais ter relações com elas. E assim ficaram enclausuradas, vivendo como viúvas até à morte.4
Depois disto, o rei disse a Amassá: «Dou-te três dias para mobilizares o exército de Judá e para te apresentares aqui com ele.»5 Amassá foi cumprir esta ordem, mas demorou-se mais do que o prazo estabelecido pelo rei.
6 Então David disse a Abisai: «Presentemente, Cheba é mais perigoso do que foi Absalão. Leva contigo a minha guarda pessoal e persegue-o, antes que ele se refugie nas cidades fortificadas e nos escape.»
7 Com Abisai foram também os homens comandados por Joab, assim como os cretenses e os peleteus da guarda real e todos os soldados mais bem preparados. Deixaram Jerusalém e foram em perseguição de Cheba, filho de Bicri.
8 Quando chegaram junto da grande pedra de Guibeon, Amassá juntou-se a eles. Joab trazia o seu equipamento militar, com um cinturão, do qual pendia uma espada embainhada. Quando Joab se aproximou de Amassá, a espada caiu-lhe.
9 Joab perguntou a Amassá: «Como é que vais, meu irmão?» E com a mão direita agarrou a barba de Amassá como para o abraçar.
10 Amassá, porém, não reparou na espada que Joab tinha na mão esquerda. E Joab espetou-lha na barriga. Os intestinos de Amassá espalharam-se por terra e morreu, sem que Joab precisasse de lhe dar um segundo golpe.
Em seguida, Joab e o seu irmão Abisai, continuaram em perseguição de Cheba, filho de Bicri.11 Um dos soldados de Joab tinha ficado junto do corpo de Amassá e dizia: «Quem for partidário de Joab e de David, siga Joab!»
12
Amassá continuava entretanto estendido no meio do caminho, coberto de sangue, e todos quantos passavam paravam para ver. Perante isto, o soldado puxou o cadáver para fora do caminho e cobriu-o com um pano.13 Uma vez retirado o cadáver do caminho, os soldados de Joab continuaram em perseguição de Cheba, filho de Bicri, seguindo atrás de Joab.
14
Joab atravessou todas as tribos de Israel e chegou à cidade de Abel-Bet-Macá, e todos os beritas se reuniram para se unirem a ele .15 Cheba tinha-se refugiado nesta cidade e Joab e os seus soldados puseram-lhe cerco. Construíram uma rampa de terra até à altura da muralha e começaram a tentar destruir a muralha.
16
Nisto ouviu-se a voz de uma mulher, que era tida por sábia: «Ouçam! Ouçam! Peçam a Joab que venha cá, porque tenho algo a dizer-lhe.»17 Joab foi ter com ela e ela perguntou-lhe: «És tu Joab?» «Sou» — respondeu ele. E ela acrescentou: «Ouve bem o que tenho para te dizer.» «Estou a ouvir» — respondeu-lhe ele.
18 E a mulher continuou: «Antigamente, costumava dizer-se: “Proceda-se a uma consulta em Abel e a questão será resolvida!”
19 A nossa cidade é uma das principais em Israel, e das mais pacíficas e fiéis. Por que queres destruir aquilo que pertence ao SENHOR?»
20 Joab respondeu: «De modo algum! Não venho arruinar nem destruir coisa alguma.
21 Apenas procuro um homem da região montanhosa de Efraim, chamado Cheba, filho de Bicri, que se revoltou contra o rei David. Se vocês mo entregarem, eu levantarei o cerco.» «Está bem» — disse a mulher, «nós vamos lançar a sua cabeça por cima do muro.»
22
A mulher foi ter com o povo da cidade e convenceu-os com a sua esperteza. Cortaram a cabeça de Cheba e lançaram-na para Joab. Este mandou tocar a trombeta e os soldados levantaram o cerco, indo cada um para sua casa. E Joab voltou para junto do rei, em Jerusalém.23
Joab era o chefe militar das tropas de Israel. Benaías, filho de Joiadá, comandava os cretenses e os peleteus.24 O responsável pelos trabalhos obrigatórios era Adoniram; Josafat, filho de Ailud, era o cronista do rei;
25 Cheva era o porta-voz; Sadoc e Abiatar eram os sacerdotes;
26 Ira, descendente de Jair, também era sacerdote ao serviço de David .
1
Durante o reinado de David, houve uma fome que durou três anos. David consultou o SENHOR, que lhe respondeu: «É por causa de Saul e dos sanguinários da sua família, por terem mandado executar os guibeonitas.»2 O rei mandou chamar então os guibeonitas para lhes falar. Eles não eram israelitas, mas sobreviventes dos amorreus, a quem os israelitas tinham prometido por juramento não aniquilar. Mas Saul, no seu zelo por Israel e Judá, procurou eliminá-los.
3 David perguntou-lhes: «Que posso eu fazer por vós? Como poderei reparar o mal que vocês sofreram, para poderem abençoar o povo do SENHOR?»
4 Os guibeonitas responderam: «A questão que temos com Saul e com a sua família não se resolve com prata e ouro. Nem queremos acabar com nenhum israelita.» David disse-lhes: «Tudo quanto desejarem, eu vo-lo concederei.»
5 Os guibeonitas responderam-lhe: «Saul esmagou-nos e queria exterminar-nos, de modo a desaparecermos todos da terra de Israel.
6 Agora pedimos que nos sejam entregues sete homens dos seus descendentes, para os enforcarmos em honra do SENHOR, em Guibeá, a cidade de Saul, escolhido do SENHOR.» «Eu vo-los entregarei» — respondeu David.
7
O rei poupou Mefiboset, filho de Jónatas e neto de Saul, por causa do juramento feito entre ele e Jónatas, em nome do SENHOR.8 Mandou que trouxessem os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, dera a Saul, chamados Armoni e Mefiboset, e os cinco filhos que Mical , filha de Saul, tinha dado a Adriel, filho de Barzilai, que era de Meolá.
9 Entregou-os aos guibeonitas, que os enforcaram num monte, diante do SENHOR. E os sete foram mortos ao mesmo tempo. A execução teve lugar nos primeiros dias da colheita da cevada.
10
Rispa, filha de Aiá, pegou numa manta e estendeu-a sobre o rochedo, e permaneceu ali desde o princípio da colheita da cevada até ao dia em que começou a chover sobre os cadáveres. Durante o dia, afastava as aves de rapina e durante a noite os animais selvagens.11
Foram dizer a David o que tinha feito Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul.12 Então David foi recolher os ossos de Saul e do seu filho Jónatas, que eram posse dos senhores de Jabés, em Guilead. É que os filisteus, depois de terem vencido Saul em Guilboa, penduraram os corpos de Saul e Jónatas na praça de Bet-Chan, onde os habitantes de Jabés os foram roubar.
13 Trouxe pois de Jabés os ossos de Saul e do seu filho Jónatas; mandou também recolher os ossos dos que tinham sido enforcados
14 e foram colocados, juntamente com os de Saul e de Jónatas, no túmulo de Quis, pai de Saul, em Sela, no território de Benjamim. Fez-se tudo o que o rei ordenou e, depois disso, Deus mostrou-se favorável para com o país.
15
Rebentou novamente a guerra entre os filisteus e os israelitas. David e os seus soldados puseram-se em marcha para atacar os filisteus, mas David sentiu-se subitamente cansado.16 Então apresentou-se Jis-Benob, descendente de Harafá , para matar David. Tinha uma armadura nova e a ponta da sua lança, que era de bronze, pesava mais de três quilos.
17 Mas Abisai, filho de Seruia, foi socorrer David e matou o filisteu. Foi então que os soldados obrigaram o rei a prometer que não sairia mais com eles para os combates, para que a luz da realeza não se apagasse em Israel.
18
Houve ainda, mais tarde, uma outra guerra contra os filisteus, em Gob. Foi então que Sibecai, natural de Hucha, matou Saf, um outro descendente de Harafá.19 Numa outra batalha contra os filisteus, também em Gob, Elanan, filho de Jaré-Oreguim, natural de Belém, matou Golias, de Gat, que tinha uma lança com um cabo como um cilindro de tear.
20 Deu-se ainda outra batalha em Gat. Havia lá um perigoso gigante com seis dedos em cada mão e em cada pé, fazendo um total de vinte e quatro. Também ele era descendente de Harafá.
21 Este gigante insultou os israelitas, mas foi morto por Jónatas, filho de Chamá e sobrinho de David.
22
Estes quatro guerreiros filisteus, descendentes de Harafá, eram naturais de Gat e foram mortos por David e pelos seus soldados.1
David dirigiu ao SENHOR este cântico, no dia em que este o livrou de cair nas mãos de Saul e de todos os seus inimigos.2 Disse David :
«O SENHOR é a minha rocha, fortaleza e proteção.3
O meu Deus é o rochedo em que me refugio.
Ele é a força que me protege,
a força que me salva.
Ele é o meu asilo, o meu salvador,
que me liberta dos opressores.
4
Que o SENHOR seja louvado!
Eu chamei pelo SENHOR
e fiquei livre dos meus inimigos.
5
A morte cercou-me com as suas vagas;6
o poder da morte envolveu-me com os seus laços
e preparou-me armadilhas fatais.
7
Na minha angústia invoco o SENHOR,
peço ajuda ao meu Deus.
Do seu santuário ele escuta a minha voz,
o meu clamor chega aos seus ouvidos.
8
Houve então um forte tremor de terra,9
Saía fumo das suas narinas
e da sua boca, um fogo destruidor:
dele saíam como que carvões acesos.
10
Ele rasgou os céus e desceu
com densas nuvens debaixo dos seus pés.
11
Voa, montado num querubim,
aparece nas asas do vento.
12
Envolveu-se num véu de escuridão
e cercou-se de nuvens, carregadas de água.
13
Com o fulgor da sua presença
acendiam-se centelhas de fogo.
14
Do céu, o SENHOR fez ecoar o trovão,15
Arremessou flechas em todas as direções,
relâmpagos em todos os sentidos.
16
O fundo do mar ficou descoberto
e as profundezas da terra ficaram à vista,
perante as ameaças do SENHOR,
e o seu sopro impetuoso.
17
Lá do alto estendeu a sua mão e agarrou-me,18
Livrou-me de um inimigo poderoso,
de adversários mais fortes do que eu.
19
Atacaram-me, quando eu estava em aflição,
mas o SENHOR deu-me o seu apoio.
20
Levou-me para longe do perigo,
libertou-me, porque me quer bem.
21
O SENHOR recompensou-me pela minha retidão,
retribuiu-me pelo meu comportamento honesto,
22
porque segui os caminhos do SENHOR
e nunca reneguei o meu Deus.
23
Sempre tive presentes todos os seus decretos
e nunca rejeitei as suas leis.
24
Tenho sido sincero para com ele
e afastei-me dos maus caminhos.
25
O SENHOR recompensou-me pela minha retidão
e pelo meu comportamento honesto para com ele.
26
Tu, SENHOR, és fiel a quem te é fiel,
és irrepreensível com quem é irrepreensível para contigo.
27
És reto com os que são retos
e astuto com os mal-intencionados.
28
Tu salvas os que são humildes,
com o teu olhar humilhas os orgulhosos.
29
Ó SENHOR, tu és para mim uma luz!30
Com a tua ajuda atacarei os meus inimigos;
com a tua força saltarei muralhas.
31
Os caminhos de Deus são perfeitos32
Pois não há outro deus, além do SENHOR,
nem rochedo de proteção além do nosso Deus!
33
É ele o Deus que me dá força
e torna perfeito o meu caminho.
34
Ele dá aos meus pés a ligeireza do veado
e faz-me andar seguro nas montanhas.
35
Ele exercita-me para a batalha
e põe nas minhas mãos um arco de bronze.
36
Ó SENHOR, tu dás-me o escudo da tua proteção,37
Facilitaste o meu caminho
e os meus pés não vacilaram.
38
Persegui os meus inimigos e derrotei-os;
não desisti sem os ter destruído.
39
Destruí-os, fi-los em pedaços; já não se levantaram.
Caíram debaixo dos meus pés.
40
Tu deste-me força para combater;
humilhaste diante de mim os meus adversários.
41
Tu fazes com que eu vença os meus inimigos;
destruirei aqueles que me odeiam.
42
Pedem socorro, mas ninguém lhes acode;
invocam o SENHOR, mas ele não responde.
43
Eu pisei-os como pó do chão,
calquei-os como lama das ruas.
44
Livraste-me das contendas do meu povo
e fizeste-me governante de nações;
um povo desconhecido é meu vassalo.
45
Os estrangeiros submetem-se a mim
e prontamente me obedecem.
46
Eles perdem a coragem
e saem a tremer dos seus refúgios.
47
Viva o SENHOR! Bendito seja o meu protetor!48
Ele é o Deus que me torna vitorioso,
que submete os povos ao meu poder
49
e me livra dos meus inimigos.
Tu arrancas-me aos meus inimigos
e livras-me dos que são violentos.
50
Por isso, te louvarei, SENHOR, entre as nações
e cantarei hinos ao teu nome.
51
Deus concede grandes vitórias ao seu rei
e mostra constante amor ao seu ungido,
a David e aos seus descendentes para sempre.»
1
Estas são as últimas declarações de David : «Mensagem de David, filho de Jessé,2
O Espírito do SENHOR manifesta-se por mim3
O Deus de Israel falou,
a rocha de Israel declarou-me:
“O rei que governa os homens com justiça,
aquele que governa com temor de Deus,
4
é como o Sol radioso quando nasce,
numa manhã sem nuvens.
É devido aos seus raios, depois da chuva,
que a erva brota da terra.”
5
Eis como Deus agiu com a minha família:6
Mas todos os maus são como os espinhos
que se deitam fora,
e que ninguém gosta de tocar com as mãos.
7
Quem precisar de lhes tocar
arranja primeiro um ferro ou um pau comprido.
Os espinhos são queimados e destruídos pelo fogo.»
8
Eis a lista dos guerreiros mais valentes de David: Em primeiro lugar, Isboset, o hacmonita , chefe do grupo dos três heróis, também conhecido por Adino, o esnita, e que empunhou a lança e matou oitocentos inimigos de uma só vez.9
Em segundo lugar, Eleazar, filho de Dodo, neto de um homem de Aoa. Era um dos três guerreiros que acompanhavam David, quando desafiaram os filisteus, que se tinham agrupado para os combater. O exército de Israel pôs-se em fuga,10 mas Eleazar manteve-se em campo e matou os filisteus até que a sua mão se cansou de tanto manejar a espada. O SENHOR concedeu, naquele dia, uma grande vitória a Israel. Os soldados que tinham fugido, regressaram para junto de Eleazar, mas somente para recolher os despojos.
11
Em terceiro lugar temos Chamá, filho de Agué, natural de Harar. Quando os filisteus se agruparam em Laí, perto de um campo de lentilhas, o exército de Israel pôs-se em fuga diante deles,12 mas Chamá colocou-se no meio do campo, defendeu-o e derrotou os filisteus. O SENHOR concedeu-lhe uma grande vitória.
13
Um dia, no tempo das ceifas, três valentes do «grupo dos trinta» foram ter com David na caverna de Adulam, porque um batalhão de filisteus tinha acampado no vale de Refaim.14 David encontrava-se escondido no seu refúgio fortificado e um grupo de filisteus ocupava Belém.
15 David manifestou o seguinte desejo: «Quem me dera beber da água da cisterna que está à entrada de Belém?»
16 Então os três valentes penetraram no acampamento dos filisteus, tiraram a água da cisterna, que ficava junto da porta de Belém, e levaram-na a David. Mas em vez de a beber, David ofereceu-a ao SENHOR derramando-a por terra
17 e disse: «Ó SENHOR, eu não tenho o direito de beber esta água! Não é ela igual ao sangue destes valentes que a foram buscar com o risco da própria vida?» E recusou-se a bebê-la.
Foi este um feito heroico destes três valentes.18
Em quarto lugar aparece Abisai, irmão de Joab e filho de Seruia, chefe do «grupo dos trinta». Foi ele que um dia empunhou a sua lança contra trezentos inimigos, matando-os a todos e ganhando desta forma muita fama entre o «grupo dos trinta».19 Ele era o mais célebre entre os trinta, e até chegou a ser o seu chefe, mas não pôde rivalizar com o «grupo dos três».
20
Em quinto lugar temos Benaías, natural de Cabecel, filho de Joiadá e neto dum valente guerreiro, rico em façanhas. Foi ele que matou os dois moabitas de Ariel e foi ele também que, num dia de neve, desceu a uma cisterna para matar um leão.21 Foi ele ainda que matou um egípcio de forte estatura, que estava armado com uma lança. Benaías atacou-o com um simples bastão, arrancou-lhe a lança das mãos e matou-o com ela.
22 Tais foram as façanhas de Benaías, filho de Joiadá e que ganhou, por isso, uma grande fama no grupo dos trinta valentes.
23 Foi um dos mais célebres entre o «grupo dos trinta», mas não pôde rivalizar com o «grupo dos três». E David colocou-o no comando da sua guarda pessoal.
24
Do «grupo dos trinta» faziam ainda parte: Assael, irmão de Joab, Elanan, filho de Dodo, natural de Belém;25 Chamá, natural de Harod; Elica, também natural de Harod;
26 Heles, natural de Pelet; Ira, filho de Iqués, natural de Técoa;
27 Abiézer, natural de Anatot; Mebunai, natural de Hucha;
28 Salmon, natural de Aoa; Marai, natural de Netofa;
29 Heleb, filho de Baaná, natural também de Netofa; Itai, filho de Ribai, natural de Guibeá, no território de Benjamim;
30 Benaías, natural de Piraton; Hidai, das torrentes de Gaás;
31 Abialbon natural de Arabá; Azemavet, natural de Baurim;
32 Eliaba, natural de Chalbon, um dos filhos de Jassen; Jónatas;
33 Chamá, natural de Harar; Aiam, filho de Sacar, natural de Harar;
34 Elifelet, filho de Assebai, neto dum homem de Macá; Eliam, filho de Aitofel, natural de Guilo;
35 Hesro, natural de Carmelo; Parai, natural de Arab;
36 Jigal, filho de Natan, natural de Sobá; Bani, da tribo de Gad;
37 Sélec, o amonita; Narai, natural de Berot, escudeiro de Joab, filho de Seruia;
38 Ira, da família de Jéter; Gareb, também da família de Jéter;
39 e Urias, o hitita. Ao todo eram trinta e sete.
1
Um dia a cólera do SENHOR voltou-se uma vez mais contra os israelitas, deixando que David agisse contra os interesses do povo, fazendo um recenseamento dos israelitas e dos judeus.2 O rei disse a Joab, comandante do exército, que estava junto dele: «Percorre todo o território de Israel, desde Dan, no norte, até Bercheba, no sul, e faz com que toda a gente seja recenseada, pois eu quero saber o seu número.»
3 Joab respondeu ao rei: «Desejo, ó rei, que o SENHOR, teu Deus, multiplique o povo cem vezes mais, e que os teus olhos o possam ver! Mas por que é que o meu senhor e rei pretende fazer semelhante coisa?»
4
Mas a ordem do rei impôs-se a Joab e aos oficiais superiores do exército, de modo que Joab e os oficiais tiveram que a cumprir. Por isso, saíram de junto do rei e foram recensear o povo.5 Passaram o Jordão e começaram pela cidade de Aroer e pela cidade situada no meio do vale. Depois atravessaram a tribo de Gad em direção de Jazer.
6 Continuaram pelo território de Guilead, pelo país dos hititas, em Cadés. Chegaram a Dan e continuaram a volta até chegarem a Sídon.
7 Continuaram pela cidade fortificada de Tiro e por todas as cidades que tinham pertencido aos heveus e aos cananeus. Depois seguiram em direção do sul de Judá até Bercheba.
8 Percorreram, assim, todo o país e voltaram a Jerusalém ao cabo de nove meses e vinte dias.
9 Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento do povo: oitocentos mil soldados em Israel, prontos para a guerra, e em Judá quinhentos mil soldados.
10
Logo após o recenseamento, David sentiu remorsos por o ter mandado fazer e confessou diante do SENHOR: «Cometi um grande pecado ao fazer isto. Reconheço que agi como um insensato! Mas SENHOR, perdoa este pecado ao teu servo!»11
No dia seguinte, quando David se levantou, ficou a saber que o SENHOR tinha falado ao profeta Gad, conselheiro de David, nestes termos:12 «Vai dizer a David que o SENHOR lhe comunica o seguinte: “Dou-te a escolher entre três castigos. Escolhe o que quiseres, que é esse que eu cumprirei.”»
13 Gad foi ter com ele e comunicou-lhe a mensagem de Deus e perguntou-lhe: «O que é que preferes: sete anos de fome para todo o teu povo, ou três meses a fugir diante dos teus inimigos, que te vão perseguir, ou três dias de peste em todo o país? Pensa bem e diz-me o que escolhes, para eu responder a quem me enviou.»
14 David respondeu: «Encontro-me num grande dilema! Mas antes quero cair nas mãos do SENHOR do que nas dos homens, porque a misericórdia do SENHOR é grande!»
15
O SENHOR enviou então uma epidemia de peste sobre Israel, que durou desde aquela manhã até ao tempo marcado. E morreram setenta mil pessoas desde Dan, no norte, até Bercheba, no sul.16
Quando o anjo do SENHOR, com a mão estendida sobre Jerusalém, estava pronto para exterminar os habitantes, o SENHOR renunciou a continuar com o castigo e disse ao anjo destruidor: «Basta! Retira a tua mão!» O anjo do SENHOR estava junto da eira de Aravená, descendente dos jebuseus.17
Quando David viu que o anjo do SENHOR estava pronto para castigar o povo, disse ao SENHOR: «Sou eu o culpado! Eu é que pequei! Esta pobre gente não fez mal algum. Eu e a minha família é que devemos ser castigados!»18
Naquele mesmo dia Gad foi ter com David e disse-lhe: «Sobe à eira do jebuseu Aravená e levanta ali um altar ao SENHOR.»19 E David pôs-se a caminho, como o SENHOR lhe tinha ordenado por intermédio de Gad.
20
Aravená viu, do alto, o rei e os seus oficiais que iam ao seu encontro. Adiantou-se, inclinou-se respeitosamente por terra diante do rei,21 e perguntou-lhe: «A que devo a visita do meu senhor e rei?» O rei respondeu-lhe: «Quero que me vendas este lugar, para eu construir aqui um altar ao SENHOR e para assim poder acabar a peste que aflige o povo.»
22 Aravená disse a David: «O rei pode ficar com o terreno para oferecer ao SENHOR o sacrifício que melhor lhe parecer. Ofereço também os meus bois para o sacrifício e ainda o carro e o jugo para servirem de lenha.»
23
Aravená ofereceu tudo isto ao rei, e acabou por lhe dizer: «Que o SENHOR, teu Deus, acolha com agrado o teu sacrifício!»24 Mas o rei respondeu-lhe: «Não quero que me dês nada. Quero comprar e pagar. Não posso oferecer ao SENHOR, meu Deus, sacrifícios que nada me custaram.» E David comprou a eira e os bois por cinquenta moedas de prata.
25 Construiu ali um altar dedicado ao SENHOR e sobre ele ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão. Então o SENHOR compadeceu-se daquela gente e acabou o flagelo que se tinha abatido sobre Israel.