1
Havia um homem chamado Elcaná, do clã de Suf a viver nas montanhas de Efraim, oriundo de Ramá. Era filho de Jeroam e neto de Eliú e pertencia à família de Toú, do clã de Suf de Efrata .2 Era casado com duas mulheres: uma chamava-se Ana e a outra, Penina. Penina tinha filhos, mas Ana não.
3 Elcaná ia todos os anos em peregrinação ao santuário de Silo para adorar e oferecer sacrifícios a Deus, todo-poderoso . Hofni e Fineias, filhos de Eli, estavam lá como sacerdotes do SENHOR.
4
No dia próprio, Elcaná oferecia o sacrifício ao SENHOR e dava a porção de carne correspondente a Penina e a cada um dos seus filhos.5 Ele amava muito Ana, mas só lhe dava a porção que lhe correspondia a ela, porque o SENHOR não lhe tinha dado filhos.
6
Penina, a sua rival, atormentava-a e humilhava-a continuamente, porque o SENHOR não lhe tinha dado filhos.7 Isto acontecia todos os anos, quando ela ia ao santuário do SENHOR. Penina atormentava Ana de tal modo que Ana se punha a chorar e deixava de comer.
8 Elcaná, seu marido, dizia-lhe: «Ana, por que é que choras? Por que não comes? Por que estás tão triste? Porventura não sou para ti mais que dez filhos?»
9
Um dia, depois de ter terminado a sua refeição no santuário de Silo, Ana levantou-se. O sacerdote Eli estava sentado no seu lugar, junto da porta do santuário.10 Ana estava muito triste e, enquanto orava ao SENHOR, as lágrimas caíam-lhe abundantemente.
11 E fez esta promessa solene: «SENHOR, todo-poderoso, olha para a amargura da tua serva e lembra-te de mim! Não te esqueças da tua serva! Se me concederes a graça de ter um filho, eu hei de o consagrar ao SENHOR por toda a sua vida e o seu cabelo nunca será cortado .»
12
Ana já estava há muito tempo em oração no templo e o sacerdote Eli começou a ver se percebia o que ela dizia.13 Ela orava só para si. Apenas os seus lábios se mexiam, mas sem se ouvir a sua voz. Por isso, Eli pensou que ela estava embriagada
14 e disse-lhe: «Até quando continuarás embriagada? Vai curtir a bebedeira para outro sítio!»
15
Ana respondeu-lhe: «Não é isso, meu senhor! Eu sou uma mulher que sofre. Não bebi vinho nem outra bebida alcoólica. Apenas estava a contar as minhas mágoas ao SENHOR Deus.16 Não penses que eu sou uma mulher atrevida. Por causa da minha grande aflição e desgosto é que eu tenho estado a falar assim até agora.»
17
Então o sacerdote Eli disse-lhe: «Vai em paz e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste.»18 Ela respondeu-lhe: «Possa eu ser sempre bem acolhida por ti, meu senhor!» Então ela foi-se embora, comeu alguma coisa e já parecia que tinha outra cara.
19
No dia seguinte, Elcaná e a família levantaram-se cedo, foram orar uma vez mais ao santuário e regressaram a casa, na cidade de Ramá. Elcaná teve relações com a sua mulher Ana e o SENHOR ouviu a sua oração.20 Com o passar dos dias Ana ficou grávida e deu à luz um filho a quem pôs o nome de Samuel, «porque foi ao SENHOR que eu o pedi», dizia ela .
21
Chegou o tempo de Elcaná ir novamente ao santuário de Silo com toda a sua família para oferecer ao SENHOR o sacrifício anual e cumprir a promessa .22 Mas Ana não foi com ele e apresentou esta razão ao marido: «Esperemos que o menino seja desmamado; depois eu levo-o e apresento-o no santuário do SENHOR e lá ficará por toda a sua vida.»
23 Seu marido, Elcaná, disse-lhe: «Está bem! Faz como melhor te parecer. Fica em casa até desmamares o menino. E que o SENHOR confirme a promessa.» Ana ficou em casa e amamentou o filho até à idade própria.
24
Depois de o ter desmamado, Ana levou o seu filho ao santuário de Silo. Levou também um bezerro de três anos, uma medida de farinha e um odre de vinho. E o menino era ainda muito pequeno.25 Depois de terem oferecido o bezerro em sacrifício, entregaram a criança a Eli.
26 Ana disse-lhe então: «Desculpa, meu senhor! Eu sou aquela mulher que esteve aqui a orar ao SENHOR, próximo de ti.
27 Era para ter este filho que eu pedia e o SENHOR atendeu o pedido que lhe fiz.
28 Agora entrego-o ao SENHOR e ficará para sempre ao seu serviço, pois ele foi consagrado ao SENHOR.» E então inclinaram-se por terra, adorando o SENHOR.
1
Ana orou desta maneira: «O SENHOR encheu o meu coração de alegria;2
Ninguém é santo como o SENHOR,
ninguém é igual a ele
e não há rocha como o nosso Deus.
3
Acabem com os discursos orgulhosos;
e não digam palavras insolentes,
porque o SENHOR é um Deus que conhece todas as coisas
e julga tudo o que se faz.
4
Os arcos dos heróis foram quebrados,
mas os fracos estão cheios de força.
5
Os que tinham fartura procuram trabalho para ganhar o pão
e os famintos são saciados.
A mulher estéril deu à luz sete filhos,
e a mãe de muitos filhos ficou sem nenhum.
6
O SENHOR dá a morte e faz reviver,
faz com que se desça ao mundo da morte
e levanta novamente os que para lá foram .
7
O SENHOR dá a pobreza e a riqueza;
ele humilha e engrandece.
8
Levanta do pó o indigente
e tira o pobre da miséria.
Fá-los assentar com os grandes
e coloca-os em lugares de honra.
Os fundamentos da terra pertencem ao SENHOR
que sobre eles construiu o mundo.
9
Ele guia os passos dos seus fiéis,
mas os maus hão de desaparecer nas trevas;
pois não é a força que faz o homem triunfar.
10
Os inimigos do SENHOR serão destruídos.
Dos céus trovejará contra eles.
O SENHOR julga a terra inteira,
dá poder ao seu rei
e a vitória ao seu escolhido .»
11
Então Elcaná regressou para a sua casa, em Ramá, e o menino Samuel ficou no santuário de Silo a servir o SENHOR, às ordens do sacerdote Eli.12
Os filhos de Eli eram perversos e não se interessavam pelas coisas do SENHOR,13 nem cumpriam os regulamentos sacerdotais em relação ao povo. Quando alguém ia ao santuário oferecer o seu sacrifício, o criado do sacerdote aparecia com um garfo de três pontas. E enquanto a carne cozia,
14 ele espetava o garfo na panela, na caldeira, no tacho ou no púcaro, e tudo quanto o garfo apanhava era para o sacerdote. Desta mesma maneira, eles agiam para com todo o povo de Israel que vinha ao santuário de Silo.
15 Pior ainda, antes de a gordura ser queimada, o criado do sacerdote ia ter com a pessoa que oferecia o seu sacrifício e dizia-lhe: «Dá-me alguma carne de assar para o sacerdote, porque ele não aceita carne já cozida, mas apenas crua.»
16
Se o homem lhe dizia: «Está bem, mas primeiro deixa queimar a gordura , e depois leva o que quiseres», o criado do sacerdote respondia-lhe: «Não! Dá-me agora, porque, caso contrário, tiro-ta à força.»17
Semelhante pecado dos filhos de Eli era coisa muito grave diante do SENHOR, porque não respeitavam as ofertas ao SENHOR.18
Entretanto Samuel continuava a servir o SENHOR, e usava uma túnica votiva de linho .19 E todos os anos, quando ia com o seu marido ao santuário, a sua mãe levava-lhe alguma roupa, que ela própria fazia.
20 Eli abençoava Elcaná e sua mulher e dizia a Elcaná: «Que o SENHOR te dê mais filhos desta mulher em troca daquele que ela ofereceu ao SENHOR.» E eles voltavam para casa.
21
De facto, o SENHOR abençoou Ana e ela ficou de novo grávida e teve mais três filhos e duas filhas. Entretanto Samuel continuava a crescer ao serviço do SENHOR.22
Eli estava a ficar muito velho. Ele ouvia contar o mal que os seus filhos faziam a todo o povo de Israel e que eles dormiam com as mulheres que trabalhavam à entrada da tenda do encontro .23 Disse-lhes então: «Por que é que se comportam assim? Toda a gente me conta o mal que fazem.
24 Acabem com isso, meus filhos! É coisa muito má o que ouço dizer a vosso respeito. Andam a desorientar o povo do SENHOR.
25 Se um homem ofende outro homem, Deus pode defendê-lo. Mas se ofende o próprio SENHOR, quem é que o poderá defender?» Eles, porém, não deram ouvidos ao seu pai. Na verdade, o SENHOR achou que eles deviam morrer.
26
E Samuel continuava a crescer, agradando ao SENHOR e aos homens.27
Um profeta foi ter com Eli e transmitiu-lhe esta mensagem do SENHOR: «Eu revelei-me aos antepassados do teu pai, quando eles estavam no Egito às ordens do faraó.28 E escolhi a família do teu pai entre todas as tribos de Israel para serem os meus sacerdotes, para oferecerem os sacrifícios, para queimarem o incenso e para me consultarem . Dei-lhes o privilégio de ficarem com uma parte dos sacrifícios dos filhos de Israel.
29 Por que é que então faltam ao respeito devido aos sacrifícios e ofertas que eu estabeleci? Por que é que tu respeitas mais os teus filhos do que a mim, deixando-os engordar com as melhores partes dos sacrifícios que o meu povo me oferece?
30 Por isso, eu, o SENHOR de Israel te digo agora o seguinte: outrora prometi à tua família e ao teu clã que seriam meus sacerdotes para sempre, mas agora juro-te que honrarei os que me honrarem e os que me desprezarem serão humilhados!
31 Vão chegar os dias em que exterminarei todos os descendentes da tua família e do teu clã, de modo que ninguém vai chegar a velho na tua família.
32 Terás um rival no santuário e verás como ele agradará a Israel; mas na tua casa nunca mais haverá ninguém que chegue à velhice.
33 Mesmo assim, deixarei um dos teus descendentes vivo para me servir no altar, para te consumir os olhos e a vida, mas todos os outros descendentes da tua família hão de morrer na força da idade.
34 Este é o sinal de que tudo quanto acabo de te dizer é verdade: os teus dois filhos Ofni e Fineias hão de morrer no mesmo dia.
35 Vou escolher para mim um sacerdote que seja digno de toda a confiança e que há de cumprir em tudo a minha vontade. Hei de dar-lhe descendentes fiéis que servirão sempre o meu escolhido .
36 Os que restarem dos teus descendentes virão ter com esse sacerdote para lhe pedirem dinheiro e pão. E hão de dizer-lhe: “Deixa-me desempenhar qualquer função sacerdotal para eu poder ganhar um pouco de pão para comer.”»
1
O jovem Samuel continuava a servir o SENHOR às ordens de Eli. Naqueles tempos era raro alguém receber uma mensagem do SENHOR, pois ele a poucos se revelava.2
Certa noite, Eli, que se encontrava quase cego, estava a dormir no seu quarto.3 A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel dormia no interior do templo, onde se encontrava a arca da aliança.
4 O SENHOR chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou !»
5 Samuel correu para o quarto de Eli e disse-lhe: «Tu chamaste-me e eu aqui estou!» Mas Eli respondeu-lhe: «Não te chamei; volta para a tua cama.» E ele assim o fez.
6 O SENHOR chamou outra vez Samuel e ele foi novamente ter com Eli e disse-lhe: «Tu chamaste-me e eu aqui estou!» Eli voltou a responder-lhe: «Não te chamei, meu filho, volta para a tua cama.»
7 Samuel não sabia que era o SENHOR, porque o SENHOR nunca lhe tinha falado antes.
8
O SENHOR chamou Samuel pela terceira vez. Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse-lhe: «Tu chamaste-me e eu aqui estou!» Eli compreendeu então que era o SENHOR a chamar pelo jovem,9 e disse-lhe: «Volta para a tua cama. E se alguém te chamar novamente, responde: “Fala, SENHOR, porque o teu servo está a ouvir.”» E Samuel voltou a deitar-se.
10
O SENHOR foi de novo ter com Samuel. Chamou por ele como das outras vezes e disse: «Samuel, Samuel!» Este respondeu: «Fala, que o teu servo está a ouvir.»11 O SENHOR disse a Samuel: «Eu vou realizar em Israel algo que deixará horrorizado quem o ouvir contar.
12 Hei de cumprir contra a família de Eli tudo quanto disse, desde o princípio ao fim.
13 Já lhe anunciei que hei de castigar a sua família para sempre, por causa da falta dos seus dois filhos, de que ele era sabedor. Eli sabia que os seus filhos me ofendiam e não os corrigiu.
14 Por isso, declaro solenemente à família de Eli que nada poderá apagar semelhante falta, nem sacrifícios nem ofertas.»
15
Samuel continuou deitado até de manhãzinha; depois levantou-se e abriu as portas do santuário. Mas estava com medo de contar a visão a Eli.16 Eli chamou-o: «Samuel, meu filho», e ele respondeu: «Aqui estou!»
17 Eli perguntou-lhe: «Que é que o SENHOR te disse? Não me escondas nada, porque ele castiga-te, se me esconderes alguma coisa do que ele te disse.»
18 Então Samuel contou-lhe tudo sem esconder nada e Eli disse: «Ele é o SENHOR! Que faça como bem lhe parecer.»
19
Samuel ia crescendo e o SENHOR estava com ele e realizava tudo conforme lhe tinha dito.20 E todo o povo de Israel, desde Dan no norte, até Bercheba no sul, ficou a saber que Samuel era na verdade um profeta do SENHOR.
21
O SENHOR continuou a revelar-se em Silo, onde tinha aparecido a Samuel e lhe tinha falado.1
Quando Samuel falava, era para todo o povo de Israel. Certa altura, Israel estava em guerra com os filisteus e os israelitas acamparam junto de Eben-Ézer, enquanto os filisteus se encontravam em Afec.2 Os filisteus atacaram duramente e Israel foi vencido, tendo morrido no campo de batalha uns quatro mil homens.
3 Quando os sobreviventes regressaram ao acampamento, os anciãos de Israel disseram: «Por que é que o SENHOR permitiu que os filisteus nos vencessem? Vamos buscar a arca da aliança do SENHOR a Silo, para que ela nos acompanhe e nos salve dos nossos inimigos.»
4 Enviaram, pois, mensageiros a Silo, que trouxeram a arca da aliança do SENHOR, todo-poderoso, que tem o seu trono sobre os querubins. E os dois filhos de Eli, Ofni e Fineias, acompanhavam a arca da aliança.
5
Quando a arca chegou ao acampamento, os israelitas irromperam em enorme júbilo , de tal modo que a terra estremeceu.6 Os filisteus ouviram aquela gritaria e disseram: «Que gritos são aqueles?» Compreenderam então que era por causa da arca da aliança que tinha chegado ao acampamento dos israelitas.
7 Ficaram cheios de medo e disseram: «Estamos perdidos! Um deus entrou no seu acampamento! Nada disto nos aconteceu anteriormente!
8 Estamos perdidos! Quem nos livrará de deuses tão poderosos? São estes os deuses que esmagaram os egípcios com toda a espécie de castigos, no deserto.
9 Filisteus, sejam valentes! Combatam com coragem, para não se tornarem escravos dos hebreus, como eles já foram vossos escravos!»
10
Os filisteus combateram corajosamente e venceram os israelitas, que acabaram por fugir para as suas tendas. A derrota foi muito dura: trinta mil soldados israelitas caíram mortos.11 A arca da aliança do SENHOR foi apanhada e os dois filhos de Eli, Ofni e Fineias, morreram.
12
Um homem da tribo de Benjamim correu do campo de batalha para Silo e chegou lá no mesmo dia. Em sinal de luto, rasgou as suas vestes e pôs terra por cima da cabeça.13 Eli estava sentado junto da estrada, em expectativa e cheio de ansiedade por causa da arca da aliança do SENHOR. O homem espalhou a notícia pela cidade e toda a gente começou a gritar.
14 Eli ouviu o barulho e perguntou: «Que significa todo este barulho?» Então o homem correu para Eli a anunciar-lhe as notícias.
15 Eli estava com noventa e oito anos; levantou os olhos, mas já não conseguia ver.
16 Disse-lhe o homem: «Sou eu que venho da frente da batalha. Hoje mesmo saí de lá e vim a correr até aqui.» Eli perguntou-lhe: «Que aconteceu, meu filho?»
17
O mensageiro respondeu-lhe: «Israel recuou diante dos filisteus. Foi uma enorme derrota para o nosso povo. Os teus dois filhos, Ofni e Fineias, também morreram, e os inimigos levaram a arca da aliança do SENHOR.»18
Quando Eli, que estava junto à porta, ouviu o que se tinha passado com a arca da aliança, caiu para trás e, como estava velho e pesado, partiu o pescoço e morreu. Eli tinha dirigido Israel durante quarenta anos.19
A nora de Eli, mulher de Fineias, estava grávida e prestes a dar à luz. Quando ouviu dizer que a arca da aliança do SENHOR tinha sido levada e que o sogro e o marido tinham morrido, sofreu um choque tão grande que lhe vieram de repente as dores de parto e deu à luz.20 Ela estava quase a morrer e as mulheres que a ajudavam no parto disseram-lhe: «Coragem! Nasceu-te um filho!» Mas ela não lhes respondeu, nem lhes deu atenção.
21 Deu ao seu filho o nome de Icabod, querendo significar que, «a glória de Deus abandonou Israel ». Referia-se à perda da arca da aliança e à morte do sogro e do marido.
22 Mas ela disse que a glória de Deus tinha abandonado Israel, porque a arca da aliança tinha sido levada.
1
Depois de os filisteus terem capturado a arca da aliança do SENHOR, levaram-na de Eben-Ézer para Asdod .2 Colocaram-na no santuário do seu deus Dagon, ao lado da estátua do deus.
3 No dia seguinte, pela manhã, o povo de Asdod viu a estátua de Dagon caída por terra, diante da arca da aliança. Levantaram-na e colocaram-na no seu lugar.
4 No outro dia, pela manhã, viram que a estátua tinha caído novamente, diante da arca da aliança. A cabeça e os dois braços estavam partidos e espalhados pelo chão; apenas o tronco estava inteiro.
5 É por isso que ainda hoje os sacerdotes de Dagon e todos os seus adoradores em Asdod não pisam o chão do santuário de Dagon.
6
O SENHOR castigou duramente o povo de Asdod e aterrorizou-o. E os seus habitantes, tal como os das terras vizinhas, ficaram cheios de tumores.7 Quando eles se aperceberam do que estava a acontecer, disseram: «O Deus de Israel está a castigar-nos severamente, a nós e ao nosso deus Dagon. Não queremos que a arca da aliança do Deus de Israel fique mais tempo aqui.»
8 Enviaram então mensageiros, chamaram os chefes dos filisteus para uma reunião e perguntaram-lhes: «Que é que devemos fazer à arca da aliança do Deus de Israel?» Eles responderam: «Levem-na para a cidade de Gat.» E eles assim fizeram.
9
Depois de lá ter chegado a arca da aliança, Deus castigou aquela cidade e o pânico foi grande. O SENHOR castigou-os com tumores que apareceram em todo o povo, desde os mais novos aos mais velhos.10 Então enviaram a arca da aliança para a cidade de Ecron, mas, quando ela lá chegou, o povo gritou: «Eles mandaram para aqui a arca da aliança do Deus de Israel para nos matar a todos.»
11 Então mandaram reunir os chefes dos filisteus e disseram-lhes: «Devolvam a arca da aliança do Deus de Israel ao seu lugar, para podermos escapar à morte.» Realmente havia um pânico de morte em toda a cidade, porque Deus estava a castigá-los de maneira muito severa.
12 Os que não tinham morrido estavam cheios de tumores e os gritos da cidade elevavam-se até ao céu.
1
A arca da aliança do SENHOR já estava há sete meses entre os filisteus.2 Então eles chamaram os sacerdotes e os magos e perguntaram-lhes: «Que devemos fazer com a arca do SENHOR? Como é que havemos de a mandar para o lugar de onde veio?»
3 Eles responderam: «Se querem devolver a arca do Deus de Israel, não a devem mandar sem mais nada; devem mandar uma oferta em desagravo do vosso pecado. Assim ficarão curados e saberão por que motivo Deus vos estava a castigar.»
4 O povo perguntou-lhes: «Que género de oferta devemos enviar?» Eles responderam: «Cinco modelos dos tumores em ouro e cinco modelos de ratos também em ouro, porque são cinco os chefes dos filisteus, uma vez que o mesmo castigo vos atingiu junto com os vossos chefes.
5 Devem fazer estes modelos dos tumores e dos ratos que destroem a vossa terra, reconhecendo o poder do Deus de Israel. Desta maneira talvez ele deixe de vos castigar tão severamente, bem como aos vossos deuses e à vossa terra.
6 Que é que ganham em serem teimosos como foram os egípcios e o faraó ? Não se esqueçam que Deus castigou os egípcios duramente até serem obrigados a deixar sair os israelitas do Egito.
7 Preparem, pois, um carro de bois novo, puxado por duas vacas com crias que ainda não usaram a canga ; ponham as vacas ao carro e levem as crias para o curral.
8 Depois peguem na arca do SENHOR e coloquem-na no carro de bois. Os objetos de ouro que fizeram como oferta de desagravo pelos vossos pecados, ponham-nos dentro duma caixa e coloquem-nos ao lado da arca da aliança. Depois deixem ir o carro à vontade.
9 Reparem bem na direção que ele toma: se for na direção de Israel, pelo caminho de Bet-Chemes, quer dizer que foi realmente o Deus de Israel que nos castigou desta maneira; em caso contrário, concluiremos que não foi ele que fez tal coisa, mas que se tratou apenas de uma fatalidade.»
10
O povo filisteu assim o fez: atrelaram as duas vacas ao carro e deixaram as crias no curral.11 Colocaram depois a arca do SENHOR em cima do carro, com a caixa que tinha os modelos de ouro dos ratos e dos tumores.
12 As vacas seguiram em direção a Bet-Chemes e foram sempre por aquela estrada, sem nunca se desviarem, embora fossem sempre a mugir. Os cinco chefes dos filisteus seguiram atrás do carro até à fronteira com Bet-Chemes.
13
O povo de Bet-Chemes andava a ceifar o trigo nos campos. De repente levantaram os olhos e viram a arca da aliança ao longe e ficaram muito contentes.14 O carro chegou ao campo dum homem chamado Josué, que vivia em Bet-Chemes, e parou lá, junto duma grande pedra. Do carro, o povo fez lenha para oferecer as vacas em sacrifício ao SENHOR .
15 Os levitas tiraram do carro a arca do SENHOR e a caixa com os modelos de ouro e colocaram-nos na pedra grande. Depois o povo de Bet-Chemes matou alguns animais e ofereceu-os ao SENHOR, juntamente com outros sacrifícios.
16 Os cinco chefes dos filisteus, depois de terem observado tudo isto, regressaram a Ecron, naquele mesmo dia.
17
Os filisteus mandaram ao SENHOR os cinco modelos dos tumores em ouro, como oferta pelos seus pecados, um por cada uma das seguintes cidades: Asdod, Gaza, Ascalon, Gat e Ecron.18 Enviaram também os modelos em ouro dos ratos, um por cada uma das cidades governadas pelos cinco chefes dos filisteus, desde as cidades fortificadas até às aldeias sem muralhas. A grande pedra que está no campo de Josué de Bet-Chemes, onde colocaram a arca do SENHOR, ainda hoje recorda o que aconteceu.
19
O SENHOR matou setenta homens de Bet-Chemes porque olharam para a arca da aliança. E o povo ficou consternado, porque o SENHOR lhe deu semelhante castigo.20
As pessoas de Bet-Chemes disseram: «Quem é que pode estar na presença do SENHOR, este Deus santo? Para onde é que o enviaremos, para que fique longe de nós?»21 Mandaram então mensageiros aos habitantes de Quiriat-Iarim, com estas palavras: «Os filisteus devolveram-nos a arca do SENHOR. Venham buscá-la e levem-na para aí.»
1
O povo de Quiriat-Iarim pegou na arca da aliança do SENHOR e levou-a para casa dum homem chamado Abinadab, que vivia na colina. E consagraram Eleazar, filho de Aminadab, para cuidar dela.2
A arca do SENHOR já estava em Quiriat-Iarim há mais de vinte anos e durante esse tempo o povo de Israel esforçava-se por seguir o SENHOR.3
Samuel disse ao povo de Israel: «Se querem realmente voltar para o SENHOR com todo o coração, afastem todos os deuses estranhos e as imagens da deusa Astarté . Voltem-se para o SENHOR e sirvam-no só a ele, que ele vos há de libertar do perigo dos filisteus.»4 Então os israelitas afastaram os ídolos do deus Baal e da deusa Astarté, e serviram apenas o SENHOR.
5 Samuel pediu então aos israelitas para se reunirem em Mispá e disse-lhes: «Vou orar ao SENHOR em vosso favor.»
6 E reuniram-se todos em Mispá. Foram buscar um pouco de água, derramaram-na pelo chão como oferta ao SENHOR e jejuaram durante todo o dia. E diziam: «Pecámos contra o SENHOR!»
E Samuel foi juiz do povo de Israel em Mispá.7
Quando os filisteus souberam que os israelitas se reuniam em Mispá, os chefes dos filisteus prepararam-se para os atacar. Os israelitas, ao saberem disto, ficaram cheios de medo8 e pediram com insistência a Samuel: «Não deixes de orar e clamar ao SENHOR nosso Deus por nós, para que nos salve das mãos dos filisteus.»
9 Samuel pegou num cordeirinho ainda de leite e ofereceu-o ao SENHOR em sacrifício. Intercedeu junto do SENHOR por Israel e o SENHOR atendeu-o.
10
Enquanto Samuel oferecia o sacrifício, os filisteus avançaram para atacar o povo de Israel, mas o SENHOR mandou contra eles fortes trovões. Os filisteus entraram em pânico e Israel derrotou-os.11 Os israelitas partiram de Mispá e perseguiram os filisteus até para além de Bet-Car.
12 Então Samuel colocou uma pedra entre Mispá e Chen e chamou-lhe Eben-Ézer, dizendo: «Até aqui nos auxiliou o SENHOR .»
13 Os filisteus tiveram de se render e não se atreveram a entrar no território de Israel durante o tempo de Samuel, porque o poder do SENHOR os impedia.
14 Todas as cidades que os filisteus tinham tomado a Israel entre Ecron e Gat foram reconquistadas. Desta maneira Israel recuperou todo o seu território aos filisteus e houve paz entre Israel e os amorreus.
15
Samuel governou Israel até ao fim da sua vida.16 Todos os anos visitava Betel, Guilgal e Mispá e decidia as questões do povo em cada um destes lugares.
17 Depois dessas visitas, regressava à sua casa em Ramá, de onde continuava a governar Israel. E em Ramá construiu um altar para o SENHOR.
1
Quando Samuel envelheceu, nomeou os seus filhos como governantes de Israel.2 O mais velho chamava-se Joel e o mais novo Abias e exerciam as suas funções em Bercheba.
3 Mas eles não seguiram o exemplo do seu pai e só procuravam o seu próprio proveito. Deixavam-se subornar e não julgavam as pessoas com honestidade.
4
Então reuniram-se todos os anciãos de Israel, foram ter com Samuel a Ramá5 e disseram-lhe: «Estás a ficar velho e os teus filhos não seguem o teu exemplo. Dá-nos um rei que nos governe, à maneira de todas as outras nações .»
6 Samuel ficou aborrecido por lhe pedirem um rei para os governar e foi falar com o SENHOR.
7 E o SENHOR respondeu a Samuel: «Aceita aquilo que o povo te propõe. Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, não querendo que eu seja o seu rei.
8 Desde que os tirei da terra do Egito, têm-me abandonado muitas vezes para adorarem outros deuses; agora estão a portar-se contigo da mesma maneira.
9 Ouve-os, pois, mas avisa-os sobre o modo como os seus reis os irão governar.»
10
Ao povo, que lhe pedia um rei, Samuel transmitiu aquilo que o SENHOR lhe tinha comunicado.11 E disse-lhes: «Estes são os direitos do rei vos há-de governar: os vossos filhos serão os seus soldados, uns para os seus carros de guerra, outros para a sua cavalaria, mas todos à frente do seu carro de comando.
12 Alguns deles serão os seus oficiais responsáveis pelas companhias de mil e de cinquenta soldados.
Os vossos filhos terão de cultivar as terras do rei, terão de fazer as suas colheitas, fabricar as suas armas e preparar os seus carros de combate.13 As vossas filhas terão que preparar os perfumes para o rei e servi-lo como cozinheiras e como padeiras.
14 Ele há de apoderar-se dos vossos melhores campos, vinhas e olivais, para os distribuir pelos seus ministros.
15 Tomará para si uma décima parte do vosso cereal e das vossas uvas, para distribuir pelos seus cortesãos e ministros.
16 Há de apoderar-se dos vossos criados e criadas, e dos vossos melhores jovens, bem como dos vossos burros para os pôr ao seu serviço.
17 Tirará para si uma décima parte dos vossos rebanhos e vocês mesmos serão seus escravos.
18 Quando tudo isto acontecer, hão de queixar-se do rei que escolheram, mas o SENHOR não atenderá as vossas queixas.»
19
Mas o povo não deu ouvidos a Samuel e insistia: «Não importa! Queremos um rei!20 Desta maneira seremos como as outras nações, com um rei que nos governe, que vá connosco para a guerra e nos dirija nos combates.»
21 Samuel ouviu tudo quanto o povo dizia e transmitiu-o ao SENHOR.
22 O SENHOR respondeu-lhe: «Atende o seu pedido e dá-lhes um rei.» Então Samuel disse-lhes que podiam voltar para a sua terra.
1
Havia um homem valoroso e forte, chamado Quis, da tribo de Benjamim. Era filho de Abiel e neto de Seror, da família de Becorat, do clã de Afia.2 Tinha um filho chamado Saul, jovem e bem parecido. Ninguém em Israel se comparava com ele, e os mais altos só lhe davam pelo ombro.
3
Aconteceu que Quis, pai de Saul, perdeu umas jumentas e disse ao filho: «Toma um dos criados contigo e vai procurar os animais.»4 Atravessaram a região montanhosa de Efraim e a região de Chalichá mas não encontraram nada. Depois foram para a região de Chalim e nada encontraram. Passaram para o território de Benjamim, mas também não encontraram os animais.
5 Quando chegaram à região de Suf, Saul disse ao criado: «Voltemos para casa. Temo que meu pai deixe de pensar nos animais e se comece a preocupar connosco.»
6
Então o criado disse-lhe: «Espera! Há nesta cidade um homem santo e muito respeitado, porque tudo o que ele diz acontece. Vamos ter com ele pois pode muito bem acontecer que nos diga qual o caminho a seguir.»7 Saul respondeu: «Está bem! Mas que é que lhe podemos oferecer? Já não temos pão no saco e nada nos resta para lhe oferecer. E que é que nós temos?»
8 O criado disse: «Tenho uma pequena moeda de prata. Posso dar-lha e ele nos indicará o caminho.»
9
Outrora, em Israel, o profeta era chamado vidente e, por isso, quando alguém desejava consultar o SENHOR, dizia: «Vamos ter com o vidente.»10 Saul disse ao criado: «Boa ideia! Vamos lá!» E foram à cidade onde se encontrava o homem de Deus.
11
Ao subirem a encosta para a cidade, encontraram umas raparigas que iam buscar água e perguntaram-lhes: «O vidente está na cidade?»12 Elas responderam: «Sim, está mesmo ali adiante! Vão depressa! Ele veio hoje à cidade, porque o povo vai oferecer um sacrifício público no altar que está lá em cima no monte.
13 Logo que chegarem à cidade podem encontrá-lo, antes que ele suba para começar o banquete do sacrifício. O povo não pode começar a comer antes de ele chegar, porque é ele quem vai abençoar o sacrifício. Só depois é que os convidados podem começar a comer. Vão já para cima, porque agora encontram-no pela certa.»
14
Eles subiram à cidade e, quando estavam a entrar, viram Samuel, que saía na sua direção para ir sacrificar ao cimo do monte.15 Ora, no dia anterior, o SENHOR tinha avisado Samuel da vinda de Saul:
16 «Amanhã, por esta hora, vou enviar-te um homem da tribo de Benjamim. Deves consagrá-lo, para ficar a ser o chefe do meu povo de Israel. Ele é que vai libertar o meu povo do perigo dos filisteus. Eu vi o sofrimento do meu povo e ouvi as suas súplicas .»
17
Quando Samuel viu Saul, o SENHOR disse-lhe: «É este o homem de quem te falei e que há de governar o meu povo.»18 Saul aproximou-se de Samuel, já perto da porta, e disse-lhe: «Por favor, onde é que mora o vidente?»
19 Samuel respondeu-lhe: «Sou eu o vidente. Acompanha-me ao lugar do sacrifício. Venham hoje tomar parte comigo no banquete do sacrifício e amanhã responderei a todas as vossas questões; depois seguirão o vosso caminho.
20 Quanto aos animais que se perderam há três dias, não te preocupes, porque já foram encontrados. Mas quem é aquele que o povo de Israel mais procura? Porventura não és tu e a família do teu pai?»
21
Saul respondeu-lhe: «Mas eu pertenço à tribo de Benjamim, a mais pequena de Israel, e a minha família é a menos importante da tribo. Por que é que tu me falas então dessa maneira?»22
Depois Samuel levou Saul e o criado para a sala grande e colocou-os nos lugares principais, à frente dos convidados, que eram cerca de trinta.23 Samuel disse ao cozinheiro: «Traz o pedaço de carne que eu te dei e que te disse para pores de lado.»
24 O cozinheiro trouxe o pedaço da perna de carneiro e colocou-o diante de Saul. Samuel disse a Saul: «Este é o bocado de carne que foi reservado para ti. Come-o! Guardei-o para tu o comeres nesta ocasião com o povo que eu convidei .»
Saul comeu com Samuel naquele dia.25 Depois desceram do lugar do sacrifício para a cidade e Samuel continuou ainda a conversar com Saul no terraço .
26
Acordaram cedo, ao romper do dia, e Samuel chamou Saul, que estava no terraço: «Levanta-te, que eu vou indicar-te o caminho.» Saul levantou-se, e os dois saíram.27 Quando chegaram ao extremo da povoação, Samuel disse a Saul: «Manda o teu criado avançar à nossa frente.» E o criado avançou. Depois Samuel ordenou a Saul: «Tu, fica aqui comigo, porque preciso de te transmitir o que o SENHOR disse.»
1
Então Samuel pegou num frasco de azeite e derramou-o sobre a cabeça de Saul. Depois beijou-o e disse-lhe: «O SENHOR consagrou-te como chefe do seu povo .2 Hoje mesmo, quando te separares de mim, encontrarás dois homens perto do túmulo de Raquel, em Selça, no território de Benjamim. Eles te dirão que os animais que procuras já foram encontrados. O teu pai já esqueceu o caso dos animais, mas está muito preocupado contigo e pergunta continuamente o que é que pode fazer pelo filho.
3 Dali, seguirás sempre em frente até chegares ao carvalho sagrado do Tabor , onde encontrarás três homens que vão oferecer sacrifícios a Deus, em Betel. Um deles leva três cabritos, outro leva três pães e o terceiro um odre de vinho.
4 Eles hão de saudar-te e oferecer-te dois pães, que deves aceitar.
5 Depois seguirás para a colina de Deus, Guibeá, onde se encontra um acampamento dos filisteus. Ao entrares na cidade, vais encontrar um grupo de profetas que desce do monte do sacrifício, tocando liras, tambores, flautas e harpas, em atitude de exaltação profética.
6 Então o Espírito do SENHOR cairá sobre ti e tornar-te-ás profeta com eles, ficando um homem diferente.
7 Quando vires que tudo isto acontece como eu te disse, faz tudo o que quiseres porque Deus está contigo.
8 Depois vai para Guilgal e espera lá por mim. Mais tarde, irei lá ter contigo para oferecer a Deus holocaustos de animais e sacrifícios de comunhão. Espera lá por mim, durante sete dias. Quando eu chegar, te direi o que deves fazer.»
9
Quando Saul se voltou para deixar Samuel, Deus transformou-o num homem diferente e tudo quanto Samuel lhe tinha dito aconteceu naquele dia.10 Saul e o criado chegaram a Guibeá e logo lhes veio ao encontro um grupo de profetas. O Espírito de Deus desceu então sobre Saul e ele tornou-se profeta juntamente com os outros.
11 Todos quantos o conheciam, ao verem o que lhe estava a acontecer, diziam uns aos outros: «Que é que sucedeu ao filho de Quis? Será que Saul também se tornou profeta?»
12 Alguém que vivia naquele lugar perguntou: «Mas quem é o chefe destes profetas?» E foi assim que nasceu o ditado popular: «Também Saul está entre os profetas!»
13
Entretanto, terminado o estado de exaltação profética, Saul dirigiu-se para o lugar do sacrifício, na montanha.14
Um tio de Saul perguntou-lhe, a ele e ao criado: «Onde é que vocês estiveram?» Saul respondeu: «Fomos procurar os animais que se perderam, mas não os pudemos encontrar e acabámos por ir consultar Samuel.»15 O tio perguntou-lhe ainda: «E o que é que ele vos disse?»
16 Saul respondeu: «Disse-nos que os animais já tinham sido encontrados.» Mas nada contou ao tio do que Samuel lhe tinha dito a respeito de ele vir a ser rei.
17
Samuel convocou o povo para uma assembleia religiosa em Mispá,18 e disse: «Assim fala o SENHOR, Deus de Israel: “Eu tirei-vos da terra do Egito e libertei-vos do poder dos egípcios e de todos os outros reis que vos oprimiam.”
19 Este é o vosso Deus, que vos livra de todas as dificuldades e tristezas, e foi a quem rejeitaram, ao pedirem um rei. Pois bem, reúnam-se agora diante do SENHOR, por tribos e clãs.»
20
Samuel pediu que cada uma das tribos se apresentasse e a sorte calhou à tribo de Benjamim.21 Depois mandou vir as famílias da tribo de Benjamim, e a sorte calhou à família de Matri. E dela foi escolhido Saul, filho de Quis; foram procurá-lo, mas não o encontraram.
22 Consultaram novamente o SENHOR e perguntaram: «Há mais alguém aqui desta família?» O SENHOR respondeu: «Há um, que está escondido entre as bagagens.»
23 Foram buscá-lo a toda a pressa e trouxeram-no para o meio do povo. E viram que ele era o mais alto; ninguém lhe passava do ombro.
24 Samuel disse ao povo: «Aqui está o homem que o SENHOR escolheu! Não há ninguém como ele em todo o país!» E todos o aclamaram com alegria: «Viva o rei!»
25
A seguir, Samuel explicou ao povo o estatuto do rei e escreveu-o num livro, que colocou no santuário do SENHOR. Depois mandou o povo para as suas casas.26 Saul voltou também para sua casa em Guibeá, acompanhado de alguns homens valentes, a quem Deus tinha tocado o coração.
27 Mas alguns que eram contrários diziam: «Este será capaz de nos salvar?» Por isso, desprezaram-no e não lhe levaram qualquer presente. Mas Saul não se incomodou.
1
O rei Naás de Amon decidiu fazer guerra à cidade de Jabés, no território de Guilead. O povo de Jabés disse a Naás: «Faz uma aliança connosco e serás o nosso rei.»2 Naás respondeu: «Só farei aliança convosco com uma condição: se tirar a cada um o olho direito, para que sirva de vergonha para todo o povo de Israel.»
3
Os responsáveis do povo de Jabés disseram: «Dá-nos sete dias para enviarmos mensageiros por toda a terra de Israel. Se ninguém nos vier ajudar, entregamo-nos a ti.»4
Os mensageiros chegaram a Guibeá, onde vivia Saul, e contaram aquilo ao povo, que se pôs a chorar desesperadamente.5 Saul estava a chegar do campo com os seus bois, e perguntou: «Que é que se passa? Por que é que toda a gente está a chorar?» E contaram-lhe o que tinham dito os mensageiros de Jabés.
6 Quando Saul ouviu tais coisas, o Espírito de Deus apoderou-se dele e ficou furioso.
7 Agarrou numa junta de bois, cortou-os aos bocados, e mandou mensageiros por todo o território de Israel com esses bocados e com o seguinte aviso: «Quem não for com Saul e Samuel para a guerra, verá os seus bois tratados desta maneira.»
O povo de Israel ficou cheio de temor do SENHOR e foram todos juntos para a guerra.8 Saul passou revista às suas tropas em Bezec: eram trezentos mil homens de Israel e trinta mil de Judá.
9 Eles responderam aos mensageiros que tinham vindo de Jabés: «Avisem o vosso povo de que amanhã, por volta do meio-dia, serão socorridos.» Quando o povo de Jabés recebeu as notícias, ficou muito contente
10 e foi dizer a Naás: «Amanhã vamo-nos entregar e farás de nós o que bem te apetecer.»
11
No dia seguinte, pela manhã, Saul dividiu os seus homens em três grupos. Penetraram no campo inimigo ainda antes de o Sol nascer e atacaram os amonitas até ao meio-dia. Os sobreviventes fugiram cada um para seu lado.12
Então o povo de Israel disse a Samuel: «Onde é que estão os que não queriam Saul para nosso rei? Entreguem-nos para os matarmos.»13 Mas Saul disse: «Ninguém será morto hoje, porque é o dia em que o SENHOR salvou Israel.»
14
Samuel disse depois ao povo: «Vamos a Guilgal e proclamemos uma vez mais o rei.»15 Todo o povo se dirigiu para Guilgal e todos proclamaram Saul como seu rei, naquele santuário. Ofereceram sacrifícios de comunhão ao SENHOR; e Saul e todo o povo celebraram com alegria o acontecimento.
1
Samuel disse ao povo de Israel : «Dei-vos tudo quanto me pediram. Dei-vos um rei para vos governar,2 que já vos conduz no campo de batalha. Eu estou velho e de cabelos brancos e os meus filhos estão ao vosso lado. Tenho sido o vosso chefe, desde a minha juventude até agora.
3 Aqui estou. Se fiz alguma coisa de mal digam-mo agora, na presença do SENHOR e na presença do rei que ele escolheu. Acaso me apoderei do boi ou do jumento de alguém? Acaso explorei ou oprimi alguém? Deixei-me subornar por alguém? Se fiz alguma destas coisas, tudo restituirei.»
4
O povo respondeu: «Não! Tu nunca nos exploraste nem oprimiste e nunca aceitaste nada de ninguém.»5 Samuel voltou a dizer: «O SENHOR e o rei que ele escolheu são hoje testemunhas de que vocês nada encontraram de mal no meu proceder.» Eles responderam: «Sim, é verdade!»
6
Samuel continuou: «O SENHOR escolheu Moisés e Aarão e libertou os vossos antepassados do Egito.7 Preparem-se, porque eu vou discutir convosco diante do SENHOR a maneira como têm recebido tudo quanto o SENHOR fez para vos salvar e aos vossos antepassados .
8 Depois de Jacob ter ido para o Egito, os vossos antepassados pediram ajuda ao SENHOR e ele mandou Moisés e Aarão, que os retiraram do Egito e os colocaram nesta terra.
9 Mas eles esqueceram-se do SENHOR , seu Deus, e por isso entregou-os ao poder de Sísera, chefe dos exércitos da cidade de Haçor, ao poder dos filisteus e ainda do rei de Moab, e tiveram de lutar contra eles.
10 Então suplicaram ao SENHOR: “Nós pecámos, porque te abandonámos, SENHOR, adorando os ídolos do deus Baal e da deusa Astarté. Livra-nos agora dos nossos inimigos e nós te serviremos!”
11 E o SENHOR enviou Jerubaal, depois Bedan , depois Jefté e finalmente a mim, Samuel. Assim vos libertou dos vossos inimigos para poderem viver em paz.
12 Mas quando viram que o rei Naás de Amon vos queria combater, disseram-me: “Nós queremos é um rei que nos governe.” Contudo o SENHOR, vosso Deus, é que é o vosso rei.
13
Aqui têm, pois, o rei que quiseram e pediram. O SENHOR é que vos deu esse rei.14 Tudo estará bem convosco se honrarem o SENHOR, vosso Deus, se o servirem, se o ouvirem e obedecerem aos seus mandamentos e se, tanto vocês como o vosso rei, o seguirem.
15 Pelo contrário, se não ouvirem o SENHOR, mas desobedecerem aos seus mandamentos, ele há de castigar-vos, como fez aos vossos antepassados.
16
Por isso, esperem aí e verão os prodígios que o SENHOR tem para vos mostrar.17 Estamos no tempo da ceifa do trigo, não é verdade? Mas eu vou invocar o SENHOR e ele mandará trovões e chuva. Desta maneira hão de compreender que cometeram um grande pecado contra o SENHOR em lhe terem pedido um rei.»
18
Samuel orou ao SENHOR e, naquele mesmo dia, o SENHOR mandou trovões e chuva.19 E todo o povo, cheio de temor pelo SENHOR e por Samuel, disse a Samuel: «Pede por nós ao SENHOR, teu Deus, para não morrermos. Agora compreendemos que, além de todos os nossos pecados, cometemos ainda mais este, o de pedirmos um rei.»
20 Samuel respondeu-lhes: «Não tenham medo! É verdade que cometeram um grande erro. Mas não se afastem do SENHOR e sirvam-no com todo o coração.
21 Não sigam os falsos deuses, porque eles não vos podem salvar nem ajudar, pois eles não são nada.
22 O SENHOR prometeu firmemente que não vos abandonaria, pois decidiu que fossem o seu próprio povo .
23 Quanto a mim, Deus me livre de pecar contra o SENHOR, deixando de lhe pedir por vós. Continuarei a ensinar-vos sempre o caminho bom e reto.
24 Respeitem, pois, o SENHOR e sirvam-no com fidelidade e com todo o coração. Lembrem-se das maravilhas que ele fez no vosso meio!
25 Mas se continuarem a praticar o mal, serão destruídos, assim como o vosso rei.»
1
Saul era de meia-idade, quando se tornou rei de Israel e reinou cerca de vinte anos .2 Escolheu três mil homens de Israel: dois mil para ficarem com ele em Micmás e na região montanhosa de Betel e mil para irem com o seu filho Jónatas para Guibeá, no território da tribo de Benjamim. E mandou o resto do povo para casa.
3
Jónatas derrotou a guarnição dos filisteus em Guibeá e todo o povo filisteu teve conhecimento disso. Então Saul mandou tocar a trombeta por todo o país, para anunciar aos hebreus o que tinha acontecido:4 os israelitas souberam, assim, que Saul tinha vencido o comandante dos filisteus e que, por isso, os filisteus entrariam em guerra com Israel. E o povo foi convocado para se reunir com Saul em Guilgal.
5
Os filisteus mobilizaram-se para combater Israel. Tinham trinta mil carros de combate, seis mil cavaleiros e os soldados eram tantos como as areias da praia. Foram acampar no alto de Micmás, que fica a oriente de Bet-Aven .6 O povo de Israel viu-se em perigo e apertado por todos os lados, de tal modo que se escondiam em grutas e buracos, entre as rochas, em esconderijos e cisternas.
7 Outros até atravessaram o rio Jordão para os territórios de Gad e de Guilead. Saul ficou ainda em Guilgal e o povo, cheio de medo, seguia-o.
8 Saul esperou sete dias por Samuel, como este lhe tinha mandado, mas Samuel não apareceu em Guilgal; e o povo, pouco a pouco, começou a dispersar-se.
9 Então Saul disse-lhes: «Tragam-me os animais para o holocausto e aquilo que é preciso para os sacrifícios de comunhão.» Assim ele ofereceu a Deus o holocausto .
10 Quando estava precisamente a terminar, apareceu Samuel. Saul saiu-lhe ao encontro para o saudar,
11 mas Samuel disse-lhe: «Que é que tu fizeste?» Saul respondeu: «Dei-me conta de que o povo me abandonava e que tu não chegavas no prazo fixado. Além disso, os filisteus concentravam-se cada vez mais em Micmás
12 e por isso pensei: Os filisteus vão-me atacar em Guilgal, mas eu ainda não pedi a ajuda do SENHOR. Por isso, decidi oferecer-lhe um sacrifício.»
13
Samuel respondeu-lhe: «Cometeste uma loucura, não obedecendo à ordem que o SENHOR, teu Deus, te deu. Se tivesses obedecido, o SENHOR teria confirmado para sempre o teu reinado em Israel.14 Assim o teu reinado não vai durar muito. Uma vez que desobedeceste ao SENHOR, ele vai escolher um homem que lhe agrade inteiramente, para reinar sobre o seu povo.»
15
Samuel deixou Guilgal e foi para Guibeá, no território de Benjamim. Saul, por sua vez, passou revista ao povo que estava com ele: eram à volta de uns seiscentos homens.16 Ele, o seu filho Jónatas e os seus homens ficaram em Guibeá, enquanto os filisteus acamparam em Micmás.
17 A tropa de choque do exército dos filisteus saiu do seu acampamento em três grupos: o primeiro atacou na direção de Ofra, no território de Chual,
18 o segundo na direção de Bet-Horon, e o terceiro na direção da fronteira que domina o vale de Seboim, no deserto.
19
Não havia em Israel um único ferreiro, porque os filisteus tinham decidido que os hebreus não fabricariam espadas ou lanças.20 Por isso, os israelitas tinham que ir ter com os filisteus, para afiar as relhas dos arados, as enxadas, os machados e as foices.
21 O preço era uma pequena moeda por afiar os machados e reparar os aguilhões dos bois e duas moedas por afiar as relhas dos arados e as enxadas.
22 Por isso, no dia do combate, nenhum soldado de Israel, exceto Saul e o seu filho Jónatas, tinha lanças ou espadas.
23
Uma guarnição de soldados dos filisteus foi enviada para defender o desfiladeiro de Micmás.1
Um dia, Jónatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: «Vamos atravessar para o outro lado, para o acampamento dos filisteus.» Mas Jónatas nada disse a seu pai,2 o qual estava debaixo duma romãzeira em Migron, não muito longe de Guibeá, e tinha consigo uns seiscentos homens.
3 O sacerdote que levava a insígnia de oráculo era Aías, filho de Aitube, que era irmão de Icabod, neto de Fineias, e Fineias era filho de Eli, sacerdote do SENHOR no santuário de Silo. Mas o povo ignorava que Jónatas tinha saído.
4
Num dos desfiladeiros que Jónatas tentava atravessar, para atingir a guarnição dos filisteus, havia dois altos rochedos dentados, um de cada lado do desfiladeiro: um chamava-se Brilhante e o outro, Espinha.5 Um situava-se na parte norte do desfiladeiro, em frente de Micmás, e o outro na parte sul, em frente de Guibeá.
6
Jónatas disse ao escudeiro: «Ataquemos o acampamento daqueles infiéis . Talvez o SENHOR nos ajude. O SENHOR não tem dificuldade em nos dar a vitória, quer sejamos muitos ou poucos.»7 O escudeiro respondeu: «Faz tudo o que desejares! Para a frente! Que eu seguir-te-ei como achares bem!»
8 Disse-lhe Jónatas: «Avancemos, então, de modo que os filisteus nos vejam.
9 Se eles nos mandarem esperar até virem ter connosco, ficaremos onde estamos, sem darmos mais um passo.
10 Mas se eles nos disserem para avançarmos e irmos ter com eles, então avançaremos, porque é sinal de que o SENHOR os vai entregar nas nossas mãos.»
11
Os dois deixaram-se ver pelos filisteus. E os filisteus disseram: «Atenção! Estão ali uns hebreus que saíram das grutas, onde se tinham escondido!»12 Dirigiram-se então a Jónatas e ao seu escudeiro em voz alta, de maneira a serem ouvidos: «Subam até nós porque temos uma coisa importante a anunciar-vos!» Jónatas disse ao escudeiro: «Vem comigo, porque o SENHOR vai dar a vitória a Israel.»
13 Jónatas trepou para o cimo do desfiladeiro, com as mãos e os pés, seguido do seu escudeiro. Jónatas deitou-os por terra e o seu escudeiro matou-os.
14 Neste primeiro ataque de Jónatas e do seu escudeiro morreram uns vinte homens numa pequena área de terra.
15
Espalhou-se o terror pelo acampamento e entre todo o povo dos filisteus. Os soldados da guarnição e a tropa de choque ficaram aterrorizados. A terra tremeu e o pavor foi enorme.16
As sentinelas de Saul que estavam em Guibeá, no território de Benjamim, viram a multidão dos filisteus que fugia em grande confusão.17 Saul disse aos seus homens: «Passem revista às tropas e vejam quem é que saiu do acampamento.» Eles assim fizeram e verificou-se que faltavam Jónatas e o seu escudeiro.
18
Saul disse ao sacerdote Aías: «Traz a insígnia sacerdotal.» Com efeito era Aías que tinha essa insígnia, naquele dia.19 Enquanto Saul falava ao sacerdote, a confusão no acampamento dos filisteus aumentava cada vez mais. Então Saul disse-lhe: «Já não há tempo!»
20 Nisto Saul e todos quantos estavam com ele soltaram o grito de guerra e lançaram-se no combate. Os filisteus matavam-se uns aos outros, no meio de enorme confusão.
21 Alguns hebreus , que antes estavam ao serviço dos filisteus e os tinham acompanhado ao acampamento, passaram para o lado de Israel e juntaram-se a Saul e Jónatas.
22 Também outros hebreus, que se tinham refugiado nos montes de Efraim, ao ouvirem dizer que os filisteus estavam em fuga, juntaram-se aos guerreiros hebreus e perseguiram-nos.
23 Os combates continuaram até Bet-Aven e o SENHOR deu a vitória a Israel naquela ocasião.
24
Os israelitas sentiam-se muito fracos naquele dia, porque Saul lhes tinha ordenado, com juramento solene: «Amaldiçoado seja o que comer qualquer alimento no dia de hoje antes de eu me vingar dos meus inimigos .» E ninguém tinha comido nada.25
Toda aquela gente tinha vindo para uma zona de floresta e havia mel por toda a parte.26 Realmente o povo via o mel que escorria, mas não lhe tocava com medo da maldição de Saul.
27
Jónatas não tinha ouvido o juramento que o pai obrigara a fazer ao povo. Por isso, pegou no bastão que trazia e molhou a ponta no mel. Depois comeu algum e imediatamente se sentiu com mais forças.28 Mas um dos homens disse a Jónatas: «O povo está muito fraco, mas o teu pai ameaçou-nos com um juramento solene e disse: “Amaldiçoado seja aquele que comer qualquer coisa no dia de hoje.”»
29 Jónatas respondeu: «O meu pai está a causar um grande mal ao povo. Vejam como eu me sinto com mais forças, depois de ter comido um pouco deste mel!
30 Teria sido muito melhor se, hoje, o povo tivesse comido dos alimentos deixados pelo inimigo. Certamente teríamos matado muito mais filisteus.»
31
Naquele dia, os israelitas derrotaram os filisteus, lutando contra eles desde Micmás até Aialon. Os israelitas sentiam-se muito fracos,32 e por isso atiraram-se aos despojos dos filisteus. Apanharam as ovelhas, bois e bezerros, mataram-nos ali mesmo no chão e comeram a carne com sangue .
33 Alguém foi dizer a Saul: «Olha que o povo está a pecar contra o SENHOR, porque comem a carne com sangue.» Saul gritou: «Traidores!» E continuou: «Tragam-me para aqui uma pedra grande!
34 E agora vão dizer a toda a gente que traga os seus bois e ovelhas. Matem-nos em cima desta pedra e comam e não pequem contra o SENHOR, comendo carne misturada com sangue.» Naquela noite, eles trouxeram os seus bois e mataram-nos naquele lugar.
35 E Saul levantou naquele sítio um altar ao SENHOR . Foi o primeiro altar que ele levantou.
36
Saul disse aos seus homens: «Vamos atacar os filisteus, durante a noite, e persegui-los até de manhã, sem deixar vivalma.» Eles responderam: «Faz como achares melhor.» Mas o sacerdote disse: «Consultemos primeiro o SENHOR.»37 Então Saul perguntou a Deus: «Devo atacar os filisteus? Darás a vitória a Israel?» Mas Deus não respondeu .
38
Depois Saul disse aos chefes do povo: «Venham cá e investiguem acerca do pecado que hoje foi cometido .39 Que o SENHOR vivo, aquele que salva Israel, seja minha testemunha! Quem for culpado há de morrer, mesmo que seja o meu filho Jónatas.» Mas ninguém lhe respondeu.
40 Então Saul disse-lhes: «Coloquem-se daquele lado, que eu e Jónatas ficamos daqui.» Eles responderam: «Faz como achares melhor.»
41
Saul disse ao SENHOR: «Deus de Israel, dá-nos a conhecer a verdade !» Jónatas e Saul foram designados pela sorte e o povo ficou livre.42 Então Saul disse: «Lançai a sorte entre mim e Jónatas, meu filho.» E a sorte caiu sobre Jónatas.
43 Saul perguntou depois a Jónatas: «Que é que fizeste?» E ele contou-lhe o que acontecera: «Apenas provei um pouco de mel, que tirei com a ponta do bastão, que tinha na mão. Estou pronto para morrer.»
44 Saul disse-lhe: «Que Deus me castigue se eu não te mandar matar, de facto!»
45 Mas o povo disse a Saul: «Como é que Jónatas pode ser morto se foi ele que deu a Israel esta grande vitória? Não pode ser! Juramos pelo SENHOR que nem um só cabelo há de cair da sua cabeça, porque foi com a ajuda de Deus que ele, hoje, realizou semelhante proeza.» Desta maneira, o povo livrou Jónatas da morte.
46
Depois disto, Saul deixou de combater os filisteus e eles regressaram à sua terra.47
Depois de Saul se tornar rei de Israel, combateu contra todos os seus inimigos das regiões vizinhas: o povo de Moab, de Amon e de Edom, os reis de Sobá e os filisteus . E por toda a parte saía vitorioso.48 Ele mostrou a sua valentia também contra Amalec . Deste modo, salvou os israelitas de todos os inimigos.
49
Os filhos de Saul eram Jónatas, Jisvi e Malquichua. A sua filha mais velha chamava-se Merab e a mais nova Mical.50 A sua mulher chamava-se Ainoam, filha de Aimás. O comandante do seu exército era Abner, filho do seu tio Ner.
51 Os filhos de Abiel eram: Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner.
52
A guerra entre Saul e os filisteus foi muito dura, durante toda a vida de Saul. Por isso, sempre que descobria um homem forte e valente alistava-o no seu exército.1
Samuel foi dizer a Saul: «O SENHOR enviou-me para te consagrar rei de Israel, seu povo. Ouve, pois, com atenção o que o SENHOR dos exércitos de Israel te manda dizer:2 “Vou castigar os amalecitas por aquilo que fizeram antigamente a Israel, quando lhes fecharam o caminho, ao saírem do Egito.”
3 Vai combatê-los e destrói completamente tudo quanto possuem. Mata homens e mulheres, crianças e meninos de peito, touros e ovelhas, camelos e burros .»
4
Saul mandou convocar os homens que podiam fazer parte do exército e passou-lhes revista em Telaim. Eram duzentos mil homens de infantaria e mais dez mil homens de Judá.5 Depois avançaram para a cidade dos amalecitas e esconderam-se no vale por onde passava o rio.
6 Então Saul disse aos quenitas: «Vão-se embora! Afastem-se dos amalecitas, para não serem castigados juntamente com eles, porque se portaram bem com os israelitas, quando eles saíram do Egito.» E os quenitas afastaram-se dos amalecitas .
7
Então Saul derrotou os amalecitas, perseguindo-os desde Havilá até à entrada de Chur, na fronteira com o Egito .8 Apanhou o rei Agag, fê-lo prisioneiro, e passou ao fio da espada todo o seu exército.
9 Mas Saul e os seus soldados pouparam a vida de Agag e não mataram as melhores ovelhas, nem os melhores touros, nem os bezerros e os cordeiros mais gordos. Não destruíram as coisas de valor, mas apenas as que não tinham grande importância.
10
Disse então o SENHOR a Samuel:11 «Lamento ter consagrado Saul como rei, porque se afastou de mim e desobedeceu às minhas ordens.» Samuel ficou perturbado e passou toda a noite a implorar ao SENHOR.
12 De manhã cedo, levantou-se para ir ter com Saul, mas avisaram-no que Saul tinha ido para o Carmelo e que levantara aí um monumento à sua própria pessoa, tendo depois descido para Guilgal.
13 Samuel foi então ao encontro de Saul e este disse-lhe: «O SENHOR esteja contigo! Já cumpri a ordem do SENHOR.»
14
Samuel perguntou-lhe: «Que querem dizer, então, estes balidos de ovelhas e estes mugidos de vacas que estou a ouvir?»15 Saul respondeu-lhe: «Foram os meus soldados que apanharam estes animais aos amalecitas. Guardaram as melhores ovelhas e bois, para os oferecerem em sacrifício ao SENHOR, teu Deus, tendo destruído tudo o resto.»
16 Samuel interrompeu-o para lhe dizer: «Basta! Vou comunicar-te o que o SENHOR me disse esta noite.» Então Saul pediu-lhe que falasse.
17
E Samuel disse: «Não te consideravas uma pessoa sem importância? Mas a verdade é que chegaste a ser o chefe das tribos de Israel, pois que o SENHOR te consagrou como rei.18 Se o SENHOR te enviou e te pediu para destruíres esses malvados amalecitas, de modo a exterminá-los completamente,
19 por que desobedeceste às suas ordens, ficando com os despojos?»
20
Saul respondeu-lhe: «Mas eu obedeci às ordens do SENHOR e cumpri a missão que me confiou: trouxe Agag como prisioneiro e matei todos os amalecitas.21 Os soldados é que ficaram com as melhores ovelhas e vacas, que estavam destinadas à destruição, mas apenas para serem oferecidas em sacrifício ao SENHOR, teu Deus, em Guilgal.»
22
Então Samuel perguntou-lhe: «O que é que o SENHOR prefere: os sacrifícios ou a obediência à sua vontade? Mais vale obedecer-lhe do que sacrificar-lhe os melhores carneiros.23 Tanto peca o que se revolta contra ele como o que pratica a adivinhação; tanto peca o arrogante como o que adora os ídolos. Uma vez que rejeitaste a ordem do SENHOR, também ele te rejeitou como rei.»
24
Saul disse então a Samuel: «Sim, pequei, porque não fiz caso da ordem do SENHOR e das tuas instruções. Tive medo da reação dos meus homens e fiz o que eles pediam.25 Mas agora, por favor, perdoa o meu pecado e regressa comigo para Guilgal, para eu adorar o SENHOR.»
26
Samuel respondeu-lhe: «Não irei contigo. Uma vez que rejeitaste a ordem do SENHOR, também ele te rejeitou como rei de Israel.»27
Samuel voltou-se para se ir embora, mas Saul agarrou-o pela borda do manto, que se rasgou.28 Perante isto Samuel disse: «Da mesma maneira o SENHOR te tirou hoje o reinado de Israel, para o entregar a um outro melhor que tu.
29 O Deus glorioso de Israel não mente nem volta atrás com a sua palavra, pois não muda de ideias como fazem os homens.»
30
«Eu pequei» — insistiu Saul. «Mas peço-te que continues a respeitar-me como rei na presença dos anciãos de Israel e de todo o povo. Vem comigo adorar o SENHOR, teu Deus.»31 Samuel foi com Saul e, assim, Saul pôde adorar o SENHOR.
32
Imediatamente Samuel ordenou: «Tragam-me Agag, rei de Amalec.» Agag apresentou-se tranquilo diante de Samuel, pensando que o perigo de morte já tinha passado.33 Mas Samuel disse-lhe: «Assim como a tua espada deixou muitas mulheres sem filhos, também agora a tua mãe ficará sem ti.» Imediatamente Samuel o executou diante do SENHOR, em Guilgal.
34
Samuel seguiu depois para Ramá e Saul foi para sua casa, em Guibeá.35 E Samuel, durante toda a sua vida, nunca mais voltou a ver Saul. Mas Samuel lamentava o que tinha acontecido a Saul, uma vez que o SENHOR o tirou do lugar de rei de Israel.
1
O SENHOR disse a Samuel: «Até quando vais andar triste por causa de Saul, se eu o rejeitei como rei de Israel? Enche o teu vaso de azeite e vai ter com Jessé, em Belém, porque escolhi um dos seus filhos para rei.»2
Mas Samuel respondeu: «Como posso fazer tal coisa? Se Saul vem a saber, mata-me.» O SENHOR disse-lhe: «Pega numa vitela e diz que a vais oferecer em sacrifício.3 Convidarás Jessé para o sacrifício e logo te direi o que deves fazer. Vais-me consagrar como rei aquele que eu te indicar.»
4
Samuel fez o que o SENHOR lhe disse. Ao chegar a Belém, os anciãos da cidade saíram ao seu encontro com um certo medo e perguntaram-lhe: «A tua visita é de paz?»5
«Sim!», respondeu ele. «Eu vim aqui para oferecer sacrifícios ao SENHOR. Portanto, purifiquem-se e venham comigo também.» Disse a Jessé e aos seus filhos para se purificarem, e convidou-os em seguida para o sacrifício.6 Quando chegaram, Samuel viu Eliab, filho de Jessé e pensou que seria talvez esse o escolhido do SENHOR para ser consagrado rei.
7 Mas o SENHOR avisou-o: «Não julgues pela sua aparência e pela sua estatura elevada, porque não foi esse que eu escolhi. Eu não julgo pelas aparências como vós julgais. Julgo pelo coração.»
8 Jessé chamou depois Abinadab, apresentou-o a Samuel, mas Samuel disse-lhe: «Também não foi este que o SENHOR escolheu.»
9 Em seguida, Jessé apresentou Chamá, mas Samuel disse que também não era aquele o escolhido do SENHOR.
10
Desta maneira, Jessé apresentou a Samuel sete dos seus filhos; e Samuel foi dizendo que nenhum deles era o escolhido do SENHOR.11
Por fim, perguntou Samuel a Jessé: «Não tens mais filhos?» «Falta só o mais pequeno que anda a apascentar o rebanho» — disse Jessé. «Manda-o chamar» — ordenou Samuel, «porque não comeremos a oferta do sacrifício, enquanto ele não chegar .»12 Jessé mandou-o chamar.
Era um rapaz bem parecido, saudável e de belo aspeto. O SENHOR disse então a Samuel: «É esse mesmo; consagra-o rei.»13 Samuel pegou no vaso de azeite e consagrou David como rei , na presença dos seus irmãos. E a partir daquele momento, o Espírito do SENHOR apoderou-se dele. Depois Samuel despediu-se e voltou para Ramá.
14
Entretanto o SENHOR retirou o seu espírito de Saul e enviou-lhe um espírito mau, que o atormentava .15 Os seus servidores disseram-lhe: «Sabemos que és atormentado por um espírito mau, enviado por Deus.
16 Dá-nos ordens para procurarmos alguém que saiba tocar harpa. E, assim, quando o espírito mau te atacar, tu ficarás melhor, ao ouvires o som da harpa.»
17
Saul deu-lhes ordens para procurarem um homem que soubesse tocar bem harpa.18 Então um dos servidores disse: «Eu conheço um dos filhos de Jessé, de Belém, que sabe tocar muito bem. Além disso, é um homem corajoso e um valente guerreiro; fala com sensatez, tem boa apresentação e o SENHOR está com ele.»
19
Saul mandou, pois, mensageiros a Jessé com o seguinte recado: «Manda-me o teu filho David, o que guarda o rebanho.»20 E Jessé mandou-lhe David com um jumento carregado de pão, um odre de vinho e um cabrito.
21
Foi assim que David se apresentou a Saul para o servir. Saul começou a gostar muito dele e nomeou-o seu escudeiro.22 Depois Saul mandou dizer a Jessé: «Eu gosto de David. Deixa-o ficar ao meu serviço.»
23 Dali para o futuro, sempre que o espírito mau enviado por Deus atacava Saul, David pegava na harpa e tocava. O espírito mau deixava Saul e este acalmava e sentia-se melhor.
1
Os filisteus juntaram as suas tropas para a guerra em Socó, cidade de Judá. Acamparam num lugar chamado Efés-Damim, entre Socó e Azeca.2 Saul e os israelitas, por sua vez, reuniram-se e acamparam no vale de Elá e prepararam-se para a batalha contra os filisteus.
3 Estes dispuseram as suas tropas num monte, enquanto os israelitas ficaram noutro, apenas separados pelo vale.
4 Nisto um homem chamado Golias, da cidade de Gat, saiu do acampamento dos filisteus a desafiar os israelitas. Tinha quase três metros de altura.
5 Na cabeça levava um capacete de bronze e no peito uma couraça também de bronze que pesava cinquenta e cinco quilos.
6 As pernas eram protegidas por polainas também de bronze e levava uma azagaia igualmente de bronze ao ombro.
7 A haste da sua lança era de madeira compacta como a dos cilindros de tear e a ponta era de ferro e pesava mais de seis quilos. À sua frente ia o ajudante com o seu escudo.
8 Golias apareceu, de pé, e gritou para os soldados israelitas: «Que fazem aí, alinhados para a batalha? Eu sou um filisteu e vocês são escravos de Saul. Escolham um dos vossos para combater comigo.
9 Se ele for capaz de combater contra mim e me vencer, nós seremos vossos escravos; mas se eu o vencer serão vocês os nossos escravos.
10 Hoje mesmo desafio o exército israelita: escolham um homem para lutar comigo.»
11 Quando Saul e os seus homens ouviram o filisteu ficaram apavorados.
12
Em Belém de Judá havia um homem da família de Efraim chamado Jessé. Tinha oito filhos e um deles era David. Nesta altura Jessé já era bastante idoso.13 Os seus três filhos mais velhos, Eliab, Abinadab e Chamá tinham ido com Saul para a guerra.
14 Enquanto os três mais velhos permaneciam com o exército do rei, David, que era o mais novo,
15 ia ter com Saul e voltava para junto do pai em Belém, a fim de cuidar do rebanho .
16
Durante quarenta dias, de manhã e de tarde, Golias continuava a desafiar os israelitas.17
Certo dia Jessé disse ao seu filho David: «Vai ter com os teus irmãos ao acampamento e leva-lhes uma medida de grão tostado e estes dez pães.18 Leva também estes dez queijos para o comandante do batalhão. Vê se os teus irmãos andam bem de saúde e pede-lhes que me deem uma prova de que estão bem.
19 Saul também está com eles e com todo o exército israelita no vale de Elá lutando contra os filisteus.»
20 No dia seguinte, muito cedo, David deixou o rebanho ao cuidado dum outro e partiu com as provisões como Jessé lhe tinha ordenado. Chegou ao acampamento na altura em que o exército se encaminhava para a linha de batalha, lançando gritos de guerra.
21 Os exércitos dos israelitas e dos filisteus tomaram posição para a guerra frente a frente.
22 David deixou as provisões ao cuidado de um oficial e correu para a frente de batalha, a fim de perguntar aos seus irmãos como é que eles estavam.
23 Enquanto falava com eles, apareceu mais uma vez Golias, o guerreiro filisteu, da cidade de Gat, a desafiar os israelitas com as mesmas palavras de antes; e David ouviu-o.
24 Quando os israelitas o viram, ficaram aterrados e puseram-se a fugir
25 e diziam: «Viram bem aquele homem? Está a desafiar Israel outra vez. Até o rei Saul já prometeu muitas riquezas a quem o matar. Dará a sua filha, como esposa, e isentará toda a família de pagar taxas.»
26
David perguntou então aos que ali estavam: «Que recompensa receberá o homem que matar este filisteu e defender a honra de Israel? Afinal quem é este filisteu pagão para desafiar o exército do Deus vivo?»27 Responderam-lhe a mesma coisa que antes tinham dito a respeito daquilo que o rei daria a quem matasse o filisteu.
28
Eliab, o irmão mais velho ouviu aquela conversa e ficou aborrecido com David. Perguntou-lhe: «Por que é que vieste cá? A quem é que entregaste as ovelhas que ficaram no deserto? Sei que és um atrevido e que vieste cá só para veres a batalha.»29 David respondeu: «Mas que mal é que eu fiz? Apenas fiz uma pergunta.»
30 Voltou-se para um outro homem e perguntou-lhe o mesmo. E as pessoas que ali estavam responderam-lhe da mesma maneira.
31
Alguns homens que tinham ouvido as palavras de David foram-no dizer a Saul, que o mandou chamar.32 E David disse a Saul: «Meu senhor, que ninguém desanime por causa desse filisteu, porque eu mesmo irei combater contra ele.»
33 Mas Saul respondeu: «Como é que tu vais combater contra este filisteu, se não passas duma criança e se ele é um guerreiro desde a sua juventude?»
34 David disse-lhe: «Meu senhor, eu guardo o rebanho de meu pai e quando um leão ou um urso vêm e levam uma ovelha,
35 vou atrás deles e tiro-lha das goelas. E quando me atacam, agarro-os pela queixada e dou-lhes pauladas até os matar.
36 Assim como matei leões e ursos também irei matar este filisteu pagão, porque desafiou o exército do Deus vivo.
37 O SENHOR, que me tem livrado das garras do leão e do urso, também me livrará das mãos deste filisteu.» Perante isto Saul disse-lhe: «Então vai! Que o SENHOR esteja contigo !»
38
Saul entregou a David a sua armadura de guerreiro: um capacete de bronze, que lhe colocou na cabeça, e a couraça para o peito.39 David colocou também a espada de Saul à cintura, por cima da couraça. Mas quando quis andar, não era capaz, por não estar acostumado. Disse então a Saul: «Não sou capaz de andar com isto, porque não estou habituado.» E tirou as vestes de guerreiro
40 e pegou apenas no seu cajado. Depois escolheu cinco pedras lisas no ribeiro, que meteu no seu saco de pastor, e, com a funda na mão, avançou para o filisteu.
41
Golias dirigiu-se para David, levando à frente o ajudante com o seu escudo. Já estava perto de David,42 quando reparou bem nele. Não o tomou a sério, porque viu que ainda era muito jovem, sendo bem parecido e de belo aspeto.
43 E disse a David: «Sou porventura um cão, para me vires bater com um cajado?» E amaldiçoou David em nome dos seus deuses.
44 Depois acrescentou: «Aproxima-te, que vou dar a tua carne às aves e às feras.»
45
David porém respondeu-lhe: «Vens contra mim com espada, lança e azagaia, mas eu vou contra ti em nome do SENHOR, o Deus dos exércitos de Israel, a quem desafiaste.46 Hoje mesmo o SENHOR te entregará nas minhas mãos, para eu te matar e cortar a cabeça. Eu é que darei os cadáveres do exército filisteu às aves e às feras. Deste modo, todo o mundo saberá que há um Deus em Israel.
47 Todos os que aqui estão hão de ver que o SENHOR não precisa de espadas e lanças para a vitória. Ele é que vai vencer esta batalha e vos entregará nas nossas mãos.»
48
O filisteu dirigiu-se então para David a fim de combater com ele e David, por sua vez, correu para a linha de batalha dos filisteus, para o enfrentar.49 Meteu a mão no saco, tirou uma pedra e arremessou-a com a funda contra o filisteu, atingindo-o na testa. A pedra ficou-lhe mesmo cravada na testa e o filisteu caiu por terra.
50 Foi assim que David, sem nenhuma espada, derrotou Golias, usando apenas uma funda e uma pedra.
51
Depois David correu, parou junto de Golias, tirou-lhe a espada e com ela acabou de o matar, cortando-lhe a cabeça. Quando os filisteus viram que o seu melhor guerreiro tinha sido morto, puseram-se em fuga.52
Nisto os homens de Israel e de Judá lançaram gritos de guerra e perseguiram os filisteus até à entrada de Gat e até às portas de Ecron. Os cadáveres dos filisteus ficaram a juncar os caminhos que levam a Charaim, a Gat e a Ecron.53
Depois de terem perseguido os filisteus, os israelitas voltaram para levarem os despojos do acampamento dos filisteus.54 David pegou então na cabeça de Golias e levou-a para Jerusalém, mas colocou as armas de Golias na sua própria tenda.
55
Quando Saul tinha visto David partir para combater com o filisteu, perguntou a Abner, general do seu exército: «Quem é o pai desse rapaz?» Abner respondeu-lhe: «Meu senhor, não tenho a menor ideia.»56 E o rei pediu-lhe para se informar.
57
Quando David voltou, depois de matar Golias, trazendo ainda a cabeça dele na mão, Abner pegou-lhe pelo braço e levou-o a Saul,58 que lhe perguntou: «Ó rapaz, quem é o teu pai?» E David respondeu-lhe: «Meu pai é Jessé, de Belém, vosso servo!»
1
Depois da conversa de Saul com David, Jónatas que era filho de Saul, tornou-se muito amigo de David. Gostava tanto dele como de si próprio.2 E Saul, naquele mesmo dia, tomou David para o seu serviço e não permitiu que voltasse para casa de seu pai.
3 Jónatas estabeleceu com David uma firme amizade, porque gostava tanto dele como de si mesmo.
4 Jónatas tirou a própria capa e a roupa militar que levava e deu-as a David, bem como a sua espada, o arco e o cinturão.
5
David foi de tal modo bem sucedido em todas as missões de que Saul o encarregou que este o nomeou oficial do seu exército. E isso agradou a todo o povo e aos próprios oficiais de Saul.6
Quando David regressou com as tropas, depois de ter morto Golias, as mulheres de todas as cidades saíram ao encontro do rei Saul, cantando e bailando alegremente com pandeiretas e instrumentos de metal.7 Dançavam e cantavam desta maneira:
«Saul matou mil homens,8
Aquilo desagradou muito a Saul, que ficou profundamente aborrecido. E teve este desabafo: «Dizem que David matou dez mil e que eu só matei mil. Só falta fazerem-no rei!»9 E, a partir dessa ocasião, Saul passou a ter ciúmes de David.
10
No dia seguinte, o espírito mau enviado por Deus apoderou-se de Saul, que ficou como louco no seu palácio. David estava a tocar harpa, como de costume, e Saul tinha a lança na mão.11 Nisto Saul arremessou-a duas vezes contra David e disse: «Vou espetá-lo contra a parede.» Mas David desviou-se a tempo.
12
Saul começou a ter medo de David, porque o SENHOR estava com David e a ele tinha-o abandonado.13 Por isso, afastou-o da sua presença, nomeando-o comandante de batalhão. Chefiava as suas tropas em combate
14 e era sempre bem sucedido, porque o SENHOR estava com ele.
15 Saul tomava conhecimento dos êxitos de David e cada vez o temia mais.
16 E toda a gente em Israel e Judá gostava de David, porque era ele quem chefiava as tropas.
17
Certo dia Saul disse a David: «Aqui tens a minha filha mais velha Merab. Dou-ta como esposa, com a condição de me servires como bom militar e de dirigires as guerras do SENHOR.» E Saul pensava no seu íntimo: «Que não seja eu a matá-lo mas sim os filisteus.»18 David respondeu-lhe: «Eu e a minha família não somos nada em Israel, para eu merecer a honra de ser genro do rei.»
19 Mas quando chegou o tempo em que Saul devia entregar a sua filha Merab a David como esposa, entregou-a a Adriel, que era de Meolá.
20
Entretanto Mical, a outra filha de Saul, andava apaixonada por David. Contaram isso a Saul, que ficou satisfeito,21 pois pensou que, dando-a como esposa a David, havia de a influenciar para que ela o entregasse nas mãos dos filisteus. Por isso, Saul disse pela segunda vez a David: «Tu serás meu genro.»
22
Saul deu ordens aos seus servidores para falarem em particular com David, a fim de o convencerem a casar com a sua filha. E para lhe dizerem que tanto Saul como todos os seus servidores tinham muita estima por ele.23 Os servidores de Saul assim fizeram e David respondeu-lhes: «Ficariam tão honrados em que a filha do rei casasse com um homem tão pobre e humilde como eu?»
24
Os servidores de Saul foram contar ao rei o resultado da sua conversa com David.25 E, como Saul tinha a intenção de fazer com que David caísse nas mãos dos filisteus, disse-lhes: «Digam a David que, em vez do que é costume oferecer-se pela noiva, o rei apenas quer que ele lhe entregue cem prepúcios de filisteus, para assim se vingar dos seus inimigos .»
26 Os servidores de Saul comunicaram estas notícias a David, que achou boa proposta para se tornar genro do rei. E assim, antes de o prazo terminar,
27 David saiu com os seus homens e matou duzentos filisteus. Levou os prepúcios ao rei e contou-os um a um para poder tornar-se seu genro. Desta forma Saul entregou-lhe a sua filha Mical como esposa.
28
Saul acabou por perceber que o SENHOR estava realmente com David e que a sua filha Mical também amava David.29 O rei ficou ainda com mais medo dele do que antes e tornou-se num seu inimigo para sempre.
30
Quando os chefes dos filisteus saíam para a guerra contra Israel, David obtinha mais êxitos que todos os outros oficiais de Saul, e, por isso, tornou-se ainda mais famoso.1
Saul deu a conhecer ao seu filho Jónatas e a todos os seus servidores a sua intenção de matar David. Mas Jónatas gostava muito de David e2 contou-lhe tudo. Disse-lhe: «O meu pai quer matar-te; por isso, tens de ter muito cuidado, amanhã de manhã. Esconde-te em qualquer lugar seguro.
3 E eu sairei com o meu pai para o campo, perto do lugar onde te encontrares. Falarei com ele a teu respeito, para saber o que se passa, e depois te contarei.»
4
Jónatas falou com o pai a favor de David, nestes termos: «Acho que não deves fazer nenhum mal contra o teu servo David. Ele nada fez de mal contra ti; pelo contrário, tudo o que ele tem feito tem sido para teu bem.5 Matou o filisteu Golias arriscando a própria vida; e dessa maneira o SENHOR libertou todo o povo de Israel. Nessa altura soubeste de tudo isso e ficaste muito contente. Por que é que agora vais pecar contra Deus, atentando contra a vida de um inocente, ao querer matar David sem motivo?»
6
Saul ouviu as razões de Jónatas e depois disse: «Juro pelo SENHOR vivo que David não há de morrer!»7
Então Jónatas chamou David e contou-lhe o que se tinha passado. Depois levou-o a Saul e David continuou ao serviço de Saul, como antes.8
Recomeçou a guerra contra os filisteus e David saiu uma vez mais para os combater. Infligiu-lhes uma grande derrota, e eles tiveram que fugir à sua frente.9
Aconteceu que Saul foi outra vez atacado pelo espírito mau enviado pelo SENHOR. Estava sentado no seu palácio, com a lança na mão, enquanto David tocava harpa para ele.10 Saul procurou trespassar David com a lança, mas David esquivou-se e a lança foi espetar-se na parede. David fugiu e escapou mais uma vez naquela noite.
11
Nessa noite Saul mandou os seus homens a casa de David para o espiarem e assassinarem no outro dia pela manhã. Mas Mical, sua mulher, disse-lhe: «Se não fugires esta noite, amanhã serás morto.»12 Desceu-o, pois, por uma janela e ele conseguiu fugir e escapar-se.
13 Depois pegou no ídolo protetor da casa, meteu-o na cama, com uma almofada feita de pelo de cabra à cabeceira, e pôs-lhe uma coberta por cima.
14
Quando os homens de Saul chegaram para prender David, ela disse-lhes que ele estava doente.15 Saul mandou-os de novo a casa de David com esta ordem: «Mesmo que esteja na cama, tragam-mo para eu o matar.»
16 Mas quando os homens de Saul entraram na casa de David, encontraram apenas o ídolo na cama com a almofada de pelo de cabra à cabeceira.
17 Saul perguntou a Mical: «Por que é que me enganaste, deixando fugir o meu inimigo?» Mical respondeu-lhe: «Porque ele jurou que me mataria, se o não deixasse fugir.»
18
David fugiu, pois, foi ter com Samuel, em Ramá, e contou-lhe tudo o que Saul lhe tinha feito. Foram então ambos viver para Naiot .19 Quando Saul soube que David estava em Naiot de Ramá,
20 enviou alguns dos seus homens para o prenderem. Ao chegar, os homens de Saul viram um grupo de profetas em estado de exaltação profética, estando Samuel à frente deles. Imediatamente o Espírito de Deus se apoderou dos homens de Saul e entraram também em estado de exaltação profética.
21 Quando Saul ouviu tal coisa, enviou outros homens, que acabaram igualmente por cair em exaltação profética. Saul mandou ainda um terceiro grupo de homens a quem aconteceu o mesmo.
22
Então Saul foi pessoalmente a Ramá. Quando chegou à grande cisterna de Seco perguntou: «Onde estão Samuel e David?» Responderam-lhe: «Estão em Naiot de Ramá.»23 Saul partiu então para Naiot e o Espírito de Deus também se apoderou dele, e entrou em estado de exaltação profética E nesse estado percorreu o caminho até chegar a Naiot de Ramá.
24 Despiu as suas vestes e ficou em estado de exaltação profética diante de Samuel, até cair por terra, permanecendo assim todo o dia e toda a noite. Foi assim que nasceu o ditado popular: «Também Saul está entre os profetas!»
1
David fugiu de Naiot de Ramá e foi encontrar-se com Jónatas para lhe dizer: «Que fiz eu? Que crime é que eu cometi? Que mal fiz eu a teu pai, para ele me querer matar?»2 Jónatas respondeu-lhe: «Nem penses nisso! Tu não morrerás! Meu pai não faz nada, quer seja coisa importante quer não, sem me dizer. Por que é que ele havia de esconder isso de mim? Não pode ser!»
3
Mas David insistiu: «O teu pai sabe muito bem que tu me estimas muito. É por isso que não quer que tu conheças os seus planos, para não ficares aborrecido. Mas juro-te pelo SENHOR vivo e pela tua própria vida que estou a um passo da morte.»4 Jónatas respondeu-lhe: «Farei tudo o que me pedires.»
5 David disse-lhe: «Amanhã é a festa da Lua Nova , e eu devo comer com o rei, como de costume. Deixa-me ir embora, para me esconder no campo até depois de amanhã à tarde.
6 Se o teu pai perguntar por mim diz-lhe que te pedi com insistência para ir a Belém, a minha cidade natal, para celebrar com toda a minha família o sacrifício anual.
7 Se ele disser que está bem, posso ficar tranquilo; mas se ele se irritar, então fica a saber que ele determinou fazer-me mal.
8 Faz-me, pois, este favor em nome do juramento sagrado que fizemos um ao outro. Mas se eu tenho alguma culpa, mata-me tu a mim, e não é necessário que me leves diante do teu pai para isso.»
9 Jónatas disse-lhe: «Nem penses tal coisa! Se eu souber que, de facto, o meu pai resolveu fazer-te mal, juro que te avisarei.»
10 E David perguntou-lhe: «Quem é que me vai avisar se o teu pai te responder com maus modos?»
11 Jónatas respondeu-lhe: «Vem comigo e vamos conversar para o campo.» E saíram ambos para o campo.
12
Uma vez lá, Jónatas disse a David: «Juro-te pelo SENHOR, Deus de Israel, que depois de amanhã, a esta mesma hora, já devo saber das intenções do meu pai. Se tais intenções forem boas para ti, descansa que te avisarei.13 Mas se o meu pai pensar em te fazer mal, que o SENHOR me castigue se eu não te avisar. E assim tu poderás partir em paz. E que o SENHOR te ajude como ajudou o meu pai.
14 Mais tarde, se eu for vivo, trata-me com a mesma bondade com que o SENHOR te tratou, e, se eu morrer,
15 mostra a mesma bondade para com os meus familiares, até mesmo quando o SENHOR afastar todos os teus inimigos da face da terra.»
16 Foi assim que Jónatas fez um pacto com a família de David e o SENHOR pediu contas aos inimigos de David.
17 Jónatas repetiu, mais uma vez, o seu juramento a David, pela amizade que lhe tinha, pois gostava tanto dele como de si mesmo.
18
Jónatas depois disse-lhe: «Amanhã é a festa da Lua Nova. O teu lugar ficará vazio e notarão a tua ausência.19 Depois de amanhã a tua ausência ainda será mais notada. Por isso, desce para o lugar em que te escondeste da outra vez e fica junto do montão de pedras.
20 Atirarei três flechas naquela direção como se estivesse a atirar ao alvo.
21 Depois direi ao meu criado para as ir apanhar. Se eu lhe disser: “As flechas estão atrás de ti, apanha-as!”, isto quer dizer que tu podes vir, pois estarás salvo e nada te vai acontecer. Juro-te em nome do SENHOR vivo.
22 Mas se eu lhe disser: “As flechas estão à tua frente!”, vai-te embora, porque é essa a vontade do SENHOR.
23 E quanto ao pacto que fizemos um com o outro, o SENHOR é nossa testemunha para sempre.»
24
David escondeu-se no campo. No dia da festa da Lua Nova, o rei sentou-se à mesa para comer.25 Ocupou o seu lugar, como de costume, junto da parede. Jónatas por sua vez sentou-se em frente, e Abner sentou-se ao lado de Saul. O lugar de David ficou vazio.
26 Naquele dia, Saul não disse nada. Pensou que teria acontecido qualquer coisa a David que o deixasse ritualmente impuro .
27 Mas no dia seguinte, o segundo da festa, o lugar de David continuava vazio. Saul perguntou ao seu filho Jónatas: «Por que é que o filho de Jessé não veio comer nem ontem nem hoje?»
28 Jónatas respondeu-lhe: «David pediu-me com insistência para ir a Belém.
29 Disse-me: “Deixa-me ir porque a minha família celebra a festa do sacrifício anual. E o meu irmão ordenou-me que fosse. Se és meu amigo, deixa-me ir para estar com os meus familiares.” É por isso que ele não tem vindo sentar-se à mesa para comer contigo, ó rei.»
30
Saul ficou cheio de ira contra Jónatas e disse-lhe: «Filho duma prostituta! Porventura não sei que és muito amigo do filho de Jessé para vergonha tua e da tua mãe?31 Enquanto ele estiver vivo nesta terra, nem tu nem o teu reino estarão seguros. Portanto, manda-o buscar e trá-lo aqui, porque ele merece a morte.»
32 Mas Jónatas respondeu-lhe: «Mas por que é que há de morrer? Que é que ele fez?»
33 Saul levantou a sua lança contra Jónatas como se o quisesse atingir, e ele compreendeu que seu pai estava decidido a matar David.
34 Jónatas, furioso, levantou-se da mesa e nada comeu, naquele segundo dia da festa. Estava profundamente triste por causa de David, devido às ofensas de seu pai contra ele.
35
No dia seguinte, pela manhã, Jónatas foi ter com David ao campo, como ficara combinado. Levou um criado,36 a quem disse: «Corre e traz-me as flechas que eu vou atirar.» O criado pôs-se a correr, e Jónatas atirou uma flecha de modo a ultrapassá-lo.
37 Quando o criado chegou ao lugar onde tinha caído a flecha, Jónatas gritou-lhe: «A flecha está mais à frente!»
38 Depois voltou a gritar-lhe: «Vamos, depressa, não te demores!» O criado apanhou a flecha e trouxe-a a Jónatas,
39 sem saber de nada, pois só Jónatas e David sabiam o que tinham combinado.
40
Em seguida, Jónatas entregou as suas armas ao criado e disse-lhe para regressar à cidade com elas.41 Logo que ele partiu, David saiu do esconderijo atrás do montão de pedras e inclinou-se diante de Jónatas, por três vezes, até tocar o chão com a cabeça. Depois abraçaram-se e choraram, juntos; e a comoção de David ainda era maior que a de Jónatas.
42 Finalmente, Jónatas disse a David: «Vai em paz, porque o juramento que fizemos um ao outro foi em nome do SENHOR; e o SENHOR é nossa testemunha para sempre.»
1
Depois David pôs-se a caminho e Jónatas voltou para a cidade.2
David partiu, em seguida para Nob, para se encontrar com o sacerdote Aimelec. Este veio ao seu encontro, cheio de medo, e perguntou-lhe: «Por que é que vens só, sem ninguém a acompanhar-te?»3 David respondeu-lhe: «O rei confiou-me uma missão, com ordem de não revelar a ninguém o motivo por que me enviou. Por isso, despedi-me dos criados que vinham comigo.
4 Agora diz-me o que é que me podes arranjar para comer. Dá-me cinco pães ou o que puderes arranjar.»
5 O sacerdote respondeu-lhe: «Por agora não tenho pão comum, mas só pães consagrados. Podes levá-los se os teus homens não tiveram recentemente relações com mulheres.»
6 David respondeu-lhe: «Claro que não tiveram! Os meus homens conservam sempre a pureza ritual, quando saem para uma campanha militar. E embora esta seja uma campanha vulgar, os meus homens já estavam purificados antes e, assim, com muito mais razão o vão ficar agora .»
7
Então o sacerdote entregou-lhe os pães consagrados , porque não tinha outros. Tinha apenas os pães consagrados ao SENHOR e que nesse dia tinha tirado do santuário, para serem substituídos por pão quente.8
Naquela altura, estava ali um dos servidores de Saul, que fora cumprir um dever religioso. Chamava-se Doeg, era edomeu e chefe dos pastores de Saul.9 Perguntou depois David a Aimelec: «Porventura tens à mão uma lança ou uma espada? É que nem sequer tive tempo de ir buscar a minha lança e as minhas armas, porque a missão do rei era urgente.»
10 O sacerdote respondeu-lhe: «Tenho a espada de Golias, o filisteu, que tu mataste no vale de Elá. Está ali, atrás da insígnia de oráculo, embrulhada num manto. Se quiseres, podes levá-la, porque não tenho outra.» David disse-lhe: «Dá-ma; nem há outra melhor que essa.»
11
Naquele mesmo dia, David pôs-se a caminho, fugindo de Saul para ir ter com Aquis, rei de Gat.12 Os servidores de Aquis disseram-lhe: «Ó rei! Não é este David aquele homem em louvor de quem as mulheres dançam e cantam que Saul matou mil homens, mas David matou dez mil?»
13
David tomou a sério estes comentários e ficou com muito medo de Aquis, rei de Gat.14 Por isso, fingiu que estava doido e comportava-se como tal no meio deles, escrevendo garatujas nas portas e deixando que a saliva lhe escorresse pela barba.
15 Então Aquis disse aos seus servidores: «Bem veem que este homem está louco. Por que é que mo trouxeram?
16 Porventura tenho cá falta de doidos? Por que é que me trouxeram mais um para fazer as suas loucuras na minha própria casa?»
1
David saiu dali e refugiou-se na caverna de Adulam. Os seus irmãos e toda a sua gente souberam-no e foram-se juntar a ele.2 Uniram-se a ele também todos os oprimidos, os que tinham dívidas e todos os descontentes, e David tornou-se seu chefe. Ao todo eram uns quatrocentos homens.
3
David partiu depois para Mispá, em Moab. E pediu ao rei de Moab: «Peço-te que meu pai e minha mãe fiquem contigo até que eu saiba o que Deus quer de mim.»4 Apresentou-os em seguida ao rei de Moab e eles ficaram lá todo o tempo que David esteve escondido na caverna.
5
Então o profeta Gad disse a David: «Não fiques na caverna. Vai antes para a terra de Judá.» E David pôs-se a caminho e chegou à floresta de Haret.6
Entretanto Saul soube que David e os seus homens tinham sido descobertos. Encontrava-se nessa altura Saul na colina de Guibeá, sentado debaixo duma tamareira com a sua lança na mão. Os seus oficiais estavam à volta dele,7 e ele disse-lhes: «Homens de Benjamim, escutem-me! Pensam que o filho de Jessé vos vai dar, a todos, terras e vinhas, e que vos vai nomear, a todos, comandantes e capitães?
8 Foi por isso que conspiraram todos contra mim, e ninguém me avisou do pacto que o meu filho fez com o filho de Jessé? De facto ninguém se preocupou comigo! Ninguém me comunicou que o meu filho instigava David a armar-me ciladas, como está a fazer atualmente.»
9 Então Doeg, o edomeu, que se encontrava entre os oficiais de Saul disse-lhe: «Eu vi o filho de Jessé quando foi a Nob falar com Aimelec filho de Aitube.
10 Aimelec consultou o SENHOR acerca de David, forneceu-lhe provisões e deu-lhe a espada de Golias, o filisteu.»
11
Então o rei mandou chamar Aimelec e todos os seus familiares, que eram sacerdotes em Nob; eles vieram ter com o rei12 e este disse a Aimelec: «Escuta bem, filho de Aitube!» Ele respondeu-lhe: «Meu senhor, estou à vossa disposição.»
13 Saul perguntou-lhe: «Por que é que tu e o filho de Jessé conspiraram contra mim? Deste pão e uma espada a David e consultaste Deus a favor dele, para se pôr contra mim e me armar ciladas, como está a acontecer.»
14 Aimelec respondeu ao rei: «Haverá entre todos os vossos servidores alguém mais fiel que David, que é vosso genro, chefe da guarda real e estimado por toda a vossa casa?
15 Porventura foi a primeira vez que eu consultei Deus a favor de David? Claro que não! Que o meu senhor não me acuse de traição, nem a mim nem a ninguém da minha família. Eu nada sei do que se está a passar.»
16 O rei insistiu: «Fica sabendo, Aimelec, que tu e todos os teus parentes vão morrer.»
17 E, logo a seguir, o rei deu ordens aos guardas que o rodeavam: «Matem os sacerdotes do SENHOR! Eles estão feitos com David, pois sabiam da sua fuga e nada me disseram.» Mas os guardas do rei recusaram-se a levantar a mão contra os sacerdotes do SENHOR.
18
Então o rei deu ordens a Doeg, o edomeu: «Mata-os tu.» E Doeg matou-os a todos. Eram oitenta e cinco sacerdotes, que podiam usar a insígnia sagrada de linho.19
Depois Saul ordenou que a população de Nob fosse passada ao fio da espada. Mandou matar homens e mulheres, meninos de peito e crianças, bois, jumentos e ovelhas.20 Só escapou um dos filhos de Aimelec, chamado Abiatar, que se refugiou junto de David.
21 Pôde assim contar a David como é que Saul tinha chacinado os sacerdotes do SENHOR,
22 ao que David lhe respondeu: «Eu já sabia, a partir daquele dia, que, estando lá Doeg, o edomeu, iria contar tudo a Saul. Eu é que sou o culpado pela morte de todos os teus familiares.
23 Mas fica comigo e não tenhas medo. Quem te quer matar também me quer matar a mim, mas comigo estarás seguro.»
1
Certo dia foram contar a David que os filisteus tinham atacado a cidade de Queila e roubado o trigo das eiras.2 Então David foi consultar o SENHOR e perguntou-lhe: «Deverei ir combater estes filisteus?» E o SENHOR respondeu-lhe: «Vai combatê-los e liberta a cidade de Queila.»
3 Mas os homens de David objetaram: «Se aqui, em Judá, estamos cheios de medo, quanto mais se formos a Queila combater as tropas dos filisteus!»
4
David foi por isso consultar novamente o SENHOR, que lhe respondeu: «Vai atacar Queila; eu te entregarei os filisteus.»5 E David partiu para Queila com os seus homens, para atacar os filisteus. Derrotou-os completamente e apoderou-se dos seus animais. E salvou os habitantes de Queila.
6
Entretanto Abiatar, filho de Aimelec tinha fugido para junto de David, em Queila, levando consigo a insígnia de oráculo.7 Informaram Saul que David tinha entrado em Queila, e ele pensou: «Foi Deus que pôs David nas minhas mãos, porque se veio meter numa cidade fechada com muralhas e portas.»
8
Saul mandou então convocar todo o exército para combater a cidade de Queila e cercar David e os seus homens.9 Quando David soube que Saul se preparava para o atacar, pediu ao sacerdote Abiatar que lhe trouxesse a insígnia de oráculo de consultar o SENHOR.
10 Disse David: «SENHOR, Deus de Israel, o teu servo ouviu dizer que Saul quer entrar em Queila para destruir a cidade, por minha causa.
11 Será que os habitantes da cidade me entregarão nas suas mãos? Virá, de facto, Saul, prender-me como ouvi dizer? SENHOR, Deus de Israel, revela isto ao teu servo!» E o SENHOR respondeu: «Sim, ele virá!»
12 Depois David perguntou: «Será que os habitantes de Queila me irão entregar a mim e aos meus homens nas mãos de Saul?» O SENHOR respondeu: «Sim, irão entregar!»
13 Então David e os seus homens, que eram à volta de seiscentos, saíram de Queila e andaram a vaguear sem destino. Quando Saul soube que David tinha fugido de Queila deixou de persegui-lo.
14
David ficou a viver no deserto de Zif nuns refúgios naturais que havia na montanha. Saul bem o procurava todos os dias, mas Deus não permitiu que ele caísse nas suas mãos.15 David bem sabia que Saul o procurava para o matar. Por isso, ficou em Horcha, no deserto de Zif.
16
Um dia, Jónatas, filho de Saul, foi visitar David a Horcha, para o encorajar em nome de Deus.17 E disse-lhe: «Não tenhas medo porque Saul, meu pai, não poderá encontrar-te. Tu é que hás de ser o rei de Israel e eu serei o segundo no teu reino. Até o meu pai sabe disto.»
18 E os dois fizeram um pacto, tomando o SENHOR como testemunha. Depois Jónatas foi para sua casa e David continuou a viver em Horcha.
19
Mas os habitantes de Zif foram ter com Saul a Guibeá e disseram-lhe: «David está escondido no nosso território, nos refúgios naturais de Horcha, situados no monte Haquilá, a sul do deserto.20 Portanto, quando tu, ó rei, quiseres apanhá-lo, é só dizeres, que nós o entregaremos nas tuas mãos.»
21 Saul respondeu-lhes: «Que o SENHOR vos abençoe por se terem lembrado de mim!
22 Vão, informem-se bem sobre o lugar onde ele se encontra ou se alguém o viu, porque me disseram que ele é muito astuto.
23 Observem bem todos os seus esconderijos, e tragam-me notícias seguras, para depois eu ir convosco. Se de facto ele estiver nesse território, irei procurá-lo no meio de todo o povo de Judá, para o apanhar.»
24
Os habitantes de Zif despediram-se e regressaram à sua terra, enquanto David e os seus homens permaneciam no deserto de Maon, na planície situada a sul do deserto.25 Saul e os seus soldados partiram depois em busca de David. Mas houve quem avisasse David do que estava a acontecer, e então ele foi para o rochedo que se encontra no deserto de Maon. Saul, por sua vez, soube disso e foi lá persegui-lo.
26
Marchava Saul por um flanco da montanha, enquanto David com os seus homens seguia por outro, caminhando a toda a pressa, para escapar das mãos de Saul. Saul e os seus soldados estavam quase a apanhar David, cercando-o a ele e aos seus homens.27 Nisto chegou um mensageiro a dizer a Saul: «Vem depressa, porque os filisteus estão a invadir o país.»
28 Dessa forma, Saul deixou de perseguir David para ir combater os filisteus. É por isso que aquele lugar ficou a ser conhecido como «Rochedo da Separação».
1
David saiu dali e foi viver nos refúgios naturais de En-Guédi .2 Mas quando Saul voltou da guerra contra os filisteus, foram-lhe dizer que David se encontrava no deserto de En-Guédi.
3 Então Saul escolheu três mil homens do exército de Israel e foi procurar David e os seus companheiros nos penhascos escarpados.
4
Chegou junto de uns currais de ovelhas, onde havia uma gruta, e Saul foi lá para fazer as suas necessidades. Ora aconteceu que era mesmo no fundo daquela gruta que estavam escondidos David e os seus homens.5 E estes disseram a David: «É este o dia em que se cumpre o que o SENHOR te disse, que poria nas tuas mãos o teu inimigo e o tratarias como quisesses.» David levantou-se e cortou furtivamente a ponta da capa de Saul.
6 Mas logo a seguir ficou com remorsos por ter feito aquilo.
7 E disse aos seus companheiros: «O SENHOR me livre de cometer semelhante crime, contra o meu rei, o escolhido do SENHOR. Não levantarei a mão contra ele pois ele é o escolhido do SENHOR.»
8 Com semelhantes palavras David conteve o ímpeto dos seus companheiros e não deixou que agredissem Saul, que pôde sair da gruta e seguir o seu caminho.
9
David saiu também atrás de Saul e gritou-lhe: «Ó rei, meu senhor!» Saul olhou para trás e David, inclinando-se até ao chão, em sinal de respeito,10 disse-lhe: «Por que é que o meu senhor presta atenção a quem lhe anda a dizer que David lhe quer fazer mal?
11 O meu senhor pode reconhecer agora mesmo, que o SENHOR o pôs ao alcance das minhas mãos, na gruta. Pediram-me para o matar, mas tive compaixão. Eu nunca levantarei a minha mão contra o meu rei, pois é meu senhor, o escolhido do SENHOR.
12 Veja bem, meu senhor, como eu tenho um pedaço de pano da sua capa. Cortei-o, mas não quis matar o rei. Fique, pois, a saber que não há em mim nem maldade nem revolta contra o rei. Nunca pequei contra o meu senhor. O rei é que tenciona tirar-me a vida.
13 Que o SENHOR julgue entre nós dois e me defenda. Quanto a mim, nunca levantarei a minha mão contra o rei.
14 Como diz o antigo ditado popular, “o mal vem dos maus”; por isso nunca levantarei a mão contra o meu rei.
15 Atrás de quem é que saiu o rei de Israel a combater? A quem é que ele persegue? A mim, que sou como um cão morto ou como uma pulga?!
16 Por isso, que o SENHOR decida e julgue entre nós os dois. Que ele examine a minha causa e me defenda das tuas mãos.»
17
Logo que David acabou de falar, Saul exclamou: «És realmente tu, David, meu filho, quem me falas?» Saul começou a chorar18 e disse-lhe: «De facto tu és mais justo do que eu, pois fizeste-me bem em troca do mal que te fiz.
19 Provaste hoje a tua bondade para comigo, pois o SENHOR colocou-me nas tuas mãos e não me mataste.
20 Não há ninguém que, ao encontrar o seu inimigo, o deixe ir são e salvo. Que o SENHOR te recompense pelo que me fizeste hoje.
21 Agora compreendo que tu serás o rei, e que o reino de Israel há de ser glorioso contigo.
22 Jura-me, pois, pelo SENHOR, que não acabarás o meu nome, que não exterminarás a minha descendência.»
23
David jurou a Saul que assim faria. Este regressou a sua casa, e David e os seus homens foram para o seu refúgio.1
Samuel morreu; todos os israelitas se juntaram para chorarem a sua morte e enterraram-no na sua propriedade, em Ramá. Depois David decidiu ir para o deserto de Paran.2
Havia em Maon um homem muito rico. Possuía três mil ovelhas e mil cabras e tinha as suas propriedades no Carmelo, onde se encontrava para a tosquia das suas ovelhas.3 Era descendente de Caleb e chamava-se Nabal. Enquanto ele era um homem muito rude e mau, a sua esposa, Abigail, pelo contrário, era inteligente e bonita.
4
Estava David no deserto quando ouviu dizer que Nabal tosquiava as ovelhas no Carmelo.5 Mandou-lhe então dez dos seus homens com este recado:
6 «Envio-te os meus votos de felicidades, para ti, para todos os teus e para todos os que estão contigo, desejando que tudo te vá pelo melhor.
7 Soube que estás a fazer a tosquia das ovelhas. Tu tens conhecimento de que os teus pastores estiveram no Carmelo connosco e que, durante todo esse tempo, ninguém lhes fez mal nem lhes tirou nada.
8 Pergunta aos teus criados, que eles te informarão. Por isso, peço-te que tenhas consideração por estes meus homens, que vão ter contigo em dia de festa, e que nos dês, tanto a eles, como a mim, o que puderes, pois sou como teu filho.»
9
Os enviados de David foram dar o recado a Nabal e esperaram pela resposta.10 Mas Nabal disse-lhes: «Mas quem é David, filho de Jessé? Há hoje em dia muitos escravos que fogem do seu dono.
11 Vou eu pegar no pão e na água, e na carne que preparei para os meus tosquiadores e dá-la a gente que não sei de onde vem?»
12
Os homens de David regressaram e foram contar-lhe o que Nabal tinha dito.13 Então David ordenou: «Pegue cada um na sua espada!» E todos, incluindo David, puseram a espada à cinta. Cerca de quatrocentos homens seguiram David, enquanto outros duzentos ficaram a guardar o material.
14
Mas Abigail, mulher de Nabal, fora avisada por um dos seus criados que lhe disse: «David mandou do deserto mensageiros a cumprimentar o nosso amo, mas ele recebeu-os mal.15 E a verdade é que esses homens foram muito bons para connosco. Durante todo o tempo que andámos com eles pelo campo nunca nos fizeram mal nem nos tiraram nada.
16 Pelo contrário, protegiam-nos de dia e de noite quando guardávamos os nossos rebanhos.
17 Vê, pois, o que podes fazer, porque tanto o nosso amo como toda a sua família vão sofrer por causa disso. Bem sabes que ele tem um génio tão mau que ninguém lhe pode dizer nada.»
18
Abigail resolveu imediatamente enviar duzentos pães, dois odres de vinho, cinco cordeiros assados, cinco medidas de grão torrado, cem tortas de uvas e duzentas tortas de figos secos. Pôs tudo isto em cima dos burros19 e disse aos seus criados: «Vão à minha frente, que eu irei atrás.» Mas não disse nada ao marido.
20
Quando ela, montada num burro, descia por um caminho a coberto da montanha, encontrou David com os seus homens que vinham em sentido oposto.21 David ia exatamente a pensar que fora em vão que ele tinha protegido tudo quanto Nabal possuía no deserto, pois nada tinha lucrado com isso. Pelo contrário, Nabal pagava-lhe o bem com o mal.
22 Dizia para consigo mesmo: «Que Deus me castigue se de hoje até amanhã eu deixar um só homem com vida na família de Nabal.»
23
Quando Abigail avistou David, desceu logo do burro e inclinou-se até ao chão em sinal de respeito,24 caiu-lhe aos pés e disse: «Meu senhor, que a culpa recaia sobre mim! Permite-me que te fale e escuta-me.
25 Não faças caso de Nabal, porque ele tem mau génio e é um homem rude. Como o seu nome o indica ele é realmente estúpido . Eu por mim garanto que não vi os homens que tu enviaste.
26 Peço-te pelo SENHOR e pela tua própria vida que não derrames sangue e não faças justiça pelas tuas mãos. Queira o SENHOR que todos os teus inimigos e quantos procuram fazer-te mal tenham a mesma sorte que Nabal.
27 Peço-te que aceites os presentes que te trouxe, para serem distribuídos pelos teus homens.
28 E perdoa-me de qualquer falta. Estou certa que o SENHOR vai constituir na tua família uma realeza estável, porque as tuas guerras são de Deus e em ti não se encontrará mal em toda a tua vida.
29 Se alguém te perseguir e quiser matar, o SENHOR Deus te há de proteger e conservar vivo como um tesouro precioso. Mas quanto aos teus inimigos, Deus os lançará para longe como quem lança pedras com uma funda.
30 Quando o SENHOR te tiver dado todo o bem que prometeu e te tiver colocado como rei de Israel,
31 então não terás que ter arrependimento nem remorso por teres derramado sangue sem motivo ou por teres feito vingança por tuas mãos. E quando o SENHOR te conceder tudo isto, não te esqueças desta tua serva.»
32
David respondeu-lhe: «Agradeço ao SENHOR, Deus de Israel, que te mandou hoje ao meu encontro,33 e agradeço-te também a ti pelo teu bom senso, pois evitaste que eu hoje derramasse sangue e fizesse justiça pelas minhas mãos.
34 Se não tivesses vindo tão depressa ter comigo, juro-te pelo SENHOR, Deus de Israel, que me impediu de te fazer mal, que amanhã pela manhã Nabal não teria um único homem com vida.»
35 David aceitou o que ela lhe trazia e depois disse-lhe: «Podes ir em paz para casa. Ouvi com atenção as tuas razões e atendi ao que me pediste.»
36
Abigail voltou para casa, onde estava Nabal a celebrar um grande banquete como se fosse um rei. Estava tão alegre e embriagado que ela nem lhe contou nada naquele dia.37 Mas na manhã seguinte, depois de passada a bebedeira, Abigail contou-lhe tudo, e Nabal sofreu um tal choque que ficou paralisado.
38 Dez dias depois, o SENHOR feriu novamente Nabal e ele morreu.
39
Quando David soube da morte de Nabal, exclamou: «Dou graças ao SENHOR que tirou vingança da ofensa que me fez Nabal! Assim impediu-me de fazer o mal, e fez que a maldade de Nabal recaísse sobre ele mesmo!» David enviou depois a Abigail uma proposta de casamento.40 Os homens de David foram ter com Abigail ao Carmelo e disseram-lhe o seguinte: «David mandou-nos vir ter contigo para que aceites ser sua esposa.»
41 Perante isto, Abigail inclinou-se até ao chão e disse: «Eu sou apenas uma serva dele, disposta a lavar os pés dos seus criados.»
42 Então Abigail preparou-se imediatamente e, acompanhada por cinco criadas, montou num burro, e pôs-se a caminho, atrás dos enviados de David, e casou-se com ele.
43
David já se tinha casado anteriormente com Ainoam, de Jezrael, e ambas foram suas mulheres.44 Entretanto Saul tinha dado sua filha Mical, que fora mulher de David, a Palti, filho de Laís, natural de Galim.
1
Os habitantes de Zif foram ter com Saul a Guibeá e disseram-lhe: «Não sabes que David está escondido na colina de Haquilá, perto do deserto ?»2 Saul pôs-se então a caminho do deserto de Zif, em busca de David, levando consigo três mil soldados bem escolhidos.
3 Acampou na colina de Haquilá, junto do caminho. Mas David, que estava no deserto, deu conta de que Saul o estava a seguir.
4 Por tal razão enviou espiões e teve a certeza de que Saul tinha chegado.
5 Pôs-se a caminho e chegou ao lugar em que Saul estava acampado, e observou o sítio onde dormiam Saul e Abner, filho de Ner, que era o chefe do exército do rei. Saul dormia no centro do acampamento, rodeado pelos seus soldados.
6
Então David chamou Aimelec, o hitita, e Abisai, filho de Seruia e irmão de Joab, e perguntou-lhes: «Quem, entre vós quer vir comigo ao acampamento onde está Saul?» Abisai respondeu-lhe: «Vou eu.»7 E naquela noite, David e Abisai foram ao acampamento. Saul estava lá a dormir, tendo a lança espetada na terra, junto da cabeceira. Abner e os soldados dormiam à volta dele.
8
Abisai disse a David: «Deus pôs hoje nas tuas mãos o teu inimigo. Deixa-me matá-lo agora mesmo, cravando-o na terra com a sua própria lança. Basta um só golpe, nem são precisos dois.»9 Mas David disse-lhe: «Não o mates, porque ninguém pode levantar a mão contra o rei escolhido pelo SENHOR, sem ser castigado.
10 Juro-te que será o próprio SENHOR a tirar-lhe a vida, seja por morte natural, seja em combate.
11 O SENHOR me livre de ser eu a matar o rei que ele escolheu. Levemos apenas a lança que está à sua cabeceira e a bilha de água, e vamo-nos embora.»
12 David pegou na lança e na bilha de água que estavam à cabeceira de Saul e foram-se embora, sem ninguém dar conta de nada, pois todos estavam a dormir. Ninguém despertou, uma vez que o SENHOR fez que dormissem profundamente .
13 Em seguida, David passou para o outro lado do vale e colocou-se no cimo dum monte, a uma certa distância do acampamento de Saul.
14 Então David gritou aos soldados e a Abner: «Abner, estás a ouvir-me?» E Abner respondeu: «Quem és tu que estás a incomodar o rei?»
15 David disse-lhe: «Não és tu o homem mais importante de Israel, a quem ninguém se pode comparar? Por que é que não protegeste melhor o rei, teu senhor? Agora mesmo alguém esteve aí no acampamento para o matar.
16 Tu não cumpriste com a tua obrigação. Merecem todos a morte, porque não protegeram o vosso amo, o rei que o SENHOR escolheu. Vejam se encontram a lança e a bilha de água que estavam junto à sua cabeceira.»
17
Saul reconheceu a voz de David e perguntou: «És tu que falas, meu filho, David?» E este respondeu: «Sim, ó rei, sou eu!18 Mas por que razão é que o rei persegue este seu servo? Que fiz eu? Que mal cometi?
19 Peço-te que ouças as palavras deste teu servo. Se é o SENHOR que te põe contra mim, que ele aceite a minha oferta como sacrifício; mas se são os homens, que o SENHOR os amaldiçoe. Eles procuram desterrar-me desta terra, que é pertença do SENHOR Deus, como se me mandassem servir outros deuses.
20 Não me deixes morrer em terra estrangeira longe da presença do SENHOR. Por que é que saíste em minha perseguição como se fosse uma pulga ou uma perdiz nas montanhas?»
21
Então Saul disse-lhe: «David, meu filho, reconheço que pequei! Não tenhas medo de voltar, que não tornarei a fazer-te mal, pois tu me poupaste a vida, hoje mesmo. Procedi como um louco e cometi um grandíssimo erro.»22 David respondeu-lhe: «Aqui está a tua lança, ó rei. Pode vir buscá-la um dos teus soldados.
23 Que Deus recompense cada um conforme a sua fidelidade e lealdade. Embora o SENHOR te tenha hoje mesmo entregue nas minhas mãos, eu não quis levantar a minha mão contra o rei que ele escolheu.
24 Assim como eu hoje mesmo poupei a tua vida, ó rei, assim o SENHOR queira poupar também a minha e me livre de todos os perigos.»
25 Saul disse a David: «Que Deus te abençoe, meu filho! Tu farás grandes coisas e terás sucesso em tudo!» Depois disto, David seguiu o seu caminho e Saul regressou a casa.
1
Mesmo assim, David pensava: «Mais tarde ou mais cedo, Saul vai matar-me. O melhor que tenho a fazer é refugiar-me na terra dos filisteus. Dessa maneira, Saul deixará de me procurar no território de Israel e escaparei às suas mãos.»2 Por isso, David pôs-se a caminho com os seiscentos homens que estavam com ele e foi ter com Aquis, filho de Maoc, que era rei de Gat.
3 Tanto ele como os seus homens ficaram a viver em Gat, com Aquis, cada qual com a sua família. David levou consigo as suas duas mulheres: Ainoam, que era de Jezrael e Abigail, a viúva de Nabal, que era de Carmelo.
4 Quando Saul soube que David se tinha refugiado em Gat, deixou de o perseguir.
5
David disse ao rei Aquis: «Se me tens amizade, peço-te que me deixes viver numa cidade do interior do país. Não faz sentido que este teu servo viva com o rei na sua capital.»6
Então o rei Aquis deu-lhe a cidade de Siclag, e é por isso que esta cidade tem pertencido ao reino de Judá até hoje.7
David viveu um ano e quatro meses no território dos filisteus.8 Nesse tempo, David e os seus homens atacavam os guechureus, guerizeus e amalecitas que viviam naquela região, desde há muito tempo. Essas incursões estendiam-se na direção de Chur, e iam até ao Egito.
9 Devastavam o território, matando homens e mulheres e levando consigo ovelhas, vacas, burros, camelos e roupas. Depois regressava para junto de Aquis,
10 que lhe perguntava: «Quem é que tu atacaste desta vez?» E David respondia-lhe: «Ataquei o sul de Judá, ou o sul de Jeramel ou o sul do território dos quenitas.»
11 David não deixava ninguém com vida, com medo que fosse alguém a Gat contar o que ele fazia. Tal foi o seu procedimento, durante todo o tempo que viveu em território dos filisteus.
12
Por seu lado, Aquis confiava em David e pensava: «David está a ser cada vez mais odiado pelo seu povo de Israel, e vai ser meu súbdito para sempre.»1
Por aqueles dias, os filisteus reuniram os seus exércitos para combater Israel, e Aquis disse a David: «Fica sabendo que tu e os teus homens têm que lutar no meu exército.»2 David respondeu-lhe: «Com certeza! E tu, ó rei, ficarás a saber do que eu sou capaz de fazer.» «Muito bem! Nomeio-te para sempre meu guarda pessoal.» — Respondeu-lhe Aquis.
3
Entretanto Samuel morrera; todos os habitantes de Israel choravam a sua morte, e sepultaram-no na sua cidade de Ramá. E Saul tinha resolvido acabar com práticas de adivinhação e invocação dos mortos .4 Os filisteus reuniram as suas tropas e foram acampar em Suném. Por sua vez, Saul reuniu todas as suas tropas que acamparam em Guilboa.
5 Quando viu o exército dos filisteus ficou assustado e a tremer de medo,
6 e decidiu consultar o SENHOR, mas o SENHOR não lhe respondeu, nem pelos sonhos, nem pelos dados sagrados dos sacerdotes, nem pelos profetas .
7 Deu então esta ordem aos criados: «Procurem-me uma mulher que saiba invocar os espíritos dos mortos para eu a ir consultar.» Eles responderam-lhe: «Conhecemos uma mulher dessas em Endor.»
8
Saul disfarçou-se, vestindo outras roupas, e foi ter com a tal mulher, durante a noite acompanhado de dois homens. E disse à mulher: «Consulta os espíritos e invoca o espírito daquele que eu te disser.»9 Mas a mulher respondeu-lhe: «Tu bem sabes o que fez Saul, que expulsou da terra os adivinhos e os que consultam os mortos. Por que é que preparas uma armadilha que me pode levar à morte?»
10 Mas Saul jurou-lhe em nome do SENHOR: «Juro-te, pelo SENHOR, que nenhum mal te pode acontecer.»
11 Então a mulher disse-lhe: «Qual é o espírito que queres que eu chame para ti?» Ele respondeu-lhe: «Chama o espírito de Samuel.»
12
Quando a mulher viu Samuel lançou um grande grito e disse a Saul: «Por que é que me enganaste? Tu és Saul.»13 O rei disse-lhe: «Não tenhas medo. Que é que tu viste?» A mulher respondeu a Saul: «Vejo como que um espírito a subir da terra.»
14
Saul perguntou-lhe: «E que aspeto tem ele?» A mulher respondeu: «É um homem velho e está vestido com um manto.» Então Saul compreendeu que se tratava de Samuel e, por isso, inclinou-se até ao chão em sinal de reverência.15
Samuel disse a Saul: «Por que é que tu me perturbaste, e me fizeste sair de onde eu estava?» Respondeu-lhe Saul: «Estou muito preocupado porque os filisteus vão-me fazer guerra e Deus afastou-se de mim e não me responde, nem pelos profetas, nem pelos sonhos. Por isso, é que te chamei, para saber o que devo fazer.» Samuel disse-lhe:16 «Mas por que é que me perguntas a mim, se o SENHOR já te abandonou e se tornou teu inimigo?
17 O SENHOR está a agir contigo tal como te fez ver por meu intermédio: que te havia de tirar o reino e dá-lo a um outro, que é a David.
18 É que tu não obedeceste às ordens do SENHOR visto não teres destruído os amalecitas. Por isso, o SENHOR agora te trata desta maneira.
19 Ele vai entregar-te a ti e a Israel nas mãos dos filisteus. Amanhã tu e os teus filhos estarão comigo. O SENHOR fará com que o exército de Israel caia nas mãos dos filisteus.»
20
Ao ouvir tais coisas, Saul ficou assustado, desmaiou e caiu ao comprido por terra. Além do mais, não tinha comido nada durante todo o dia e toda a noite.21 A mulher, ao ver Saul naquele estado, aproximou-se dele e disse-lhe: «Senhor, eu atendi ao teu pedido. Arrisquei a minha vida para cumprir as tuas ordens.
22 Peço, agora, que atendas ao que vou dizer: deixa-me preparar-te alguma comida para restaurares as tuas forças antes de partires.»
23
Saul negou-se a comer, mas os seus homens e a mulher insistiram para que aceitasse. E Saul acabou por se levantar do chão e sentar-se na esteira.24 A mulher então apressou-se a matar um vitelo que tinha engordado, pegou em farinha, amassou-a e cozeu alguns pães sem fermento.
25 Depois serviu Saul e os seus homens, os quais, depois de terem comido, se despediram, pondo-se a caminho naquela mesma noite.
1
Os filisteus reuniram todas as suas tropas em Afec, enquanto os israelitas acamparam perto da fonte do vale de Jezrael.2 Os chefes dos filisteus caminhavam à frente das suas companhias e batalhões. David e os seus homens caminhavam na retaguarda com o rei Aquis.
3 Então os chefes dos filisteus perguntaram a Aquis: «Quem são estes hebreus?» Aquis respondeu-lhes: «Este é David, que foi oficial de Saul, o rei de Israel. Já está comigo há bastante tempo, e desde que passou para o meu lado não lhe encontrei qualquer falta para desconfiar dele.»
4
Mas os chefes militares dos filisteus aborreceram-se com Aquis e disseram-lhe: «Manda-o embora para a cidade que tu destinaste. Não queremos que ele nos acompanhe nesta expedição, não aconteça que se torne em nosso inimigo durante a batalha, pois a melhor maneira de ele fazer as pazes com o seu senhor será oferecer-lhe a cabeça dos nossos homens.5 Não te esqueças que este é o David de quem se cantava nas danças que Saul matou mil homens mas David matou dez mil.»
6
Aquis chamou então David e disse-lhe: «Juro pelo SENHOR que tu és um homem reto, e seria para mim um prazer ter-te comigo nesta campanha, pois desde o dia em que vieste para junto de mim até hoje, não encontrei nada de mau no teu comportamento. Mas acontece que os outros chefes militares não te veem com bons olhos.7 Por tal razão, será melhor ires embora em paz para não caíres mais no desagrado deles.»
8
David observou-lhe: «Mas que mal fiz eu? Que é que tu, ó rei, encontraste em mim desde o dia em que te comecei a servir para não me deixares ir lutar ao teu lado contra os vossos inimigos?»9 Aquis respondeu-lhe: «Eu sei que tu és bom para mim como um anjo de Deus, mas os outros chefes não querem que tu nos acompanhes nesta expedição.
10 Por isso, tu e os homens de Saul que vieram contigo levantem-se cedo e vão-se embora logo que amanhecer.»
11
Assim David e os seus homens levantaram-se de madrugada e regressaram à terra dos filisteus, enquanto os filisteus avançaram para Jezrael.1
Três dias depois, David e os seus homens chegaram a Siclag. É que os amalecitas tinham invadido o sul de Judá e tinham atacado a cidade de Siclag, que destruíram e incendiaram.2 Capturaram as mulheres e toda a gente que lá estava, pequenos e grandes, mas sem matarem a ninguém, e levaram-nos consigo.
3
Quando David e os seus homens chegaram à cidade e viram que tinha sido incendiada e que lhes tinham levado as mulheres, com os filhos e filhas,4 puseram-se a chorar aos gritos até ficarem sem forças.
5 Também tinham capturado as duas mulheres de David, Ainoam, de Jezrael, e Abigail, a viúva de Nabal do Carmelo.
6 David estava muito angustiado, porque os seus homens queriam apedrejá-lo. Todos estavam profundamente amargurados com o que acontecera aos seus filhos. Entretanto David ganhou coragem graças ao SENHOR,
7 e disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimelec: «Traz-me a insígnia de oráculo.» E Abiatar trouxe-lha.
8 David fez então esta consulta ao SENHOR: «Devo perseguir esse bando de salteadores até os apanhar?» O SENHOR respondeu-lhe: «Vai persegui-los, pois hás de apanhá-los e libertar os prisioneiros.»
9
David pôs-se a caminho com os seiscentos homens e chegaram até ao ribeiro de Bessor, onde duzentos deles10 ficaram a descansar, porque se sentiram muito fatigados para o atravessarem. Com os outros quatrocentos, David continuou a perseguição.
11
Encontraram no campo um egípcio, que levaram até junto de David. Deram-lhe pão, que ele comeu, e água para beber.12 Deram-lhe ainda uma torta de figos e dois cachos de uvas secas. Depois de comer, retomou as suas forças, porque havia já três dias e três noites que não comia nem bebia.
13
David perguntou-lhe então: «Quem é o teu amo e donde és tu?» O egípcio respondeu-lhe: «Eu sou egípcio, escravo dum amalecita, mas o meu dono abandonou-me já há três dias, porque adoeci.14 Fomos nós que saqueámos a parte do sul do território dos cretenses , dos judeus ao sul de Judá e dos calebitas e incendiámos a cidade de Siclag.»
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Propôs-lhe David: «Queres levar-me até esse bando de salteadores?» Ele respondeu: «Se me jurares em nome de Deus que não me vais matar e que não me vais entregar ao meu dono, levar-te-ei até eles.»16
Ele levou David até aos amalecitas que se tinham espalhado por toda a região, comendo, bebendo e fazendo festa com tudo o que tinham roubado no território dos filisteus e dos judeus.17 David combateu-os desde a manhã até à tarde do dia seguinte e massacrou-os a todos. Apenas escaparam uns quatrocentos jovens que conseguiram montar os seus camelos e fugir.
18
David resgatou todas as coisas que os amalecitas tinham roubado e resgatou também as suas duas mulheres.19 Recuperou todas as pessoas, desde as pequenas às grandes, os filhos e as filhas dos seus homens, e todos os despojos que os amalecitas tinham roubado.
20 Recuperou também as ovelhas e vacas, de tal forma que aqueles que conduziam o gado diziam: «Tudo isto é de David!»
21
Entretanto David chegou ao ribeiro de Bessor, onde tinham ficado os duzentos homens, que não o puderam acompanhar por se sentirem muito cansados. Eles vieram ao encontro de David e da sua tropa e David aproximou-se deles para os saudar.22 Mas alguns dos soldados de David, que eram maus e perversos, protestaram e disseram que não se devia dar nada dos despojos a quem não tinha ido com eles, exceto as suas mulheres e filhos, e que, depois de os reaverem, deviam ir embora.
23
Mas David disse: «Não façam tal coisa, meus amigos. Foi o SENHOR que nos deu tudo isto, foi ele que nos conservou a vida e entregou nas nossas mãos esse bando de salteadores que nos atacou.24 Neste caso, ninguém vos dará razão, porque, como diz o ditado, “A partilha dos despojos, tanto pertence ao que vai para o combate como àquele que fica a guardar a bagagem.”»
25 Esta prática de David entrou desde então, e permanece até ao presente, como lei e costume em Israel.
26
Quando chegou a Siclag, David mandou aos seus amigos, os anciãos de Judá, uma parte dos despojos, com estas palavras: «Ofereço-vos este presente, que é uma parte daquilo que conquistei aos inimigos do SENHOR.»27 Enviou presentes aos que se encontravam em Betel, de Ramot do Negueve, em Jatir,
28 em Aroer, em Sifemot, em Estemoa,
29 em Racal, e também aos que estavam nas cidades de Jeramel e nas dos quenitas.
30 Enviou igualmente aos que se encontravam em Horma, em Bor-Achan, em Atac,
31 em Hebron e ainda nas localidades por onde ele e os seus homens tinham andado .
1
Os filisteus atacaram Israel no monte de Guilboa. Os israelitas puseram-se em fuga, mas muitos deles foram mortos pelos filisteus.2 Os filisteus perseguiram Saul e os seus filhos e entre estes mataram Jónatas, Abinadab e Malquichua.
3 Depois concentraram o peso do ataque contra Saul. Os arqueiros encontraram-no e feriram-no gravemente.
4 Perante isto, Saul disse ao seu escudeiro: «Desembainha a tua espada e atravessa-me com ela, para que não sejam estes pagãos a matar-me, gabando-se do que fizeram.» Mas o escudeiro não quis fazê-lo, porque tinha muito medo. Saul pegou então na espada e lançou-se em cima dela.
5 E quando o escudeiro viu que Saul estava morto, fez o mesmo que Saul e morreu com ele.
6 Assim morreram naquele dia Saul, os seus três filhos, o seu escudeiro e todos os seus homens.
7 Quando os israelitas, que habitavam no outro lado do vale e na Transjordânia, viram que o exército de Israel tinha sido derrotado e que Saul e os seus três filhos tinham sido mortos, abandonaram as cidades e fugiram também. E os filisteus vieram ocupá-las.
8
No dia seguinte, os filisteus foram buscar os despojos dos mortos e encontraram Saul com os seus três filhos estendidos no monte Guilboa.9 Cortaram a cabeça a Saul e tiraram-lhe as armas, e enviaram mensageiros por todo o território dos filisteus a dar a notícia ao povo e aos seus deuses, nos santuários.
10 Puseram as armas de Saul no templo de Astarté e penduraram o seu corpo na muralha de Bet-Chan.
11
Entretanto os habitantes de Jabés de Guilead tiveram conhecimento daquilo que os filisteus tinham feito com Saul.12 Os mais valentes entre eles resolveram pôr-se a caminho, andaram toda a noite e retiraram da muralha de Bet-Chan os corpos de Saul e dos seus filhos. Em seguida, regressaram a Jabés, onde os queimaram.
13 Depois recolheram os seus restos e sepultaram-nos debaixo do tamariz , de Jabés, e jejuaram durante sete dias.