1

1

Após a morte de Josué , os israelitas consultaram o SENHOR, perguntando-lhe: «Qual das nossas tribos há de ir à frente para combater os cananeus?»

2 O SENHOR respondeu: «Judá irá à frente e eu entrego-lhe a terra dos seus inimigos.»

3 Então os da tribo de Judá propuseram aos da tribo de Simeão: «Vamos juntos atacar os cananeus e conquistar o território que coube à nossa tribo e depois ajudamo-vos igualmente a conquistar o vosso.» E os de Simeão aceitaram.

4 Assim Judá e Simeão foram juntos para a guerra. E o SENHOR concedeu-lhes a vitória sobre os cananeus e os perizeus, derrotando dez mil homens em Bezec .

5 Ali enfrentaram Adonibezec, travaram batalha e venceram os cananeus e perizeus.

6 O rei pôs-se em fuga, mas eles perseguiram-no, apanharam-no e cortaram-lhe os polegares das mãos e dos pés.

7 Então Adonibezec disse: «Outrora, eu cortei os polegares das mãos e dos pés a setenta reis, e tiveram de apanhar os restos da comida debaixo da minha mesa. Agora, Deus retribuiu-me o que lhes fiz.» Adonibezec foi levado para Jerusalém e lá morreu.

8

Os homens de Judá atacaram e conquistaram Jerusalém, mataram à espada os seus habitantes e incendiaram a cidade.

9 Em seguida, continuaram a guerra contra os cananeus, nos montes, no Negueve e na planície .

10 Também atacaram os cananeus da cidade de Hebron , que antes se chamava Quiriat-Arbá, e derrotaram Chechai, Aiman e Talmai.

11

A seguir, dirigiram-se à cidade de Debir , que antes se chamava Quiriat-Séfer.

12 Um deles, chamado Caleb, disse: «Prometo a minha filha em casamento àquele que conseguir conquistar Quiriat-Séfer.»

13 Oteniel , filho de Quenaz, irmão mais novo de Caleb, conquistou a cidade e Caleb deu-lhe em casamento a sua filha Acsa.

14 Esta, na altura em que ia habitar em casa do marido, insistiu com ele para pedir ao pai um terreno. E Caleb, ao ver que ela descia do jumento e se punha em posição de súplica , perguntou: «O que é? Queres alguma coisa?»

15 Ela respondeu: «Faz-me um favor! Como as terras que me deste ficam no deserto do Negueve, deixa-me ficar também com terra de regadio.»

E Caleb deu-lhe fontes nas terras altas e nas terras baixas.

16

Os quenitas, descendentes do sogro de Moisés , saíram de Jericó, a cidade das palmeiras, com a tribo de Judá, em direção às terras desertas de Judá, a sul de Arad; e ali passaram a morar com a gente da região .

17 Judá e Simeão prosseguiram e derrotaram os cananeus que viviam em Sefat e destruíram completamente a cidade, que passou assim a chamar-se Horma .

18 Judá conquistou igualmente os territórios de Gaza, Ascalon e Ecron .

19 O SENHOR ajudou a tribo de Judá a expulsar o povo da região montanhosa, e a apoderar-se do seu território. Mas não expulsaram os habitantes da planície, porque estes tinham carros de ferro .

20 Conforme as instruções de Moisés, Hebron foi concedido a Caleb, que expulsou da cidade os três descendentes de Anac .

21 Contudo, a tribo de Benjamim não expulsou os jebuseus de Jerusalém e eles vivem ali com os de Benjamim até agora.

22

As tribos dos descendentes de José decidiram tomar Betel , e o SENHOR estava com eles.

23 Para isso, enviaram homens a espiar aquela cidade, que antes se chamava Luz.

24 Ao verem que um homem vinha a sair da cidade, pediram-lhe: «Mostra-nos como podemos entrar na cidade e não te faremos mal.»

25 O homem indicou-lhes a maneira secreta de poderem entrar na cidade e as tribos de José mataram à espada a população, exceto aquele homem e a sua família.

26 Mais tarde, ele mudou-se para a terra dos hititas e lá fundou uma cidade, à qual deu o nome de Luz , que ainda hoje se chama assim.

27

A tribo de Manassés não expulsou os moradores de Bet-Chan, Tanac, Dor, Jiblam e Meguido, nem os das localidades vizinhas de cada uma delas; e os cananeus continuaram a viver nessas cidades.

28 Quando os israelitas se tornaram poderosos, obrigaram os cananeus a pagar tributo, mas não os conseguiram expulsar .

29 A tribo de Efraim não expulsou os habitantes de Guézer, mas deixou-os continuar a viver no seu meio .

30 A tribo de Zabulão não expulsou os habitantes de Quitron nem os de Nalal, e os cananeus continuaram a viver ali, embora tivessem de pagar tributo.

31 A tribo de Asser não expulsou os habitantes de Acre nem os de Sídon, nem os de Alab, Aczib, Helba, Afec e Reob.

32 O povo de Asser viveu com os cananeus locais, por não os conseguirem expulsar.

33 A tribo de Neftali não expulsou os moradores de Bet-Chemes, nem os de Bet-Anat. Estabeleceu-se entre os cananeus, por os não conseguir desalojar, obrigando-os, porém, ao tributo.

34 Os amorreus repeliram os da tribo de Dan para os montes, não lhes permitindo descer à planície.

35 Os amorreus conseguiram permanecer em Har-Heres, Aialon e Salabim, porém as tribos de José mantiveram-nos sob controlo e obrigaram-nos a pagar tributo.

36 O território dos amorreus ia desde Sela e da subida de Acrabim para cima.

2

1

O anjo do SENHOR foi de Guilgal a Boquim e disse aos israelitas: «Tirei-vos do Egito e trouxe-vos à terra que prometi aos vossos antepassados. Disse-vos que, da minha parte, jamais quebrarei a minha aliança convosco.

2 O que vos peço é que, da vossa parte, não façam aliança alguma com os habitantes desta terra. Peço ainda que deitem abaixo os seus altares. Mas não fizeram o que vos disse. Pelo contrário!

3 Por isso, vos declaro que não expulsarei estes povos do vosso meio. Eles e os seus deuses serão para vós uma armadilha.»

4 Quando o anjo do SENHOR acabou de falar, o povo de Israel pôs-se a chorar em alta voz.

5 Por isso, chamaram àquele lugar Boquim. E ali ofereceram sacrifícios ao SENHOR.

6

Quando Josué despediu a assembleia de Israel, cada um dirigiu-se ao seu respetivo território para dele tomar posse.

7 Durante toda a vida de Josué e dos anciãos que tinham presenciado todas as grandes coisas realizadas por Deus em favor de Israel, o povo serviu o SENHOR.

8

Josué, filho de Nun e servo do SENHOR, morreu com a idade de cento e dez anos.

9 Foi sepultado dentro dos limites do território que lhe coubera, em Timnat-Heres , nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás.

10 Mas quando toda aquela geração morreu, a geração seguinte esqueceu-se do SENHOR e do que ele fizera por Israel.

11

Então o povo de Israel desagradou ao SENHOR: começou a prestar culto aos ídolos de Baal.

12 Afastaram-se do SENHOR, do Deus dos seus antepassados, que os tinha tirado do Egito, e entregaram-se ao culto de outros deuses, os deuses dos povos circunvizinhos. E, adorando-os, provocaram a indignação de Deus.

13 Deixaram de prestar culto ao SENHOR, trocando-o pelos ídolos de Baal e Astarté.

14 O SENHOR ficou muito irado contra Israel e permitiu que os ladrões o despojassem do que possuía. Entregou-os aos inimigos vizinhos, pelo que o povo já não podia mais resistir-lhes.

15 Para onde quer que fossem, o SENHOR estava contra eles, tal como lhes tinha prometido em juramento pelo que se viram em grandes dificuldades.

16

Então o SENHOR deu-lhes juízes , que os libertaram dos salteadores.

17 Porém eles desobedeceram também aos juízes e foram infiéis, prestando culto a outros deuses. Os antepassados tinham obedecido aos mandamentos do SENHOR, mas eles depressa se afastaram e não seguiram o seu exemplo.

18 Quando lhes dava um juiz, o SENHOR ajudava-o a libertar o povo dos seus inimigos. Enquanto esse juiz vivia, o SENHOR compadecia-se dos seus gemidos, por causa da opressão que sofriam.

19 Mas quando o juiz morria o povo deixava-se de novo corromper, ainda mais que os seus pais, servindo e prestando culto a outros deuses. Mostravam-se piores do que os seus antepassados.

20 Então o SENHOR ficou muito irado contra Israel e disse: «Este povo quebrou a aliança que fiz com os seus antepassados. Já que não me obedeceu,

21 também eu não expulsarei nenhum dos povos que Josué não desalojou antes de morrer.

22 Por meio deles vou pôr à prova os israelitas e verificar se eles seguem ou não os meus caminhos, como os seus antepassados seguiram.»

23 Desta maneira, o SENHOR não expulsou os povos que não tinha entregado nas mãos de Josué, antes permitiu que lá permanecessem.

3

1

Estes são os povos que o SENHOR deixou ficar, para pôr à prova os israelitas que ainda não tinham entrado na guerra para conquistar Canaã.

2 Ele assim fez, para ensinar às gerações que não tinham feito essa experiência, quanto custa estar em guerra.

3 Ficaram por tomar as cinco cidades dos filisteus, os cananeus, os sidónios e os heveus, que habitavam nos montes do Líbano, desde o monte Baal-Hermon até ao desvio para Hamat .

4 Eles serviam, pois, para pôr à prova Israel, para ver se obedecia aos mandamentos que o SENHOR dera aos seus antepassados, por intermédio de Moisés.

5 Assim o povo de Israel estabeleceu-se entre os cananeus, os hititas, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus.

6 Casaram-se com mulheres desses povos e deram-lhes as suas filhas em casamento e prestaram culto aos seus deuses.

7

O povo de Israel esqueceu-se do SENHOR e desagradou ao seu Deus, prestando culto aos ídolos de Baal e Astarté.

8 Por isso, o SENHOR se irritou e submeteu o povo de Israel ao rei Cuchan-Richataim, da Mesopotâmia, durante oito anos.

9

Então os israelitas clamaram ao SENHOR e ele enviou-lhes um libertador. Chamava-se Oteniel e era filho do irmão mais novo de Caleb.

10 O Espírito do SENHOR estava com ele e estabeleceu-o como juiz. Oteniel entrou em guerra e o SENHOR deu-lhe a vitória sobre o rei da Mesopotâmia.

11 Depois houve paz durante quarenta anos até à morte de Oteniel.

12

O povo de Israel desagradou novamente ao SENHOR. Por isso, o SENHOR permitiu que o rei Eglon, de Moab , se tornasse mais forte que Israel.

13 Eglon aliou-se aos amonitas e amalecitas e derrotaram Israel, conquistando Jericó, a cidade das palmeiras.

14 Os israelitas ficaram sujeitos a Eglon, durante dezoito anos.

15 Então clamaram ao SENHOR, que lhes enviou um libertador. Chamava-se Eúde, filho de Guera, da tribo de Benjamim, e era canhoto. O povo de Israel enviou Eúde com presentes ao rei Eglon de Moab.

16 Eúde fez uma espada de dois gumes com meio metro de comprimento, e pô-la por dentro do cinto, debaixo da roupa, do lado direito.

17 Então levou consigo os presentes destinados a Eglon, que era muito gordo.

18 Após a entrega do tributo, saiu com os carregadores.

19 Mas ao chegar junto dos ídolos que estão em Guilgal , Eúde voltou novamente junto de Eglon e disse: «Tenho uma mensagem secreta para Vossa Majestade.» O rei ordenou aos que o rodeavam que saíssem.

20 Então quando Eúde se viu a sós com Eglon, sentado na sala de verão, no terraço, aproximou-se dele e repetiu: «Tenho uma mensagem de Deus para Vossa Majestade.» O rei levantou-se do trono.

21 E, de repente, Eúde puxou da espada com a mão esquerda e cravou-a na barriga do rei.

22 A espada penetrou totalmente na barriga, inclusive o próprio punho, ficando toda coberta de gordura. Eúde não a retirou.

23

Então escapou, pelas traseiras , fechando à chave as portas atrás de si.

24 Quando os servos regressaram, verificaram que as portas estavam fechadas e pensaram que o rei se encontrava a fazer as necessidades no quarto de banho .

25 Depois de esperarem bastante tempo, vendo que ele não abria a porta, pegaram na chave e abriram-na. O seu senhor estava morto, no chão.

26 Eúde escapara, enquanto os servos estavam à espera. Passou os ídolos de Guilgal e chegou salvo a Seira .

27 Ali, na região montanhosa de Efraim , tocou a trombeta, convocando para a batalha os homens de Israel e ele ia à frente deles pela encosta abaixo,

28 dizendo: «Sigam-me! O SENHOR concedeu-vos a vitória sobre os vossos inimigos, os moabitas.» Eles seguiram Eúde e apoderaram-se do local por onde os moabitas passavam o Jordão a vau, não permitindo que um único homem atravessasse.

29 Naquele dia mataram cerca de dez mil dos melhores soldados moabitas, todos fortes e robustos; nenhum deles escapou.

30 Assim os israelitas derrotaram Moab e houve paz no país durante oitenta anos.

31

Chamegar , filho de Anat, foi o juiz seguinte. Derrotou seiscentos filisteus com um aguilhão dos bois, libertando, por sua vez, Israel.

4

1

Após a morte de Eúde, o povo de Israel desagradou novamente ao SENHOR.

2 E o SENHOR entregou-os a Jabin, rei de Haçor, cidade cananeia. O comandante das suas tropas chamava-se Sísera, que morava em Harochet-Goim.

3 Jabin tinha novecentos carros de ferro . Ele oprimiu o povo de Israel com crueldade e violência, durante vinte anos. Então clamaram ao SENHOR, pedindo auxílio.

4

Débora, mulher de Lapidot, era profetisa e era, naquela altura, juiz dos israelitas.

5 Costumava sentar-se debaixo de uma certa palmeira, entre Ramá e Betel, nas colinas de Efraim, e o povo de Israel deslocava-se ali, para lhe apresentar as suas questões a julgamento.

6 Certo dia Débora mandou chamar Barac , filho de Abinoam, de Quedes em Neftali, e disse-lhe: «O SENHOR, Deus de Israel, ordena-te o seguinte: “Leva três mil soldados das tribos de Neftali e Zabulão e vai ao monte Tabor.

7 Eu farei com que Sísera, comandante do exército de Jabin, venha combater contra ti, junto à torrente de Quichon . Embora ele possua carros e soldados, hei de dar-te a vitória.”»

8 Então Barac respondeu: «Se vieres comigo, eu vou; mas se não vieres, não vou.»

9 Débora replicou: «Está bem, irei contigo, mas a glória da vitória, na jornada que vais empreender, não será para ti, porque o SENHOR entregará Sísera nas mãos de uma mulher.» E assim Débora partiu com Barac em direção a Quedes.

10

Barac convocou as tribos de Zabulão e Neftali para irem a Quedes e reuniu dez mil homens. Débora ia com ele.

11 Entretanto Héber, o quenita, armara as suas tendas próximo de Quedes, junto ao carvalhal de Sanaim . Separara-se dos outros quenitas, descendentes de Hobab .

12

Quando Sísera soube que Barac, filho de Abinoam, tinha subido ao monte Tabor,

13 reuniu os seus novecentos carros de ferro e os seus homens e enviou-os de Harochet-Goim para a torrente de Quichon.

14 Então Débora ordenou a Barac: «Coragem! O SENHOR vai à tua frente e vai dar-te hoje a vitória contra Sísera.» Barac desceu do monte Tabor com os seus dez mil homens.

15 Quando Barac atacou com o seu exército, o SENHOR semeou a confusão entre os homens e carros de Sísera. Este desceu do seu carro e pôs-se em fuga a pé.

16

Barac perseguiu os carros e o exército até Harochet-Goim e os homens de Sísera foram mortos à espada. Nem um escapou.

17 Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Héber, o quenita, porque o rei Jabin, de Haçor, fizera a paz com a família de Héber.

18 Jael saiu ao encontro de Sísera e disse-lhe: «Entre, senhor; entre na minha tenda. Não tenha medo.» Sísera entrou e ela escondeu-o debaixo duma manta.

19 Então ele pediu-lhe: «Por favor, dá-me água para beber. Tenho sede!» Ela abriu um odre de leite, deu-lhe de beber e escondeu-o novamente.

20 Ele pediu-lhe ainda: «Fica à porta da tenda, e se te vierem perguntar se há alguém aqui, responde que não.»

21 Sísera estava tão cansado, que adormeceu profundamente. Então Jael, mulher de Héber, pegou num martelo e num prego de tenda aproximou-se dele sem ruído e matou-o, espetando-lhe o prego na testa, atravessando-lha até ao chão.

22 Quando Barac chegou, em busca de Sísera, Jael veio ao seu encontro e disse-lhe: «Venha cá! Vou mostrar-lhe o homem que procura.» Ao entrar na sua tenda, ele deparou com Sísera por terra, morto, com um prego espetado na cabeça.

23 Naquele dia, Deus deu aos israelitas a vitória sobre Jabin, o rei cananeu.

24 Os israelitas redobraram os ataques contra Jabin, rei de Canaã, até que acabaram por destruí-lo.

5

1

Naquele dia, Débora e Barac, filho de Abinoam, entoaram este cântico:


2
«Os israelitas decidiram lutar ;
o povo ofereceu-se voluntariamente.
Louvado seja o SENHOR!

3
Escutem, ó reis!
Ó príncipes, ouçam com atenção.
Quero cantar ao SENHOR,
entoar hinos de louvor ao Deus de Israel.

4
Ó SENHOR, quando deixaste os montes de Seir ,
quando saíste dos campos de Edom,
a terra estremeceu, o céu desfez-se em chuva;
sim, as nuvens desfizeram-se em água.

5
Diante de ti, SENHOR, tremeram os montes;
diante de ti, Deus do Sinai , SENHOR de Israel.

6

No tempo de Chamegar , filho de Anat,
no tempo de Jael,
as caravanas deixaram de percorrer o país;
os viajantes utilizavam estradas secundárias.

7
Não havia chefes em Israel, não havia;
até que tu apareceste, Débora,
até que surgiste em Israel, como mãe do povo.

8
Eles escolheram novos deuses
a guerra chegou às suas portas.
Mas dos quarenta mil homens em Israel,
nenhum tinha escudo ou lança!

9

O meu coração segue os príncipes de Israel,
que se ofereceram voluntariamente pelo povo!
Louvado seja o SENHOR!

10
Cantem todos os que montam em brancas jumentas
e se sentam em tapeçarias!
Cantem todos os que andam pelos caminhos.

11
Escutem o ruído dos que dividem o espólio
junto às fontes de água;
como proclamam as vitórias do SENHOR,
a favor do povo de Israel!
Então o povo do SENHOR
veio às portas da cidade.

12

Desperta, desperta, ó Débora!
Desperta e entoa um cântico;
levanta-te, Barac, filho de Abinoam
e conduz os teus cativos.

13
Então o sobrevivente dominou os nobres
o povo do SENHOR deu-me domínio sobre os poderosos.

14
De Efraim desceram os habitantes de Amalec ,
atrás de ti, Benjamim, e do teu povo.
De Maquir descem os príncipes
e de Zabulão, os capitães.

15
Os príncipes de Issacar estavam com Débora.
Sim, Issacar seguia a Barac;
seguiram-no até ao vale.
Mas a tribo de Rúben estava dividida,
sem se decidir para onde ir.

16
Por que ficaste para trás com as ovelhas,
a ouvir os pastores a chamarem pelos rebanhos?
Porque a tribo de Rúben estava dividida,
sem se decidir para onde ir.

17
Guilead ficou do outro lado do Jordão.
E Dan, por que permaneceu junto dos navios?
Asser sentou-se à beira do mar,
descansando nos seus portos.

18
Porém Zabulão e Neftali
no campo de batalha arriscaram a vida!

19
E então os reis vieram a Tanac,
junto às águas de Meguido ;
contra os reis de Canaã fizeram guerra,
mas deles não levaram prata.

20
Lá do céu, das suas órbitas,
as estrelas lutaram contra Sísera.

21
A torrente de Quichon os arrastou,
a antiga torrente do rio Quichon.
A torrente espezinhou os heróis.

22
Ressoam, ressoam os cascos dos cavalos!
Galopam, galopam, os briosos corcéis!

23

E o anjo do SENHOR anuncia: “Maldito seja Meroz
e malditos os seus habitantes!
Pois não acudiram, como valentes, a lutar pelo SENHOR!”

24
Que Jael, mulher de Héber, o quenita,
seja a mais abençoada das mulheres,
que habitam nas nossas tendas!

25
Sísera pediu-lhe água, e ela deu-lhe leite;
ofereceu-lhe coalhada de leite em taça especial.

26

Entretanto com um prego de tenda na mão esquerda
e o martelo do trabalhador na direita, feriu Sísera;
esmagou-lhe o crânio e atravessou-lhe a cabeça.

27
Ele dobrou-se a seus pés e ali ficou caído;
a seus pés caiu e ali ficou!
Caiu morto no chão.

28

Pela janela, a mãe de Sísera espreitou;
pelas grades da janela lamentou-se:
“Por que tarda em voltar o seu carro?
Por que demoram tanto os seus cavalos?”

29
As mais sábias das suas damas responderam
e a si mesma ela o repete:

30
“Devem ter encontrado despojos, para repartir,
uma jovem, duas, para cada soldado,
vestes tingidas para Sísera,
vestes de brocados e bordados
para o pescoço das suas mulheres.”

31

Que assim sejam destruídos
todos os teus inimigos, ó SENHOR,
mas brilhem como o sol nascente
aqueles que te amam!»

Depois disto, o país ficou em paz durante quarenta anos.

6

1

De novo os filhos de Israel desagradaram ao SENHOR e ele entregou-os aos madianitas , por sete anos.

2 Os madianitas eram mais fortes que Israel e o povo teve que se esconder em grutas, refúgios e lugares de difícil acesso.

3 E quando os israelitas semeavam, os madianitas vinham com os amalecitas e as tribos nómadas para os atacar.

4 Acampavam em Israel e destruíam as colheitas em toda a extensão do território até Gaza, sem lhes deixar nada de comer, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.

5 Eram tantos que pareciam nuvens de gafanhotos os que invadiam a terra, com o seu gado, tendas e camelos sem número. E destruíam tudo.

6 Por isso, a situação em Israel agravou-se muito.

7 Então eles clamaram ao SENHOR, por causa dos ataques de Madiã.

8

E o SENHOR, Deus de Israel, enviou-lhes um profeta com esta mensagem: «Assim diz o SENHOR: “Eu tirei-vos da escravidão no Egito.

9 Libertei-vos dos egípcios e dos povos que vos oprimiram nesta terra. Expulsei-os para vos dar lugar. Dei-vos a terra deles.

10 Mostrei-vos que sou o SENHOR, vosso Deus, e que não devem prestar culto aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês agora habitam. Mas vocês não me deram ouvidos.”»

11

Então o anjo do SENHOR veio à aldeia de Ofra e sentou-se debaixo do terebinto de Joás, da família de Abiézer . Gedeão , seu filho, estava a limpar o trigo às escondidas, num lagar, para que os madianitas não o vissem.

12

O anjo do SENHOR pôs-se diante dele e disse: «O SENHOR está contigo, valente soldado!»

13 Gedeão respondeu: «Desculpe, senhor, se Deus está connosco, por que nos acontece tudo isto? Onde estão as coisas maravilhosas que os nossos pais nos contaram, que o SENHOR costumava fazer: a maneira como os tirou do Egito? O SENHOR abandonou-nos e entregou-nos aos madianitas.»

14 Então o SENHOR disse: «Aproveita essa tua bravura e vai contra os madianitas, em socorro de Israel. Sou eu quem to ordena.»

15

Gedeão respondeu: «Mas como posso eu salvar Israel? A minha família é a mais pobre da tribo de Manassés e eu sou o filho mais novo.»

16 O SENHOR replicou: «Podes fazê-lo porque eu vou ajudar-te e destruirei os madianitas como se fossem um só homem.»

17 Gedeão replicou: «Se de facto me quer ajudar, dê-me uma prova de que é realmente o SENHOR.

18 Por favor, não se vá embora sem eu lhe trazer alguma comida.» E o SENHOR prometeu: «Fico à tua espera.»

19 Então Gedeão foi a casa e preparou um cabrito e vários quilos de pão sem fermento. Colocou a carne num cesto e o molho numa panela e levou tudo ao anjo do SENHOR, que o aguardava, debaixo do terebinto.

20

O anjo disse-lhe: «Põe a carne e o pão sobre esta pedra, juntamente com o molho.» E Gedeão assim fez.

21 Então o anjo estendendo a ponta da vara que segurava na mão, tocou na carne e no pão. Da pedra saiu um fogo, que consumiu a carne e o pão. E depois o anjo desapareceu.

22

Ao compreender que tinha visto o anjo do SENHOR, Gedeão exclamou aterrorizado: «Meu SENHOR! Eu vi o anjo do SENHOR face a face!»

23 Mas o SENHOR disse-lhe: «Calma! Não tenhas medo que não vais morrer!»

24

Gedeão ergueu ali um altar ao SENHOR e deu-lhe o nome de «O SENHOR é Paz». Este altar ainda existe em Ofra, e pertence à família de Abiézer.

25

Naquela noite, o SENHOR deu instruções a Gedeão: «Toma o segundo touro do teu pai; aquele que tem sete anos; derruba o altar de Baal que pertence ao teu pai; faz o mesmo com o símbolo da deusa Achera, que está ao pé.

26 Edifica no mesmo local um altar ao SENHOR, teu Deus, e prepara-o. Em seguida, oferece o touro em holocausto, utilizando como lenha o símbolo de Achera, que cortarás em pedaços.»

27

Então Gedeão levou consigo dez criados e fez como o SENHOR lhe dissera. Fez, porém, aquilo de noite, porque temia a reação da família e das pessoas da aldeia.

28 Quando os habitantes da aldeia se levantaram, de manhã cedo, encontraram o altar de Baal e o símbolo de Achera deitados abaixo. Verificaram também que o touro tinha sido oferecido em holocausto no novo altar.

29 E perguntavam uns aos outros: «Quem terá feito isto?» Depois de investigarem, descobriram que fora Gedeão, filho de Joás.

30 Então disseram a Joás: «Traz cá fora o teu filho, para o matarmos! Ele deitou abaixo o altar de Baal e o símbolo de Achera que estava junto dele.»

31 Mas Joás respondeu aos que o rodeavam: «Querem defender Baal e livrá-lo de perigo? Pois então, quem estiver do lado dele seja morto de manhã. Se Baal é deus, que se defenda a si próprio. Foi o altar dele que foi destruído.»

32

Desde esse dia, Gedeão passou a ser chamado Jerubaal , por Joás ter dito: «Que Baal se defenda a si próprio, pois foi o seu altar que foi destruído.»

33

Então os madianitas, os amalecitas e as tribos nómadas reuniram-se, atravessaram o rio Jordão e acamparam no vale de Jezrael.

34 O Espírito do SENHOR apoderou-se de Gedeão, que, tocando a trombeta, incitou os membros da família de Abiézer a segui-lo.

35 Enviou também mensageiros a todo o território da tribo de Manassés, convidando o povo a segui-lo. Enviou mensageiros às tribos de Asser, Zabulão e Neftali, com o mesmo convite.

36 Depois Gedeão falou com Deus: «Dizes que decidiste servir-te de mim para salvar Israel.

37 Pois bem, vou pôr um velo de lã sobre a eira; se o orvalho cair só no velo, ficando a terra seca, terei a certeza de que me escolheste para salvar Israel.»

38 E assim aconteceu. Quando Gedeão se levantou, no dia seguinte cedo, espremeu a lã, enchendo um copo com água do orvalho.

39 Então Gedeão falou novamente com Deus: «Não te zangues comigo; deixa-me falar só mais uma vez. Peço só mais um sinal ainda com a lã. Agora a lã deve ficar seca e o chão molhado.»

40 E Deus assim fez naquela noite. Na manhã seguinte, a lã encontrava-se seca, mas o chão estava coberto de orvalho.

7

1

Certo dia Gedeão e os seus homens levantaram-se cedo e armaram as tendas junto à nascente de Harod . O acampamento dos madianitas ficava a norte, no vale junto da colina de Moré .

2 O SENHOR disse-lhe: «Os homens que tens são demasiados para eu lhes dar a vitória sobre os madianitas. Ficariam a pensar que deviam a vitória a si próprios e não a mim.

3 Diz, portanto, ao povo: “Quem tiver medo, pode voltar para casa. Os outros ficarão aqui, no monte Guilead.”» Assim vinte e dois mil voltaram, ficando só dez mil.

4

Então o SENHOR disse a Gedeão: «Ainda tens homens a mais. Leva-os a beber água que eu vou separar os que ficarão contigo. Se eu te disser que tal homem irá contigo, ele irá. Se te mostrar que não deve ir contigo, não irá.»

5

Gedeão desceu então com os homens à água e o SENHOR disse-lhe: «Todos aqueles que beberem água com as mãos, lambendo-a como os cães, separa-os dos que se ajoelharem para beber.»

6 Houve trezentos homens que beberam água das mãos e a lamberam; os restantes ajoelharam-se para beber.

7 O SENHOR disse a Gedeão: «Virei em tua ajuda e, com os trezentos homens que lamberam a água vou dar-te a vitória sobre os madianitas. Diz aos restantes que voltem para casa.»

8

Assim Gedeão mandou os israelitas embora e ficou só com os trezentos; e esses ficaram com as provisões e as trombetas. O acampamento madianita ficava no vale, mesmo abaixo.

9 Naquela noite, o SENHOR ordenou a Gedeão: «Levanta-te e ataca o acampamento; dar-te-ei a vitória.

10 Mas se tiveres medo, desce ao acampamento com Purá, teu servo.

11 Poderás escutar o que eles dizem e ganharás coragem para atacar.»

Gedeão e Purá, seu servo, desceram até ao extremo do acampamento.

12 Os madianitas, os amalecitas e as tribos nómadas estavam espalhados pelo vale, como uma praga de gafanhotos, e os seus camelos eram tão numerosos como a areia do mar.

13 Quando Gedeão se aproximou, ouviu um homem contar a um companheiro o sonho que tivera. Dizia: «Sonhei que vi um pão de cevada rolando sobre o nosso acampamento e vir bater na tenda , lançando-a por terra.»

14 O companheiro exclamou: «Isso não é outra coisa senão a espada de Gedeão, o israelita, filho de Joás! Deus deu-lhe a vitória sobre Madiã, sobre o nosso exército!»

15

Quando Gedeão ouviu aquele sonho e a sua interpretação, ajoelhou-se e orou a Deus. Voltou então para o acampamento israelita e disse: «Levantem-se! O SENHOR vai dar-nos a vitória sobre o exército madianita!»

16 Dividiu os seus trezentos homens em três grupos e entregou a cada homem uma trombeta e uma ânfora e, dentro desta, uma tocha acesa.

17 E disse-lhes: «Quando eu chegar ao outro lado do acampamento, façam o que eu fizer.

18 Quando eu e o meu grupo tocarmos as trombetas, toquem também as vossas ao redor do acampamento, gritando: “Pelo SENHOR e por Gedeão!”»

19

Gedeão e os seus cem homens chegaram à entrada do acampamento por volta da meia-noite, pouco depois da mudança das sentinelas. Subitamente, tocaram as trombetas e quebraram as ânforas que tinham na mão,

20 e os outros dois grupos fizeram o mesmo. Todos tinham tochas na mão esquerda e trombetas na direita e gritavam: «À espada, pelo SENHOR e por Gedeão.»

21 Cada um se mantinha no seu posto, ao redor do acampamento, e todo o exército inimigo se pôs em fuga, aos gritos.

22

Enquanto os homens de Gedeão tocavam a trombeta, o SENHOR fez com que as hostes inimigas se atacassem mutuamente à espada. Os que escapavam corriam em direção a Bet-Chitá, para os lados de Serera, e até à entrada de Abel-Meolá, junto de Tabat.

23 Então os homens de Neftali, Asser e Manassés foram no encalce dos madianitas.

24 E Gedeão enviou mensageiros por toda a região montanhosa de Efraim dizendo: «Desçam e deem cabo dos madianitas. Não os deixem atravessar o rio Jordão, nem os vaus de Bet-Bará.» Os homens de Efraim foram convocados para o efeito e ocuparam as passagens do Jordão e Bet-Bará.

25 E capturaram dois chefes madianitas, Oreb e Zeeb; mataram Oreb junto ao rochedo de Oreb e Zeeb, no lagar de Zeeb. Depois de terem perseguido os madianitas, levaram as cabeças de Oreb e Zeeb a Gedeão, que estava já na margem oriental do Jordão.

8

1

Os homens de Efraim disseram a Gedeão: «Por que agiste assim connosco, e não nos chamaste a combater ao teu lado, contra os madianitas?» E houve entre eles acesa discussão.

2 Porém ele disse-lhes: «As obras que eu fiz não se comparam com as vossas. Pois o que fizeram, ó gente de Efraim, vale mais do que os feitos dos meus homens.

3 Deus deu-vos poder para matar os príncipes madianitas, Oreb e Zeeb. Que fiz eu de mais em comparação convosco?» Depois destas palavras, ficaram mais calmos.

4

Gedeão e os seus trezentos homens, já exaustos, continuaram a perseguir o inimigo, na margem oriental do rio Jordão.

5 Quando chegaram a Sucot, disse ele aos seus moradores: «Os meus homens estão cansados. Deem-lhes pão, por favor, para que possam continuar a perseguir os reis madianitas Zeba e Salmuna.»

6 Porém os chefes de Sucot replicaram: «Por que devemos dar comida às suas tropas? Vocês ainda não apanharam Zeba e Salmuna!»

7 Então Gedeão disse: «Pois bem! Quando o SENHOR me der Zeba e Salmuna, eu voltarei e rasgarei a vossa carne com espinhos e abrolhos do deserto!»

8

E Gedeão partiu em direção a Penuel e fez ali o mesmo pedido, obtendo idêntica resposta à dos de Sucot.

9 A eles prometeu: «Voltarei em breve e deitarei abaixo a vossa torre!»

10

Zeba e Salmuna encontravam-se em Carcor, com os seus homens. Das tropas dos nómadas apenas restavam quinze mil homens; cento e vinte mil soldados tinham sido mortos.

11 Gedeão prosseguiu pela estrada marginal do deserto, a oriente de Noba e Jogboa , e atacou o inimigo de surpresa.

12 Os reis madianitas Zeba e Salmuna fugiram, mas perseguidos, foram capturados, deixando as suas tropas em pânico.

13

Quando Gedeão regressou da batalha, pelo caminho da subida de Heres,

14 capturou um jovem de Sucot, submetendo-o a interrogatório. O jovem revelou por escrito a Gedeão os nomes de setenta e sete homens de importância e influência em Sucot.

15

Então Gedeão dirigiu-se a Sucot e disse: «Lembram-se de me terem recusado ajuda? Responderam então que não podiam dispensar comida aos meus homens exaustos porque eu ainda não tinha capturado Zeba e Salmuna. Pois bem, eles aqui estão!»

16 Agarrou então em espinhos e abrolhos do deserto, e com eles deu uma lição aos chefes de Sucot.

17 Derribou também a torre de Penuel e matou os homens da localidade.

18

Então Gedeão perguntou a Zeba e Salmuna: «Como eram os homens que vocês mataram em Tabor?» Eles responderam: «Eram parecidos contigo. Pareciam príncipes.»

19 Gedeão disse: «Eles eram meus irmãos, filhos da minha mãe. Juro-vos solenemente que se não os tivessem matado, eu não vos mataria.»

20 Disse então a Jéter, seu filho mais velho: «Vai e mata-os !» Mas o rapaz hesitou, por ser muito novo.

21 Então Zeba e Salmuna disseram a Gedeão: «Mata-nos tu. O trabalho de homem deve ser feito por homem.» Assim Gedeão matou-os e tirou os ornamentos do pescoço dos seus camelos.

22

Em seguida, os israelitas disseram a Gedeão: «Sê o nosso chefe, tu e os teus filhos e descendentes, porque nos libertaste dos madianitas.»

23 Gedeão respondeu: «Nem eu nem o meu filho seremos vossos chefes. O SENHOR será o vosso chefe.»

24 E acrescentou: «Deixem-me pedir-vos uma coisa: dê-me cada um, um brinco do espólio que recolheu.» Referia-se aos brincos de ouro que os nómadas usavam.

25 O povo respondeu: «Com muito gosto tos daremos.» Estenderam no chão uma capa e cada um colocou ali um brinco dos despojos que tinham recolhido.

26 Todos juntos, os brincos que Gedeão recebeu, pesavam quase vinte quilos, sem contar com os adereços, os pendentes e vestes de púrpura, que os reis de Madiã usavam, nem as correntes de adorno que os camelos tinham ao pescoço.

27 Gedeão fez uma estátua com esse ouro e colocou-a na sua terra natal, Ofra. Os israelitas voltaram as costas a Deus e passaram a adorar esse ídolo, o que veio a ser a ruína de Gedeão e de sua família.

28

Assim os madianitas foram derrotados pelos israelitas e nunca mais voltaram a levantar a cabeça. E o país viveu em paz durante quarenta anos, até à morte de Gedeão.

29

Gedeão voltou então para sua casa e lá continuou a viver.

30 Gedeão teve setenta filhos, porque tinha muitas mulheres.

31 Tinha ainda uma esposa secundária em Siquém, que lhe deu um filho, chamado Abimelec.

32 Gedeão, filho de Joás, morreu de idade avançada, ficando sepultado no túmulo de Joás, seu pai, em Ofra, terra da família de Abiézer.

33 Após a morte de Gedeão, o povo de Israel caiu novamente na idolatria e prestou culto a Baal. Fizeram de Baal-Berit o seu deus,

34 e deixaram de servir ao SENHOR, seu Deus, que os libertara dos inimigos que os rodeavam.

35 Nem sequer se mostraram reconhecidos à família de Gedeão por todo o bem que fizera a Israel.

9

1

Abimelec, filho de Gedeão, foi para Siquém, onde vivia a família de sua mãe e pediu-lhes

2 que fossem perguntar aos homens de Siquém: «Que é que preferem? Ser governados pelos setenta filhos de Gedeão ou por um só homem? Não se esqueçam que Abimelec é seu filho, por parte da mulher que vive em Siquém.»

3

Os parentes da mãe falaram nisso aos homens de Siquém, os quais decidiram escolher Abimelec, por este ser seu conterrâneo.

4

Deram-lhe setenta siclos de prata do templo de Baal-Berit e com este dinheiro ele assalariou duzentos vagabundos para o seguirem.

5 Dirigiu-se à casa de seu pai em Ofra e ali, sobre uma mesma pedra, degolou os seus setenta irmãos, filhos de Gedeão. Escapou apenas Jotam, o filho mais novo, que se escondera.

6 Então os homens de Siquém e Bet-Milo reuniram-se e dirigiram-se para junto do terebinto sagrado em Siquém, proclamando rei a Abimelec.

7

Quando Jotam soube, subiu ao monte Garizim e gritou-lhes: «Habitantes de Siquém, ouçam-me, para que Deus vos ouça também.

8 Certa vez as árvores reuniram-se para escolher um rei. Disseram para a oliveira: “Reina sobre nós.”

9 A oliveira respondeu: “Para reinar sobre vós teria de deixar de produzir azeite, o qual é usado para honrar deuses e homens.”

10

Então as árvores disseram à figueira: “Sê tu o nosso rei!”

11 Mas a figueira replicou: “Para reinar sobre vós não poderia produzir mais o meu doce fruto.”

12

Em seguida as árvores disseram à videira: “Tu é que vais ser o nosso rei.”

13 Mas a videira respondeu: “Para reinar sobre vós não mais poderia dar o meu vinho, que faz os deuses e os homens felizes.”

14

Então as árvores disseram ao espinheiro: “Tu vais ser o nosso rei.”

15 O espinheiro respondeu: “Se querem mesmo que eu seja vosso rei, venham todos para debaixo da minha sombra. Se não quiserem, sairá fogo dos meus ramos espinhosos e consumirá até os cedros do Líbano.”»

16

E Jotam continuou: «Vejamos! Será que procederam realmente com sinceridade, quando escolheram Abimelec como rei? Respeitaram a memória de Gedeão, tratando a sua família como lhe era devido, como ele merecia?

17 Lembrem-se que o meu pai combateu por vós. Arriscou a vida para vos salvar dos madianitas.

18 Mas agora voltaram-se contra a minha família. Mataram os seus filhos, setenta homens sobre uma só pedra. E só porque Abimelec, seu filho por parte da escrava, é vosso parente, fizeram-no chefe de Siquém.

19 Porém se o que hoje fizeram a Gedeão e à sua família foi sincero e honesto, que Abimelec seja feliz e vos faça felizes!

20 Se não, que saia fogo de Abimelec e vos consuma, homens de Siquém e de Bet-Milo. E que o fogo da gente de Siquém e de Bet-Milo consuma Abimelec.»

21

Em seguida, temendo o seu irmão Abimelec, Jotam fugiu e passou a viver em Ber .

22

Abimelec dominou em Israel, durante três anos.

23 Então Deus permitiu que houvesse hostilidade entre Abimelec e os homens de Siquém, que se revoltaram contra ele.

24 Isto aconteceu para que Abimelec e os habitantes de Siquém, que o tinham acompanhado no assassinato dos setenta filhos de Gedeão, fossem castigados pelo seu crime.

25 Os de Siquém puseram homens emboscados nas passagens estreitas dos montes e assaltaram quem passava. E Abimelec foi informado disso.

26

Então Gaal, filho de Ébed, veio a Siquém com os seus irmãos, e os homens de Siquém aliaram-se a ele.

27 Foram todos para as vinhas, apanharam uvas, fizeram vinho e organizaram uma festa. Dirigiram-se em seguida ao templo do seu deus e ali comeram e beberam e escarneceram de Abimelec.

28 Gaal disse: «Que espécie de homens somos nós em Siquém? Por que servimos Abimelec? Quem é ele, afinal de contas? O filho de Gedeão! E Zebul recebe ordens dele; mas por que razão o deve servir? Sejam antes leais ao vosso pai Hamor, de quem descende a vossa família!

29 Quem me dera dirigir o vosso povo! Desembaraçar-me-ia de Abimelec! Dir-lhe-ia: “Reforça as tuas tropas e vem combater comigo!”»

30

Zebul, governador da cidade, ficou furioso, quando soube do que Gaal dissera.

31 Enviou mensageiros a Abimelec, que estava em Arumá, para o avisarem: «Gaal, filho de Ébed, e os seus irmãos vieram a Siquém e vão impedir que entres na cidade.

32 Por isso, tu e os teus homens, saiam de noite e escondam-se nos campos.

33 Levanta-te amanhã de manhã, ao romper do sol e ataca a cidade de surpresa. E quando Gaal e os seus homens te vierem dar luta, não tenhas pena deles.»

34 Assim Abimelec e os seus homens foram esconder-se de noite, fora de Siquém, em quatro grupos.

35

Quando Abimelec e os seus depararam com Gaal a sair ao seu encontro e a parar à porta da cidade, deixaram os esconderijos.

36 Gaal viu-os e disse a Zebul: «Atenção! Há homens a descer dos montes!» Zebul respondeu: «Não são homens; trata-se apenas de sombras.»

37 Gaal avisou segunda vez: «Atenção! Há homens a descer dos montes e um grupo vem pelo caminho do carvalho dos Adivinhos!»

38 Então Zebul respondeu: «Que estás para aí a dizer? Foste tu que nos perguntaste por que havíamos de servir Abimelec. Esses são os homens que trataste com desdém. Sai e dá-lhes luta.»

39

Gaal levou os homens de Siquém a combater contra Abimelec.

40 Gaal fugiu, e Abimelec perseguiu-o. Muitos ficaram feridos, mesmo à porta da cidade.

41 Abimelec morava em Arumá, e Zebul expulsou Gaal e os seus irmãos de Siquém, de maneira que já lá não puderam morar.

42

No dia seguinte, Abimelec descobriu que os habitantes de Siquém tencionavam sair para os campos.

43 E assim dividiu os seus homens em três grupos e escondeu-se nos campos, à espera. Quando viu o povo a sair da cidade, saiu do esconderijo, para o matar.

44 Enquanto Abimelec e o seu grupo avançavam, para se pôr em guarda à porta da cidade, os outros dois grupos atacaram o povo nos campos e mataram-nos a todos.

45 O combate durou todo o dia. Abimelec capturou a cidade e destruiu-a; matou os seus habitantes e cobriu o chão de sal .

46

Quando os homens influentes da torre de Siquém ouviram o que se passara, procuraram refugiar-se na fortaleza do templo de Baal-Berit.

47 Abimelec soube que eles estavam lá escondidos

48 e subiu ao monte Salmon com os seus. Ali pegou num machado, cortou o ramo de uma árvore e pô-lo aos ombros. Disse então aos seus homens para fazerem o mesmo.

49 Cada um se apressou a cortar ramos de árvores; com Abimelec puseram a lenha ao redor da fortaleza. Deitaram-lhe fogo, e as pessoas que estavam lá dentro morreram todas. Eram cerca de mil homens e mulheres.

50 Depois disto, Abimelec foi para Tebes , sitiou a aldeia e conquistou-a.

51 Havia ali uma torre forte, onde os homens e as mulheres juntamente com os chefes se fecharam por dentro e subiram ao telhado.

52 Quando Abimelec se dispôs a atacar a torre, dirigiu-se para a porta para a incendiar.

53 Mas uma mulher deixou cair uma pedra de mó em cima dele, fraturando-lhe o crânio.

54 Abimelec então pediu ao seu escudeiro: «Puxa da espada e mata-me! Não quero que se diga que uma mulher me matou.» O escudeiro obedeceu e matou-o.

55

Quando os israelitas viram que Abimelec estava morto, regressaram às suas casas.

56 Assim Deus castigou Abimelec pelo crime que cometera contra seu pai, ao matar os seus setenta irmãos.

57 Deus fez também com que os habitantes de Siquém sofressem pela sua maldade, tal como Jotam, filho de Gedeão, predissera, quando os amaldiçoou .

10

1

Após a morte de Abimelec, Tola, filho de Puá e neto de Dodo, tornou-se o chefe de Israel. Pertencia à tribo de Issacar, morava em Chamir, nos montes de Efraim.

2 Foi juiz dos israelitas, durante vinte e três anos e quando morreu foi sepultado em Chamir.

3

Depois de Tola veio Jair de Guilead. Foi juiz de Israel durante vinte e dois anos.

4 Tinha trinta filhos, que montavam trinta jumentos e possuíam vilas na região de Guilead. Ainda agora se chamam as vilas de Jair.

5 Quando morreu, Jair foi sepultado em Camon.

6

Mais uma vez os israelitas desagradaram ao SENHOR, prestando culto aos deuses Baal e Astarté e também aos deuses da Síria, Sídon, Moab, Amon e dos filisteus. Deixaram de servir ao SENHOR e de lhe prestar culto.

7 Por isso, o SENHOR ficou irado com os israelitas e permitiu que os filisteus e os amonitas os dominassem.

8 Durante dezoito anos oprimiram e perseguiram as tribos israelitas que moravam no território amorreu, na margem oriental do Jordão, em Guilead.

9 Os amonitas chegaram mesmo a atravessar o Jordão e a fazer guerra às tribos de Judá, Benjamim e Efraim. Israel estava em grandes apuros.

10 Então os israelitas clamaram ao SENHOR e disseram: «Pecámos contra ti, porque te deixámos, ó nosso Deus, e adorámos os ídolos de Baal.»

11 O SENHOR respondeu-lhes: «Os egípcios, os amorreus, os amonitas, os filisteus,

12 os sidónios, os amalecitas e Maon, oprimiram-vos no passado, e vocês pediram-me ajuda. Não vos libertei eu de todos eles?

13 Mas logo se separaram de mim para adorar outros deuses. Por isso, não vos libertarei novamente.

14 Vão pedir ajuda aos deuses que escolheram. Eles que vos libertem, quando estiverem em dificuldade.»

15 Mas o povo de Israel implorou: «Pecámos. Faz o que quiseres, mas por favor, liberta-nos hoje.»

16

Então puseram de parte os deuses estrangeiros e adoraram ao SENHOR; e ele compadeceu-se da aflição dos israelitas.

17 O exército amonita preparou-se para combater e acampou em Guilead. Os homens de Israel, por sua vez, reuniram-se e acamparam em Mispá .

18 E o povo mais os chefes das tribos israelitas, perguntavam uns aos outros: «Quem dentre nós irá à frente, no combate contra os amonitas? Quem o fizer será chefe de todos os que vivemos em Guilead.»

11

1

Jefté , valente soldado de Guilead, era filho de uma meretriz.

2 O seu pai Guilead tivera outros filhos da sua esposa, os quais, quando cresceram, obrigaram Jefté a sair de casa. Disseram-lhe: «Não herdarás nada do nosso pai, porque és filho de outra mulher.»

3

Jefté fugiu dos irmãos e passou a morar no território de Tob. Ali reuniu um grupo de vagabundos, que o seguiam.

4

Algum tempo depois, os amonitas entravam em guerra com Israel.

5 Foi então que os anciãos de Guilead procuraram Jefté, na terra de Tob, para o trazer de volta.

6 Disseram: «Vem e sê o nosso chefe, para podermos combater contra os amonitas.»

7 Mas Jefté respondeu: «O vosso ódio obrigou-me a sair de casa de meu pai. Por que me pedem agora para acorrer em vosso auxílio?»

8 E eles replicaram: «Vimos a ti, porque precisamos que nos ajudes a combater os amonitas e para que sejas o chefe dos que vivem em Guilead.»

9 Jefté concordou e propôs: «Se eu voltar à casa paterna para combater os amonitas e o SENHOR nos der a vitória, serei o vosso chefe.»

10 Eles concluíram: «Faremos como dizes! O SENHOR seja nossa testemunha.»

11 Jefté foi à frente dos dignitários de Guilead e o povo fê-lo seu chefe. Jefté repetiu o que antes dissera, desta vez em Mispá, tomando o SENHOR como testemunha.

12

Então Jefté enviou mensageiros ao rei de Amon dizendo: «Que queres de nós? Por que invadiste o nosso país?»

13 O rei de Amon respondeu, pelos mensageiros de Jefté: «Quando os israelitas saíram do Egito, apoderaram-se das minhas terras, desde o rio Arnon até ao rio Jaboc e ao rio Jordão. Agora chegou o momento de tudo ser restituído pacificamente.»

14

Jefté enviou de novo os seus mensageiros ao rei de Amon

15 com a resposta: «Não é verdade que Israel se apoderou da terra de Moab ou da terra de Amon.

16 O que aconteceu foi que, quando os israelitas saíram do Egito, atravessaram o deserto até ao Mar Vermelho e chegaram a Cadés.

17 Então enviaram mensageiros ao rei de Edom, pedindo autorização para passarem pelo território. Mas o rei de Edom não consentiu. Em seguida, pediram ao rei de Moab, mas este também não consentiu que atravessassem o seu território. Por isso, os israelitas permaneceram em Cadés,

18 até que atravessaram o deserto, contornando o território de Edom e de Moab e atingiram o lado oriental de Moab, do outro lado do rio Arnon. Ali acamparam, mas não atravessaram o Arnon, porque era a fronteira de Moab.

19

Então os israelitas enviaram mensageiros a Seon, rei amorreu de Hesbon, e pediram-lhe autorização para atravessar o seu país.

20 Mas Seon não o permitiu. Pelo contrário, reuniu o seu exército, acampou em Jaás e atacou Israel.

21 Mas o SENHOR, o Deus de Israel, deu a vitória aos israelitas sobre Seon e o seu exército. Por isso, os israelitas se apoderaram de todo o território dos amorreus, que habitavam esse país.

22 Ocuparam todo o território amorreu desde o Arnon, no sul, até ao Jaboc, no norte, e desde o deserto oriental até ao Jordão .

23 Se, portanto, foi o SENHOR, o Deus de Israel, que expulsou os amorreus, em favor do seu povo, os israelitas, queres agora mandar-nos embora?

24 Podem ficar com o que o vosso deus Camós vos deu. E nós ficaremos com tudo o que o SENHOR, nosso Deus, nos entregou.

25 Acaso, pensas tu que és melhor do que Balac, filho de Sipor , rei de Moab? Ele nunca desafiou a Israel, pois não? Alguma vez saiu a combater-nos?

26 Durante trezentos anos Israel ocupou Hesbon e Aroer, as cidades circunvizinhas e as cidades de ambas as margens do Arnon. Por que não as recuperaste entretanto?

27 Não! Não vos fiz nada de mal. Tu é que me fazes o mal, combatendo contra mim. O SENHOR é juiz. Ele decidirá hoje entre os israelitas e os amonitas.»

28

Mas o rei de Amon não quis saber da mensagem que Jefté lhe enviou.

29 Então o Espírito do SENHOR apoderou-se de Jefté e este atravessou Guilead e Manassés, regressando a Mispá de Guilead, donde prosseguiu até Amon.

30

Jefté prometeu ao SENHOR: «Se me deres a vitória sobre os amonitas,

31 oferecerei em holocausto a primeira pessoa que sair de minha casa, ao meu encontro, quando voltar da guerra. Oferecerei essa pessoa em sacrifício.»

32

Em seguida, Jefté atravessou o rio para combater contra os amonitas e o SENHOR concedeu-lhe a vitória.

33 Derrotou-os e conquistou-lhes ao todo vinte cidades, desde Aroer até à região de Minit e até Abel-Queramim. Foi uma derrota terrível.

34

Quando Jefté regressou a Mispá, a filha veio ao seu encontro, dançando e tocando o tamborim. Era a sua filha única. Não tinha mais filhos nem filhas.

35 Quando ele a avistou, rasgou as suas roupas, em sinal de tristeza, dizendo: «Ó minha filha! Quebraste o meu coração! Por que devias ser tu a dar-me tamanha dor? Fiz uma promessa solene ao SENHOR e não posso voltar atrás .»

36 Ela respondeu: «Se fizeste uma promessa ao SENHOR em relação a mim, cumpre-a, pois o SENHOR permitiu que tu te vingasses dos teus inimigos, os amonitas.»

37 E acrescentou: «Apenas te peço um favor. Deixa-me durante dois meses, ir para os montes com as minhas amigas chorar, por ter de morrer virgem.»

38 O pai então consentiu que ela se ausentasse por dois meses, juntamente com as amigas. Nos montes lamentaram a sua má sorte, de morrer solteira e sem filhos.

39 Dois meses decorridos, voltou para junto de seu pai. Ele fez como tinha prometido ao SENHOR e ela morreu sem se ter casado. Assim teve origem o costume, que existe em Israel,

40 de as jovens saírem quatro dias por ano, para chorarem a má sorte da filha de Jefté, de Guilead.

12

1

Os homens da tribo de Efraim prepararam-se para a batalha; atravessaram o rio Jordão, chegaram a Safon e disseram a Jefté: «Por que atravessaste a fronteira dos amonitas sem nos convidar a ir contigo? Por causa disso vamos queimar a tua casa!»

2 Mas Jefté respondeu: «O meu povo e eu próprio tivemos acesa discussão com os amonitas. Eu chamei-vos, mas não me quiseram acudir.

3 Quando vi que não vinham, arrisquei a minha vida e atravessei a fronteira para os combater, e o SENHOR concedeu-me a vitória sobre eles. Então por que vêm agora contra mim?»

4

Pelo que Jefté reuniu os homens de Guilead e atacou os de Efraim, por eles terem dito que os das tribos de Efraim e Manassés, que viviam em Guilead, eram desertores de Efraim. E Jefté derrotou-os.

5

A fim de impedir que os de Efraim escapassem, os guileaditas bloquearam as passagens do Jordão. Quando algum dos de Efraim procurava fugir e pedia autorização para passar, os homens de Guilead perguntavam: «És dos de Efraim?» Se ele respondesse «Não»,

6 obrigavam-no a dizer Chibolet . Mas se ele dizia Sibolet, porque não era capaz de pronunciar corretamente a palavra, então prendiam-no e matavam-no ali mesmo. Assim morreram quarenta e dois mil dos de Efraim.

7

Jefté chefiou Israel durante seis anos. Quando morreu, sepultaram-no na sua terra natal, em Guilead.

8

A seguir a Jefté, Israel foi chefiado por Ibsan, de Belém.

9 Teve trinta filhos e trinta filhas. Deu as filhas em casamento fora da família e trouxe trinta jovens de fora para se casarem com os filhos. Ibsan chefiou Israel durante sete anos;

10 e quando morreu foi sepultado em Belém.

11 Depois dele, Elon, da tribo de Zabulão, foi chefe de Israel, durante dez anos.

12 Quando Elon morreu, foi sepultado em Aialon, no território de Zabulão.

13 Depois de Elon, Abdon, filho de Hilel, de Piraton , chefiou Israel.

14 Teve quarenta filhos e trinta netos, que montavam em setenta jumentos . Abdon chefiou Israel durante oito anos

15 e, quando morreu, foi sepultado em Piraton, no território de Efraim, no monte dos amalecitas.

13

1

Os israelitas voltaram a desagradar ao SENHOR, e foram submetidos ao domínio dos filisteus durante quarenta anos.

2 Vivia em Sora um homem da tribo de Dan, chamado Manoé. A sua mulher nunca pôde dar-lhe filhos.

3 O anjo do SENHOR apareceu-lhe e disse: «Nunca pudeste ter filhos, mas em breve ficarás grávida e terás um filho.

4 Toma porém cautela e não bebas vinho ou cerveja , nem comas alimentos impuros;

5 quando o teu filho nascer, nunca lhe cortarás o cabelo, porque, desde o primeiro dia, será dedicado a Deus como nazireu . Será ele que começará a libertar Israel dos filisteus.»

6

Depois disto, a mulher contou ao marido o que se passara: «Um homem de Deus falou comigo, e a sua aparência era semelhante a um anjo de Deus. Fazia imensa impressão! Não lhe perguntei donde vinha e ele não me disse como se chamava.

7 Mas assegurou-me que vou engravidar e ter um filho. Avisou-me que não bebesse nem vinho nem cerveja, nem comesse alimentos proibidos, porque, desde o nascimento, a criança será dedicada a Deus como nazireu, durante toda a sua vida.»

8

Então Manoé orou ao SENHOR: «Peço-te, ó Deus, que esse teu enviado volte e nos diga o que devemos fazer quando a criança nascer.»

9 Deus atendeu ao pedido de Manoé e o anjo voltou a falar com a mulher, enquanto ela estava sentada no campo. O marido porém, não estava presente.

10 Ela correu imediatamente a chamá-lo: «Olha, o homem que me apareceu no outro dia, voltou.»

11

Manoé levantou-se e seguiu a mulher. Dirigiu-se ao visitante e perguntou: «O senhor é a mesma pessoa que esteve a falar, no outro dia, com a minha mulher?» Ele respondeu: «Sou, sim!»

12 Então Manoé fez nova pergunta: «Quando o que disse se cumprir, que deve a criança fazer? Que vida deve levar?»

13 O anjo respondeu: «A tua mulher deve fazer tudo o que eu lhe disse.

14 Não deve comer nada que provenha da vinha; não deve beber vinho nem cerveja, nem comer nenhum alimento proibido. Deve fazer tudo como lhe disse.»

15

Manoé não se deu conta que falava com o anjo do SENHOR e pediu-lhe: «Por favor, não se vá embora. Deixe-nos preparar um cabrito.»

16 Mas o anjo do SENHOR respondeu: «Se eu ficar, não comerei da vossa comida. Mas se a quiseres preparar, oferece-a como holocausto ao SENHOR.»

17 Manoé pediu ainda: «Diga-me o seu nome, para que possamos lembrar-nos de si, quando as suas palavras se cumprirem.»

18 O anjo replicou: «Porque me perguntas pelo meu nome? É um nome misterioso.»

19

Assim Manoé pegou num cabrito e na oferta de cereais e, sobre uma rocha, apresentou-os ao SENHOR, que faz maravilhas.

20 Enquanto as chamas subiam do altar, Manoé e a mulher viram o anjo do SENHOR subir ao céu, junto com as chamas. Ao verem isto, Manoé e a sua mulher prostraram-se por terra.

21 O anjo do SENHOR não voltou mais a aparecer. E só depois de tudo passado é que Manoé tomou consciência de que tinha sido o anjo do SENHOR.

22 Manoé disse então à mulher: «Vamos morrer, de certeza, porque vimos a Deus!»

23 Mas ela contestou: «Se o SENHOR nos quisesse matar, não teria aceite as nossas ofertas; não nos teria mostrado tudo isto, nem falado como falou.»

24

A mulher deu à luz um rapaz, a quem pôs o nome de Sansão . O menino cresceu e o SENHOR ia-o abençoando.

25 E o poder do SENHOR começou a manifestar-se nele em Campo de Dan, entre Sora e Estaol.

14

1

Um dia Sansão desceu a Timna , onde reparou numa certa jovem filisteia.

2 Quando voltou a casa declarou a seus pais: «Há uma jovem filisteia, em Timna, que me agradou. Peço-vos que lhe falem e a vão buscar para ser minha mulher.»

3 Porém o pai e a mãe objetaram: «Porque tens tu de ir aos filisteus pagãos procurar uma mulher? Não és capaz de encontrar uma jovem na nossa família, entre o nosso povo?» Mas Sansão foi categórico com o pai: «É dela que eu gosto e é a ela que deves ir buscar para mim.»

4

Os pais de Sansão não sabiam que era o SENHOR que encaminhava Sansão nesta direção, porque procurava pretexto para combater os filisteus que oprimiam os israelitas.

5

Assim Sansão desceu mais uma vez a Timna, desta vez acompanhado do pai e da mãe. Ao atravessarem as vinhas, ele ouviu o rugido de um leão que se aproximava.

6 Naquele momento, o SENHOR apoderou-se de Sansão e ele despedaçou o leão com as mãos, como se fosse um cabrito. Mas não contou aos pais o que tinha acontecido.

7 Foi falar à jovem que ele amava.

8 Alguns dias depois, Sansão voltou, desta vez já para casar com ela. A caminho, deixou a estrada, para ver o leão que matara, e ficou admirado ao encontrar um enxame de abelhas e mel dentro da carcaça do leão.

9 Apanhou um pouco de mel e comeu-o pelo caminho, oferecendo dele também ao pai e à mãe. Porém não lhes disse que o mel vinha do corpo morto do leão.

10

Seu pai chegou a casa da jovem, e Sansão deu ali um banquete, pois assim era costume entre os jovens de então.

11 Quando os filisteus o viram, enviaram trinta rapazes para lhe fazer companhia.

12 Então Sansão propôs-lhes um enigma e disse: «Se puderem decifrar e explicar-me o seu significado durante os sete dias da festa, eu dar-vos-ei trinta túnicas e trinta mudas de roupa.

13 Mas se o não puderem explicar, então terão de me dar a mim as trinta túnicas e as trinta mudas de roupa.» Ao que eles replicaram: «Propõem-nos lá o enigma, queremos ouvi-lo!»

14 Então Sansão disse:

«Do comedor saiu a comida;
do forte saiu o doce.»

Decorridos três dias, ainda não tinham encontrado a solução do enigma.

15 Ao quarto dia , dirigiram-se à mulher de Sansão: «Convence o teu marido a dar-te o significado do enigma. Se não, deitamos fogo à casa do teu pai contigo lá dentro. Convidaram-nos para nos roubar, não foi?»

16

Então a mulher de Sansão chorou diante dele e disse: «Tu não me amas! Não gostas de mim! Propuseste um enigma aos meus amigos e não me revelaste a mim o significado!» Mas ele replicou: «Olha, também não o revelei ao meu pai, nem à minha mãe. Por que te hei de revelar a ti?»

17 Ela passou o resto do tempo, até ao fim dos sete dias da festa de casamento a chorar. Porém, no sétimo dia, acabou por lhe revelar o enigma, por ela tanto insistir. E ela foi imediatamente contá-lo aos filisteus.

18 Assim no sétimo dia, pouco antes de expirar o prazo, os amigos dela foram ter com Sansão e disseram-lhe:

«Qual é a coisa mais doce do que o mel?
E quem é mais forte do que o leão?»

E Sansão exclamou:

«Se não lavrassem com a minha bezerra
não descobririam a resposta.»

19

Naquele momento, apoderou-se dele o SENHOR e desceu a Ascalon, onde matou trinta homens e os despiu, pagando com essa roupa aos homens que decifraram o enigma.

Em seguida, voltou para casa de seus pais, furioso do que acontecera.

20 Entretanto a sua mulher foi dada em casamento a um amigo seu que fora convidado para a boda.

15

1

Algum tempo depois, Sansão foi visitar a mulher, durante a colheita do trigo, e levou-lhe de presente um cabrito . Ia com a intenção de estar um pouco a sós com a mulher, no quarto dela. Porém o pai não o deixou entrar

2 e disse a Sansão: «Pensei que não gostavas dela; por isso a dei ao teu amigo. Mas a irmã mais nova é mais bonita e podes ficar com ela, em troca.»

3

Mas Sansão respondeu: «Desta vez não serei responsável pelo prejuízo que vai acontecer aos filisteus!»

4 Foi apanhar trezentas raposas e ligou-as duas a duas pela cauda, atando em cada par uma tocha acesa.

5 Depois soltou as raposas nas searas dos filisteus. Deitou assim fogo não só ao trigo que já tinha sido ceifado, como ao que ainda estava por apanhar. E os olivais arderam juntamente.

6

Quando os filisteus investigaram quem tinha feito aquilo, souberam que tinha sido Sansão, porque diziam eles: «O sogro, homem de Timna, deu a mulher de Sansão a um amigo.» Por isso, os filisteus foram e deitaram fogo à casa dele, e toda a família morreu.

7 Então Sansão disse-lhes: «É assim que procedem? Juro que não descansarei enquanto não me pagarem!»

8 Então atacou-os ferozmente e matou a muitos. Depois disto, desceu e habitou junto do rochedo de Etam .

9

Os filisteus vieram acampar em Judá, atacando a povoação de Laí . Os de Judá perguntaram:

10 «Por que nos atacais?» E eles responderam: «Viemos prender Sansão e tratá-lo como ele nos tratou a nós.»

11 Então três mil homens de Judá foram à gruta do rochedo de Etam e falaram com Sansão: «Não sabes que os filisteus nos estão a oprimir? Que nos fizeste?» Ele respondeu: «Fiz-lhes o que eles me fizeram a mim.»

12 Eles acrescentaram: «Vimos prender-te, para te entregarmos nas mãos deles.» Sansão pediu: «Deem-me a vossa palavra de que não me matarão.»

13 Eles concordaram: «Está bem! Vamos apenas amarrar-te e entregar-te aos filisteus. Não te mataremos.» E assim foi. Amarraram-no com duas cordas novas e tiraram-no para fora da gruta.

14

Quando chegou a Laí, os filisteus correram em direção a ele com grande gritaria. Nesse momento, o SENHOR apoderou-se de Sansão e ele partiu as cordas com os braços e as mãos, como se fossem estopa queimada.

15 Então deparou com a queixada dum burro, que tinha morrido pouco antes, agarrou nela e com ela matou mil homens.

16

Depois disto, Sansão exclamava:

«Com a queixada dum burro,
matei mil homens;
com a queixada dum burro
deixei-os em montões.»

17

Depois disto, deitou fora a queixada. E aquele lugar passou a chamar-se Ramat-Laí .

18

Depois Sansão teve muita sede e clamou ao SENHOR, dizendo: «Deste-me esta grande vitória. E agora? Vou morrer de sede e ser capturado por estes filisteus pagãos?»

19 Então Deus abriu a rocha que está em Laí e dela jorrou água. Sansão matou a sede e sentiu-se melhor. Por isso, a nascente passou a chamar-se En-Hacoré . Esta nascente ainda existe em Laí.

20

Sansão chefiou Israel durante vinte anos, sempre sob o domínio filisteu.

16

1

Certo dia Sansão deslocou-se a Gaza, cidade dos filisteus. Ali encontrou-se com uma prostituta e passou a noite com ela.

2 A população de Gaza descobriu que Sansão lá estava e esperou-o fora, pondo guardas à porta da cidade. Mas durante a noite, foram descansar dizendo consigo mesmos: «Vamos esperar até ao romper do dia, e então matamo-lo.»

3

Porém Sansão ficou na cama só até à meia-noite. Quando se levantou, forçou a porta da cidade e arrancou-a inteira — porta, batentes, postes e ferrolhos. Pô-los às costas e levou-os até ao cimo da colina que está em frente de Hebron .

4

Depois disto, Sansão apaixonou-se por uma mulher chamada Dalila, que morava no vale de Sorec.

5 Então os cinco reis filisteus foram ter com ela e disseram: «Convence Sansão a revelar-te a razão da sua força e como podemos dominá-lo e amarrá-lo. Se o conseguires, cada um de nós te dará mil e cem moedas de prata.»

6

Então Dalila falou com Sansão: «Diz-me, por favor, o que é que te faz forte? Se alguém quisesse amarrar-te e tirar-te a força, como faria?»

7 Sansão respondeu: «Se me amarrarem com sete cordas de arco humedecidas ficarei fraco e serei como qualquer outra pessoa.»

8 Então os reis filisteus trouxeram a Dalila sete cordas de arco humedecidas, e esta amarrou Sansão com elas.

9 No quarto ao lado, havia alguns homens que estavam à espreita. Então ela gritou: «Sansão! Vêm aí os filisteus!» Mas ele rompeu as cordas como se fossem estopa a que se deita o fogo. E ficaram sem saber o segredo da sua força.

10

Dalila voltou a perguntar: «Então? Andas a fazer troça de mim, e não me dizes verdade. Por favor, diz-me como é possível prender-te!»

11 Sansão sugeriu: «Se me atarem com cordas novas, sem terem sido usadas, serei como qualquer outra pessoa.»

12 E assim fez Dalila. Amarrou-o com cordas novas e gritou: «Sansão! Vêm aí os filisteus!» Os homens, entretanto, estavam à espreita no quarto ao lado. Mas ele partiu as cordas como se fossem linhas de coser.

13

Dalila queixou-se a Sansão: «Continuas a brincar comigo e não dizes a verdade. Mostra-me como te poderei prender.» Sansão respondeu: «Basta tecer as minhas sete tranças num tear e fixá-las com a cavilha.»

14 Dalila apertou as tranças de Sansão com a estaca do tear e depois gritou: «Sansão, vêm aí os filisteus!» Ele despertou e soltou o cabelo do tear.

15

Mas ela não desistiu: «Como podes tu dizer que me amas, se não me falas com franqueza? Já três vezes fizeste troça de mim, e ainda não me revelaste o segredo da tua força.»

16 Todos os dias voltava com a mesma pergunta, até que ele, cansado de ser importunado sobre o assunto,

17 lhe disse finalmente a verdade: «É que nunca me cortaram o cabelo. Fui consagrado a Deus como nazireu, desde o meu nascimento. Se o meu cabelo for cortado, perderei a minha força, ficarei fraco e serei como qualquer outra pessoa.»

18

Então Dalila apercebeu-se que desta vez ele lhe falava com toda a franqueza. Enviou a seguinte mensagem aos reis filisteus: «Venham, porque desta vez ele falou a verdade.» Os reis filisteus foram ter com ela e levaram dinheiro consigo.

19 Dalila adormeceu Sansão sobre os joelhos e chamou um homem, para cortar as sete tranças do cabelo de Sansão. E assim conseguiu dominá-lo, porque tinha perdido a força.

20 E gritou: «Sansão, vêm aí os filisteus!» Quando ele despertou, pensou que ia conseguir libertar-se como de costume. Não sabia que o SENHOR se tinha apartado dele.

21 Os filisteus agarraram-no e tiraram-lhe os olhos. Levaram-no para Gaza, prenderam-no com correntes de bronze e puseram-no a puxar uma mó na prisão.

22

Entretanto o cabelo de Sansão começou a crescer de novo.

23

Os reis filisteus reuniram-se para celebrar a vitória e oferecer um grande sacrifício ao deus Dagon. Eles cantavam: «O nosso deus concedeu-nos a vitória sobre o nosso inimigo Sansão!»

24 O povo viu-o e pôs-se a entoar louvores ao seu deus: «O nosso deus deu-nos a vitória sobre o nosso inimigo, que devastava a terra e matou tantos dos nossos!»

25 E na sua euforia diziam uns para os outros: «Mandemos chamar Sansão, para vir entreter-nos!» Quando tiraram Sansão da prisão, para os ir entreter, ele ficou de pé, entre as colunas do templo.

26

Sansão disse ao moço que o conduzia pela mão: «Deixa-me tocar nas colunas que sustentam a casa, para me encostar a elas.»

27 O edifício estava cheio de homens e mulheres. Os cinco reis filisteus também ali se encontravam. E havia ainda cerca de três mil homens e mulheres em cima do terraço, para verem Sansão fazer de bobo.

28

Então Sansão orou: «SENHOR, todo-poderoso, por favor lembra-te de mim; ó Deus, dá-me a minha força, só mais uma vez, para eu me vingar dos filisteus, que me arrancaram os olhos!»

29 E agarrando-se duma só vez às duas colunas principais que sustentavam o edifício,

30 gritou: «Morra eu com os filisteus!» Com toda a sua força fez ruir o edifício sobre os cinco reis e todos os demais ali presentes.

E assim, no momento em que morria, Sansão matou mais pessoas do que as que tinha matado durante a vida.

31 Os irmãos e demais família foram buscar o corpo. Levaram-no e sepultaram-no entre Sora e Estaol, no túmulo de seu pai Manoé. Sansão foi chefe em Israel durante vinte anos.

17

1

Havia um homem chamado Miqueias, que morava nos montes de Efraim .

2 Um dia disse à mãe: «Quando te roubaram as mil e cem moedas de prata, ouvi-te amaldiçoar o ladrão. Olha, eu tenho o dinheiro. Fui eu que o tirei.» A mãe exclamou: «Que Deus te abençoe, meu filho!»

3 Restituiu o dinheiro à mãe e ela acrescentou: «Para que a maldição não caia sobre ti, eu vou dedicar esta prata ao SENHOR em favor do meu filho. Será usada para fazer um ídolo de madeira, coberto de prata. Por isso, vou dar-te outra vez as moedas de prata.»

4

Ele restituiu então o dinheiro à mãe e ela pôs de parte duzentas moedas e entregou-as a um artífice, que fez um ídolo de madeira, cobrindo-o depois, de prata. Este foi depois colocado em casa de Miqueias.

5 Miqueias possuía um santuário em sua casa. Fez alguns ídolos domésticos e uma insígnia de oráculo e nomeou um dos filhos como sacerdote.

6 Nessa época, Israel não tinha rei; cada um fazia como bem lhe parecia.

7

Entretanto havia um levita que vivia na cidade de Belém de Judá.

8 Ele saiu de Belém em busca dum lugar onde pudesse viver. No percurso, passou pela casa de Miqueias, no monte de Efraim.

9 Miqueias perguntou-lhe: «Donde vens?» Ele respondeu: «Sou um levita de Belém de Judá. Procuro um lugar onde possa viver.»

10 Miqueias sugeriu: «Fica comigo como meu conselheiro e sacerdote, e eu dou-te dez moedas de prata por ano, vestuário e comida.»

11

O jovem levita aceitou. Ficou com Miqueias e foi para ele como filho.

12 Miqueias nomeou-o sacerdote e ficou a morar em sua casa.

13 Miqueias pensava: «Agora que tenho um levita como meu sacerdote, sei que o SENHOR fará com que tudo me corra bem.»

18

1

Naquele tempo não havia rei em Israel. A tribo de Dan buscava território próprio, que pudesse ocupar, porque até então não tinha recebido terras, como as outras tribos.

2 Assim os de Dan escolheram cinco homens valentes dentre as famílias da tribo, de Sora e de Estaol, e enviaram-nos com ordens precisas para espiarem bem o país. Quando chegaram aos montes de Efraim, ficaram em casa de Miqueias.

3 Durante a sua estadia, reconheceram a pronúncia do jovem levita e perguntaram-lhe: «Que fazes aqui? Quem te trouxe para este lugar?»

4 Ele respondeu: «Tenho um acordo com Miqueias que me paga para ser seu sacerdote.»

5 Então disseram-lhe: «Consulta a Deus, por favor, para ver se vamos ter êxito na nossa viagem.»

6 O sacerdote respondeu: «Não têm nada que recear. O SENHOR vai convosco durante a viagem.»

7

Os cinco homens partiram em direção à cidade de Laís. Observaram o povo que lá vivia. Era gente sossegada como são os fenícios. Eram pacíficos, recatados, sem discussões com os vizinhos. Tinham tudo aquilo de que necessitavam. Viviam longe dos sidónios e não tinham contacto com os povos ao redor.

8 Quando os cinco regressaram a Sora e a Estaol, os irmãos quiseram saber novidades.

9 E eles responderam: «Vamos! Ataquemos Laís. Vimos a terra, que é muito boa. Não fiquem aqui sem fazer nada; despachem-se! Vamos lá tomar posse dela!

10 Quando lá chegarem, hão de ver que o povo não suspeita de nada. É um território enorme; tem tudo o que se pode desejar e Deus destinou-o para nós.»

11

Seiscentos homens da tribo de Dan saíram de Sora e de Estaol, prontos para a batalha.

12 Acamparam a ocidente de Quiriat-Iarim , em Judá, no lugar que ainda agora se chama Campo de Dan.

13 Dali chegaram a casa de Miqueias, no monte de Efraim.

14

Então os cinco homens que antes tinham ido explorar o país, na área de Laís, disseram para os companheiros: «Sabiam que há aqui, numa destas casas, um ídolo de madeira, coberto de prata? Há também outros ídolos domésticos e uma insígnia de oráculo. Que pensam que devíamos fazer?»

15

Então foram a casa de Miqueias, onde o jovem levita morava, e saudaram-no.

16 Entretanto os seiscentos soldados de Dan, prontos para a batalha, aguardavam à porta.

17 Os cinco espias invadiram a casa e apoderaram-se do ídolo e da insígnia de oráculo, enquanto o sacerdote estava à porta juntamente com os seiscentos homens armados.

18

Quando os homens entraram na casa de Miqueias e apanharam os objetos sagrados, o sacerdote perguntou-lhes: «Que estão a fazer?»

19 Eles responderam: «Cala-te; não digas nada. Anda connosco e ficas a ser o nosso sacerdote e conselheiro. Não gostarias mais de ser o sacerdote de uma tribo israelita inteira do que de uma família só?»

20 Estas palavras agradaram muito ao sacerdote, que pegou nos objetos sagrados e se juntou a eles.

21 Puseram-se novamente a caminho, precedidos das crianças, do gado e outros bens.

22 Tinham já caminhado uma boa distância, quando Miqueias convocou os vizinhos para a batalha. Estavam já perto dos de Dan

23 e gritavam por eles. Os de Dan voltaram-se e perguntaram a Miqueias: «Que se passa? Para que é todo esse alarme?»

24 Miqueias respondeu: «Ainda perguntam que se passa? Levaram o meu sacerdote e os ídolos que eu fiz e não me deixaram nada!»

25 Os de Dan retorquiram: «É melhor calares-te, para que os nossos homens não se zanguem e te ataquem. Porque, nesse caso, morrerias tu e a tua família.»

26

Eles puseram-se novamente a caminho. E Miqueias compreendeu que eram demasiado fortes para ele e voltou para casa com os seus.

27 Depois de os homens de Dan levarem o sacerdote e os ídolos de Miqueias, foram atacar Laís, a tal cidade de gente pacífica. Mataram os habitantes e puseram fogo à cidade.

28 Ninguém veio em seu socorro, porque Laís, vizinha de Bet-Reob, ficava longe de Sídon e não tinham contactos com os outros povos. Os homens de Dan reconstruíram a cidade e estabeleceram-se nela.

29 Mudaram o nome antigo de Laís para Dan, em memória de Dan, filho de Jacob.

30

O ídolo roubado foi colocado num pedestal e Jónatas, filho de Gerson e neto de Moisés, assumiu as funções de sacerdote da tribo de Dan e os seus descendentes continuaram a ser sacerdotes, até que o povo foi levado para o cativeiro.

31 O ídolo de Miqueias ficou ali, enquanto o santuário de Deus esteve em Silo .

19

1

Naqueles dias, em que não havia rei em Israel, certo levita vivia no interior das montanhas de Efraim e tinha como concubina uma jovem de Belém, na Judeia.

2 Mas ela abandonou-o e voltou para casa do pai, em Belém, e ali ficou quatro meses.

3 Então o homem decidiu ir procurá-la, para a convencer a voltar para ele. E levou consigo o servo e dois jumentos. A jovem convidou o levita a entrar em casa e, quando foi apresentado ao pai, este fez-lhe uma calorosa receção.

4 O pai insistiu para que ele ficasse e ele ficou durante três dias, comendo, bebendo e dormindo em casa do sogro.

5 No quarto dia de manhã, prepararam-se para partir cedo. Mas o pai da jovem disse ao levita: «Come primeiro, para teres mais força para a viagem.»

6 Eles sentaram-se, comeram e beberam os dois. Depois o pai da jovem sugeriu: «Passa aqui mais uma noite.»

7

No dia seguinte, o homem levantou-se para partir, mas o pai dela insistiu muito para que ficasse ainda mais uma noite.

8 Ao quinto dia, cedo, preparava-se ele para partir, quando o pai da jovem propôs: «Come alguma coisa e parte só à tarde.» Os dois entretiveram-se até à tarde e comeram juntos.

9

Quando o homem estava para sair, com a esposa e o servo, o pai da jovem disse: «Reparem! Já é quase noite, é melhor ficarem até de manhã. Dentro em pouco vai ficar escuro. Amanhã podem levantar-se cedo e voltar para vossa casa. Fiquem mais esta noite!»

10

Mas o homem não queria pernoitar ali mais uma vez e, assim, pôs-se a caminho com a mulher, o servo e os dois jumentos albardados.

11 Já era tarde quando se aproximaram da cidade dos jebuseus, que é Jerusalém. O servo disse ao seu senhor: «Por que não paramos e pernoitamos aqui, na cidade dos jebuseus?»

12 Mas o amo contestou: «Não vamos parar numa cidade de estranhos que não são israelitas. Vamos um pouco mais adiante até Guibeá .»

13 E acrescentou: «Vamos para um dos lugares mais próximos e pernoitemos em Guibeá ou em Ramá.»

14 Assim passaram pela cidade dos jebuseus e prosseguiram.

Era já sol-posto quando chegaram a Guibeá, dentro do território de Benjamim.

15 Deixaram a estrada para ali pernoitar. Entraram na cidade e sentaram-se no largo, mas ninguém se ofereceu para lhes dar guarida.

16 À tardinha, enquanto ali estavam, um ancião regressava do trabalho nos campos. Era oriundo dos montes de Efraim, mas vivia em Guibeá. Os outros habitantes eram da tribo de Benjamim.

17 O ancião reparou no forasteiro, sentado no largo, e perguntou-lhe: «Donde vem o senhor? Para onde vai?»

18 O levita respondeu: «Vimos de Belém, na Judeia, e estamos a caminho de minha casa , nas montanhas de Efraim. Mas ninguém parece querer dar-nos pousada,

19 embora tenhamos palha e feno para os jumentos, bem como pão e vinho para a minha mulher, para mim e para o meu criado. Temos tudo quanto nos é necessário.»

20

O ancião exclamou: «Sejam bem-vindos à minha casa! Não terão que passar a noite no largo. Tenho tudo o que vos pode fazer falta.»

21 Levou-os imediatamente para sua casa e deu de comer aos animais. Os hóspedes lavaram os pés e cearam.

22

Estavam todos satisfeitos, quando, de repente, pervertidos sexuais vindos da cidade, cercaram a casa, bateram à porta e gritaram para o dono: «Traz cá para fora esse que está contigo! Queremos divertir-nos com ele!»

23 Mas o ancião saiu e insistiu com eles: «Não, meus amigos! Por favor! Não façam uma coisa dessas, que é uma vergonha! Este homem é meu hóspede.

24 Olhem! Têm aqui a mulher dele e a minha filha, que é solteira. Vou trazê-las e podem ficar com elas e fazer o que quiserem. Mas não façam passar este homem por essa vergonha!»

25

Mas eles não o queriam ouvir. Assim o levita conduziu a mulher para fora, aonde eles estavam. Violaram-na e maltrataram-na toda a noite até de manhã.

26 De madrugada, a mulher foi cair desfalecida à porta da casa do ancião, onde dormia o marido.

27

Quando o levita se levantou e abriu a porta, para prosseguir viagem, deparou com a mulher por terra, em frente da casa, com os braços estendidos sobre a soleira.

28 Disse-lhe: «Levanta-te, vamos embora.» Mas não obteve resposta. Então pôs o corpo sobre o jumento e prosseguiu viagem para a sua terra.

29 Quando chegou a casa, foi buscar uma faca. Pegou no corpo da mulher e cortou-o em doze bocados. Enviou em seguida um pedaço a cada uma das doze tribos de Israel.

30 Ao verem aquilo, todos exclamavam: «Nunca se viu acontecer tal coisa, desde que os israelitas saíram do Egito! É preciso investigar a questão, discutir o assunto e tomar uma decisão!»

20

1

O povo de Israel, desde Dan, ao norte, até Bercheba, no sul, bem como a terra de Guilead, a oriente, responderam ao apelo. Reuniram-se todos em Mispá, na presença do SENHOR.

2 Os chefes das tribos de Israel estavam presentes, nesta reunião do povo de Deus, onde havia quatrocentos mil soldados de infantaria.

3 Entretanto o povo de Benjamim soube que os israelitas estavam todos reunidos em Mispá.

Os israelitas procuraram indagar como se tinha passado o crime.

4 O levita, cuja mulher fora assassinada, esclareceu: «A minha mulher e eu passámos em Guibeá, no território de Benjamim, para ali pernoitar.

5 Os homens da cidade queriam atacar-me e cercaram a casa de noite, com o propósito de me matar; como não conseguiram, violaram a minha mulher e ela morreu.

6 Tomei o corpo dela, cortei-o em bocados e enviei-os a cada uma das doze tribos de Israel. Aquele povo cometeu um crime terrível e vergonhoso contra nós.

7 Como israelitas, discutam o assunto e tomem uma decisão.»

8

O povo chegou a um consenso e declarou: «Nenhum de nós volta para a sua tenda ou para a sua casa!

9 Eis o que vamos fazer: Tiraremos à sorte e escolheremos os que devem atacar Guibeá.

10 Um décimo de todos os homens de Israel cuidará da alimentação do exército e os restantes irão castigar Guibeá, pela ação vergonhosa que cometeram contra Israel.»

11 Assim todos os israelitas decidiram por unanimidade atacar a cidade.

12 As tribos de Israel enviaram mensageiros por todo o território de Benjamim, dizendo: «Que crime é este que cometeram?

13 Entreguem-nos esses homens perversos de Guibeá, para que matemos e limpemos de Israel esse crime.»

Porém os benjaminitas não quiseram saber do pedido das outras tribos.

14 E de todas as cidades de Benjamim, juntaram-se em Guibeá para combater contra Israel.

15 Nesse dia, convocaram vinte e seis mil soldados, armados de espada, das cidades da tribo de Benjamim. Além desses, os moradores de Guibeá reuniram setecentos homens escolhidos,

16 que eram canhotos. Mas todos eram extremamente hábeis com a fisga, capazes de atingir um fio de cabelo sem errar a pontaria.

17 Por seu lado, as outras tribos de Israel, reuniram quatrocentos mil soldados, bem treinados no uso de armas de guerra.

18

Os israelitas chegaram até ao lugar de culto que está em Betel e ali consultaram a Deus sobre que tribo devia atacar Benjamim primeiro. O SENHOR respondeu: «A primeira deve ser a tribo de Judá.»

19 Na manhã seguinte os israelitas marcharam em direção a Guibeá e acamparam perto da cidade.

20 A fim de atacar o exército de Benjamim, dispuseram os soldados em posição frontal à cidade.

21 O exército de Benjamim, por sua vez, saiu da cidade e, até à noite, matou vinte e dois mil soldados israelitas.

22

O exército israelita retomou coragem e ocupou as mesmas posições do dia anterior.

23 Os filhos de Israel subiram para chorar diante do SENHOR até à tarde e perguntaram: «Devemos ou não combater de novo contra os nossos irmãos benjaminitas?» A resposta do SENHOR foi: «Sim!»

24 Pela segunda vez, marcharam contra as tropas de Benjamim.

25 E pela segunda vez os benjaminitas saíram de Guibeá e mataram dezoito mil soldados israelitas, todos homens treinados para a guerra.

26

Então o povo de Israel foi de novo a Betel a chorar. Apresentaram-se diante do SENHOR e jejuaram até à noite. Ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão.

27 Os israelitas consultaram o SENHOR. Naqueles dias a arca da aliança do SENHOR estava ali em Betel.

28 Fineias, filho de Eleazar, filho de Aarão, que nessa altura era o seu responsável, colocou-se diante dela e disse: «Devemos voltar a combater contra os nossos irmãos da tribo de Benjamim ou desistimos?» O SENHOR respondeu: «Vão novamente, porque amanhã vos concederei a vitória sobre eles.»

29

Os israelitas enviaram alguns soldados, para se esconderem nas imediações de Guibeá.

30 E, pela terceira vez consecutiva, marcharam contra o exército de Benjamim e dispuseram os soldados em frente de Guibeá, como antes.

31 Os benjaminitas saíram ao seu encontro e foram atraídos para longe da cidade. Como anteriormente, mataram alguns israelitas no campo de batalha, nas estradas de Betel e de Guibeá. Mataram cerca de trinta israelitas.

32 Os de Benjamim disseram: «Derrotámo-los novamente.»

Mas fazia parte da estratégia israelita fugirem e atraí-los para longe da cidade, para a estrada.

33 Assim enquanto a coluna principal do exército israelita batia em retirada e se reagrupava em Baal-Tamar, os homens que cercavam Guibeá saíram dos seus esconderijos, na área rochosa das imediações da cidade.

34 Dez mil homens, especialmente escolhidos de todo o Israel, atacaram Guibeá e a luta foi feroz. Os de Benjamim, porém, não pressentiram que iam ser esmagados.

35 O SENHOR deu a Israel a vitória sobre o exército benjaminita. Naquele dia, os israelitas mataram vinte cinco mil e cem soldados inimigos

36 e os de Benjamim foram derrotados. Entretanto a maior parte do exército israelita, tinha fugido dos benjaminitas, porque contava com os soldados escondidos à volta de Guibeá.

37 Estes correram rapidamente em direção a Guibeá, penetraram na cidade e mataram quantos lhes apareceram.

38 O exército de Israel e estes soldados escondidos tinham combinado previamente um sinal: quando vissem uma grande nuvem de fumo subindo da cidade, os israelitas, no campo de batalha, deviam dar meia volta.

39

Entretanto os benjaminitas tinham já matado uns trinta israelitas. E disseram entre si: «Derrotámo-los como da primeira vez.»

40 Então surgiu o sinal: uma nuvem de fumo saía da cidade. Quando os benjaminitas olharam para trás, ficaram surpreendidos diante da cidade toda em chamas.

41 Os israelitas deram meia volta, pondo os benjaminitas em pânico ao descobrirem que estavam perdidos.

42

Fugindo dos israelitas, correram pelos campos em direção ao deserto, mas não puderam escapar. Foram alcançados entre a coluna principal e os homens que saíam, nesse momento, da cidade, e foram derrotados.

43 Os israelitas tinham-nos apanhado na armadilha e perseguiram-nos sem dó, até ao extremo oriental de Guibeá, matando-os pelo caminho.

44 Dezoito mil dentre os melhores soldados benjaminitas perderam a vida.

45 Os restantes procuraram refúgio nos campos até ao rochedo de Rimon. Cinco mil dentre eles foram mortos. Os israelitas não pararam de ir no encalce dos restantes, até Guidom, matando ainda dois mil.

46 Naquele dia, morreram, no total, vinte e cinco mil benjaminitas, todos eles soldados de valor.

47

Porém seiscentos homens conseguiram escapar, atravessando os campos até ao rochedo de Rimon e ali se refugiaram, durante quatro meses.

48 Os israelitas carregaram ainda sobre o resto dos benjaminitas e não pouparam nem homens, nem mulheres e crianças, nem animais. E todas as cidades vizinhas foram incendiadas.

21

1

Quando os israelitas se reuniram novamente em Mispá, fizeram este voto solene ao SENHOR: «Não permitiremos que nenhum benjaminita se case com as nossas filhas.»

2 O povo de Israel dirigiu-se depois a Betel, e ficou ali, diante do SENHOR, até à noite. Lamentaram-se amargamente, em altos gritos:

3 «SENHOR, Deus de Israel, por que é que isto aconteceu? Por que está a tribo de Benjamim a desaparecer de Israel?»

4 Cedo, no dia seguinte, bastante cedo, o povo edificou ali um altar, onde ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão.

5 Então perguntaram uns aos outros: «Haverá algum grupo dentre as tribos de Israel que não assistiu à reunião, na presença do SENHOR, em Mispá?» De facto, eles tinham feito um voto solene de que quem não fosse a Mispá, seria condenado à morte.

6 O povo de Israel teve pena dos seus irmãos benjaminitas, e disseram: «Hoje Israel perdeu uma das suas tribos.

7 Que faremos, para que os jovens de Benjamim, que sobreviveram, arranjem esposas? Pois nós prometemos solenemente ao SENHOR que lhes não daremos nenhuma das nossas filhas.»

8 Quando perguntaram se havia algum grupo das tribos de Israel que não tinha assistido à reunião em Mispá, descobriram que ninguém de Jabés, em Guilead, ali tinha ido.

9

Ao fazerem a chamada do povo, nenhum homem de Jabés se apresentou.

10 Por isso, a assembleia enviou doze mil dos melhores soldados com as seguintes ordens: «Vão matar a gente de Jabés, incluindo as mulheres e as crianças.

11 Matem todas as pessoas do sexo masculino, e as mulheres que não sejam solteiras.»

12 Entre os habitantes de Jabés encontraram quatrocentas jovens solteiras, que trouxeram ao acampamento em Silo, que fica na terra de Canaã.

13 Então a assembleia enviou uma mensagem aos benjaminitas que estavam no rochedo de Rimon, com uma proposta de paz.

14 Os benjaminitas aceitaram e os israelitas deram-lhes as jovens de Jabés, poupadas ao morticínio. Mas elas não eram suficientes.

15

O povo teve pena dos benjaminitas, porque o SENHOR permitira a rutura nas relações entre as tribos de Israel.

16 Então os chefes da assembleia disseram: «Não há mais mulheres na tribo de Benjamim. Que faremos, para encontrar esposas para os homens que sobreviveram?

17 Israel não pode perder uma das suas doze tribos. Temos de encontrar uma solução, para que a tribo de Benjamim sobreviva,

18 mas não podemos dar-lhes as nossas filhas.»

19

Então pensaram: «Vem aí a festa anual do SENHOR, em Silo.» Silo fica a norte de Betel, a sul de Lebona e a oriente da estrada entre Betel e Siquém.

20 Disseram pois aos benjaminitas: «Vão e escondam-se nas vinhas.

21 Quando as jovens de Silo aparecerem para dançar durante a festa, saiam das vinhas. Cada qual agarre numa delas para sua esposa e leve-a consigo para o território de Benjamim.

22 Se os pais ou irmãos vierem protestar, dir-lhes-emos: “Deixem que eles fiquem com elas, pois não pudemos tomar mulheres suficientes para cada um deles na batalha. E, como não tiveram responsabilidade pessoal em dá-las, não são culpados de quebrar o voto.”»

23

Os benjaminitas assim fizeram. Cada qual escolheu uma esposa, dentre as jovens que saíram para dançar em Silo, e levou-a consigo. Então voltaram para o seu território, reconstruíram as cidades e moraram ali.

24 Entretanto os restantes israelitas tinham regressado, cada qual para a sua tribo e família, para o que era seu.

25 Nesse tempo, não havia rei em Israel. Cada qual fazia o que bem lhe parecia.