1

1

No princípio, quando Deus criou o céu e a terra ,

2 a terra estava sem forma e sem ordem. Era um mar profundo coberto de escuridão; mas sobre as águas pairava o Espírito de Deus .

3 Então Deus disse: «Que a luz exista!» E a luz começou a existir.

4 Deus achou que a luz era uma coisa boa e separou-a da escuridão.

5 E Deus chamou à luz dia e à escuridão, noite. Passou uma tarde e veio a manhã: o dia um.

6

Depois Deus disse: «Que exista um firmamento entre as águas, para as separar umas das outras.»

7 E Deus fez então o firmamento, separando assim as águas que estão do lado de baixo das que estão do lado de cima . E assim aconteceu.

8 Deus chamou céu a este firmamento. Passou uma tarde e veio a manhã: o segundo dia.

9

Deus disse então: «Que as águas que estão debaixo do céu se juntem num único lugar e que fique à vista a terra firme.» E assim aconteceu.

10 Deus chamou terra à terra firme e chamou mar às águas assim reunidas. E achou que tudo aquilo eram coisas boas.

11 Deus disse ainda: «Que a terra produza ervas e plantas que deem semente e árvores que deem fruto, cada uma conforme a sua qualidade e que o fruto contenha a semente própria.» E assim aconteceu.

12 A terra produziu toda a espécie de ervas, que dão semente, conforme a sua qualidade, e árvores de fruto, com a semente própria de cada uma. E Deus achou que aquilo eram coisas boas.

13 Passou uma tarde e veio a manhã: o terceiro dia.

14

Deus disse então: «Que existam luzeiros no firmamento, para distinguirem o dia da noite; e que eles sirvam de sinal para marcar as divisões do tempo, os dias e os anos.

15 E que esses luzeiros, colocados no céu , sirvam também para iluminar a terra.» E assim aconteceu.

16 Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior deles, o Sol, para presidir ao dia, e o mais pequeno, a Lua, para presidir à noite, e ainda as estrelas.

17 Colocou-os no firmamento, para iluminarem a terra

18 e presidirem ao dia e à noite, fazendo assim a separação entre a luz e a escuridão. E Deus achou que aquilo eram coisas boas.

19 Passou uma tarde e veio a manhã: o quarto dia.

20

Deus disse depois: «Que as águas sejam povoadas de seres vivos e que entre a terra e o firmamento haja aves a voar.»

21 E Deus criou os grandes cetáceos e toda a espécie de seres vivos que se movem e povoam as águas e ainda todas as espécies de aves. E Deus achou que eram coisas boas

22 e abençoou-os desta maneira: «Sejam férteis e cresçam; encham as águas do mar e que, em terra, as aves se multipliquem também.»

23 Passou uma tarde e veio a manhã: o quinto dia.

24

Depois Deus disse: «Que a terra produza toda a espécie de seres vivos: animais domésticos, animais selvagens e todos os bichos, conforme as suas diferentes espécies.» E assim aconteceu.

25 Deus criou todas as espécies de animais selvagens, de animais domésticos e todos os bichos. E achou que todos eram coisas boas.

26

Deus disse ainda: «Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança. Que ele tenha poder sobre os peixes do mar e as aves do céu; sobre os animais domésticos e selvagens e sobre todos os bichos que andam sobre a terra.»

27 Deus criou então o ser humano à sua imagem; criou-o como verdadeira imagem de Deus . E este ser humano criado por Deus é o homem e a mulher .

28

Deus abençoou-os desta maneira: «Sejam férteis e cresçam; encham a terra e dominem-na; dominem sobre os peixes do mar e as aves do céu e sobre todos os animais que andam sobre a terra.»

29 Deus continuou: «Dou-vos todas as plantas que produzem semente e que existem em qualquer parte da terra e todas as árvores de fruto, com a sua semente própria. É isso que devem comer.

30 Dou todas as verduras como alimento aos animais e aves, a todos os seres vivos que andam sobre a terra.» E assim aconteceu.

31

E Deus achou que tudo aquilo que tinha feito era muito bom. Passou uma tarde e veio a manhã: o sexto dia.

2

1

Assim ficaram completos o céu e a terra, com tudo aquilo que contêm.

2 No sétimo dia, Deus tinha completado a sua obra e nesse sétimo dia Deus descansou dos trabalhos que tinha vindo a fazer.

3 Deus abençoou o sétimo dia e fez dele um dia sagrado, pois foi o dia em que ele descansou de todo o trabalho de criação que tinha feito.

4

É esta a história da criação do céu e da terra.

Quando o SENHOR Deus fez a terra e o céu,

5 ainda não havia plantas na terra nem tinha brotado a erva. É que o SENHOR Deus não tinha feito cair a chuva sobre a terra nem existia nenhum ser humano para trabalhar nela,

6 mas uma corrente de água começava a brotar da terra e regava os campos.

7

O SENHOR Deus modelou o homem com barro da terra. Soprou-lhe nas narinas e deu-lhe respiração e vida. E o homem tornou-se um ser vivo.

8

O SENHOR Deus preparou um jardim em Éden , lá para o oriente, e colocou nele o homem que tinha modelado.

9 Da terra, fez nascer toda a espécie de árvores que eram agradáveis à vista e davam bons frutos para comer. No meio do jardim estava a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal .

10

Em Éden nasce um rio que rega o jardim e depois se divide em quatro rios diferentes.

11 O nome do primeiro é o Pichon, que rodeia a terra de Havilá, onde há muito ouro.

12 O ouro daquela terra é muito bom e há lá também âmbar e lápis-lazúli.

13 O segundo rio chama-se Guion, que rodeia toda a terra de Cuche .

14 O terceiro rio chama-se Hidéquel , que passa na zona oriental da Assíria. E o quarto rio é o Eufrates.

15

O SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden, para nele trabalhar e para o guardar.

16 E deu-lhe estas ordens: «Podes comer do fruto de qualquer árvore, menos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

17 Deste não podes comer de maneira nenhuma. No dia em que dele comeres, ficas condenado a morrer .»

18

O SENHOR Deus disse ainda: «Não é bom que o homem fique sozinho. Vou-lhe arranjar uma companhia apropriada.»

19 E o SENHOR Deus modelou também de terra muitas espécies de animais selvagens e de aves e apresentou-os ao homem, para ver que nome ele lhes dava. O nome que ele dava a cada um desses seres vivos é o nome com que ficaram.

20 O homem deu nome a todos os animais domésticos, às aves e aos animais selvagens, mas nenhum era a companhia apropriada para ele.

21

O SENHOR Deus fez com que o homem adormecesse e dormisse um sono muito profundo. Durante o sono, tirou-lhe uma das costelas e fez crescer de novo a carne naquele lugar.

22 Da costela que tinha tirado do homem, o SENHOR Deus fez a mulher e apresentou-a ao homem .

23 Este declarou:

«Desta vez, aqui está alguém
feito dos meus próprios ossos
e da minha própria carne.
Vai chamar-se mulher;
porque foi formada do homem .»

24

Por isso, o homem deixa a casa do pai e da mãe para se unir com a sua mulher e ficam a ser um só corpo .

25

Tanto o homem como a mulher andavam nus, sem sentirem nenhuma vergonha por isso.

3

1

A serpente, que era o mais astuto de todos os animais selvagens criados pelo SENHOR Deus,

2 disse à mulher: «Com que então Deus proibiu-vos de comerem do fruto de todas as árvores do jardim!»

Mas a mulher respondeu-lhe: «Nós podemos comer o fruto das árvores do jardim.

3 Só nos proibiu de comer do fruto da árvore que está no meio do jardim. Se tocássemos no seu fruto, morreríamos.»

4

A serpente replicou-lhe: «Não têm que morrer. De maneira nenhuma!

5 O que acontece é que Deus sabe que no dia em que comerem desse fruto, abrir-se-ão os vossos olhos e ficarão a conhecer o mal e o bem , tal como Deus.»

6

A mulher pensou então que devia ser bom comer do fruto daquela árvore, que era apetitoso e agradável à vista e útil para alcançar sabedoria. Apanhou-o, comeu e deu ao seu marido que comeu também.

7 Nesse momento, abriram-se os olhos de ambos e deram-se conta de que andavam nus. Coseram então folhas de figueira, para com elas poderem cobrir a cintura.

8

Nisto ouviram que o SENHOR Deus andava a passear no jardim, pela brisa da tarde, e o homem foi-se esconder com a sua mulher no meio das árvores do jardim.

9 O SENHOR Deus chamou pelo homem e perguntou: «Onde estás?»

10

O homem respondeu: «Apercebi-me de que andavas no jardim; tive medo, por estar nu, e escondi-me.»

11

Deus perguntou-lhe: «Quem é que te disse que estavas nu? Será que foste comer do fruto daquela árvore que eu tinha proibido?»

12

O homem replicou: «A mulher que me deste para viver comigo é que me deu do fruto dessa árvore e eu comi.»

13

O SENHOR Deus disse então à mulher: «Que é que fizeste?»

A mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi .»

14

O SENHOR Deus disse então à serpente: «Já que fizeste isto, maldita sejas tu entre todos os animais, domésticos ou selvagens. Terás que arrastar-te pelo chão e comer terra, durante toda a tua vida.

15 Farei com que tu e a mulher sejam inimigas, bem como a tua descendência e a descendência dela. A descendência da mulher há de esmagar-te a cabeça e tu procurarás esmagar-lhe o calcanhar .»

16

E à mulher disse: «Vou fazer com que sofras os incómodos da gravidez e terás que dar à luz com muitas dores. Apesar disso, sentirás forte atração pelo teu marido, mas ele há de mandar em ti.»

17

E ao homem disse: «Já que deste ouvidos à tua mulher e comeste do fruto da árvore, do qual eu te tinha proibido de comer,

a terra fica amaldiçoada por tua causa,
e será com grande sofrimento
que dela hás de tirar alimento,
durante toda a tua vida.

18
Só produzirá espinhos e cardos
e tu terás de comer a erva que cresce no campo .

19
Só à custa de muito suor
conseguirás arranjar o necessário para comer,
até que um dia te venhas a transformar de novo em terra,
pois dela foste formado.
Na verdade, tu és pó
e em pó te hás de transformar de novo.»

20

O homem, Adão, deu à sua mulher o nome de Eva , porque ela era a mãe de todos os seres humanos.

21 O SENHOR Deus arranjou para o homem e para a sua mulher roupas de pele de animal para que se vestissem com elas.

22

O SENHOR Deus disse então: «O homem tornou-se semelhante a um de nós, conhecendo o bem e o mal . Agora só falta que vá também colher do fruto da árvore da vida , para dele comer e ter vida para sempre!»

23 Por isso, Deus, o SENHOR, expulsou-o do jardim do Éden e o homem teve que ir cultivar a terra, da qual tinha sido formado.

24 Depois de ter expulsado o homem, Deus colocou diante do jardim do Éden os querubins e uma espada de fogo , que se movia dum lado para outro, de modo a impedir o caminho para a árvore da vida.

4

1

Adão teve relações com Eva, sua mulher, e esta ficou grávida. Quando deu à luz Caim, ela exclamou: «Já consegui alcançar de Deus um filho homem !»

2 Mais tarde, deu à luz outro filho. Foi Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor e Caim foi agricultor.

3

Ao fim de um certo tempo, Caim apresentou ao SENHOR uma oferta de produtos da terra

4 e Abel ofereceu as primeiras e melhores crias do seu gado. Ora, Deus ficou contente com Abel e com a sua oferta;

5 mas não ficou satisfeito com Caim nem com a sua oferta. Por isso, Caim ficou muito irritado e de má cara.

6 Deus disse-lhe então: «Por que é que te irritaste assim e ficaste com tão má cara?

7 Se te comportares bem, podes andar de cabeça erguida, mas se te comportares mal, tens o pecado a espreitar à porta, procurando vencer-te. E contudo tu podes dominá-lo.»

8

Certo dia, depois de Caim ter falado com Abel, seu irmão, saíram para o campo. Encontravam-se lá, quando Caim atacou o irmão e o matou.

9

O SENHOR perguntou a Caim: «Onde está o teu irmão?»

«Não sei. Será que eu sou o guarda do meu irmão?», respondeu ele.

Deus insistiu: «Que é que fizeste?

10 O sangue do teu irmão, que tu derramaste, levanta-se da terra, a pedir-me vingança .

11 Por isso, amaldiçoado sejas tu pela terra que bebeu o sangue do teu irmão, que tu mataste.

12 Por muito que cultives a terra, ela não voltará a dar-te a sua riqueza. E terás de andar perdido e errante pelo mundo.»

13

Caim respondeu: «O meu crime é demasiado grande para eu o poder suportar.

14 Se tu me expulsas desta terra e eu tiver que fugir de ti, para andar perdido e errante, qualquer pessoa que me encontrar me pode matar.»

15

Mas Deus replicou: «De modo nenhum! Quem matar Caim sofrerá como vingança sete mortes entre os seus.»

E o SENHOR pôs um sinal a Caim, para que não pudesse ser morto por quem o encontrasse.

16 Então Caim afastou-se da presença de Deus e foi viver para a terra de Nod , a oriente de Éden.

17

Caim teve relações com a sua mulher e ela ficou grávida e depois deu à luz Henoc. Entretanto Caim fundou uma cidade e deu-lhe o nome do seu filho Henoc.

18

Henoc foi pai de Irad; Irad foi pai de Meujael; Meujael, pai de Metusael e Metusael foi pai de Lamec.

19

Lamec casou com duas mulheres, uma chamava-se Ada e outra, Sila.

20 Ada deu à luz Jabal, que foi o antepassado dos que vivem em tendas e têm gado.

21 O seu irmão chamava-se Jubal e este foi o antepassado de todos os que tocam harpa e flauta.

22 Sila, por seu lado, deu à luz Tubal-Caim, que forjava toda a espécie de instrumentos de cobre e de ferro. Tubal-Caim teve uma irmã, chamada Naamá.


23
Lamec disse um dia às suas mulheres:
«Ada e Sila, ouçam-me bem;
ó mulheres de Lamec, prestem atenção ao que vou dizer.
Estou pronto a matar um homem, por uma ferida que me faça
ou um jovem, por uma simples beliscadura.

24
Pois, se Caim tinha de ser vingado sete vezes,
Lamec será vingado setenta e sete vezes mais.»

25

Adão teve de novo relações com a sua mulher e esta deu à luz outro filho e chamou-lhe Set, porque Deus lhe tinha concedido outro filho, para substituir Abel, que Caim tinha assassinado.

26 Também Set teve um filho que se chamou Enós.

Foi desde então que se começou a invocar o nome do SENHOR.

5

1

Esta é a lista dos descendentes de Adão . Quando Deus criou o ser humano, fê-lo semelhante ao próprio Deus.

2 O ser humano assim criado é o homem e a mulher. Ao criá-los, Deus abençoou-os e chamou-lhes seres humanos .

3

Quando Adão tinha cento e trinta anos, gerou um filho à sua imagem e semelhança e deu-lhe o nome de Set.

4 Depois disto, Adão viveu oitocentos anos e foi pai de vários filhos e filhas.

5 Adão morreu quando tinha novecentos e trinta anos de idade.

6

Aos cento e cinco anos de idade, Set gerou Enós.

7 Depois do nascimento de Enós, Set viveu ainda oitocentos e sete anos e foi pai de vários filhos e filhas.

8 Set morreu, depois de ter vivido durante novecentos e doze anos.

9

Aos noventa anos de idade, Enós gerou Quenan.

10 Depois do nascimento de Quenan, Enós viveu ainda oitocentos e quinze anos e foi pai de vários filhos e filhas.

11 Enós morreu, depois de ter vivido novecentos e cinco anos.

12

Aos setenta anos de idade, Quenan gerou Malaliel.

13 Depois do nascimento de Malaliel, Quenan viveu ainda oitocentos e quarenta anos e foi pai de vários filhos e filhas.

14 Quenan morreu, depois de ter vivido novecentos e dez anos.

15

Aos sessenta e cinco anos, Malaliel gerou Jared.

16 Depois do nascimento de Jared, Malaliel viveu ainda oitocentos e trinta anos e foi pai de vários filhos e filhas.

17 Malaliel morreu, depois de ter vivido oitocentos e noventa e cinco anos.

18

Aos cento e sessenta e dois anos de idade, Jared gerou Henoc.

19 Depois do nascimento de Henoc, Jared viveu ainda oitocentos anos e foi pai de vários filhos e filhas.

20 Jared morreu, depois de ter vivido novecentos e sessenta e dois anos.

21

Aos sessenta e cinco anos de idade, Henoc gerou Matusalém.

22 Henoc viveu sempre de acordo com a vontade de Deus. Depois do nascimento de Matusalém, ele viveu ainda trezentos anos e foi pai de vários filhos e filhas.

23 Depois de ter vivido trezentos e sessenta e cinco anos,

24 Henoc, que sempre vivera de acordo com a vontade de Deus, deixou de ser visto. Foi Deus que o levou consigo .

25

Aos cento e oitenta e sete anos de idade, Matusalém gerou Lamec.

26 Depois do nascimento de Lamec, Matusalém viveu ainda setecentos e oitenta e dois anos e foi pai de vários filhos e filhas.

27 Matusalém morreu depois de ter vivido novecentos e sessenta e nove anos.

28

Aos cento e oitenta e dois anos de idade, Lamec gerou um filho

29 e exclamou: «Este é que nos há de aliviar dos trabalhos e fadigas que a terra, amaldiçoada pelo SENHOR, nos provoca.» E por isso lhe chamou Noé .

30 Depois do nascimento de Noé, Lamec viveu ainda quinhentos e noventa e cinco anos e foi pai de vários filhos e filhas.

31 Lamec morreu, depois de ter vivido setecentos e setenta e sete anos.

32

Noé tinha já quinhentos anos de idade, quando lhe nasceram os filhos Sem, Cam e Jafet.

6

1

Quando a Humanidade começou a ser mais numerosa na terra e foram nascendo mais raparigas,

2 os filhos de Deus viram que estas eram belas e cada um deles escolheu para sua mulher aquela que mais lhe agradou.

3

O SENHOR disse então: «Não vou proteger o homem por muito tempo. Ele é mortal, a sua sobrevivência não irá além de cento e vinte anos.»

4

Havia então na terra os gigantes e continuaram depois a existir. É que os seres celestes tinham casado com as filhas dos homens e tinham gerado filhos. Foram esses os famosos heróis dos tempos antigos .

5

O SENHOR viu que a maldade dos homens crescia cada vez mais no mundo e que as suas intenções e planos eram sempre maus.

6 Deus sentiu pena de ter criado a Humanidade e ficou muito triste.

7 O SENHOR decidiu então: «Vou destruir os seres humanos, que eu criei; vou fazê-los desaparecer da terra, os seres humanos, os animais, as aves dos céus e todos os bichos. Lamento tê-los criado.»

8

Contudo, o SENHOR olhou com agrado para Noé .

9

Esta é a história de Noé. Noé era a única pessoa justa e honesta que havia no seu tempo e cumpria sempre a vontade de Deus.

10 Teve três filhos: Sem, Cam e Jafet.

11

Para Deus, a terra estava completamente corrompida e cheia de violências.

12 Ao olhar para a terra, Deus só encontrava corrupção, pois todos os seus habitantes seguiam caminhos errados.

13

Por isso, Deus disse a Noé: «Decidi pôr fim a todos os seres humanos, pois a terra está cheia de violência, por causa deles. Vou destruí-los juntamente com a terra.

14

Faz uma arca; uma grande barca de boa madeira resinosa, com vários compartimentos, e põe-lhe betume por dentro e por fora.

15 Deves fazê-la com estas medidas: cento e cinquenta metros de comprimento , vinte e cinco metros de largura e quinze metros de altura.

16 Faz-lhe uma claraboia a meio metro do cimo e uma porta de lado. Deves fazê-la com três andares sobrepostos.

17

Com efeito, eu vou fazer cair sobre a terra um dilúvio de água, para destruir todos os seres vivos que existem no mundo; tudo o que há na terra vai morrer.

18 Mas contigo farei um pacto de aliança. Deves entrar na arca, tu e os teus filhos, a tua mulher e as dos teus filhos.

19 E de todas as espécies de seres vivos deves levar para a arca dois exemplares, macho e fêmea, para poderem sobreviver juntamente contigo.

20 Portanto, de cada espécie diferente de seres vivos sejam aves, quadrúpedes ou outros animais, irão dois exemplares contigo para poderem sobreviver.

21 Deves apanhar e armazenar os diferentes tipos de comida que cada espécie costuma comer, como provisões para ti e para todos os animais.»

22

E Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha mandado fazer .

7

1

O SENHOR disse a Noé: «Entra na arca com toda a tua família, pois tu foste a única pessoa honesta que encontrei entre todos os teus contemporâneos.

2 Leva contigo sete pares, macho e fêmea, de todos os animais puros e um só par, macho e fêmea, dos animais não puros.

3 Das aves levarás igualmente sete pares, macho e fêmea, para que a vida sobre a terra possa continuar.

4 Daqui a sete dias, vou fazer com que a chuva caia sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites e destruirei todos os seres que criei neste mundo.»

5

Noé fez tudo o que o SENHOR lhe tinha mandado.

6 Noé tinha seiscentos anos, quando o dilúvio inundou a terra.

7 Entrou na arca com os seus filhos e com a sua mulher e as suas noras, para fugirem ao dilúvio.

8 Dos animais puros e não puros, das aves e de todos os bichos,

9 entraram aos pares, macho e fêmea, para junto de Noé, na arca, tal como Deus lhe tinha mandado.

10 No fim dos sete dias, as águas do dilúvio começaram a cair sobre a terra.

11

Era o dia dezassete do segundo mês do ano e Noé estava com seiscentos anos de idade. Foi então que rebentaram as nascentes do grande mar profundo e se abriram as comportas do céu .

12 A chuva caiu sobre a terra, durante quarenta dias e quarenta noites.

13 Naquele mesmo dia, Noé entrou na arca com Sem, Cam e Jafet, seus filhos, e com a sua mulher e as três noras,

14 e ainda exemplares de todas as espécies de seres vivos, animais domésticos e selvagens, de todos os bichos e das mais variadas espécies de aves.

15 De todos os seres vivos entraram aos pares na arca, para junto de Noé.

16 Era um macho e uma fêmea de cada espécie, tal como Deus tinha mandado. No fim, o SENHOR fechou a porta.

17

Durante quarenta dias, as águas do dilúvio caíram sobre a terra. Foram subindo e levantaram a arca, que ficou bastante longe do solo.

18 Quando o nível das águas subiu muito acima da terra, a arca flutuava por cima das águas.

19 As águas subiram tanto, que cobriram até as montanhas mais altas que existem.

20 Passavam mais de sete metros para cima delas e as montanhas ficaram todas cobertas.

21

Morreram todos os seres vivos, que existiam no mundo, aves, animais domésticos e selvagens, todos os bichos e todos os seres humanos.

22 Tudo o que tinha vida e respiração e vivia em terra firme morreu.

23 E assim o dilúvio destruiu todos os seres que existiam sobre a terra, homens, animais, bichos e aves. Todos foram destruídos. Só ficou Noé e os seres que estavam com ele na arca.

24 As águas cobriram a terra, durante cento e cinquenta dias.

8

1

Deus não se esqueceu de Noé nem dos animais selvagens e domésticos, que se encontravam com ele na arca, e fez com que o vento soprasse sobre a terra e então a água começou a baixar.

2 As fontes do mar profundo e as comportas do céu fecharam-se e a chuva deixou de cair.

3 As águas que estavam sobre a terra foram recuando a pouco e pouco e ao fim de cento e cinquenta dias já tinham diminuído.

4 A arca poisou então nas montanhas de Ararat . Era o dia dezassete do sétimo mês do ano.

5 Até ao décimo mês, as águas continuaram a baixar e no primeiro dia do décimo mês já se viam os cimos dos montes.

6

Quarenta dias depois, Noé abriu a janela que tinha feito na arca,

7 mandou para fora um corvo e ele andou a voar dum lado para o outro, até secarem as águas que havia sobre a terra.

8 Noé mandou depois uma pomba, para ver se as águas já estavam suficientemente baixas.

9 Mas a pomba também não encontrou ainda lugar onde poisar e voltou de novo para junto de Noé, na arca, porque as águas ainda cobriam a terra. Noé estendeu a mão, pegou nela e levou-a de novo para dentro da arca.

10

Esperou ainda sete dias e voltou a mandar a pomba.

11 Pela tardinha, a pomba regressou para junto de Noé com um ramo de oliveira no bico. Noé ficou, por isso, a saber que as águas já tinham baixado bastante.

12 Esperou outros sete dias e soltou de novo a pomba, mas desta vez ela já não voltou mais para a arca.

13

No primeiro dia do primeiro mês do ano, quando Noé tinha seiscentos e um anos de idade, as águas já tinham desaparecido sobre a terra. Noé retirou a cobertura da barca e reparou que a terra estava a secar.

14 No dia vinte e sete do segundo mês a terra já estava seca.

15

Deus disse então a Noé:

16 «Podes sair da arca, tu e a tua mulher, os teus filhos e as tuas noras.

17 Faz também sair contigo todas as espécies de seres vivos que estão contigo, aves, animais e toda a espécie de bichos da terra. Que eles se propaguem pela terra, que sejam férteis e cresçam.»

18

Noé saiu com os seus filhos, a mulher e as noras.

19 Saíram também da arca todos os animais, bichos, aves, tudo o que se move na terra, conforme as suas diferentes famílias.

20

Noé fez um altar em honra do SENHOR e ofereceu em sacrifício sobre esse altar alguns animais puros e algumas aves puras.

21 Ao sentir o perfume agradável daquele sacrifício, o SENHOR pensou para consigo: «Não voltarei mais a amaldiçoar a terra, por causa dos seres humanos. É certo que eles têm más inclinações desde a infância. Mas não voltarei mais a castigar todos os seres vivos como fiz desta vez.


22
Enquanto o mundo existir,
nunca mais há de faltar sementeira e colheita,
frio e calor, verão e inverno, dia e noite.»

9

1

Deus abençoou Noé e os seus filhos e disse-lhes: «Sejam férteis, cresçam e encham a terra .

2 Todos os animais selvagens e as aves, tudo o que se move na terra e os peixes do mar hão de tremer de medo diante de vós. Todos eles ficam sujeitos ao vosso poder.

3

Podem comer de todos os animais vivos assim como das verduras e plantas que vos dei. Tudo isso fica à vossa disposição.

4 Mas não devem comer a carne sem lhe tirar primeiro o sangue, que é a base da vida .

5 Pois a todo aquele que vos tiver tirado a vida, seja animal, seja homem, eu pedirei contas do vosso sangue. Pedirei contas a qualquer um que tenha tirado a vida a um seu semelhante.


6
Àquele que tira a vida a um homem,
outro homem lhe tirará a vida,
pois o ser humano foi criado como imagem de Deus.

7
Quanto a vocês sejam férteis e cresçam,
propaguem-se pela terra e dominem-na .»

8

Deus disse a Noé e aos seus filhos:

9 «Vou fazer um pacto de aliança convosco e com os vossos descendentes,

10 que se estenderá a todos os seres vivos que estão convosco, aves, animais domésticos e selvagens, os que agora saíram da arca e todos os que existirem na terra.

11 Hei de manter sempre essa aliança convosco e mais nenhum ser vivo voltará a morrer pelas águas do dilúvio. Pois não haverá mais nenhum dilúvio a destruir a terra.»

12 E Deus continuou: «Este será o sinal da aliança que eu vou estabelecer entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, para todo o sempre.

13 Hei de colocar o meu arco-íris nas nuvens e esse será o sinal de aliança entre mim e a terra.

14 Quando eu fizer aparecer nuvens sobre a terra e aparecer o arco-íris nas nuvens,

15 será para me lembrar da aliança que fiz convosco e com todos os seres vivos que existem. E assim não haverá mais nenhum dilúvio a destruir os seres vivos.

16 Quando o sinal aparecer nas nuvens, eu hei de olhar para ele e hei de recordar-me desta aliança eterna, que existe entre mim e todos os seres vivos, com tudo o que vive na terra.»

17 E Deus concluiu dizendo a Noé: «Este é o sinal da aliança que eu estabeleço com todos os seres vivos que existem na terra.»

18

Os filhos de Noé que saíram da arca eram Sem, Cam e Jafet. Cam foi o pai de Canaã.

19 Filhos de Noé são só estes três e todos os habitantes da terra são descendentes deles.

20

Noé foi agricultor e o primeiro a cultivar a vinha.

21 Certa ocasião bebeu vinho, ficou bêbedo e despiu-se completamente dentro da sua tenda.

22 Cam, pai de Canaã, viu o pai nu e foi contar o caso aos seus dois irmãos que estavam fora da tenda.

23 Mas Sem e Jafet pegaram numa peça de roupa e, levantando-a por sobre os ombros, aproximaram-se do pai, caminhando de costas viradas para ele. Assim cobriram o pai, estando sempre de costas para ele, para o não verem nu.

24

Quando Noé acordou do sono provocado pelo vinho e soube o que lhe tinha feito o filho mais novo,

25 disse:

«Maldito seja Canaã.
Ele será o último dos escravos dos seus irmãos!»

26

E continuou:

«Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem;
e que Canaã seja escravo de Sem.

27
Que Deus faça crescer Jafet .
Que ele habite
junto dos descendentes de Sem
e que Canaã lhes sirva de escravo!»

28

Depois do dilúvio, Noé viveu ainda trezentos e cinquenta anos.

29 Morreu com novecentos e cinquenta anos de idade.

10

1

Estes são os descendentes dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafet e dos filhos que lhes nasceram já depois do dilúvio .

2

Os filhos de Jafet foram Gomer, Magog, Madai, Javan, Tubal, Mechec e Tirás.

3 Filhos de Gomer foram Asquenaz, Rifat e Togarma.

4 Filhos de Javan foram Elichá, Társis, Quitim e Rodanim .

5 Deles derivam todos os habitantes das ilhas. Estes povos estão agrupados conforme a sua origem e possuem cada um o seu território e a sua língua.

6

Os filhos de Cam foram Cuche, Misraim , Put e Canaã.

7 Filhos de Cuche foram Seba, Havilá, Sabta, Rama e Sabteca. Filhos de Rama foram Sabá e Dedan.

8 Cuche foi ainda pai de Nimerod, que foi o primeiro grande chefe que existiu.

9 Foi também um valente caçador, com a ajuda do SENHOR. Por isso, se diz ainda hoje: «Que o SENHOR o faça um valente caçador como Nimerod.»

10 Começou a reinar primeiramente sobre as cidades de Babilónia, Uruc e Caldo na Mesopotâmia.

11 Dali estendeu o seu domínio sobre a Assíria e construiu a cidade de Nínive e Reobot-Ir, Calá

12 e Réssen, entre Nínive e Calá, que era a grande cidade.

13 Misraim foi o antepassado dos habitantes de Lud, de Aném, de Leab e de Naftu

14 e ainda dos habitantes de Patros, de Caslu, donde provêm os filisteus, e dos habitantes de Creta.

15 Canaã foi o pai de Sídon, seu primeiro filho, e de Het,

16 e ainda dos jebuseus, amorreus, guirgaseus,

17 heveus, araqueus e sineus,

18 dos arvadeus, semareus e hamateus. E depois disso, dispersaram-se os grupos de descendentes de Canaã.

19 O seu território estendia-se desde Sídon em direção a Guerar, próximo de Gaza, até Sodoma, Gomorra, Admá, Seboim e Lecha.

20 São estes os descendentes de Cam, divididos por famílias, línguas, nações e povos.

21

Sem, o irmão mais velho de Jafet, teve também filhos. Todos os filhos de Héber são descendentes de Sem.

22 Filhos de Sem são Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram.

23 Filhos de Aram são Uce, Hul, Guéter e Más.

24 Arfaxad foi pai de Chela e Chela foi pai de Héber.

25 Héber foi pai de dois filhos: um chamava-se Peleg, porque no seu tempo a Humanidade se dispersou pela terra, e o outro chamava-se Joctan.

26 Joctan foi pai de Almodad, Chélef, Haçarmavet, Jara,

27 Hadoram, Uzal, Dicla,

28 Obal, Abimael, Sabá,

29 Ofir, Havilá, Jobab. Todos estes eram filhos de Joctan.

30 Habitavam nos territórios que se estendiam desde Messa até Sefar, na região montanhosa, a oriente.

31 Estes são os descendentes de Sem, divididos por famílias, nações e povos.

32

Estas são as famílias dos descendentes de Noé, conforme a linha de descendência de cada um dos povos. É destas famílias que derivam todos os povos do mundo, depois do dilúvio.

11

1

Naquele tempo a Humanidade falava uma única língua e todos usavam as mesmas palavras.

2 Mas a certa altura, puseram-se a caminho, saindo do oriente, e chegaram a uma planície na Mesopotâmia onde se fixaram.

3 Disseram então uns para os outros: «Vamos fazer tijolos e cozê-los no forno!» Os tijolos serviam-lhes de pedra e o betume fazia as vezes da argamassa.

4 Depois disseram: «Agora, vamos construir uma cidade com uma grande torre que chegue até ao céu, pois temos de ficar famosos antes que tenhamos de nos dispersar pelo mundo .»

5

O SENHOR desceu, para ver a cidade e a torre que os homens estavam a construir

6 e disse então para consigo: «Eles são um só povo e falam todos a mesma língua. Agora puseram-se a fazer isto e depois ninguém mais os poderá impedir de fazerem aquilo que projetarem fazer.

7 Vou lá baixo confundir as suas línguas, de modo que eles se não entendam uns aos outros.»

8 E desta forma, o SENHOR, os dispersou por todo o mundo e eles desistiram de construir a cidade.

9 Por isso, aquela cidade ficou a chamar-se Babel, porque foi lá que Deus confundiu as línguas da Humanidade e foi de lá que os dispersou por todo o mundo .

10

Esta é a lista dos descendentes de Sem .

Sem tinha cem anos, quando nasceu o seu filho Arfaxad, dois anos depois do dilúvio.

11 Depois do nascimento de Arfaxad, Sem viveu ainda quinhentos anos e foi pai de filhos e filhas.

12 Arfaxad tinha trinta e cinco anos quando nasceu o seu filho Chela.

13 Depois do nascimento de Chela, viveu ainda quatrocentos e três anos e foi pai de filhos e filhas.

14

Chela tinha trinta anos de idade quando nasceu o seu filho Héber.

15 Chela viveu ainda quatrocentos e três anos, depois do nascimento de Héber e foi pai de filhos e filhas.

16

Héber tinha trinta e quatro anos de idade quando nasceu o seu filho Peleg.

17 Depois do nascimento de Peleg, Héber viveu ainda quatrocentos e trinta anos e foi pai de filhos e filhas.

18

Peleg tinha trinta anos de idade quando nasceu o seu filho Reú.

19 Depois do nascimento de Reú, Peleg viveu ainda duzentos e nove anos e foi pai de filhos e filhas.

20

Reú tinha trinta e dois anos de idade quando nasceu o seu filho Serug.

21 Depois do nascimento de Serug, Reú viveu ainda duzentos e sete anos e foi pai de filhos e filhas.

22

Serug tinha trinta anos de idade quando nasceu o seu filho Naor.

23 E, depois do nascimento de Naor, Serug viveu ainda duzentos anos e foi pai de filhos e filhas.

24

Naor tinha vinte e nove anos quando nasceu o seu filho Tera.

25 Depois do nascimento de Tera, Naor viveu ainda cento e dezanove anos e foi pai de filhos e filhas.

26

Depois dos setenta anos de idade, Tera teve três filhos: Abrão, Naor e Haran.

27

Esta é a lista dos descendentes de Tera. Tera foi pai de Abrão, Naor e Haran. E Haran foi pai de Lot.

28 Haran morreu antes de Tera, seu pai, na sua terra natal, em Ur, cidade da Caldeia.

29

Abrão e Naor casaram-se. A mulher de Abrão chamava-se Sarai e a mulher de Naor era Milca, filha de Haran e irmã de Jisca.

30 Mas Sarai era estéril e não conseguia ter filhos.

31

Então Tera saiu de Ur, na Caldeia, levando consigo Abrão, seu filho, e Lot, filho de Haran, seu neto, e Sarai, sua nora e mulher de Abrão, com o intuito de irem para a terra de Canaã. Mas chegaram a Haran e ficaram lá a morar.

32 Tera viveu até aos duzentos e cinco anos de idade e morreu em Haran.

12

1

O SENHOR disse a Abrão : «Deixa a tua terra, os teus parentes e a casa do teu pai e vai para a terra que eu te vou mostrar .

2 Farei de ti um grande povo ; hei de abençoar-te e tornar-te famoso. O teu nome será uma bênção.

3 Hei de abençoar os que te abençoarem e amaldiçoar os que te amaldiçoarem. E através de ti serão abençoados todos os povos do mundo.»

4

Abrão pôs-se a caminho, tal como o SENHOR lhe tinha ordenado, e Lot foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos de idade quando saiu de Haran.

5 Levou consigo a sua mulher Sarai e Lot, seu sobrinho, mais todos os bens que possuíam e a gente que trabalhava para ele em Haran e foram a caminho da terra de Canaã. Quando chegaram à terra de Canaã,

6 Abrão foi atravessando o país até Siquém, junto da árvore sagrada de Moré. Naquele tempo, quem habitava o país eram os cananeus.

7

Ali Deus apareceu a Abrão e disse-lhe: «Vou dar esta terra aos teus descendentes.» E Abrão construiu um altar em honra do SENHOR, no lugar onde ele tinha aparecido.

8 Dali partiu em direção à montanha que está a oriente e montou a sua tenda, deixando Betel a ocidente e Ai a oriente. Construiu lá um altar em honra do SENHOR e prestou-lhe culto.

9 Depois foi avançando em direção ao Negueve .

10

Houve então uma terrível fome em Canaã e Abrão encaminhou-se para o Egito, para ficar por lá algum tempo.

11 Quando estava já quase a chegar ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: «Eu sei que tu és uma mulher muito bonita.

12 Quando os egípcios te virem, dizem logo que és minha mulher e são capazes de me matar para ficarem contigo.

13 Diz portanto que és minha irmã , para que eu seja bem tratado, por tua causa, e possa continuar vivo, graças a ti.»

14

Ao chegarem ao Egito, os egípcios, de facto, repararam que ela era muito bonita.

15 Viram-na também os oficiais do faraó e foram elogiá-la junto do faraó. E assim a mulher de Abrão foi levada para o palácio do faraó.

16 Abrão, por seu lado, foi bem tratado por causa dela. Arranjou rebanhos de ovelhas e vacas, burros, jumentas e camelos e tinha criados e criadas ao seu serviço.

17

O SENHOR infligiu grandes castigos ao faraó e à sua família, por causa de Sarai, mulher de Abrão.

18 Então o faraó mandou chamar Abrão e perguntou-lhe: «Por que é que fizeste uma coisa destas? Por que não me disseste que ela era tua mulher?

19 Disseste que era tua irmã e eu casei com ela. Mas uma vez que é tua mulher, aqui a tens, podes levá-la.»

20 O faraó mandou alguns homens para fazerem sair do Egito Abrão com a sua mulher e com tudo o que lhe pertencia.

13

1

Abrão saiu do Egito com a sua mulher e com tudo o que lhe pertencia, acompanhado ainda por Lot, e encaminharam-se para o Negueve.

2 Abrão possuía grandes rebanhos, prata e ouro.

3 Depois foi viajando do Negueve para Betel, para o lugar onde tinha colocado anteriormente a sua tenda, entre Betel e Ai.

4 Tinha lá construído um altar e ali prestou culto ao SENHOR.

5

Também Lot, que acompanhava Abrão, possuía rebanhos de ovelhas e de vacas e muitas tendas.

6 Por isso, não podiam habitar juntos, porque não havia espaço suficiente para a riqueza que cada um deles já tinha.

7 Surgiram pois conflitos entre os pastores de Abrão e os de Lot. Além disso, naquela altura os cananeus e os perizeus habitavam também no país.

8

Então Abrão disse a Lot: «Não devem existir desentendimentos entre nós nem entre os nossos pastores, porque somos da mesma família.

9 Tens o país inteiro à tua disposição para poderes escolher. Peço-te que te separes de mim. Se fores para a esquerda, eu vou para a direita e se fores para a direita, eu vou para a esquerda.»

10

Lot olhou para o vale do Jordão: tinha bastante água e era como um jardim maravilhoso, semelhante ao Egito, estendendo-se até à região de Soar. Isto foi antes de Deus ter destruído Sodoma e Gomorra .

11 Lot escolheu, por isso, o vale do Jordão e encaminhou-se para oriente. E assim se separaram um do outro.

12 Abrão vivia na terra de Canaã e Lot vivia nas cidades do vale do Jordão e foi montar a sua tenda junto de Sodoma.

13 Mas os habitantes de Sodoma eram maus e cometiam ações contrárias à vontade do SENHOR.

14

Depois de Lot se ter separado, o SENHOR disse a Abrão: «Deste lugar em que te encontras olha para norte e para sul, para oriente e para ocidente!

15 Todo este país que estás a ver eu to dou a ti e aos teus descendentes, para sempre .

16 Farei com que os teus descendentes sejam tão numerosos como o pó da terra. Ninguém consegue contar os grãos de pó da terra. Do mesmo modo, ninguém conseguirá contar os teus descendentes.

17 Agora podes percorrer esta terra em todas as direções, pois é a ti que eu a dou.»

18

Abrão levantou o acampamento e foi viver para os carvalhos de Mambré, em Hebron, e construiu lá um altar em honra do SENHOR.

14

1

Amerafel, rei de Sinar, Arioc, rei de Elasar, Cadorlaomer, rei de Elam, e Tidal , rei de Goim,

2 fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birchá , rei de Gomorra, a Sinab, rei de Admá, e a Cheméber, rei de Seboim , e ao rei da cidade de Bela, a qual se chama também Soar.

3 Estes últimos juntaram os seus exércitos no vale de Sidim, onde fica o Mar de Sal.

4

Durante doze anos, aceitaram estar sujeitos a Cadorlaomer, mas no décimo terceiro ano revoltaram-se.

5 No décimo quarto ano, chegou Cadorlaomer juntamente com os reis aliados e derrotaram os refaítas em Astarot-Carnaim e os zuzitas em Ham, os emitas em Chavé-Quiriataim

6 e os horritas nas montanhas de Seir, perseguindo-os até El-Paran, que está à entrada do deserto.

7 Depois voltaram para En-Mispat, isto é, Cadés, e submeteram toda a região dos amalecitas e a dos amorreus que habitam em Haçon-Tamar.

8

Mas os reis de Sodoma, Gomorra, Admá, Seboim e Bela, que é hoje Soar, saíram para a guerra. Foram combater no vale de Sidim,

9 Cadorlaomer, rei de Elam, Tidal, rei de Goim, Amerafel, rei de Sinar e Arioc, rei de Elasar. Num total eram quatro reis contra cinco.

10

O vale de Sidim estava cheio de poços de betume e, ao fugirem, os reis de Sodoma e de Gomorra caíram dentro deles. Os restantes fugiram para as montanhas.

11 Os atacantes saquearam as riquezas de Sodoma e de Gomorra com todos os seus alimentos e foram-se embora.

12 Levaram também o sobrinho de Abrão, Lot, com todos os seus bens, pois Lot vivia em Sodoma.

13

Entretanto um fugitivo foi anunciar o facto a Abrão, o hebreu, que estava a viver nos carvalhos do amorreu Mambré. Este era parente de Escol e de Aner, com os quais Abrão tinha feito aliança.

14 Ao ouvir que o seu sobrinho tinha sido feito prisioneiro, Abrão armou os seus servos mais experimentados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e foi em perseguição dos inimigos até Dan.

15 Para os atacar, dividiu os seus homens em grupos e venceu-os durante a noite, continuando em perseguição deles até Hoba, que fica para o norte de Damasco.

16 Recuperou todos os bens e libertou Lot, seu sobrinho, com os seus bens, juntamente com as mulheres e restantes prisioneiros.

17

Quando Abrão regressava, depois de ter atacado Cadorlaomer e os reis seus aliados, o rei de Sodoma saiu para o receber no vale de Chavé, que é o vale do Rei.

18

Também Melquisedec, rei de Salém , que era sacerdote do Deus altíssimo, se apresentou levando consigo pão e vinho

19 e abençoou-o com estas palavras:

«Que o Deus altíssimo, criador do céu e da terra,
abençoe Abrão!

20
Louvado seja o Deus altíssimo,
que te deu a vitória sobre os teus inimigos!»

Abrão deu-lhe a décima parte de tudo o que tinha sido recuperado.

21 Mas o rei de Sodoma replicou: «Dá-me só as pessoas; quanto aos bens, fica com eles.»

22 Abrão respondeu ao rei de Sodoma: «Juro, com a mão erguida para o SENHOR, Deus altíssimo, criador do céu e da terra,

23 que daquilo que é teu não quero nada para mim, nem um fio, nem um cordão para apertar os sapatos. Não quero que digas que foste tu que enriqueceste a Abrão.

24 Para mim, só quero aquilo que os meus servos já comeram e a parte a que têm direito aqueles que se juntaram a mim, Aner, Escol e Mambré. Eles, de facto, têm direito a retirar a sua parte.»

15

1

Depois disto, o SENHOR apareceu a Abrão numa visão e disse-lhe:

«Não temas Abrão; eu sou o teu protetor;
e vais ter uma grande recompensa.»

2

Abrão respondeu: «Ó SENHOR, meu Deus, que podes tu dar-me, se eu vou partir deste mundo sem filhos e Eliézer, de Damasco, é que vai ser dono da minha casa?»

3 Abrão insistiu: «Sabes bem que não me deste filhos e que um criado meu é que vai ser o meu herdeiro.»

4

Mas o SENHOR respondeu-lhe: «Não será esse o teu herdeiro; aquele que sair das tuas entranhas é que será o teu herdeiro.»

5 Deus mandou sair Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e vê se podes contar as estrelas. Pois assim será o número dos teus descendentes .»

6

Abrão confiou no SENHOR e por isso o SENHOR o aceitou como justo .

7

Deus disse-lhe mais: «Eu sou o SENHOR, que te fiz sair de Ur, na terra dos caldeus, para te dar esta terra como propriedade tua.»

8

Abrão perguntou: «Ó SENHOR, meu Deus, como é que eu posso estar seguro que ela será minha propriedade?»

9

O SENHOR respondeu: «Traz-me uma vitela, um cabrito e um carneiro, todos com três anos, e ainda uma rola e um pombo.»

10

Abrão trouxe aqueles animais e cortou-os em duas metades, colocando cada uma delas frente a frente . Só não dividiu as aves.

11 Os abutres lançavam-se sobre os corpos dos animais mortos, mas Abrão afastava-os.

12 Ao entardecer, uma enorme sonolência caiu sobre Abrão e sentiu um medo enorme e terrível .

13

Então Deus disse-lhe: «Fica a saber que os teus descendentes hão de viver como estrangeiros numa terra que não é a sua e hão de escravizá-los e humilhá-los durante quatrocentos anos .

14 Mas eu mesmo hei de castigar o povo que os vai escravizar e, no fim, poderão sair com muitas riquezas .

15 Quanto a ti, morrerás feliz em idade avançada e irás descansar em paz junto dos teus antepassados.

16

Na quarta geração, os teus descendentes hão de voltar para aqui, pois agora as culpas dos amorreus ainda não chegaram até ao limite para receberem o castigo merecido.»

17

Nisto pôs-se o Sol e veio a escuridão. Viu-se então um fogareiro fumegante e uma tocha acesa a passar entre os animais divididos.

18 Naquele mesmo dia o SENHOR estabeleceu uma aliança com Abrão e disse:

«Vou dar esta terra aos teus descendentes ,
desde a ribeira do Egito
até ao grande rio Eufrates.

19

Isto é, vou dar-lhes o território dos quenitas, dos quenizeus, dos cadmoneus,

20 dos hititas, dos perizeus, dos refaítas,

21 dos amorreus, dos cananeus; dos guirgaseus e dos jebuseus.»

16

1

Sarai, mulher de Abrão, não lhe tinha dado nenhum filho. Ora ela tinha uma escrava egípcia, chamada Agar.

2 Então Sarai disse a Abrão: «O SENHOR não me deu a possibilidade de ter filhos. Mas talvez a minha escrava te possa dar algum filho por mim .» Abrão concordou com a proposta de Sarai.

3 E assim, dez anos depois de estarem já a viver em Canaã, Sarai mulher de Abrão deu a sua escrava Agar a Abrão como segunda mulher.

4 Abrão teve relações com Agar e ela ficou grávida. Ora, ao saber que estava grávida, começou a olhar com desprezo a sua senhora.

5

Sarai disse então a Abrão: «Eu pus a minha escrava nos teus braços e agora que viu que está grávida já me olha com desprezo. Isto é uma injustiça para comigo e tu também és responsável. Que o SENHOR seja o juiz nesta questão entre mim e ti!»

6 Abrão respondeu a Sarai: «Ela continua ainda a ser a tua escrava. Faz dela aquilo que melhor te parecer.» E Sarai começou a humilhá-la de tal maneira que ela teve de fugir.

7

O anjo do SENHOR encontrou-a junto de uma fonte, no deserto, precisamente a fonte que está no caminho para Chur,

8 e perguntou-lhe: «Agar, escrava de Sarai, de onde vens e para onde vais?» Ela respondeu: «Fugi de casa de Sarai, a minha senhora.»

9 Mas o anjo do SENHOR retorquiu: «Volta para a tua senhora e obedece-lhe.»

10 E acrescentou ainda: «hei de tornar os teus descendentes tão numerosos que ninguém os poderá contar.»

11 O anjo do SENHOR declarou-lhe ainda:

«Tu estás grávida e vais dar à luz um filho;
hás de chamar-lhe Ismael,
porque o SENHOR prestou atenção ao teu sofrimento.

12
Será como um animal selvagem ,
sempre em luta com os outros e os outros em luta com ele.
Mas conseguirá viver na presença de todos os seus irmãos e vizinhos.»

13

Agar exclamou: «Terei eu visto aquele que me vê a mim?» E disse ao SENHOR, que tinha falado com ela: «Tu és o Deus que me vê!»

14 Por isso, aquela nascente se ficou a chamar «Nascente de Lahai-Roi» e encontra-se entre Cadés e Béred.

15

Agar deu à luz um filho e Abrão, seu pai, pôs-lhe o nome de Ismael.

16 Abrão tinha oitenta e seis anos de idade, quando Agar deu à luz o seu filho Ismael.

17

1

Quando Abrão tinha noventa e nove anos de idade, o SENHOR apareceu-lhe e disse-lhe:

«Eu sou o Deus supremo ; cumpre a minha vontade com retidão.

2
Eu vou estabelecer uma aliança contigo,
vou dar-te uma descendência muito numerosa.»

3

Abrão inclinou-se profundamente e o SENHOR continuou a falar com ele:

4 «Em virtude da aliança que faço contigo, vais tornar-te pai de uma imensidão de povos.

5 O teu nome não será Abrão, mas sim Abraão, porque vou fazer com que sejas pai de uma imensidão de povos .

6

Vou dar-te uma enorme descendência; de ti hão de surgir vários povos e haverá reis entre os teus descendentes.

7 Hei de manter firme a minha aliança contigo e com os teus futuros descendentes, como uma aliança eterna. Serei o teu Deus e o Deus dos teus descendentes.

8 Vou dar-te a ti e a eles em propriedade, para sempre, a terra onde agora vives como estrangeiro, toda a terra de Canaã. E serei realmente Deus para eles.»

9

Deus acrescentou ainda: «Mas tu, Abraão, deves também ser fiel à minha aliança, tu e os teus descendentes, para sempre.

10 E a obrigação da aliança entre mim e ti e todos os teus descendentes é esta: devem fazer a circuncisão a todos os vossos homens .

11 A carne do prepúcio será circuncidada e a circuncisão será o sinal da aliança entre mim e vós.

12 Aos oito dias de idade, façam a circuncisão a todos os descendentes do sexo masculino, quer sejam filhos da família, quer sejam escravos adquiridos por dinheiro e descendam doutras raças diferentes da vossa.

13 Tanto os nascidos em tua casa, como os que foram adquiridos por dinheiro têm de ser circuncidados. Este será para sempre o sinal da minha aliança no vosso corpo.

14 E aquele que não tiver sido circuncidado deve ser eliminado do vosso povo, por não ter respeitado a minha aliança.»

15

Deus disse a Abraão: «A tua mulher já não continuará a chamar-se Sarai, mas Sara .

16 Hei de abençoá-la e farei com que ela tenha um filho teu. Ainda há de ser mãe de muitos povos e há de haver reis entre os seus descendentes.»

17

Abraão inclinou-se e sorriu, pensando no seu íntimo: «Será que pode nascer um filho de um pai de cem anos? Será que Sara vai mesmo ter um filho aos noventa anos?»

18 Então Abraão exclamou: «Oxalá tu conserves a vida a Ismael!»

19 Mas Deus disse: «Sim, mas também a tua mulher Sara vai ter um filho teu e tu hás de dar-lhe o nome de Isaac . Eu hei de fazer aliança com ele e com os seus descendentes para sempre.

20

Também quero responder ao teu pedido a favor de Ismael. Hei de abençoá-lo e dar-lhe uma descendência muito numerosa. Será pai de doze chefes e os seus descendentes formarão um grande povo.

21 Mas a minha aliança será feita a favor de Isaac, o filho que Sara te vai dar, no próximo ano, por esta altura.»

22 Depois de ter falado com Abraão, Deus afastou-se de junto dele.

23

Naquele mesmo dia, cumprindo as ordens que recebera do SENHOR, Abraão fez a circuncisão a todos os homens que se encontravam em sua casa, ao seu filho Ismael e a todos os nascidos em sua casa, bem como a todos os escravos que tinha adquirido por dinheiro.

24

Abraão tinha noventa e nove anos de idade

25 e Ismael tinha treze anos quando foram circuncidados.

26 Naquele mesmo dia, receberam a circuncisão Abraão e o seu filho Ismael

27 e ainda os restantes homens da casa de Abraão, tanto os nascidos em sua casa como os escravos estrangeiros que tinham sido adquiridos por dinheiro. Todos receberam como ele a circuncisão.

18

1

Um dia o SENHOR apareceu a Abraão, quando ele estava sentado à porta da sua tenda, à hora do calor, junto dos carvalhos de Mambré.

2 Abraão levantou os olhos e viu três personagens que estavam diante dele. Da porta da sua tenda, onde estava, correu ao encontro deles, inclinou-se profundamente

3 e exclamou: «Se o meu senhor me quer fazer um favor, fique um pouco em minha casa.

4 Mandarei trazer água para lavarem os pés, para que possam descansar uns momentos à sombra das árvores.

5 Já que passaram por casa deste vosso servo, vou buscar pão para recuperarem as forças, antes de continuarem a viagem.» E eles responderam: «Está bem. Pode ser como disseste.»

6

Então Abraão correu para dentro da tenda e disse a Sara: «Depressa! Amassa três medidas da melhor farinha e faz alguns pães!»

7 E ele correu para o seu gado e trouxe um vitelo novo e gordo e entregou-o a um criado que o cozinhou rapidamente.

8 Depois serviu aos hóspedes o vitelo que tinha preparado, ofereceu-lhes ainda manteiga e leite. E ele próprio ficou à disposição junto deles, debaixo das árvores, enquanto eles comiam.

9

Eles perguntaram-lhe: «Onde está a tua mulher, Sara?» E ele respondeu: «Está ali na tenda.»

10 Então um deles disse: «Para o ano que vem voltarei a tua casa e, na devida altura, a tua mulher Sara terá um filho.» Ora Sara estava a ouvir a conversa à entrada da tenda, mesmo por trás de Abraão.

11

Abraão e Sara eram bastante idosos e Sara já não estava em idade de ter filhos.

12 Então Sara sorriu ao pensar para consigo mesma: «Como é que eu vou ainda sentir essa alegria, se eu e o meu marido estamos velhos e cansados?»

13

O SENHOR disse a Abraão: «Por que é que Sara sorriu, pensando que já não pode ter um filho nesta idade?

14 Será que, para o SENHOR, isso é uma coisa tão difícil ? Daqui a um ano voltarei a passar por tua casa e, no fim do tempo devido, a tua mulher terá dado à luz um filho.»

15 Sara ficou com medo e negou que tivesse sorrido. Mas ele respondeu: «Sorriste, sim.»

16

Os visitantes levantaram-se e preparavam-se para se dirigirem a Sodoma; Abraão foi caminhando com eles para se despedir.

17 Então o SENHOR disse para consigo: «Será que eu vou esconder a Abraão aquilo que pretendo fazer?

18 De facto, Abraão vai ser o pai de um povo muito grande e poderoso e por ele serão abençoados todos os povos do mundo .

19 Eu escolhi-o para ensinar aos seus filhos e descendentes a seguirem a vontade do seu SENHOR, praticando o que é justo e honesto, para que as promessas que lhe fiz sejam mantidas e cumpridas.»

20

Então o SENHOR disse-lhe: «As queixas contra Sodoma e Gomorra são numerosas e os seus crimes são muito graves.

21 Vou até lá, para ver se as queixas que me fizeram contra essas cidades correspondem à sua maldade ou não. Quero saber ao certo.»

22

Dois dos visitantes afastaram-se na direção de Sodoma, enquanto Abraão continuava junto do SENHOR.

23 Abraão aproximou-se mais do SENHOR e perguntou-lhe: «Será que vais destruir os inocentes juntamente com os culpados?

24 Suponhamos que existem uns cinquenta inocentes naquela cidade, vais destruí-la na mesma? Não és capaz de perdoar a toda a cidade em atenção aos cinquenta que estão inocentes?

25 Não é possível que tu vás fazer uma coisa dessas: condenar à morte o inocente juntamente com o culpado. Desse modo, ser inocente ou culpado, seria a mesma coisa. Tu que és o juiz do mundo inteiro tens que ser justo, nas tuas sentenças.»

26

O SENHOR respondeu: «Se eu encontrar na cidade de Sodoma cinquenta pessoas que estejam inocentes, perdoo a toda a cidade em atenção a eles.»

27

Abraão continuou: «Já que tomei a liberdade de falar ao meu Senhor, mesmo que eu não seja mais do que pó da terra, permita-me mais uma palavra.

28 Suponhamos que não chegam bem a cinquenta, mas que faltam uns cinco. Será que vais destruir toda a cidade, só por causa de cinco?» O SENHOR respondeu: «Se lá encontrar quarenta e cinco que estejam inocentes, também não destruo a cidade.»

29

Abraão continuou ainda a falar com o SENHOR e disse-lhe: «Suponhamos que lá existam quarenta que estão inocentes.» O SENHOR respondeu: «Também não faço mal à cidade, em atenção a esses quarenta.»

30

Abraão insistiu: «Que o meu SENHOR não se vá zangar, se eu continuar a falar. Mas suponhamos que lá se encontram trinta.» E o SENHOR respondeu: «Também não faço mal à cidade, se de facto lá encontrar esses trinta.»

31

Abraão continuou: «Já que tive a ousadia de falar com o meu SENHOR, direi mais uma coisa só: Suponhamos que lá existem apenas uns vinte.» O SENHOR respondeu: «Não a destruirei, em atenção a esses vinte.»

32

Abraão disse ainda: «Que o meu SENHOR não se zangue, se eu falo uma vez mais. Suponhamos que lá existem só dez pessoas que estão inocentes.» O SENHOR respondeu: «Também não a destruirei, em atenção a esses dez.»

33

Depois de assim ter falado com Abraão, o SENHOR foi-se embora e Abraão voltou para onde estava antes.

19

1

Os dois mensageiros de Deus chegaram a Sodoma ao entardecer e Lot estava sentado à porta da cidade. Ao vê-los chegar, Lot levantou-se, foi ao seu encontro e, inclinando-se profundamente até ao chão,

2 disse-lhes: «Por favor, meus senhores, queiram entrar em casa deste vosso servo para lavarem os pés e passarem a noite. Amanhã de manhã podem continuar o caminho.» Mas eles reponderam: «Não é preciso, nós dormimos mesmo na rua.»

3 Mas Lot insistiu tanto que eles aceitaram ir para sua casa e dirigiram-se para lá. Lot fez um banquete em honra deles, cozeu pães sem fermento e os visitantes comeram.

4

Mas antes de se terem ido deitar, todos os homens da cidade de Sodoma, novos e velhos, sem faltar nenhum, rodearam a casa de Lot,

5 gritando por ele e perguntavam-lhe: «Onde estão os homens que esta noite entraram em tua casa? Manda-os cá para fora, que queremos dormir com eles.»

6 Lot chegou à entrada da sua casa, fechou a porta atrás de si

7 e disse: «Por favor, meus amigos, não cometam um crime desses!

8 Sabem que tenho duas filhas, que são ainda solteiras. Se quiserem trago-as para aqui e podem fazer com elas tudo o que quiserem. Mas àqueles homens não façam mal nenhum, porque eles procuraram abrigo em minha casa .»

9 Eles replicaram: «Vai-te embora! Vieste para aqui viver como estrangeiro e agora queres armar-te em nosso juiz. Vamos tratar-te pior do que a eles.» E empurrando Lot, aproximaram-se da porta para a arrombarem.

10 Nisto os dois visitantes levaram Lot para dentro de casa e fecharam a porta.

11 E feriram de cegueira os homens de Sodoma que estavam à porta da casa de Lot , desde o mais novo ao mais velho, e não conseguiram encontrar a porta.

12

Os visitantes disseram a Lot: «Sai deste lugar com todos aqueles que te pertencerem: genros, filhos e filhas e tudo o que tiveres nesta cidade.

13 Com efeito, vamos destruí-la, porque as queixas dirigidas ao SENHOR contra ela são cada vez maiores e nós fomos enviados para a destruir.»

14 Lot saiu de casa e foi avisar os seus futuros genros, que estavam para casar com as suas filhas e disse-lhes: «Saiam desta cidade, porque o SENHOR vai destruí-la.» Mas eles pensaram que Lot estava a brincar.

15

De madrugada os mensageiros de Deus insistiam com Lot e diziam-lhe: «Levanta-te depressa e leva daqui para fora a tua mulher e as tuas duas filhas que estão ainda contigo, se não queres ser apanhado também pelo castigo da cidade.»

16 Como Lot parecia hesitar, os dois visitantes agarraram-no pela mão, a ele, à mulher e às duas filhas e levaram-nos para fora da cidade, pois o SENHOR queria salvá-los.

17 Depois de os terem feito sair da cidade, um dos mensageiros disse-lhe: «Põe-te a salvo! Não olhes para trás, nem fiques aqui pelas redondezas. Refugia-te nas montanhas para não seres também apanhado.»

18

Mas Lot replicou: «Faz-me ainda este favor!

19 Tu trataste com bondade este teu servo e ainda por cima me salvaste a vida. Mas eu não posso refugiar-me nas montanhas, porque poderei ser apanhado pela desgraça e morrer.

20 Há aqui próximo uma cidade relativamente pequena, onde me posso refugiar. Deixa-me ir para lá e não a destruas, para que eu possa salvar a vida. É uma cidade tão pequenina!»

21 E ele respondeu: «Vou conceder-te mais esse pedido e não vou destruir essa cidade de que falaste.

22 Então refugia-te nela rapidamente, pois eu não posso fazer nada antes de tu lá estares.» Por este motivo, a cidade ficou a chamar-se Soar .

23

Lot entrou em Soar quando o Sol estava a nascer.

24 O SENHOR fez então cair do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e sobre Gomorra.

25 Destruiu aquelas cidades e toda a região com todos os seus habitantes e toda a vegetação.

26 A mulher de Lot olhou para trás e ficou transformada em estátua de sal .

27

Abraão levantou-se de manhã cedo e foi ao lugar onde tinha estado a falar com o SENHOR.

28 Quando olhou para o lado de Sodoma e Gomorra e para toda a região, viu que eram só nuvens de fumo a subir da terra, semelhante ao fumo que sai de uma fornalha.

29 Deus destruiu as cidades daquela região, mas lembrou-se de Abraão e salvou Lot da destruição que atingiu as cidades da área onde ele habitava.

30

Lot saiu de Soar e foi viver para as montanhas, levando consigo as suas duas filhas, pois estava com medo de permanecer em Soar. E ficou a viver numa gruta com as suas duas filhas.

31

Um dia disse a mais velha para a mais nova: «O nosso pai está velho e em toda esta região não há homem nenhum para casar connosco, como acontece por toda a parte.

32 Vamos embebedar o nosso pai e depois dormimos com ele, para que ele nos dê descendentes.»

33 Naquela noite embebedaram o pai e depois a mais velha dormiu com ele, sem que ele se desse conta, nem quando ela se deitou nem quando se levantou.

34 No dia seguinte a mais velha disse à mais nova: «Ontem à noite fui eu que dormi com o pai. Vamos embebedá-lo também esta noite e dormes tu com ele, para que nos dê descendentes.»

35 Naquela noite voltaram a embebedá-lo e a mais nova foi deitar-se com o pai sem que desse por isso nem quando ela se deitou nem quando se levantou.

36 E assim ficaram as duas grávidas do pai.

37

A mais velha deu à luz um filho a quem pôs o nome de Moab, que é o antepassado dos moabitas que ainda hoje existem.

38 A mais nova também deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Ben-Ami, que é o antepassado dos amonitas que também ainda hoje existem .

20

1

Abraão deslocou-se dali para a região do Negueve e vivia entre Cadés e Chur. Durante uma estadia em Guerar,

2 Abraão apresentou Sara, sua mulher, como sendo sua irmã . E Abimelec, rei de Guerar, mandou que lhe levassem Sara.

3 Mas durante a noite, Deus apresentou-se a Abimelec, em sonhos, e disse-lhe: «Tu vais ser castigado com a morte, porque casaste com uma mulher que já é casada.»

4 Mas Abimelec não tinha tido relações com ela e respondeu: «Ó SENHOR, será que vais condenar à morte alguém que está inocente?

5 Na verdade Abraão disse-me que Sara era sua irmã e ela também me disse que ele era seu irmão. Foi com toda a sinceridade e reta intenção que fiz isto.»

6

Deus respondeu-lhe ainda, durante o sonho: «Eu bem sei que o fizeste com toda a sinceridade e por isso também não permiti que lhe tocasses, para não cometeres uma ofensa contra mim.

7 Entrega, portanto, essa mulher ao seu marido. Ele é um profeta: intercederá por ti, diante de mim, para que tu possas salvar a tua vida. Mas se lha não entregares, fica a saber que morrerás com toda a certeza, tu e todos os teus.»

8

Ao levantar-se pela manhã, Abimelec convocou toda a sua corte e contou-lhes o sucedido. E todos ficaram cheios de medo.

9

Abimelec mandou chamar Abraão e disse-lhe: «Vê bem o que nos fizeste! Que crime cometi contra ti para me tornares assim responsável, a mim e ao meu povo, por um tão grande crime? Aquilo que tu me fizeste não se faz a ninguém.»

10 Abimelec perguntou ainda: «Qual foi o motivo que te levou a fazeres uma coisa destas?»

11 Abraão respondeu: «É que eu pensei que talvez nesta terra não tivessem respeito a Deus. E, se assim fosse, eram capazes de me matar por causa da minha mulher.

12 De facto, ela também é minha irmã, porque é filha do meu pai; mas não é filha da minha mãe, por isso pôde casar comigo.

13 E quando Deus me fez sair da minha pátria, eu disse à minha mulher: “Peço-te por favor que, em todos os lugares para onde formos, digas sempre que eu sou teu irmão.”»

14

Abimelec deu a Abraão ovelhas, bois, escravos e escravas e entregou-lhe Sara, sua mulher

15 e disse ainda a Abraão: «A minha terra está à tua disposição. Podes habitar onde te parecer melhor.»

16 Depois disse a Sara: «Dei ao teu irmão mil moedas de prata, para mostrar a todos os teus que estás inocente e ninguém te pode acusar de nada.»

17

Abraão intercedeu a favor de Abimelec, junto de Deus, e Deus devolveu a saúde a Abimelec e à sua mulher e às suas escravas. Elas puderam de novo dar à luz filhos,

18 pois o SENHOR tinha tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimelec, por causa daquilo que tinha sucedido a Sara.

21

1

O SENHOR lembrou-se do que tinha anunciado a Sara e cumpriu o que lhe tinha prometido.

2 Sendo Abraão já de idade avançada, Sara ficou grávida dele e deu à luz um filho, exatamente na altura do ano que Deus lhe tinha anunciado .

3 E Abraão deu àquele seu filho, que Sara tinha dado à luz, o nome de Isaac.

4 Aos oito dias de vida, Abraão fez-lhe a circuncisão conforme a ordem recebida do SENHOR.

5 Abraão tinha cem anos de idade quando nasceu o seu filho Isaac.

6 Com efeito, Sara dissera: «Deus guardou para mim um sorriso e todos os que ouvirem esta notícia hão de sorrir por causa de mim.

7 Quem diria a Abraão que Sara ainda iria amamentar filhos. E, sendo ele já de idade avançada, ainda lhe dei um filho.»

8

O menino foi crescendo até que chegou a idade de deixar de mamar e, nessa altura, Abraão ofereceu um grande banquete.

9

Um dia Sara encontrou o filho de Abraão e da sua escrava egípcia, Agar, a brincar com Isaac

10 e foi dizer a Abraão: «Tens de mandar embora essa escrava e o seu filho. Não quero que o filho dela seja herdeiro juntamente com o meu filho Isaac .»

11 Abraão ficou muito desgostoso com a proposta, porque se tratava de um filho seu.

12 Mas Deus disse a Abraão: «Não fiques tão desgostoso por causa do menino e da tua escrava. Podes aceitar a proposta de Sara, pois a tua descendência virá de Isaac .

13 Mas o filho da escrava dará também origem a um grande povo, porque afinal é teu filho também.»

14

No dia seguinte pela manhã, Abraão foi buscar comida e um odre de água para os dar a Agar. Colocou-lhe as coisas ao ombro e o menino ao colo e mandou-a embora. Ela pôs-se a caminho, mas perdeu-se no deserto de Bercheba.

15

A água que trazia no odre acabou-se-lhe. Agar deixou o menino debaixo dum arbusto

16 e foi sentar-se a uma certa distância, porque não queria ver morrer o filho. Sentada no chão, ela chorava em altos gritos.

17

Deus ouviu o menino a chorar e o anjo do SENHOR chamou do céu por Agar e disse-lhe: «Que tens, Agar? Não tenhas medo, porque Deus ouviu a voz do menino, aí onde ele está.

18 Levanta-te, leva o menino e segura-o bem pela mão, pois eu hei de fazer com que ele dê origem a um grande povo.»

19

Deus fez com que Agar visse um poço. Foi lá encher o odre de água e deu de beber ao menino.

20 Deus protegia o menino e ele foi crescendo. Vivia no deserto de Paran e veio a ser atirador de arco.

21 A mãe casou-o com uma mulher egípcia.

22

Por aquela altura, Abimelec acompanhado de Picol, chefe do seu exército, disse a Abraão: «Deus está do teu lado em tudo aquilo que fazes.

23 Peço-te que jures agora por Deus que não pretenderás enganar-me, nem a mim nem aos meus filhos e descendentes, e que me tratarás a mim e a esta terra, onde moras, com a mesma bondade com que te tratei a ti.»

24 Abraão respondeu: «Juro.»

25 E falou a Abimelec de um poço que os servos de Abimelec lhe tinham tirado.

26 Abimelec respondeu: «Eu não sabia que alguém tivesse feito isso. Nem tu mo comunicaste nem eu o tinha ouvido dizer, a não ser agora.»

27

Abraão ofereceu ovelhas e bois a Abimelec e assim fizeram uma aliança.

28 Mas Abraão pôs de parte sete ovelhas do rebanho.

29 Abimelec perguntou-lhe: «Por que é que puseste de parte estas sete ovelhas?»

30 Abraão respondeu: «Foi para tas dar, como sinal de que fui eu que fiz este poço.»

31

Por isso, aquele lugar ficou a chamar-se Bercheba, porque foi lá que ambos fizeram o juramento .

32 Depois de terem concluído esta aliança em Bercheba, Abimelec e Picol, chefe do seu exército, foram de novo para a terra dos filisteus.

33 Abraão plantou ali em Bercheba uma árvore, uma tamargueira, e invocou o nome do SENHOR, o Deus eterno.

34 Abraão viveu ainda na terra dos filisteus, durante muito tempo.

22

1

Alguns anos mais tarde, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou por ele: «Abraão!» Este respondeu: «Aqui estou!»

2 Deus continuou: «Leva contigo o teu único filho, Isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte Moriá e oferece-o lá em sacrifício , sobre um dos montes que eu te indicar.»

3

Na manhã seguinte, Abraão levantou-se cedo para pôr os arreios no seu burro, preparou lenha para o fogo do sacrifício e pôs-se a caminho para o lugar que o SENHOR lhe indicara, levando consigo dois criados e o seu filho Isaac.

4 No terceiro dia da viagem, Abraão viu de longe o lugar referido.

5 Disse então aos seus criados: «Fiquem aqui com o burro que eu vou até lá adiante com o menino, para adorarmos o SENHOR, e depois voltamos para junto de vós.»

6

Abraão colocou aos ombros de Isaac a lenha para a fogueira do sacrifício e ele próprio levava o fogo e a faca. Ambos foram caminhando juntos.

7 Isaac chamou Abraão: «Ó pai!» E ele respondeu: «Diz, meu filho.» Isaac perguntou: «Levamos aqui o fogo e a lenha, mas onde é que está a vítima para o sacrifício?»

8 Abraão respondeu-lhe: «Deus há de encontrar a vítima para o sacrifício, meu filho.» E foram continuando a caminhar juntos.

9

Chegaram ao lugar de que Deus lhe tinha falado. Abraão construiu ali um altar e acomodou a lenha por cima dele. Depois atou o seu filho, Isaac, e colocou-o em cima do altar, por cima da lenha.

10

Abraão estendeu a mão e agarrou a faca para sacrificar o seu filho.

11 Mas do céu, o mensageiro do SENHOR chamou por ele: «Abraão! Abraão!» Este respondeu: «Aqui estou!»

12 E Deus disse-lhe: «Não levantes a mão contra o menino; não lhe faças nenhum mal. Agora já vejo que és obediente a Deus, pois estavas disposto a não poupar nem sequer o teu filho único por amor de mim.»

13

Abraão voltou-se e viu atrás de si um carneiro, que estava preso pelos chifres num arbusto. Foi lá buscá-lo e ofereceu-o em sacrifício em lugar do seu filho.

14

Abraão deu àquele lugar o nome de «O SENHOR providencia» e ainda hoje se diz «na montanha do SENHOR se providenciará .»

15

O mensageiro do SENHOR chamou Abraão mais uma vez do céu

16 e disse-lhe: «Eis o que diz o SENHOR: “Já que foste capaz de fazer isto e não poupaste o teu único filho, juro pelo meu bom nome

17 que te hei de abençoar e hei de dar-te uma descendência tão numerosa como as estrelas do céu ou como as areias da praia, e eles hão de tomar posse das cidades dos seus inimigos.

18 Através dos teus descendentes se hão de sentir abençoados todos os povos do mundo, porque tu obedeceste à minha ordem.”»

19

Abraão voltou para junto dos seus criados. E dali partiu com eles para Bercheba, onde ficou a viver.

20

Algum tempo depois, foram anunciar a Abraão que Milca tinha dado filhos a Naor, irmão de Abraão.

21 O primeiro foi Uce, o segundo, Buz e depois ainda Quemuel, pai de Aram,

22 Quéssed, Hazô, Pildás, Jidlaf e Betuel.

23 Por seu lado, Betuel foi pai de Rebeca. Estes são os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão.

24

Naor tinha também uma concubina chamada Reúma e esta deu à luz Teba, Gaam, Taás e Macá.

23

1

Sara viveu cento e vinte e sete anos

2 e morreu em Quiriat-Arbá, isto é, Hebron, que fica na terra de Canaã. Abraão ficou em casa para chorar a morte de Sara e em sinal de luto por ela.

3 Mas depois saiu de junto do cadáver e foi dizer aos hititas:

4 «Eu tenho vivido no vosso meio como um estrangeiro . Mas deixem-me adquirir um sepulcro, como propriedade minha, na vossa terra, para nele poder sepultar a minha mulher.»

5 Os hititas responderam a Abraão:

6 «Escute o que temos a dizer-lhe, senhor! Nós consideramo-lo no meio de nós como um escolhido de Deus. Pode sepultar a sua mulher no melhor dos nossos sepulcros. Nenhum de nós lhe recusará um sepulcro.»

7

Abraão levantou-se e fez uma inclinação de respeito aos hititas, que eram donos da terra,

8 e disse-lhes: «Se é realmente da vossa vontade que eu sepulte a minha mulher, peçam a Efron, filho de Soar,

9 para me ceder a gruta de Macpela, que é dele e que está na extrema do terreno que lhe pertence. Que ele ma entregue pelo preço devido e ficarei a ser dono de um sepulcro aqui na vossa terra.»

10

Ora, Efron encontrava-se ali entre os hititas e respondeu a Abraão, de maneira a ser ouvido por todos e por quem passava à porta da cidade :

11 «Meu caro senhor, peço-lhe que fique com esse campo e com a gruta que nele existe. Dou-lhe tudo isso, diante do meu povo. Já pode sepultar a sua mulher.»

12

Abraão inclinou-se diante do povo daquela terra

13 e respondeu a Efron, de modo a que todos pudessem igualmente ouvir: «Peço-lhe, por favor, que aceite o dinheiro que lhe dou como preço da gruta. É assim que eu quero sepultar a minha mulher.»

14

Efron respondeu então:

15 «Olhe, meu amigo, aquela terra vale quatrocentas moedas de prata. Que é isso para mim ou para si? De modo que pode lá sepultar a sua mulher.»

16 Abraão concordou com o preço e entregou-lhe o montante que ele tinha dito, na presença de todo o povo: quatrocentas peças de prata, com o peso corrente.

17

E assim o campo de Efron, em Macpela, em frente de Mambré, incluindo o próprio campo, a gruta e todas as árvores que havia dentro do terreno, passaram

18 para a posse de Abraão, na presença de todos os hititas, que tinham tomado parte naquela assembleia.

19

Depois disto, Abraão pôde sepultar a sua mulher, Sara, na gruta da propriedade de Macpela, em frente de Mambré, que é Hebron, na terra de Canaã.

20 Desta maneira, o campo e a gruta que nele havia passaram da posse dos hititas para a posse de Abraão, para aí poder sepultar os seus mortos.

24

1

Abraão era já de idade muito avançada e o SENHOR tinha-o abençoado de muitas maneiras.

2 Um dia disse ao mais velho dos seus criados, que era quem olhava por tudo o que pertencia a Abraão: «Quero que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa ,

3 para me fazeres um solene juramento, em nome do SENHOR, Deus do céu e da terra, prometendo-me que não deixarás que o meu filho case com uma mulher da terra de Canaã, onde me encontro agora a viver.

4 Deves ir à minha terra procurar entre os meus parentes uma mulher para o meu filho Isaac.»

5

O servo respondeu-lhe: «E se essa mulher não quiser vir comigo para esta terra, devo fazer com que o teu filho volte para a terra donde saíste?»

6

Abraão replicou: «De maneira nenhuma deves fazer voltar o meu filho para essa terra!

7 O SENHOR, Deus dos céus, fez-me sair da casa do meu pai e da terra dos meus parentes e prometeu-me sob juramento que havia de dar esta terra aos meus descendentes. Ele próprio há de enviar o seu mensageiro à tua frente e hás de trazer de lá uma mulher para o meu filho.

8 Se essa mulher não quiser vir contigo, ficas livre do juramento que me fizeste. Mas não quero que leves para lá o meu filho.»

9

O criado colocou a mão debaixo da coxa de Abraão e jurou que cumpriria aquelas recomendações.

10 Levou consigo dez dos camelos do seu senhor e ricos presentes da parte de Abraão, e partiu para a Mesopotâmia, para a cidade onde vivia Naor .

11

Chegou junto dessa cidade já ao entardecer, à hora em que as mulheres costumam ir buscar água, e fez descansar os camelos junto de um poço que ali havia.

12 Depois fez a seguinte oração: «Ó SENHOR, tu que és o Deus do meu amo Abraão, peço-te que tudo me corra bem, hoje, e que te mostres generoso para com o meu senhor, Abraão.

13 Vou ficar de pé junto do poço, enquanto as jovens desta cidade vêm buscar água.

14 Vou pedir a uma delas que incline um pouco o seu cântaro para eu poder beber. Se ela me responder: “Bebe que eu vou dar de beber também aos teus camelos”, será essa que tu destinaste para o teu servo Isaac. E assim ficarei certo de que foste generoso para com o meu senhor.»

15

Mal ele tinha acabado de pronunciar estas palavras, viu que Rebeca, filha de Betuel, vinha a sair da cidade com o seu cântaro ao ombro. Betuel era filho de Milca e de Naor, irmão de Abraão.

16 Ela era realmente muito bonita e, além disso, era jovem e solteira. Rebeca desceu até ao poço, encheu o cântaro e voltou a subir.

17 O criado de Abraão correu ao seu encontro e pediu-lhe: «Deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro, por favor.»

18 Ela respondeu: «Beba, meu senhor.» E rapidamente desceu o cântaro do ombro e ela mesma o segurou nas mãos para lhe dar de beber.

19 Depois de lhe ter dado de beber a ele, disse ainda: «Vou também dar de beber aos teus camelos quanto eles quiserem.»

20 Imediatamente esvaziou o seu cântaro no bebedouro e várias vezes voltou ao poço buscar água para todos os seus camelos.

21 Entretanto o criado de Abraão olhava para ela em silêncio, para ver se o SENHOR fazia com que a sua viagem tivesse o resultado desejado.

22

Depois de os camelos terem bebido, ele ofereceu a Rebeca um brinco com seis gramas de peso e colocou nos pulsos duas pulseiras de ouro de mais de cem gramas.

23 E perguntou-lhe: «Diz-me, por favor, quem é o teu pai. Será que ele tem em casa lugar que chegue para eu lá poder ficar com os que me acompanham?»

24 Ela respondeu: «Sou filha de Betuel, filho de Milca e de Naor.

25 E em nossa casa há espaço suficiente para vocês lá ficarem e também temos palha e comida bastante para os animais.»

26

Então o criado de Abraão inclinou-se profundamente em adoração ao SENHOR

27 e orou assim: «Bendito seja o SENHOR, Deus de Abraão, meu amo, pois não deixou de se mostrar bondoso e fiel para com Abraão e me conduziu pelo caminho certo até à casa dos seus parentes.»

28

A jovem foi a correr a casa da sua mãe anunciar o que acabara de acontecer.

29 Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Este correu imediatamente para junto do poço, fora da cidade, ao encontro daquele homem.

30 Mal viu o brinco e as pulseiras nos pulsos da irmã e ouviu da boca de Rebeca as coisas que aquele homem lhe tinha dito, foi logo ter com ele. O criado de Abraão estava ainda com os seus camelos junto do poço

31 e Labão disse-lhe: «Vem para nossa casa. Tu és abençoado pelo SENHOR. Por que é que hás de ficar na rua? Já tenho tudo preparado em casa, bem como o lugar para os camelos.»

32

Uma vez em sua casa, Labão mandou descarregar os camelos e deu-lhes palha e feno e trouxe água para que o visitante e os seus homens pudessem lavar os pés.

33 Quando lhes serviram de comer o servo de Abraão disse: «Não posso comer enquanto não disser aquilo que trago para dizer.» Labão respondeu: «Podes falar.»

34 E o outro continuou: «Eu sou criado de Abraão.

35 O SENHOR cobriu-o de bênçãos e tornou-o rico: deu-lhe ovelhas e bois, camelos e burros, prata e ouro, escravos e escravas.

36 A sua mulher, Sara, deu à luz um filho, já na velhice, e Abraão fez dele o herdeiro de tudo o que lhe pertence.

37 O meu amo obrigou-me a jurar e disse-me: “Não deixes que o meu filho se case com uma mulher da terra de Canaã, onde me encontro agora a viver.

38 Deves ir à casa dos meus pais escolher entre os meus parentes uma mulher para casar com o meu filho.”

39 Eu respondi ao meu senhor: “Mas pode ser que essa mulher não queira vir comigo.”

40 Ele replicou: “Eu sempre tenho cumprido a vontade do SENHOR e ele há de mandar um mensageiro seu à tua frente para fazer com que a tua viagem tenha êxito e possas trazer para o meu filho uma mulher minha parente, da família do meu pai.

41 Só ficarás livre desta obrigação se chegares junto dos meus parentes e eles não quiserem dar-te uma mulher. Então é que ficarias livre desta obrigação.”

42

Por isso, quando hoje cheguei junto do poço dirigi-me a Deus nestes termos: “Ó SENHOR, Deus do meu amo Abraão, se é da tua vontade que esta viagem que estou a fazer seja bem sucedida, concede-me o que te peço.

43 Eu vou-me colocar junto do poço. Quando uma jovem vier buscar água e eu lhe disser: Deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro,

44 e ela me responder: Bebe que eu vou também dar de beber aos teus camelos, faz com que seja essa a mulher que o SENHOR tem destinada para o filho do meu amo.”

45

Mal eu tinha acabado de pronunciar estas palavras, no meu íntimo, apareceu Rebeca com o cântaro ao ombro. Desceu até ao poço, para tirar a água e eu disse-lhe: “Dá-me água, por favor.”

46 Ela tirou imediatamente o cântaro do ombro e disse-me: “Bebe, que eu vou também dar de beber aos teus camelos.” Eu bebi e ela deu de beber também aos meus camelos.

47

Então perguntei-lhe: “Quem é o teu pai?” E ela respondeu-me que era filha de Betuel, filho de Naor e de Milca. Foi então que eu lhe ofereci o brinco e lhe pus as pulseiras nas mãos.

48 Inclinei-me profundamente em adoração ao SENHOR e agradeci ao SENHOR, Deus de Abraão, meu amo, por me ter conduzido pelo caminho certo, para vir buscar a filha de um parente do meu amo para mulher do seu filho.

49

E agora digam-me se estão dispostos ou não a ser generosos e leais para com o meu amo, Abraão, de modo que eu saiba se tenho de procurar por outro lado.»

50

Labão e Betuel responderam: «Tudo isto foi conduzido pelo SENHOR. Nem sequer temos de dizer se estamos de acordo ou não.

51 Aí tens Rebeca diante de ti. Podes levá-la contigo, para casar com o filho do teu amo, tal como o SENHOR destinou.»

52 Quando o criado de Abraão ouviu aquela resposta, inclinou-se profundamente em adoração ao SENHOR.

53 E depois foi buscar objetos de prata e ouro e vestidos, ofereceu-os a Rebeca e deu também presentes ao irmão e à mãe.

54

Em seguida, comeram e beberam, ele e os homens que o tinham acompanhado, e ali passaram a noite. No dia seguinte, o criado de Abraão disse: «Permitam-me que volte para o meu amo.»

55 Mas o irmão e a mãe de Rebeca responderam: «Deixa que ela fique alguns dias connosco, uns dez dias; depois já podes ir.»

56 Mas ele replicou: «Não atrasem o meu regresso, porque o SENHOR fez com que a minha viagem fosse bem sucedida. Deixem-me partir, que tenho de ir ter com o meu amo.»

57

Eles responderam: «Vamos chamar a rapariga para sabermos qual é a vontade dela.»

58 Chamaram então Rebeca e perguntaram-lhe se estava disposta a ir com aquele homem e ela respondeu: «Vou, sim!»

59

A família despediu-se dela, da sua ama e do criado de Abraão, com os seus homens.

60 Então saudaram Rebeca, desejando-lhe felicidades:

«Tu és nossa irmã;
oxalá possas dar vida a milhares de descendentes:
e que eles possam conquistar
as cidades dos seus inimigos.»

61

Depois disso, Rebeca e as suas criadas montaram em camelos e prepararam-se para acompanhar o criado de Abraão. Este tomou Rebeca a seu cuidado e pôs-se a caminho.

62

Entretanto Isaac tinha voltado de junto do poço de Lahai-Roi e estava a viver na região do Negueve.

63 Um dia ao entardecer, quando tinha ido ao campo, olhou ao longe e viu camelos a chegar.

64 Quando Rebeca viu Isaac desceu do camelo

65 e perguntou ao servo de Abraão: «Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?» Ele respondeu: «É o meu amo.» Então ela agarrou no véu e cobriu o rosto com ele.

66

O criado contou a Isaac tudo o que tinha feito.

67 Isaac instalou Rebeca na tenda da sua mãe, Sara. Depois casou com Rebeca e amou-a, e assim foi consolado da perda da sua mãe.

25

1

Abraão voltou a casar-se com uma mulher chamada Quetura.

2 Dela lhe nasceram os seguintes filhos: Zimeran, Jocsan, Medan, Madiã , Jisbac e Chua.

3 Jocsan foi pai de Sabá e de Dedan. Dedan foi pai de Latús e de Leumim.

4 Madiã foi pai de Efá, Éfer, Henoc, Abidá e Eldá. Todos estes eram descendentes de Quetura.

5

Abraão entregou tudo o que era seu a Isaac.

6 Aos filhos das outras mulheres que tinham vivido com Abraão deu-lhes presentes e mandou-os para os lados do oriente, enquanto ainda estava vivo, para não ficarem com o seu filho Isaac.

7

Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.

8 Morreu feliz numa idade já bastante avançada e foi juntar-se aos seus antepassados.

9 Os seus filhos Isaac e Ismael deram-lhe sepultura na gruta de Macpela, no campo de Efron, o hitita, filho de Soar, que está em frente de Mambré.

10 É o campo que Abraão tinha comprado aos hititas . Nele foram sepultados Abraão e a sua mulher, Sara.

11

Depois da morte de Abraão, Deus continuou a abençoar Isaac, seu filho, e este ficou a viver junto do poço de Lahai-Roi .

12

Esta é a descendência de Ismael. Ismael era filho de Abraão e de Agar, a escrava egípcia de Sara.

13 E estes são os nomes dos seus descendentes, pela ordem de nascimento: Nebaiot, que foi o primeiro filho de Ismael, Quedar, Adebiel, Mibsam,

14 Michemá, Dumá e Massá,

15 Hadad, Temá, Jetur, Nafis e Quedma.

16

Estes deram o nome aos descendentes de Ismael, quer dos que viviam em aldeias quer em acampamentos. São doze chefes de outros tantos grupos.

17

Ismael morreu aos cento e trinta e sete anos de idade e foi juntar-se aos seus antepassados.

18

Os seus descendentes estabeleceram-se entre Havilá e Chur, que está próximo do Egito, no caminho para Achur, contra a vontade dos outros descendentes de Abraão.

19

Esta é a história de Isaac, filho de Abraão. Abraão foi pai de Isaac

20 e quando Isaac tinha quarenta anos casou com Rebeca, filha de Betuel e irmã de Labão, que eram arameus, naturais da Alta Mesopotâmia.

21

Isaac pediu ao SENHOR pela sua mulher, porque ela não conseguia ter filhos. O SENHOR ouviu o seu pedido e Rebeca ficou grávida.

22 Dois gémeos lutavam um contra o outro no seu ventre e ela exclamou: «Foi realmente para isto que eu fiquei grávida?» Foi então consultar o SENHOR

23 e ele respondeu-lhe:

«Trazes dentro de ti dois povos;
duas nações hão de sair do teu ventre.
Cada um deles tentará ser o mais forte,
mas o mais velho é que terá de submeter-se ao mais novo .»

24

Completou-se o tempo de Rebeca dar à luz e nasceram dois gémeos.

25 O primeiro a nascer era muito moreno e todo coberto de pelo e deram-lhe o nome de Esaú .

26 Depois nasceu o irmão e como a sua mão vinha a segurar o calcanhar de Esaú. Por isso, lhe chamaram Jacob . Quando eles nasceram, Isaac tinha sessenta anos de idade.

27

Os meninos foram crescendo. Esaú tornou-se um caçador experimentado e gostava da vida no campo. Jacob, por seu lado, era uma pessoa tranquila e apreciava a vida no acampamento.

28

Isaac gostava mais de Esaú, que lhe dava caça para comer, mas Rebeca gostava mais de Jacob.

29

Um dia Jacob estava a preparar um cozinhado, quando Esaú estava de regresso do campo e vinha muito cansado.

30 Esaú pediu-lhe: «Dá-me um pouco dessa comida avermelhada que eu venho muito cansado.» Por isso, Esaú ficou com a alcunha de Edom .

31 Jacob respondeu-lhe: «Só se tu me deres primeiro, em troca, os direitos que tens de filho mais velho.»

32 Esaú respondeu: «Se tenho de morrer de fome, para que é que me servem os direitos de filho mais velho?»

33 Jacob disse: «Tens que jurar primeiro que o farás.» Então Esaú jurou e cedeu a Jacob os seus direitos de filho mais velho.

34 E Jacob deu a Esaú pão e um prato de lentilhas. Esaú comeu e bebeu e depois foi-se embora, sem atribuir nenhuma importância aos direitos de filho mais velho .

26

1

Houve outra vez muita fome no país, tal como tinha havido no tempo de Abraão . E Isaac refugiou-se em Guerar, na terra dos filisteus , onde era rei Abimelec.

2 O SENHOR apareceu-lhe e disse-lhe: «Não vás para o Egito, mas fica na terra que eu te indicar.

3 Podes morar nesta terra, que eu hei de ajudar-te e abençoar-te. Com efeito, hei de dar-te a ti e aos teus descendentes toda esta terra, cumprindo assim o juramento que já fiz a Abraão, teu pai.

4

Hei de dar-te tantos descendentes como estrelas tem o céu e a eles hei de dar toda esta terra. Todos os povos do mundo serão abençoados pelos teus descendentes ,

5 pois Abraão ouviu o meu chamamento e cumpriu as minhas recomendações, mandamentos, preceitos e leis.»

6

Isaac ficou a viver em Guerar

7 e os homens da região faziam-lhe perguntas a propósito da sua mulher. Ele respondia sempre que era sua irmã , porque tinha medo de dizer que era sua mulher, não fossem eles matá-lo para ficarem com Rebeca, que era muito bonita.

8

Passou-se bastante tempo e um dia Abimelec, rei dos filisteus, estava à janela quando viu Isaac a acariciar Rebeca, sua mulher.

9 Abimelec chamou por Isaac e disse-lhe: «Mas afinal ela é tua mulher! Como é que tu me disseste que era tua irmã?» Isaac respondeu: «Eu tive medo que me mandassem matar por causa dela.»

10 Abimelec replicou: «Pensa bem no mal que nos podias causar. Um qualquer deste povo podia ter dormido com a tua mulher e tu também serias responsável por esse crime.»

11 Abimelec mandou então proclamar por entre todo o seu povo: «Quem se atrever a tocar neste homem ou na sua mulher será condenado à morte.»

12

Naquele ano, Isaac semeou um campo e a colheita rendeu cem vezes mais que a semente; o SENHOR abençoou-o realmente.

13 Isaac foi enriquecendo dia a dia e chegou a ser dono de uma riqueza considerável.

14 Tinha rebanhos de ovelhas e de vacas e muitos criados, de modo que até os filisteus começaram a ter inveja dele.

15 Por isso, foram-se aos poços que tinham aberto os criados de Abraão, pai de Isaac, enquanto Abraão vivia, e entupiram-nos enchendo-os de terra.

16

Abimelec disse então a Isaac: «Sai desta terra, porque já estás muito mais rico do que nós.»

17 Isaac saiu dali e foi acampar na ribeira de Guerar, onde ficou a viver.

18 Então Isaac desentupiu os poços que tinham sido abertos no tempo de Abraão, seu pai, e que os filisteus tinham entupido, depois da morte de Abraão. E deu a cada um desses poços o mesmo nome que eles tinham no tempo de Abraão.

19 Também na ribeira de Guerar os servos de Isaac abriram um poço e encontraram água nascente.

20 Por isso, os pastores de Guerar entraram em conflito com os de Isaac, dizendo que aquela nascente lhes pertencia. Isaac chamou-lhe o poço do «Conflito», porque foi por causa daquele poço que tinham entrado em conflito com ele.

21 Os criados de Isaac abriram um outro poço e os pastores de Guerar reclamaram aquele também e Isaac deu-lhe o nome de «Reclamação».

22

Isaac afastou-se dali e voltou a abrir outro poço e ninguém mais voltou a levantar questões sobre ele. Isaac deu-lhe o nome de «Largueza», porque dizia ele: «Agora o SENHOR deu-nos largueza e seremos um povo numeroso nesta terra.»

23

Dali foi para Bercheba.

24 E na primeira noite que lá passou, o SENHOR apareceu a Isaac e disse-lhe:

«Eu sou o Deus de Abraão, teu pai;
não tenhas medo, porque estou do teu lado.
Por causa do meu servo Abraão,
hei de abençoar-te e dar-te numerosa descendência .»

25

Isaac construiu ali um altar e adorou o SENHOR. Montou ali a sua tenda e os servos de Isaac abriram um poço.

26

Um dia Abimelec saiu de Guerar com o seu conselheiro Auzat e com Picol, chefe do seu exército, para irem ter com Isaac.

27 Ao vê-los, Isaac perguntou: «Se não me aceitam e até me expulsaram da vossa terra, por que é que vêm agora ter comigo?»

28 Eles responderam: «É que nós vimos que o SENHOR está do teu lado e pensámos que era bom fazermos um tratado contigo; gostávamos de fazer contigo uma aliança.»

29 Seria o seguinte: «Tu comprometias-te a não nos fazer mal nenhum, tal como nós te não fizemos mal, muito pelo contrário sempre te tratámos bem e deixámos-te sair à vontade, de modo que agora te podes considerar uma pessoa abençoada pelo SENHOR.»

30

Isaac ofereceu-lhes um banquete e eles comeram e beberam.

31 No dia seguinte, pela manhã, juraram um ao outro cumprir aquela aliança. Isaac despediu-se deles e eles partiram dali como amigos.

32

Naquele mesmo dia, os criados de Isaac foram levar-lhe notícias sobre um poço que tinham aberto e disseram-lhe: «Já encontrámos água.»

33 Isaac deu-lhe o nome de Bercheba, isto é, «Juramento». Por isso, aquela cidade ainda hoje se chama Bercheba .

34

Quando Esaú tinha quarenta anos de idade casou com Judite, filha de um hitita chamado Beri, e com Bassemat, filha doutro hitita, chamado Elon.

35 Estas mulheres causaram muita amargura a Isaac e a Rebeca.

27

1

Isaac estava já muito velho e praticamente não conseguia ver nada. Chamou então o seu filho mais velho, Esaú, que lhe respondeu: «Estou aqui, meu pai!»

2 Então Isaac disse-lhe: «Eu já estou velho e não sei quanto tempo posso ainda viver.

3 Portanto, peço-te que pegues nas tuas armas de caça, no arco e nas flechas, e que vás ao campo ver se me apanhas alguma peça de caça.

4 Prepara-me um prato saboroso, como sabes que eu gosto, e traz-mo para eu comer e para depois te dar a minha bênção, antes de morrer.»

5

Esaú saiu para o campo, a ver se apanhava caça para levar ao seu pai. Mas Rebeca tinha estado a ouvir aquilo que Isaac dissera a Esaú

6 e foi contar ao seu filho Jacob: «Eu ouvi o teu pai a falar com o teu irmão, Esaú. Estava a dizer-lhe

7 que fosse à caça e lhe preparasse um prato saboroso, para ele comer e para lhe dar a sua bênção em nome do SENHOR, antes de morrer.

8 Portanto, meu filho, ouve agora bem e faz aquilo que te vou dizer.

9 Vai ao rebanho e traz-me de lá dois cabritos bons, que eu vou preparar com eles um prato saboroso como o teu pai gosta.

10 Depois vais levá-lo ao teu pai para que ele coma e te dê a bênção a ti, antes de morrer.»

11

Mas Jacob respondeu a Rebeca, sua mãe: «Repare que o meu irmão, Esaú, tem muito pelo no corpo e eu não.

12 Se o meu pai me tocar, vai tratar-me como um mentiroso e dá-me uma maldição em vez de uma bênção.»

13 Ela respondeu-lhe: «Se ele te amaldiçoar, essa maldição será para mim. Agora faz o que te digo; vai e traz-me os cabritos.»

14

Jacob foi e trouxe o que a sua mãe lhe pedira e ela preparou um prato saboroso, tal como o pai gostava.

15 Rebeca foi então buscar as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, que estavam guardadas em casa, e vestiu-as a Jacob, seu filho mais novo.

16 Com as peles dos cabritos cobriu as mãos e o pescoço de Jacob, que não tinham pelos,

17 e entregou-lhe o prato e o pão que tinha preparado.

18

Jacob foi ter com o seu pai e chamou: «Meu pai!» E Isaac respondeu-lhe: «Estou aqui. Qual dos meus filhos és tu?»

19 Jacob respondeu-lhe: «Eu sou Esaú, o teu filho mais velho. Já fiz aquilo que me pediste. Anda, senta-te e come da caça que apanhei e dá-me depois a tua bênção.»

20 Isaac replicou: «Ó meu filho, conseguiste apanhar caça muito depressa!» E Jacob respondeu: «Foi o SENHOR, teu Deus, que assim o fez acontecer.»

21

Isaac disse então a Jacob: «Aproxima-te, meu filho, para eu te tocar e ficar a saber se és realmente o meu filho Esaú ou não.»

22 Jacob aproximou-se então de Isaac, seu pai. Ao tocar-lhe, o pai comentou: «A voz parece a de Jacob, mas as mãos são as de Esaú.»

23 Isaac não chegou a reconhecê-lo, porque as mãos eram realmente cheias de pelo como as de Esaú e, por isso, deu-lhe a bênção.

24 Mesmo assim, ainda perguntou: «És tu o meu filho Esaú?» E Jacob respondeu: «Sou, sim!»

25 Isaac disse-lhe: «Traz-me cá então a caça, para eu comer e para depois te dar a bênção.» Ele levou-lha e Isaac comeu e deu-lhe também vinho a beber.

26 O pai chamou-o mais uma vez e disse-lhe: «Aproxima-te, meu filho, e dá-me um beijo.»

27 Jacob aproximou-se para lhe dar o beijo e Isaac sentiu o perfume das suas roupas e então deu-lhe a bênção , dizendo:

«Ó meu filho, tu cheiras bem
como um campo abençoado pelo SENHOR.

28
Que Deus te conceda a chuva do céu
e boas colheitas na terra,
com abundância de trigo e de vinho.

29
Que muitos povos te sirvam
e se inclinem diante de ti com respeito.
Que tu possas mandar em todos os teus parentes,
e que os descendentes da tua mãe
se inclinem diante de ti com respeito.
Os que te amaldiçoarem serão amaldiçoados
e os que te abençoarem serão abençoados.»

30

Depois de Isaac lhe ter dado a bênção, Jacob saiu de junto do seu pai e Esaú chegou da caça naquele preciso momento.

31 Esaú foi também preparar um prato saboroso e levou-o ao seu pai e disse-lhe: «Ó pai, levanta-te e come da caça do teu filho para me dares a tua bênção.»

32 Isaac perguntou-lhe: «Mas quem és tu?» Ele respondeu: «Sou Esaú, o teu filho mais velho.»

33

Isaac ficou terrivelmente preocupado e disse: «Mas então quem é que veio antes trazer-me caça? Eu já a comi, antes de tu chegares, e já lhe dei a bênção. Portanto fica abençoado.»

34

Ao ouvir do seu pai estas palavras, Esaú ficou muito amargurado; e chorando em altos gritos pediu ao seu pai: «Meu pai dá-me também uma bênção a mim.»

35 O pai respondeu: «O teu irmão veio antes e, com astúcia, conseguiu levar a bênção que te era devida.»

36 Esaú comentou: «Realmente foi bem posto o nome de Jacob. Já são duas vezes que ele me engana . Primeiro, tirou-me os direitos de filho mais velho e agora ficou com a minha bênção.» E acrescentou: «Já não tens mais nenhuma bênção para mim?»

37

Isaac respondeu a Esaú: «Já lhe dei o poder de mandar em ti e nos teus parentes, de modo que estejam ao seu serviço, e já lhe destinei o trigo e o vinho. Que é que eu posso agora fazer por ti, meu filho?»

38 Esaú replicou: «Ó meu pai, será que tens só uma bênção para dar? Abençoa-me também a mim!» E ao dizer isto Esaú chorava em altos gritos .

39 Isaac respondeu-lhe:

«Tu viverás longe da terra fértil,
longe da chuva que cai do céu.

40
Para viver terás de servir-te da tua espada
e ficarás sob o domínio do teu irmão.
Mas quando conseguires descer à planície,
hás de libertar-te do peso do seu jugo.»

41

Esaú ficou com muito ódio a Jacob por causa da bênção que o seu pai lhe dera e pensava para consigo mesmo: «O meu pai já deve durar pouco tempo; depois de ele morrer, hei de matar o meu irmão, Jacob.»

42

Rebeca veio a saber das intenções de Esaú, seu filho mais velho, e mandou chamar Jacob, seu filho mais novo, e disse-lhe: «Olha que o teu irmão Esaú quer vingar-se de ti e matar-te.

43 Por isso, meu filho, ouve o que te vou dizer. Foge e vai para casa de meu irmão Labão, em Haran.

44 Vive lá com ele durante alguns tempos, até se acalmar a fúria do teu irmão.

45 Quando ele deixar de estar irritado contigo e tiver esquecido aquilo que lhe fizeste, então eu mando-te dizer para voltares, pois não quero ficar sem os meus dois filhos no mesmo dia.»

46

Rebeca foi dizer a Isaac: «Estou cansada e desgostosa destas mulheres hititas. Se Jacob também se vier a casar com mulheres deste país, prefiro morrer.»

28

1

Isaac mandou chamar Jacob, abençoou-o e deu-lhe a seguinte ordem: «Não deves casar com nenhuma mulher de Canaã.

2 Vai à Mesopotâmia, à família de Betuel, teu avô, e escolhe uma das filhas do teu tio Labão para casar contigo.

3 Que o Deus supremo te abençoe e te conceda descendência numerosa de modo que tu dês origem a muitas nações.

4 E que a bênção prometida a Abraão seja para ti e para os teus descendentes, para que possas tomar posse da terra onde agora vives como estrangeiro e que Deus prometeu a Abraão .»

5

Isaac despediu-se de Jacob e este foi para a Mesopotâmia, para casa de Labão, que era filho de Betuel, o arameu, e irmão de Rebeca, mãe de Jacob e de Esaú.

6

Esaú soube que o seu pai tinha abençoado o seu irmão e que o tinha enviado à Mesopotâmia para lá arranjar com quem casar e também ouviu dizer que o seu pai, ao abençoá-lo, o tinha avisado para não se casar com mulheres de Canaã.

7 Soube também que Jacob tinha aceitado a proposta do pai e da mãe e tinha partido para a Mesopotâmia.

8 E Esaú percebeu que o seu pai, Isaac, não gostava das mulheres de Canaã.

9 Dirigiu-se à família de Ismael, filho de Abraão, e casou com Malat, irmã de Nebaiot e filha de Ismael, para além das mulheres que já tinha.

10

Jacob saiu de Bercheba e pôs-se a caminho de Haran.

11 Ao cair da tarde, chegou a um lugar bom para passar a noite. Pegou numa das pedras que ali havia; pô-la a fazer de cabeceira e ali mesmo se deitou para dormir.

12 E teve um sonho: via uma escada assente na terra e que chegava até ao céu e os mensageiros de Deus subiam e desciam por ela.

13

O SENHOR estava no cimo da escada e disse: «Eu sou o SENHOR, Deus do teu antepassado Abraão e de Isaac. Vou dar-te, a ti e aos teus descendentes , a terra em que estás deitado.

14 Os teus descendentes hão de ser tão numerosos como o pó da terra e hão de estender-se para ocidente e para oriente, para norte e para sul e, através de ti e dos teus descendentes, todas as famílias do mundo serão abençoadas.

15

Lembra-te que eu estou contigo, para te guardar por onde quer que andes e para te fazer regressar a esta terra. Não te hei de abandonar até cumprir tudo aquilo que te prometi.»

16

Jacob acordou e exclamou: «Realmente, o SENHOR está neste lugar e eu não sabia.»

17 E, cheio de medo, acrescentou: «Este lugar é terrível! É nada menos que a casa de Deus e a porta do céu.»

18

Logo de manhã, Jacob agarrou na pedra que lhe tinha servido de cabeceira para dormir e ergueu-a ao alto como monumento e derramou óleo sobre ela.

19 Jacob deu àquele lugar o nome de Betel . Antes aquela localidade chamava-se Luz.

20

Jacob fez ali a seguinte promessa: «Se Deus estiver comigo e me guardar no caminho que vou percorrer e me der o necessário para comer e para me vestir;

21 se eu regressar são e salvo a casa do meu pai, o SENHOR será o meu Deus

22 e esta pedra, que hoje coloco como monumento, será um santuário de Deus e hei de oferecer-lhe sempre a décima parte de tudo aquilo que ele me der.»

29

1

Jacob pôs-se de novo a caminho e continuou a viagem para as terras do Oriente.

2 Um dia encontrou no campo um poço, perto do qual se encontravam juntos três rebanhos de ovelhas, pois era daquele poço que davam água a beber aos rebanhos. A pedra que tapava a boca do poço era enorme.

3 Por isso, quando se juntavam lá todos os rebanhos, os pastores rolavam a pedra da boca do poço, davam de beber aos rebanhos e depois voltavam a colocar a pedra como antes.

4

Jacob perguntou aos pastores: «Amigos, donde são?» E eles responderam: «Somos de Haran.»

5

Jacob perguntou de novo: «Por acaso, conhecem Labão, descendente de Naor?» «Conhecemos, sim», responderam eles.

6

Jacob perguntou ainda: «Ele está bem?» «Está, sim. Olha! A filha dele, Raquel vem aí com o rebanho», indicaram os pastores.

7

Jacob disse: «Ainda é bastante cedo. Ainda não é tempo de recolher o rebanho. Deem-lhe de beber e levem-no outra vez a pastar.»

8 Eles responderam: «Não podemos. Temos que esperar que se juntem todos os rebanhos, para que os pastores tirem a pedra de cima do poço e possamos dar de beber ao rebanho.»

9

Enquanto estava a falar com eles, chegou Raquel com as ovelhas do seu pai, pois ela era pastora.

10 Ao ver Raquel, filha do seu tio Labão, com o rebanho de seu tio, Jacob aproximou-se e retirou a pedra de cima do poço e deu água ao rebanho do seu tio Labão.

11 Depois saudou Raquel com um beijo e não pôde conter as lágrimas.

12 Jacob anunciou a Raquel que ele era parente do pai dela, pois era filho de Rebeca. E ela foi a correr levar a notícia ao pai.

13

Labão, ao ouvir falar do seu sobrinho, Jacob, correu ao encontro dele, abraçou-o, beijou-o e conduziu-o para sua casa. Jacob contou-lhe então tudo o que tinha acontecido.

14 E Labão exclamou: «Realmente tu és da minha própria família.»

E Jacob ficou em casa dele.

Jacob já estava há um mês em casa de Labão,

15 quando este lhe disse: «É certo que tu és meu parente. Mas até agora tens trabalhado para mim de graça. Diz-me que salário queres.»

16

Labão tinha duas filhas, a mais velha chamava-se Lia e a mais nova, Raquel.

17 Lia tinha uns olhos muito ternos. Mas Raquel era bonita e elegante.

18 Jacob gostava muito de Raquel e por isso respondeu: «Aceito trabalhar para ti, durante sete anos, para casar com Raquel, a tua filha mais nova.»

19 Labão respondeu: «Está bem. É melhor casá-la contigo do que casá-la com outro qualquer. Podes continuar em minha casa.»

20 Para obter Raquel, Jacob trabalhou durante sete anos e, pelo amor que lhe tinha, aqueles sete anos pareceram-lhe apenas alguns dias.

21

Depois disse a Labão: «Dá-me a minha mulher, para eu casar com ela, pois já acabou o tempo combinado.»

22

Labão convidou toda a gente do lugar e ofereceu um banquete.

23 Mas à noite, em vez de Raquel, Labão levou Lia para o quarto dos noivos e foi com ela que Jacob dormiu.

24 Labão deu à sua filha Lia a escrava Zilpa, para ficar ao serviço dela.

25

Pela manhã, quando Jacob se deu conta de que era Lia foi reclamar a Labão: «Que é que me fizeste? Por amor de Raquel andei a trabalhar para ti. Por que é que me enganaste?»

26

Labão respondeu: «Cá na nossa terra não é costume casar a filha mais nova antes da mais velha.

27 Mas depois dos sete dias de lua de mel, podemos dar-te também a outra em casamento, desde que te comprometas a trabalhar para mim outros sete anos mais.»

28

Jacob assim fez. Passaram os sete dias da lua de mel e Labão deu-lhe também a sua filha Raquel como esposa.

29 A Raquel, Labão deu Bilá, sua escrava, para ficar ao serviço dela.

30 Jacob dormiu também com Raquel e esta era a sua preferida. E durante mais sete anos Jacob ficou ao serviço de Labão.

31

O SENHOR viu que Lia era menos amada do que Raquel e fez com que Lia pudesse ter filhos e Raquel não.

32

Lia ficou grávida e deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Rúben . Porque, dizia ela: «O SENHOR olhou para a minha angústia e daqui em diante talvez o meu marido passe a gostar mais de mim.»

33 Voltou a ficar grávida e a dar à luz um filho a quem chamou Simeão , porque, dizia ela: «O SENHOR ouviu dizer que eu não era amada e deu-me outro filho.»

34 Mais uma vez ficou grávida e deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Levi , pois — dizia ela: «Desta vez o meu marido ficará mais afeiçoado a mim, pois já lhe dei três filhos.»

35 Voltou ainda a engravidar e ao dar à luz o filho exclamou: «Desta vez poderei louvar o SENHOR.» Por isso, deu ao filho o nome de Judá . E depois não voltou a ter filhos.

30

1

Quando Raquel viu que não conseguia ter filhos de Jacob, começou a sentir ciúmes da irmã e disse ao marido: «Dá-me filhos, senão morro de desgosto.»

2 Jacob ficou bastante aborrecido com Raquel e exclamou: «Será que eu sou Deus? Ele é que fez com que tu não pudesses ter filhos.»

3

Raquel disse-lhe então: «Dou-te a minha escrava Bilá como esposa. Os filhos que ela tiver de ti há de dá-los à luz no meu regaço e assim serão também meus filhos .»

4 E assim, Raquel deu-lhe a sua serva como esposa. Jacob dormiu com ela

5 e Bilá ficou grávida e deu à luz um filho.

6 Exclamou então Raquel: «Deus fez-me justiça; ouviu o meu pedido e concedeu-me um filho.» Por isso, deu ao filho o nome de Dan .

7

Bilá, escrava de Raquel, ficou de novo grávida e deu à luz outro filho de Jacob.

8 E Raquel exclamou: «Deus pôs-me em concorrência com a minha irmã, mas consegui vencer.» E deu ao filho o nome de Neftali .

9

Lia viu que já não voltava a ter mais filhos e deu a sua escrava Zilpa a Jacob, como esposa.

10 Zilpa, escrava de Lia, deu à luz um filho de Jacob

11 e Lia exclamou: «Que sorte!» Por isso, lhe deu o nome de Gad .

12

Zilpa, escrava de Lia, voltou a dar à luz um outro filho de Jacob

13 e Lia exclamou: «Que felicidade! As outras mulheres vão dar-me os parabéns!» E deu ao menino o nome de Asser .

14

Na altura da ceifa do trigo, Rúben saiu pelos campos e encontrou uns frutos chamados mandrágoras e levou-as a Lia, sua mãe. Raquel pediu a Lia: «Dá-me, por favor, das mandrágoras que o teu filho trouxe .»

15 Mas Lia respondeu: «Já achas pouco teres-me tirado o meu marido e ainda me queres tirar também as mandrágoras que o meu filho trouxe?» Raquel respondeu: «Pronto. Em troca dessas mandrágoras, podes dormir tu com ele esta noite.»

16

Quando Jacob, à tardinha, regressava do campo, Lia saiu ao seu encontro e disse-lhe: «Hoje vens dormir comigo, porque já dei as mandrágoras que trouxe o meu filho, em troca disso.» E Jacob dormiu com ela aquela noite.

17

Deus ouviu os pedidos de Lia e ela ficou de novo grávida e deu a Jacob o seu quinto filho.

18 Lia exclamou: «Foi Deus que me recompensou por eu ter dado a minha serva como esposa ao meu marido.» E deu ao menino o nome de Issacar .

19

Depois disso, Lia voltou a engravidar e deu a Jacob um filho pela sexta vez,

20 e disse: «Deus ofereceu-me um magnífico presente. Agora o meu marido vai ter mais consideração por mim, porque já lhe dei seis filhos.» Por isso, deu ao menino o nome de Zabulão .

21

Por fim, deu ainda à luz uma filha, a quem chamou Dina.

22

Entretanto Deus lembrou-se de Raquel, atendeu os seus pedidos e deu-lhe a possibilidade de ter filhos.

23 Assim ela ficou grávida e deu à luz um filho e exclamou: «Deus fez com que eu não voltasse a passar pela vergonha de não ter filhos.»

24 E continuou: «Quem dera que o SENHOR me desse mais outro filho!» Por isso, deu àquele menino o nome de José .

25

Depois de Raquel ter dado à luz José, Jacob disse a Labão: «Deixa-me ir para a terra onde nasci.

26 Deixa-me levar as minhas esposas e filhos. Por elas tenho trabalhado ao teu serviço e sabes muito bem há quanto tempo eu estou a trabalhar para ti.»

27

Labão respondeu-lhe: «Ouve-me, por favor! Eu soube pelos adivinhos que, por causa de ti, o SENHOR me tem abençoado.

28 Diz-me então que salário pretendes, que eu to pagarei.»

29 Jacob respondeu: «Sabes muito bem quanto trabalhei para ti e como cuidei dos teus rebanhos.

30 Antes de eu chegar, eram pouco numerosos e depois cresceram imenso e o SENHOR abençoou-te com o meu trabalho. Mas quando é que eu vou começar a trabalhar também para a minha própria família?»

31

Labão perguntou; «Quanto queres que te dê?» E Jacob respondeu: «Não tens que me pagar nada. Estou disposto a continuar a cuidar dos teus rebanhos, se concordares com uma coisa que te vou propor:

32 hoje passarei revista ao rebanho e porei de parte todos os animais malhados e com manchas, todos os cordeiros negros e cabritos malhados e com manchas . Será isso a minha paga.

33 E assim será fácil demonstrar a minha honestidade, no futuro, quando quiseres ver quanto é que eu ganhei. Todos os cabritos do meu rebanho que não forem malhados e manchados e os cordeiros que não forem negros é sinal que são roubados.»

34

Labão respondeu: «Está bem. Pode ser assim mesmo.»

35 Mas nesse mesmo dia, Labão retirou do rebanho todos os bodes com listras e manchas e todos os cabritos malhados e com manchas e todos os cordeiros negros e entregou-os ao cuidado dos seus filhos.

36 Mandou que este rebanho fosse afastado para longe de Jacob, à distância de três dias de caminho. E Jacob continuou a pastorear o resto dos rebanhos de Labão.

37

Mas Jacob arranjou varas verdes de choupo, de amendoeira e de plátano e fez nelas listras, retirando parte da casca e fazendo aparecer a parte branca do interior das varas.

38 Espetou aquelas varas, assim preparadas, diante das ovelhas junto dos ribeiros e dos bebedouros onde o gado ia beber. Quando iam beber é que os machos as cobriam.

39 E quando os machos as cobriam assim diante daquelas varas, as crias nasciam com listras e malhadas ou com manchas.

40

Jacob separou esses animais e juntou-os com outros que eram malhados ou pretos nos rebanhos de Labão. E assim foi criando rebanhos próprios e que ele não misturava com os de Labão.

41 Quando chegava a altura da cobrição dos animais mais fortes, Jacob voltava a colocar as varas à vista deles, junto dos ribeiros para que a cobrição se fizesse diante das varas listradas.

42 Mas não colocava as varas diante dos animais mais fracos, de modo que os mais fracos ficavam para Labão e os mais fortes para Jacob.

43

E assim Jacob foi enriquecendo cada vez mais e chegou a ter muitos rebanhos, servas, escravos, camelos e burros.

31

1

Jacob ouviu dizer que os filhos de Labão andavam a criticá-lo e diziam: «Jacob roubou aquilo que era do nosso pai, pois com aquilo que era do nosso pai é que ele conseguiu esta enorme riqueza.»

2 Jacob começou também a notar que Labão já não olhava para ele como dantes.

3

Nessa altura, o SENHOR disse a Jacob: «Volta para a terra dos teus antepassados, para a terra onde nasceste, que eu estarei contigo.»

4 Então Jacob mandou chamar Raquel e Lia para irem ter com ele ao campo, junto dos seus rebanhos,

5 e disse-lhes: «Tenho dado conta de que o vosso pai já não olha para mim da mesma maneira como o fazia dantes; mas o Deus do meu pai sempre esteve comigo.

6 E bem sabem que procurei servir o vosso pai o melhor que me foi possível.

7 Apesar disso, ele enganava-me e dez vezes mudou o meu salário, só que Deus não permitiu que ele me prejudicasse.

8 Se ele me dizia: “Os animais malhados ficam para ti como salário”, então só nasciam crias malhadas; se ele mudava e dizia: “Agora as listradas é que são o teu salário”, então só nasciam crias listradas.

9 E foi assim que Deus tirou os rebanhos ao vosso pai e mos deu a mim.

10

Um dia, no tempo da cobrição, tive um sonho em que vi que todos os machos que cobriam as fêmeas eram listrados, malhados e riscados.

11 Então um anjo do SENHOR chamou por mim: “Jacob!” Eu respondi: “Estou aqui!”

12 Ele disse-me: “Repara que todos os machos que cobrem as fêmeas são listrados, malhados e riscados. É assim, porque eu vi tudo aquilo que Labão tem feito contra ti.

13 Eu sou o Deus de Betel ao qual tu consagraste um monumento e fizeste uma promessa . Por isso, levanta-te e sai desta terra. Volta para a terra onde nasceste.”»

14

Raquel e Lia responderam-lhe: «Temos por acaso alguma herança a receber ainda da casa do nosso pai?

15 Para ele já somos como estranhas. Vendeu-nos e já gastou o dinheiro que recebeu por nós.

16 Mas na realidade, toda a riqueza que Deus tirou ao nosso pai pertence-nos a nós e aos nossos filhos. Por isso, deves pôr em prática tudo aquilo que Deus te comunicou.»

17

Jacob preparou as coisas, mandou que as suas mulheres e filhos montassem nos camelos e partiu.

18 Conduzindo todos os seus rebanhos, tudo aquilo que ele tinha conseguido adquirir no tempo que estivera na Mesopotâmia, dirigiu-se para Canaã, para junto do seu pai Isaac.

19 Enquanto Labão tinha ido para outro lado tosquiar as ovelhas, Raquel roubou-lhe as imagens dos ídolos domésticos .

20 E Jacob conseguiu assim enganar Labão, o arameu, fugindo de casa dele sem lhe ter dito nada.

21

Jacob fugiu então com tudo aquilo que lhe pertencia. Atravessou o rio Eufrates e dirigiu-se para as montanhas de Guilead.

22 Três dias mais tarde, foram dizer a Labão que Jacob tinha fugido.

23 Acompanhado pelos seus parentes, Labão foi em perseguição de Jacob e, depois de sete dias de marcha, conseguiu alcançá-lo já nas montanhas de Guilead.

24 Mas o SENHOR apareceu a Labão, o arameu, em sonhos durante a noite, e ameaçou-o deste modo: «Livra-te de dizer a Jacob seja o que for, bem ou mal.»

25 Labão tinha alcançado Jacob; este assentou a sua tenda na montanha e Labão com os seus familiares ficou também na montanha de Guilead.

26

Labão perguntou então a Jacob: «Que fizeste tu? Enganaste-me e fugiste com as minhas filhas, como se fossem prisioneiras.

27 Por que é que me enganaste e não me disseste que querias ir embora? Se mo tivesses dito, eu teria celebrado a tua despedida com alegria e cânticos, com música de tambores e harpas.

28 Nem sequer me deixaste beijar as minhas filhas e netos. Fazendo isto, agiste como um insensato.

29 Eu bem podia tratar-vos com toda a dureza. Mas o Deus dos vossos pais disse-me ontem à noite: “Livra-te de dizer a Jacob seja o que for, bem ou mal!”

30 Se realmente tu querias ir embora, por estares com saudades da casa do teu pai, por que é que roubaste os meus ídolos domésticos?»

31

Jacob respondeu a Labão da seguinte maneira: «Eu tive medo de te avisar, pois podias querer tirar-me as tuas filhas.

32 Mas no que respeita aos teus ídolos, se alguém aqui os tiver que seja morto. Aqui à frente de todos os meus, podes procurar o que te pertence e leva-o contigo.» Mas Jacob ainda não sabia que tinha sido Raquel quem os tinha roubado.

33

Labão entrou na tenda de Jacob, na de Lia e na das suas duas servas e nada encontrou. E tendo saído da tenda de Lia foi à tenda de Raquel.

34 Raquel tinha-se apoderado dos ídolos domésticos, escondeu-os debaixo da sela do camelo e sentou-se em cima deles. Labão remexeu toda a tenda de Raquel sem encontrar nada.

35 Depois disse ao seu pai: «Ó pai, não leve a mal, mas eu não me posso levantar porque estou no período menstrual.» E assim Labão andou à procura das imagens dos seus deuses, mas nada encontrou.

36

Jacob ficou aborrecido com a questão e protestou junto de Labão com estas palavras: «Qual foi então a minha culpa e o meu crime para vires assim em minha perseguição?

37 Remexeste todas as minhas bagagens. Se por acaso encontraste alguma coisa, que te pertença, apresenta-a aqui diante dos teus parentes e dos meus, para que eles sirvam de árbitro entre nós os dois.

38 Estive vinte anos ao teu serviço e nunca as tuas ovelhas ou as tuas cabras abortaram, nem comi um só dos carneiros do teu rebanho.

39 Nunca te fui apresentar um animal morto pelas feras. Era eu quem suportava o prejuízo e tu pedias-me contas de todos os animais roubados, de dia ou de noite .

40 De dia morria de calor e de noite morria de frio; nem sequer conseguia dormir.

41 Isto foi durante vinte anos em que trabalhei para ti. Durante catorze anos trabalhei para poder casar com as tuas duas filhas e seis anos trabalhei recebendo como salário animais dos teus rebanhos. Mas tu mudaste-me o salário dez vezes.

42

Se não fosse o Deus do meu avô, Abraão, o Deus terrível do meu pai, Isaac, estar a meu favor, tu mandavas-me hoje embora sem nada. Mas Deus viu a minha tristeza e o esforço do meu trabalho e por isso é que ele te repreendeu ontem à noite.»

43

Labão respondeu então a Jacob: «As filhas são minhas, os netos são meus, os rebanhos são meus; tudo o que aqui vês pertence-me. Mas que é que eu posso fazer agora com as minhas filhas ou com os filhos que elas já deram à luz?

44 Por isso, façamos ambos um pacto para servir de testemunho entre mim e ti.»

45

Jacob pegou numa pedra e colocou-a ao alto para servir de monumento.

46 Depois Jacob disse aos seus parentes: «Juntem mais pedras», e eles assim fizeram. Juntaram um monte de pedras e comeram junto daquele monte de pedras.

47 Deram àquele lugar um nome que na língua de Labão era Jegar-Saduta e na língua de Jacob era Galed .

48 O próprio Labão explicou o sentido do nome que tinham dado àquele lugar e disse: «Este monte de pedras serve hoje de testemunha entre mim e ti.»

49 Chamou-lhe também Mispá , querendo com aquele nome significar o seguinte: «Que o SENHOR esteja vigilante com relação a nós ambos, mesmo quando já não pudermos ver-nos um ao outro.

50 Se maltratares as minhas filhas ou se as desprezares para casar com outras mulheres, ainda que ninguém esteja presente, fica a saber que Deus será testemunha entre mim e ti.»

51

Labão disse ainda a Jacob: «Aqui está este monte de pedras e o monumento que coloquei entre mim e ti.

52 Um e outro são testemunhas, de modo que eu não ultrapasse este monte de pedras para o teu lado, para te prejudicar, e que também tu não ultrapasses para cá deste monte de pedras e deste monumento para me prejudicares.

53 Que o Deus de Abraão e o Deus de Naor , o Deus de cada uma das suas famílias, seja o árbitro entre nós .»

Jacob jurou pelo Deus terrível de Isaac , seu pai.

54 Ofereceu um sacrifício na montanha e convidou os seus parentes para o banquete. Todos comeram e passaram a noite ali mesmo, na montanha.

32

1

No dia seguinte, de manhã, Labão levantou-se deu um beijo às suas filhas e netos, abençoou-os e voltou para a sua terra.

2 Entretanto Jacob continuava a sua viagem, e foram ao seu encontro uns mensageiros de Deus.

3 Ao vê-los, Jacob exclamou: «São do exército de Deus!» Por isso, deu àquele lugar o nome de Manaim .

4

Jacob enviou mensageiros a Esaú, que estava em Seir, na região de Edom .

5 E mandou-os levar a Esaú a seguinte mensagem: «Eu sou Jacob, teu servo obediente. Vivi em casa de Labão todos estes anos.

6 Consegui adquirir bois, burros e ovelhas, escravos e escravas. Quero avisar o meu senhor da minha chegada, esperando que me receba com benevolência.»

7

Os mensageiros voltaram de novo para junto de Jacob e disseram-lhe: «Fomos ter com o teu irmão, Esaú. Ele vai aí ao teu encontro, acompanhado por quatrocentos dos seus homens.»

8

Jacob ficou cheio de medo e muito preocupado. Depois dividiu as pessoas que estavam com ele, bem como as ovelhas, bois e camelos em dois grupos,

9 pois tinha pensado assim: «Se Esaú atacar um dos grupos, o outro pode escapar.»

10 Jacob dirigiu a Deus esta oração: «Ó SENHOR, Deus do meu antepassado Abraão e do meu pai Isaac, tu disseste-me: “Volta para a tua terra, onde nasceste, que eu farei com que tudo te corra bem.”

11 Eu sei que não mereço toda a bondade e lealdade com que tens tratado este teu servo. Quando atravessei o rio Jordão não trazia comigo senão um pau e agora já possuo dois acampamentos.

12 Por favor, livra-me das mãos do meu irmão, Esaú. Tenho muito medo que ele venha e nos mate a todos, incluindo mulheres e crianças.

13 Ora tu disseste que havias de fazer com que tudo me corresse bem e que os meus descendentes fossem tão numerosos como as areias da praia, que ninguém pode contar.»

14

Jacob dormiu ali naquela noite e, daquilo que tinha à mão, preparou ofertas para mandar ao seu irmão, Esaú.

15 Escolheu duzentas cabras, vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,

16 trinta camelas, que andavam a amamentar, com as suas crias, quarenta vacas e dez bois, vinte burras e dez burros.

17 Entregou cada um destes rebanhos a um dos seus servos e disse-lhes: «Vão à minha frente e conservem sempre um espaço entre cada um dos rebanhos.»

18 Ao que ia à frente recomendou o seguinte: «Quando o meu irmão Esaú chegar ao pé de ti e te perguntar quem é o teu amo, para onde é que vais e para quem são os animais que levas contigo,

19 diz-lhe: “São de Jacob, teu servo. E são um presente que ele envia para Esaú, seu senhor. Ele próprio vem aí mais atrás.”

20 Ao segundo e ao terceiro e a todos os que iam a conduzir cada um dos rebanhos ordenou também: “Digam também a mesma coisa a Esaú, quando o encontrarem.

21 E insistam em que Jacob, seu servo, vem um pouco mais atrás.”» Jacob pensava assim: «Se eu mandar à minha frente os presentes para acalmar a sua irritação, quando eu próprio me encontrar com ele talvez ele me faça bom acolhimento.»

22 Os animais mandados de presente foram avançando à sua frente, enquanto Jacob passou mais uma noite no acampamento.

23

Durante essa noite, Jacob levantou-se para atravessar a ribeira de Jaboc , levando consigo as suas duas mulheres, as duas escravas e os seus onze filhos.

24 E mandou-lhes que atravessassem para o outro lado da ribeira com tudo o que lhe pertencia.

25 Jacob ficou para trás sozinho e um desconhecido pôs-se a lutar com ele até de madrugada.

26 Ao ver que não conseguia levar a melhor sobre Jacob, o tal desconhecido feriu-o na coxa e Jacob teve de continuar a lutar com a coxa deslocada.

27

Já de manhã o homem disse a Jacob: «Deixa-me ir embora, que já é de manhã.» E Jacob respondeu: «Não te deixo ir embora sem primeiro me abençoares.»

28 O outro perguntou-lhe: «Como te chamas?» Jacob respondeu: «Chamo-me Jacob.»

29 E o homem continuou: «Desde agora em diante, o teu nome não será Jacob, mas sim Israel, porque lutaste contra Deus e contra os homens e saíste vencedor .»

30

Jacob perguntou-lhe: «E tu, por favor, como é que te chamas?» Ele respondeu: «Que interesse tens tu em saber qual é o meu nome ?» E abençoou-o.

31

Jacob deu àquele lugar o nome de Penuel e exclamou: «De facto, vi a Deus face a face e consegui escapar vivo .»

32

Quando estava a sair de Penuel, nasceu o Sol. E Jacob ia a coxear daquela perna.

33 Por isso, até hoje os israelitas não costumam comer o nervo que faz a ligação da coxa, porque foi exatamente nesse nervo que Jacob foi ferido.

33

1

Quando Jacob levantou os olhos e viu que Esaú estava a aproximar-se com outros quatrocentos homens, repartiu os seus filhos por Lia, Raquel e pelas duas escravas.

2 Pôs à frente as escravas com os respetivos filhos, depois Lia com os filhos e finalmente Raquel com José.

3 Jacob avançou à frente deles e, antes de chegar junto do seu irmão, inclinou-se até ao chão sete vezes.

4

Esaú correu ao seu encontro e, atirando-se-lhe ao pescoço, abraçou-o e beijou-o e ambos choravam de alegria.

5 Depois reparou nas mulheres e nas crianças e perguntou: «Quem são estes?» Jacob respondeu: «São os filhos que Deus concedeu a este teu servo.»

6 Então as escravas de Jacob aproximaram-se com os filhos e inclinaram-se.

7 Lia e os seus filhos inclinaram-se também e por fim aproximou-se José com Raquel e ambos se inclinaram.

8

Esaú perguntou ainda: «Que é que pretendes com as manadas de gado que encontrei pelo caminho?» Jacob respondeu: «Era para ver se era bem recebido por ti, meu senhor.»

9 Esaú retorquiu: «Eu tenho bastante para mim, meu irmão; fica com aquilo que é teu.»

10 Mas Jacob replicou: «Não! Se me queres fazer um favor, aceita esta oferta que faço, pois voltar a ver o teu rosto foi como poder contemplar o rosto de Deus, ainda mais tendo-me tu feito tão bom acolhimento.

11 Aceita, portanto, essa oferta que te foi apresentada, pois Deus dignou-se abençoar-me com muitas riquezas e nada me falta.» Jacob insistiu bastante e Esaú aceitou.

12

Esaú disse: «Agora podemos pôr-nos os dois a caminho. Eu quero ir contigo.»

13 Jacob respondeu: «O meu senhor sabe muito bem que as crianças são fracas e que tenho de pensar nas ovelhas e vacas que têm as suas crias. Se as vamos fazer andar muito depressa, ainda que seja um só dia, morre-me o gado todo.

14 É preferível que o meu senhor vá à frente deste seu servo. Eu irei mais devagar, ao passo da caravana que tenho na frente e ao passo das crianças. Mas irei ter com o meu senhor em Seir.»

15

Esaú respondeu: «Deixa-me ao menos pôr à tua disposição alguns dos meus homens.» E Jacob replicou: «Mas para quê, meu senhor! Basta-me ter sido bem recebido.»

16 E então Esaú pôs-se a caminho, de regresso a Seir.

17 E Jacob foi para Sucot, onde arranjou para si uma habitação e onde preparou abrigos para os animais. Por isso, aquele lugar ficou com o nome de Sucot .

18

Já no fim da viagem de regresso da Mesopotâmia, Jacob chegou são e salvo à cidade de Siquém, na terra de Canaã, e acampou em frente da cidade.

19 Comprou o terreno onde tinha colocado a sua tenda aos descendentes de Hamor, pai de Siquém , por cem moedas,

20 e ali construiu um altar, dedicando-o ao Deus de Israel .

34

1

Dina, filha de Jacob e Lia, saiu um dia do acampamento para ir visitar as mulheres daquela terra.

2 Siquém, descendente de Hamor, o heveu, chefe daquela terra, viu-a e levou-a consigo para dormir com ela, violentando-a.

3 Mas depois, ficou verdadeiramente apaixonado por ela e procurava conquistar o seu coração.

4 Siquém foi pedir ao seu pai, Hamor: «Vê se consegues que eu me case com aquela rapariga!»

5

Jacob entretanto tinha ouvido dizer que Siquém tinha desonrado a sua filha Dina, mas como os seus filhos estavam longe a cuidarem dos seus rebanhos, não disse nada até eles regressarem.

6 Hamor, pai de Siquém, foi ter com Jacob para lhe falar.

7

Quando os filhos de Jacob voltaram do campo e ouviram o que tinha acontecido, ficaram profundamente desgostosos e irritados, porque aquilo que Siquém tinha feito a Dina era uma ofensa para Israel, uma coisa que não se podia consentir.

8 Hamor falou com eles e disse-lhes: «O meu filho Siquém está verdadeiramente apaixonado por esta rapariga. Por favor, deixem que ele case com ela!

9 Podemos até ligar as nossas famílias: nós casávamo-nos com as vossas filhas e vocês casavam com as nossas.

10 Vocês podiam habitar connosco. A nossa terra está à vossa disposição, para se instalarem para fazerem comércio e adquirirem propriedades.»

11

Siquém pediu ao pai e aos irmãos de Dina: «Aceitem por favor! Estou disposto a dar-vos tudo o que me pedirem.

12 Podem pedir até uma quantia mais elevada do que é costume dar-se e presentes especiais que eu estou disposto a dá-los, desde que consintam que eu case com ela.»

13

Os filhos de Jacob quiseram preparar uma armadilha a Hamor e a Siquém por este ter desonrado a sua irmã, Dina, e responderam:

14 «Casar a nossa irmã com um homem que ainda não fez a circuncisão é coisa que não podemos fazer. Para nós, um homem que não fez a circuncisão é uma vergonha.

15 Por isso, só aceitamos a vossa proposta com uma condição: que aceitem fazer a circuncisão de todos os vossos homens, tal como nós a fizemos.

16 Assim já podemos deixar que as nossas filhas casem convosco e podemos também casar com as vossas filhas. Então habitaremos convosco e ficaremos a ser um só povo.

17 Mas se não quiserem aceitar a nossa proposta de se circuncidarem, nesse caso, vamo-nos embora, levando connosco a nossa filha.»

18

Esta proposta agradou a Hamor e ao seu filho, Siquém.

19 E sem perder tempo, Siquém fez a circuncisão, pois gostava muito da filha de Jacob. Siquém era muito considerado na família de seu pai.

20 Por isso, Hamor e o seu filho Siquém foram falar com os homens da cidade, reunidos em conselho , e disseram-lhes:

21 «Esta gente veio até nós com intenções pacíficas. Deixem que eles habitem na nossa terra e façam aqui o seu comércio, pois há suficiente espaço para eles. Poderemos casar com as suas filhas e eles casarão com as nossas.

22 Mas eles só aceitam habitar aqui connosco e formar connosco um só povo com uma condição: que façamos a circuncisão a todos os nossos homens, do mesmo modo que eles são circuncidados.

23 Os seus gados, os seus animais e todos os seus bens podem de certeza ser para nós. Aceitemos as suas condições para que eles fiquem connosco.»

24

E todos os homens que faziam parte do conselho da cidade concordaram com a proposta de Hamor e Siquém e todos foram circuncidados.

25

Três dias depois, quando os homens de Siquém estavam ainda enfraquecidos pelas dores, Simeão e Levi, irmãos de Dina, agarraram cada um uma espada, entraram tranquilamente na cidade e mataram todos os homens.

26 Mataram à espada também Hamor e o seu filho Siquém e retiraram-se, levando consigo Dina dali para fora.

27 Os outros filhos de Jacob entraram na cidade e, passando por cima dos cadáveres, saquearam a cidade onde tinha sido violada a sua irmã.

28 Levaram consigo ovelhas, bois, burros e tudo o que encontraram de valor, tanto na cidade como no campo.

29 Saquearam todas as suas riquezas e tudo o que tinham em casa e levaram crianças e mulheres como prisioneiras.

30

Jacob disse a Simeão e Levi: «Vocês arruinaram-me. Fizeram com que os habitantes deste país, os cananeus e os perizeus passem a odiar-me. Ora eu disponho de muito poucos homens. Se eles se juntam contra mim e me atacam, destroem-me com toda a minha família.»

31 Eles responderam: «Mas há direito em tratarem a nossa irmã como uma prostituta?»

35

1

Deus disse a Jacob: «Sai daqui, vai viver para Betel e constrói lá um altar ao Deus que te apareceu, quando ias a fugir do teu irmão, Esaú.»

2 Jacob deu então a todos os da sua família e aos que o acompanhavam a seguinte ordem: «Deitem fora todos os deuses estranhos que trazem convosco. Purifiquem-se e vistam outra roupa.

3 Vamos sair daqui e dirigir-nos para Betel. Quero construir lá um altar ao Deus que me ajudou, quando eu estava em aflição, e que sempre me acompanhou por onde tenho andado.»

4

Deram então a Jacob todos os deuses estranhos que traziam consigo e os brincos que usavam nas orelhas. E Jacob enterrou tudo debaixo da azinheira que estava junto de Siquém.

5

Puseram-se a caminho e Deus fez com que os habitantes das cidades à sua volta tivessem muito medo deles, de modo que ninguém saiu em perseguição de Jacob e dos seus.

6 Jacob chegou com todos os seus a Luz, localidade da terra de Canaã, que se chama também Betel.

7 Lá edificou um altar e chamou àquele lugar santuário do Deus de Betel, porque Deus ali se lhe tinha revelado, quando ele ia a fugir do seu irmão.

8

Débora, ama de Rebeca, morreu e foi sepultada perto de Betel, debaixo do carvalho; por isso, Jacob deu-lhe o nome de Carvalho do Pranto .

9

Deus apareceu de novo a Jacob, depois de este ter regressado da Mesopotâmia, e abençoou-o

10 com estas palavras:

«O teu nome é Jacob,
mas já não serás conhecido pelo nome de Jacob.
Serás conhecido pelo nome de Israel .»
Deus deu-lhe o nome de Israel

11
e declarou-lhe ainda:
«Eu sou o Deus supremo .
Que sejas fértil e que os teus descendentes se multipliquem,
de modo que deles se cheguem a formar um e muitos povos
e chegue a haver reis entre os teus descendentes.

12
A terra que já dei a Abraão e a Isaac
vou dar-ta a ti agora
e hei de dá-la igualmente aos teus descendentes, depois de ti .»

13

Depois de Deus se ter retirado de junto dele,

14 Jacob levantou, naquele mesmo lugar onde Deus tinha falado com ele, um monumento de pedra e consagrou-o, derramando sobre a pedra vinho e azeite.

15

Deste modo, Jacob deu o nome de Betel àquele lugar onde Deus tinha falado com ele.

16

Partiram de Betel e, quando estavam ainda a alguma distância de Efrata , Raquel sentiu as dores de parto e teve um parto bastante difícil.

17 Ao vê-la assim em dificuldades, a parteira disse-lhe: «Não tenhas medo! Tens aqui outro rapaz!»

18 Ao morrer, antes de dar o último suspiro, Raquel deu ao seu filho o nome de Benoni . Mas o pai mudou-lhe o nome para Benjamim .

19

Raquel morreu e foi sepultada junto do caminho para Efrata, isto é, Belém.

20 Jacob levantou então um monumento sobre o túmulo dela, que ainda hoje se chama monumento do túmulo de Raquel.

21

Israel prosseguiu viagem e foi colocar a sua tenda para além de Migdal-Éder .

22 Quando já estava a viver naquela região, Rúben foi ter com Bilá, concubina de seu pai, e dormiu com ela. Mas o assunto chegou ao conhecimento do pai.

Jacob tinha doze filhos.

23 Nascidos de Lia, eram Rúben, o filho mais velho, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulão;

24 nascidos de Raquel, eram José e Benjamim;

25 nascidos de Bilá, escrava de Raquel, eram Dan e Neftali;

26 nascidos de Zilpa, escrava de Lia, eram Gad e Asser. Estes filhos nasceram-lhe quando Jacob se encontrava ainda na Mesopotâmia.

27

Jacob foi ver depois o seu pai, Isaac, em Mambré, também chamada Quiriat-Arbá, isto é, Hebron. Antes de Isaac, já Abraão ali tinha vivido também.

28

Isaac tinha cento e oitenta anos de idade quando morreu.

29 Viveu feliz até essa idade avançada e foi juntar-se aos seus antepassados. Os seus filhos, Esaú e Jacob, deram-lhe sepultura.

36

1

Esta é a história da família de Esaú, isto é, Edom .

2 Esaú casou com mulheres de Canaã, a saber, Ada, filha do hitita Elon, e Olibama, filha de Aná e neta de Sibeon, o heveu,

3 e Bassemat, filha de Ismael e irmã de Nebaiot.

4

De Ada teve Esaú um filho, de nome Elifaz, e de Bassemat, Reuel.

5 Olibama deu à luz Jeús, Jalam e Corá.

Estes foram os filhos de Esaú, nascidos na terra de Canaã.

6

Um dia Esaú saiu para outra região, longe do seu irmão Jacob, levando consigo as suas mulheres e filhos bem como os que viviam com ele. Levou os seus gados e animais domésticos e todos os bens que tinha conseguido arranjar, enquanto esteve na terra de Canaã.

7 Ambos tinham já demasiadas riquezas para poderem viver juntos. A terra de Canaã não tinha espaço suficiente para lá viverem os dois, por causa dos muitos rebanhos que possuíam.

8 Por isso, Esaú foi viver para a região montanhosa de Seir, ou seja Edom.

9

Esta é a história da família de Esaú, que é o antepassado dos habitantes de Edom, na região montanhosa de Seir.

10 São estes os seus filhos: Elifaz, filho de Ada, e Reuel, filho de Bassemat, ambas mulheres de Esaú.

11 Os filhos de Elifaz foram: Teman, Omar, Sefo, Gatam e Quenaz.

12 Elifaz, filho de Esaú, tinha uma concubina chamada Timna e esta deu à luz o seu filho Amalec. E estes foram os descendentes de Ada, uma das mulheres de Esaú.

13

Os filhos de Reuel foram estes: Naat, Zera, Chamá e Miza. Estes eram descendentes de Bassemat, outra das mulheres de Esaú.

14

A outra mulher de Esaú, Olibama, filha de Aná e neta de Sibeon, deu-lhe também os seguintes filhos: Jeús, Jalam e Corá.

15

Foram estes os chefes dos descendentes de Esaú: dos descendentes de Elifaz, filho mais velho de Esaú, os chefes foram Teman, Omar, Sefo, Quenaz,

16 Corá, Gatam e Amalec. Estes foram os chefes dos descendentes de Elifaz, na região de Edom, e todos eram descendentes de Ada.

17

Dos filhos de Reuel, filho de Esaú, os chefes foram Naat, Zera, Chamá e Miza. Estes eram chefes dos descendentes de Reuel, na região de Edom, e eram descendentes de Bassemat, mulher de Esaú.

18

Dos filhos de Olibama, filha de Aná e mulher de Esaú, os chefes foram Jeús, Jalam, Corá, todos descendentes de Olibama.

19

São estes os descendentes de Esaú, isto é, de Edom, com os seus chefes.

20

Estes são os filhos de Seir, o horrita, que habitavam na região: Lotan, Chobal, Sibeon, Aná,

21 Dichan, Écer e Dichan. Foram estes os chefes dos horritas, descendentes de Seir, na região de Edom.

22 Os filhos de Lotan foram Hori e Hemam. Lotan tinha também uma irmã chamada Timna.

23 Os filhos de Chobal foram Alvan, Manat, Ebal, Chefi e Onam.

24 Os filhos de Sibeon foram Aiá e Aná. E foi este Aná que encontrou nascentes no deserto, quando guardava os burros do seu pai, Sibeon.

25

Aná tinha um filho, chamado Dichan e uma filha, chamada Olibama.

26 Os filhos de Dichan foram Hemedan, Esban, Jitran e Queran.

27

Os filhos de Écer foram Bilan, Zavan e Acan.

28 Os filhos de Dichan foram Uce e Aran.

29

Estes foram os chefes dos horritas: Lotan, Chobal, Sibeon, Aná,

30 Dichan, Écer, Dichan. Eram chefes de todos os clãs de horritas, na região de Seir.

31

Estes foram os reis que reinaram em Edom, antes de haver reis em Israel.

32 Bela, filho de Beor, foi rei de Edom e a sua cidade capital era Dinaba.

33 Bela morreu e sucedeu-lhe Jobab, filho de Zera, de Bosra.

34 Jobab morreu e sucedeu-lhe Hucham, da região de Teman.

35 Hucham morreu e sucedeu-lhe Hadad, filho de Bedad, aquele que derrotou os de Madiã nas planícies de Moab e tinha a sua capital em Avit.

36 Hadad morreu e sucedeu-lhe Samelá, natural de Massereca.

37 Samelá morreu e sucedeu-lhe Saul de Reobot, junto ao rio.

38 Morreu Saul e sucedeu-lhe Baal-Hanan, filho de Acbor.

39 Baal-Hanan, filho de Acbor, morreu e sucedeu-lhe Hadar, natural da cidade de Paú. A sua mulher, Metabiel, era filha de Matred e neta de Mezaab.

40

Estes são os chefes dos descendentes de Esaú, que dão o nome aos vários clãs em diversos lugares: Timna, Alva e Jetet;

41 Olibama, Elá e Pinon;

42 Quenaz, Teman e Mibsar;

43 Magdiel e Iram.

Esaú foi antepassado dos habitantes de Edom. E estes foram os seus chefes, conforme o lugar onde cada um habitava, na região que lhes pertencia.

37

1

Jacob instalou-se na terra de Canaã, onde o seu pai tinha habitado algum tempo.

2 A história de Jacob continua aqui.

José era um jovem de dezassete anos e guardava as ovelhas do seu pai, juntamente com os seus irmãos, filhos de Bilá e de Zilpa, que eram mulheres do seu pai . E ia contar ao pai o mau comportamento dos irmãos.

3

Israel gostava mais de José do que de qualquer outro filho, por ter nascido quando ele já era mais velho, e ofereceu-lhe uma capa muito vistosa .

4 Ao verem os seus irmãos que o pai gostava mais dele do que de qualquer um dos outros, começaram a detestá-lo e nem sequer o saudavam.

5

Uma vez, José teve um sonho e foi contá-lo aos seus irmãos, e daí em diante ficaram a ter ainda mais inveja dele do que antes.

6 José disse-lhes: «Ouçam lá o sonho que eu tive.

7 Estávamos nós a atar os feixes no campo e, nisto, o meu feixe levantou-se e ficou de pé, enquanto os vossos feixes que estavam à sua volta se inclinavam diante dele.»

8

Os irmãos replicaram: «Será que tu vais ser o nosso rei, para seres tu a mandar em nós?» E por causa dos sonhos e da explicação que ele deu, ainda mais o detestaram.

9

José teve outro sonho e contou-o também aos seus irmãos. Disse-lhes ele: «Tive outro sonho. Era o Sol e a Lua e onze estrelas que se inclinavam diante de mim.»

10 Quando contou este sonho ao seu pai e aos seus irmãos o pai repreendeu-o e disse-lhe: «Que sonho é esse que tu tiveste? Será que eu e a tua mãe temos de ir inclinar-nos até ao chão diante de ti?»

11 Com isto, os seus irmãos tinham ainda mais inveja dele e o seu pai pensava com frequência naquele sonho.

12

Um dia os irmãos de José tinham ido guardar o rebanho do seu pai para a região de Siquém,

13 e Israel disse a José: «Os teus irmãos andam a guardar o rebanho em Siquém e eu queria que fosses ter com eles.» José respondeu: «Vou, sim!»

14 Jacob continuou: «Vai ver como é que estão os teus irmãos e como vão os rebanhos e manda-me dizer alguma coisa.» Jacob estava no vale de Hebron quando enviou José. Mas ao chegar a Siquém,

15 José perdeu-se do caminho. Alguém o encontrou às voltas pelo campo e lhe perguntou: «Que é que andas a procurar?»

16 Ele respondeu: «Ando à procura dos meus irmãos; diz-me, por favor, onde é que eles andam a guardar o gado.»

17 Aquele homem disse-lhe: «Foram-se embora daqui. Ouvi-os dizer que iam para Dotan.»

Então José dirigiu-se para Dotan à procura dos seus irmãos e encontrou-os em Dotan.

18 Os irmãos viram-no quando vinha ainda longe e, antes de ele se aproximar, fizeram planos para o matar.

19 Por isso, diziam uns para os outros: «Lá vem aquele sonhador.

20 Aproveitemos agora! Matamo-lo e atiramo-lo a um poço dos que há por aí e depois dizemos que foi uma fera que o devorou. Veremos em que é que param os seus sonhos.»

21

Rúben ouviu isto e quis evitar que eles o matassem. Por isso, disse-lhes: «Não o matemos!»

22 E continuou: «Não lhe tirem a vida. Atirem-no para aquele poço que está no deserto, mas não lhe façam mal.» O que pretendia era livrá-lo das suas mãos, para o entregar ao pai.

23

Quando José chegou junto dos irmãos; eles tiraram-lhe aquela capa vistosa que trazia,

24 agarraram-no e atiraram-no para um poço que estava seco e sem água nenhuma.

25

Depois sentaram-se a comer e repararam que uma caravana de ismaelitas vinha ao longe, dos lados de Guilead. Nos seus camelos transportavam resinas, bálsamos e unguentos e iam a caminho do Egito.

26 Judá disse então aos irmãos: «Que proveito temos nós em matar o nosso irmão e depois ocultar a sua morte?

27 Vamos mas é vendê-lo àqueles ismaelitas. Não lhe façamos mal, porque afinal é nosso irmão e é do nosso sangue.» E os irmãos concordaram.

28

Quando aqueles comerciantes ismaelitas de Madiã chegaram ali, os irmãos tiraram José para fora do poço e venderam-no aos ismaelitas por vinte moedas de prata. Estes levaram José para o Egito.

29

Quando Rúben voltou de novo ao poço e viu que José já lá não estava, rasgou as roupas em sinal de tristeza,

30 voltou para junto dos seus irmãos e disse-lhes: «O rapaz já cá não está! Que vou eu fazer agora?»

31

Então os irmãos pegaram na capa de José, mataram um cabrito, mancharam-na com o sangue desse cabrito

32 e enviaram-na ao pai com este recado: «Encontrámos isto. Vê lá se é ou não a capa do teu filho.»

33 Jacob reconheceu-a e exclamou: «É realmente a capa do meu filho. Foi uma fera que destroçou e devorou José.»

34

Jacob rasgou as suas roupas, cobriu-se de tecido grosseiro em sinal de tristeza e guardou o luto durante muito tempo pelo filho.

35 Todos os seus filhos e filhas tentaram confortá-lo, mas ele recusava esse conforto e repetia: «Quero continuar de luto até descer ao sepulcro para ir ter com o meu filho.» E assim continuava a chorar pelo filho.

36 No Egito os madianitas venderam José a Potifar, que era um alto funcionário e chefe da guarda do faraó.

38

1

Por aquela altura, Judá separou-se dos seus irmãos e foi viver em casa de um dos descendentes de Adulam, chamado Hira.

2 Ali Judá conheceu a filha de um cananeu, chamado Chua, e casou-se e dormiu com ela.

3 Ela ficou grávida e deu à luz um filho, ao qual Judá deu o nome de Er.

4 Depois ficou novamente grávida e deu à luz outro filho a quem pôs o nome de Onan.

5 Algum tempo depois, deu à luz mais outro filho, ao qual pôs o nome de Chela, que nasceu quando Judá se encontrava em Quezib.

6

Judá casou o filho mais velho, Er, com uma mulher chamada Tamar .

7 Mas o SENHOR não gostava do mau comportamento de Er e fez com que ele morresse.

8 Então Judá disse a Onan: «Casa com a viúva do teu irmão, para que o teu irmão possa ter descendentes, pois essa é a tua obrigação como cunhado .»

9

Mas Onan sabia que o filho que nascesse não seria considerado seu. Por isso, cada vez que tinha relações com a viúva do seu irmão, ele derramava no chão o sémen, e assim evitava dar descendentes ao seu irmão.

10 Aquele procedimento desagradou muito ao SENHOR, e o SENHOR fez com que também ele morresse.

11

Judá disse à sua nora Tamar: «Volta para casa do teu pai como viúva , até que o meu filho Chela cresça.» O que Judá na realidade pensava era evitar que ele morresse também como os irmãos. E assim Tamar foi-se embora e foi viver para casa do seu pai.

12

Passado bastante tempo, morreu a mulher de Judá, a filha de Chua. Terminado o período de luto, Judá foi a Timna com o seu amigo Hira, de Adulam, para ir ver os que faziam a tosquia do seu gado.

13 Alguém foi comunicar a Tamar: «O teu sogro vai a caminho de Timna para assistir à tosquia do gado.»

14 Ela tirou os seus vestidos de viúva, cobriu o rosto com um véu e sentou-se à entrada de Enaim, que está no caminho para Timna; porque ela sabia que Chela já era crescido e ainda a não tinham casado com ele.

15

Judá viu-a e pensou que se tratava de uma prostituta, pois ela tinha o rosto coberto.

16 Desviou-se um pouco do seu caminho, para passar junto dela, e disse-lhe: «Deixa-me dormir contigo.» Ele não sabia que era a sua nora. Então ela perguntou: «Que é que me dás para dormires comigo?»

17 Ele respondeu: «Mando-te depois um dos cabritos do meu rebanho.» Ela replicou: «Mas tens que me dar alguma coisa como garantia de que mo vais mandar.»

18 Ele perguntou-lhe: «Que é que queres que eu te dê como garantia?» Ela respondeu: «O teu anel de selar mais o cordão e o cajado que trazes na mão.» Ele deu-lhe o que ela pediu, foi dormir com ela e ela ficou grávida.

19

Depois disso, ela foi-se embora, retirou o véu com que se cobria e voltou a vestir as roupas de viúva.

20 Judá mandou o cabrito pelo seu amigo, de Adulam, para que aquela mulher lhe restituísse a garantia, mas não a encontraram.

21 Então perguntaram à gente daquele lugar: «Onde está a prostituta de Enaim que costuma estar à beira do caminho?» Mas eles reponderam: «Aqui não há nenhuma prostituta.»

22

Ele foi de novo ter com Judá e disse-lhe: «Não consegui encontrá-la e a gente daquela localidade respondeu-me que não havia nenhuma prostituta naquele sítio.»

23 Judá respondeu: «Deixa-a lá ficar com as coisas para não cairmos em ridículo. Tu bem sabes que eu procurei enviar-lhe o cabrito, mas tu não a conseguiste encontrar.»

24

Uns três meses depois, foram dizer a Judá: «A tua nora Tamar está grávida; deve ter andado na prostituição.» Judá respondeu: «Condenem-na à morte na fogueira!»

25

Mas quando a levaram para ser condenada, ela mandou dizer ao seu sogro: «Eu estou grávida do homem a quem pertencem estas coisas. Procura saber, por favor, a quem pertencem este anel de selar com os cordões e este cajado.»

26 Judá reconheceu que eram seus e disse: «Ela é que tem razão e não eu, pois eu devia ter-lhe dado o meu filho Chela em casamento e não o fiz.» E não voltou a dormir com ela.

27

Chegou o tempo e ela deu à luz dois gémeos!

28 Ao nascerem, um deles estendeu primeiro a mão e a parteira agarrou-lha e atou nela uma fita vermelha e disse: «Este será o primeiro a nascer.»

29 Mas ele voltou a recolher a mão e quem nasceu primeiro foi o outro e a parteira disse: «Anda! Conseguiste abrir passagem para ti!» E deu-lhe o nome de Peres .

30

Depois saiu o irmão que trazia na mão a fita vermelha e deram-lhe o nome de Zera .

39

1

Entretanto José tinha sido levado para o Egito. Potifar, alto funcionário e chefe da guarda do faraó, tinha-o comprado aos ismaelitas, que o tinham levado para lá.

2 Contudo, o SENHOR estava com José e fazia com que tudo lhe corresse pelo melhor, enquanto esteve ao serviço daquele egípcio.

3

O seu amo começou a dar-se conta de que o SENHOR estava com José e que, por isso, tudo o que ele fazia era bem sucedido.

4 Potifar estava muito satisfeito com José; pô-lo ao seu serviço pessoal e entregou toda a sua casa e todos os bens ao seu cuidado.

5 Desde que José ficou encarregado da casa de Potifar e de todos os seus bens, o SENHOR abençoou a casa daquele egípcio, em atenção a José. Em tudo se notava que o SENHOR o abençoava, tanto em casa como nos campos.

6 Por isso, Potifar deixou tranquilamente tudo o que lhe pertencia aos cuidados de José, de modo que não precisava de se preocupar com nada, a não ser com aquilo que tinha de comer .

José era um homem bem parecido e de boas maneiras.

7 Por isso, depois de algum tempo, atraiu os olhares da mulher de Potifar e esta pediu-lhe para dormir com ela.

8 José recusou e replicou à mulher do seu amo: «Repare que, comigo aqui, o meu amo nem sequer se preocupa com os assuntos de casa; colocou tudo ao meu cuidado.

9 Não há ninguém aqui em casa que esteja acima de mim; está tudo sob o meu poder, exceto a senhora, que é a mulher dele. Como é que eu posso agora fazer uma coisa dessas, cometendo um pecado contra Deus?»

10

Todos os dias ela repetia a José o mesmo convite, para deitar-se com ela.

11 Certo dia José entrou em casa para fazer o seu trabalho e nenhuma das outras pessoas da casa se encontravam lá.

12 Ela agarrou-o pela roupa e disse-lhe: «Dorme comigo!» Mas ele fugiu para fora de casa, deixando-lhe nas mãos a peça de roupa que ela tinha agarrado.

13 Quando ela se deu conta que ele tinha deixado uma peça de roupa nas suas mãos e tinha fugido para a rua,

14 chamou pelos outros criados da casa e disse-lhes: «Vejam bem! Trouxeram-me cá para casa este hebreu e agora ele faz pouco de nós. Dirigiu-se a mim com intenção de dormir comigo, mas eu gritei bem alto;

15 e quando ele me ouviu gritar, deixou junto de mim esta peça de roupa e fugiu a correr para a rua.»

16

Ela guardou consigo aquela peça de roupa, até que o amo de José chegasse a casa,

17 e contou-lhe desta maneira o que acontecera: «Aquele escravo hebreu que trouxeste cá para casa veio ter comigo para abusar de mim.

18 E, como eu gritei com voz forte, deixou ao pé de mim esta peça de roupa e fugiu para a rua.»

19

Quando o amo de José ouviu aquilo da boca da mulher, ficou furioso, especialmente quando ela lhe disse: «Foi assim que o teu próprio escravo me tratou!»

20 O amo de José mandou-o prender e meter numa prisão, onde costumavam ficar os que eram presos por ordem do rei. Mas mesmo lá na prisão,

21 o SENHOR estava com José e continuava a manifestar para com ele a sua bondade, fazendo com que ele ganhasse a simpatia do chefe da prisão.

22 O chefe da prisão colocou todos os presos sob a vigilância de José e tudo aquilo que lá se fazia era José quem decidia como havia de ser feito.

23 O chefe da prisão não precisava de passar revista a nada do que estivesse ao cuidado de José, pois o SENHOR estava com José e tudo o que ele fazia era bem sucedido.

40

1

Depois destas coisas, aconteceu que o encarregado das bebidas para o rei do Egito e o padeiro cometeram qualquer ofensa contra o seu senhor, o faraó do Egito.

2 O faraó ficou muito irritado contra estes dois funcionários, o chefe dos encarregados das bebidas e o chefe dos padeiros,

3 e meteu-os na cadeia, na casa do chefe dos guardas, onde estava a prisão e onde também José se encontrava preso.

4 O chefe da guarda encarregou José de olhar por eles e de os servir naquilo que precisassem e assim passaram muito tempo naquela cadeia.

5

Certa noite o encarregado das bebidas e o padeiro do rei do Egito, presos naquela cadeia, tiveram um sonho cada um e cada sonho com significado diferente.

6 Na manhã seguinte, José foi ter com eles e achou-os muito preocupados.

7 E perguntou aos eunucos do faraó que com ele estavam na prisão do seu senhor: «Por que é que estão hoje com o ar tão carregado?»

8 Eles responderam: «É que cada um de nós teve um sonho e não há ninguém capaz de nos dar a devida interpretação.» Então José disse-lhes: «Só Deus é que pode dar-nos a interpretação dos sonhos! Contem-me lá aquilo com que sonharam!»

9

O chefe dos encarregados das bebidas contou então o seu sonho a José. Era o seguinte: «Sonhei que via diante de mim uma videira.

10 Essa videira tinha três varas e depois rebentava, floria e nasciam os cachos, que se transformavam em uvas maduras.

11 Na minha mão eu tinha o copo do faraó. Então agarrava nas uvas, espremia-as para dentro do copo do faraó e colocava-o nas suas mãos.»

12

José respondeu-lhe: «Aqui tens a interpretação desse sonho. As três varas significam três dias.

13 Dentro de três dias, o faraó vai fazer com que possas de novo erguer a cabeça e vai colocar-te de novo no posto que ocupavas. Assim poderás colocar nas mãos do faraó o copo em que ele bebe, tal como era de regra antes, quando eras o encarregado das bebidas.

14 Peço-te que te lembres de mim quando as coisas te estiverem a correr bem, e faz o favor de lembrar o meu caso ao faraó para que eu possa sair desta prisão.

15 Pois vim da terra dos hebreus para aqui, arrastado à força, e aqui não fiz nada de mal para me meterem nesta masmorra.»

16

O chefe dos padeiros viu que José tinha dado uma interpretação favorável ao sonho e disse então a José: «Eu também sonhei que tinha três cestos de pão à cabeça.

17 No cesto que estava por cima tinha muitas variedades de bolos de pasteleiro para o faraó. Vinham as aves e comiam do cesto que eu tinha à cabeça.»

18

José respondeu: «A interpretação desse sonho é esta. Os três cestos significam três dias.

19 Dentro de três dias, o faraó vai mandar-te cortar a cabeça e pendurar numa forca, de modo que as aves hão de vir debicar a tua carne.»

20

Três dias depois celebravam-se os anos do faraó e ele ofereceu um banquete aos seus funcionários. Diante de todos, tratou especialmente do caso do chefe dos encarregados das bebidas e do chefe dos padeiros.

21 Colocou novamente o chefe dos encarregados das bebidas no seu posto de trabalho, de modo que pudesse ser ele de novo a colocar o copo nas mãos do faraó,

22 mas mandou pendurar numa forca o chefe dos padeiros, tal como José tinha interpretado.

23 No entanto, o chefe dos encarregados de bebidas esqueceu-se de José e não fez nada em favor dele.

41

1

Passaram-se dois anos. Certo dia também o faraó teve um sonho. Sonhou que estava junto ao rio Nilo

2 e que do rio subiam sete vacas de belo aspeto e gordas, que se puseram a pastar por entre os juncos.

3 Logo atrás delas, outras sete vacas subiam do rio, magras e de mau aspeto e pararam na margem do rio, junto das primeiras vacas.

4 E então as vacas magras e de mau aspeto devoraram as sete vacas de belo aspeto e bem nutridas.

Depois disto, o faraó acordou;

5 mas voltou a adormecer e teve ainda outro sonho. Sete espigas de trigo bem gradas e belas cresciam num único pé.

6 Mas logo a seguir nasceram outras sete espigas vazias e secas por causa do vento leste.

7 E estas sete espigas vazias engoliram as sete espigas gradas e belas.

Nisto o faraó acordou e viu que era um sonho.

8 Na manhã seguinte, estava muito preocupado e mandou chamar todos os adivinhos e sábios do Egito e contou-lhes os sonhos. Mas ninguém conseguia dar-lhe a interpretação .

9 Então o chefe dos encarregados das bebidas falou com o faraó e disse-lhe: «Realmente agora tenho que reconhecer que cometi uma falta.

10 Quando o faraó se irritou contra mim e contra o chefe dos padeiros e nos mandou meter na cadeia do chefe da sua guarda,

11 certa noite cada um de nós teve um sonho com significado diferente.

12 Estava lá connosco um rapaz hebreu que era escravo do chefe da guarda do faraó; contámos-lhe os nossos sonhos e ele explicou-nos o significado do sonho que cada um de nós tinha tido.

13 E tudo aconteceu exatamente como ele nos tinha interpretado: o faraó colocou-me de novo no meu posto e ao meu colega enforcou-o.»

14

O faraó mandou chamar José e foram a toda a pressa tirá-lo da masmorra. José cortou a barba, vestiu roupas novas e apresentou-se diante do faraó.

15 O faraó disse-lhe: «Eu tive um sonho e ninguém o sabe interpretar. Ora, ouvi dizer que quando te contam um sonho, tu és capaz de interpretá-lo.»

16

José respondeu: «Isso não depende de mim. Deus é que há de dar a resposta para bem do faraó.»

17 Então o faraó contou a José: «Eu sonhei que estava na margem do rio Nilo.

18 Nisto vi sete vacas gordas e de belo aspeto que saíam do rio e iam pastar por entre os juncos.

19 Logo depois sete outras vacas saíam do rio, magras e de mau aspeto, como eu nunca tinha visto em todo o Egito.

20 As vacas magras e de mau aspeto devoraram as sete primeiras vacas, as gordas.

21 Mas mesmo depois de as terem comido, ninguém diria que as tinham comido, porque continuavam magras como antes.

Nesse momento, acordei.

22 Mas depois voltei a ter outro sonho. Eram sete espigas que cresciam num só pé de trigo gradas e belas.

23 Mas logo a seguir rebentaram outras sete espigas vazias e secas por causa do vento leste.

24 Então as sete espigas vazias engoliram as sete espigas boas. Contei isto aos adivinhos, mas ninguém foi capaz de dar uma explicação.»

25

José disse então ao faraó: «Os dois sonhos do faraó são, na realidade, um só. Foi Deus que quis comunicar ao faraó aquilo que ele vai fazer.

26 As sete vacas gordas representam sete anos e as sete espigas boas significam também sete anos. Fazem parte de um único sonho.

27 As sete vacas magras e de mau aspeto, que vieram depois, são igualmente sete anos, bem como as sete espigas vazias e secas pelo vento leste. São sete anos de fome que hão de vir.

28 É como eu disse a Vossa Majestade. Deus mostrou ao faraó aquilo que vai fazer.

29 Hão de vir sete anos de grande fartura em todo o Egito.

30 Mas depois virão sete anos de fome. Toda a gente se esquecerá da fartura que havia antes no Egito e a fome levará o país à ruína.

31 Tão dura será a fome que há de vir depois que da fartura de antes não ficará nem rasto.

32 E quanto ao facto de o sonho ter sido visto por duas vezes, significa que Deus está mesmo decidido a pôr isso em prática, muito em breve.

33

Por isso, Vossa Majestade devia procurar um homem inteligente e sábio para o encarregar de dirigir o país.

34 Deve igualmente nomear e estabelecer governadores pelo país, a fim de recolherem um quinto da produção do Egito, durante os sete anos de fartura.

35 Que eles recolham todo o trigo que sobra durante estes bons anos que estão para vir e o armazenem em cada uma das cidades, às ordens do faraó, para depois alimentar o país.

36 Assim haverá alimento em reserva para toda a gente, tendo em conta os sete anos de fome que hão de assolar o Egito. Desta forma, a fome não há de destruir o país.»

37

O plano exposto por José agradou ao faraó e aos conselheiros.

38 Então o faraó disse aos seus conselheiros: «Seremos porventura capazes de encontrar um homem tão inspirado por Deus como este?»

39 Por isso, declarou a José: «Visto que Deus te deu a conhecer todas essas coisas, não há ninguém tão inteligente e sábio como tu.

40 Ficas encarregado de dirigir o meu palácio; e todo o meu povo se submeterá às tuas ordens . Só eu serei maior do que tu, porque sou o rei.»

41 O faraó continuou ainda: «Portanto, ficas nomeado governador de todo o país do Egito.»

42 Ao dizer isto, tirou da sua mão o anel com o selo real e colocou-o na mão de José. Mandou-lhe vestir roupas de linho fino e colocar ao pescoço um colar de ouro .

43 Depois convidou-o a subir para o carro destinado ao principal colaborador do faraó e ordenou que à frente dele fosse um arauto a gritar: «Prestem homenagem !» E assim José ficou nomeado governador de todo o Egito.

44

O faraó declarou a José: «Eu sou o faraó. Mas sem a tua autorização, ninguém pode fazer seja o que for no Egito.»

45

O faraó deu a José o nome de Safnat-Panea e deu-lhe em casamento Assenat, filha de Potifera, sacerdote de Heliópolis. Depois José saiu dali para ir percorrer todo o Egito.

46

José tinha trinta e seis anos de idade quando compareceu diante do faraó, rei do Egito. Depois despediu-se do faraó e começou a viajar por todo o Egito.

47 Durante os sete anos de fartura a terra produziu colheitas muito abundantes.

48 Ele mandou recolher, durante aqueles sete anos, tudo aquilo que sobrava e mandou-o armazenar nas várias cidades, para vir a servir de reserva de alimento. Em cada cidade, armazenava tudo o que sobrava da colheita dos campos da região.

49

José conseguiu assim armazenar trigo em tão grande quantidade, como as areias do mar. José teve mesmo de deixar de o medir, porque já ninguém o conseguia medir.

50

Antes ainda de terem chegado os anos de fome, a mulher de José, Assenat, filha de Potifera, sacerdote de Heliópolis, deu à luz dois filhos.

51 Ao mais velho José deu o nome de Manassés porque, dizia ele, «Deus fez com que eu pudesse esquecer todos os meus sofrimentos e a casa do meu pai .»

52 Ao segundo deu o nome de Efraim porque, dizia ele, «Deus fez com que eu tivesse filhos na terra onde vivi oprimido .»

53

Acabaram-se aqueles sete anos de fartura que houve no Egito

54 e começaram os sete anos de fome, tal como José tinha anunciado. Em todos os outros países havia fome. Mas no Egito havia comida.

55

Quando os habitantes do Egito começaram a sentir fome e foram pedir trigo ao faraó, este respondia a todos: «Vão ter com José e façam o que ele vos mandar .»

56

Quando a fome já se estendia a todo o país, José mandou abrir os armazéns de trigo, para ser distribuído pelos egípcios, porque a fome apertava cada vez mais no Egito.

57 De todos os países iam ao Egito para comprar trigo a José, porque a fome era enorme por todo o lado.

42

1

Jacob soube que no Egito se distribuíam rações de trigo e disse aos seus filhos: «Porque estão para aí a olhar uns para os outros?

2 Ouvi dizer que no Egito vendem trigo. Vão lá ver se conseguem também arranjar algum, para podermos continuar a viver e para não termos de morrer de fome.»

3

Dez dos irmãos de José puseram-se a caminho, para irem ao Egito comprar trigo.

4 Mas Jacob não deixou ir Benjamim, irmão de José, com os outros irmãos, porque receava que lhe acontecesse alguma desgraça.

5 Os filhos de Israel que iam comprar trigo juntaram-se aos outros que também iam com o mesmo fim, porque a fome era geral na terra de Canaã.

6

José era quem mandava no país e era ele que determinava o trigo que se podia vender ao povo. Por isso, os irmãos de José foram apresentar-se diante dele, inclinando-se até ao chão.

7 Ao ver os seus irmãos, José reconheceu-os, mas dirigiu-se a eles com maneiras duras, como se não os conhecesse, e perguntou-lhes: «Donde vêm?» Eles responderam: «Vimos da terra de Canaã para comprar mantimentos.»

8

José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.

9 José estava a lembrar-se dos sonhos que tinha tido a respeito deles e declarou: «São mas é espiões e vieram para saber quais seriam os pontos fracos deste país!»

10 Mas eles replicaram: «De maneira nenhuma, senhor! Estes seus servos vieram só para comprar mantimentos.

11 Somos todos filhos do mesmo pai e somos gente honrada; estes seus servos nunca foram espiões!»

12 José replicou: «Não é verdade! Vocês vieram saber quais eram os pontos fracos deste país!»

13 Mas eles insistiram de novo: «Nós, servos de Vossa Majestade, éramos doze irmãos, todos filhos do mesmo pai, que vive na terra de Canaã. O mais novo ficou com o pai e o outro já não existe.»

14

Contudo, José insistiu mais uma vez: «É aquilo que eu vos disse. Vocês são espiões

15 e vamos já tirar a prova disso. Juro pela vida do faraó que não sairão daqui sem cá vir o vosso irmão mais novo.

16 Que um de vós vá buscar o vosso irmão enquanto vocês ficam aqui presos. Se for verdade o que disseram sobre esse irmão, considero que as outras vossas declarações também serão verdadeiras. Mas se não for verdade, juro pela vida do faraó que serão considerados como espiões.»

17 José mandou-os para a cadeia, onde ficaram três dias.

18

No fim desses três dias José disse-lhes: «Eu sou uma pessoa que respeita a Deus. Por isso, se querem conservar a vida, façam aquilo que vos vou dizer.

19 Se realmente são gente honrada, que fique apenas um aqui na prisão; os outros podem ir, levando consigo trigo para matar a fome à vossa família.

20 Mas tragam-me cá o vosso irmão mais novo, para eu ver se as vossas declarações são verdadeiras e assim não terão que morrer.»

Eles prontificaram-se a fazer isso,

21 mas iam comentando uns para os outros: «Infelizmente, somos agora castigados por causa do nosso irmão, pois quando ele estava em aflição e nos pediu compaixão não fizemos caso dele. Por isso, caiu agora sobre nós esta desgraça.»

22

Rúben disse-lhes: «Eu bem vos disse que não fizessem mal ao rapaz, mas não me quiseram dar ouvidos . Agora estamos a responder pela sua morte.»

23

Eles não sabiam que José estava a perceber o que eles diziam, dado que sempre lhes tinha falado por meio de um intérprete.

24 José então retirou-se de junto deles e chorou de emoção. Depois foi de novo ter com eles para lhes falar e mandou que Simeão fosse preso ali à vista de todos.

25

Depois José deu ordens para que enchessem os sacos deles com trigo e pusessem em cada saco o dinheiro, que eles tinham dado pelo trigo e que, além disso, lhes dessem provisões para a viagem. E assim fizeram.

26 Eles carregaram o trigo nos seus burros e foram-se embora.

27

Na estalagem onde passaram a noite, um deles abriu o saco para dar de comer ao seu burro e encontrou o dinheiro, colocado mesmo na boca do seu saco.

28 Foi contar aos irmãos e disse-lhes: «Deram-me outra vez o dinheiro. Reparem, está aqui na boca do meu saco!» Eles ficaram muito assustados; e a tremer diziam uns para os outros: «Que significa isto que Deus nos fez?»

29

Quando chegaram junto do seu pai, Jacob, na terra de Canaã, contaram-lhe tudo aquilo que lhes tinha acontecido e disseram-lhe:

30 «O homem que governa aquele país falou-nos com modos muito duros e tratou-nos como se tivéssemos ido para espiar o país.

31 Nós insistimos com ele que somos gente honrada e nunca tínhamos praticado espionagem.

32 Dissemos que éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai, que um já não existia e que o mais novo tinha ficado com o pai na terra de Canaã.

33 Mas o homem que manda naquele país respondeu-nos: “Para eu saber se são realmente gente honrada, que fique aqui comigo um de vós; os outros podem ir e levar os mantimentos necessários para matar a fome da vossa família;

34 depois tragam-me o vosso irmão mais novo. Assim ficarei a saber que de facto não são espiões e que são gente honrada. Só então vos entregarei de novo o vosso irmão e poderão andar à vontade pelo país.”»

35

Quando foram esvaziar os seus sacos, cada um deles encontrou uma bolsa com o dinheiro dentro do saco. Ao verem as bolsas com o seu dinheiro, ficaram cheios de medo, tanto eles como o pai.

36

Jacob disse-lhes então: «Vão-me deixar sem filhos. Primeiro fiquei sem José; agora fiquei sem Simeão; e ainda querem levar-me Benjamim? E eu é que tenho de suportar estas perdas todas.»

37

Mas Rúben respondeu ao pai: «Podes matar os meus dois filhos, se eu não te trouxer de novo Benjamim. Deixa-o ao meu cuidado que eu prometo que to hei de trazer.»

38 Mas Jacob respondeu: «O meu filho não pode ir convosco, porque o irmão dele já morreu e este ficou a ser o único sobrevivente dos dois filhos de Raquel. Se alguma desgraça lhe acontece durante essa vossa viagem, obrigam este velho a morrer de tristeza.»

43

1

A fome no país era cada vez mais dura.

2 E quando acabaram de comer todos os mantimentos que tinham levado do Egito, Jacob disse aos seus filhos: «Vão outra vez ao Egito para ver se conseguem arranjar alguma coisa para comermos.»

3 Mas Judá respondeu: «Aquele homem avisou-nos muito severamente que não fossemos outra vez ter com ele sem levarmos o nosso irmão connosco.

4 Portanto, se deixas ir o nosso irmão connosco, nós vamos comprar mantimentos para ti.

5 Mas se não deixares, não vamos, porque aquele homem nos avisou que não fossemos mais ter com ele sem levarmos connosco o nosso irmão.»

6

Israel respondeu: «Por que é que foram dizer a esse homem que tinham mais um irmão? Causaram-me um enorme prejuízo!»

7 Mas eles responderam: «Foi aquele homem que nos interrogou sobre a nossa família. Perguntou se o nosso pai ainda estava vivo e se tínhamos mais algum irmão. Nós não fizemos outra coisa senão responder às perguntas que nos fez. Como íamos nós adivinhar que ele nos iria exigir que levássemos lá o nosso irmão?»

8

Judá pediu a Israel, seu pai: «Deixa ir o menino comigo. Só assim podemos pôr-nos a caminho, para podermos sobreviver e não morrer de fome, tanto nós como tu como as nossas crianças.

9 Eu assumo a responsabilidade por ele e podes pedir-me contas, se alguma coisa acontecer. Se eu não o trouxer de novo à tua presença, considero-me culpado diante de ti por toda a minha vida.

10 E se não nos tivéssemos demorado aqui tanto tempo, já tínhamos ido e voltado duas vezes.»

11

Israel, seu pai, respondeu-lhes: «Sendo assim, façam da seguinte maneira: levem nos vossos sacos os melhores produtos que temos no país e ofereçam um presente a esse homem. Podem levar bálsamo, mel, aromas, ládano, pistácios e amêndoas.

12 Levem o dobro do dinheiro mais o outro dinheiro que vos foi restituído e que vinha nos vossos sacos, porque podia ter sido por engano.

13 Levem também o vosso irmão e vão outra vez ter com esse homem!

14 Que o Deus supremo faça com que esse homem tenha compaixão de vós e deixe vir o vosso irmão assim como Benjamim. E se eu tiver de ficar sem os filhos, paciência!»

15

Eles arranjaram então os presentes e puseram-se a caminho do Egito, levando consigo o dobro do dinheiro; Benjamim foi também com eles. Quando se apresentaram a José

16 e este viu que Benjamim também tinha vindo com eles, disse ao seu mordomo: «Leva estes homens para o meu palácio; mata um animal e prepara-o, porque hoje ao meio-dia eles serão meus convidados para almoçar!»

17

O mordomo fez exatamente o que José tinha ordenado e levou aqueles homens para o palácio de José.

18 Ao verem que eram conduzidos para o palácio de José, começaram a ficar com medo e diziam uns para os outros: «É por causa do dinheiro que nós encontrámos nos sacos na vez passada. Isto é para nos acusar e nos condenar, para fazer de nós seus escravos e ficar com os nossos burros.»

19 Por isso, à entrada do palácio de José, aproximaram-se do mordomo para falar com ele

20 e disseram-lhe: «Por favor, meu senhor! Da primeira vez que viemos ao Egito comprar trigo,

21 quando já íamos de regresso chegámos à estalagem onde pernoitámos, fomos abrir os nossos sacos e cada um encontrou lá dentro o seu dinheiro inteirinho. Mas agora trouxemos esse dinheiro

22 e ainda outro tanto para o trigo que precisamos de comprar. Não sabemos quem é que pôs o dinheiro nos nossos sacos.»

23

O mordomo respondeu-lhes: «Estejam calmos! Não tenham medo! O vosso Deus e Deus do vosso pai é que deve ter colocado esse tesouro nos vossos sacos, porque o vosso dinheiro recebi-o eu.» Depois o mordomo libertou Simeão e levou-o para junto deles.

24 O mordomo conduziu-os então para o palácio de José, ofereceu-lhes água para lavarem os pés e deu forragem aos seus burros.

25 A seguir eles prepararam os seus presentes, enquanto esperavam pelo meio-dia, hora a que José chegaria, pois já lhes tinham dito que iriam almoçar ali.

26

Quando José chegou a casa, eles apresentaram-lhe os presentes que tinham trazido e inclinaram-se até ao chão.

27 Depois de os ter saudado, perguntou-lhes: «Como é que está o vosso velho pai de que me falaram? Ainda vive?»

28 Eles responderam: «O nosso pai ainda vive e está bem.» E voltaram a inclinar-se em sinal de respeito.

29

Olhando à sua volta José viu Benjamim, seu irmão tanto por parte do pai como da mãe , e perguntou; «É este o vosso irmão mais novo de que me falaram?» Depois acrescentou: «Que Deus te abençoe, meu filho.»

30 José ficou tão profundamente emocionado com o seu irmão que sentiu necessidade de chorar. Por isso, retirou-se rapidamente para o seu quarto e pôs-se a chorar.

31 Quando viu que já conseguia conter-se, lavou a cara, saiu e ordenou: «Sirvam o almoço.»

32

Foi servido o almoço para José, numa mesa; para eles noutra, e para os egípcios que comiam no palácio de José, noutra. De facto, os egípcios não podiam comer com os hebreus; a sua religião proibia-lhes isso .

33

Os irmãos de José sentaram-se em frente dele por ordem de idades, desde o mais velho ao mais novo, e olhavam uns para os outros muito surpreendidos.

34 José mandou que lhes servissem comida da sua própria mesa e a porção servida a Benjamim era cinco vezes maior que as de todos os outros irmãos. E eles fizeram festa com ele e beberam à vontade.

44

1

José ordenou ao seu mordomo: «Enche de trigo os sacos destes homens, até estarem bem cheios, e coloca o dinheiro de cada um na boca do seu saco.

2 E coloca a minha taça de prata na boca do saco do mais novo, junto com o dinheiro que ele trouxe para o trigo.» E o mordomo fez como José lhe tinha ordenado.

3 Ao raiar da manhã, os irmãos obtiveram licença para poderem sair com os seus burros.

4 Quando apenas tinham saído da cidade e não estavam ainda muito longe, José disse ao seu mordomo: «Corre depressa atrás desses homens e, quando os alcançares, diz-lhes: “Por que é que me pagaram o bem com o mal?

5 Roubaram a taça de que o meu amo se servia para beber e para praticar adivinhação . Vocês praticaram uma ação muito má.”»

6

O mordomo chegou ao pé deles e repetiu exatamente aquelas palavras.

7 Eles responderam-lhe: «Como é que o senhor pode dizer uma coisa dessas? Longe de nós fazer uma coisa assim!

8 Lembre-se que até trouxemos de Canaã o dinheiro que tínhamos encontrado na boca dos nossos sacos para lho restituirmos. Como é que nós íamos agora roubar de casa do seu amo prata ou ouro?

9 Se algum de nós tiver essa taça, seja condenado à morte. E todos nós ficaremos a ser seus escravos.»

10

O mordomo respondeu: «Está bem. Vamos fazer assim! Aquele que for encontrado de posse da taça ficará a ser meu escravo, mas os outros ficam livres.»

11 Cada um deles se apressou a colocar os seus sacos no chão e cada um abriu o seu.

12 O mordomo começou então a revistá-los, desde o mais velho ao mais novo, e encontrou a taça no saco de Benjamim.

13

Diante disto, eles rasgaram as roupas em sinal de tristeza, carregaram cada um o seu burro e voltaram para a cidade.

14 Judá e os seus irmãos dirigiram-se para o palácio de José, o qual se encontrava ainda lá, e inclinaram-se diante dele até ao chão.

15

José perguntou-lhes: «Que é que me fizeram? Não sabiam que um homem como eu consegue adivinhar tudo?»

16

Judá respondeu: «Que podemos nós dizer-lhe, meu senhor? Como é que podemos provar-lhe que estamos inocentes? Deus descobriu a nossa culpa. Estamos dispostos a ficar seus escravos, nós e aquele que levava consigo a taça.»

17

José respondeu: «De maneira nenhuma farei uma coisa dessas. Só aquele que levava consigo a minha taça é que ficará a ser meu escravo, e vocês podem ir tranquilamente ter com o vosso pai.»

18

Mas Judá aproximou-se mais dele e disse-lhe: «Por favor, meu senhor. Permita que este seu servo pronuncie uma palavra diante de si e não se irrite contra mim, pois o senhor é como se fosse quase o faraó.

19 O meu senhor tinha perguntado a estes seus servos se tínhamos ainda pai e mais algum irmão.

20 Nós respondemos ao meu senhor que tínhamos pai, já velho, e um irmão mais novo, nascido quando o pai já era de idade avançada. O seu outro irmão, filho da mesma mãe, morreu e ficou só este, de modo que o pai está muito afeiçoado a ele.

21 Mas o meu senhor disse a estes seus servos: “Tragam-mo cá que eu quero vê-lo.”

22 Nós bem dissemos ao meu senhor que o menino não podia sair de junto do pai, porque se saísse de junto dele o pai morreria.

23 Mas o meu senhor insistiu dizendo: “Se o vosso irmão mais novo não vier convosco, não poderão voltar mais a aparecer diante de mim.”

24 Por isso, fomos ter com o nosso pai e servo de vossa senhoria e transmitimos-lhe as suas ordens.

25

Quando o meu pai nos disse: “Vão ao Egito e comprem alguns mantimentos”,

26 nós respondemos: “Não podemos apresentar-nos mais diante daquele senhor se o nosso irmão mais novo não for connosco.”

27 Foi então que o nosso pai e servo de vossa senhoria nos disse: “Sabem bem que a mãe do meu filho Benjamim só me deu dois filhos.

28 Um deles saiu um dia de casa e nunca mais o vi. Penso que certamente uma fera o terá devorado.

29 Se me levam agora também este para longe de mim e lhe acontece qualquer desgraça, vão fazer com que este velho morra de tristeza.”

30

Por tudo isto, se agora voltamos para junto do nosso pai sem levarmos o rapaz connosco, o nosso pai, que está tão apegado ao rapaz,

31 morre de desgosto quando vir que ele não volta connosco. E nós vamos obrigar o nosso velho pai a morrer de tristeza.

32

Foi por isso que eu me ofereci para ficar responsável pelo menino diante do meu pai e lhe disse: “Se não to trouxer de novo, assumo essa responsabilidade diante de ti, por toda a minha vida.”

33

Por conseguinte, meu senhor, peço-lhe que me deixe ficar a mim como seu escravo, para que este rapaz possa voltar para casa com os seus irmãos.

34 Como é que eu posso ir ter com o meu pai sem levar o rapaz? Não quero ver a tristeza que se abateria sobre o meu pai.»

45

1

José já não conseguia conter mais a emoção. Por isso, ordenou a todos os que estavam ali ao seu serviço: «Saiam da minha presença.» E assim não ficou ninguém com ele, na altura em que José se deu a conhecer aos seus irmãos.

2

José chorou em voz alta, de tal maneira que os egípcios o puderam ouvir e a notícia chegou ao palácio do faraó.

3

José disse então aos seus irmãos: «Eu sou José. O meu pai ainda está vivo?» Mas eles nem conseguiram responder de tão assustados que estavam por estarem na sua presença.

4 José insistiu: «Aproximem-se mais, por favor!» Eles aproximaram-se e José continuou: «Eu sou José, o vosso irmão, que vocês venderam para o Egito,

5 mas não se aflijam nem tenham remorsos por me terem vendido para aqui, porque foi Deus que me enviou à vossa frente para podermos sobreviver.

6 A fome já dura há dois anos no país e durante cinco anos não haverá sementeira nem colheita.

7 Deus mandou-me à vossa frente para garantir que a vossa descendência possa ter continuidade e para vos salvar a vida com um prodígio extraordinário.

8 Não foram, portanto, vocês que me mandaram para aqui; foi Deus que me enviou e fez de mim como que um pai para o faraó, para dirigir todo o seu palácio e governar o Egito inteiro.

9

Vão depressa ter com o meu pai e digam-lhe: O teu filho José manda-te dizer isto: “Deus fez com que eu me tornasse o senhor do Egito inteiro. Vem para junto de mim, sem tardar.

10 Ficarás a viver na região de Góchen e assim estarás perto de mim , tu e os teus filhos e netos; as tuas ovelhas e vacas e tudo o que te pertence.

11 Lá eu tomarei providências para o teu sustento, de modo que nem tu, nem a tua família, nem nada do que te pertence será prejudicado, mesmo que ainda venham mais cinco anos de fome.”

12 Todos, e o meu irmão Benjamim, são testemunhas de que eu próprio vos comuniquei isto.

13 Contem ao meu pai o enorme poder que eu tenho no Egito e tudo o resto que puderam ver. Voltem depressa com o meu pai.»

14 Depois abraçou-se a Benjamim a chorar e Benjamim chorava igualmente abraçado a José.

15 A seguir, José beijou todos os seus irmãos a chorar e só depois é que os irmãos conseguiram falar com ele.

16

A notícia de que os irmãos de José tinham chegado correu rapidamente pelo palácio do faraó. E todos, desde o faraó aos seus cortesãos, ficaram muito contentes.

17 Então o faraó disse a José: «Diz aos teus irmãos que carreguem os seus animais para regressarem à terra de Canaã

18 e trazerem o vosso pai e as vossas famílias para junto de mim. Quero dar-lhes o melhor lugar que existe no Egito, para poderem comer do melhor que esta terra produz.

19 Insiste com eles para que levem daqui carros para depois poderem trazer para cá as suas crianças e mulheres e o vosso pai. Que eles venham

20 e não tenham pena das coisas que têm que abandonar, porque a melhor terra que há no Egito será para eles.»

21

Os filhos de Israel assim fizeram. José entregou-lhes carros, como o faraó tinha ordenado, e deu-lhes provisões para a viagem.

22 A cada um deles deu roupas novas. E a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupa.

23 Ao seu pai mandou dez burros carregados com o melhor que se produz no Egito e dez mulas carregadas de trigo, mantimentos e provisões para a sua viagem.

24

Quando se despedia dos seus irmãos, na altura em que eles estavam para partir, José disse-lhes: «Não se metam em contendas, durante a viagem.»

25 Eles saíram do Egito e foram ter com o pai na terra de Canaã.

26

Quando lhe comunicaram que José ainda estava vivo e era ele quem governava o Egito inteiro, Jacob nem reagiu, pois não podia acreditar no que diziam.

27 Mas quando eles lhe contaram aquilo que José lhes tinha dito e quando viu os carros que José tinha mandado para ele fazer a viagem, Jacob, seu pai, ganhou nova vida

28 e então exclamou: «Basta-me que o meu filho esteja ainda vivo. Quero ir vê-lo antes de morrer!»

46

1

Jacob pôs-se a caminho do Egito, com tudo o que era seu. Chegou a Bercheba e ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaac, seu pai.

2 Deus apareceu-lhe durante a noite e chamou por ele: «Jacob! Jacob!» Ele respondeu: «Estou aqui!»

3 Deus acrescentou: «Eu sou o Deus do teu pai . Não tenhas medo em ir para o Egito, que eu ainda hei de fazer de ti um grande povo.

4 Eu vou contigo para o Egito! Eu próprio te farei sair de lá e José é que há de fechar-te os olhos, quando morreres.»

5

Jacob saiu de Bercheba e os seus filhos levaram-no, com as crianças e as mulheres, nos carros que o faraó tinha mandado para o transporte.

6 Jacob e todos os seus descendentes levaram todos os gados e tudo o que tinham adquirido em Canaã e foram para o Egito.

7 Iam com ele os seus filhos, os seus netos, as suas filhas e netas, numa palavra, os seus descendentes.

8

São estes os nomes da família de Israel, isto é, Jacob e os seus descendentes que foram para o Egito.

Rúben, o filho mais velho de Jacob,

9 e os filhos de Rúben, Henoc, Palu, Hesron e Carmi.

10

Filhos de Simeão: Jemuel, Jamin, Oad, Jaquin, Soar e Saul, filho duma mulher cananeia.

11

Filhos de Levi: Gerson, Queat e Merari.

12

Filhos de Judá: Er, Onan, Chela, Peres e Zera. Er e Onan tinham morrido, ainda na terra de Canaã. E Peres tinha dois filhos: Hesron e Hamul.

13

Filhos de Issacar: Tola, Puva, Job e Chimeron.

14

Filhos de Zabulão: Séred, Elon e Jaliel.

15

Estes eram descendentes de Lia, dois filhos que ela deu à luz ainda na Mesopotâmia, aos quais se deve acrescentar a sua filha Dina, perfazendo um total de trinta e três pessoas.

16

Filhos de Gad: Sifion, Hagui, Chuni, Hesbon, Eri, Arodi e Areli.

17

Filhos de Asser: Jimna, Jisva, Jisvi, Beria e uma irmã destes, chamada Sera. Filhos de Beria: Héber e Malquiel.

18

Estes eram filhos de Zilpa, serva que Labão tinha dado à sua filha Lia, filhos que ela deu a Jacob. Ao todo dezasseis pessoas.

19

Filhos de Raquel, mulher de Jacob: José e Benjamim.

20

José tinha dois filhos, nascidos no Egito, filhos dele e de Assenat, a filha de Potifera, sacerdote de Heliópolis. Esses dois filhos eram Manassés e Efraim .

21

Filhos de Benjamim: Bela, Béquer, Asbel, Guera, Naaman, Eí, Rós, Mupim, Hupim e Arde.

22 Estes eram os descendentes que Raquel tinha dado a Jacob. Eram, ao todo, catorze pessoas.

23

Filho de Dan: Huchim.

24

Filhos de Neftali: Jaciel, Guni, Jécer e Chilém.

25 Estes eram descendentes dos filhos de Bilá, serva que Labão deu à sua filha Raquel, filhos que ela deu a Jacob. Ao todo sete pessoas.

26

Todas as pessoas que chegaram com Jacob ao Egito, todos seus descendentes, excluindo, portanto, as mulheres dos seus filhos, eram em número de sessenta e seis pessoas.

27

Os filhos de José nascidos no Egito eram dois. Deste modo, todos os membros da família de Jacob, quando este foi para o Egito, perfaziam setenta pessoas.

28

Jacob enviou Judá à sua frente para ir ter com José e para preparar as coisas em Góchen. Quando eles chegaram a Góchen,

29 José mandou que preparassem o seu carro para ir lá receber o seu pai, Israel. Quando se apresentou diante do seu pai, abraçou-o e ficou a chorar muito tempo abraçado a ele.

30

Jacob disse a José: «Agora já posso morrer, depois de saber que estás vivo e de eu próprio te ter visto.»

31

José disse aos seus irmãos e a toda a família do seu pai: «Vou anunciar a notícia ao faraó. Vou dizer-lhe que os meus irmãos e a família do meu pai, que se encontravam em Canaã, vieram para junto de mim.

32 Vou dizer-lhe que trouxeram as ovelhas e vacas e tudo o que lhes pertence, porque são pastores de ovelhas e donos de bois e vacas.

33 E se o faraó vos mandar chamar e vos perguntar em que é que trabalham,

34 respondam-lhe: “Estes servos de Vossa Senhoria são proprietários de gado; desde pequenos, este é o nosso trabalho, e já era assim o dos nossos antepassados. Desta forma, poderão habitar na região de Góchen, pois os egípcios têm horror aos que vivem como pastores.”»

47

1

José foi levar a notícia ao faraó e disse-lhe: «O meu pai e os meus irmãos vieram da terra de Canaã, trazendo consigo os seus rebanhos de ovelhas e vacas e tudo o que lhes pertence. Encontram-se agora na região de Góchen.»

2 José levou consigo cinco dos seus irmãos para os apresentar ao faraó.

3

O faraó perguntou então aos irmãos de José: «Em que é que se ocupam?» Eles responderam-lhe: «Nós somos pastores de ovelhas, meu senhor, tal como já eram antes os nossos pais.»

4 E declararam ao faraó: «Viemos para residir neste país, porque não havia pastagens para os gados que estes seus servos possuem, pois a fome era enorme na terra de Canaã. Pedimos-lhe, portanto, que deixe que estes seus servos habitem na região de Góchen.»

5

O faraó dirigiu-se a José e disse-lhe: «Uma vez que o teu pai e os teus irmãos vieram para junto de ti,

6 aí tens à tua disposição todo o Egito. Podes instalar o teu pai e os teus irmãos na melhor região do país. Podem ficar na região de Góchen. E se vires que entre eles há homens competentes para guardarem os meus rebanhos, podes confiar-lhes esse encargo.»

7

José foi apresentar o seu pai, Jacob, ao faraó e Jacob saudou-o respeitosamente.

8 O faraó perguntou-lhe: «Quantos anos tens já?»

9 Jacob respondeu: «Vivo neste mundo há cento e trinta anos. Passaram depressa e foram tristes os anos que já vivi. Não atingi ainda o número de anos que os meus antepassados viveram neste mundo.»

10 Depois Jacob saudou de novo o faraó e retirou-se da sua presença.

11

José instalou o seu pai e os seus irmãos e deu-lhes propriedades na melhor terra do Egito, na região de Ramessés , cumprindo ordens recebidas do faraó.

12 José mandava também distribuir mantimentos ao seu pai e aos seus irmãos, dando a cada família alimentos conforme o número de filhos que tinha.

13

A comida faltava por todo o Egito e a fome era muito grande. Havia pessoas que morriam de fome, tanto no Egito como em Canaã.

14 José foi recolhendo todo o dinheiro que havia no Egito e em Canaã, em troca do trigo que iam buscar, e guardou-o todo no palácio do faraó.

15 Assim deixou de haver dinheiro a circular, tanto no Egito como em Canaã. Então os egípcios iam ter com José e diziam-lhe: «Dá-nos trigo. Porventura vais deixar-nos morrer, só porque já não temos dinheiro?»

16

José dizia-lhes: «Se não têm dinheiro, tragam-me os vossos gados que eu dou-vos trigo em troca dos animais.»

17 Eles levavam os rebanhos a José e ele distribuía-lhes trigo em troca de cavalos, de rebanhos de ovelhas e vacas e de burros; e durante aquele ano foi-lhes distribuindo mantimentos em troca dos seus gados.

18

No ano seguinte, foram de novo ter com ele e disseram-lhe: «Não podemos negar que se nos acabou o dinheiro e que o gado já está também em seu poder. Nada mais nos resta a não ser o nosso corpo e as nossas terras.

19 Será que nos vais deixar morrer e os nossos campos terão de ficar perdidos? Aceita-nos a nós e aos nossos campos em troca de trigo. Assim seremos escravos e os nossos campos propriedade do faraó. Mas dá-nos a semente para que possamos sobreviver e para que a nossa terra não fique perdida.»

20

Assim José comprou todas as terras do Egito para o faraó, pois os egípcios foram vendendo todos os seus campos, visto que a fome era demasiada. E todas as terras ficaram a ser propriedade do faraó.

21 Quanto ao povo, de um extremo ao outro do Egito, obrigou-o a emigrar para as cidades.

22

Só as propriedades dos sacerdotes é que ele não comprou, porque aos sacerdotes o faraó destinava uma certa porção de mantimentos e eles foram comendo do que lhes dava o faraó, e não tiveram necessidade de vender as suas terras.

23

José disse então ao povo: «Desde agora, vocês e as vossas terras ficam a ser propriedade do faraó. Aqui têm semente para semearem as terras.

24 Mas devem dar a quinta parte das colheitas ao faraó. As outras quatro partes ficam para comerem com os vossos filhos e com todos os que vivem em vossas casas e ainda para a nova sementeira.»

25 Eles responderam: «Vossa Senhoria salvou-nos a vida. Já que nos fez tão grande favor, de boa vontade ficaremos a ser escravos do faraó.»

26

E assim José decretou que em todo o Egito se entregasse ao faraó a quinta parte das colheitas, o que acontece até hoje. Só as terras dos sacerdotes é que não ficaram a pertencer ao faraó.

27

Os israelitas estabeleceram-se no Egito, na região de Góchen. Adquiriram propriedades e as suas famílias cresceram até se tornarem muito numerosas .

28 Jacob viveu dezassete anos no Egito e chegou aos cento e quarenta e sete anos de idade.

29 Ao dar-se conta que estava próximo o dia em que teria de morrer, mandou chamar o seu filho José e disse-lhe: «Se me queres fazer um favor, põe a tua mão debaixo da minha coxa e jura que vais cumprir fielmente o meu pedido. Peço-te que não me sepultes no Egito.

30 Quando eu tiver morrido, para me juntar aos meus antepassados, leva-me daqui e vai-me sepultar no sepulcro deles.» José respondeu: «Farei tudo como me pediste .»

31 Mas Jacob insistiu: «Jura-me.» José jurou e Israel inclinou-se sobre a cabeceira da cama .

48

1

Algum tempo depois foram anunciar a José que o seu pai estava mal. Então ele foi ter com o pai e levou os seus dois filhos, Efraim e Manassés.

2 Alguém foi anunciar a Jacob: «Vem aí o teu filho José.» Ele fez então um esforço, conseguiu sentar-se na cama

3 e disse a José: «O Deus supremo apareceu-me em Luz , na terra de Canaã, e abençoou-me,

4 dizendo: “Eu vou fazer com que a tua família cresça e se torne muito numerosa, de modo que de ti surgirão muitas nações, e vou dar esta terra aos teus descendentes, como propriedade deles, para sempre .”

5 Por isso, os teus dois filhos que te nasceram na terra do Egito, antes de eu vir ter contigo, também são meus filhos. Efraim e Manassés são meus tal como Rúben ou Simeão .

6 A restante família que tiveres depois deles é tua; mas por serem irmãos de Efraim e Manassés receberão também parte da herança que toca aos seus irmãos.

7 Quando eu voltava da Mesopotâmia, morreu a minha esposa Raquel, já na terra de Canaã, a pouca distância de Efrata. Eu sepultei-a ali mesmo, junto ao caminho para Efrata, isto é, Belém .»

8

Reparando nos filhos de José, Israel perguntou: «Quem são estes?»

9 José respondeu ao seu pai: «Estes são os filhos que Deus me deu aqui.» Jacob disse: «Traz-mos cá para eu os abençoar.»

10 Com a velhice, a vista de Jacob tinha enfraquecido e já não conseguia ver bem. José levou os filhos junto de Jacob e ele beijou-os e abraçou-os.

11 Depois disse a José: «Eu já não esperava voltar a ver-te e Deus fez com que eu pudesse ver até os teus filhos.»

12

José tirou os filhos de entre os joelhos de Jacob e inclinou-se diante dele, com o rosto por terra.

13 Depois José pegou na mão direita de Efraim e na esquerda de Manassés e levou-os para junto de Jacob, ficando assim Efraim à esquerda e Manassés à direita do avô.

14 Jacob cruzou as mãos, estendeu a mão direita e colocou-a sobre a cabeça de Efraim, que era o mais novo, e colocou a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, que era o mais velho .

15 E abençoou a família de José com estas palavras:

«Que o Deus a quem obedeceram
os meus antepassados, Abraão e Isaac,
que o Deus que me guiou desde sempre e até agora,

16
aquele cujo mensageiro veio livrar-me de todos os males,
abençoe estes jovens.
Que eles continuem a usar o meu nome
e o nome dos meus antepassados, Abraão e Isaac.
E eles tenham muitos descendentes até encherem a terra.»

17

José viu que o seu pai tinha posto a mão direita sobre a cabeça de Efraim e ficou descontente. Quis ajudar o pai a tirar a mão da cabeça de Efraim, para a colocar sobre a cabeça de Manassés,

18 e disse ao pai: «Não é assim, meu pai. Este é que é o mais velho. Põe a tua mão direita sobre a sua cabeça.»

19 Mas o pai não aceitou e respondeu: «Eu bem sei, meu filho! E também Manassés há de vir a ser um grande povo e há de tornar-se muito poderoso. Mas o seu irmão mais novo há de ser maior do que ele e os seus descendentes serão suficientes para formar várias nações.»

20

Jacob abençoou-os naquela altura, com estas palavras: «Os israelitas hão de usar o vosso nome para abençoarem alguém e dirão assim: “Que Deus te faça tão grande como Efraim e Manassés.”»

E assim colocou Efraim à frente de Manassés.

21

Depois Israel disse a José: «Sabes bem que eu vou morrer. Mas Deus estará do vosso lado e fará com que voltem um dia para a terra dos vossos antepassados.

22 E a ti, eu dou-te Siquém , uma porção maior que a dos teus irmãos, que conquistei aos amorreus, combatendo com a minha espada e o meu arco.»

49

1

Jacob mandou chamar os seus filhos e disse-lhes: «Cheguem-se cá que eu quero anunciar-vos aquilo que vos espera no futuro .


2
Venham ouvir, ó filhos de Jacob;
prestem atenção a Israel , vosso pai.

3
Rúben, tu és o meu filho mais velho,
és o primeiro fruto do meu vigor e juventude,
o primeiro em honra e em força.

4
Impetuoso como uma onda,
mas não hás de ser o primeiro entre os teus irmãos,
porque ousaste entrar no leito do teu pai
e assim profanaste a minha cama.

5
Simeão e Levi são bem irmãos um do outro ;
as suas armas são instrumentos de violência.

6
Eu nunca entrarei nos seus planos,
nem me juntarei à sua assembleia.
Porque estavam irritados, assassinaram pessoas
e, por puro capricho, cortaram as patas a bois .

7
Maldita seja a sua irritação tão selvagem,
a sua fúria tão violenta.
Hei de distribuí-los pelo território de Jacob,
hei de dispersá-los pelo país de Israel .

8
Judá , tu serás homenageado pelos teus irmãos.
Com o teu poder dominarás os teus inimigos.
E os teus irmãos hão de inclinar-se diante de ti.

9
Tu, meu filho Judá, és como um jovem leão,
quando está de volta da sua caçada;
agacha-se e deita-se no chão como um leão ou uma leoa .
Quem ousará provocá-lo?

10
O cetro não será retirado a Judá
nem o bastão de comando que ele tem nas mãos,
até que venha aquele a quem eles pertencem
a quem os povos devem obediência .

11
Ele prende o seu burro a uma videira,
a um pé de vinha, o seu jumentinho.
Pode lavar a sua roupa em vinho,
a sua capa, no sumo da uva .

12
Os seus olhos brilham por causa do vinho
e os seus dentes estão brancos do leite.

13
Zabulão habitará à beira do mar;
será um porto para os navios.
O seu pé se estenderá até Sídon.

14
Issacar é um animal robusto,
deitado entre os seus alforges.

15
Ele já sabe que o descanso é agradável,
que é confortável deitar-se no chão.
Por isso, se deixou carregar
e aceitou o trabalho de escravo.

16
Dan governará o seu povo ,
como qualquer das tribos de Israel.

17
Dan será como uma serpente no caminho,
como uma cobra escondida no atalho,
que morde o calcanhar do cavalo
e faz cair ao chão o cavaleiro .

18
Eu espero a tua ajuda, SENHOR !

19
Gad será assaltado pelos salteadores,
mas ele vai assaltá-los também pelas costas .

20
Asser tem trigo de ótima qualidade,
que constitui o manjar de reis .

21
Neftali é como uma gazela em liberdade,
que dá as mais belas crias .

22
José é um potro selvagem,
um potro junto duma nascente,
como asnos selvagens junto ao muro do poço.

23
Os arqueiros irritam-no,
atacam-no e apoquentam-no.

24
Mas os seus arcos ficam hirtos
e os seus braços e mãos tremem,
diante do Herói de Jacob,
do Pastor e Protetor de Israel,

25
o Deus do teu pai, que te ajuda,
o Deus supremo , que te abençoará
com bênçãos que descem dos céus,
com bênçãos que nascem das profundezas da terra,
com bênçãos dos seios e do ventre.

26
As bênçãos do teu pai ultrapassam as bênçãos dos meus progenitores
e os limites das colinas eternas
e o melhor das eternas colinas.
Que todas estas bênçãos desçam sobre José,
para coroar aquele que foi escolhido entre os seus irmãos.

27
Benjamim é um leão devorador :
de manhã come a sua presa
e à tarde distribui os despojos.»

28

Estas são as doze tribos descendentes de Israel e estas foram as palavras que lhes dirigiu o seu pai, ao dar a cada uma delas uma bênção particular.

29

Um dia Jacob deu estas ordens aos seus filhos: «Eu vou juntar-me aos meus antepassados. Sepultem-me junto dos meus antepassados, na gruta que está no campo de Efron, o hitita.

30 É a gruta do campo de Macpela, perto de Mambré, na terra de Canaã. Abraão comprou esse campo a Efron, o hitita, como propriedade funerária .

31 Lá foram sepultados Abraão e Sara, sua esposa, Isaac e Rebeca, sua esposa, e lá sepultei também Lia.

32 O terreno e a gruta que nele se encontra foram comprados aos hititas.»

33

Depois de ter dado estas ordens aos seus filhos, sentado na beira da cama, Jacob deitou-se de novo e expirou, indo juntar-se aos seus antepassados.

50

1

José inclinou-se sobre o rosto do seu pai e cobriu-o de beijos e de lágrimas.

2 Depois ordenou aos médicos, que se encontravam ao seu serviço que fizessem o embalsamamento do seu pai. E os médicos embalsamaram Israel.

3 Segundo os costumes dos egípcios, o embalsamamento durou quarenta dias. E os egípcios fizeram luto por Jacob durante setenta dias.

4

Passados os dias de luto pelo seu pai, José disse ao pessoal do palácio do faraó: «Se querem fazer-me um favor, digam ao faraó

5 que o meu pai, quando estava para morrer, me pediu para lhe jurar que o iria sepultar no sepulcro que ele mesmo tinha comprado na terra de Canaã. Digam ao faraó que me deixe ir sepultar o meu pai, que eu depois volto.»

6

O faraó respondeu: «Vai sepultar o teu pai, conforme o juramento que ele te pediu.»

7

José foi então sepultar o seu pai e os mais altos funcionários do palácio do faraó e do Egito acompanharam-no,

8 bem como toda a família de José e dos seus irmãos; numa palavra, toda a família de Jacob. Só deixaram na terra de Góchen as crianças, as ovelhas e as vacas.

9 Com ele foram também pessoas de carro e a cavalo, de modo que constituíam uma enorme caravana.

10 Quando chegaram a Goren-Atad, que fica a oriente do Jordão, fizeram uma solene cerimónia fúnebre e José observou o luto pelo seu pai durante sete dias.

11

Quando os cananeus, que viviam nessa região, viram aquela cerimónia de luto em Goren-Atad exclamaram: «Este luto é muito pesado para os egípcios!» Por isso, aquela localidade, que fica a oriente do Jordão, se chama Abel-Misraim .

12

Os filhos de Jacob fizeram tudo como ele lhes tinha mandado.

13 Levaram-no para a terra de Canaã e sepultaram-no na gruta do campo de Macpela, que Abraão tinha adquirido como propriedade funerária a Efron, o hitita, em frente de Mambré.

14

Depois de sepultar o pai, José voltou para o Egito com os seus irmãos e com todos os que tinham ido com ele para o funeral.

15

Como o pai tinha morrido, os irmãos de José diziam entre si: «Quem sabe se José não está ressentido connosco e se vai vingar do mal que lhe fizemos?»

16 E então mandaram dizer a José: «O teu pai, antes de morrer, ordenou-nos

17 que te disséssemos da sua parte: “Peço-te, por favor, que perdoes aos teus irmãos o seu crime e o seu pecado, pois eles trataram-te muito mal.” Por isso, te pedimos que nos perdoes, pois também nós adoramos o Deus do teu pai.» Ao ouvir estas palavras, José pôs-se a chorar.

18 Depois foram os irmãos ter com ele, inclinando-se diante dele e disseram: «Aqui estamos, dispostos a sermos teus escravos.»

19

Mas José replicou: «Não tenham medo. Será que eu estou no lugar de Deus?

20 Pensaram em fazer-me mal e Deus permitiu, por saber que isso ia contribuir para salvar a vida a muita gente, como hoje vemos.

21 Por isso, não tenham medo. Eu garanto-vos o necessário para comerem, para vós e para os vossos filhos.» E assim José tranquilizou os seus irmãos, falando-lhes com toda a delicadeza.

22

José continuou a viver no Egito, juntamente com a restante família do seu pai, e viveu cento e dez anos.

23 Chegou a ver os bisnetos de Efraim e pôde igualmente receber na sua família os filhos do seu neto Maquir, filho de Manassés.

24

Um dia José disse aos seus irmãos: «Eu vou morrer em breve. Mas Deus cuidará certamente de vós e fará com que possam sair desta terra , para irem para a terra que ele jurou dar a Abraão, Isaac e Jacob.»

25 Então José fez aos seus irmãos um pedido que eles juraram cumprir: «Quando Deus fizer com que saiam para aquela terra, levem daqui convosco os meus restos mortais.»

26

José morreu aos cento e dez anos de idade. O seu corpo foi embalsamado e colocado numa urna que ficou no Egito.